Soldados brasileiros na Republica Centro Africana, apesar das críticas da União Africana.

Republica-Centro-Africana

 

Governo brasileiro estuda a possibilidade de  enviar tropas para participar da MINUSCAmissão de paz da ONU na República Centro-Africana.

O Brasil atravessa um momento de crise política e econômica, por que não deixar as potências estabelecidas cuidarem dos assuntos internacionais mais complexos?

Mesmo quando interesses brasileiros não são diretamente afetados — como no caso da crise na República Centro-Africana —, uma atuação ativa do Brasil fortaleceria a legitimidade do país para influenciar debates sobre o futuro da África, tema prioritário devido à crescente crise migratória. Embora a União Africana tem deixa claro que a presença de estrangeiros pra resolver conflitos não tem merecido sua aprovação. A União Africana reclama para si o papel de negociador.

Os dramáticos fracassos no enfrentamento de questões como as mudanças climáticas, a volatilidade financeira e as violações de direitos humanos ao longo das últimas décadas são claros indicadores de que novos atores — como Brasil, China e Índia — precisam contribuir para a busca de soluções significativas. Registre-se que a União Africana não tem recebido o devido investimento para equacionar os problemas da região.

 

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Uma política externa assertiva não é incompatível com a priorização de problemas domésticos. Muito pelo contrário: é uma ferramenta essencial para enfrentar esses desafios. Por exemplo, levar adiante negociações comerciais com a União Europeia (que beneficiam a economia brasileira), fortalecer relações com a China (para aumentar investimentos em infraestrutura) e promover a integração regional (para combater tráfico de armas e de pessoas, assim como fortalecer a segurança nas fronteiras) são questões diretamente ligadas a interesses nacionais que afetam a vida diária da população brasileira.Rep Centro Africana

O Ministério da Defesa considera o envio, em 2018, de aproximadamente 800 soldados, o equivalente a um batalhão de infantaria, ao país onde um quinto da população está internamente deslocado por causa da guerra civil. A situação na República Centro-Africana está pior do que a do Haiti, onde capacetes azuis brasileiros atuaram ao longo dos últimos anos. Mesmo assim, há semelhanças com a ilha caribenha, dando às tropas brasileiras — que têm preparo acima da média na ONU — uma vantagem comparativa, e condições de ajudar a estabilizar a situação.

Os ganhos para as Forças Armadas brasileiras seriam de manter militares na ativa, aperfeiçoar conhecimento em logística e  reforçar sua projeção de poder (capacidade de um exército de projetar força distante do seu próprio território).

Os soldados brasileiros voltariam ao Brasil com uma experiência internacional relevante e mais habilidades de comunicação intercultural. Em função da complexidade da situação na República Centro-Africana, a Força Aérea Brasileira teria aeronaves (inclusive o Super Tucano e helicópteros Black Hawk) atuando em áreas de conflito pela primeira vez desde a 2.ª Guerra Mundial. Dito de outra maneira, sofisticaria e tornaria mais versátil o hard power brasileiro — nada trivial em um cenário global altamente imprevisível.

republica centro africana

 

Além disso, o envio de tropas teria um baixo impacto no orçamento, pois se trataria apenas de uma realocação do número de soldados que saiu do Haiti e não de um aumento na participação brasileira em missões de paz. Outro ponto muitas vezes ignorado é que a ONU repassa ao governo brasileiro uma quantia considerável por sua atuação em uma missão de paz, reduzindo, assim, o custo ao contribuinte nacional. É verdade que seria necessária a abertura de uma embaixada brasileira em Bangui, mas as implicações financeiras seriam modestas.Bangui_Republica_Centro_Africana.jpg

Os riscos e os custos de o Brasil participar de mais uma missão de paz. Como foi o caso no Haiti, é possível antecipar a chegada de migrantes da República Centro-Africana às cidades brasileiras. A República Centro-Africana — um dos dez países mais pobres do mundo — vive uma complexa guerra civil  entre o governo do presidente Faustin Touadéra, milícias cristãs chamadas Anti-Balaka e uma coalizão das milícias muçulmanas Séleka e, segundo a ONU, há o risco de um genocídio. Não por acaso é uma das maiores missões da ONU, com quase treze mil soldados e um orçamento de quase um bilhão de dólares.

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União Africana  exige o fim de interferências das forças estrangeiras na mediação africana

união-africana-51766487A União Africana  exige o fim de interferências das forças estrangeiras na mediação africana, da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos países vizinhos na crise líbia, na declaração final da quarta reunião dos trabalhos do Comité de Alto Nível da organização continental sobre a crise na Líbia, realizada sábado e domingo em Brazzaville, capital da República do Congo.

Comité de Alto Nível da União Africana pede fim da ingerência estrangeira na Líbia e aposta na criação de um calendário de transição ainda este ano
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

“Não existe solução militar para a crise líbia que pode ser resolvida sem intervenções externas, mas graças a um diálogo inter-líbio”, lê-se no documento.
A marginalização do papel dos países vizinhos da Líbia e da União Africana na resolução da crise líbia foi contestada pelos membros do Comité de Alto Nível da organização continental sobre a Líbia, que querem que a sua missão seja facilitada para lançarem, até ao final de 2017, “um período de transição”.
A iniciativa africana trabalha, desde a reunião de Brazzaville, para preparar o terreno com vista a um diálogo completo antes de definir um quadro jurídico da fase de transição a ser lançada antes do final de 2017, devendo ser antecedida por uma reunião preliminar a ser realizada em Novembro.
A Comissão de Emenda ao Acordo Político Líbio no Alto Conselho de Estado na Líbia, liderada por Moussa Faraj, esteve reunida no sábado com a Câmara dos Representantes (Parlamento), à margem da cimeira africana de alto nível de Brazzaville sobre a Líbia.
Denis Sassou Nguesso, o Presidente da República do Congo, assistiu à reunião com o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mohamed, e membros das duas comissões.
Da agenda de trabalho da Cimeira de Brazzaville constaram as etapas preliminares necessárias para se começar o trabalho de duas comissões e emendas limitadas ao Acordo Político líbio para completar a sua aplicação integral com vista a pôr fim à crise actual.
Moussa Faki Mahamat convidou na Cimeira de Brazzaville os líbios a fazerem um esforço transcendental e de responsabilidade.
“Convido-vos, do fundo do coração, a envidarem esse esforço transcendental e de responsabilidade. Nesta senda, podemos contar, sem limite, com a União Africana, todos os seus órgãos, mecanismos e meios”, disse  o diplomata chadiano na abertura da quarta reunião do Alto Comité da União Africana sobre a Líbia.
“A exclusão, o fanatismo, o extremismo e a tendência funesta a impor soluções sectárias, as do tudo ou nada, é o perigo encarnado. Juntem as vossas posições para salvarem o vosso povo do seu sofrimento comum, para conjugarmos, juntos, os nossos esforços comuns em prol dos vossos interesses comuns. A solução da crise líbia está no consenso, reconciliação, participação e envolvimento de todos”, afirmou.
Moussa Faki Mahamat referiu que as dores da tragédia comum só se superam com sacrifício colectivo de todos os que sofrem, choram e rezam pela paz, e frisou que uma grande oportunidade se apresenta para a paz e reconciliação dos líbios, exortando-os a terem  a coragem e sabedoria de “não traírem o vosso povo, os vossos irmãos africanos, árabes em religião e os vossos amigos no mundo”.
O presidente do Conselho Presidencial do Governo de União Nacional, Fayez al-Sarraj, manifestou a esperança de que a cimeira de Brazzaville consiga encontrar soluções para a crise política actual na Líbia e pôr termo ao sofrimento dos líbios.
Outros protagonistas da crise líbia, dos quais o presidente do Parlamento, Aguila Saleh, o presidente do Alto Conselho de Estado, Abderrahman al-Sweihli, participaram no encontro, destinado a aproximar as posições líbias e buscar concessões para ultrapassar “o estado de obstrução política que entrava a conclusão da implementação do acordo político, e consolidar os esforços de reconciliação nacional no país”.
Participaram na Cimeira de Brazzaville 15 Chefes de Estado africanos.
O Comité de Alto Nível da União Africana sobre a Líbia integra cinco países, África do Sul, Etiópia, Níger, Mauritânia e República do Congo.

 Missão das Nações Unidas pode regressar no mês de Outubro

A agência de notícias France Presse noticiou ontem que o enviado da Organização das Nações Unidas para a Líbia, Ghassan Salamé, espera o regresso da missão das Nações Unidas (MANUL) no país do norte de África em Outubro, após a sua retirada em 2014, devido à violência.
“É nosso dever estar cada vez mais próximo das pessoas, afim de as apoiar e ajudar. É por isso, que queremos aumentar novamente a nossa presença, obviamente, observando atentamente a situação de segurança”, afirmou Ghassam Salamé, que disse esperar que a partir de Outubro seja concluído novamente uma parte das suas actividades na Líbia.
O enviado da Organização das Nações Unidas acrescentou que uma missão de pelo “menos de 250” militares da ONU deve ser destacada para garantir a segurança do pessoal da MANUL.
Tal como a maioria das missões diplomáticas, a Missão das Nações Unidas deixou a Líbia em 2014, devido ao recrudescimento da onda de violência, tendo desde então ficado baseada em Tunis, mas os seus membros realizam regularmente missões itinerantes na Líbia.
Ghassam Salamé disse  estar preocupado com a situação nos campos de imigrantes. “Eu acho que esses campos podiam ser muito mais humanos”, disse, para acrescentar que \”a vida diária\” devia \”mudar radicalmente\”.
A Líbia mergulhou-se no caos, após o derrube do Presidente Muammar Kadhafhi em 2011.
O país tem mais de um Governo e as autoridades rivais e várias milícias lutam pelo poder. Tornou-se  ponto de passagem de migrantes clandestinos que pretendem alcançar a Europa.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/uniao_africana_pede_contencao

Empresas de Angola discutem crédito de dois milhões de dólares com Israel

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Israel tem disponíveis dois milhões de dólares (mais de 300 milhões de kwanzas) para ajudar empresas angolanas a elevarem as trocas bilaterais, anunciou ontem, em Luanda, o embaixador daquele país.

 

Israel acredita no potencial existente em Angola e promete financiar projectos nos vários sectores da vida económica para realizar negócios

 

Oren Rosemblat disse no I fórum empresarial Angola-Israel que, apesar da baixa do preço do petróleo – que afetou em grande medida a economia angolana -, Israel considera haver em Angola oportunidades de negócio, pelo que “Israel vai ajudar a financiar e os bancos vão dar créditos para que os negócios se efectivem.”

Quinze dos sectores de serviços: energia, agricultura, defesa, segurança militar e social, imigração e comércio participam no encontro que encerra amanhã, inspirado pela declaração do embaixador que afirmou que se “os dois países têm boas relações, temos a obrigação de levá-los a fazer bons negócios.”
O fórum, promovido pela Câmara de Comércio Angola-Israel (CCAI) visa uma troca de experiências para elevar os níveis de conhecimento mútuo entre empresas dos dois países e assinar contratos de parceria.
O presidente da CCIA, Haim Taib, disse que o órgão tem como objectivo “construir pontes” entre os empresários e instituições empresariais dos dois países e constitui uma plataforma de promoção e desenvolvimento de relações comerciais bilaterais, através de missões empresariais e de entidades oficiais.
“A CCAI tem como prioridade o estreitamento de laços empresariais entre os dois Estados, a promoção de cooperação bilateral, a promoção das relações empresariais entre os dois países e a apresentação de áreas de interesse”, disse. Os últimos dados disponíveis, de 2014, indicam que o volume de negócios israelitas em Angola se cifrou em 64 milhões de dólares (cerca de 11 mil milhões de kwanzas), absorvidos pelos sectores de maquinaria, metais, transportes, plásticos e borracha, instrumentos, têxteis, vegetais, produtos alimentares e químicos.
O embaixador de Angola em Israel, Francisco dos Santos, afirmou que Angola está aberta para cooperar com empresas estrangeiras de vários países e que o fórum é uma oportunidade para criar parcerias, principalmente para a transferência de conhecimento. “A presença do CCAI vai impulsionar as relações já existentes nas diversas áreas e aumentar o volume de comércio entre os dois países”, sublinhou.
José Alentejo, do secretariado geral da CCAI, disse à delegação israelita que Angola é um bom destino para investir e que o mercado oferece oportunidades às empresas sediadas no país, para expandirem os seus negócios na região da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral (SADC), um mercado com mais de 200 milhões de consumidores.
São razões para investir em Angola, continuou José Alentejo, o facto de ser o sétimo maior território de África, o quinto maior produtor mundial de diamantes, o segundo maior produtor de petróleo e gás do continente e ter acesso a 12 por cento dos lençóis aquáticos africanos nos principais rios: Kwanza, Zaire, Cunene e Cubango.
Angola é rica em fauna e flora, tem a segunda maior floresta do mundo, o Maiombe, e tem os 25 principais minérios, tais como diamantes, ferro, ouro, fosfato, manganês, cobre, chumbo, zinco, volfrâmio, tungsténio, titânio, crómio, mármore, granito e urânio, microclimas diversos além da estabilidade política e económica desde 2002.

José Alentejo acrescentou que Angola tem, no âmbito da estratégia da diversificação da economia, o Plano Nacional de Desenvolvimento PND 2013/ 2017, no qual são inventariados 390 projectos estruturantes para o desenvolvimento industrial.
A delegação israelita é liderada pelo ex-vice-primeiro ministro de Israel, Silvano Shalom, e integra potenciais parceiros interessados em partilhar conhecimentos e recursos tecnológicos.

A Câmara de Comércio Angola-Israel foi criada há um ano e tem 44 membros registados. O fórum aborda temas ligados às “Oportunidades de negócio em Angola”, “Investir em Angola” e “Áreas privilegiadas para o investimento em Angola”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/governo_de_israel_anuncia_financiamento

Missão brasileira visita Botsuana

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Na segunda escala de sua viagem à África Meridional, o ministro Aloysio Nunes Ferreira foi recebido pela ministra das Relações Exteriores de Botsuana, Pelonomi Venson-Moitoi, com quem assinou acordo para a criação de mecanismo de consultas políticas, o qual reforça a moldura institucional para o aprofundamento do relacionamento entre os dois países.

Os dois ministros ressaltaram a importância da cooperação desenvolvida desde o estabelecimento de relações diplomáticas, em 1985, e concordaram que é chegado o momento de elevá-la a um novo patamar. O ministro Aloysio e sua homóloga de Botsuana trocaram informações sobre setores empresariais que poderiam se beneficiar desse aprofundamento, notadamente agroindústria, infraestrutura e indústria de defesa.

O ministro Aloysio reuniu-se ainda com os ministros da Agricultura, da Saúde e da Presidência com os quais analisou áreas específicas de cooperação, como erradicação da pobreza, alimentação escolar, agricultura familiar, indústria farmacêutica, cooperativismo e pesquisa agropecuária.34430912171_9f3735e031_b min agricultutura.jpg

Em todas as reuniões, ficou claro que é urgente a ampliação da vertente empresarial no relacionamento bilateral. Em vista disso, o Itamaraty analisará a organização de uma missão de empresários brasileiros a Botsuana. Reconhecida como um dos casos de sucesso na África, Botsuana oferece condições para receber investimentos de empresas brasileiras que buscam um ponto para iniciar ou aprofundar sua internacionalização na África. Trata-se de mais um passo no aumento do comércio e dos investimentos bilaterais, que trará benefícios para as duas sociedades.

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Nas primeiras percepções das viagens a países africanos, destaca-se a presença feminina na representação governamental, o caso de  de Botswana, que tem  mulheres negras como Ministra das Relações Exteriores, Ministério da Agricultura e assessoria. Diferentemente da missão brasileira constituída quase que exclusivamente  por homens brancos.

O imperativo da parceria com a África


Amanhã(7/05/2017), darei início a um périplo pela África Austral, uma das regiões com maior potencial de crescimento econômico do planeta. Em uma semana, visitarei cinco países: Namíbia, Botsuana, Malaui, Moçambique e África do Sul. O objetivo é reforçar a agenda de diálogo político e cooperação econômica, demonstrando a prioridade da África nas relações exteriores do Brasil.

O Brasil é o maior país africano fora da África, uma identidade da qual nos orgulhamos e um cartão de visitas capaz de abrir portas e angariar a boa vontade dos países africanos. Queremos traduzir essa afinidade histórica em ações concretas, aprofundando projetos de cooperação, ampliando o comércio e os investimentos e criando novas parcerias em áreas como defesa, energia, e ciência e tecnologia. Queremos também aprofundar o diálogo diplomático sobre temas da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mantemos programas importantes de cooperação com a maioria dos países africanos, sobretudo nas áreas de saúde, agricultura, educação e formação profissional. Esses programas demonstram o interesse brasileiro em contribuir para o desenvolvimento econômico e social do continente, mas é preciso ir além. As lideranças africanas pedem a presença do Brasil não apenas como prestador de cooperação, mas também e cada vez mais como investidor e parceiro nos negócios.

Visitarei alguns dos países acompanhado de empresários interessados em identificar as imensas oportunidades para o comércio e os investimentos. Pretendo avaliar exemplos emblemáticos de parcerias que desejamos multiplicar. Em Moçambique, participarei da inauguração do corredor de Nacala, empreendimento da Vale com empresa local, que representa o maior investimento estrangeiro naquele país. Na África do Sul, buscarei identificar novas oportunidades inspiradas, por exemplo, no êxito do programa de desenvolvimento conjunto de um míssil ar-ar de curto alcance, além de estreitar nossa coordenação em temas multilaterais e no âmbito dos grupos Brics e Ibas.

Em cada um dos países visitados, há uma robusta agenda em andamento e muitas oportunidades inexploradas. Com a Namíbia, temos uma cooperação histórica na área de defesa, tendo sido o Brasil responsável pela criação da Marinha daquele país e formado mais de mil militares namibianos nos últimos anos. Botsuana é um país estável, de crescimento acelerado e uma das maiores rendas médias da África, ou seja, um mercado promissor para as exportações brasileiras. A minha visita ao Malaui será a primeira de um chanceler brasileiro ao país, que também conta com investimentos brasileiros em mineração e com cooperação no setor algodoeiro.

Neste século, o continente africano tem apresentado índices de crescimento acima da média mundial. Apesar da crise nos últimos anos, as exportações brasileiras para a África alcançaram US$ 7,8 bilhões em 2016, em sua maior parte compostas por manufaturados (40%) e semimanufaturados (22,6%). A tendência de longo prazo é positiva. Aproveitarei meus contatos para estimular a organização de missões comerciais à África, de modo a aproveitar melhor a entrada em vigor do Acordo de Preferências Comerciais Mercosul-Sacu.

Parto para a África com a certeza de que temos muito a ganhar com o fortalecimento desses laços de cooperação, sobretudo no contexto das atuais transformações políticas e econômicas no mundo, em que o continente africano, ao lado do asiático, é um polo em ascensão. A parceria com a África é não apenas uma decorrência natural de nossas afinidades históricas e culturais, mas um imperativo na construção de uma ordem mundial mais favorável aos nossos interesses e aspirações.

Aloysio Nunes Ferreira
Ministro das Relações Exteriores

http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/discursos-artigos-e-entrevistas-categoria/ministro-das-relacoes-exteriores-artigos/16241-o-imperativo-da-parceria-com-a-africa-correio-braziliense-06-05-2017

Angola e Zâmbia estudam indústria militar conjunta

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Os governos de Angola e da Zâmbia instituíram um comité de cooperação de defesa, integrando representantes dos respectivos ministérios da Defesa, para tratar de assuntos de segurança comuns, acordando ainda a possibilidade de produzirem armamento militar em conjunto.As medidas constam do acordo de cooperação no domínio da Defesa entre os dois países africanos, vizinhos, ratificado e publicado pelo parlamento angolano no final de Março, ao qual a Lusa teve hoje acesso, prevendo nomeadamente pesquisas científicas conjuntas e trabalho de construção experimental para a “criação e produção de armamento e técnica militar”.

Está igualmente previsto a cooperação na forma de “fornecimento, manutenção, reparação e modernização de armamento e técnica militar”, além da “consultoria no domínio da potenciação, emprego do armamento e técnica militar”, formação de quadros e intercâmbio de instrutores.

A Zâmbia, antiga colónia britânica, faz fronteira com Angola a sul, contando com uma população de cerca de 16 milhões de habitantes.

Com mais de 25 milhões de habitantes, Angola tem uma das maiores Forças Armadas em África, superior a 100.000 militares, entre Exército, Força Aérea e Marinha.

No âmbito deste acordo, Angola e Zâmbia instituíram um comité de cooperação de defesa, que reúne uma vez por ano, alternadamente em cada país.

Ensino e instrução, inteligência militar, armamento e técnica militar, operações de paz e humanitárias, desminagem e indústria de defesa são áreas de cooperação definidas entre os dois países.

http://noticias.sapo.ao/info/artigo/1500902.html

Forças armadas angolanas buscam gestão mais eficaz

Fotografia: Rogério Tuti | Edições Novembro

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, pediu ontem celeridade no processo de reforma das Forças Armadas Angolanas (FAA), assim como na criação das condições de vida dos seus efectivos.

Ao discursar na tomada de posse das chefias militares recentemente nomeadas, José Eduardo dos Santos afirmou igualmente que o sistema de defesa nacional vai ser  fortalecido e acelerado, para torná-lo mais capaz de defender a soberania.
Para tornar mais eficaz a acção contra o crime, reduzir os índices de criminalidade e tornar o país mais seguro, foi igualmente aprovado um programa integrado de segurança, que harmoniza as acções do Ministério do Interior, Polícia Nacional, Ministério da Defesa Nacional e das Forças Armadas Angolanas, assim como dos Serviços de Segurança.
O Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas garantiu também celeridade ao processo de reintegração social e produtiva dos ex-militares. Este foi, segundo o Presidente da República, um dos motivos que levaram à nomeação do general Lúcio do Amaral, antigo comandante do Exército, no passado dia 7, ao cargo de secretário de Estado da Reinserção Social, em substituição do também general Mateus Miguel Ângelo “Vietname”.

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O Executivo pretende também concluir o pagamento de subsídios de desmobilização, caso haja pessoas que não tenham sido ainda contempladas. Um dos oficiais generais que tomaram posse ontem foi José Luís Caetano Higino de Sousa, que ocupa agora o cargo de chefe do Estado-Maior General adjunto das Forças Armadas Angolanas para a Área Operativa e de Desenvolvimento.
José de Sousa lembrou que a dinâmica da tecnologia mundial exige das Forças Armadas Angolanas preparação adequada para acompanhar o desenvolvimento tecnológico. “Os sistemas de equipamento tornam-se mais eficazes, menos manuais e mais automatizados e tem de haver, também, um acompanhamento no adestramento da tropa”, disse o general José de Sousa, momentos após jurar cumprir com zelo a sua missão. O novo comandante do Exército, Gouveia João de Sá Miranda, prometeu trabalho para que aquele ramo das Forças Armadas Angolanas continue a garantir a estabilidade do país.
“Estamos numa fase de desenvolvimento do país e as Forças Armadas Angolanas, como garantes da estabilidade, deve estar preparada para garantir com êxito a sua missão”, disse o general Gouveia João de Sá Miranda.
O Presidente da República deu também ontem posse ao general Marques Correia, como segundo comandante do Exército, e Matias Lima Coelho como chefe do Estado-Maior do Exército.
O vice-almirante Francisco Maria Manuel foi empossado como segundo comandante da Marinha de Guerra Angolana. No mesmo dia, tomou posse Jerónimo Mateus Van-Dúnem como juiz-conselheiro do Supremo Tribunal Militar das FAA.
As Forças Armadas Angolanas passam por uma reestruturação e reedificação, na sequência de um levantamento global do efectivo e do diagnóstico em termos de equipamento realizado em 2007 e 2008. O objectivo é tornar as FAA num exército moderno e pronto para responder aos desafios do futuro.
O chefe do Estado-Maior General das FAA, Geraldo Sachipengo Nunda, afirmou recentemente que o efectivo se prepara para os desafios. Como exemplo, falou das missões, no âmbito bilateral, na República Democrática do Congo, em 1997 e 98, no Congo Brazzaville, na mesma altura, em 2010, na Guiné-Bissau, e está preparado para operações de apoio à paz,  quando o país for solicitado.
As Forças Armadas Angolanas também têm obrigações nas regiões em que o país está inserido, como é o caso da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), CEEAC, os Grandes Lagos e na União Africana. “Existe um programa estratégico de desenvolvimento de Angola até 2025 e as FAA estão enquadradas nesse processo”, disse, para acrescentar que, do ponto de vista militar, embora a directiva tenha o carácter de poder ser actualizada de acordo com a realidade do país, as Forças Armadas Angolanas estão a fazer um esforço para implementar o programa de reedificação.
Outra missão importante das Forças Armadas Angolanas é o trabalho de desminagem e o apoio ao Governo em questões mais críticas, como quando existem enxurradas ou cheias, como aconteceu no Cunene e, também, em casos de epidemia, como o marburg, em que as Forças Armadas Angolanas tiveram de trabalhar para confinar o marburg à cidade do Uíge e eliminar a doença.

fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/forcas_armadas_bem_dotadas

 

Moçambique anuncia fim da mediação internacional nas negociações de paz com a Renamo

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou hoje o encerramento da fase que envolve a mediação internacional nas negociações de paz, considerando que os mediadores serão solicitados para as conversações entre o Governo e a Renamo caso se considere necessário.
Filipe Nyusi, presidente de Moçambique

MaputoMaputo – O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou hoje o encerramento da fase que envolve a mediação internacional nas negociações de paz, considerando que os mediadores serão solicitados para as conversações entre o Governo e a Renamo caso se considere necessário.

“Hoje, esta fase do processo de diálogo [que envolve a mediação internacional] pode ser considerada encerrada”, declarou o chefe de Estado moçambicano, durante as cerimónias centrais do Dia dos Heróis em Maputo, que hoje se assinala, informa a agência Lusa.

Expressando a sua “profunda gratidão” pelo trabalho e entrega do grupo, Filipe Nyusi disse que os mediadores internacionais nas negociações paz em Moçambique prestaram uma “valiosa contribuição” nas conversações entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição.

“O povo moçambicano está verdadeiramente agradecido e aprecia os esforços dos mediadores para a aproximação de posições entre o Governo e a Renamo”, acrescentou o chefe de Estado, dando conta de que foram endereçadas cartas de agradecimento a toda a equipa de mediação pelo apoio prestado.

Manifestando-se otimista com as conversas que vem mantendo com o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, Filipe Nyusi avançou que as partes decidiram criar dois grupos diferentes compostos por especialistas para tratar dos “assuntos militares” e da descentralização, exigida pelo maior partido da oposição em Moçambique.

“Apelamos a todas forças vivas da sociedade para acarinharem estas ações”, referiu o chefe de Estado, observando que a paz é a “vontade suprema dos moçambicanos”.

Moçambique atravessa uma crise política que opõe o Governo e a principal força de oposição e o centro do país tem sido assolado por conflitos militares entre as Forças Defesa e Segurança e o braço armado Renamo, que reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder há mais de 40 anos, de fraude no escrutínio.

Os trabalhos da comissão mista nas conversações do Governo e da Renamo, orientada pela equipa de medição internacional, pararam em meados de dezembro sem acordo sobre o pacote de descentralização, um dos temas essenciais das negociações de paz, após meses de reuniões.

Na altura, o coordenador da equipa de mediação, Mario Raffaeli, indicado pela UE, disse que os mediadores só regressarão a Maputo se forem convocados pelas partes.

Além do pacote de descentralização e da cessação dos confrontos, a agenda do processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança e o desarmamento do braço armado da oposição, bem como sua reintegração na vida civil.

Os mediadores internacionais foram selecionados pelas duas partes, tendo a Renamo apontado um grupo de representantes indicados pela União Europeia, Igreja Católica e África do Sul, enquanto o Governo nomeou o ex-Presidente do Botsuana Quett Masire, pela Fundação Global Leadership (do ex-secretário de Estado norte-americano para os Assuntos Africanos Chester Crocker), a Fundação Faith, liderada pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, e o antigo Presidente da Tanzânia Jakaya Kikwete.

Em finais de dezembro, após conversas telefônicas com o Presidente moçambicano, o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, declarou uma trégua de uma semana como “gesto de boa vontade”, tendo, posteriormente, prolongando o seu prazo para 60 dias.

http://www.portugaldigital.com.br/lusofonia/ver/20108830-mocambique-anuncia-fim-da-mediacao-internacional-nas-negociacoes-de-paz-com-a-renamo

Força aérea angolana é a que mais participou de combates na Africa Subsaariana

general-francisco-goncalves-afonso-hangaO Comandante da Força Aérea Nacional, general Francisco Gonçalves Afonso “Hanga”, assegurou que este ramo das FAA continua a crescer e a cumprir com a sua tarefa primordial de defesa do espaço aéreo nacional.

Em fase de modernização, reequipamento e formação de pessoal para os novos desafios, a alta patente militar sustentou que “estamos na rota certa, na rota da excelência”. Apesar disso, considera-se insatisfeito com os níveis alcançados, 41 anos após a constituição da Força Aérea. “Acho que poderíamos ter crescido mais”, disse, apontando a guerra em que esteve mergulhado o país e a contracção da economia como factores negativos. Ainda assim, sustenta que, mesmo tendo sido forjada na guerra, a FAN continua a crescer.

Jornal de Angola – Como descreve os 41 anos da constituição da Força Aérea Nacional que se assinala hoje, 21 de Janeiro?

Francisco Gonçalves Afonso  – Para um jovem país como Angola, apesar de 41 anos, é um curto espaço de tempo. Mas, para nós, Força Aérea, tem sido uma longa caminhada pois que, mal atingimos a Independência Nacional, começaram os conflitos. Entretanto, a Força Aérea foi-se forjando, caindo e levantando-se, e de facto conseguiu suster uma guerra injusta até pelo 2002. Claro que neste ano o cenário mudou, mas temos que acreditar que foi uma longa e dolorosa caminhada com muitas vidas perdidas pelo caminho.

Jornal de Angola – Volvidos 41 anos, está satisfeito com os níveis que a Força Aérea atingiu?

Francisco Gonçalves Afonso – De maneira nenhuma estaria satisfeito. Não estou satisfeito. Naturalmente que fizemos um esforço conjunto mas, como sabe, a excelência não se atinge assim tão facilmente. Sentimos que realmente ainda não atingimos a excelência. E não atingimos por razões várias. Primeiro, porque os efectivos que utilizamos até então não tinham os níveis adequados. Os próprios equipamentos não tinham as performances desejadas. No quotidiano não conseguimos atender à operacionalidade dos meios, por várias razões. Há que entender que as Forças Armadas, no seu âmbito geral, têm o importante papel de produzir segurança mas, ao mesmo tempo, essa segurança é algo intangível. Por esta razão, os esforços económicos e financeiros vão para outras áreas, mas pode-se dizer hoje que no OGE (Orçamento Geral do Estado) já aparece uma maior fatia para os órgãos de defesa e segurança.

Jornal de Angola – As despesas são consideráveis?

Francisco Gonçalves Afonso
– Na verdade, temos muitos efectivos e isso acarreta muitas despesas. Entendemos que são despesas necessárias, mas daí a que hajam grandes dispêndios com equipamento não é verdade. Precisávamos de despender muito mais em equipamento, para que eles tenham outro nível de operacionalidade. Temos que nos contentar com o que nos é posto à disposição e aí gerirmos os parcos recursos. Mas, como direcção da Força Aérea, gostava de ter outros níveis. De maneira nenhuma posso estar satisfeito com os níveis que tenho, mas temos consciência que são os níveis possíveis.

Jornal de Angola – Com que meios aéreos conta este ramo das FAA?

Francisco Gonçalves Afonso – Bom, como sabe, a Força Aérea Nacional possui essencialmente três tipos de meios: aviação de caça e caça-bombardeiro que intercepta outros aviões ou fazem ataques rápidos ao solo; aviação de transporte – como o próprio nome indica, transporta pessoal, carga leve e bruta – ; e aviação de helicópteros, também conhecida como aviação de exército. São esses os três géneros que nós possuímos. Depois, temos a aviação ligeira que mantemos nos centros de instrução.

Jornal de Angola – Este ano realizam-se eleições gerais em Angola. Qual é o contributo da FAN para este processo?

Francisco Gonçalves Afonso – Estamos a preparar-nos da melhor forma. A FAN tem estado a acompanhar e a cooperar em todo processo desde o início do registo eleitoral. Estamos a fazer esforços adicionais para que na altura das eleições estejamos com mais meios e equipamentos. Temos consciência que continuaremos a fazer um esforço titânico, porque neste momento em que decorre o processo do registo eleitoral, o apoio é de continuidade. Já durante as eleições, o processo será de simultaneidade. Temos consciência que teremos de fazer um esforço gigantesco para podermos acorrer com a mesma dinâmica, simultaneamente, aos vários pontos do país. Mas, para tal, iremos contar com o esforço da Polícia Nacional e talvez da Sonangol, em função da demanda, porque estamos a prever a presença elevada de helicópteros.

Jornal de Angola – Como decorre o processo de modernização da FAN?

Francisco Gonçalves Afonso – É um processo que requer uma rigorosa planificação e organização e neste momento estamos em fase de concretização, ou seja, estamos a receber o equipamento. À medida que vamos recebendo, temos vindo a fazer, massivamente, a formação e requalificação do pessoal, acompanhando esta modernização. Portanto, há meios que já chegaram, há meios que vão chegar durante todo este ano, com maior incidência no primeiro trimestre do ano. Esse equipamento irá de certeza conferir outras capacidades. Não estamos a falar apenas de aviões, mas também de radares. Na verdade, já recebemos alguns. Da mesma forma recebemos meios de defesa anti-aérea, que reforçam igualmente a capacidade de defesa do espaço aéreo.

Jornal de Angola – Como avalia o trabalho de educação patriótica na FAN?

Francisco Gonçalves Afonso – É bastante bom. Acima da média, até porque felizmente temos quadros com alguma capacidade e posso mesmo dizer que a Força Aérea tem estado na vanguarda da educação patriótica. Há também do lado dos efectivos com que lidamos um incentivo para o trabalho de educação patriótica, porque há uma coisa muito importante que é preciso ter em linha de conta: as Forças Armadas Angolanas são o resultado de uma reconciliação de forças e sempre existiram visões diferentes da coisa política. Então, é de extrema importância reconciliar essas ideias e dirimir as diferenças, porque as FAA são apartidárias e não têm nada a ver com a política. Realmente, esse trabalho tem sido bem feito. Por isso, temos a certeza que as Forças Armadas, fruto da consistência do trabalho de educação patriótica que tem sido feito, constituem um dos factores de maior unificação que temos no país. Não temos conflitos entre nós e orgulhamo-nos disso.

Jornal de Angola – Qual é a importância do Instituto Superior e da Escola Militar Aeronáutica do Lobito na formação de quadros?

Francisco Gonçalves Afonso – Nós temos o Instituto Superior, a Escola Militar Aeronáutica e a Academia da FAN. Gostaríamos de fazer muito mais. Só não fazemos mais porque estamos limitados pela conjuntura [económica e financeira]. Mas, ainda assim, preferimos caminhar com passos seguros. É assim que do ponto de vista infra-estrutural, o Instituto deu um passo muito importante. Pensamos que dentro de um ano teremos outra imagem desta estrutura de ensino pois, como sabe, neste momento funciona dentro das instalações do Regimento Aéreo de Caça-Bombardeiro, na Catumbela, mas já iniciámos obras de vulto no sentido de criar outras condições e ficar mais independente.

Jornal de Angola – E em relação à Academia?

Francisco Gonçalves Afonso
– A nossa Academia é nova, tem três anos de existência, e estamos a formar os primeiros licenciados. É uma Academia com instalações pequenas, mas queremos ir devagar, caminhando com os pés bem assentes no chão, evitando dar passos maiores que as pernas. Na verdade gostaríamos de fazer muito mais.

Jornal de Angola – Que Força Aérea perspectiva para os próximos cinco anos?

Francisco Gonçalves Afonso – Seguramente teremos uma Força Aérea melhor que a de hoje. Será melhor porque estamos a estabilizar os processos de formação, a receber equipamentos mais modernos e da nova geração tecnológica. Entrámos agora nos equipamentos digitais. Os jovens que estão a ser formados permanecerão durante cinco a seis anos no exterior, portanto, já é outra geração. São os jovens da era digital e que irão de certeza ser uma mais-valia para o nosso ramo. Daí teremos uma Força Aérea com maiores capacidades em todos os sentidos.

Jornal de Angola – Como vê o interesse da juventude em incorporar-se FAN?

Francisco Gonçalves Afonso – O interesse da juventude tem sido muito grande. Temos constatado isso, mas olhamos a coisa de dois ângulos. Com a falta de emprego que existe no país, hoje a juventude vê nas Forças Armadas um modo de vida. Querem entrar para as Forças Armadas por saberem que há um salário e que podem regularizar a sua vida e fazer disso uma maneira de ser e estar. Mas, o que temos dito é que estar nas Forças Armadas é por amor à camisola. O patriotismo deve falar mais alto. Ou seja, tem de ser algo especial. Temos que gostar disso. A nossa vida não é das 7 às 15 horas, mas 24 horas por dia. Portanto, temos que estar permanentemente disponíveis para as questões de defesa da pátria. Infelizmente, hoje, a juventude que ingressa vem de facto com muita disponibilidade, mas olhando muito para si. Tem de ser ao contrário. Deve olhar mais para o país, para as Forças Armadas, tendo a responsabilidade de manusear da melhor forma os meios que lhe são postos à disposição no estrito sentido de defender o país. Não pode entender que, com a incorporação, irá ganhar a vida e resolver todos os problemas. Este é um alerta que lanço aos jovens, aproveitando esta oportunidade. Para as Forças Armadas e, no caso concreto, para a Força Aérea, devem vir de corpo e alma, com o sentido de defender a Pátria.

Jornal de Angola – Como qualifica o intercâmbio entre as Forças Aéreas da África Austral?

Francisco Gonçalves Afonso – Este intercâmbio é permanente. É do conhecimento geral que periodicamente fazemos exercícios conjuntos a nível da SADC que chamamos “Blue” (azul). Na verdade já tivemos vários. Tivemos aqui, no nosso país, que chamámos “Blue Zambeze”; tivemos na Tanzânia, que denominámos “Blue Ruvuma”; na África do Sul, o “Blue Claster”; e “Blue Okavango”, no Botswana. Em Maio deste ano, a Namíbia alberga o exercício “Blue Cunene”. Portanto, é um exercício em que aparecem vários tipos de aviões e há um verdadeiro intercâmbio entre as nossas Forças Aéreas e países. Devemos aqui sublinhar que a SADC é, das várias regiões de África, a que melhor desempenho tem neste sentido.

Jornal de Angola – Como qualifica a posição da FAN no continente africano?

Francisco Gonçalves Afonso – A nossa Força Aérea é a que participou nas acções combativas durante mais anos. Portanto, é uma Força Aérea que se forjou no campo de batalha. Temos noção dos muitos constrangimentos que ainda possuímos e das muitas insuficiências que temos. Pelo facto de termos crescido no processo da guerra, muitos métodos de aprendizagem foram “atropelados”. E agora com o surgimento da Academia e dos Institutos estamos a acertar o passo. É verdade que essa experiência vinda do passado, apesar dos “atropelos”, foi boa.

Jornal de Angola – Pode-se estabelecer comparações com outras Forças Aéreas da África Austral?

Francisco Gonçalves Afonso – Não vejo muitas razões de comparação com as outras. Das duas, uma: ou tiveram dificuldades em equipamentos, ou tiveram mais tempo para formar o seu pessoal. A Força Aérea da África do Sul, por exemplo, tem mais de 70 anos e nós só temos 41. Ela foi forjada não tanto num ambiente de guerra. Teve realmente algumas experiências de guerra, mas teve processos muito próprios que não podem ser equiparados ao nosso caso. Portanto, só depois de 2002 é que entrámos num novo processo de formação de pessoal, que nos vai dar os parâmetros necessários. Estamos agora em águas calmas para termos uma Força Aérea completa. Com a chegada dos equipamentos, com a formação de pessoal que temos vindo a fazer no país e no exterior, vamos entrar num voo de cruzeiro bastante importante.

Jornal de Angola – O que se lhe oferece dizer em relação às infra-estruturas da FAN?

Francisco Gonçalves Afonso – Em relação às infra-estruturas, temos que falar necessariamente em equipamento. É necessário gastar em infra-estruturas e equipamentos. Temos feito um esforço grande e é assim que a Força Aérea de há cinco anos atrás não é a mesma de hoje. Melhorámos bastante em infra-estruturas. Podemos exemplificar com as unidades do Lubango e da Catumbela, que melhoraram substancialmente em relação ao passado. Abrimos a Academia e neste momento estamos a construir as instalações definitivas do Instituto Superior. As condições de vida da tropa melhoraram, apesar de ainda termos algumas dificuldades, nomeadamente com as unidades do Cuando Cubango e do Namibe. Como sabe, construir implica recursos e esses nem sempre estão disponíveis. Com os poucos que vamos tendo, resolvemos alguns problemas pontuais. Volto a repetir que melhorámos bastante e temos consciência que isso é um processo dinâmico e que iremos melhorar.

Jornal de Angola – Quais as linhas de força da FAN para o período de preparação combativa que se avizinha?


Francisco Gonçalves Afonso
– O grande objectivo das Forças Armadas é prepararem-se para uma hipotética guerra. Refiro-me ao facto de, em tempo de paz, termos que efectuar preparação para a guerra. Não podemos obviamente esperar que a guerra venha, para depois nos prepararmos. Este é, realmente, o grande objectivo da preparação combativa, como de resto o próprio nome indica. Preparação para combater. Na Força Aérea, agora com o equipamento que nos vai chegando, temos condições para trabalhar na absorção de conhecimentos, no emprego e na utilização desses meios, nomeadamente aviões de caça e helicópteros. Neste momento, decorre um amplo processo de formação e preparação do pessoal, que por sinal tem estado a trabalhar no processo de registo eleitoral com muito profissionalismo, voando de dia e de noite. Portanto, estamos a aumentar as nossas capacidades.

Jornal de Angola – Pode descrever alguns momentos marcantes da sua trajectória como militar?

Francisco Gonçalves Afonso – Pessoalmente, estou na Força Aérea desde 1976, logo após a Independência Nacional. Adquiri formação na Rússia. Depois do regresso, participei em muitas missões combativas e ali lidávamos com a morte todos os dias. Fui testemunha de várias situações menos agradáveis. Vi, por exemplo, colegas morrerem, aviões que explodiam no momento da descolagem, outros que foram atingidos por aviões sul-africanos, mas também presenciei situações boas, principalmente no que diz respeito à comunhão, à forma como nós, militares, nos damos e nos relacionamos.

Jornal de Angola – A terminar, gostaríamos que transmitisse uma mensagem para os efectivos da Força Aérea pela passagem de mais um aniversário.

Francisco Gonçalves Afonso
– A mensagem que deixo aos nossos efectivos é que, neste momento em que estamos a viver uma crise, em que as condições e as situações são extremamente difíceis, há que haver sempre esperança. Passamos sempre a mensagem de que temos que nos habituar a viver com parcos recursos, porque, provavelmente lá atrás no tempo, tenhamos posto a fasquia muito elevada. Não devemos sucumbir. Enquanto homens temos a capacidade de resistência para ultrapassar as situações adversas que hoje vivemos. Há que haver sempre esperança. O preço do petróleo no mercado internacional, por sinal, tem estado a subir, mas a nossa forma de ser e de estar tem que se alterar, não só na área profissional, como a nível pessoal e da família. Temos que ser  disciplinados na gestão dos nossos recursos.

Marinha brasileira dá destaque à doação de uniformes para Cabo Verde

Marinha brasileira doou uniformes para Cabo Verde

Comandante, Gildes e o comandante Marinho O. Santos

A Marinha brasileira doou para Cabo Verde 200 uniformes camuflados. A doação acontece no âmbito das comemorações dos 50 anos da Forças Armadas de Cabo Verde, completados no último dia 15 de Janeiro, e é apenas um capítulo das relações militares entre os dois países.

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A cerimônia de doação de uniformes aconteceu no prédio do Estado-Maior das Forças Armadas cabo-verdianas, na cidade de Praia, e contou com a participação do Embaixador do Brasil em Cabo Verde, José Carlos Leitão e do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Cabo Verde, General Anildo Morais, entre outros.

militares_com_fardamento_doado_entre_o_embaixador_do_brasil_em_cabo_verde_jose_carlos_de_araujo_leitao_e_chefe_de_estado-maior_das_forcas_armadas_anildo_moraisO novo uniforme militar é destinado aos recrutas que vão prestar serviço militar. Mas, ao longo deste ano, as Forças Armadas de Cabo Verde vão adquirir do Brasil duas mil fardas camufladas.

O comandante de Fragata, Alexandre Gildes Borges, que faz parte da missão do governo brasileiro que presta assessoria militar a Cabo Verde, disse, em entrevista à RFI Brasil, que todos os uniformes da guarda Costeira cabo-verdiana seguem o mesmo padrão das fardas da Marinha brasileira. A ideia é que as Forças Armadas de Cabo Verde usem o mesmo modelo.

Projeto de formação para sarjentos

A Marinha brasileira também disponibilizou para o país africano 17 vagas de formação para sargentos e oficiais, informou o Chefe de Estado Maior das Forças Armadas de Cabo Verde, Anildo Morais.

Por outro lado, o  comandante de Fragata, Alexandre Gildes Borges, completou que a assessoria que o Brasil presta a Cabo Verde, no quadro militar, visa o desenvolvimento da Guarda Costeira.

O Navio de Patrulha brasileiro Oceânico Araguari, com uma tripulação composta por 81 militares, sendo 12 oficiais e 69 praças, participou do exercício conjunto organizado pela guarda costeira cabo-verdiana e pela Marinha brasileira, no desembarque dos fuzileiros navais.

http://br.rfi.fr/mundo/20170122-brasil-mundo-marinha-brasileira-doou-forcas-armadas-de-cabo-verde-200-fardamentos-cam