CPLP propõe nova dinâmica econômica

educação
O III Fórum da União dos Exportadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que encerrou ontem em Beja, Portugal, propôs-se introduzir uma nova dinâmica económica na vida da organização que está a completar 20 anos.
A proposta partiu de Mário Costa, presidente da União de Exportadores da CPLP que fez uma análise da realidade actual dos países que compõem a organização: “Temos Portugal e Brasil com economias maduras, com tecnologia e ‘know how’ e depois temos os países africanos e Timor-Leste com economias emergentes e virgens, muito dependentes do preço do petróleo.”
Apesar do contraste entre os membros da CPLP, Mário Costa acredita que este organismo “pode vir a tornar-se uma potência económica mundial dentro de três a quatro décadas” num universo de 86 países que representam 30 por cento da população mundial de mercado.

Salimo Abdula, presidente da Confederação Empresarial da CPLP, reafirma o entusiasmo expresso por Mário Costa revelando um sonho: “Podemos alimentar o mundo”. A confirmá-lo, apresenta números: cerca de 37 por cento das terras aráveis do planeta encontram-se na América do Sul, com o Brasil à cabeça. E no continente africano, na zona subsaariana, onde se localizam os membros da CPLP – Angola, Moçambique, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde – existem 33 por cento de terras em condições de serem produzidas.
O prêmio Nobel da Paz, Ramos Horta, que se deslocou na sexta-feira a Beja para participar na conferência, pôs alguma água na fervura do entusiasmo, aconselhando que em primeiro lugar importa “consolidar a democracia, o Estado de Direito, investir fortemente na eliminação do analfabetismo e na redução drástica dos desequilíbrios sociais que provocam insatisfação e instabilidade”.

E, sobretudo, “investir fortemente na educação e valorização das pessoas”, convidando os membros da CPLP a analisar o sucesso de alguns países como Singapura, Finlândia, Coreia do Sul, Japão e até os próprios EUA, que se resume a um detalhe: “Aposta forte na educação”. Jovens timorenses, acentuou Ramos Horta, “estudam em universidades asiáticas, europeias e americanas, com o Estado a investir na sua formação”, pois “temos consciência de que as economias que dominam a informação, a tecnologia e a ciência são as mais fortes e estabilizadas”, concluiu o ex-presidente de Timor-Leste.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/cplp_propoe_nova_dinamica_economica

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Finlandeses garantem dinheiro para investir mas faltam projetos em Angola

por Yara Simão |

Fotografia: Santos Pedro

Empresários finlandeses manifestam o interesse de apoiar homólogos angolanos com um fundo inicial de cerca de 100 milhões de euros para projetos ligados à diversificação econômica.

 

A informação foi dada ontem pelo presidente do conselho de administração da Agência para a Promoção de Investimentos e Exportação de Angola (APIEX).
António Henrique da Silva, que falava em Luanda no “Fórum de Investimento Directo: Um Novo Paradigma para a Diversificação da Economia Angolana”, lamentou no entanto o facto de não existirem ainda projetos caracterizados pelo empresariado nacional. Com efeito, disse ser urgente que estes projetos sejam estruturados da melhor maneira, de forma a que consigam corresponder às expectativas.

 
O PCA da APIEX defende que se deixe de falar simplesmente das potencialidades de Angola, mas sim que se apresentem projetos concretos e viáveis. A título de exemplo, falou dos projetos ligados à agricultura, energia e águas, indústrias e agro-negócios na província da Lunda Sul, que pela forma como estão estruturados vão merecer atenção dos investidores dinamarqueses que pretendem vir a Angola no mês de Setembro, a fim de participarem numa mesa redonda.

 
“Acho importante, cada vez mais, mostrar proatividade na forma estruturada como abordamos as questões porque o Governo não pode fazer tudo”, lembrou António da Silva, que fez votos que o empresariado manifeste mais a sua capacidade interventiva e estruture os seus projetos. Sugeriu que as associações empresariais tenham uma base de dados que classifique os seus associados por sector de atividade, dimensão da empresa em termos de negócios, por trabalhadores e anos de existência.
O Fórum foi aberto pelo ministro do Comércio, Fiel Constantino, que considerou pertinente o evento, num momento particular da economia, que não obstante as dificuldades pode ser encarado como sendo de muitas oportunidades. “As potencialidades do nosso país são conhecidas e os passos que temos estado a dar são firmes e fazem parte da estratégia cuja fundamentação e objectivos delineados apresentam o caminho certo para a almejada diversificação da economia”, disse.

Diversificação económica

A diversificação económica é um desafio de grande dimensão que exige compromisso político, medidas constantes e recursos financeiros, considerou o administrador do Instituto de Pequenas e Médias Empresas (INAPEM). Samora Kitumba, que dissertava sobre o tema “O investimento directo estrangeiro no âmbito da diversificação da economia angolana”, afirmou que o país tem objectivos de diversificação inscritos no Plano Nacional de Desenvolvimento, como instrumento essencial de crescimento sustentável até 2017, através de objectivos de médio prazo.
O Samora Kitumba disse existir uma acção integrada de ministérios e serviços públicos para guiar e intensificar a qualidade do desenvolvimento em grandes áreas, com maior destaque para a promoção do crescimento económico, emprego e diversificação. “O actual momento deve ser de reflexão sobre a execução de estratégias de diversificação e de eventuais correcções comportamentais”, defendeu.
O preletor disse que o Programa de Diversificação Econômica em Angola desenvolve-se através de princípios básicos, mas reconheceu ser necessário que se estabeleça uma estratégia de promoção de investimentos. Na sua explanação, Samora Kitumba esclareceu que o Governo identificou um conjunto de projetos prioritários e estruturantes, com viabilidade e atratividade econômica e social, assentes numa estratégia de criação de clusters e cadeias produtivas, com investimentos previstos de 52 bilhões de dólares nos próximos cinco anos, em vários sectores.
Os objetivos ambicionados no Plano Nacional de Desenvolvimento, no âmbito da diversificação econômica, foram limitados por um conjunto de constrangimentos, nomeadamente a escassez de recursos financeiros para apoiar a diversificação. Essa escassez, disse, leva a que seja necessário recorrer aos mercados, o que encarece o processo. A reduzida dotação de recursos humanos em quantidade e diversidade requeridas, bem como o financiamento interno, que suporta apenas 65 por cento do investimento doméstico, abaixo da média de países em desenvolvimento, é, segundo Samora Kitumba, outra razão para essa limitação.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/existe_dinheiro_para_investir_mas_faltam_projectos