Gana cria importante projeto no campo da astronomia

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Não é preciso ser rico para isso, basta vontade política, começando lá de baixo. Gana por exemplo. Tem o 87º PIB do mundo. O Uruguay está em 79º. Eles tem a 126ª renda per capita do mundo. Nós que somos essa desgraça, estamos em 80. Mesmo assim eles conseguem juntar uns caraminguás e investir em ciência.

O mais recente projeto é o radio-observatório de Kuntunse. Os cientistas conseguiram uma antiga antena de comunicação doada pela Vodafone, e com apoio do governo transformaram as instalações em um radiotelescópio.

Esse equipamento não só permitirá observações sofisticadas, como será integrado a telescópios em outros países, inclusive Europa e África do Sul. Através de um processo de interferometria, é criada uma antena virtual com milhares de km, possibilitando muito mais resolução.

O custo do projeto foi de US$ 9,2 milhões, ou “você me fez dar pause em Game of Thrones pra ISSO?” em valores de políticos brasileiros. Foi bancado pelo African Renaissance and International Cooperation Fund, um Departamento que promove investimentos pacíficos em países africanos.

A meta agora é incluir Astronomia nas universidades locais, assim não será mais preciso ir para o exterior estudar. Dickson Adomako, diretor do Instituto Ganense de Tecnologia e Ciência Espacial ressalta que o observatório será uma chance dos astrônomos botarem a mão na massa, saindo do campo teórico.

O observatório foi inaugurado quinta-feira passada pelo presidente Nana Addo Dankwa Akufo-Addo, e descrito como o começo de uma nova era de pesquisa e cooperação internacional, incluindo a African Very Long Baseline Interferometry Network.ghana-radio-astronomy-observatory.jpg

Essa iniciativa vinda de um país tão pobre mostra que não importa o seu tamanho. Ninguém é tão pequeno que não possa olhar pra cima e sonhar com as estrelas.

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Brasil realizou Missão em Gana e Nigéria que geram US$ 66 milhões de negócios

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As dez empresas e quatro associações brasileiras que foram à Missão Ministerial Comercial à África Ocidental, ocorrida entre 6 e 10 de agosto, na Nigéria e em Gana, estão comemorando o resultado de negócios obtido durante o evento. A expectativa total de negócios ficou em torno de US$ 66,8 milhões, entre os que foram fechados na hora e os que devem se concretizar nos próximos 12 meses.

A participação das empresas foi coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que preparou pesquisas de identificação e seleção de potenciais compradores e organizou seminários de negócios e visitas técnicas em parceria com o Ministério das Relações Exteriores.

Em Lagos, capital da Nigéria, ocorreram 205 reuniões entre as empresas brasileiras e os compradores africanos, com US$ 1,5 milhão em negócios gerados a curto prazo e mais US$ 41,2 milhão para os próximos doze meses. Já na capital de Gana, Acra, foram 159 reuniões com US$ 2,1 milhões em negócios imediatos e US$ 22 milhões para os próximos 12 meses.

O objetivo da missão foi reunir empresas brasileiras e compradores africanos, para promover negócios internacionais e fomentar parcerias estratégicas. Também foram realizados seminários e visitas técnicas em ambos os países. A ação contou com empresas brasileiras dos setores de autopeças, etanol, balas e confeitos, café, calçados, carnes, frutas, móveis, entre outros.

http://www.apexbrasil.com.br/Noticia/MISSAO-A-AFRICA-GERA-MAIS-DE-US-66-MILHOES-EM-NEGOCIOS

Quem é Bozoma Saint John?

Gazing at the goodness of God as I read my cover story article in the Sunday style section of the @nytimes on my way to church this Sunday morning... and I feel like testifying! 🙌🏿 Listen here... my journey has had its share of ups and downs, but what I know for certain is that the adage is true-- the Will of God will never take you where the Grace of God can not keep you.  So this morning I give thanks knowing that my steps are divinely ordered... so get out of my way! I'm coming for what is mine! AMEN?? I'm also giving thanks for my 15,000 @uber colleagues who are doing an amazing job of evolving the company and our service. Teamwork makes the dreamwork... AMEN?? Last but certainly not least, I'm thankful for the incredible talent of @sheilaym who has told my story so well (link in bio) #thankfulheart #SundaySermon #blackgirlmagic

Nasceu no Gana, passou pelo Quénia, fixou-se no Colorado com 14 anos, trabalhou marcas como Spike DDB, Ashley Stewart e PepsiCo e chefiou o marketing global da Apple. . Uber.

Bozoma Saint John fotografada na Casa Branca, onde marcou presença no jantar de Natal organizado por Barack Obama

“Tem de estar preparado para queimar-se na própria chama; como é possível renovar-se sem primeiro ficar em cinzas?”, dizia Friedrich Nietzsche. Este é um dos principais mandamentos de vida de Bozoma Saint John, a grande contratação deste Verão. E não, nem tudo se resume ao futebol, ao PSG e ao Real Madrid. Mas também envolve milhões. Com a perspetiva de gerar mais milhões. E não deixa de ser transferência entre grandes: a executiva que trata por tu a elite americana vai trocar o marketing global da Apple pela Uber.

Há uma história publicada pelo The New York Timesque retrata bem essa situação: no ano passado, a primeira chefe de marca da companhia, contratada no passado mês, fez uma viagem entre o Four Seasons de Austin e um restaurante. E começou a meter conversa. “Não me vai acontecer nada neste carro, pois não? Sabe conduzir, certo?”, atirou na brincadeira. Não teve seguimento no tom, mas mereceu resposta – o condutor começou a lamentar-se de um ataque à viatura que tinha sofrido no aeroporto por parte de taxistas e que precisava de dinheiro para levar a viatura à oficina para arranjar os danos que tinham ficado. E para mais uma coisa, admitiu: poupar para comprar bilhetes para o South by Southwest, festival que contaria com a presença do mais recente ídolo do irmão Iggy Pop.

Bozoma, que era então chefe do marketing global do iTunes e da Apple Music, tinha convites para o evento. E melhor: ia jantar nesse dia com Iggy Pop. Vai daí, agarrou no condutor no final da viagem e levou-o consigo até ao restaurante.“Estava toda a gente a perguntar: ‘O que se passa? É o seu companheiro? Não percebo. Quem é este gajo? Foi um momento humano lindo. Andamos todos apressados com as nossas vidas, estava tão preocupada em chegar lá e se não acabássemos por falar nunca teria acontecido esse momento lindo”, contou à publicação, que cita essa história dizendo que foi um dos pontos que convenceu Arianna Huffington, fundadora do The Huffington Post e executiva da Uber, a avançar com a sua contratação para estancar a onda de escândalos em torno da Uber.

Nascida no Gana há 40 anos, a música sempre foi a grande paixão de Boz, como também é conhecida Bozoma Arthur, que mudou o apelido depois do casamento (que entretanto terminou) com Peter Saint John: o pai, a grande inspiração, tocava clarinete e fazia parte do Parlamento ganês entre 1979 e 1981. A família mudou-se em definitivo para Colorado quando tinha 12 anos, depois de já ter passado por Quénia, Connecticut e Washington, tendo estudado etnomusicologia na Universidade de Wesleyan (fez também parte da equipa de atletismo e foi cheerleader). Ficou adiado o curso “original”: medicina.

Começou por trabalhar marcas como a Spike DDB (de Spike Lee) ou Ashley Stewart, onde foi vice-presidente do marketing, antes de ser líder do marketing de entretenimento e música da PepsiCo com grande sucesso durante uma década. Em 2014, muda-se para a Beats Music (por “aposta” de Jimmy Iovine, indo de Nova Iorque para Los Angeles) e torna-se chefe do marketing global da iTunes e da Apple Music, que entretanto comprou a Beats Music. O seu trabalho foi de tal forma reconhecido que passou a figurar em todas as revistas da especialidade como uma das mais carismáticas líderes, que terá agora o maior desafio da carreira.

Mas esta poderia ser apenas uma mera aposta, uma tentativa de melhorar, uma perspetiva de abrir novos horizontes. Mas, enquadrada no contexto, ganha outra dimensão: a Uber atravessa uma crise de imagem pública, no seguimento das acusações de assédio sexual e discriminação de género. Travis Kalanick, fundador da companhia, demitiu-se do cargo de presidente-executivo, depois dademissão do número 2, Jeff Jones.

A festa que deu em janeiro, quando fez 40 anos, convenceu de vez Arianna Huffington. Boz trata a elite por tu, mas num estilo que cativa toda a gente. Sabe o que faz, sabe para onde vai. E tinha o discurso preparado para este novo desafio na Uber. “Para mim não faz sentido abordar essas questões assim porque sei que posso fazer o trabalho – estou qualificada para o cargo, posso fazer um grande trabalho. Ser apresentada como uma mulher negra é suficiente para ajudar algumas das mudanças que pretendo e procuro”, confessou.

http://observador.pt/2017/07/25/nasceu-no-gana-chefiou-o-marketing-da-apple-e-quer-recuperar-a-imagem-da-uber-quem-e-bozoma-saint-john/

África a última fronteira do capitalismo

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O continente africano é percebido hoje nos meios econômicos e diplomáticos mundiais como “a última fronteira do capitalismo”, e o Brasil precisa superar gargalos nas suas relações com os países africanos
para que participe de maneira mais efetiva deste processo. Este foi o ponto defendido pela diplomata Maria Elisa de Luna durante sabatina nesta quinta-feira (13) na Comissão de Relações Exteriores, quando foi aprovada para o cargo de embaixadora do Brasil em Gana.

gana1.jpgBndeUm dos pontos abordados foi a atuação das empresas brasileiras de engenharia na África, que têm sofrido para manter seus projetos. O senador Armando Monteiro (PTB-PE) disse que elas já estão tendo que recorrer a financiamentos com terceiros, devido à criminalização que no seu entender passou a ocorrer em torno das linhas de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

– Já estamos perdendo espaço e podemos perder ainda mais espaço no comércio mundial, principalmente na área de serviços de engenharia. Justamente numa área em que temos uma enorme expertise, estão criminalizando o suporte que o BNDES dá a este processo – alertou.

Armando Monteiro acrescentou que ocorre no Brasil o exato oposto do que se verifica na China e na Turquia, cujos governos continuam apoiando suas empresas em projetos de infra-estrutura na África.

Elisa de Luna concordou com a visão expressada pelo senador, acrescentando que Accra, a capital de Gana, teve seu urbanismo transformado para melhor nos últimos anos por causa das inúmeras obras conduzidas pelas empresas brasileiras.

Produtos manufaturados

A diplomata destacou também que o Brasil precisa estabelecer uma política consistente e estruturada de internacionalização de companhias médias e pequenas, passando necessariamente por programas oficiais de apoio por meio de linhas de crédito. Este modelo permitiria ao Brasil otimizar a participação no processo de desenvolvimento da África.

Elisa de Luna reforçou a argumentação, lembrando que tanto com Gana como com outros países africanos, o Brasil consegue ter uma pauta de exportação com presença significativa de produtos industriais ou manufaturados, especialmente do setor agrícola.

No que se refere aos produtos alimentícios brasileiros por exemplo, a diplomata lamenta que muitos chegam a Gana por meio de empresas dos Emirados Árabes. Acrescenta que estes produtos tem muito mais identificação com o gosto dos ganeses e de outras nações africanas do que os produtos europeus, que são mais palatáveis nos climas frios.

Pro caso de ter sua indicação confirmada em Plenário pelo Senado, Elisa de Luna anuncia que outra prioridade será a reconstrução da Casa Brasil em Accra, que fica num bairro pobre da cidade. Esta casa também é conhecida como “Casa Tabom”, e serviu como a primeira casa de ex-escravos brasileiros que retornaram à África ainda no século 19.

Acordos

A CRE também aprovou, na reunião desta quinta-feira, a adesão do Brasil ao Acordo Internacional do Cacau (PDS 46/2017) e ao Acordo Constituinte do Centro de Informação para a Comercialização de Produtos Pesqueiros na América Latina (PDS 11/2017). Também foi aprovado um acordo de cooperação técnica ente Brasil e Etiópia (PDS 87/2016). Todos estes acordos seguem para análise do Plenário do Senado.

http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/07/13/brasil-deve-aprofundar-lacos-economicos-com-a-africa-defende-diplomata

Nana Akufo-Addo, Presidente do Gana, visita Cabo Verde

Presidente do Gana visita Cabo Verde

O Presidente do Gana, Nana Akufo-Addo, vai visitar Cabo Verde esta semana. A confirmação foi avançada, segunda-feira, de forma pouco habitual, pelo Presidente da Assembleia Nacional, no final de um encontro com Jorge Carlos Fonseca.

 

À saída do palácio presidencial, Jorge Santos revelou que Akufo-Addo chegará sábado ao país, para uma visita de três dias. A deslocação do Chefe de Estado ganês ainda não tinha sido comunicada oficialmente pelo gabinete do Presidente da República.

“Já no sábado – espero não estar a cometer uma gafe diplomática – Cabo Verde vai receber uma visita de três dias do Chefe do Estado do Gana, um país importante da CEDEAO e que tem a segunda participação no Produto Interno Bruto (PIB) na região, depois da Nigéria”, revelou, citado pela Inforpress.

A chegada do presidente do Gana ao arquipélago era esperada desde o início do mês, altura em que Nana Akufo-Addo expressou essa intenção ao homólogo cabo-verdiano.

Jorge Santos encontrou-se com o Presidente da República depois de ter participado, a 11 de Maio, na sessão do Parlamento da CEDEAO, em Abuja, Nigéria.

Nana Akufo-Addo prestou juramento como Presidente do Gana a 7 de Janeiro de 2017, depois de vencer as eleições realizadas em Dezembro de 2016.

O Gana é o segundo maior produtor mundial de cacau e o segundo maior produtor de ouro do continente africano, a seguir à África do Sul.

http://www.expressodasilhas.sapo.cv/politica/item/53227-presidente-do-gana-visita-cabo-verde

Edward Enninful, director da revista Vogue britânica

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A primeira vez em cem anos de história, a Vogue britânica escolheu um homem negro para director da revista. Edward Enninful, do Gana, prepara-se para dirigir uma das mais influentes publicações de moda do mundo.Edward Enninful

Num comunicado, a Condé Nast International, empresa que detém a Vogue, descreveu Enninful como “uma figura influente nas comunidades da moda, Hollywood e música, que molda o espírito cultural da época”.Edward Enninful,

Enninful chegou a Londres aos 16 anos, onde começou a carreira no mundo da moda. Três anos depois, chegou a director da revista “i-D”, tornando-se no mais jovem na história da publicação.

Com 45 anos, o ganês foi condecorado em Outubro passado com o título Officer of the Most Excellent Order of the British Empire pelo seu contributo para a moda.

O novo cargo da Vogue britânica será assumido a 1 de Agosto.

Gana aos 60 anos: Lembrar Kwame Nkrumah

O Gana celebra o sexagésimo aniversário da sua independência. Cidadãos recordam o primeiro Presidente ganês, Kwame Nkrumah.

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Neste 6 de março, dia em que o Gana comemora o sexagésimo aniversário da sua independência, recordar Kwame Nkrumah é incontornável: “Atualmente, o nome de Nkrumah está envolto em mistério e controvérsia”, diz Atsu Aryee, da Universidade do Gana.

No passado, era diferente. Quando o Gana conquistou a independência da Grã-Bretanha em 1957, os apoiantes de Nkrumah aclamaram-no em massa. “Finalmente chegou ao fim a batalha! O Gana, a nossa pátria amada, será, a partir de agora, livre para sempre”, afirmou Nkrumah na altura. Em resposta, a multidão gritava “viva!”

Nos primeiros anos depois da independência, o Governo de Kwame Nkrumah colocou em prática um programa económico ambicioso, com o objetivo de colocar o país, tradicionalmente rural, no mapa dos países industrializados. As barragens hidroelétricas construídas ao longo do rio Volta ainda hoje são vistas como marcos da engenharia africana e é nelas que o Gana continua a confiar para garantir a produção energética no país de 27 milhões de habitantes. Mas nem todos os projetos de Nkrumah resultaram. As grandes empresas geridas pelo Estado foram, na maior parte dos casos, mal sucedidas, acumulando enormes dívidas ao longo dos anos, sobretudo devido à má gestão e à corrupção.

Os ganeses conheceram então um outro lado de Kwame Nkrumah. O líder político tornou-se cada vez mais autoritário, tendência que culminou na transformação do Gana num Estado de partido único, em 1964, e na auto-proclamação de Nkrumah como Presidente eterno. Milhares de cidadãos viram-se obrigados a abandonar o país. Com a economia em queda livre, a popularidade de Nkrumah também decresceu. Um golpe militar colocou um ponto final na era Nkrumah, quando o Presidente se ausentou do país para uma visita de Estado à China, em 1966.

Ghana Kwame NkrumahKwame Nkrumah é lembrado como um herói da luta contra o colonialismo

Legado cada vez mais esquecido?

Hoje a imagem de Kwame Nkrumah é mais positiva: Os observadores dizem que o líder histórico contribuiu de maneira decisiva para que o Gana goze atualmente de uma certa estabilidade política.

“O legado mais importante de Nkrumah é o patriotismo e o nacionalismo que ele incutiu no povo enquanto esteve no poder”, diz o politólogo Atsu Aryee. “É esta noção de que somos todos ganeses, que temos um país e que é preciso manter a estabilidade.”

Mas, embora muitas crianças e jovens continuem a visitar o mausoléu de Kwame Nkrumah em Accra, poucas parecem compreender o seu legado: “Nkrumah ainda é um nome importante no Gana, pois conduziu o Gana à independência. Mas muitos jovens conhecem apenas o nome e já não conhecem as suas políticas enquanto Presidente e primeiro-ministro”, afirma Burkhardt Hellemann, chefe do escritório da fundação alemã Konrad Adenauer na capital do Gana, próxima ao partido no poder na Alemanha, a CDU.

“Ainda dá para ver que o nome de Nkrumah tem alguma influência, mas as suas políticas pouco ou nada influenciam os debates políticos deste país hoje em dia”, diz. O partido criado por Nkrumah em 1949, o Partido da Convenção do Povo (CPP, na sigla em inglês) desempenha hoje um papel menor na arena política ganesa.


Ainda assim, muitos na África subsaariana continuam a lembrar o legado de Nkrumah. Em 2004, a revista “New African” pediu aos leitores para elegerem os maiores líderes africanos de todos os tempos e Nkrumah ficou em segundo lugar, atrás do ex-Presidente sul-africano e líder da luta anti-apartheid Nelson Mandela.

Nkrumah defendia uma união pan-africana para contrabalançar a influência ocidental. Ele foi um dos fundadores da Organização da Unidade Africana, predecessora da União Africana (UA).

“Ainda se fala dos conceitos de Nkrumah nos corredores da UA”, conta o historiador nigeriano Toyin Falola.

Mas, apesar de a União ter hoje mais influência no continente, a concretização da ideia de Nkrumah de criar uns “Estados Unidos de África” está muito longe, sublinha Falola.

“Depois de Mbeki e Obasanjo saírem, não há líderes africanos dinâmicos que advoguem a ideia. Os países parecem interessar-se apenas nos seus assuntos, concentrando-se na sua política interna, preocupados com o declínio das suas economias. Portanto, a ideia do pan-africanismo foi tirada de cima da mesa.”

http://www.dw.com/pt-002/gana-aos-60-anos-lembrar-kwame-nkrumah/a-37819580

Queda das commodities dificulta pagamento de dívida por países africanos, diz ONU

Para lidar com as crises da dívida — que estão criando uma crescente ameaça à estabilidade econômica em muitos países em desenvolvimento, especialmente africanos —, o mundo precisa de novas formas de enfrentar o problema, disse a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), completando que tais crises são um obstáculo para atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Segundo a publicação, o comércio de serviços globais em 2014 cresceu 5%, sendo o grande condutor do desenvolvimento econômico mundial em comércio do ano. Foto: USP Imagens/ Marcos Santos

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) disse na quarta-feira (26) que, para lidar com as crises da dívida — que estão criando uma crescente ameaça à estabilidade econômica em muitos países em desenvolvimento, especialmente africanos —, o mundo precisa de novas formas de enfrentar o problema.

Segundo estudo da UNCTAD, países africanos continuam tendo dificuldades para pagar suas dívidas externas diante da falta de diversidade de suas economias e de competitividade no mercado internacional. Com déficits em conta-corrente, a maior parte desses países emite títulos e depende do financiamento externo para equilibrar sua balança de pagamentos.

Tais crises são um obstáculo para atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Países na África e em outros lugares do mundo têm acumulado dívida enquanto sua capacidade de pagá-las diminui. A queda dos preços das commodities, a alta do dólar e a perspectiva de maiores taxas de juros estão tornando os reembolsos ainda menos prováveis.

“Países soberanos não têm a proteção de leis contra a falência para reestruturar ou atrasar seus pagamentos da dívida da mesma forma que as empresas”, disse o secretário-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi em comunicado.

Ele alertou que “enquanto credores não podem facilmente tomar ativos públicos não comerciais, não pagamentos da dívida soberana levam a problemas maiores em termos de reputação e acesso a outros financiamentos”.

Pesquisa da conferência da ONU mostrou que muitos países africanos estão enfrentando dificuldades para pagar suas dívidas, citando Gana como exemplo. “Gana está em uma situação difícil, que é frequente entre os países, já que depende de exportações de commodities como ouro, petróleo e cacau”, disseram os pesquisadores Ingrid Kvangraven e Aleksandr Gevorkyan, cujo trabalho completo sobre a dívida de países africanos será divulgado em novembro.

“Com a queda dos preços das commodities, os países enfrentam um declínio das receitas e um crescente déficit de conta corrente”, acrescentaram, completando que o total da dívida de Gana, tanto externa como interna, é de mais de 55% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

No ano passado, após pesquisa feita pela UNCTAD, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução declarando que os processos de reestruturação das dívidas públicas precisavam ser guiados por princípios básicos da lei internacional como soberania, boa fé, transparência, legitimidade, tratamento equitativo e sustentabilidade. A resolução refletiu a crescente preocupação com as novas crises da dívida soberana e a sustentabilidade dessas dívidas no longo prazo no contexto de uma frágil economia global.

Queda das commodities dificulta pagamento de dívida por países africanos, diz ONU

Gana vai transferir estátua de Gandhi, acusando-o de racismo

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Mulher passa pela frente de estátua de Mahatma Gandhi, em Acra – Christian Thompson / AP

Gana vai transferir estátua de Gandhi, acusando-o de racismo Presente da Índia, imagem do líder foi inaugurada em junho em universidade

ACRA — As autoridades de Gana pretendem transferir uma estátua de Mahatma Gandhi, que a Índia deu de presente à Universidade de Acra há alguns meses, após uma petição que denuncia o racismo do líder da independência indiana.

A estátua foi inaugurada em junho no campus universitário pelo presidente indiano, Pranab Mukherjee, como símbolo da aproximação entre os dois países.

Mas em setembro um grupo de professores lançou uma petição para solicitar sua retirada devido “ao caráter racista” de Gandhi, exigindo que a universidade dê prioridade a personalidades africanas.

 
“Mais vale se erguer por nossa dignidade que se prostrar diante da vontade de uma superpotência euroasiática”, afirma o texto da petição, que cita Gandhi dizendo que os indianos eram “infinitamente superiores” aos africanos.

O Ministério das Relações Exteriores ganense indicou que acompanha o assunto com uma profunda preocupação e destacou sua intenção de “transferir a estátua para garantir sua integridade e evitar polêmicas”.

 

“Gandhi era humano e pode ter tido seus defeitos, mas devemos lembrar que as pessoas mudam” e que Índia e Gana “foram campeões na luta pela libertação dos povos oprimidos em todo o mundo”, acrescentou o ministério.

Há vários meses surgiu em várias universidades africanas um movimento contra a presença de estátuas que façam alusão a um passado colonial.

A Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, realizou uma forte campanha para a retirada de seu campus de uma estátua de Cecil Rhodes, um magnata das minas notoriamente racista, morto em 1902.

 

Gandhi morou na África do Sul por mais de duas décadas, de 1893 a 1914, trabalhando como advogado e lutando pelos direitos dos indianos – e só dos indianos. Como ele expressava abertamente, os sul-africanos negros praticamente não eram humanospara ele. Gandhi se referia a eles usando a expressão depreciativa kaffir.

Ele lamentava que os indianos fossem considerados “um pouco melhores que os selvagens ou os nativos da África”. Em 1903, ele declarou que a “raça branca na África do Sul deveria ser a raça predominante”. Quando foi mandado para a cadeia em 1908, ele detestou o fato de que os indianos eram colocados com os prisioneiros negros, não os brancos. Alguns ativistas sul-africanos têm colocado essa parte da história de Gandhi sob os holofotes novamente, assim como um livro publicado em setembro passado por dois acadêmicos sul-africanos, embora isso sequer tenha gerado arranhões na consciência cultural ocidental além dos círculos concêntricos do Tumblr.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/gana-vai-transferir-estatua-de-gandhi-acusando-de-racismo-20246632#ixzz4NN4rSxE0

Universidade em Gana vai remover estátua de Ghandi ‘racista’

gandhi RIO — As autoridades de Gana anunciaram nesta quinta-feira que uma estátua de Mahatma Gandhi, doada há alguns meses pelo governo da Índia para a Universidade de Gana, na capital Acra, será removida. A decisão foi tomada após uma petição assinada por professores destacarem o caráter “racista” do líder indiano e exigirem prioridade para personalidades africanas.

“Mais vale levantar-se para nossa dignidade que curvar-se à vontade de uma superpotência euro-asiática”, diz a petição, citando que Gandhi dizia que os indianos eram “infinitamente superiores” aos africanos.

A estátua foi inaugurada em junho no campus universitário pelo presidente da Índia, Pranab Mukherjee, como um símbolo de aproximação entre os dois países. Mas em setembro, um grupo de professores solicitou sua retirada.

O Ministério de Relações Exteriores de Gana informou que o assunto gera “profunda preocupação”, destacando que sua intenção é “realocar a estátua para assegurar sua integridade e evitar polêmicas”.

“Gandhi era humano e pode ter tido seus defeitos, mas devemos recordar que as pessoas mudam”, disse a pasta, em comunicado, acrescentando que a Índia e Gana “foram campeões na luta pela liberação dos povos oprimidos em todo o mundo”.

http://oglobo.globo.com/sociedade/universidade-em-gana-vai-remover-estatua-de-ghandi-racista-20253476