Presidente de Guiné Bissau diz que Fidel Castro foi uma das personalidades mais importantes do século XX

GUINÉ-BISSAU
O Presidente da República (PR) da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, considerou Fidel Castro, líder histórico da Revolução Cubana, «uma das figuras mais importantes do século XX», afirmando ainda que foi «uma grande honra ter sido um dos últimos chefes de Estado que visitou Fidel Castro».

José Mário Vaz proferiu estas palavras depois de assinar o livro de condolências da embaixada de Cuba em Bissau, recordando o encontro com Fidel Castro, em Havana, a 30 de setembro.

«É um homem que o mundo jamais esquecerá e uma das personalidades mais importantes do século XX», juntou, citado pela Agência de Notícias da Guiné.

Advertisements

Morreu o homem que estendeu a mão a Moçambique

samora-e-fidel

 

Fidel Castro (1926-2016)

Fidel Castro, líder da Revolução Cubana falecido na madrugada do último sábado, é lembrado pela maioria dos cubanos como um herói, por outros como ditador. Para os moçambicanos, será lembrado pela ajuda que prestou ao país antes e logo a seguir à independência.

Sob liderança de Fidel Castro, Cuba desempenhou um papel fundamental no apoio logístico e nos treinos militares às Forças Armadas de Moçambique, durante a luta de libertação nacional. Milhares de homens que combateram o regime colonial no país tiveram a sua instrução em Cuba, graças às boas relações entre Fidel Castro e o então Presidente moçambicano, Samora Machel.

Basta lembrar que Samora Machel, enquanto Chefe de Estado, fez inúmeras visitas a Cuba, uma das quais em Outubro de 1977, para inaugurar as escolas moçambicanas naquele país sul-americano. Numa outra visita, Samora Machel participou numa cimeira do Movimento dos Países Não-alinhados, em 1979. A última visita foi na década de 80, num périplo do Presidente Samora pelos países da América Latina, na qual teve outros destinos, como Jamaica e Nicarágua.

A educação, uma das apostas do líder revolucionário cubano, foi uma das áreas em que, com mais destaque, aquele país sul-americano teve um contributo notável em Moçambique.

Desde a independência, mais de 20 mil moçambicanos foram formados nas mais diversas áreas, numa altura em que Moçambique vivia um momento de transição difícil, agravado pela fuga de quadros, quando vários técnicos portugueses tiveram que deixar Moçambique.

No sector da saúde, por exemplo, depois de 1975, Moçambique contava com pouco menos de 20 médicos e o país enfrentava sérios casos de malária.

Vários médicos cubanos, entre voluntários e enviados especiais do presidente Fidel Castro, escalaram o país para formar e ajudar a fazer face às pandemias da época, num esforço para fechar o vazio deixado pelos portugueses.

Na actualidade, vários médicos cubanos encontram-se no país, distribuídos pelos distritos, onde participam, por exemplo, na campanha de remoção de cataratas.

No dia da morte de Fidel Castro, a vice-ministra da Educação cubana, Cira Alonso, estava reunida, em Maputo, com a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Nyeleti Mondlane.

No final da reunião, ambas expressaram o desejo de manter a cooperação bilateral focada na educação, dado o histórico das relações entre os dois países.

 

Fidel Castro abraçou causa nacionalista dos países africanos na luta pela independência

Fidel Castro fez da solidariedade internacional um pilar essencial da política exterior de Cuba. Com efeito, Havana ofereceu apoio a muitos movimentos revolucionários e independentistas em África e não só. Argélia foi o primeiro país a beneficiar da ajuda cubana, em 1961. Enquanto lutava contra o colonialismo francês, Fidel Castro respondeu à chamada da Frente de Libertação Nacional e fez chegar armas aos independentistas.

Do mesmo modo, Cuba desempenhou um papel-chave na luta contra o Apartheid; enviou cerca de 300 000 soldados a Angola, entre 1975 e 1988, para fazer frente à agressão do exército da África do Sul.

O elemento decisivo que pôs fim ao regime racista apoiado pelas potências ocidentais foi a estrondosa derrota do exército sul-africano em Cuito Cuanavale, no sudeste de Angola, contra as tropas cubanas, em Janeiro de 1988.

África do Sul, sob liderança da minoria branca, moveu uma guerra similar também contra Moçambique, na qual o país contou igualmente com apoio cubano para enfrentar a guerra movida pela Renamo.

Durante décadas, Cuba foi o santuário dos revolucionários do mundo inteiro, os quais se formaram e se aprimoraram na ilha.

Fidel Castro também acolheu exilados políticos de todos os quadrantes perseguidos pelas ditaduras militares apoiadas por Washington. A Ilha do Caribe também se converteu em refúgio dos militantes políticos perseguidos em vários países sob jugo colonial.

Fidel Castro sempre fez da solidariedade humanitária internacional um pilar fundamental da política externa de Cuba.

 

“El comandante” terá sobrevivido a mais de 600 tentativas de assassinato

Depois de inúmeras alegadas tentativas de assassinato, Fidel Castro morreu aos 90 anos. Apesar de não ser consensual o número exacto, refere o Daily Mail que o líder da Revolução Cubana conseguiu escapar a 638 ataques da CIA que visavam matá-lo. Quem o diz é Fabian Escalante, o homem que protegia Fidel.

O certo é que Fidel Castro, que nasceu a 13 de Agosto de 1926, em Biran, teve uma morte natural, aos 90 anos de idade.

Ao longo dos 47 anos em que esteve no poder, Fidel Castro foi uma figura ímpar em Cuba e no mundo. “El Comandante”, como era conhecido, tinha apenas 32 anos quando derrubou o ditador cubano Fulgêncio Batista, em 1959, transformando a partir daí Cuba num ícone do comunismo e tornando-se ele próprio um mito.

Mas o líder histórico da revolução de 1959 viria a ceder o poder ao irmão, Raul Castro, em 2006, depois de sofrer uma hemorragia intestinal. Último protagonista da Guerra Fria, governou o país com mão de ferro durante os 47 anos, mas continuou a ser o principal líder e guia ideológica do regime praticamente até à morte.

Durante a última década, fez poucas aparições públicas, foi dado como morto várias vezes na internet e nas redes sociais. A sua última aparição pública foi durante as celebrações dos 90 anos, a 13 de Agosto.

A morte de Fidel Castro, uma das figuras mais icónicas do século XX, fecha um ciclo e surge numa altura em que as relações entre Cuba e Estados Unidos foram retomadas. Os dois países assinaram um acordo histórico, anunciado em Dezembro do ano passado por Barack Obama, e reabriram as respectivas embaixadas em Washington e Havana.

http://opais.sapo.mz/index.php/internacional/56-internacional/42572-morreu-o-homem-que-estendeu-a-mao-a-mocambique.html

 

Presidente da República de Moçambique considera que Fidel Castro é um dos maiores ícones políticos dos nossos tempos

00012

 

Mensagem de condolências de Filipe Nyusi

 

Num dia em que o mundo tomou conhecimento da morte de uma das figuras mais emblemáticas do séc. XX, Fidel Castro, o Presidente da República emitiu uma mensagem de condolências ao povo cubano. A seguir, transcrevemos a mensagem de Filipe Nyusi na íntegra.

“Foi com grande pesar e consternação que tomamos conhecimento do desaparecimento físico, no dia 25 de Novembro, do Comandante Fidel Alejandro Castro Ruz, antigo Presidente da República de Cuba e líder da revolução cubana.

Neste momento de tristeza e dor, permita-nos apresentar a si, Senhor Presidente, e através de si, ao Governo e ao heróico povo irmão de Cuba, as nossas mais profundas condolências pela perda de um dos maiores ícones políticos dos nossos tempos, cuja projecção e reconhecimento vai paraalém de Cuba e estende-se para o mundo inteiro e para toda a humanidade.

Curvamo-nos perante a figura do Comandante Fidel Castro pelo seu inestimável e incansável combate pela paz mundial, estabilidade e independência e igualdade soberana entre os povos, em particular na África Austral.

Em Moçambique, o seu incomensurável e indelével contributo pela causa da independência, bem-estar e progresso social, pelos valores da amizade e solidariedade entre os povos moçambicano e cubano, representa um legado que sempre valorizaremos e transmitiremos às futuras gerações.

 

Sua Excelência

Raul Modesto Castro Ruz

Presidente da República de Cuba

 

 

Neste momento particular em que rendemos a nossa singela e sentida homenagem ao Comandante Fidel Castro, queremos reiterar a si, Senhor Presidente, a nossa disponibilidade para juntos seguir trabalhando para que as relações bilaterais entre Moçambique e Cuba continuem sendo exemplares, cada vez mais sólidas e de amizade genuína e benefícios mútuos.

Queira aceitar, Senhor Presidente, os meus mais calorosos cumprimentos da nossa mais elevada estima e consideração”, escreveu Filipe Nyusi na mensagem de condolências.

 

http://opais.sapo.mz/index.php/internacional/56-internacional/42557-presidente-da-republica-considera-que-fidel-castro-e-um-dos-maiores-icones-politicos-dos-nossos-tempos.html

Presidente da República de Angola manifesta consternação

30942
 
 
O Presidente José Eduardo dos Santos considera Fidel Castro uma figura ímpar de transcendente importância histórica que marcou a sua época pelo papel que desempenhou no seu país e nas grandes transformações da humanidade, em prol da liberdade, justiça social e desenvolvimento dos povos.
Numa mensagem, o Chefe de Estado manifestou-se “profundamente consternado ao tomar conhecimento do desaparecimento físico do Líder da Revolução Cubana e antigo Presidente de Cuba, comandante Fidel Castro, ocorrido sexta-feira em Havana”. O Presidente transmitiu também as suas profundas condolências ao homólogo Raúl Castro Ruz, ao Governo, ao povo cubano e à família enlutada, prestando a mais sentida homenagem à ilustre figura do falecido Comandante Fidel Castro.
Na mensagem, José Eduardo dos Santos recordou a solidariedade que Cuba brindou à luta dos povos colonizados, em especial ao povo angolano, sublinhando a inesquecível contribuição daquele país, sob a liderança de Fidel Castro, na defesa e manutenção da soberania e integridade territorial de Angola, na resistência à agressão do então regime racista sul-africano.
José Eduardo dos Santos encontrou-se com Fidel de Castro em Junho de 2014, na altura da sua visita oficial a Cuba, que entre outros objectivos, serviu para estudar todas as formas possíveis para fortalecer as relações entre os dois países. Na altura, o Presidente angolano depositou uma coroa de flores no monumento de outro herói nacional cubano, José Marti.
 
119983998.jpg
Partido no poder lamenta
 
O Bureau Político do Comité Central do MPLA tomou conhecimento com a maior comoção do falecimento de Fidel Castro. Numa mensagem pode ler-se que “um profundo pesar abala o MPLA e o povo angolano, que sempre viram nele um amigo e companheiro de todas as horas, cujo papel foi determinante para a derrota dos exércitos invasores do então regime do apartheid da África do Sul e do ex-Zaíre, que pretendiam impedir a proclamação da Independência de Angola, em 11 de Novembro de 1975, e a sua consequente consolidação, até aos dias de hoje”.
O MPLA considera que a evocação do seu nome e da sua memória, sempre vivos no coração do povo angolano, será uma fonte inesgotável de inspiração, para que o seu exemplo de determinação internacionalista e progressista tenha continuidade ao longo do processo de educação das gerações vindouras.
“Nesta hora de dor e de luto, o Bureau Político do Comité Central do MPLA verga-se perante a memória do Camarada Comandante Fidel Castro e, em nome dos militantes, simpatizantes e amigos do Partido, endereça à família enlutada, ao Bureau Político do Comité Central do Partido Comunista de Cuba e ao Povo Cubano as suas mais sentidas condolências”, lê-se na mensagem.
O vice-presidente do MPLA, João Lourenço, também reagiu à morte de Fidel Castro e lembrou o humanismo do líder da revolução cubana. No Uíge, onde cumpre uma visita de trabalho, o político sublinhou que o mundo perdeu um grande homem.
“Estamos a realizar este encontro num dia de muita tristeza, pela morte do Presidente Cubano, Fidel Castro”, disse, pedindo aos participantes que fizessem um minuto de silêncio. João Lourenço apontou o papel que os combatentes cubanos desempenharam em Angola, referindo que Fidel Castro foi um grande defensor da humanidade, não apenas dos humildes e oprimidos do seu país, mas de todo o mundo.
 
Combatentes consternados
 
A Associação Clube dos Combatentes e Amigos da Batalha do Cuito Cuanavale manifestou-se consternada pela morte do antigo Presidente cubano. Numa nota de condolências assinada pelo seu presidente executivo, Justino Morais Damião, a Associação ressalta as qualidades humanas e intelectuais do líder da revolução cubana, onde se destaca a prontidão em prestar ajuda a outros países.
“Nós, heróis da Batalha do Cuito Cuanavale, inclinamo-nos perante a memória do líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, e grande amigo do povo angolano, que através dos seus conselhos ganhámos forças para a defesa da integridade territorial de Angola”, lê-se na mensagem da associação que congrega combatentes participantes nas diversas batalhas travadas em Angola para a defesa da integridade territorial.
808e1ad8-d920-468b-8e87-669ca6da77d4_w987_r1_s
Livro conta intervenção
 
O papel de Fidel de Castro e de Cuba para a libertação de Angola é bem contada pelo professor Piero Gleijeses, da Universidade John Hopkins, na obra “Conflicting Missions: Havana, Washington and Africa, 1959-1976” (Missões em conflito: Havana, Washington e África, 1959-1976), publicada pela editora da University of North Carolina Press.
Com 576 páginas, Piero Gleijeses contesta duas mentiras promovidas por Washington e os seus apologistas durante mais de um quarto de século. Uma das mentiras é a afirmação de que Washington interveio em Angola em 1975 só depois de Cuba ter enviado um grande número de tropas a esse país a fim de apoiar o MPLA quando o país estava em vésperas da independência em relação a Portugal. A outra é o mito de que não houve colaboração entre Washington e o regime do apartheid sul-africano, envolvido numa operação maciça para frustrar a vitória das forças do MPLA. A 11 de Novembro de 1975, o derrotado colonialismo português abandonou a sua antiga possessão africana em Angola. O MPLA controlava a capital, Luanda, e estava preparado para formar um novo Governo. A 18 de Julho desse ano o presidente americano Gerald Ford, partindo da suposição de que um Governo dominado pelo MPLA não seria suficientemente servil aos interesses imperialistas norte-americanos na região, autorizou um programa de operações encobertas para apoiar as forças que se haviam mostrado mais dispostas a agradar a Washington e seus aliados. A decisão de Cuba enviar uns 480 instrutores militares em resposta à solicitação de ajuda da direcção do MPLA foi tomada mais de um mês depois. Os primeiros voluntários chegaram a partir de Outubro. A FNLA, com base no Zaíre e dirigida por Holden Roberto, foi a principal beneficiária do programa ampliado de operações de Washington, mas também foram incluídas as forças mais débeis da UNITA com as quais a FNLA estava aliada na altura.
Os governantes norte-americanos aumentaram em simultâneo a sua colaboração encoberta com o regime do apartheid da África do Sul, o qual havia escolhido a UNITA como sócio preferencial. Desde carregamentos de armas até assessores, missões de treinamento e operações em pequena escala no sul de Angola, a intervenção sul-africana cresceu rapidamente a partir de 1975, emparelhada com as acções de Washington. A 14 de Outubro as Forças de Defesa sul-africanas, fazendo-se passar por mercenários, enviaram a coluna “Zulú” em direcção ao norte de Angola, rumo a Luanda, numa tentativa de tomar a capital antes da data limite de independência de 11 de Novembro. Ao mesmo tempo, as forças da FNLA, apoiadas por Washington, avançavam para o sul a partir do Zaíre com o mesmo objectivo.
As tropas da FNLA, apoiadas pelo imperialismo, foram derrotadas decisivamente pelas forças combinadas do braço militar do MPLA reforçado por centenas de voluntários cubanos que haviam começado a chegar a Luanda apenas 72 horas antes da batalha decisiva de Quifangondo. Ali travaram o avanço da FNLA no dia 10 de Novembro, a poucos quilómetros de Luanda, quando a bandeira portuguesa se levantava pela última vez no Palácio. À meia noite, o Presidente Agostinho Neto proclamou a independência de Angola.
 
Uma relação de longa data
 
Angola e Cuba completaram, em 15 de Novembro, 41 anos desde o estabelecimento das relações diplomáticas, em 1975. Haviam decorrido apenas quatro dias de independência e era o resultado da visão de Fidel e a firmeza de Neto naqueles momentos difíceis, quando o país era invadido pelo norte e sul.
Óscar Oramas, que assinou com o então chefe da diplomacia angolana, José Eduardo dos Santos, o estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, afirmou que a decisão de ajudar militarmente o MPLA foi tomada no Palácio da Revolução em Havana e os cubanos não pediram opinião ou consultaram alguém.
 
“A tenacidade do Comandante-em-Chefe Fidel Castro e do Presidente Agostinho Neto não somente propiciou a declaração de Independência Nacional, mas também que quatro dias depois se pudessem instituir os nexos entre ambos os países”, declarou à Prensa Latina Óscar Oramas, que foi também o primeiro embaixador de Havana em Luanda. “Esses factos heróicos uniram-nos perante a história”, disse Oramas, numa reportagem publicada pela Prensa Latina.
Oramas explicou por que Cuba não foi o primeiro país a estabelecer relações com Angola. “Combinámos com Neto que, embora o embaixador cubano tivesse chegado a Luanda antes que os outros, o representante do Congo, Benjamín Bounkulou, entregasse primeiro as suas credenciais. Desta forma se apresentou o Brasil, seguiu-se o Congo e depois Cuba”, explicou.
Genuínos laços de amizade, feitos desde a escravidão, foram reorganizados e consolidados um ano depois quando ambas as nações assinaram o Acordo Geral de Colaboração e sobre essa base foi constituída a Comissão Bilateral Intergovernamental.
Desde essa etapa, Havana e Luanda ajustam, renovam e estabelecem novos compromissos e protocolos sectoriais. Hoje, Cuba tem mais de quatro mil cubanos em diversos sectores, especialmente na saúde, com mais de 1.800 médicos e 1.400 professores.
 

Angolanos dizem “Até sempre Comandante”

getimage
 
“O Comandante-Chefe da revolução cubana morreu esta noite às 22h29.” Foi assim que o Presidente Raúl Castro anunciou sexta-feira a morte do histórico líder cubano Fidel Castro. \’El Comandante\’ morreu aos 90 anos.
 
Uma das pessoas mais influentes no século XX, e também das mais carismáticas, que marca a identidade colectiva de Cuba, Fidel Castro tinha feito os 90 anos a 13 de Agosto e estava afastado do poder desde 2006, quando passou o testemunho ao irmão Raúl. Emocionado, o irmão mais novo terminou o anúncio da morte com a frase “Até à vitória, sempre”.
 
Raúl anunciou ainda que “conforme a vontade expressa pelo camarada Fidel, o seu corpo seria cremado nas primeiras horas” de ontem.
 
Em Abril, Fidel tinha discursado no encerramento do Congresso do Partido Comunista Cubano e falado da morte:
 
“Em breve vou fazer 90 anos, isso nunca me tinha passado pela cabeça e não foi fruto de um esforço, foi capricho da sorte. Em breve serei como todos os outros. A vez chega a todos, mas ficam as ideias dos comunistas cubanos como prova de que neste planeta, se se trabalha com fervor e dignidade, pode-se produzir os bens materiais e culturais de que os seres humanos precisam e devemos lutar sem tréguas para os obter”, disse Fidel, naquela que foi a sua mais longa intervenção pública desde que abdicou do poder a 31 de Julho de 2006.
 
“O tempo passa e os homens da maratona cansam-se”, disse um dia ‘El Comandante’. “A corrida foi longa, muito longa!”
Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu a 13 de Agosto de 1926 em Birán. Estudou Direito na Universidade de Havana e quando concorria a um lugar como deputado, com 26 anos, deu-se o golpe de Fulgêncio Baptista que suspendeu as eleições.
 
Fidel liderou em 1953 o assalto ao quartel Moncada, pelo qual seria condenado a 13 anos de prisão, tal como o irmão mais novo, Raúl. No julgamento, pronunciou o famoso discurso “A história me absolverá”. Por pressão popular, ambos são exilados para o México, onde Fidel conheceu o argentino Ernesto Che Guevara. É desse país que lança a revolução, desembarcando em Cuba no iate Granma, a 25 de Novembro de 1956 (fez no dia da sua morte 60 anos). Depois de uma luta de guerrilha, entra vitorioso em Havana em 1959, assumindo primeiro a chefia do Governo e na década de 1970 a Presidência.
 
Pelo meio, tinha feito a aproximação à União Soviética à medida que se distanciava dos Estados Unidos, que a partir de 1960 instituíram o embargo económica a Cuba, que dura até hoje e fez prejuízos avaliados em mais de 125 mil milhões de dólares. Em 1961, depois da falhada invasão em Playa Girón por parte de opositores cubanos treinados pela CIA, Fidel declara o carácter socialista da revolução cubana. Fidel sobreviveu a 634 tentativas de assassinato por parte da CIA. “Se sobreviver a tentativas de assassinato fosse uma modalidade olímpica, eu teria ganho a medalha de ouro”, disse Fidel.
 
A convite do Press Club, Fidel fez uma visita surpresa aos Estados Unidos. À frente de uma “comitiva de barbudos” hospeda-se no hotel Teresa, no bairro novaiorquino de Harlem. Por lá passam o Presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, o primeiro-ministro indiano Jawaharial Nehru e o activista negro Malcom X. O vice-presidente Richard Nixon recebe-o, mas não o Presidente Dwight Eisenhower, que se desculpa com uma partida de golfe.
 
Grandes mudanças têm sido feitas até hoje em Cuba desde meados de 2006, sob a liderança de Raúl Castro, devido à doença de Fidel. Sem perder a ideologia e a estrutura socialista, a Ilha está a empreender reformas económicas e a aproximar-se dos EUA, com quem, com a mediação do Papa Francisco, reatou relações diplomáticas em Julho de 2015. No último ano, milhares de turistas norte-americanos visitaram a Ilha e o início dos voos regulares com Cuba deve levar ainda mais à Pérola das Caraíbas, possibilitando um crescimento da economia cubana.
 
Retirado do poder desde 2006, Fidel exercia contudo uma espécie de peso moral sobre a sociedade cubana. “Fidel é ouvido em relação a todas as decisões importantes”, dizia em finais de 2011 o líder do Parlamento, Ricardo Alarcón. El Comandante partilhava a sua opinião através de dezenas de “reflexões” que publicava regularmente na imprensa oficial cubana até há dois anos e meio, quando as mensagens se tornaram mais espaçadas.
 
Numa carta publicada nos media estatais cubanos em Agosto, por ocasião dos seus 90 anos, Fidel agradeceu ao povo de Cuba pelo “respeito” que lhe tinham. O líder da revolução cubana conseguiu sempre manter a sua vida privada separada dos olhares públicos.
Fidel também sofreu nos últimos tempos com a morte de grandes amigos, especialmente a do Presidente venezuelano Hugo Chávez, o principal parceiro da ilha no século XXI, que aconteceu em 5 de Março de 2013, aos 58 anos, após uma longa batalha contra um cancro.
 
“O melhor amigo que o povo cubano teve ao longo da sua história”, definiu Fidel sobre Chávez em artigo após a sua morte. Fidel também viu a partida de um dos líderes internacionais mais carismáticos do século XX, a do antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela, com quem teve uma relação de amizade e admiração mútua, e que ocorreu em Dezembro de 2013.
E nada fácil foi para ele a perda, em Abril de 2014, de Gabriel García Márquez, o universal escritor colombiano que esteve ligado ao ex-Presidente cubano por uma amizade que durou décadas.
 
Nove dias de luto
 
Cuba decretou ontem nove dias de luto nacional pelo óbito do líder histórico Fidel Castro e anunciou que o funeral vai realizar-se a 4 de Dezembro, em Santiago de Cuba, no sul do país.
Através de um breve comunicado, o Conselho de Estado cubano refere que “todas as actividades e espectáculos públicos” são interrompidos. A bandeira nacional é colocada a meia haste em todos os edifícios públicos e estabelecimentos militares. Também a rádio e a televisão passam a ter uma programação especial, informativa, patriótica e histórica durante os nove dias de luto. Durante a semana vão realizar-se diversas homenagens em Cuba. O ponto alto vai ser a marcha com as cinzas do ex-Presidente cubano que vai atravessar o país ao longo de quatro dias, recriando, mas ao contrário, o percurso da Caravana da Liberdade de 1959.
 
Mensagens de condolências
 
O Papa Francisco manifestou ontem pesar pela morte do líder cubano Fidel Castro e, num telegrama dirigido ao seu irmão Raúl, que o sucedeu na Presidência de Cuba, disse que vai rezar pelo seu descanso.
“Ao receber a triste notícia do falecimento do seu querido irmão, o excelentíssimo senhor Fidel Alejandro Castro Ruz, ex-Presidente do Conselho de Estado e do Governo da República de Cuba, expresso os meus sentimentos de pesar”, afirma o Papa.
No telegrama, Jorge Bergoglio estende os seus pêsames aos restantes familiares do líder histórico cubano, assim como ao Governo e ao povo “dessa amada Nação”.
 
“Ao mesmo tempo, ofereço preces ao Senhor pelo seu descanso e confio a todo o povo cubano a materna intervenção de \’Nuestra Señora de la Caridad del Cobre\’, padroeira desse país”, acrescentou o Papa Francisco.
 
O Papa Francisco e Fidel Castro encontraram-se em 2015. Castro foi baptizado e educado em escolas dirigidas pelos Jesuítas, a ordem religiosa à qual também pertence o Papa Francisco. O Papa João Paulo II visitou Cuba em Janeiro de 1998. Durante os cinco dias da visita, Fidel acompanhou-o em várias aparições públicas, designadamente durante a missa na Praça da Revolução, em Havana.
 
“Fidel foi o Presidente que mais atenção deu ao Papa João Paulo II”, escreveria o cardeal Tarcisio Bertone, no seu livro “Un cuore grande, Omaggio a Giovanni Paolo II”. “Fidel mostrou afecto pelo Papa, que já estava doente, e João Paulo II confidenciou-me que, possivelmente, nenhum Chefe de Estado tinha preparado tão profundamente a visita de um Pontífice.” Fidel tinha lido as encíclicas, os principais discursos de João Paulo II e até alguns dos seus poemas.
 
Numa nota publicada no site da Presidência da República, o Chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou “sinceras condolências” ao Presidente Raúl Castro e ao povo cubano pela morte de Fidel Castro.
 
Marcelo Rebelo de Sousa lembrou o encontro que teve com o líder histórico de Cuba, há cerca de um mês, apontando a “debilidade física” de Fidel Castro e salientando que ainda assim, “do ponto de vista intelectual”, Castro estava “muito atento”.
O Presidente português, o penúltimo Chefe de Estado a ter um encontro com Fidel, disse que o líder cubano estava “fragilizado do ponto de vista físico mas intelectualmente muito atento, atento ao que se passava hoje. Acompanhava a par e passo as notícias do dia e comentava o mundo tal como ele se encontrava, além de recordar o passado com uma vivacidade indiscutível”.
 
Apesar de Fidel Castro, admitiu Marcelo Rebelo de Sousa, não se situar na mesma “área ideológica”, que ele, o Presidente português reconheceu o papel marcante do líder cubano na História: “Não se pode negar que ele teve um peso na América Latina, no chamado Terceiro Mundo, até no mundo em geral. Pensemos na crise dos mísseis que fez suspender por um instante o mundo no início dos anos 60”, salientou.
 
Mesmo reconhecendo a debilidade física de Fidel Castro, Marcelo Rebelo de Sousa confessou estar algo surpreendido com a morte do ex-Chefe de Estado cubano. Fidel tinha sido visto pela última vez em público a 15 de Novembro, quando recebeu o Presidente vietnamita, Tran Dai Quang.
 
O Governo português também já apresentou as condolências “ao Presidente Raúl Castro, irmão de Fidel Castro, à família e a todo o povo cubano”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva. “É uma personalidade histórica de Cuba cuja morte devemos lamentar”, considerou o ministro.
A presidente da Fundação Saramago, Pilar del Rio, falou ontem da admiração de José Saramago por Fidel Castro e das conversas entre os dois. “Era um homem que sabia muito de tudo”. É desta forma que Pilar del Rio, presidente da Fundação Saramago, descreve Fidel Castro.
 
O histórico líder cubano e o escritor português encontraram-se várias vezes, conversaram muito sobre muita coisa, apesar de nem sempre concordarem em tudo, disse a companheira de Saramago à TSF.
Na madrugada de ontem, o Presidente do México, Enrique Peña Nieto, escreveu: “Fidel Castro foi um amigo do México, promotor de uma relação bilateral baseada no respeito, no diálogo e na solidariedade”.
 
Em outro post nas redes sociais, Peña Nieto escreveu: “Lamento a morte de Fidel Castro Ruz, líder da Revolução Cubana e referência emblemática do século XX”.
 
O Presidente do Equador, Rafael Correa, também publicou no Twitter. “Foi-se um grande. Morreu Fidel. Viva Cuba! Viva a América Latina!”, escreveu.
 
Em mensagens publicadas no Twitter, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que o líder cubano e o venezuelano Hugo Chávez “deixaram aberto o caminho” para a libertação dos povos.
O Chefe de Estado venezuelano indicou ainda ter falado já com o seu homólogo cubano, Raúl Castro, a quem transmitiu “solidariedade e amor ao povo de Cuba face à partida do Comandante Fidel Castro”.
 
O Presidente de El Salvador, o ex-comandante guerrilheiro Salvador Sánchez Cerén, declarou-se muito triste com a morte de Fidel. “Com profunda dor, recebemos a notícia do falecimento de um querido amigo e eterno companheiro, comandante Fidel Castro”, escreveu Sánchez Cerén no Twitter.
 
O Presidente da França, François Hollande, disse que Fidel Castro soube representar, para o seu povo, “o orgulho da rejeição à dominação estrangeira”. O Presidente francês também disse que Fidel “encarnou a revolução cubana” nas “suas esperanças e desilusões”.
 
O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, rendeu homenagem a Fidel Castro, o “símbolo de uma era”, segundo o Kremlin.
O Presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que sente uma “profunda dor” pela morte de Fidel Castro, a quem chamou de gigante da história da humanidade. “Quero expressar nossa profunda dor. Realmente dói a partida do Comandante, do gigante da história da humanidade”, disse Morales, por telefone, à rede de televisão “Telesur”.
 
O Governo da Argentina disse que, com a morte de Fidel Castro, “se fecha um capítulo importante da história latino-americana”. A opinião do Governo argentino foi expressada pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Susana Malcorra, no Twitter, transmitindo também condolências “ao Governo e ao povo de Cuba”.
 
O Presidente da China, Xi Jinping, disse em declarações na TV que Fidel Castro “viverá eternamente”, segundo a France Presse.
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que com a morte de Fidel “o mundo perde um herói para muitos”. Segundo Juncker, o legado de Fidel entrará para a História. “Fidel Castro foi uma das figuras históricas do século passado e sintetizou a Revolução Cubana. Com a morte de Fidel Castro, o mundo perdeu um homem que era um herói para muitos”, disse Juncker em comunicado.
 
O ex-Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva apontou Fidel Castro como “o maior de todos os latino-americanos”. O Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, tuitou apenas: “Fidel Castro is dead!”.
 
O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, disse que a morte de Fidel marca “o fim de uma era para Cuba”.
A Presidente do Chile, Michelle Bachelet, lamentou a morte de Fidel Castro. Ela o definiu como “um líder pela dignidade e justiça social”, na sua conta no Twitter.
 
O Presidente dos EUA, Barack Obama, disse que “a história vai julgar” o impacto do ex-líder cubano.
 

Presidente de Cabo Verde lembra líder “carismático” e “controverso” da Revolução Cubana

Praia, 26 nov (Lusa) – O Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, lembrou hoje Fidel Castro como o “líder carismático” de uma das “revoluções mais importantes do século XX” e o pioneiro do bom relacionamento entre Cuba e Cabo Verde.

“Enviei já uma mensagem em meu nome pessoal e do povo de Cabo Verde ao Presidente Raul Castro pelo desaparecimento físico do primeiro presidente do Conselho de Estado de Cuba, do líder da Revolução Cubana, do líder carismático e também do dirigente cubano que esteve à frente dos caminhos de construção do relacionamento, que hoje é muito bom, entre cubanos e cabo-verdianos, sobretudo no período que se seguiu à independência de Cabo Verde”, disse.

Jorge Carlos Fonseca reagiu hoje à morte do líder histórico cubano numa declaração aos jornalistas, no Palácio do Plateau, na cidade da Praia.

O histórico líder cubano, Fidel Castro, morreu na noite de sexta-feira, 25 de novembro, aos 90 anos, às 22:29 locais (03:29 de sábado em Portugal continental).

O chefe de Estado lembrou os impactos da Revolução Cubana na América Latina e em vários países africanos e asiáticos, reconhecendo em Fidel Castro uma “figura controversa, mas que fica como uma figura mítica de uma das revoluções mais importantes do século XX”.

Assinalou igualmente o relacionamento entre Cabo Verde e Cuba, recordando a presença dos cooperantes cubanos nos primeiros anos pós independência em vários setores, nomeadamente na saúde, bem como a existência de relações diplomáticas entre os dois países desde a década de 70.

“O relacionamento é bom e é isso que é importante para nós independentemente das avaliações e da polémica que possam envolver a Revolução Cubana, a sua natureza e os seus protagonistas”, disse o Presidente cabo-verdiano.

Jorge Carlos Fonseca, que recentemente fez uma visita de Estado a Cuba a convite do Presidente Raul Castro, nunca se encontrou com Fidel Castro enquanto chefe de Estado.

“Estive com ele duas vezes mas não como Presidente da República”, disse lembrando um encontro na década de 90, quando, como perito, integrou uma delegação de Cabo Verde a uma conferência em Havana.

O segundo encontro aconteceu, num jantar no Rio de Janeiro, quando Jorge Carlos Fonseca ocupava a pasta do ministério dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde.

O Presidente da República adiantou ainda que as autoridades cabo-verdianas aguardam informações sobre os pormenores das cerimônias fúnebres para, em função disso, decidirem a que nível Cabo Verde estará representado.

Na mensagem de condolências enviada ao Presidente cubano, Raul Castro, Jorge Carlos Fonseca fala ainda de “um político de envergadura”, “um homem de causas” e “um grande amigo de Cabo Verde, que “sempre esteve na vanguarda das excelentes relações de amizade e de cooperação” entre os dois povos.

“Fidel Alejandro Castro Ruz deixa para a história um enorme legado de um político com uma grande trajetória, marcada pela luta constante na defesa dos ideais e valores em que acreditava”, acrescentou.

 

http://noticias.sapo.cv/lusa/artigo/21565545.html

A morte de Fidel Castro não deve entristecer o mundo

pintoabreu

Moçambicano António Pinto de Abreu, Presidente do Conselho de Administração das Linhas Aéreas de Moçambique,  foi estudar para Cuba nos anos 70, e as suas vivências naquele país marcam-lhe até hoje, razão pela qual, sente pela morte do revolucionário cubano. Mas o sentimento é de alegria, pelo líder que Fidel Castro foi.

“É verdade que a morte de um ser humano traz-nos um choque. Mas no caso de Fidel, eu acho que deveríamos transcender o sentimento de tristeza pela sua partida e passarmos para sentimentos de alegria por um ser humano que esteve na humanidade de forma muito especial, de forma muito diferente de muitos outros seres humanos. Ele cumpriu sua missão”, disse.

O antigo estudante de Cuba lembra com muito carinho os momentos que viveu naquele país da América central. Partilhou fotos que fez em Cuba e realçou a necessidade de valorizar o legado de Fidel Castro, líder que apoiou Moçambique e vários outros países africanos na formação de quadros. Diz, ainda, que Cuba inspira hospitalidade até os dias que correm pelo facto de Fidel ter sido quem foi.

“Quando chegamos à Cuba, fomos tratados, pelos nossos vizinhos de escolas cubanas, com muio carinho. Eles queriam dar a nós, vindos de fora, condições de vida, de estudo, de prática de desporto, melhor do que as condições que eles tinham”.

Pinto de Abreu foi estudar para Cuba em 1977, acompanhado de outros 1199 moçambicanos, no âmbito de um acordo havido entre Fidel Castro e o primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel. Fidel Castro recebeu também estudantes oriundos de Angola e outros países, para além de ter construído escolas na Tanzânia.

http://opais.sapo.mz/index.php/internacional/56-internacional/42553-pinto-de-abreu-considera-que-morte-de-fidel-castro-nao-deve-entristecer-o-mundo.html

Angolanos em comoção pela morte de “El Comandante”- Fidel Castro

ag-neto

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder em Angola desde 1975 e aliado histórico de Cuba, lamentou hoje a morte de Fidel Castro, garantindo que será uma “fonte inesgotável de inspiração” para os angolanos.

Em nota enviada à Lusa, o bureau político do Comité Central do MPLA refere ter recebido a notícia da morte do histórico líder cubano “com comoção”, a qual “abala” o povo angolano e o partido, recordando Fidel Castro como um “amigo e companheiro de todas as horas”.

download

“O MPLA considera que a evocação do seu nome e da sua memória, sempre vivos no coração do Povo Angolano, será uma fonte inesgotável de inspiração, para que o seu exemplo de determinação internacionalista e progressista tenha continuidade ao longo do processo de educação das gerações vindouras”, escreve o partido, liderado por José Eduardo dos Santos.

O histórico líder cubano, comandante-chefe da revolução de 1959, que depôs Fulgencio Batista e viria a instituir um regime comunista naquela ilha caribenha, morreu na noite de sexta-feira, com 90 anos, às 22:29 locais (03:29 de sábado em Lisboa).

O anúncio da morte de “El Comandante”, Fidel Alejandro Castro Ruz, foi feito pelo seu irmão e sucessor desde 2008, Raul, na televisão estatal, terminando com o grito “Até à vitória, sempre!”.

Em Angola, a morte de Fidel Castro está em plano de destaque em toda a comunicação social pública desde as primeiras horas da manhã, com especiais de informação, na rádio e televisão, sobre o líder histórico e recordando as relações entre os dois países, nomeadamente as várias reuniões entre o primeiro Presidente angolano, Agostinho Neto, e o “El Comandante”.

Também tem sido recordado o apoio militar de Cuba, através das decisões de Fidel Castro, à luta pela independência de Angola, no período da guerra colonial, e na “derrota dos exércitos invasores do então regime do apartheid da África do Sul e do ex-Zaire”, afirma o MPLA.

Fonte:http://noticias.sapo.ao/info/artigo/1491706.html