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Juninho Pernambucano tece criticas duras ao jornalismo esportivo

Juninho Pernambucano: “Sofri censura ao vivo na TV. Nenhum jornalista me defendeu”

Na primeira entrevista após deixar a Globo, o ex-jogador reitera críticas à imprensa e conta como o futebol ajudou a despertar sua consciência política

Juninho Pernambuco saiu da Globo

Juninho Pernambucano, quando ainda era comentarista do grupo Globo. DIVULGAÇÃO

Heptacampeão francês pelo Lyon e ídolo do Vasco, o ex-meia Juninho Pernambucano acaba de se mudar para os Estados Unidos. Estabelecido em Los Angeles, tomou a decisão de respirar novos ares pela família. Aos 43 anos, está prestes a se tornar avô e vai acompanhar de perto as últimas semanas de gravidez da filha mais velha, Giovanna. Ele explica que a saída do Brasil não foi motivada pelo rompimento de contrato com a Rede Globo, onde era comentarista de futebol desde 2014. Em entrevista ao EL PAÍS, Juninho reclama ter sofrido censura na emissora por questionar o trabalho da imprensa, especialmente o dos setoristas. “Até o episódio da minha saída, seria injusto dizer que eu fui impedido de falar”, afirma. No fim de abril, durante o programa em que opinou que os jornalistas que cobrem os clubes “são muito piores hoje em dia”, a direção de jornalismo do SporTV, canal fechado de esportes da Globo, emitiu uma nota oficial condenando os comentários do ex-jogador.

Além da reprimenda lida ao vivo, que o levou a pedir demissão, ele conta que já havia acumulado desgastes com companheiros de emissora (leia a resposta da TV no fim da entrevista). “Discussões pesadas, de apontar o dedo na cara e tudo mais. Só não teve vias de fato.” Apesar de ostentar um diploma em gestão pela UEFA, Juninho não manifesta interesse em atuar nos bastidores do futebol. Por enquanto, seu único plano é passar uma temporada aprimorando o inglês e, ainda que à distância, se manter ativo no debate político nacional.

Pergunta. O futebol está em seu horizonte nessa nova etapa no exterior?

Resposta. Depois que saí da Globo, eu fiquei pensando no que fazer. Ainda não achei um caminho. Não me sinto pronto nem com vontade de voltar ao futebol.

P. Nem como dirigente?

R. Recebi uma proposta do Lyon, mas preferi esperar. Tenho capacidade para ser dirigente, só que, pela bagunça total no Brasil e pelo que conheço da imprensa, não faria isso agora. Joguei futebol por 20 anos. Sempre tive na cabeça que não poderia precisar de ninguém depois que eu parasse. Para não correr o risco de vender minha alma e meu caráter, só gastei 30% do que ganhei como jogador. Me preparei para isso. Investi 70% dos meus rendimentos.

P. Nem como comentarista?

R. De jeito nenhum. Perdi a confiança na imprensa.

P. Por causa do episódio com a Globo?

R. Tá gravando? Pode gravar, porque eu falo pra caramba. O que aconteceu foi o seguinte… Quando fui pra imprensa, me assustei com o desconhecimento generalizado. O futebol mudou muito. Chegaram a ciência, a nutrição, a psicologia, a análise de desempenho… Hoje o jogador corre muito mais, tem mais músculos, reage mais rápido. O espaço no campo ficou reduzido. Só que a imprensa ainda não entendeu essa evolução. Ela se agarra ao saudosismo: “Ah, mas no tempo de fulano era assim”. Não são todos, mas a maioria dos jornalistas desconhece o jogo.

“A imprensa oprime o jogador. Quer que ele seja visto apenas como um marginal, um ignorante”

P. Desconhece em que sentido?

R. Grande parte da imprensa joga contra a evolução do futebol. Eles [jornalistas] precisam da gente, os ex-jogadores, para complementar o que não conseguem enxergar. Fui censurado na Globo por denunciar que tinha setorista vendido, que se envolve com sacanagem. É o setorista que pauta o noticiário, porque cobre de perto os jogos e treinamentos. Quando ele se prostitui, fode o ambiente no clube. É preciso combater o que tá errado lá embaixo na cadeia de produção do jornalismo para pautar coisas mais sérias. E aí, em pleno ano de 2018, sofri censura ao vivo na TV. Nenhum jornalista me defendeu. Pelo contrário, ainda fui humilhado pelo Milton Neves [apresentador da Band], que deu uma tuitada me ridicularizando. Antes, já tinha recebido ameaças de torcedores. Se eu fui censurado e ameaçado, significa que toda a imprensa também foi, meu amigo. E ninguém compreendeu isso, talvez por ignorância ou medo de perder o emprego.

P. Antes da crítica aos setoristas, você foi impedido de falar na emissora?

R. No fim de 2013, quando já tinha planos de parar de jogar, me ligaram da Globo perguntando se eu estava disposto a comentar a Copa de 2014. Respondi que me interessava. Mas, se ainda estivesse jogando futebol, não faria. Aí parei de jogar e assinei contrato de um mês com eles. Renovei por mais dois anos. Depois, mais três. Meu contrato iria até o fim do ano que vem. Durante esse período até o episódio da minha saída, seria injusto dizer que eu fui impedido de falar. Mas briguei com os três principais narradores e o principal repórter da casa. Briga grande, discussão pesada, de apontar o dedo na cara e tudo mais em reuniões. Só não teve vias de fato. Queria dar minha opinião e não aceitavam. Diziam que eu falava muito, que interrompia demais. Balançavam a cabeça achando ruim se eu me alongava no comentário durante a transmissão. Sofria pressão por querer dizer o que penso. Mas me contrataram para dar opinião. Eu criticava quem tivesse que criticar. Enquanto a Globo me deixou trabalhar, fiz minha parte. Saí de consciência limpa. Não vendi minha alma nem meu caráter.

P. O clima, então, já não era dos melhores, certo?

R. A relação azedou quando eu critiquei o Vinicius Junior [após um clássico contra o Botafogo]. Fui ameaçado de morte pela torcida do Flamengo, dei queixa na delegacia. Esperava um suporte, mas não recebi apoio de ninguém na emissora. A partir dali a coisa não ficou legal. Como já estava tudo esquematizado para eu ir pra Rússia, não quis deixar os caras na mão. Mas eu abandonaria o barco depois da Copa.

P. Ter passado por um constrangimento no ar antecipou a ruptura?

R. Aquela nota interrompendo o programa [Seleção SporTV] para me censurar partiu de um diretor covarde, que eu ainda não sei o nome. Foi a gota d’água. Na mesma semana, decidi não prestar mais serviços à Globo e pedi para sair.

P. Acredita que o fato de ter manifestado publicamente suas posições políticas interferiu no desgaste com a Globo?

R. Eu espero que não, mas, provavelmente, sim. Durante a Copa do Mundo, a Globo soltou um comunicado pedindo para que os funcionários tivessem cuidado com os posicionamentos políticos em redes sociais. Acho que, a partir do momento em que você tá em casa, a vida é sua. Você posta o que quiser. Jornalista que abre mão de rede social a pedido do patrão, indiretamente, vende seu caráter ao chefe.

P. O que mais te decepcionou em sua passagem pela crônica esportiva?

R. A falta de humildade dos jornalistas. Gostam de ironizar ex-jogador por cometer erro de português, mas a gente agrega outro tipo de conhecimento, velho. Sabe qual é a diferença do atleta para o jornalista? É que nós aprendemos desde criança que existe alguém melhor que a gente. Quando entramos pra jogar, pensamos: “Caralho, aquele cara ali é bom, hein?”. Aprendemos a respeitar nosso adversário. Posso até odiá-lo, mas nunca vou desejar que desapareça, porque eu preciso dele para ser melhor. O jornalista não tem essa capacidade porque nunca entrou em campo. Não tenho a escrita, o vocabulário ou o estudo do jornalista, mas tenho outra visão de mundo. Foi muito feio observar de perto essa soberba. Como que alguém que nunca pisou num gramado pode ter tanta certeza de uma coisa? Passei a vida inteira sendo criticado. Me disseram coisas absurdas na época em que eu jogava e continuo vivo. Por que não posso criticar a imprensa?

P. Suas ressalvas vão além da questão com os setoristas dos clubes?

R. Como é que a imprensa deixou o Eurico Miranda ficar tanto tempo no poder? Em 2015, ele renovou o contrato do Vasco com a televisão. Quando a Globo adianta a verba dos direitos de transmissão, ela presta um desserviço ao futebol, porque não ensina o dirigente a administrar o dinheiro. E aí os clubes caíram num buraco. Mas gostam de ficar enganando o torcedor dizendo que a solução é trocar técnico, tirar jogador, contratar não sei quem… Eu não sirvo pra enganar torcedor. Times como o Vasco precisam de um trabalho sério, de longo prazo, sete a dez anos, para aspirar alguma mudança definitiva. E o que acontece? Quando perde, sai matéria detonando tudo, em vez de aprofundar nas causas. Outro negócio que me chocou: fazendo Campeonato Estadual, os caras não falam o nome dos jogadores de time pequeno. Parece que o time grande joga contra um fantasma. Quando eu ia comentar jogo do Volta Redonda, por exemplo, ligava pro assessor do clube para pegar informação de todos os jogadores, o esquema tático do técnico. Se o fulano joga bem, preciso saber o nome dele pra elogiar. Ou pra criticar, se jogar mal. Essas situações que observei me entristeceram para caralho.

P. Você não se via em conflito interno por trabalhar num lugar tão diferente de suas visões?

R. Não adianta pagar caríssimo pelo campeonato se você não protege o espetáculo. Eu brigava por isso lá na Globo. Queria mostrar pra eles que um calendário melhor deixaria o produto deles melhor. Tem jogo quarta e domingo no Brasil, porra. Ninguém aguenta. Está tudo associado ao dinheiro. Atleta não é máquina. Pra jogar bem, ele precisa se recuperar. Não pode ter jogo do Campeonato Brasileiro em data FIFA. E a falta de conhecimento da imprensa sobre esses detalhes me espantou. Todo mundo evoluiu. Por que a imprensa não pode evoluir? A análise ainda se resume a eleger o herói e o vilão. Isso é muito perigoso. Olha o recado que passam para a sociedade: ou você é craque ou você é um merda. Por que às vezes o atleta brasileiro amarela? Porque sabe que vai ser massacrado quando perder. Cria-se o pavor da derrota, que influencia no rendimento. O torcedor entra nessa lógica, quer saber quem foi o culpado.

“Me revolto quando vejo jogador e ex-jogador de direita. Nós viemos de baixo, fomos criados com a massa. Como vamos ficar do lado de lá? Vai apoiar Bolsonaro, meu irmão?”

P. Certa vez, você disse que o Renê, lateral do Flamengo, só era criticado por ser nordestino, e esse comentário gerou bastante repercussão…

R. Quando cobram 180 reais num ingresso, quem tá no estádio é outro tipo de público. Os jogos do Flamengo hoje são feitos pra quem mora na Zona Sul e na Barra da Tijuca. Tenho embasamento para falar do Renê. Quem são os jogadores que a torcida do Flamengo mais pega no pé? Muralha, que tinha um corte de cabelo todo diferente. Márcio Araújo, negro. Rodinei, que, de forma absurda e desrespeitosa, é chamado de “porca gorda”. Pará e Renê, que vieram das regiões Norte e Nordeste. Como comentarista, percebi que já havia uma campanha dos torcedores contra o Renê, mas, em campo, eu não via um desempenho tão ruim. Pelo contrário. Ele é um dos melhores laterais marcadores do Brasil. E o time não perde só por causa de um cara. Outros jogadores, que tinham performance abaixo, eram analisados de maneira diferente. Mas isso faz parte da nossa cultura elitista. E o próximo da lista será o Vitinho, que também é negro. O inconsciente toma conta. Só falam de quanto ele ganha e quanto custou, mas ninguém leva em consideração que o cara veio da Rússia e vai demorar a se readaptar. “Ah, mas ganha bem pra isso”. Porra, é ser humano. Sabe de onde ele veio? Sabe com foi a infância dele, tudo que ele viveu pra chegar até aqui?

P. Na época, o Flamengo emitiu uma nota dizendo que sua torcida não é racista.

R. Claro que a torcida do Flamengo não é racista, velho. Mas uma parte da torcida que paga 180 reais pra ir no jogo é racista sim, assim como parte da torcida do Vasco e de outros times grandes. Como pode um torcedor do clube que aceitou os negros, onde os operários construíram o próprio estádio, ser racista? O cara é torcedor de time popular. Como pode ser fascista? Isso é doença. Só pegam no pé dos mesmos. Se apaixonam por jogador que não tem muito valor técnico, mas uma aparência melhor. Eu vim do Nordeste, pô! Sei bem como é.

P. Sofreu muitas críticas preconceituosas?

R. Todo mundo passa por isso, meu amigo. Quem joga futebol escuta muita coisa preconceituosa, dentro e fora do estádio, incluindo a análise da imprensa. Não se faz a crítica técnica, mas humilhando o jogador. Tem que ter limite na hora de criticar. O cara tem família, os filhos vão pra escola, ouvem um monte de besteira. A pressão é muito grande. O Alex conta que o pai dele passou mal de tanto ouvir crítica do Galvão Bueno na TV. É algo que se repete.

P. Enxerga certo preconceito de classe na crítica da imprensa aos jogadores?

 

R. Existe o preconceito, mas também o interesse em marginalizar o atleta. A verdade é que a imprensa oprime o jogador. Quer que ele seja visto apenas como um marginal, um ignorante. Não sou formado em nada. Mas eu nasci em Recife, cheguei ao Rio com 19 anos, morei oito anos na França e dois no Catar, mais seis meses nos Estados Unidos. Visitei mais de 40 países jogando futebol. Será que a vida não me ensinou outras coisas? Sabe por que o atleta homossexual não se assume? Porque ele tem medo da repercussão na imprensa. Medo de ser humilhado. Outra coisa que sou totalmente contra: entrevista na beira do campo. Jogador tem que ir pro vestiário, tomar banho e esfriar a cabeça. Naquele momento, ele não está em sua plenitude de sobriedade. No calor da emoção, o que o cara diz ali, depois de 90 minutos de esforço intenso, pode sair do contexto ou não ser o que ele realmente queria dizer.

P. Por que tão poucos jogadores se posicionam politicamente?

R. A carreira do jogador é curta. O futebol exige tanta dedicação que você acaba se alienando. Entendo o atleta que ainda está jogando e prefere não se posicionar. Mas o ex-atleta que tem uma boa qualidade de vida não falar nada sobre a situação do país é inadmissível.

P. Foi por isso que você passou a se posicionar mais após a aposentadoria dos gramados?

R. Minha consciência política e minha responsabilidade como cidadão se desenvolveram muito mais depois que parei de jogar. Antes, quando aparecia notícia de que um político tinha morrido, eu dizia: “Menos um pra roubar”. Aprendi as coisas lendo, viajando o mundo e observando como tudo funciona para emitir minha opinião. Mas é claro que o jogador jovem, que não é amigo de jornalista e não tem ninguém pra protegê-lo, vai ser engolido ao se posicionar. Acaba evitando gastar energia com isso para se concentrar no seu ganha-pão.

P. A passagem pela França ajudou a amadurecer sua consciência política?

R. O que me despertou para a política foi o lado humano dos franceses. Eu pensava que o brasileiro era solidário. Enchia a boca pra dizer isso. Mas que mentira, velho. O francês é solidário para caralho. Tem os extremistas, a parte que despreza os muçulmanos, racista. Mas a maioria do povo francês é humanamente evoluída. Vi jogador mais novo receber proposta para ganhar o dobro em outro clube e recusar porque era da cidade, não queria sair de lá. E eu não entendia. Só olhava pelo lado financeiro. Essa era minha mentalidade. Vi também jogadores que saíram de países muito mais pobres que o nosso, em guerra civil, terem mais respeito ao próximo e educação que a gente. Nós somos muito gananciosos. Só sei disso porque morei fora do Brasil. O futebol me ensinou a enxergar o mundo. Quem salvou minha vida foi o futebol.

P. Se refere à ganância do brasileiro em geral?

Juninho e a família, em Los Angeles.
Juninho e a família, em Los Angeles. ARQUIVO PESSOAL

R. Olha, quem tem dinheiro vivo, lucra com essa situação caótica do país, com o dólar nas alturas. Eu joguei 10 anos no exterior, recebendo em moeda estrangeira, só gastei 30% do que ganhei, tudo declarado, certo? O patrimônio que tenho investido lá fora só aumenta. Como o povo está feliz com esse sistema se ainda tem criança morrendo de fome no país, pô? Isso é injusto! A classe mais rica precisa de sensibilidade. Todos nós, brasileiros, gostamos de dinheiro. Mas, quando a ganância cresce demais, a distância para os mais pobres fica muito grande e a violência dispara. A riqueza não pode ficar na mão de poucos. É egoísmo. E tudo começa na linha de largada. Eu luto para que as oportunidades não fiquem só na mão de quem já tem privilégios. Como vamos falar de meritocracia? Meritocracia existe no esporte, onde treina todo mundo junto e o melhor tem que jogar. Mas, num país como o Brasil, não dá pra falar em meritocracia. Uma minoria larga bem à frente e quer exigir que os retardatários sejam alguém na vida. Essa corrida nunca vai ser justa.

P. Você se reconhece como privilegiado nesse sistema?

R. Eu ganhava 60 paus lá na Globo pra trabalhar duas vezes por semana. Já estou em uma boa condição. Poderia ficar calado, feliz da vida e levando vantagem, já que o sistema só está me ajudando. Mas que felicidade é essa? O brasileiro perdeu a autoestima, anda de cabeça baixa na rua. Tem uma molecada aí de 20, 30 anos que ainda mora com os pais e passa o dia inteiro na frente da TV, uma geração desiludida. Não é esse o país que eu quero para minhas filhas.

P. Viver numa casa com quatro mulheres também influencia sua visão de mundo?

R. Reconheço que ainda sou um machista em desconstrução, porque foi a educação que recebi. Aceito essa condição para poder evoluir. Aprendo todo dia com minhas filhas, vendo a luta das mulheres para ter direitos iguais no Brasil.

“O que as pessoas odeiam no Lula é a aparência, a origem, o sotaque, a história e a popularidade”

P. Assim como ex-colegas do futebol, você tem planos de entrar para a política?

R. Ainda não sei. Estou esperando a vida me mostrar o que devo fazer. Nunca me envolvi com nenhum político, nunca fiz campanha pra ninguém. Conheci o Lula pessoalmente quando o Brasil jogou contra o Haiti, em 2004. Ele foi lá, agradeceu a gente e deu uma carta para cada um. Foi a única vez que estive com ele. Eu o admiro muito. Ninguém vai apagar o que ele fez por esse país. O Lula é um senhor de 72 anos que está sendo massacrado. Por que as pessoas odeiam o Lula? O que odeiam nele é a aparência, a origem, o sotaque, a história e a popularidade. Se fizer um teste de ódio nas ruas, colocando um boneco do Lula ao lado de um do Aécio, vai sobrar para o Lula. Nem se compara. A elite exerce um domínio mental. Funcionário usar roupa branca na sua casa, uma coisa do tempo da escravidão. Como tenho boa condição, eu vivia entre os bacanas, morava em condomínio de rico. E via o pai passando esse ódio pro filho, uma coisa surreal.

P. Como analisa o cenário político no Brasil nesses últimos anos?

R. Nossa democracia é muito jovem, mas o básico seria entender que o voto tem peso igual. Negro, branco, pobre, rico: nenhum voto vale mais que outro. O problema é que, depois de tanto tempo de esquerda no governo, o desespero pela retomada do poder cegou algumas pessoas. Precisou de quantos para tirar a Dilma? Aécio, Eduardo Cunha, Temer e… A imprensa, pô! Rasgaram nossos votos e nos levaram a esse terror. Que tirassem a Dilma agora, nas urnas. Por pior que estivesse o país, não chegaria nessa situação, em que um extremista é cotado à presidência. Pode escrever aí: a grande mídia vai apoiar o Bolsonaro se ele for pro segundo turno.

P. Algumas personalidades do futebol também, não?

R. Muitos brasileiros ignoram que outros foram torturados e assassinados na ditadura. É desesperador ver gente apoiando intervenção militar. O Exército existe para defender o país, proteger as fronteiras, não para matar brasileiro na favela. Eles não foram treinados pra isso. Dizem que eu defendo bandido. Mas a gente tem que parar com essa história de achar que todo crime é igual. Uma coisa é assassino, outra é o cara que rouba. Não posso colocar um jovem de 18 anos que roubou num presídio. Ali é categoria de base para o crime. Quando o cara sai, ele quer se vingar da sociedade. Por isso que eu me revolto quando vejo jogador e ex-jogador de direita. Nós viemos de baixo, fomos criados com a massa. Como vamos ficar do lado de lá? Vai apoiar Bolsonaro, meu irmão?

P. Por envolver a paixão, o meio do futebol é um terreno fértil para a intolerância. Como fez para se blindar desse ambiente, sobretudo jogando em outros países?

R. Uma das minhas filhas nasceu em Recife, as outras duas, em Lyon. Minha neta vai ser filha de nordestina com americano descendente de chineses. Será que não tem diversidade na minha família? Sou um cidadão do mundo. Não posso ser intolerante com as diferenças. A única ressalva são os extremistas. Será que um cara que crê na existência de “raças humanas” e propaga discurso de ódiomerece a democracia?

P. Nota paralelos entre o futebol e a política?

R. O futebol está tão perdido quanto o Brasil. A diferença é que o futebol ainda tem o talento a seu favor e pode demorar menos para sair do buraco.

GLOBO NEGA CENSURA

Procurado pela reportagem, o departamento de comunicação da Rede Globo enviou um posicionamento sobre as falas de Juninho:

Como funcionário do Esporte da Globo, Juninho Pernambucano foi tratado sempre com profissionalismo e respeito, e jamais sofreu qualquer tipo de censura. A nota citada por ele na entrevista ao EL PAÍS e divulgada pela Globo afirmava, sem deixar margem à dúvida, que Juninho tinha direito à sua opinião, que era e continuaria sendo livre. O texto apenas deixava claro que o canal SporTV não concordava com as críticas, as acusações e a generalização feitas pelo então comentarista contra um grupo de profissionais, que incluía seus próprios companheiros de trabalho. E reforçava a confiança nos mais de 30 setoristas que trabalham no Grupo Globo. A nota foi lida ao vivo e diante do próprio Juninho, o que não caracteriza a “covardia” que ele relaciona ao episódio.

Sobre outro episódio citado na entrevista, Juninho Pernambucano relatou, em fevereiro, ter sofrido ameaças de torcedores do Flamengo após uma discussão nas redes sociais. Por isso, pediu para não comentar a final da Taça Guanabara, para a qual estava escalado. Em respeito ao profissional, o pedido foi imediatamente atendido e ele foi retirado da equipe que trabalhou na partida.

 

Fonte:https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/19/deportes/1537394219_927623.html?id_externo_rsoc=FB_CC

Empresário guineense investe milhões de euros em academia de futebol

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Academia, refere Cátio Baldé, vai estar equipada de acordo com os padrões da FIFA.

A Guiné-Bissau vai ter a partir do próximo ano uma academia de futebol e um centro de estágios conformes com os padrões internacionais, um investimento de cinco milhões de euros realizado pelo empresário guineense Catió Baldé.

“A Guiné-Bissau gerou em termos de lucros de futebol em Portugal mais de 50 milhões de euros. Este é um investimento que vai ter o seu retorno. O novo futebol hoje não compadece daquilo que era a cultura dos anos 60, 70 e 80”, afirmou o empresário à Lusa.

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A academia de futebol vai estar equipada com refeitório, dormitório, escola, piscinas, uma unidade hoteleira para o centro de estágio e dois campos de futebol, que se podem transformar em quatro campos de futebol de sete.catio baldé.jpg

Tudo conforme as regras da Federação Internacional de Futebol (FIFA).

“Antes, os europeus vinham a África buscar jogadores altos, corpulentos, com força, mas hoje o futebol mudou e os grandes clubes da Europa querem jogadores com formação base e nós somos obrigados a exportar anualmente centenas de jovens para a Europa sem formação base”, disse.

catioO objetivo, segundo o empresário, é o negócio, mas também “oferecer aos jovens as melhores condições de trabalho”.

“Quando saem daqui para a Europa saem preparadíssimos. Hoje, na Europa, querem jogadores inteligentes, porque hoje é preciso saber que um jogador é capaz de decidir um jogo numa fração de segundos”, salientou.

Apaixonado pelo futebol, Catió Baldé assumiu à Lusa que está naquele desporto pelo negócio, mas “acima de tudo porque acredita no talento dos jovens guineenses”.

“Dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), a Guiné-Bissau é o país mais próximo do Brasil tecnicamente e eu acredito neste talento”, salientou.

Com investimento já feito de cinco milhões de euros, porque todo o equipamento foi importado da Europa, Catió Baldé não tem dúvidas que a “academia vai estar preparada para exportar jogadores para a Europa e para os grandes mercados internacionais”.

A Guiné-Bissau podia ganhar anualmente milhões de euros se houvesse legislação que protegesse os jogadores guineenses e a forma como saem do país para a Europa.

 

Cristiano Ronaldo, Maradona e Ronaldo fenômeno, estarão em Luanda em dezembro

A convite da Federação Angolana de Futebol (FAF), Cristiano Ronaldo, Diego Armando Maradona e Ronaldo fenómeno, estarão em Luanda, no Centro de Conferência de Belas, no dia 16 de Dezembro do corrente Ano, para participar da Gala dos “Prémios de Futebol – Palancas Negras 2017.

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Por via de um comunicado de imprensa submetido ao AngoRussia, a FAF, deu a conhecer que as referidas estrelas do futebol internacional, confirmaram a presença na primeira edição do concurso que vai distinguir os melhores do futebol em Angola.

O Presidente da FAF, Artur de Almeida e Silva e o CEO do Grupo MENER, Daniel Mendes, estiveram presentes na Gala de premiação do “The Best FIFA Football Awards”, realizada nesta segunda-feira (23), em Londres, Inglaterra, oportunamente, além de dos “astros da bola” mencionados, condidaram também o internacional Português, Nuno Gomes.

Segundo declarações do Coordenador Executivo dos PFPN, Daniel Mendes, “ Os contactos com os fazedores do Desporto Rei foram estabelecidos com sucesso, sendo que conseguimos convidar várias figuras internacionais, para estarem presentes na Gala dos Prémios de Futebol – Palancas Negras 2017 (PFPN), muitos deles ficaram satisfeitos com o convite e mostraram um grande interesse em estarem presentes” afirmou Daniel Mendes, Coordenador Executivo dos Prémios de Futebol – Palancas Negras.

Fonte:https://angorussia.com/desporto/cristiano-ronaldo-diego-maradona-ronaldo-fenomeno-estarao-angola-dezembro/

Fifa dissolve força-tarefa contra o racismo no futebol

A força-tarefa foi criada em 2013 ainda sob o comando de Blatter (Foto: Divulgação)

A Fifa dissolveu a força-tarefa que mantinha para combater o racismo no futebol mundial. A secretária geral da entidade, Fatma Samoura, afirmou que o projeto tinha “objetivos específicos que foram cumpridos”.fatma-samoura-united-nations-resident-coordinator

Joseph Blatter criou a força-tarefa em 2013 para desenvolver estratégias que combatessem o racismo e a discriminação no futebol, além de focar na Europa e na Rússia, sede da próxima Copa do Mundo e que conta com diversos casos de racismo durante os anos.

“A força tarefa contra o racismo e a discriminação foi criado em uma base temporária para responder recomendações da Fifa. Estamos satisfeitos em informar que as recomendações foram completas”, disse Gerd Dembowski, diretor de diversidade e antidiscriminação da Fifa.

Osaso Obayiuwana, um dos principais membros da força-tarefa, se mostrou insatisfeito com a medida da Fifa que, segundo o jornal The Guardian, teria enviado cartas aos membros da força-tarefa alegando “sucesso” no projeto.

“Gostaria de dizer que estou chocado, mas infelizmente não estou. O problema do racismo no futebol persiste”, afirmou Obayiuwana.

http://www.gazetaesportiva.com/bastidores/fifa-dissolve-forca-tarefa-contra-o-racismo-no-futebol/

Estudo aponta aumento de casos de racismo nos estádios brasileiros

Giovanni Magliano São Paulo, SP
Baixa eficácia dos tribunais regionais pode ser uma das causas do problema (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

O relógio já havia passado dos 40 minutos do primeiro jogo entre Santos e Grêmio pelas oitavas de final da Copa do Brasil de 2014 quando Aranha, goleiro da equipe paulista na época, não conseguiu mais se controlar e denunciou os xingamentos racistas que escutava vindos da torcida gaúcha.

Apesar das chamativas gesticulações do arqueiro, o árbitro não registrou nada na súmula da partida. “Começaram a me chamar de ‘preto fedido’, gritar ‘cambada de preto’. Apesar de ficar nervoso, me segurei, mas aí começou o coro de macaco”, contou Aranha na saída do campo.

O caso ganhou enorme repercussão e as autoridades agiram à altura. Com reveladores flagras das câmeras de televisão, torcedores foram identificados, o Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) excluiu o Grêmio da Copa do Brasil daquele ano e o árbitro levou um gancho por não ter registrado o caso.

Mais de dois anos já se passaram desde o episódio e há sinais de que o país regrediu no combate ao racismo no esporte. O Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol de 2015, feito pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol em conjunto com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, lançado na última segunda-feira, indica um aumento de 20% de casos de discriminação racial dentro de estádios de futebol entre 2014 e 2015.

Para Maurício Corrêa da Veiga, secretário da Comissão de Direito Desportivo da OAB e que colaborou com a elaboração do documento, existem diversos elementos que podem explicar esse crescimento, mas um se destaca. “A sensação de impunidade talvez seja o mais convincente e racional”, apontou em contato com a Gazeta Esportiva.

No ano de 2014, foram contabilizados 20 supostos casos de racismo. No ano seguinte, esse número subiu para 24 casos. As estatísticas mostraram uma situação extremamente delicada no Rio Grande do Sul, onde aconteceu o episódio com Aranha em 2014, que teve um crescimento de 80% de ocorrências. Ao todo, nove estados registraram algum caso de incidente racial no ano passado.

 

Uma das questões que podem explicar esses números são a falta de atuação dos órgãos que deveriam coibir essas atitudes. Corrêa da Veiga indicou que falta mais atuação dos tribunais regionais. Nos campeonatos estaduais, os julgamentos de primeira instância são de competência do órgão das respectivas federações. “Pode acontecer dos processos nem chegarem ao STJD”, alertou o advogado. O STJD tem competência direta apenas sobre os torneios nacionais.

O goleiro Aranha sofreu com casos de injúria racial (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

O estudo do Observatório afirmou que existiram cinco possíveis casos de racismo em 2015, registrados nas súmulas dos respectivos jogos, cujas denúncias não foram levadas adiante. Três ocorreram em âmbito estadual – nos Campeonatos Gaúcho, Paulista e Mineiro. Em consonância com a opinião de Corrêa da Veiga, esses episódios não foram levados adiante pelos tribunais regionais, não chegando ao STJD.

Os outros dois foram em competições nacionais. Pela Série B do Campeonato Brasileiro, durante a partida entre Bragantino e Macaé, no dia 16 de setembro, o zagueiro Brinner, do time carioca, teria acusado torcedores do Bragantino de proferir xingamentos racistas. O atleta fez Boletim de Ocorrência e o árbitro registrou o incidente na súmula. Em contato com o STJD, foi explicado à Gazeta Esportiva que a procuradoria arquivou o caso por não ser possível a identificação dos fatos descritos na súmula.

Na outra ocorrência, que aconteceu na Série D, no jogo entre Lajeadense e Central, do dia 27 de setembro, as versões do estudo e do STJD divergem. O relatório afirma que o atleta Diego Lima disse ter sido vítima de injúria racial dos torcedores do time local e o árbitro teria relatado o episódio em súmula. Apesar disso, não consta na súmula da partida qualquer narração sobre racismo. O STJD, inclusive, enviou a súmula, que pode ser acessada aqui, à reportagem para comprovação.

Para a produção do relatório, foram utilizados dados da mídia nacional. “Estes números podem, portanto, ser apenas um indicativo de um problema, ainda mais amplo, afinal, suspeitamos que há um grande número de casos os quais não são denunciados pelas vítimas e/ou pela imprensa”, concluiu o documento.

Estudo aponta aumento de casos de racismo nos estádios brasileiros

Presidente da França homenageia e condecora Paulo César Caju

Hospedado no Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos, o presidente da França, François Hollande, promoveu uma grande honra a Paulo César Caju, ex-jogador e ídolo do futebol francês. O evento ocorreu durante um café da manhã, nesta quinta-feira, no qual o estadista pediu o apoio dos brasileiros à candidatura de Paris para a sede das Olimpíadas de 2024.

Em meio a esportistas, artistas e empresários, Caju foi condecorado com a medalha de cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra, distinção instituída por Napoleão Bonaparte em 1802 e que representa, até hoje, a ordem máxima do país.

Tímido com a nomeação, o ex-atacante ficou muito emocionado. “Eu preferia tomar uma vaia, como já tomei na carreira, de 100 mil pessoas”, brincou. “É uma grande emoção, não esperava. Ter esse tipo de honraria, realmente, é duro, tem que ter coração bom. Como brasileiro é excepcional, espero que Ele continue me iluminando, que esse amor entre Brasil e França permaneça”, disse Caju.

O ex-jogador atuou pelo Olympique de Marselha nos anos 1970, equipe com a qual conquistou a Copa da França de 1975, e é reconhecido por seu papel como ativista contra o racismo no futebol. Com a Seleção Brasileira, Caju venceu a Copa do Mundo de 1970, terceira do Brasil, no México.

Paulo Cesar Caju laureado por seu papel como ativista contra o racismo no futebol

Presidente da França homenageia Paulo Cesar Caju e promove Paris 2024

Com segurança reforçada, François Hollande entregou condecoração ex-jogador brasileiro; mandatário fez coro à candidatura da capital do país para sede dos Jogos Olímpicos

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François Hollande fez importante homenagem à Paulo Cesar Caju

Na recepção, ele condecorou o ex-jogador Paulo Cezar Caju, ídolo do futebol na França, cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra, distinção instituída por Napoleão Bonaparte em 1802 e que representa a ordem máxima do país. O ex-jogador, da seleção tricampeã mundial, jogou no Olympique de Marselha nos anos 1970 e foi laureado por seu papel como ativista contra o racismo no futebol.

Por razões de segurança, a cerimônia foi mantida em sigilo tanto pela Embaixada da França, em Brasília, quanto pelo consulado no Rio. Procurado pela reportagem na última quarta, Caju tampouco quis comentar o assunto. Estavam presentes o velejador Lars Grael, os ex-jogadores Carlos Alberto Torres, Cláudio Adão e Jairzinho, o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, a atriz Maitê Proença, o presidente da Federação das Indústrias do Rio, Eduardo Eugenio Gouveia Vieira, entre outros convidados da diplomacia francesa.

O presidente chegou ao Rio por volta das 6h30 desta quinta-feira e recebeu os convidados do café da manhã, pontualmente, às 9 horas. Na saída do hotel, às 10h30, Hollande acenou para os fotógrafos que estavam na calçada do Sofitel. Ele almoça na Casa da França no Rio, montada para os jogos na Sociedade Hípica Brasileira, na Lagoa.

“Foi bem informal, uma homenagem ao primeiro jogador do Brasil a jogar na França, abrindo o caminho para tantos outros”, disse Lars Grael, na saída. “Os franceses estão no Rio para a candidatura e para sentir o clima olímpico, e pediram nosso apoio”, declarou Eduardo Eugenio.

Desde cedo, dois helicópteros sobrevoavam o fim da praia de Copacabana, onde se localiza o hotel. Hollande é o mais importante chefe de Estado no Rio para a Olimpíada, o que deve demandar um dos maiores esquemas de segurança, em decorrência dos recentes ataques terroristas em seu país. Além dele, também estará na cidade para a cerimônia de abertura o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, que irá representar o presidente Barack Obama. Estão previstas ainda as presenças do presidente da Argentina, Mauricio Macri, e do de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Quarenta e cinco líderes de nações devem estar presentes, nas contas do Ministério do Esporte e do Itamaraty.

Os líderes estarão na recepção que será oferecida pelo presidente em exercício, Michel Temer, no Palácio do Itamaraty, no centro do Rio, às 17 horas de sexta-feira. De lá, todos seguirão para o Maracanã, onde a festa começa às 20 horas e termina às 23h30.

 

fonte:http://www.otempo.com.br/hotsites/olimp%C3%ADadas-2016/presidente-da-fran%C3%A7a-homenageia-paulo-cesar-caju-e-promove-paris-2024-1.1349161

Gol de Éder vai além do título português: é de Guiné-Bissau e dos imigrantes pelo mundo

Gol de Éder vai além do título português: é de Guiné-Bissau e dos imigrantes pelo mundo
Éder ao lado dos companheiros de seleção portuguesa (Foto: Getty Images)

Importância do jogador de origem africana na Eurocopa debruça debate sobre condição de refugiados e imigrantes pelo mundo

 

 

O gol mais importante da história de Portugal. O chute potente, rasteiro, a trajetória indefensável até o canto das redes do Stade de France. Portugal 1 a 0 na final da Eurocopa de 2016. A bola do maior título da história da seleção portuguesa. O arremate decisivo ao título europeu foi efetuado por Éder, antes contestado e que passava longe das previsões do protagonismo. Ele nasceu no país africano deGuiné-Bissau, terra tão distante dos holofotes midiáticos.

Guiné-Bissau localiza-se na África Ocidental e teve colonização portuguesa. Em domínio de Portugal, passou pelas atrocidades do tráfico negreiro e também pela dominação por parte do reino africano de Mali. Um país com histórico de violência, de golpes de Estado, de guerra civil durante os anos 1990. Um país de derramamento de sangue, de atentados, de pobreza. Com o Produto Interno Bruto como um dos mais baixos do mundo. Em 1987, na capital Bissau, nasceu Éder.

Refugiados que deixam Guiné-Bissau (AP IPhoto)

Sua trajetória portuguesa inicia aos três anos, em 1990. Batizado em Portugal como Éderzito, o jogador teve um histórico de vida digno de filmes de superação, mas que exaltam a realidade. Nada ficcional na vida do jovem afastado da família e que passou a viver em um orfanato em Coimbra. O Lar Girassol acolheu Éder e, tal qual a flor que origina o nome da instituição, ele teve uma nova órbita. A bola de futebol foi seu sol. O dele e dos amigos de infância.

Diferente da maioria dos que tentam o sonho da profissionalização no esporte, Éder conseguiu ser selecionado para jogar nas categorias de base do Adémia. Sempre em frente, aos 19 anos, chegou à primeira divisão portuguesa pelo Academica de Coimbra.

Foi comparado ao também africano Emmanuel Adebayor, nascido no Togo, ex-atleta do Arsenal e atualmente no Crystal Palace. Éder passou pelo Braga, foi bem o suficiente para figurar pela primeira vez com a camisa da seleção de Portugal, regularizado como naturalização. Nos altos e baixos, passagem apagada pelo Swansea e, somente como reserva do clube francês Lille, seguiu na lista de convocados para Eurocopa.

Um jogador duramente criticado, mas que encara tudo de frente. Festeja seus gols pelo Lille com uma luva branca, um símbolo de luta e resistência. “Trabalho da melhor forma para ultrapassar isso tudo. Desde criança que ultrapasso algumas adversidades e isso tem sido muito importante para mim. Quero continuar a trabalhar da melhor forma para ajudar a seleção“, apontou em junho, antes da Euro, para o periódico O Jogo, de Portugal.

Não procuro calar ninguém. O meu objetivo passa por ajudar a seleção da melhor forma. Entendo que as pessoas queiram dar a sua opinião, a mim resta-me conviver com isso e trabalhar da melhor forma“, disse sobre as críticas que recebeu, inclusive sobre a convocação à Euro, competição da qual sai como herói do gol do título.

Éder é uma história para abrir os olhos das sociedades. Os imigrantes sofrem. Em questões que não são novidade, mas que ganham repercussão pela Europa e pelo mundo pelos altos índices de pessoas detidas nos últimos anos. A maioria dos que emigram hoje da África ou do Oriente Médio para Europa, fogem de guerras em seus países de origem, como Afeganistão, Síria e Somália.

Não precisa ir tão distante para perceber o preconceito e o mau tratamento a quem busca uma saída dos campos de violência, a quem busca reencontrar familiares ou alçar alguma melhoria na vida. No Brasil, recentemente, as imigrações de haitianos, senegaleses, sírios, dentre outros, geram conflitos na sociedade. Muitos têm auxílios negados, ou pior, são vítimas de xenofobia, de violência física ou verbal.

Muitos são minimizados pelo fato de serem estrangeiros, mas podem ser fluentes em três ou mais idiomas, podem ter formação de ensino superior em seus países e gostariam apenas de oportunidades e aceitação da comunidade. O poder público e a sociedade não podem contornar os problemas, não devem excluí-los mais.

A cobertura midiática muitas vezes é culpada pelas impressões e consequências negativas atribuídas aos imigrantes. É importante salientar que vários problemas de países africanos surgiram ou foram agravados com as interferências europeias no continente nos diferentes períodos coloniais. Guiné-Bissau, país de Éder, só conseguiu sua independência em 1973, 14 anos antes do nascimento do atleta.

Por outro lado, ações de clubes em auxiliar os novos integrantes da sociedade são bem-vindas. Em clássico Fla-Flu de 2015, oFluminense realizou ação de recibimento de refugiados sírios e outras providências se estenderam.

Mensagem no Maracanã durante Fla-Flu (Foto: Henrique König / VAVEL Brasil)

O Grêmio já recebeu senegaleses e haitianos na Arena, antes de partida contra o próprio Fluminense, em novembro de 2015. São ações não somente para o acolhimento dos viajantes, das pessoas de culturas distintas, mas também para os demais setores da sociedade os notarem, verem que estão aqui. Eles fazem parte do convívio e precisam receber seus direitos, suas oportunidades. De violência, já bastam os locais de suas origens e suas trajetórias vividas.

Em meio a isso, a importância do gol de Éder. Um gol para Portugal sorrir e chegar ao título mais importante de sua história. Mas as consequências precisam ser muito maiores. Ao próprio reconhecimento do jogador, com sua valorização e glórias merecidas. Ao reconhecimento dos africanos e descendentes que hoje fazem parte da Europa, que fazem parte do Brasil. Aos que encaram viagens longas e conflitos sociais, na esperança de mudar de vida e de dias melhores.

Sobre os países em situações de guerra civil, de extrema miséria, de perseguições religiosas ou ditaduras e seu povo, que tão pouco recebe de condições e necessita alternativas para sobreviver.

O gol de Éder precisa ser reprisado na mente da sociedade. Um gol de Portugal, mas um gol de Guiné-Bissau e da África, que clamam por atenção e melhorias. Um gol que ecoa pelos imigrantes e refugiados pelo mundo.

http://www.vavel.com/br/mundo/668419-gol-de-eder-vai-alem-do-titulo-portugues-e-de-guine-bissau-e-dos-imigrantes-pelo-mundo.html

Refugiados no Sudão
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Moçambique: Universidade moçambicana distingue Mário Coluna com titulo “honoris causa”

Universidade moçambicana distingue Mário Coluna com titulo “honoris causa”.png
 
Maputo – A Universidade Pedagógica de Moçambique distinguiu hoje o ex-futebolista luso-moçambicano Mário Coluna com o título “honoris causa” na área de desporto, lembrando-o como um dos primeiros atletas a “empurrar” a selecção portuguesa para a conquista de um título.
 
 
“É um título merecido e um reconhecimento pelo trabalho que este incontornável nome do futebol deixou”, afirmou o reitor da Universidade Pedagógica, Rogério José Uthui, falando durante a cerimónia de atribuição do “honoris causa” em ciências do desporto ao futebolista desaparecido há dois anos em Maputo.
 
Lembrando o poder de liderança do “monstro sagrado”, o reitor da Universidade Pedagógica disse que Mário Coluna eternizou-se como futebolista no panorama internacional, dirigindo o Benfica e a selecção de Portugal nos grandes palcos mundiais.
 
“Ele lutou pela excelência”, declarou Rogério José Uthui, destacou a importância da “inspiradora história” de Mário Coluna para outras gerações de jovens talentos moçambicanos.
 
Por seu turno, o director da Faculdade de Educação Física da Universidade Pedagógica, Sílvio Saranga, lembrou também o “monstro sagrado” como um dos primeiros futebolistas que empurrou a selecção portuguesa rumo ao seu primeiro título, com a conquista do europeu no domingo em França, 50 anos depois de ter liderado os “magriços” para o terceiro lugar no mundial da Inglaterra, ao lado de outros moçambicanos como Eusébio, Hilário e Vicente Lucas.
 
“Foi tudo um processo e, entre os pioneiros, Mário Coluna estava lá”, afirmou Sílvio Saranga, observou que, mais do que um futebolista, Coluna foi um líder.
 
A vice-ministra moçambicana da Juventude e Desporto, Ana Flávia Azinheira, lembrou Mário Coluna como “uma criança com sonhos”, um jovem que venceu as suas dificuldades e tornou-se numa referência internacional.
 
“Foi um desportista, um político e um exemplo para todos nós”, afirmou.
 
Ana Flávia Azinheira aproveitou para saudar Portugal pela conquista do seu primeiro título europeu, considerou que os laços históricos que unem os dois países fazem da selecção portuguesa a “equipa dos moçambicanos”.
 
“Temos uma afinidade muito grande com o povo português e orgulha-nos bastante ver Portugal a vencer”, declarou a vice-ministra.
 
Nascido em Inhaca, uma ilha próxima da capital moçambicana, a 06 de Agosto de 1935, o antigo jogador do Benfica morreu a 25 de Fevereiro de 2014, aos 78 anos, em Maputo, vítima de uma infecção pulmonar grave.
 
Após uma triunfante estada no Benfica, no qual conquistou dois campeonatos europeus, e de se tornar numa das maiores referências históricas da selecção portuguesa, após a independência de Moçambique, Coluna regressou ao seu país de origem e foi deputado e presidente da Federação Moçambicana de Futebol.
 
Mário Coluna foi distinguido com o Colar de Honra de Mérito Desportivo do Governo português e integrado na equipa do século da Federação Portuguesa de Futebol.
 
Em 2015, o antigo capitão da selecção portuguesa recebeu, a título póstumo, a Medalha de Mérito Desportivo do Estado moçambicano, a mesma atribuída à campeã mundial e olímpica dos 800 metros, Lurdes Mutola.
 

O título europeu dedicados a todos os imigrantes

ronaldo

 

Cristiano Ronaldo não é craque apenas dentro do campo. Em meio a uma onda de intolerância que toma conta da Europa com o referendo que aprovou a saída do Reino Unido da União Europeia e a rejeição a imigrantes que saem de zonas de guerra em busca de uma vida melhor no Velho Continente, o atacante português dedicou o primeiro título da história de Portugal na Eurocopa a todos os imigrantes.

É um troféu para todos os portugueses, para todos os imigrantes, todas as pessoas que acreditaram em nós. Estou muito feliz e muito orgulhoso – disse o atacante de 31 anos.

Portugal foi campeão graças a um gol decisivo de Éder, jogador nascido em Guiné-Bissau, na África, e que entrou no segundo tempo para balançar as redes do goleiro LLoris na prorrogação.

Dos 23 campeões portugueses, nove nasceram em outros países. Além de Guiné-Bissau, há atletas de Cabo Verde, Angola e até França, Alemanha e Brasil, representado pelo zagueiro Pepe, que se transformou num dos grandes jogadores da final e, assim como Ronaldo, foi duplamente campeão europeu neste ano. Ambos já haviam conquistado a Liga dos Campeões da Europa pelo Real Madrid.

A conquista de Portugal ganhou contornos dramáticos depois que Ronaldo se machucou ainda no início da partida após uma entrada dura de Payet. Mesmo com muitas dores no joelho esquerdo, o craque ainda tentou permanecer em campo, mas as dores eram muito grandes e ele acabou saindo de maca e aplaudido por todo o Stade de France.

TÉCNICO ELOGIA O ATACANTE

Para o técnico Fernando Santos, Ronaldo foi fundamental na conquista, mesmo estando de fora na final.

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A partir daí, Ronaldo se converteu no líder que já vinha sendo em toda essa Eurocopa. Incentivou a equipe, gritou do lado de fora, disse que Éder faria o gol da vitória e, por último, chorou de alegria pela conquista inédita. Um sonho realizado.

– Somos os melhores da Europa. Mostramos do que somos feitos. Resistentes, unidos, capazes de superar qualquer dificuldade – disse o craque, prevendo que milhares de portugueses estarão aguardando a seleção na chegada nesta segunda-feira, em Lisboa.

 

O fato de ele ter estado no banco de reservas e no vestiário foi um grande apoio para motivar os jogadores e quero agradecê-lo por isso.

Para o treinador, Portugal mostrou um futebol solidário e organizado e mereceu conquistar o troféu depois de tantas gerações de jogadores talentosos que não conseguiram chegar lá.

– Portugal teve grandes jogadores, mas às vezes faltou sorte. Neste ano, conseguimos uma boa base de jogadores jovens. Isso mostra o trabalho efetuado pela federação. Temos que acreditar nas nossas qualidades e no nosso talento. Se continuarmos jogando dessa maneira, com muita humildade, poderemos superar novos desafios – encerrou.
.http://oglobo.globo.com/esportes/cristiano-ronaldo-dedica-titulo-europeu-todos-os-imigrantes-19684204