Yaa Nana Asantewaa: a rainha guerreira da nação Ashanti do Gana

Ficou conhecida pelo seu papel heróico na guerra do “Trono de Ouro”, no Gana. Asantewaa era uma mulher forte e que seguia as suas convicções. Defendeu sempre o que acreditava ser a santidade da sua terra e cultura.

DW Videostill Projekt African Roots | Yaa Asantewaa, Ghana (Comic Republic)

Nasceu: em 1840 em Besease, no atual Gana, e morreu a 17 de outubro de 1921, nas Seychelles.

Reconhecida:

– por ter inspirado e apoiado o que é hoje conhecido como guerra do “Trono de Ouro”. O “Trono de Ouro” era a propriedade mais sagrada da nação Ashanti – atual Gana -, tendo o representante britânico na época na Costa do Ouro, Frederick Mitchell Hodgson, exigido que lho dessem.

– por se ter pronunciado sem hesitar e em frente aos homens Ashanti, quando confrontada pela exigência do representante britânico. Afirmou: “É verdade que a bravura dos Ashanti acabou? Não posso acreditar. Não pode ser! Devo dizer: Se vocês, homens de Asante, não vão em frente, então nós vamos. Apelo às minhas companheiras mulheres. Vamos lutar contra os homens brancos. Vamos lutar até que a última de nós caia no campo de batalha”.

– por ter sido nomeada por uma série de reis regionais Ashanti a líder da força de guerra de combate. Foi a primeira e única mulher na história de Asante com estas funções.

– por ter estado, em momentos diferentes, na frente de guerra para dar conselhos e cuidar do abastecimento dos combatentes Asante – aos 60 anos!

Legado:  Yaa Asantewa é um importante modelo e inspiração não só para as raparigas e mulheres do Gana, mas também para todo o continente africano, pela bravura que demonstrou ter. Hoje, muitas mulheres que ingressam em profissões que, anteriormente, eram dominadas por homens, são muitas vezes apelidadas de Yaa Asantewaa como forma de incentivo e apoio.

Em 2000, um museu foi criado em memória à grande rainha guerreira na localidade de Ejisu no Gana. A sua família contribuiu com heranças e artigos que Yaa Asantewaa usava, incluindo peças de roupa, e também uma carapaça de tartaruga, na qual se diz que a rainha tenha comido as suas refeições. Infelizmente, um incêndio destruiu o museu em julho de 2004. A maioria das coisas foram perdidas, estando o museu ainda em ruínas.

DW African Roots- Yaa Asantewaa (Comic Republic)

Rainha guerreira proveniente de famílias humildes

A primeira Escola Secundária do Governo em Kumasie recebeu o seu nome: Escola Secundária Yaa Asantewaa.

Asantewaa nasceu em 1840, em Ejisu, atual Gana, que fazia parte do império Ashanti naquela época. Casou cedo e teve uma filha.

Em entrevista à DW África, Wilhemina Donkor, historiadora e presidente da Universidade Garden City, no Gana, lembra que Yaa Asantewaa era proveniente de famílias humildes, tendo começado a sua vida como uma “mulher comum”. Yaa Asantewaa era agricultora e “cultivava amendoim, cebolas e outros produtos alimentares”.

No entanto, a sua vida mudou decisivamente quando os seus pais morreram. O seu irmão Kwasi Afrane tornou-se líder de Ejisu e nomeou a sua mãe Rainha. No entanto, Kwasi Afrane morreu pouco tempo depois, em 1894. Seguiu-se um novo líder, um dos dez netos de Yaa Asantewaa, mas que acabou por ser exilado pelos britânicos dois anos depois. É aqui que Yaa Asantewa se torna regente de Ejisu.

De agricultora a líder de Guerra

Representar o líder do seu país deu a Yaa Asantewaa a oportunidade de estar entre os chefes que foram convidados a conhecer o representante britânico em 1900.

Na reunião, Frederick Mitchell Hodgson, representante da coroa britânica, solicitou que o “Trono de Ouro” lhe fosse concedido, no entanto este não era um trono comum. Era o “Trono de Ouro”, o objeto mais sagrado da cultura Ashanti e por isso Asantewaa entendeu que não poderia deixar que os britânicos o levassem.

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Yaa Nana Asantewaa: a rainha guerreira

No entanto, foi a única a lutar contra isso. Pelos chefes de Ashanti, a solução desistir e sacrificar o “Trono de Ouro”. Mas, para Yaa Asantewaa esta solução não estava em cima da mesa. Asantewaa insurgiu-se e proferiu as tão famosas palavras: “Se vocês, homens de Asante, não vão em frente, então nós vamos. Desafio as minhas companheiras mulheres. Vamos lutar contra os homens brancos. Vamos lutar até que a última de nós caia no campo de batalha. Se vocês, os chefes, não lutarem, então deverão trocar a vossa tanga pela minha roupa interior”.

Guerra do Trono de Ouro

A guerra que se seguiu ficou conhecida como a “Guerra do Trono de Ouro” e também como a “Guerra de Yaa Asantewaa”.

De acordo com Wilhemina Donkor, Yaa Asantewaa deixou algumas lições, nomeadamente, “ensinou-nos a defender aquilo em que acreditamos”. “Sendo a dignidade de Ashanti que estava em jogo, ela ergueu-se”, explica.

Yaa Asantewaa não só iniciou a guerra, como também desempenhou um papel ativo. Tinha 60 anos na época e há provas de que esteve na frente da batalha, não só para motivar os soldados mas também para lhes fornecer armas.

A guerra apenas atenuou depois da sua filha ter sido capturada, o que forçou Yaa Asantewaa a render-se. Os britânicos levaram-na para as Seychelles, no Oceano Índico, onde acabou por morrer, em outubro de 1921.

DW African Roots- Yaa Asantewaa (Comic Republic)

Um ícone

Ainda assim, os britânicos nunca encontraram o “Trono de Ouro”. Yaa Asantewaa tornou-se um ícone, respeitado no Gana e mais além.

Para Daniel Baker Glover, cineasta e comentador político, Asantewaa inspirou a luta da independência no seu país. No seu entender, “o que ela estava a querer dizer ao povo Asante e, indiretamente, aos ganianos e africanos, é que esta é a nossa terra, e ninguém vindo do exterior pode chegar e dizer como é que devemos viver. (…) Ao vestir “a capa” de líder de guerra, ela estava a querer mostrar às mulheres que elas são iguais aos homens, e que não são cidadãos de segunda classe”.

Quase um século após a sua morte, Yaa Nana Asantewaa continua a ser lembrada um pouco por todo continente africano por ter sido uma mulher excecionalmente corajosa e forte. Para preservar a herança de Yaa Asantewaa, uma das melhores escolas secundárias do sexo feminino no Gana tem o seu nome.

A sua memória está também preservada através de livros, filmes, peças de rádio e canções – ou seja, na memória de uma nação .

O projeto “Raízes Africanas” é financiado pela Fundação Gerda Henkel.

http://www.dw.com/pt-002/yaa-nana-asantewaa-a-rainha-guerreira-da-na%C3%A7%C3%A3o-ashanti-do-gana/a-41770230

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África Subsaariana  teve forte crescimento econômico no ano passado

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As empresas do  Quênia, Nigéria, Zâmbia, Gana e Uganda mostraram crescimento que foi registrado pela Bloomberg, por meio do do Índice dos Gestores de Compras. A Bloomberg é uma plataforma que auxilia a tomada de decisões em negócios. a informação veiculada expõe as economias africanas de forma muito positiva.

O Índice dos Gestores de Compras (PMI, sigla inglesa) publicado na quinta-feira indica uma acentuada expansão da atividade das empresas na Nigéria, Quênia, Gana, Uganda e Zâmbia durante o mês de Dezembro, informou Bloomberg.

“O PMI indica que as economias da África subsaariana chegaram a 2018 com uma nota mais positiva que no início do ano passado”, notou o economista da Bloomberg Economics Mark Bohlund.
“A leitura do PMI sul-africano está alinhada à nossa expectativa de que um forte crescimento do consumo privado no segundo e terceiro trimestres, passasse a moderado  no quarto trimestre de 2017 e em 2018”, acrescentou.
Na África do Sul, a economia mais industrializada do continente, o índice caiu e manteve-se abaixo da marca neutra de 50 pontos pelo quinto mês consecutivo, já que as perspectivas fiscais continuam a ser desafiantes e persiste o risco de novos cortes do “rating” soberano.

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Apesar do crescimento econômico da África Subsaariana quase ter duplicado para 2,6 por cento no ano passado, de acordo com as estimativas do Fundo Monetário Internacional, as mudanças políticas representam um risco para a expansão.

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O Gana realizou eleições pacíficas no final de 2016 e conta com um novo Governo desde o início do ano passado, enquanto, no Quénia, o sufrágio de Agosto teve que ser repetido em Outubro, perpassado pela violência. A Nigéria e a África do Sul, as duas maiores economias do continente, têm eleições marcadas para o próximo ano.
Os níveis de produção nessas economias são frequentemente sensíveis às mudanças nos preços das matérias-primas e ao ambiente político.

Um dos gestores mais bem sucedidos de títulos de mercados emergentes está investindo  na África.

Jim Craige, da Stone Harbor Investment Partners, administra o fundo de dívida de emergentes de melhor desempenho do mundo neste ano. E ele está comprando bonds denominados em dólares emitidos por Angola, Gana, Gabão, Costa do Marfim e Zâmbia, enquanto reduz aplicações no Brasil e México. Ele afirma que países da África Subsaariana  apresentam o melhor valor entre as nações em desenvolvimento.

Os países da África Subsaariana na mira de Craige têm classificações de risco de crédito inferiores às do Brasil ou México e enfrentam desafios significativos. Em Angola, segundo maior exportador de petróleo do continente, falta dinheiro vivo e a dívida cresceu após a queda da cotação da commodity. Gana está sob um programa do Fundo Monetário Internacional e a Zâmbia está negociando um pacote com o FMI. Até a Costa do Marfim, considerada o país mais seguro da região, com nota de crédito apenas um nível abaixo da do Brasil, enfrentou uma série de motins nas Forças Armadas neste ano.

Craige afirmou que o rendimento maior compensa o risco mais alto.

Segundo analistas, os in­vestidores agora se concentram num continente que oferece altos rendimentos e que começa a se recuperar da situação precária de matéria-prima de três anos atrás. Ainda assim, os riscos abundam e entre eles pode-se perceber o reforço das políticas nas economias avançadas, a política local e global, o enfraquecimento das moedas e outra queda nos preços do petróleo.

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Os investidores esperam que Angola desvalorize a sua moeda, o kwanza, para ajudar a reduzir a escassez de dólares e revigorar o que foi, até o desastre do petróleo de 2014, uma das economias de crescimento mais rápidas do mundo.
O Estado angolano tem vindo a promover o investimento privado, realizado por investidores nacionais e estrangeiros, nos sectores que considera estratégicos para o desenvolvimento da economia do país. Esses sectores são agricultura e pecuária, construção civil e serviços conexos, energia e água, desenvolvimento e gestão de infra-estruturas, hotelaria e turismo, indústria transformadora, transportes, saúde e educação.
No quadro legal angolano, o Estado angolano deve ser sempre o parceiro maioritário em projectos relacionados com infra-estruturas de telecomunicações e serviços postais, que compreendem a reserva de controlo do Estado. A exploração de petróleo, ouro e diamantes por entidades privadas está sujeita a legislação específica.
O saneamento básico, a produção, transporte e distribuição de energia eléctrica para consumo público, o tratamento, captação e distribuição de água para consumo público, a exploração de serviços transporte portuários e aeroportuários, o transporte ferroviário e transporte regular de passageiros domésticos, os serviços complementares postais e de telecomunicações; construção e exploração de infra-estruturas que não integram a rede básica e os respectivos serviços de telecomunicações só podem ser exercidas mediante contrato de concessão.
Na África do Sul, os investidores devem acompanhar de perto Cyril Ramaphosa, o novo líder do Congresso Nacional Africano (ANC). O orçamento (OGE – Orçamento Geral do Estado) a aprovar no próximo mês será crucial, deve sinalizar se Cyril Ramaphosa, que dá prioridade ao estímulo da economia com a eliminação da corrupção, pode afirmar a sua autoridade sobre a administração do presidente Jacob Zuma e se a África do Sul faz o suficiente para evitar mais rebaixamentos de “rating” de crédito.
Moçambique e a República do Congo perderam os pagamentos dos Eurobonds em 2017, enquanto outros países, incluindo Camarões e Zâmbia, concordaram ou iniciaram conversações sobre resgates no Fundo Monetário Internacional (FMI). Desde que a Namíbia e a África do Sul foram rebaixadas para o lixo, o continente foi deixado sem emissores de moeda estrangeira de grau de investimento.
Por exemplo, a directora do FMI, Christine Lagarde, pensa que os problemas de dívida de África “podem muito bem” piorar em 2018, à medida que o dólar se valoriza e os Estados Unidos aumentam as taxas de juros, de acordo com uma entrevista à revista Quartz, em Dezembro. A directora do FMI disse que os investidores de títulos com fome de rendimento “estavam tão ansiosos para emprestar que eu não acho que eles eram muito sérios em avaliar os riscos”.
A dívida da África já é me­nos atractiva em termos relativos. Os rendimentos de 10 anos dos EUA aumentaram para os mais altos em nove meses, há duas semanas, o que reduziu a injecção de dólar para 352 pontos base africanos, em torno do menor em três anos, de acordo com a Standard Bank Group Ltd.

Os dez importantes mercados do continente africano para investir no presente ano

Os investidores
 esperam que Angola desvalorize a sua moeda, o kwanza, para ajudar a reduzir a escassez de dólares e revigorar o que foi, até o desastre do petróleo de 2014, uma das economias de crescimento mais rápidas do mundo. Para o Standard Bank, os investidores podem esperar até que os legisladores passem o primeiro orçamento do presidente João Lourenço.
Moçambique foi assolado por uma crise financeira causada pelo Governo, que assumiu demasiada dívida externa, em grande parte secreta. Moçambique falhou no pagamento de um Eurobond de 727 milhões de dólares em Janeiro de 2017 e, ainda assim, não iniciou negociações formais de reestruturação com os credores, incluindo o fundo de “Hedge Greylock Capital Management LLC”, com sede em Nova York.
Em meio de dúvidas sobre se o Governo moçambicano quer iniciar negociações, os detentores de títulos dizem que Moçambique tem dinheiro para devolvê-los.
A República do Congo, que mantém um mês de atraso em pagamento, em meados de 2017, está a considerar se suspende os pagamentos de algumas dívidas, como os 363 milhões de dólares acumulados no final de 2017, embora tenha um período de carência de 30 dias. Apesar dos comentários do primeiro-ministro congolês, os investidores apostam que o Governo está mais próximo de conseguir um acordo com o FMI por um empréstimo.
As perspectivas imediatas do produtor de cobre – a Zâmbia, dependem de se pode obter um resgate do FMI. Na Zâmbia o kwacha, a moeda local, caiu mais de 10 por cento em relação ao dólar desde Julho de 2017, com a preocupação dos investidores de que o Governo não deve controlar o problema em breve. Sem um acordo, a Zâmbia corre o risco de stress financeiro, de acordo com o Moody’s Investors Service.

Novo rumo para Zimbabwe

Zimbabwe ainda não é um mercado para investidores exigentes, mas o país pode tornar-se um excelente tentador para os comerciantes com integridade global, depois que Robert Mugabe foi expulso como presidente, em Novembro passado. Observadores dizem que isso pode abrir o país para um dos mercados de acções mais importantes da África para investimentos estrangeiros tão necessários.
A economia do Gana cresceu 9,3 por cento no terceiro trimestre de 2017, à medida que a produção de petróleo aumentou. Se sustentado, isso significaria uma reviravolta para o país da África Ocidental, que teve um programa do FMI desde 2015. A nação sofreu o seu crescimento económico mais lento em mais de um quarto de século, em 2016, ao promulgar medidas de austeridade.
Os quenianos e os investidores estrangeiros esperam que a maior economia da África Oriental finalmente termine uma crise política desencadeada pelas eleições do ano passado, cujos resultados não foram aceites pela aliança principal da oposição derrotada. Até o momento, o presidente Uhuru Kenyatta terá dificuldade em revitalizar a economia e atrair mais investimentos.
Os políticos nigerianos preparam-se para as eleições, no início de 2019. De qualquer forma, quaisquer sinais de que as autoridades estão a colocar reformas muito necessárias para se concentrar na votação podem desconcertar os investidores e criar transtornos para a economia que saiu recentemente da recessão.
As eleições no Egito, no primeiro semestre deste ano, devem sinalizar se o presidente Abdel-Fattah El-Sisi, ou seu sucessor continuarão com as profundas reformas econômicas, que já caíram bem aos investidores de portfólio, mas que deixaram os egípcios comuns a retirar-se de cortes de subsídios e alta da inflação.

Jovens africanos estudaram a cadeia produtiva da mandioca no Brasil

Benin, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Malaui, Moçambique, Nigéria, República do Congo, Uganda, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

Embrapa treina jovens de 14 países africanos na Bahia

Imagem: Embrapa

Embrapa - O pesquisador Joselito Motta com os jovens em comércio de Vitória da Conquista

O pesquisador Joselito Motta com os jovens em comércio de Vitória da Conquista

Até o dia 17 de novembro, 28 jovens de 14 países africanos participam do “Treinamento em propagação, produção e processamento da mandioca para jovens africanos”, ministrado na Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA).

A iniciativa faz parte do Youth Technical Training Program – YTTP (Programa de Capacitação Técnica Juvenil), realizado pelo Instituto Brasil África (Ibraf), organização sem fins lucrativos voltada para projetos de cooperação sul-sul com ênfase nas relações Brasil-África. Os países representados são: Benin, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Malaui, Moçambique, Nigéria, República do Congo, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

Desde o dia 23 de outubro, o grupo recebe informações sobre a cadeia produtiva da mandioca por meio de aulas teóricas e práticas em laboratórios e campos experimentais da UD e em áreas de parceiros de pesquisa e transferência de tecnologia. No último dia, o grupo também vai receber informações sobre outras culturas pesquisadas pela Embrapa.

O programa inclui visitas técnicas à Cooperativa dos Produtores de Amido de Mandioca do Estado da Bahia – Coopamido (Laje), à Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves – Coopatan (Presidente Tancredo Neves), ao Instituto Biofábrica de Cacau (Ilhéus) e à Cooperativa Mista Agropecuária dos Pequenos Agricultores do Sudoeste da Bahia – Coopasub (Vitória da Conquista).

A escolha da agricultura como primeiro tema do YTTP faz parte da estratégia Feeding Africa, do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), apoiador da primeira desta primeira etapa do programa, que busca a transformação da agricultura no continente africano. “A agricultura é uma matriz comum ao continente africano e ao Brasil, e entendo isso de forma muito clara: para desenvolver um país como um todo ou o continente como um todo, primeiramente, tem que ser através do desenvolvimento da agricultura”, declarou João Bosco Monte, presidente do Ibraf.

Com o objetivo de definir a programação do treinamento, Monte já tinha estado na Unidade em março e julho. “Para o Ibraf, a Embrapa é uma parceira fundamental e imperativa. O programa tem três pilares: a faixa etária, porque queríamos jovens; o gênero, porque queríamos equidade; e a continentalidade. Por isso, temos representantes de 14 países da África, que é formada por 54 países”, disse.

Entre os alunos, compostos por produtores e técnicos, a expectativa é grande. Beckie Nakabugo, de Uganda, é uma delas. “Aprender sobre mandioca vai beneficiar meu país, porque o povo está desanimado. Lá tem o Cassava Brown Streak Virus, e muitos produtores desistem de plantar. Minhas expectativas com o curso são grandes, porque a Embrapa é uma empresa grande e nós estamos recebendo o melhor tratamento, com os melhores professores”, afirmou.

Ernest Lifu Atem, de Camarões, está gostando da experiência. “Alguns dos temas a gente precisaria de, no mínimo, seis meses para realmente entender, mas estamos aprendendo bastante. Espero transformação de mente, de conhecimento. Espero ver mais métodos do que resultados dos trabalhos feitos aqui no Brasil. Claro que os resultados também são importantes para comparar as análises, mas o que mais importa é aprender métodos para aplicar no meu local de trabalho”, salientou.

“A formação ocorre bem, os palestrantes explicam bem os cursos e as matérias. Uma coisa muito interessante é a associação da teoria com a prática. É muito interessante ver o que eles falam e as provas reais do que aconteceu. Eu espero que a formação continue assim até o final. Nós fomos bem acolhidos, e a Embrapa é um lugar bem calmo, ideal para aprender”, destacou Guelord Nsuanda, da República Democrática do Congo.

“Como responsáveis pelo treinamento, esperamos que os alunos repassem esse conhecimento porque ele realmente tem que chegar ao produtor”, disse o pesquisador Marcio Porto, do Núcleo de Relações Internacionais, um dos organizadores do curso, ao lado de Alfredo Alves.

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Encerramento do curso

“Meu sonho para os jovens africanos é que se tornem milionários. A pergunta é: como isso vai acontecer? A resposta: só vai acontecer quando a juventude africana praticar agricultura como negócio. E esse é o propósito de estarmos aqui. Garanto ao Instituto Brasil África e à Embrapa que daqui a cinco anos os participantes que estão aqui vão se tornar milionários. Iremos fazer uso do que aprendemos. Não somente iremos nos tornar milionários, mas iremos criar empregos para outros jovens africanos, que vão ter um trabalho digno.” Com esse depoimento, o jovem Obinna Atu, da Nigéria, encerrou sua participação no curso sobre propagação, produção e processamento da mandioca, que treinou, durante um mês, 28 jovens de 14 países africanos na Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA).

No workshop de encerramento, que contou com a presença do presidente do Instituto Brasil África, João Bosco Monte, do chefe-geral Alberto Vilarinhos e de integrantes da equipe técnica de mandioca, um jovem representante de cada país resumiu o que significou o curso e como pretende aplicar os novos conhecimentos (veja cinco depoimentos abaixo). Os países representados foram: Benin, Burundi, Camarões, Costa do Marfim, Gana, Malaui, Moçambique, Nigéria, República do Congo, Uganda, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

“Depois de 30 dias de intensas atividades, o resumo é muito valioso. O que imaginamos há mais de um ano, quando idealizamos esse programa, era trazer jovens africanos para receber treinamento no Brasil em instituições campeãs que pudessem agregar valor a eles. A ideia, então, era trazê-los para aprender no melhor lugar. Quando ouço os depoimentos e olho nos olhos deles, vejo que valeu a pena o investimento para que esses 28 jovens pudessem receber esse conhecimento aqui, que pode se transformar em algo muito maior. Essa é a beleza de um treinamento como esse. Os jovens saem com o conhecimento adquirido, mas podem ser multiplicadores disso em seus lugares de origem”, avaliou Bosco.

A iniciativa faz parte do Youth Technical Training Program – YTTP (Programa de Capacitação Técnica Juvenil), realizado pelo Instituto Brasil África, organização sem fins lucrativos voltada para projetos de cooperação sul-sul com ênfase nas relações Brasil-África sediada em Fortaleza (CE). A escolha pela agricultura como primeiro tema faz parte da estratégia Feeding Africa, do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), apoiador da desta primeira etapa do programa.

O grupo recebeu informações sobre toda a cadeia produtiva da mandioca por meio de aulas teóricas e práticas em laboratórios, campos experimentais da Unidade e áreas de parceiros de pesquisa e transferência de tecnologia. No último dia, também foram repassadas informações sobre outras culturas pesquisadas pela Embrapa. A programação incluiu visitas técnicas à Cooperativa dos Produtores de Amido de Mandioca do Estado da Bahia – Coopamido (Laje), à Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves – Coopatan (Presidente Tancredo Neves), ao Instituto Biofábrica de Cacau (Ilhéus) e à Cooperativa Mista Agropecuária dos Pequenos Agricultores do Sudoeste da Bahia – Coopasub (Vitória da Conquista).

“Não é fácil reunir pessoas de 14 países, falando dois idiomas (inglês e francês) e muitos outros, seus idiomas nativos. Uma verdadeira torre de babel. Mas deu tudo certo. O curso foi produtivo, e a avaliação dos participantes em relação à Embrapa foi muito positiva, elogios grandes à equipe técnica que compartilhou conhecimento. Agora a intenção é irmos além da mandioca. Vejo a banana, por exemplo, como uma cultura de especial interesse pelos africanos”, resumiu o pesquisador Marcio Porto, um dos organizadores do curso, ao lado do pesquisador Alfredo Alves, que está na África, em missão com Joselito Motta, que acompanhou o grupo durante boa parte do curso e foi citado por muitos participantes no encerramento. Nesta semana, Marcio se juntou a eles, na África, em missão que passa por Gana e Nigéria.

Na primeira semana, Alfredo e Joselito visitaram comunidades produtoras e processadoras de mandioca de Techiman, em Gana, onde as mulheres fabricam o gari – farinha fermentada e amarelada com azeite de dendê. Na zona rural de Abeokuta, na Nigéria, os pesquisadores estiveram em uma comunidade onde as mulheres viram pela primeira vez a tapioca brasileira. “Apesar das dificuldades, o semblante delas era de alegria e esperança”, relatou Joselito.

A Embrapa participou também do evento CassavaTech 2017, que ocorreu de 21 a 23 em Lagos, na Nigéria.

Depoimentos

Gana – Valaria Adzo Adzatia
“Agora sei que não sabia muito sobre mandioca. Nunca vou esquecer as aulas, as visitas a campo, as casas de produção e tudo mais. Eu não sabia que a gente poderia utilizar a mandioca para fazer muitas coisas. Em Gana percebi que a gente desperdiça muito a mandioca. Um produto que aprendi aqui e não estava muito confiante em fazer era o amido. Sempre vi como um processo muito longo, mas foi simplificado aqui para mim. É um dos produtos que estou pensando em trabalhar porque vou me concentrar mais na parte de processamento.”

Malaui – Maness Nkhata
“A parte sobre as pragas foi muito importante porque vi algumas coisas que são novas para mim, especialmente o manejo integrado. O treinamento me proporcionou também conhecimento para produção e processamento da mandioca. Isso vai me ajudar no desenvolvimento de outros produtos que não fazemos nos nossos países. Outra área muito interessante foi a cultura de tecidos. Espero também construir um laboratório para cultura de tecidos e outros processos, além de treinar outros jovens para plantar e manejar as plantações de mandioca. O treinamento foi um sucesso. Meus planos futuros com o conhecimento obtido nas aulas, nas visitas a campo e outras áreas são contribuir para o sucesso da produção de mandioca no meu país.”

Nigéria – Obinna Atu
“Percebi que na África acontece como aqui no Brasil: a maioria dos agricultores não tem acesso aos materiais de plantios melhorados. Por anos o IITA (Instituto Internacional de Agricultura Tropical) tem lutado para alcançar esses objetivos. A mandioca é um dos alimentos mais importantes da base alimentar na Nigéria. Mais de 60% das famílias dependem da mandioca para viver. Vi o processo de multiplicação como uma boa maneira de começar um negócio para os jovens, para investir nosso dinheiro e nossa energia. Aqui vimos também muitos produtos que podemos fazer utilizando a mandioca. Vamos experimentar na Nigéria para ver as oportunidades de negócios lá. Descobrimos que o processamento pode criar milhares de trabalhos para os jovens e gerar muito lucro.”

Senegal – Dieynaba Badiane
“O Senegal tem 14 regiões, e em cada uma há uma plataforma de produção. A gente pode transformar todos esses conhecimentos adquiridos aqui. O que me marcou nessa formação é o fato de trabalhar na prática, nos laboratórios. Temos necessidades agrícolas no Senegal e não conhecemos a cultura in vitro. Com essa técnica que aprendi aqui, quero fazer a micropropagação e trabalhar em parceria com vocês. Temos o hábito de inovar e de criar novas coisas na fabricação, mas ainda não tínhamos conhecido o potencial da mandioca. Com tudo que eu aprendi aqui nessa formação, vou levar muito para lá.”

Serra Leoa – Alie Kamara
“Falando sobre produção de alimentos, fomos capazes de observar e fazer alguns processos, como a produção de chips de mandioca, de mandioca palito. Também aprendemos sobre o programa de melhoramento, que é uma coisa do meu interesse. Na viagem que fizemos, aprendemos muito sobre as etapas. No laboratório, vimos como fazer a multiplicação, identificando o material antes de cortar, como levamos a mandioca para o laboratório, a limpeza do material. Outra parte que aprendemos foi sobre ciência e empreendedorismo. Tenho muita coisa para levar para casa. Vou fazer uma apresentação sobre o que aprendi aqui para outros jovens do meu país.”

Gana cria importante projeto no campo da astronomia

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Não é preciso ser rico para isso, basta vontade política, começando lá de baixo. Gana por exemplo. Tem o 87º PIB do mundo. O Uruguay está em 79º. Eles tem a 126ª renda per capita do mundo. Nós que somos essa desgraça, estamos em 80. Mesmo assim eles conseguem juntar uns caraminguás e investir em ciência.

O mais recente projeto é o radio-observatório de Kuntunse. Os cientistas conseguiram uma antiga antena de comunicação doada pela Vodafone, e com apoio do governo transformaram as instalações em um radiotelescópio.

Esse equipamento não só permitirá observações sofisticadas, como será integrado a telescópios em outros países, inclusive Europa e África do Sul. Através de um processo de interferometria, é criada uma antena virtual com milhares de km, possibilitando muito mais resolução.

O custo do projeto foi de US$ 9,2 milhões, ou “você me fez dar pause em Game of Thrones pra ISSO?” em valores de políticos brasileiros. Foi bancado pelo African Renaissance and International Cooperation Fund, um Departamento que promove investimentos pacíficos em países africanos.

A meta agora é incluir Astronomia nas universidades locais, assim não será mais preciso ir para o exterior estudar. Dickson Adomako, diretor do Instituto Ganense de Tecnologia e Ciência Espacial ressalta que o observatório será uma chance dos astrônomos botarem a mão na massa, saindo do campo teórico.

O observatório foi inaugurado quinta-feira passada pelo presidente Nana Addo Dankwa Akufo-Addo, e descrito como o começo de uma nova era de pesquisa e cooperação internacional, incluindo a African Very Long Baseline Interferometry Network.ghana-radio-astronomy-observatory.jpg

Essa iniciativa vinda de um país tão pobre mostra que não importa o seu tamanho. Ninguém é tão pequeno que não possa olhar pra cima e sonhar com as estrelas.

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Brasil realizou Missão em Gana e Nigéria que geram US$ 66 milhões de negócios

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As dez empresas e quatro associações brasileiras que foram à Missão Ministerial Comercial à África Ocidental, ocorrida entre 6 e 10 de agosto, na Nigéria e em Gana, estão comemorando o resultado de negócios obtido durante o evento. A expectativa total de negócios ficou em torno de US$ 66,8 milhões, entre os que foram fechados na hora e os que devem se concretizar nos próximos 12 meses.

A participação das empresas foi coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que preparou pesquisas de identificação e seleção de potenciais compradores e organizou seminários de negócios e visitas técnicas em parceria com o Ministério das Relações Exteriores.

Em Lagos, capital da Nigéria, ocorreram 205 reuniões entre as empresas brasileiras e os compradores africanos, com US$ 1,5 milhão em negócios gerados a curto prazo e mais US$ 41,2 milhão para os próximos doze meses. Já na capital de Gana, Acra, foram 159 reuniões com US$ 2,1 milhões em negócios imediatos e US$ 22 milhões para os próximos 12 meses.

O objetivo da missão foi reunir empresas brasileiras e compradores africanos, para promover negócios internacionais e fomentar parcerias estratégicas. Também foram realizados seminários e visitas técnicas em ambos os países. A ação contou com empresas brasileiras dos setores de autopeças, etanol, balas e confeitos, café, calçados, carnes, frutas, móveis, entre outros.

http://www.apexbrasil.com.br/Noticia/MISSAO-A-AFRICA-GERA-MAIS-DE-US-66-MILHOES-EM-NEGOCIOS

Quem é Bozoma Saint John?

Gazing at the goodness of God as I read my cover story article in the Sunday style section of the @nytimes on my way to church this Sunday morning... and I feel like testifying! 🙌🏿 Listen here... my journey has had its share of ups and downs, but what I know for certain is that the adage is true-- the Will of God will never take you where the Grace of God can not keep you.  So this morning I give thanks knowing that my steps are divinely ordered... so get out of my way! I'm coming for what is mine! AMEN?? I'm also giving thanks for my 15,000 @uber colleagues who are doing an amazing job of evolving the company and our service. Teamwork makes the dreamwork... AMEN?? Last but certainly not least, I'm thankful for the incredible talent of @sheilaym who has told my story so well (link in bio) #thankfulheart #SundaySermon #blackgirlmagic

Nasceu no Gana, passou pelo Quénia, fixou-se no Colorado com 14 anos, trabalhou marcas como Spike DDB, Ashley Stewart e PepsiCo e chefiou o marketing global da Apple. . Uber.

Bozoma Saint John fotografada na Casa Branca, onde marcou presença no jantar de Natal organizado por Barack Obama

“Tem de estar preparado para queimar-se na própria chama; como é possível renovar-se sem primeiro ficar em cinzas?”, dizia Friedrich Nietzsche. Este é um dos principais mandamentos de vida de Bozoma Saint John, a grande contratação deste Verão. E não, nem tudo se resume ao futebol, ao PSG e ao Real Madrid. Mas também envolve milhões. Com a perspetiva de gerar mais milhões. E não deixa de ser transferência entre grandes: a executiva que trata por tu a elite americana vai trocar o marketing global da Apple pela Uber.

Há uma história publicada pelo The New York Timesque retrata bem essa situação: no ano passado, a primeira chefe de marca da companhia, contratada no passado mês, fez uma viagem entre o Four Seasons de Austin e um restaurante. E começou a meter conversa. “Não me vai acontecer nada neste carro, pois não? Sabe conduzir, certo?”, atirou na brincadeira. Não teve seguimento no tom, mas mereceu resposta – o condutor começou a lamentar-se de um ataque à viatura que tinha sofrido no aeroporto por parte de taxistas e que precisava de dinheiro para levar a viatura à oficina para arranjar os danos que tinham ficado. E para mais uma coisa, admitiu: poupar para comprar bilhetes para o South by Southwest, festival que contaria com a presença do mais recente ídolo do irmão Iggy Pop.

Bozoma, que era então chefe do marketing global do iTunes e da Apple Music, tinha convites para o evento. E melhor: ia jantar nesse dia com Iggy Pop. Vai daí, agarrou no condutor no final da viagem e levou-o consigo até ao restaurante.“Estava toda a gente a perguntar: ‘O que se passa? É o seu companheiro? Não percebo. Quem é este gajo? Foi um momento humano lindo. Andamos todos apressados com as nossas vidas, estava tão preocupada em chegar lá e se não acabássemos por falar nunca teria acontecido esse momento lindo”, contou à publicação, que cita essa história dizendo que foi um dos pontos que convenceu Arianna Huffington, fundadora do The Huffington Post e executiva da Uber, a avançar com a sua contratação para estancar a onda de escândalos em torno da Uber.

Nascida no Gana há 40 anos, a música sempre foi a grande paixão de Boz, como também é conhecida Bozoma Arthur, que mudou o apelido depois do casamento (que entretanto terminou) com Peter Saint John: o pai, a grande inspiração, tocava clarinete e fazia parte do Parlamento ganês entre 1979 e 1981. A família mudou-se em definitivo para Colorado quando tinha 12 anos, depois de já ter passado por Quénia, Connecticut e Washington, tendo estudado etnomusicologia na Universidade de Wesleyan (fez também parte da equipa de atletismo e foi cheerleader). Ficou adiado o curso “original”: medicina.

Começou por trabalhar marcas como a Spike DDB (de Spike Lee) ou Ashley Stewart, onde foi vice-presidente do marketing, antes de ser líder do marketing de entretenimento e música da PepsiCo com grande sucesso durante uma década. Em 2014, muda-se para a Beats Music (por “aposta” de Jimmy Iovine, indo de Nova Iorque para Los Angeles) e torna-se chefe do marketing global da iTunes e da Apple Music, que entretanto comprou a Beats Music. O seu trabalho foi de tal forma reconhecido que passou a figurar em todas as revistas da especialidade como uma das mais carismáticas líderes, que terá agora o maior desafio da carreira.

Mas esta poderia ser apenas uma mera aposta, uma tentativa de melhorar, uma perspetiva de abrir novos horizontes. Mas, enquadrada no contexto, ganha outra dimensão: a Uber atravessa uma crise de imagem pública, no seguimento das acusações de assédio sexual e discriminação de género. Travis Kalanick, fundador da companhia, demitiu-se do cargo de presidente-executivo, depois dademissão do número 2, Jeff Jones.

A festa que deu em janeiro, quando fez 40 anos, convenceu de vez Arianna Huffington. Boz trata a elite por tu, mas num estilo que cativa toda a gente. Sabe o que faz, sabe para onde vai. E tinha o discurso preparado para este novo desafio na Uber. “Para mim não faz sentido abordar essas questões assim porque sei que posso fazer o trabalho – estou qualificada para o cargo, posso fazer um grande trabalho. Ser apresentada como uma mulher negra é suficiente para ajudar algumas das mudanças que pretendo e procuro”, confessou.

http://observador.pt/2017/07/25/nasceu-no-gana-chefiou-o-marketing-da-apple-e-quer-recuperar-a-imagem-da-uber-quem-e-bozoma-saint-john/

África a última fronteira do capitalismo

gana

O continente africano é percebido hoje nos meios econômicos e diplomáticos mundiais como “a última fronteira do capitalismo”, e o Brasil precisa superar gargalos nas suas relações com os países africanos
para que participe de maneira mais efetiva deste processo. Este foi o ponto defendido pela diplomata Maria Elisa de Luna durante sabatina nesta quinta-feira (13) na Comissão de Relações Exteriores, quando foi aprovada para o cargo de embaixadora do Brasil em Gana.

gana1.jpgBndeUm dos pontos abordados foi a atuação das empresas brasileiras de engenharia na África, que têm sofrido para manter seus projetos. O senador Armando Monteiro (PTB-PE) disse que elas já estão tendo que recorrer a financiamentos com terceiros, devido à criminalização que no seu entender passou a ocorrer em torno das linhas de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

– Já estamos perdendo espaço e podemos perder ainda mais espaço no comércio mundial, principalmente na área de serviços de engenharia. Justamente numa área em que temos uma enorme expertise, estão criminalizando o suporte que o BNDES dá a este processo – alertou.

Armando Monteiro acrescentou que ocorre no Brasil o exato oposto do que se verifica na China e na Turquia, cujos governos continuam apoiando suas empresas em projetos de infra-estrutura na África.

Elisa de Luna concordou com a visão expressada pelo senador, acrescentando que Accra, a capital de Gana, teve seu urbanismo transformado para melhor nos últimos anos por causa das inúmeras obras conduzidas pelas empresas brasileiras.

Produtos manufaturados

A diplomata destacou também que o Brasil precisa estabelecer uma política consistente e estruturada de internacionalização de companhias médias e pequenas, passando necessariamente por programas oficiais de apoio por meio de linhas de crédito. Este modelo permitiria ao Brasil otimizar a participação no processo de desenvolvimento da África.

Elisa de Luna reforçou a argumentação, lembrando que tanto com Gana como com outros países africanos, o Brasil consegue ter uma pauta de exportação com presença significativa de produtos industriais ou manufaturados, especialmente do setor agrícola.

No que se refere aos produtos alimentícios brasileiros por exemplo, a diplomata lamenta que muitos chegam a Gana por meio de empresas dos Emirados Árabes. Acrescenta que estes produtos tem muito mais identificação com o gosto dos ganeses e de outras nações africanas do que os produtos europeus, que são mais palatáveis nos climas frios.

Pro caso de ter sua indicação confirmada em Plenário pelo Senado, Elisa de Luna anuncia que outra prioridade será a reconstrução da Casa Brasil em Accra, que fica num bairro pobre da cidade. Esta casa também é conhecida como “Casa Tabom”, e serviu como a primeira casa de ex-escravos brasileiros que retornaram à África ainda no século 19.

Acordos

A CRE também aprovou, na reunião desta quinta-feira, a adesão do Brasil ao Acordo Internacional do Cacau (PDS 46/2017) e ao Acordo Constituinte do Centro de Informação para a Comercialização de Produtos Pesqueiros na América Latina (PDS 11/2017). Também foi aprovado um acordo de cooperação técnica ente Brasil e Etiópia (PDS 87/2016). Todos estes acordos seguem para análise do Plenário do Senado.

http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/07/13/brasil-deve-aprofundar-lacos-economicos-com-a-africa-defende-diplomata

Nana Akufo-Addo, Presidente do Gana, visita Cabo Verde

Presidente do Gana visita Cabo Verde

O Presidente do Gana, Nana Akufo-Addo, vai visitar Cabo Verde esta semana. A confirmação foi avançada, segunda-feira, de forma pouco habitual, pelo Presidente da Assembleia Nacional, no final de um encontro com Jorge Carlos Fonseca.

 

À saída do palácio presidencial, Jorge Santos revelou que Akufo-Addo chegará sábado ao país, para uma visita de três dias. A deslocação do Chefe de Estado ganês ainda não tinha sido comunicada oficialmente pelo gabinete do Presidente da República.

“Já no sábado – espero não estar a cometer uma gafe diplomática – Cabo Verde vai receber uma visita de três dias do Chefe do Estado do Gana, um país importante da CEDEAO e que tem a segunda participação no Produto Interno Bruto (PIB) na região, depois da Nigéria”, revelou, citado pela Inforpress.

A chegada do presidente do Gana ao arquipélago era esperada desde o início do mês, altura em que Nana Akufo-Addo expressou essa intenção ao homólogo cabo-verdiano.

Jorge Santos encontrou-se com o Presidente da República depois de ter participado, a 11 de Maio, na sessão do Parlamento da CEDEAO, em Abuja, Nigéria.

Nana Akufo-Addo prestou juramento como Presidente do Gana a 7 de Janeiro de 2017, depois de vencer as eleições realizadas em Dezembro de 2016.

O Gana é o segundo maior produtor mundial de cacau e o segundo maior produtor de ouro do continente africano, a seguir à África do Sul.

http://www.expressodasilhas.sapo.cv/politica/item/53227-presidente-do-gana-visita-cabo-verde

Edward Enninful, director da revista Vogue britânica

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A primeira vez em cem anos de história, a Vogue britânica escolheu um homem negro para director da revista. Edward Enninful, do Gana, prepara-se para dirigir uma das mais influentes publicações de moda do mundo.Edward Enninful

Num comunicado, a Condé Nast International, empresa que detém a Vogue, descreveu Enninful como “uma figura influente nas comunidades da moda, Hollywood e música, que molda o espírito cultural da época”.Edward Enninful,

Enninful chegou a Londres aos 16 anos, onde começou a carreira no mundo da moda. Três anos depois, chegou a director da revista “i-D”, tornando-se no mais jovem na história da publicação.

Com 45 anos, o ganês foi condecorado em Outubro passado com o título Officer of the Most Excellent Order of the British Empire pelo seu contributo para a moda.

O novo cargo da Vogue britânica será assumido a 1 de Agosto.

Gana aos 60 anos: Lembrar Kwame Nkrumah

O Gana celebra o sexagésimo aniversário da sua independência. Cidadãos recordam o primeiro Presidente ganês, Kwame Nkrumah.

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Neste 6 de março, dia em que o Gana comemora o sexagésimo aniversário da sua independência, recordar Kwame Nkrumah é incontornável: “Atualmente, o nome de Nkrumah está envolto em mistério e controvérsia”, diz Atsu Aryee, da Universidade do Gana.

No passado, era diferente. Quando o Gana conquistou a independência da Grã-Bretanha em 1957, os apoiantes de Nkrumah aclamaram-no em massa. “Finalmente chegou ao fim a batalha! O Gana, a nossa pátria amada, será, a partir de agora, livre para sempre”, afirmou Nkrumah na altura. Em resposta, a multidão gritava “viva!”

Nos primeiros anos depois da independência, o Governo de Kwame Nkrumah colocou em prática um programa económico ambicioso, com o objetivo de colocar o país, tradicionalmente rural, no mapa dos países industrializados. As barragens hidroelétricas construídas ao longo do rio Volta ainda hoje são vistas como marcos da engenharia africana e é nelas que o Gana continua a confiar para garantir a produção energética no país de 27 milhões de habitantes. Mas nem todos os projetos de Nkrumah resultaram. As grandes empresas geridas pelo Estado foram, na maior parte dos casos, mal sucedidas, acumulando enormes dívidas ao longo dos anos, sobretudo devido à má gestão e à corrupção.

Os ganeses conheceram então um outro lado de Kwame Nkrumah. O líder político tornou-se cada vez mais autoritário, tendência que culminou na transformação do Gana num Estado de partido único, em 1964, e na auto-proclamação de Nkrumah como Presidente eterno. Milhares de cidadãos viram-se obrigados a abandonar o país. Com a economia em queda livre, a popularidade de Nkrumah também decresceu. Um golpe militar colocou um ponto final na era Nkrumah, quando o Presidente se ausentou do país para uma visita de Estado à China, em 1966.

Ghana Kwame NkrumahKwame Nkrumah é lembrado como um herói da luta contra o colonialismo

Legado cada vez mais esquecido?

Hoje a imagem de Kwame Nkrumah é mais positiva: Os observadores dizem que o líder histórico contribuiu de maneira decisiva para que o Gana goze atualmente de uma certa estabilidade política.

“O legado mais importante de Nkrumah é o patriotismo e o nacionalismo que ele incutiu no povo enquanto esteve no poder”, diz o politólogo Atsu Aryee. “É esta noção de que somos todos ganeses, que temos um país e que é preciso manter a estabilidade.”

Mas, embora muitas crianças e jovens continuem a visitar o mausoléu de Kwame Nkrumah em Accra, poucas parecem compreender o seu legado: “Nkrumah ainda é um nome importante no Gana, pois conduziu o Gana à independência. Mas muitos jovens conhecem apenas o nome e já não conhecem as suas políticas enquanto Presidente e primeiro-ministro”, afirma Burkhardt Hellemann, chefe do escritório da fundação alemã Konrad Adenauer na capital do Gana, próxima ao partido no poder na Alemanha, a CDU.

“Ainda dá para ver que o nome de Nkrumah tem alguma influência, mas as suas políticas pouco ou nada influenciam os debates políticos deste país hoje em dia”, diz. O partido criado por Nkrumah em 1949, o Partido da Convenção do Povo (CPP, na sigla em inglês) desempenha hoje um papel menor na arena política ganesa.


Ainda assim, muitos na África subsaariana continuam a lembrar o legado de Nkrumah. Em 2004, a revista “New African” pediu aos leitores para elegerem os maiores líderes africanos de todos os tempos e Nkrumah ficou em segundo lugar, atrás do ex-Presidente sul-africano e líder da luta anti-apartheid Nelson Mandela.

Nkrumah defendia uma união pan-africana para contrabalançar a influência ocidental. Ele foi um dos fundadores da Organização da Unidade Africana, predecessora da União Africana (UA).

“Ainda se fala dos conceitos de Nkrumah nos corredores da UA”, conta o historiador nigeriano Toyin Falola.

Mas, apesar de a União ter hoje mais influência no continente, a concretização da ideia de Nkrumah de criar uns “Estados Unidos de África” está muito longe, sublinha Falola.

“Depois de Mbeki e Obasanjo saírem, não há líderes africanos dinâmicos que advoguem a ideia. Os países parecem interessar-se apenas nos seus assuntos, concentrando-se na sua política interna, preocupados com o declínio das suas economias. Portanto, a ideia do pan-africanismo foi tirada de cima da mesa.”

http://www.dw.com/pt-002/gana-aos-60-anos-lembrar-kwame-nkrumah/a-37819580