Angola está preocupada com a saída de sua sucata para fora do pais


A ministra da Indústria solicitou ontem uma concertação entre a indústria siderúrgica e os colectores para travar a exportação de sucata e permitir que seja transformada no país.

Encontro entre o Ministério da Indústria e operadores locais
Fotografia: Jaimagens | Edições Novembro

Bernarda Martins exortou os operadores a adoptarem “uma acção que favoreça o mercado angolano”, pois Angola também precisa de sucata para transformar em matéria-prima, algo que pode reduzir o dispêndio e permitir a captação de divisas com a exportação.
O Ministério da Indústria, declarou, já legislou a favor do mercado nacional, ao decidir estabelecer “quota zero” para a exportação de sucata, a fim de manter reservas suficientes para alimentar a indústria.
O encontro, que fez um levantamento da oferta do sector, concluiu que a sucata marítima é a que mais perdura no país, seguida da militar e dos caminhos de ferro, sendo “importante encontrar um equilíbrio para ver se a sucata produzida em Angola serve para alimentar a indústria e a que preço”.
Bernarda Martins anunciou que os ministérios da Indústria, Transportes, Defesa Nacional e Ambiente reúnem-se nos próximos dias para encontrar uma politica mais equilibrada entre a colecta de sucata e os preços a praticar nas aquisições, com base numa comparação entre os custos da oferta nacional e a internacional.
A questão é elevar a indústria transformadora a um patamar em que a sucata garanta postos de trabalho.
O presidente do conselho de administração da companhia siderúrgica ADA reclamou, em declarações ao Jornal de Angola, o lugar da empresa como a primeira sucateira de Angola. Georges Choucair afirmou que a ADA, com capacidade para produzir 500 mil toneladas de aço, precisa de duas mil toneladas de sucata por dia.
A indústria siderúrgica também tem uma elevada vocação exportadora, notou Georges Chocair, que apontou como a maior dificuldade a ausência de um entendimento entre transformadores e colectores de sucata.
Georges Chocair indicou a falta de divisas como outra causa da insatisfação dos empresários, que precisam de exportar o seu material para contribuir para a diversificação da economia.
O facto de ver os angolanos comprarem arcas, tubos e panelas importadas a preços cinco vezes mais altos do que seriam se produzidos no país é “inaceitável”, disse Georges Chocair.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/investimentos/fim_da_exportacao_de_sucata_nacional

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Angola tem minérios de ferro, cobre, manganês, titânio, quimberlitos, carbonatitos, ouro, fosfato, zinco, chumbo, alumínio colombita e zirconita

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O ministro da Geologia e Minas, Francisco Queiroz, participa,  até quinta-feira, na cidade do Cabo, África do Sul, na conferência internacional de minas Indaba Mining, na qual a evolução do sector mineiro angolano é apresentada como um caso de Estudo, soube o Jornal de Angola de fonte oficial.

O Ministério da Geologia e Minas anunciou ontem, em comunicado, que Francisco Queiroz preside, hoje, no Indaba  Angola Business Forúm, a um encontro subordinado ao lema “Planageo e as Oportunidades de Negócios no Sector Mineiro” realizado para atrair a investidores e decisores governamentais, assim como para permitir  a partilha de informação.
O Plano Nacional de Geologia e Minas (Planageo) é uma investigação de recursos minerais – possivelmente a mais ambiciosa de sempre realizada em Angola – que depois de lançado, em 2013, permite ao país conhecer com detalhe de que recursos dispõe, para iniciar um processo de diversificação da produção do sector, por agora assente nos diamantes.

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O comunicado refere que, no espaço do Indaba Mining, Angola apresenta um pavilhão com material de promoção com a estratégia do Executivo para o sector, as operadoras do Planageo e as empresas mineiras de capital privado que operam no mercado nacional.
Em declarações feita  na  quarta-feira com a ministra do Ambiente do Marrocos, Hakima El Haity, em Luanda, Francisco Queiroz declarou que o Planageo está a trazer novidades que apontam para “Angola  ser um país mineiro no futuro”.

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O ministro disse que a interpretação dos dados do Planageo aponta a prevalência de minérios como ferro, metais básicos, cobre, manganês, titânio, quimberlitos, carbonatitos, ouro, fosfato, zinco, chumbo, alumínio colombita, zirconita e fosfato.
O Indaba é um encontro de periodicidade anual que, nesta edição, se debruça sobre temas como os vícios económicos globais, a África e a comunidade mineira, o  financiamento de infra-estruturas  e projectos de parceria com empresas estatais, carvão em mercados emergentes e a criação de valor e desenvolvimento local.
Em paralelo ao evento, é realizada uma  exposição na qual os grandes operadores vão  mostrar o seu potencial em vários domínios da actividade mineira e procurar estabelecer parcerias e, sobretudo, tentar conseguir contratos

Angola atinge autossuficiência na produção de cimento, refrigerantes e aço

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Angola já é auto-suficiente na produção de cimento, refrigerantes, águas engarrafadas e varão de aço, tendo em curso estudos para elevar o valor dos direitos aduaneiros ou proibir a importação deste último, anunciou quinta-feira o director do Gabinete de Estudos Projectos e Estatística (GEPE) do Ministério da Indústria.
 
Ivan Prado disse à Angop que Angola produz por ano cerca de 500 mil toneladas de varão de aço, 9,200 milhões de toneladas de cimento, 5,5 milhões de hectolitros de refrigerantes e dez milhões de hectolitros de águas engarrafadas, mas que, à excepção de varão, “ainda precisa de importar e noutras indústrias de transformação precisa ainda de quase tudo”.
 
O país também está em vésperas de obter elevadas produções nas fábricas têxteis Textang II (Luanda) e África Têxtil (Benguela), concluídas a cem por cento, em fase de testes, assim como na Satec (Dondo), em fase de conclusão com uma execução física de 96 por cento, disse Ivan Prado.
As fábricas têm dificuldades em obter algodão, mas, neste momento, estão identificados investidores no Sumbe e em Malanje, com os quais se conta para impulsionar a produção da matéria-prima, disse.
 
Ivan Prado revelou que o Ministério da Indústria foi orientado a encontrar entidades privadas através de um concurso público para a aquisição daquelas fábricas, em cuja edificação o Estado empregou 1.200 milhões de dólares (mais de 200 mil milhões de kwanzas). O director do GEPE do Ministério da Indústria declarou que a aposta do processo de diversificação da economia em curso, consiste em salvaguardar primeiro as cadeias produtivas, quando todas as unidades industriais devem olhar para a sua cadeia produtiva para que o país deixe de ter indústrias que dependem em cem por cento das importações.
“Devemos olhar para o sector agrícola, no sentido de criarmos ‘inputs’ para a indústria nacional. O sector tem um programa de industrialização onde a maior importância recai sobre a indústria do sector alimentar”, disse.
Dinâmica nas moagens
Angola produziu em 2015 cerca de 28 mil toneladas de farinha de milho, um aumento de cinco mil toneladas em relação a 2014 atribuído à aplicação de um programa institucional desse domínio, disse Ivan do Prado, que reconheceu que o sector tem um elevado défice de milho e outros cereais, mas que o desempenho foi conseguido com a aplicação do Programa Dirigido da Farinha de Milho.
 
O programa é operado por quatro empresas privadas angolanas, Induve, Sociedade de Moagem, Rogerio Leal e Filhos e Fonseca e Irmãos, as quais Ivan Prado considerou que “já trabalham com alguma expressão no mercado”.
 
O director do GEPE do Ministério da Indústria citou dados da Administração Geral Tributária (AGT) que apontam para uma desaceleração das importações angolanas de farinha de milho de 314 mil toneladas en 2014, para 256 mil em 2015.
“É um défice grande mas que pode ser encarado como oportunidade para quem quer investir neste segmento da economia nacional”, considerou Ivan Prado, que anunciou o interesse de um empresário privado na produção de trigo e que “tudo indica que já a partir do próximo ano se tenha farinha nacional” e voltou a citar números da AGT que também apontam para o declínio das importações desse produto de 510 mil toneladas em 2014, para 420 em 2015. O director do GEPE do Ministério da Indústria revelou que os planos das autoridades incidem agora sobre um projecto de construção de uma grande moagem em Luanda, com o arranque das operações previsto para 2017, onde se vão produzir 393 mil toneladas de farinha de trigo por ano.
 
Para ajudar Angola a obter elevado desempenho na produção de cereais, está projectado um investimento privado de produção de fertilizantes a ser implantado em Cabinda, e estão em curso estudos que envolvem vários pelouros institucionais, como a Agricultura, Geologia e Minas, Energia e Água e Petróleos.
 

Angola pode deixar de importar aço

 

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Dentro de um ano Angola pode deixar de importar varão de aço. Com a conclusão do projecto Cassinga a situação da matéria-prima nas indústrias siderúrgicas vai aumentar, proporcionando uma poupança mínima anual de 300 milhões de dólares e, ao mesmo tempo, o embolso de 200 milhões com a exportação numa primeira fase para a República Democrática do Congo, República do Congo, Zâmbia e países da África Ocidental.

Os cálculos estão feitos na base do facto de uma tonelada de varão de aço custar uma média de mil dólares nos mercados internacionais.

 
A construção da maior fábrica de siderurgia Aceira de Angola (ADA) iniciou-se em Outubro de 2012, depois de ter sido aprovado o projeto pelo Conselho de Ministros e a então Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP).
As obras consumiram entre 40 mil a 50 mil toneladas de aço, mais de 60 mil metros cúbicos de betão e mais de 60 quilômetros de cabos eléctricos.
O Decreto Presidencial 104/13, de 17 de Junho de 2013, viria a caucionar o projecto, que iniciou o seu processo de produção no final de 2015.
A criação de emprego é um dos grandes ganhos do empreendimento. A unidade siderúrgica emprega 460 trabalhadores, dos quais 67 são mulheres. Do total da mão-de-obra, 80 por cento é nacional e 20 estrangeira.
Proporcionou, ainda, mais de 3.000 postos de trabalho indirectos, sobretudo para jovens que se ocupam da recolha e fornecimento de sucata (parte da matéria-prima) a nível de todo o país.
Com a retoma da extracção do minério de ferro no depósito de Cassinga, município da Jamba, província da Huíla, prevista para 2018, a unidade fabril reforçará o fornecimento de matéria-prima para a sua laboração. A produção da mina, numa primeira fase, está estimada em um milhão e 800 mil toneladas de minério de ferro por ano.
A fábrica da ADA prevê atingir, até 2019, uma produção de um milhão de toneladas de varão de aço, em resultado de um investimento adicional de 500 milhões de dólares e da duplicação do número de trabalhadores.
Neste primeiro ano de laboração, 2016, a siderurgia vai produzir somente varão de aço. Em 2017, dar-se-á início à produção do fio-máquina (que é a matéria-prima para o desenho e laminação a frio) e a malha eléctro-soldada (malha sol) que é usada em paredes e lajes de betão.
A antiga Siderurgia Nacional de Angola foi criada em 1956. Esteve paralisada durante um longo período, mas antes produzia 30 mil toneladas de aço por ano.
Esta fábrica siderúrgica, inaugurada a 15 de Dezembro de 2015, resulta de um investimento de 300 milhões de dólares, sendo 50 por cento de capitais externos e a outra fatia de um empréstimo do Banco de Poupança e Crédito (BPC).
Do seu capital, 70 por cento é detido por acionistas angolanos e os restantes 30 por cento por estrangeiros.
A fábrica siderúrgica da Aceria de Angola está a passar por um processo de investimento para aumentar a sua capacidade, que inclui a construção de dois fornos para fusão de metal e uma área de laminagem de lingotes de ferro. Os investimentos em curso envolvem também a construção de tanques de refrigeração, o aumento da nave e o prolongamento das pontes rolantes. A ADA está instalada na comuna da Barra do Dande, no município homónimo da província do Bengo, numa área de 150 mil metros quadrados. A unidade industrial tem uma capacidade anual de produção de 500 mil toneladas de varão de aço, o suficiente para cobrir as necessidades internas, deste produto, havendo ainda a previsão de que 200 mil tenham como destino a exportação.
A unidade siderúrgica perspectiva aumentar o seu capital, em 2019, para 500 milhões de dólares, com o propósito de atingir a auto-suficiência interna em varão de aço e con solidar a sua capacidade de exportar o excedente.
Recentemente a ADA recebeu o certificado internacional “Certif”, referente à qualidade do varão de aço para armaduras de betão armado, o que foi considerado um marco histórico para a indústria angolana.
A Ministra da Indústria, Bernarda Gonçalves Martins, sublinhou que o funcionamento pleno da fábrica depende também da situação cambial que o país vive actualmente, porque é necessária a importação de algumas peças sobressalentes e consumíveis.
Referiu que este tipo de indústria usa essencialmente matérias-primas nacionais, fundamentalmente sucatas, o que obrigou à suspensão da exportação destes meios.
A ministra considerou que no âmbito da diversificação económica, a indústria siderúrgica contribui muito para o desenvolvimento do país.
A fábrica da ADA já produz aço para a construção civil, quer em forma de varão e de chapas. Neste momento, a sua força produtiva depende de pequenas empresas que fazem a distribuição de sucatas, cobram por tonelada 15 a 17 mil kwanzas, sendo que actualmente são necessárias pelo menos 500 mil toneladas de sucatas por ano, o que representa 40 mil por mês.
Segundo dados da Administração Geral Tributária (AGT), em 2015, o país importou produtos identificados como varão de aço ou similares a um custo de 75 milhões de dólares. A Sociedade Angolana de Siderurgia foi criada em 1956, na altura produzia cerca de 30.000 Toneladas de varão de aço por ano. Neste momento o país dispõe de 5 fábricas, nomeadamente: Aceria de Angola, S.A (ADA), Best Angola Metal Lda, Delta Steel Mill Lda e a Fabrimetal Lda e a Sociedade Angolana de Siderurgia, Lda “Siderurgia Nacional”.

Ferro reforça economia

A extracção de minério de ferro na mina de Cassinga, no município da Jamba, província da Huíla, é retomada, provavelmente, dentro de um ano.
Lançada no preciso momento em que Angola busca sérias alternativas ao petróleo, no âmbito da diversificação econômica, a extracção do ferro ganha corpo e faz encarar o futuro com optimismo uma vez que poderá servir de matéria-prima para a fábrica siderúrgica da ADA e para outras cuja construção está em curso no país.
A Ferrangol, cujo objecto compreende os minérios de ferro e os não-ferrosos, bem como os metais preciosos e as terras raras, subscreverá o capital social da nova sociedade mineira, ao lado de operadores privados, num exemplo típico das parcerias público-privadas incentivadas pelo Estado angolano. A retoma da exploração de minério de ferro em Cassinga resulta de uma série de ações que se desenvolveram a partir de 2010, altura em que foi aprovado o Programa de Desenvolvimento Mineiro de Cassinga, na Huíla, e Cassala-Quitungo, no Cuanza Norte.
O programa foi desenvolvido até 2013, altura em que se iniciou a sua revisão, num processo que ditou a extinção da Angola Exploration Mining Ressources (AEMR), que era o consórcio responsável pelas operações de prospecção, comparticipado pelo Executivo, através da Ferrangol e em parceria com empresas privadas.
Entre 2013 e 2015 foi revisto o programa. O processo culminou com a aprovação, em Dezembro do ano passado, de um novo figurino para a sua condução, cujo ponto central consistiu na separação entre Cassinga e Cassala-Quitungo.
À luz dessa separação, em Cassala-Quitungo serão desenvolvidos três projectos de prospecção, designadamente de ferro, manganês e ouro.

Projecto Cassinga

O Programa de Reestruturação do Projecto Mineiro-Siderúrgico de Cassinga tem três metas,  a curto, médio e a longo prazo.
O início da exploração do minério de ferro, dentro de um ano, é a meta de curto prazo. Falta apenas que sejam ultrapassados alguns condicionalismos relacionados com o Caminho-de-Ferro de Moçâmedes (CFM) e o terminal mineraleiro do Saco-Mar, na cidade do Namibe.
O escoamento do produto para o porto de exportação é uma componente tão importante quanto a sua exploração e benefício.
Para ultrapassar estes condicionalismos já foram dados alguns passos, como seja a aquisição do equipamento para o apetrechamento do terminal de exportação.
Quanto aos números, para a primeira fase, as previsões apontam para um volume de 1.8 mil milhões de toneladas anuais de concentrado de minério de ferro a extrair de Cassinga.
A manutenção ou o aumento desse nível vai depender muito do comportamento dos preços do produto no mercado internacional.
O previsto volume de extracção representa muitíssimo pouco, se comparado com os 5.5 mil milhões de toneladas de 1974, ano pico registado na história da indústria.
O preço de referência de uma tonelada de minério com o teor de ferro de 62 por cento, colocada num porto chinês, na modalidade CIF (custo, imposto e frete) é cotado, actualmente, em 62 dólares.
O minério é qualificado a partir do teor de ferro que contém. Assim, até aos 35 por cento, a qualidade é baixa, embora possa ser comercializado, desde que submetido a um tratamento adequado e muito exigente. Com 40 por cento, o produto é considerado de média qualidade, enquanto será de boa qualidade na faixa de 62 por cento.
Face aos preços praticados hoje no mercado internacional de minério de ferro, Angola poderá embolsar anualmente cerca  de 111 milhões de dólares de receita bruta, na primeira fase, na eventualidade de que as previsões do índice de produção se concretizem.
Além dos simples cifrões, a primeira fase do relançamento da exploração do minério de ferro em Cassinga tem a previsão de criar 800 empregos directos, ao que se somam muitos outros indirectos e conseguidos através de negócios de apoio à actividade ou de beneficiamento das comunidades, no âmbito da responsabilidade social do projecto. A produção, em si, não gera muitos empregos na medida em que assenta mais na especialização e no uso de maquinaria industrial.
Mesmo assim, é positiva a participação deste segmento da economia nacional na empregabilidade e sustento das comunidades angolanas no interior do país.
Para o médio prazo está prevista a entrada em operação da mina de Cateruca, igualmente na Jamba, com um potencial de reservas provadas de 400 milhões de minério de ferro.
Esta mina carece ainda de mais estudos. Existe já uma avaliação de pré-viabilidade, que culminará num outro de viabilidade, num horizonte temporal de dois a três anos.
As projecções de exploração da mina apontam para um volume anual de dez milhões de toneladas de peletes, minério beneficiado que se apresenta em forma de pequenas esferas, o que o torna facilmente manuseável no momento de acondicionamento para ser exportado.
Para a fase de longo prazo, está prevista a entrada em operação de outras minas de minérios primários e secundários que abundam na região da Jamba.

Potencial mineralógico

As enormes potencialidades mineralógicas do subsolo angolano apenas são conhecidas parcialmente. O levantamento geológico e mineralógico em curso, no quadro da operação Planageo, conduzido pelo Ministério da Geologia e Minas e cujo término está programado para 2018, seguramente trará mais informação.
Além do diamante, o território angolano é depositário de metais ferrosos (ferro, manganês, titânio e crómio), metais não ferrosos ou de base (cobre, chumbo, zinco, volfrâmio, estanho, níquel e cobalto), metais raros (lítio, nióbio e tântalo), metais nobres (ouro, prata e platina) e ainda terras raras, de utilidade nas telecomunicações.
O trabalho de prospecção geológica é bastante complexo. Nem sempre o que se procura se encontra com facilidade. Ao mesmo tempo, a operação é bastante onerosa e envolve um risco elevado. De igual modo, é um processo bastante dinâmico. O volume de reservas provadas numa determinada altura poderá alterar-se com novos estudos.
Mesmo sem ter chegado à produção, a Ferrangol empreendeu um enorme esforço, a partir de 2006, num trabalho que pode ser ilustrado com 70 mil metros de sondagens na concessão de Cassinga.
No caso da Huíla, os resultados apontam para recursos totais de Cassinga da ordem de 1.2 mil milhões de toneladas de minério de ferro, enquanto as reservas provadas estão fixadas em 512 milhões de toneladas.
Nesse total, estão incluídos os 400 milhões de toneladas do jazigo de Cateruca. Estão ainda dadas como provadas as reservas de 35 milhões de toneladas, distribuídas por pequenos jazigos, também no território da Huíla.
Na área de Cassala-Quitungo, na província do Cuanza Norte, os recursos existentes atingem 267 milhões de toneladas de minério de ferro e cinco milhões de toneladas de manganês.

História milenar

Não se sabe, com precisão, quando é que os antigos habitantes que povoaram o território angolano tiveram conhecimento do minério de ferro e o colocaram ao serviço da sua sobrevivência.
Na segunda metade do século XX, foram desenvolvidas, em Angola as primeiras actividades de exploração do minério de ferro nas áreas de Cuima (Huambo) e Cassinga (Huíla), sob a responsabilidade da Companhia Mineira do Lobito (CML), fundada em 1929.
Em simultâneo, a Companhia do Manganês de Angola (CMA), fundada no mesmo ano, desenvolvia a actividade de extracção de um outro metal, desta feita o manganês, na região de Cassala-Quitungo (Cuanza Norte).
A extracção de ferro ganhou peso na economia angolana a partir de 1960 e atingiu o pico em 1974. A actividade entrou em declínio em 1975, devido ao clima de guerra que se instaurou no país.
No conjunto das indústrias extractivas, o minério de ferro chegou a ocupar a terceira posição, depois do petróleo e dos diamantes.
Após a paralisação da exploração das minas de ferro no Cuima, na província do Huambo, o grosso do minério de ferro passou a ser extraído no município da Jamba, Huíla, mais propriamente nos depósitos de Cassinga e Chamutete. Em Malanje, a matéria-prima era extraída nos montes Saia e Tumbi. Dados da Ferrangol precisam que, entre Agosto de 1967 e Agosto de 1975, foram transportados pelo Caminho-de-Ferro de Moçâmedes (CFM) cerca de 40 milhões de toneladas de concentrado de ferro de Cassinga, numa média anual de cinco milhões de toneladas.
O ano de 1974 marcou o pico da actividade, com um recorde de 5,5 milhões de toneladas.
Em Agosto de 1975, com a eclosão do conflito armado no país, foram suspensas as operações de produção e transporte de concentrado de minério de ferro.
A persistência e a intensificação da guerra ditaram a paralisação total da actividade. A Companhia Mineira do Lobito (CML) foi extinta em Dezembro de 1979, depois de ter sido intervencionada e nacionalizada.
A 4 de Maio de 1981, foi criada a Empresa Nacional de Ferro de Angola (Ferrangol), cujo objecto social ampliado é a exploração de todos os minérios de que Angola é depositária, à excepção dos diamantes.
A nova empresa herdou os activos e passivos da Companhia Mineira do Lobito (CML) e da Companhia de Manganês de Angola (CMA).
Hoje, Cassinga representa uma concessão. Cassala-Quitungo, na província do Cuanza Norte, outra, na qual está prevista a montagem de projectos de exploração de ferro, manganês e ouro.
Entre 1981 e 1986, a angolana Ferrangol e a austríaca Austromineral tentaram relançar a actividade das minas de ferro de Cassinga, na província da Huíla, mas a produção nunca chegou a arrancar, devido à guerra.

Prospecção

Os trabalhos de prospecção e sondagens geológicas, em busca do minério de ferro, não se limitaram ao município da Jamba. Estenderam-se a Cassala-Quitungo, onde existem recursos calculados em 270 milhões de toneladas.
Na comuna do Cutato, município do Cuchi, província do Cuando Cubango, está em vias de se iniciar a produção de ferro gusa, um produto intermédio entre o minério de ferro e o aço, resultante do beneficiamento do primeiro.
Nessa localidade será implantado o Projecto Mineiro-Siderúrgico do Cuchi, a cargo da Companhia Siderúrgica do Cuchi.
Está programado o início imediato da produção de ferro gusa, num volume inicial previsto de oito mil toneladas, até ao final deste ano, para chegar às 96 mil, em 2017. A empreitada deverá arrancar com 1.713 trabalhadores angolanos e 30 estrangeiros.

Terminal Saco-Mar

O terminal mineraleiro de Saco-Mar é uma peça fundamental para a exportação do minério de ferro e derivados produzidos na região da Jamba, na província da Huíla.
Infra-estrutura de apoio ao projecto mineiro de Cassinga, o terminal permitiu ao país, antes da independência, exportar anualmente mais de três milhões de toneladas de ferro saído das minas do município da Jamba.
Actualmente inoperante, a infra-estrutura deve ser entregue à Ferrangol e aos seus parceiros, em cumprimento de um Decreto Presidencial. O processo está em curso.
Quando tiver início a exportação de minério de ferro, abrir-se-á um mercado privilegiado para a China, simultaneamente o maior produtor e importador mundial do produto.
Por essa sua dupla condição, a China tem uma palavra decisiva na fixação do preço de referência do minério de ferro nos mercados internacionais.

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/avancos__na_industria_do_ferro#foto