Gana vai transferir estátua de Gandhi, acusando-o de racismo

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Mulher passa pela frente de estátua de Mahatma Gandhi, em Acra – Christian Thompson / AP

Gana vai transferir estátua de Gandhi, acusando-o de racismo Presente da Índia, imagem do líder foi inaugurada em junho em universidade

ACRA — As autoridades de Gana pretendem transferir uma estátua de Mahatma Gandhi, que a Índia deu de presente à Universidade de Acra há alguns meses, após uma petição que denuncia o racismo do líder da independência indiana.

A estátua foi inaugurada em junho no campus universitário pelo presidente indiano, Pranab Mukherjee, como símbolo da aproximação entre os dois países.

Mas em setembro um grupo de professores lançou uma petição para solicitar sua retirada devido “ao caráter racista” de Gandhi, exigindo que a universidade dê prioridade a personalidades africanas.

 
“Mais vale se erguer por nossa dignidade que se prostrar diante da vontade de uma superpotência euroasiática”, afirma o texto da petição, que cita Gandhi dizendo que os indianos eram “infinitamente superiores” aos africanos.

O Ministério das Relações Exteriores ganense indicou que acompanha o assunto com uma profunda preocupação e destacou sua intenção de “transferir a estátua para garantir sua integridade e evitar polêmicas”.

 

“Gandhi era humano e pode ter tido seus defeitos, mas devemos lembrar que as pessoas mudam” e que Índia e Gana “foram campeões na luta pela libertação dos povos oprimidos em todo o mundo”, acrescentou o ministério.

Há vários meses surgiu em várias universidades africanas um movimento contra a presença de estátuas que façam alusão a um passado colonial.

A Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, realizou uma forte campanha para a retirada de seu campus de uma estátua de Cecil Rhodes, um magnata das minas notoriamente racista, morto em 1902.

 

Gandhi morou na África do Sul por mais de duas décadas, de 1893 a 1914, trabalhando como advogado e lutando pelos direitos dos indianos – e só dos indianos. Como ele expressava abertamente, os sul-africanos negros praticamente não eram humanospara ele. Gandhi se referia a eles usando a expressão depreciativa kaffir.

Ele lamentava que os indianos fossem considerados “um pouco melhores que os selvagens ou os nativos da África”. Em 1903, ele declarou que a “raça branca na África do Sul deveria ser a raça predominante”. Quando foi mandado para a cadeia em 1908, ele detestou o fato de que os indianos eram colocados com os prisioneiros negros, não os brancos. Alguns ativistas sul-africanos têm colocado essa parte da história de Gandhi sob os holofotes novamente, assim como um livro publicado em setembro passado por dois acadêmicos sul-africanos, embora isso sequer tenha gerado arranhões na consciência cultural ocidental além dos círculos concêntricos do Tumblr.

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