Moçambique participa da reunião de cupula com os EUA

Encontro-com-empresrios-moambicanos1.gifAcelerar a implementação dos acordos já alcançados sobre a exploração do gás natural na bacia do Rovuma será determinante para que Moçambique não perca as oportunidades que atualmente se oferecem no mercado internacional deste recurso. A tese é do presidente do Conselho de Administração da ENH, Omar Mithá, que integra a delegação moçambicana que participa na cimeira bienal Estados Unidos-África, que hoje inicia na cidade norte-americana de Washington.

Para participar no encontro e cumprir uma agenda de diplomacia econômica e política, o Presidente da República, Filipe Nyusi, chegou ao princípio da manhã de ontem a Washington, tendo iniciado logo os contactos que se prolongaram até ao fim do dia.

No breve encontro que manteve com a delegação empresarial que o acompanha, Nyusi garantiu que, à semelhança do que fez no encontro similar realizado também em Washington com a comunidade de investidores norte americanos, vai aproveitar todos os encontros agendados para falar da disponibilidade que o sector empresarial moçambicano tem de trabalhar em parcerias que viabilizem os negócios em Moçambique.

Um dos encontros mais importantes que o Presidente manteve ontem foi com o Secretário de Estado Norte americano, Rex Tillerson, ele que foi um dos dinamizadores da entrada da firma norte-americana EXXON no negócio do gás natural do Rovuma.

Sobre o ponto da situação destes, o PCA da ENH disse que numa altura em que a oferta de gás natural é particularmente excessiva no mercado internacional, Moçambique precisa assegurar que se acelere o passo particularmente em relação aos projectos operados pela companhia norte-americana Anadarko, na Bacia do Rovuma mas, acima de tudo, importa que haja equilíbrio entre os interesses de ambas partes.

“A nossa visão é que tudo que possa depender do Governo ou da Anadarko neste projecto, seja discutido e ultrapassado rapidamente. Mas mais importante ainda é que Moçambique localize benefícios para si, que pode ser, por exemplo, a industrialização da península de Palma e abertura para um acesso maior às infra-estruturas que estão a ser desenvolvidas ao abrigo do projecto”, disse o PCA da ENH, que também se referiu à necessidade de se acelerar também os projectos da EXXON que, segundo disse, acaba de ser admitida na área quatro da Bacia do Rovuma.

Mithá anunciou ainda que a EXXON ganhou os concursos para a concessão dos blocos de Angoche e Zambézia, estando agora em curso negociações visando a aproximação de interesses de parte a parte.

“Vamos encontrar zonas de concórdia. Por vezes, é apenas uma questão de linguagem, porque por vezes ficam reservas sobre problemas de estabilidade, embora Moçambique não tenha algum histórico de turbulências em períodos pós-eleitorais. No entanto, como se trata da primeira experiência da EXXON em Moçambique, é natural que haja essas preocupações que, seguramente, serão tratadas e ultrapassadas sem prejudicar os projectos”, explica a fonte.

Em relação ao bloco quatro, Mithá disse que a linguagem daqui para frente é acção pois, segundo advertiu, a derrapagem dos custos pode prejudicar o modelo do projecto.

Hoje o Chefe do Estado vai participar na abertura oficial da cimeira bienal EUA-África e num encontro restrito de trabalho com homens de negócio das áreas de agricultura e agro-negócio. Estão igualmente agendados encontros com representantes de várias companhias multinacionais norte-americanas, incluindo a Exxon Mobil, Caterpillar, Mosanto, Anadarko e John Deere, esta última especializada em equipamentos agrícolas.

http://www.jornalnoticias.co.mz/index.php/destaque/68489-mocambique-na-cimeira-bienal-eua-africa-ha-motivos-para-acelerar-o-passo.html

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Instabilidade no Qatar pode ser positiva para Moçambique

O analista da Standard & Poor’s que segue Moçambique disse hoje que a instabilidade política no Qatar pode ter um efeito positivo no país lusófono porque mostra a necessidade de diversificar as fontes de produção de gás.


“Do ponto de vista da análise do crédito de Moçambique, a situação no Qatar é positiva porque é como um ‘cartão amarelo’ para o Qatar e motiva os compradores de gás a olharem para opções de diversificação, especialmente a Índia, que está a crescer muito depressa e tem muita procura e pouca oferta”, disse Ravi Bhathia.

Em declarações à Lusa, o analista desta agência de notação financeira disse também que a assinatura da Decisão Final de Investimento por parte da italiana ENI “vai ajudar na perspectiva do ‘rating’ porque comprova um cenário em que Moçambique terá um significativo fluxo de verbas a entrar”.

Uma questão diferente, disse, é saber se o Governo vai conseguir capitalizar o megaprojecto da ENI devido à inexperiência na negociação de grandes contratos internacionais e à falta de capacidade institucional.

“O projecto da ENI é uma boa notícia, mas o país está numa fase de crescimento baixo, com a inflação alta e o metical agora a valorizar-se, mas a fase de crescimento rápido abrandou, e isso pode até ser positivo porque o crescimento estava sobreaquecido e, sendo muito pobre, com capacidade institucional limitada e um PIB baixo, e vindo de um quadro ideológico socialista, teve dificuldades em lidar com transacções comerciais difíceis e complicadas”, considerou.

“Moçambique não lidou bem com esta fase exuberante de crescimento e interesse internacional” motivado, primeiro pelo carvão, e depois pelo gás, concluiu o analista da S&P.

No dia 05 de Junho, a Arábia Saudita, seguida dos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egipto, anunciou o corte de relações com o Qatar, acusando o país vizinho de “apoiar o terrorismo” e de manter relações próximas com o Irã.

O corte de relações diplomáticas foi complementado com o encerramento de fronteiras e fortes restrições ao tráfego aéreo, e para já todas as partes recusam qualquer intervenção militar.

O Qatar é o maior produtor mundial de gás natural e será, na próxima década, um dos principais concorrentes de Moçambique na produção desta matéria-prima se os projectos em curso ou previstos para o país africano forem em frente.

http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1506189.html

Angola e Moçambique vão superar a crise

Strive Masiyiwa

 

O empresário e filantropo Strive Masiyiwa mostrou-se ontem optimista sobre a evolução econômica de Angola e Moçambique, considerando que o principal desafio destes países e do resto do mundo é o desemprego dos jovens.

“O principal desafio que África enfrenta não é só africano, é global, e chama-se desemprego, principalmente a criação de emprego para os jovens, que é o maior desafio do mundo”, disse Strive Masiyiwa à margem da sua participação na conferência Horasis Global Meeting, que terminou ontem em Cascais, nos arredores de Lisboa.
Questionado sobre a evolução previsível das economias de Angola e Moçambique, o homem mais rico do Zimbabwe manifestou-se optimista e disse que, alcançada a paz nos dois países, há todas as condições para um futuro risonho.
“Estou muito otimista sobre Angola porque sou suficientemente velho para me lembrar do tempo em que pensava que este país nunca ia ficar em paz. Angola é um país jovem, mas olhando para o arco da história, estou numa situação esperançosa, estou otimista, mas não escondo os desafios”, disse.
Relativamente a Moçambique, Strive Masiyiwa considerou que o gás pode mudar o futuro do país: “Pode ser uma economia fenomenal, porque olhando para o tamanho da economia e para a escala das descobertas de gás, os políticos só precisam de se entender e perceber que têm uma oportunidade única de tornar o país na mais extraordinária economia dos próximos 25 anos.” O fundador e presidente executivo do grupo de telecomunicações Econet Wireless comentou ainda a desaceleração econômica de Moçambique, desvalorizando o abrandamento:

 

“Eu nasci no Zimbabwe e vivi de perto o período da guerra, portanto se agora desceram de um crescimento de 7 por cento ao ano, que conseguiram durante décadas, para 5 por cento ou 3 por cento, eu não me vou queixar porque o país tem um futuro extraordinário”.
Sobre África, Strive Masiyiwa concordou que “a narrativa sobre ‘África em Ascensão’ está correta, basta lembrar que temos tido crescimento de 5 por cento ao longo de duas décadas e que num continente de 54 nações, não há uma que esteja em confronto com outra, e isto é histórico”.
Em 1990, quando Nelson Mandela saiu da prisão, “havia sete países com eleições democráticas regulares, e hoje há menos de sete países que não têm eleições regulares”, lembrou o filantropo africano, vincando que a juventude de África representa uma enorme oportunidade para a mudança.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/angola_e_mocambique__vao_superar_a_actual_crise

A emergência de uma nova África

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A agricultura, a segurança alimentar e a energética são os pilares da integração africana no século XXI. Essas três áreas permitirão que a integração do continente se torne uma realidade tangível. Tal ambição goza de um consenso crescente entre os países africanos.angola-petroleo
Ela é efetivada por um setor privado africano empreendedor, juntamente com um sistema bancário continental cada vez mais eficiente e com multinacionais que apostam mais do que nunca na África. A parceria Marrocos-Etiópia, que envolve a produção de fertilizantes, com investimento total de US$ 2,5 bilhões, permitirá à Etiópia alcançar sua autossuficiência em fertilizantes agrícolas em 2025. O gasoduto Marrocos-Nigéria, com cinco mil quilômetros, transformará a paisagem energética da Costa Oeste da África.
As joint-ventures na área de telecomunicações ou de bancos, os projetos em infraestrutura e em habitação social… São todos levados por uma nova geração de managers africanos. Esses projetos estão moldando a África do século XXI. Uma África definitivamente emancipada dos espólios da Guerra Fria, das manipulações ideológicas, das guerras civis e da gangrena do separatismo.
Liberta destas desvantagens, a África de hoje toma confiança, seguindo o caminho da decolagem econômica, com a ambição de ter um posicionamento mais competitivo na globalização. Ademais, esta dinâmica é apoiada por uma nova elite política africana, que prioriza a eficiência nas políticas públicas e o pragmatismo nas relações interafricanas. O regresso do Marrocos à União Africana, celebrado semana passada, em Adis Abeba, constitui, sem dúvida, um grande marco para uma África mais homogênea e mais unida.

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Sua Majestade, o Rei Mohammed VI, sempre colocou a África na essência da projeção diplomática do país, através parcerias globais com vários países africanos. Parcerias que articulam, ao mesmo tempo, projetos econômicos, paz e seguridade, desenvolvimento humano, política de gênero, cooperação educacional e acadêmica, bem como a promoção de um Islã aberto e tolerante. Ao voltar a assumir o seu papel histórico dentro da família institucional africana, o Marrocos dará um impulso ainda mais ambicioso à sua política para o continente.

A iniciativa que o país tinha tomado com a organização de uma cúpula dedicada especificamente à África à margem da COP-22, realizada em Marrakesh, em novembro passado, reflete o compromisso claro que o Marrocos tem em relação às questões do desenvolvimento sustentável do continente africano.
Vista do Brasil, essa dinâmica na África criará um movimento ainda mais promissor, na costa atlântica da África. O espaço geopolítico que compartilha com o Brasil, além da história e da geografia, um potencial forte de cooperação e de ações conjuntas. Os países africanos estão entusiasmados para lançar com o Brasil uma parceria Sul-Sul inovadora, que envolva uma maior integração industrial e comercial na agricultura e na pesca, que aumente a conectividade logística entre os dois lados do Atlântico e que acrescente a integração de redes de investigação científica e inovação digital.
Há consenso de que a África é o continente que mais crescerá no século XXI. Cabe-nos, africanos e brasileiros, tornar o Atlântico Sul um espaço seguro, próspero e aberto. Nabil Adghoghi é embaixador do Marrocos no Brasil

Fonte: http://oglobo.globo.com/opiniao/a-emergencia-de-uma-nova-africa-20884182

Brasil volta a ter superávit no comércio com a África

 

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Brasília –  Em 2016, o Brasil registrou um superávit de US$ 3,231 bilhões no intercâmbio comercial com os países africanos, interrompendo um ciclo de seis anos de deficits expressivos nas trocas com o continente. O saldo foi o resultado de exportações no total de US$ 7,832 bilhões e importações no montante de US$ 4,601 bilhões.

O superávit foi alcançado graças a uma fortíssima redução (-47,5%) nas importações de produtos africanos, num ano em que as vendas brasileiras para os países africanos também se reduziram, mas em um rítmo bem menos acelerado, de 4,51%, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Entre  2010 e 2016, o fluxo de comércio Brasil-África gerou para os africanos um saldo de US$ 21,580 bilhões, devido principalmente às importações de petróleo junto à Nigéria. Com a queda desses embarques e à contração dos preços internacionais da commodity, as receitas obtidas pelos países africanos decresceram de forma acelerada. Assim, o saldo que atingiu o ápice em 2014 ao somar US$ 7,359 bilhões caiu para US$ 562 milhões em 2015 e transformou-se em superávit brasileiro no ano passado.

Em 2016, a África foi o destino final de 4,5% de todo o volume exportado pelo Brasil enquanto os países do continente tiveram uma participação de 3,34% nas importações globais brasileiras.

No período, a pauta exportadora brasileira foi liderada pelos produtos manufaturados, com uma participação de  40,9% e um total de US$ 32 bilhões, com uma queda de 2,7% comparativamente com o ano anterior. Os produtos básicos geraram uma receita de US$ 2,27 bilhões, inferior em 24,5% ao volume embarcado em 2015 e participação de 28,9% nas exportações. Por outro lado, os bens semimanufaturados responderam por 29,9% do volume  embarcado e com uma alta de 24,3% totalizaram US$  2,35 bilhões.

As commodities agrícolas lideraram a pauta exportadora brasileira para os países africanos, com destaque para o açúcar de cana, com uma fatia de 26% das exportações e receita no total de US$ 2,02 bilhões (alta de 35% comparativamente com 2015). A seguir vieram açúcar de cana refinado (US$ 966 milhões e participação de 12% nas exportações), carne bovina (US$ 638 milhões, correspondentes a 8,2% do volume exportado) e carne de frango (embarques no montante de US$ 464 milhões e participação de 5,9%).

Do lado africano, mesmo em forte queda, o petróleo foi o principal item exportado para o Brasil, respondendo por 36% do volume total e gerando uma receita no valor de US$ 1,66 bilhão. Outros destaques da pauta foram as naftas (US$ 1,11 bilhão e fatia de 24% nas exportações), adubos fertilizantes (US$ 369 mihões e participação de 8,0%) e gás natural (receita no total de US$ 300 milhões e participação de 6,5%).

Moçambique pode ser um motor mundial no gás natural

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Maputo – O vice-presidente da Área do gás natural Liquefeito da multinacional norte-americana Anadarko, Andrew Seck, defendeu quinta-feira, em Maputo, que Moçambique tem condições para produzir gás natural de classe mundial e se posicionar como um motor neste sector.

MAPA DE MOÇAMBIQUE

FOTO: ANGOP

Falando durante a Mozambique Gas Summit, uma conferência internacional sobre gás, iniciada quinta-feira, na capital moçambicana, Seck disse que o país deve preparar-se para se assumir como uma potência no sector de gás, a partir da década de 2020, aproveitando a previsão de equilíbrio entre a procura e a oferta que deverá ocorrer nesse período.

Considerou que, todos os projectos contam com uma janela de oportunidade nas áreas energéticas e entre 2022 e 2023, Moçambique terá a oportunidade de se posicionar como um grande motor e novo actor neste sector.

Assinalou que o consórcio liderado pela sua companhia apurou reservas estimadas em 75 biliões de pés cúbicos de gás natural na Área 4 da bacia do Rovuma, norte de Moçambique.

Afirmou ainda que as quantidades de que o país dispõe e o abrandamento expectável na produção de alguns países produtores de gás vão permitir que produtores emergentes como Moçambique tirem partido da demanda de gás natural.

Seck adiantou que a Anadarko aposta numa parceria de longo prazo com Moçambique, estando ainda a reunir as condições necessárias para a tomada da decisão final de investimento no desenvolvimento do projecto de gás natural liquefeito na Área 1 da bacia do Rovuma.

A companhia italiana ENI comunicou, em Novembro, ao Governo moçambicano que vai avançar com o investimento no desenvolvimento do projecto de gás natural na Área 4 da bacia do Rovuma, onde lidera um consórcio que incluiu a portuguesa Galp.

 

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/11/48/Mocambique-pode-ser-motor-mundial-gas-natural-diz-multinacional,28d87d01-c3a8-411b-a7be-3af503ec7c13.html

Petrolífera Sasol inicia perfuração de primeiro poço em Inhambane, Moçambique

Nesta fase inicial, treze poços produtores serão perfurados, incluindo um de descarte de água, e as instalações de produção de petróleo e GLP estarão situadas perto da central de processamento existente em Temane.

Petrolífera Sasol inicia perfuração de primeiro poço em Inhambane, Moçambique
Mike Utchings / Reuters

A petrolífera sul-africana Sasol anunciou hoje o início da perfuração do primeiro poço na província de Inhambane, em Moçambique.

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“Hoje, o plano de desenvolvimento da Sasol para a licença do contrato de partilha de produção, na província de Inhambane, Moçambique, atingiu um marco importante com o início da perfuração do primeiro poço”, adianta a empresa, em comunicado, referindo que o plano integra petróleo líquido, GPL e gás.

Nesta fase inicial, treze poços produtores serão perfurados, incluindo um de descarte de água, e as instalações de produção de petróleo e GLP estarão situadas perto da central de processamento existente em Temane.

“A estaca de ancoragem do primeiro poço na área de licença do contrato de partilha de produção reafirma Moçambique como o coração da estratégia de petróleo e gás da Sasol na África subsaariana e fornece uma plataforma a partir da qual será impulsionado o crescimento socioeconômico”, afirma John Sichinga, vice-presidente sénior da petrolífera, no comunicado.

O Conselho de Ministros de Moçambique aprovou em janeiro deste ano o plano de desenvolvimento do contrato de partilha de produção e, pouco tempo depois, a Sasol encomendou um equipamento de perfuração da Société de Maintenance Pétrolière, uma empresa francesa, que chegou ao porto de Maputo em março.

“O plano de desenvolvimento faseado prevê o desenvolvimento de novas fontes de hidrocarbonetos que vão ajudar a impulsionar o crescimento de Moçambique e da África Austral”, refere ainda a empresa, que adianta que a primeira fase está avaliada em 1,4 mil milhões de dólares norte-americanos (cerca de 1,25 mil milhões de euros).

A Sasol afirma ainda que a utilização da infraestrutura existente na área permite “o uso seguro e eficiente dos recursos, enquanto o desenvolvimento em parcelas dos reservatórios complexos é uma abordagem prudente para a oportuna redução de incertezas quanto aos recursos do subsolo e maximização do valor total do projecto”.

http://economico.sapo.pt/noticias/petrolifera-sasol-inicia-perfuracao-de-primeiro-poco-em-inhambane-mocambique_250479.html

Extração de gás natural em Moçambique com início provável em 2021

O início da extracção de gás natural no bloco Área 1, norte de Moçambique, em que empresas indianas têm uma participação conjunta de 30%, deverá ter lugar apenas em 2021, mais tarde do que o previsto, escreveu o jornal Economic Times da Índia.

O jornal cita uma fonte do sector para adiantar que a queda dos preços tanto do petróleo como do gás natural tem feito com que as empresas adiem decisões de investimento “uma vez que os clientes não fazem fila para comprar o produto.”

“É o caso clássico do ovo e da galinha em que não é possível estabelecer acordos de fornecimento uma vez que a decisão final de investimento não foi tomada por que não se sabe muito bem quem irá comprar o gás”, disse a fonte citada pelo jornal.

No âmago deste problema está a queda maciça dos preços do gás natural liquidificado ao longo dos últimos dois anos, na sequência de um excesso de oferta que deixou tanto os vendedores como os compradores inseguros quanto à assinatura de contractos de longo prazo.

O jornal escreveu ainda que o caso de Moçambique não é único, com diversos outros projectos a serem confrontados com as mesmas incertezas, se bem que neste caso o grupo operador do bloco Área 1, a Anadarko Petroleum dos Estados Unidos, tenha já assinado alguns contractos de fornecimento de gás.

A decisão final de investimento deverá ser tomada ainda este ano, de acordo com a fonte, podendo a produção iniciar-se em 2021, três anos mais tarde do que foi anunciado pelo grupo indiano Oil and Natural Gas Corporation (ONGC) quando em 2013 adquiriu uma participação no projecto.

A ONGC e a Oil India adquiriram em conjunto uma participação de 10% naquele bloco à Videocon Mauritius Energy Ltd pela soma de 2,475 bilhões de dólares e dois meses mais tarde a ONGC adquiriu um adicional de 10% à Anadarko Petroleum, tendo pago 2,640 bilhões de dólares.

O grupo indiano Bharat Petroleum Corporation entrou no projecto em 2008 com uma participação de 10%, em que a Anadarko Petroleum, com 26,5%, funciona como operador. (Macauhub/MZ)

Aside

Angola faz investimentos em projetos estruturantes

0000000000000000000000000000O ministro da Energia e Águas de Angola, João Baptista Borges,  assegurou ontem em conferência de Imprensa, que diante do quadro econômico e financeiro menos favorável que o país atravessa, a prioridade do investimento do setor são os projetos estruturantes, já que deles dependem o desenvolvimento econômico e industrial do país e da qualidade de vida dos seus cidadãos

O esforço financeiro do Estado para a realização dos projetos estruturantes exigem um pacote financeiro na ordem dos 29 bilhões de dólares. Estão em construção projetos estruturantes que utilizam energia hídrica e gás natural, o que vai permitir incremento energético de cerca de cinco mil megawatts com custos reduzidos

Entre as grandes obras está Cambambe, um projeto de expansão da central que já existia. Atualmente produz 180 megawats. Com a sua ampliação, vai passar a produzir 960 megawatts. “Comparando, vai ser duas vezes aquilo que Capanda produz. Cambambe vai atender cerca de quatro vezes mais famílias do que atende até agora”, explicou o ministro.
Sobre Laúca, projeto localizado na província de Malanje, João Baptista Borges considerou que vai ser a maior central hidroelétrica que o país vai ter até construir-se Caculo Cabaça, pois tem uma capacidade instalada de cerca de 2100 megawatts, quatro vezes Capanda e vai atender oito milhões de pessoas.

Outro projeto estruturante é a Central do Ciclo Combinado do Soyo que utiliza gás natural, que é menos poluente e mais barato, a seguir ao vapor de água, e que vai ter uma capacidade total de 750 megawatts. Recentemente foi aprovado em Conselho de Ministros um projecto para extensão do ciclo Combinado do Soyo, o que vai permitir uma potência total de 1800 megawatts. Ao longo do litoral do país está projetada a construção de ciclos combinados: Cabinda, Benguela e Namibe. Além disso, o ministro falou na possibilidade do uso de placas fotovoltaicas para beneficiar as zonas rurais.
“Com base nesta disponibilidade de gás foi desenhado um plano de desenvolvimento que estabelece uma matriz energética até 2025 em que 62 por cento do volume de energia produzida vai ser assegurado pela utilização de recursos hídricos e cerca de 21 por cento por gás. Com isso vamos desenvolver uma capacidade de produção com gás natural de cerca de dois mil megawatts”, disse.

O ministro admitiu alguma dificuldade no processo, principalmente em relação aos recursos humanos com capacidade e experiência, pois as empresas que foram criadas precisam de recursos humanos altamente qualificados.

O ministro lembrou que além destes programas, o setor avança para “empresarialização do sector de águas”, que já permitiu que fossem criadas 11 empresas provinciais com o objectivo de vincular a distribuição e o abastecimento à capacitação e desenvolvimento de uma atividade econômica que permita retorno do investimento efetuado nos sistemas.
Outro passo passa pela criação de entidade reguladora para o sector de águas. “Estas ações, algumas das quais em curso, vão melhorar o fornecimento de água e saneamento nas zonas urbanas e periurbanas e rurais do país”, disse o ministro.