Ser inventor é só para crianças ricas

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Vários estudos documentam o imenso talento que se perde devido à desigualdade social e de gênero

Meninos de famílias abastadas têm acesso muito mais fácil à inovação.
Meninos de famílias abastadas têm acesso muito mais fácil à inovação. US ETV

Se você pensa que existem carreiras elitistas, como a diplomacia e a magistratura, talvez deva considerar os inovadores. Estudos recentes revelam uma realidade bem diferente do estereótipo do gênio inventor que vive sem um tostão, encerrado numa garagem com seu talento e o suor de sua testa. A profissão de inventor é muito pouco igualitária, com injustos filtros que impedem o acesso de mulheresminorias e, essencialmente, pessoas com famílias de poucos recursos. O principal talento necessário para ser um inovador de sucesso é ter pais com dinheiro.

“Transformar-se em inventor depende de duas coisas nos EUA: se destacar em matemática e ciências e ter uma família rica”, concluem os autores

Um menino criado numa das famílias que compõem o 1% mais rico da população tem 10 vezes mais chances de se transformar em inventor do que outro educado por pais com renda abaixo da média, sem importar as notas que tenham, segundo o estudo “Quem se torna um inventor nos EUA”, publicado recentemente. As crianças que mais se destacam na aula de matemática, por exemplo, têm muito mais probabilidade de se tornarem inventores – mas somente se vierem de famílias de alta renda. É pouco provável que as crianças com bom desempenho em matemática e de famílias de baixa renda ou minorias consigam seguir essa carreira.

“Transformar-se em inventor depende de duas coisas nos Estados Unidos: se destacar em matemática e ciências e ter uma família rica”, concluem os autores do trabalho. Assim, uma criança de família pobre que se sobressai em matemática tem as mesmas chances de triunfar como inovador que as de uma criança rica com notas medíocres nessa matéria.

“[A desigualdade] pode se dever a fatores intangíveis, como a falta de acesso à rede de amigos e contatos familiares”, explica Palomeras

O estudo analisa, com uma quantidade excepcional de dados, o perfil sociodemográfico de 1,2 milhão de inventores nos EUA, considerando a renda familiar, as notas escolares e as patentes registradas. Tudo começa muito antes da universidade. “Os estudantes de famílias de baixa e alta rendas nas universidades com maiores quantidades de inventores (por exemplo, o MIT) continuam patenteando a um ritmo relativamente similar, apoiando a noção de que os fatores que afetam as crianças antes de ingressar no mercado de trabalho são determinantes para quem se transforma em inventor”, afirmam os pesquisadores do estudo, liderado por Raj Chetty, da Universidade Stanford.

Poderia se pensar que a desigualdade dos EUA é pouco representativa além de suas fronteiras. Mas outro estudo recente, “A origem social dos inventores”, sobre os inventores na Finlândia, obteve resultados similares. Na Finlândia, um país com educação igualitária e gratuita, com pouca discriminação a priori no mercado de trabalho, os pesquisadores encontraram uma má gestão do talento, “que afeta sobretudo os indivíduos de alto coeficiente de inteligência”. Os autores da pesquisa focaram nesse fator, o da capacidade cognitiva, em vez das notas escolares, mas encontraram um padrão idêntico ao dos EUA: as possibilidades de se transformar em inventor na idade adulta aumentam à medida que cresce a renda da família, disparando quando chega ao topo das famílias mais ricas. As capacidades de meninas e meninos são um fator secundário também na Finlândia, um dos países mais igualitários do mundo. A educação dos pais afeta decisivamente as possibilidades dos filhos, um fator que em muitos países tem um vínculo direto com sua renda. “A relação entre a renda dos pais e a probabilidade de se tornar um inventor se baseia na educação dos pais, tanto diretamente como através de seu impacto na educação do filho”, explicam os autores, liderados por Philippe Aghion, do College de France, em Paris.

Também há uma gigantesca disparidade de gênero: só 4,2% dos inventores europeus são mulheres. E recebem 14% menos que seus colegas homens por patentes de alta qualidade

Como funciona esse mecanismo? “Pode influir de muitas formas intangíveis: se os pais não têm a educação adequada, talvez não saibam que há oportunidades que seus filhos estejam perdendo; ou porque não têm referentes em seu entorno; ou porque não têm acesso à rede de amigos e contatos da família”, explica Neus Palomeras, economista da Universidad Carlos III, em Madri. Há uma década, Palomeras participou do primeiro estudo que tentava estabelecer um perfil dos inventores europeus, “Inventores e processos de invenção na Europa”. Por exemplo, só 26% tinham doutorado e 77% diploma universitário.7-cientistas-negros-que-vocc3aa-deveria-conhecer-fb1.png

Mas talvez o que mais chamou a atenção naquele estudo, assim como nos atuais, seja o espaço praticamente residual deixado às mulheres: em sua amostra de 9.000 europeus com patentes importantes, só 2,8% eram inventoras. No estudo de 2016 “É um trabalho de homem: renda e diferença de gênero na pesquisa industrial”, que abordou esse problema, apenas 4,2% dos 9.700 inventores de 23 países eram mulheres (8,3% na Espanha; 2,4% na Suécia), que além disso recebiam 14% menos que seus colegas homens com o mesmo nível de produtividade de patentes de alta qualidade. Nos EUA, a equipe de Chetty estima que haja 18% de inventoras na geração nascida em 1980, contra 7% na geração de 1940.

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Uma criança de família pobre que se sobressai em matemática tem as mesmas chances de triunfar como inovador que as de uma criança rica com notas medíocres na matéria

Trata-se de um enorme problema de desigualdade de gênero que, como em outros casos, começa na infância. No estudo do Chetty sobre os EUA, as meninas estavam tão longe de ter acesso a essa carreira inovadora quanto os meninos de famílias sem recursos ou de minorias étnicas. “Se as meninas estivessem tão expostas a inventoras quanto os meninos a inventores, a disparidade de gênero na inovação se reduziria à metade”, calcula a equipe do estudo. Essa ideia tem sido implementada em diversas iniciativas, como a de cientistas mulheres que compartilham suas experiências com suas alunas, além da campanha espanhola 11 de Fevereiro, que promove a vocação das estudantes por ocasião do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

Por essa razão, os autores falam de “Einsteins perdidos”: são todos esses cérebros que não podem contribuir com seu talento inovador para a sociedade. “Se as mulheres, as minorias e as crianças de famílias de baixa renda inventassem no mesmo ritmo que os homens brancos de famílias de alta renda, a taxa de inovação nos EUA seria quadruplicada”, calcula a equipe de Chetty. “Seriam pessoas que poderiam substituir outras menos produtivas em seus cargos ou que poderiam levar ao mercado uma ideia de qualidade que ajudasse a aumentar a inovação”, diz Palomeras.

Na Finlândia, um dos países mais igualitários, as oportunidades também aumentam à medida que a renda familiar cresce

A desigualdade de gênero, pelo menos nos EUA, foi ligeiramente corrigida. Mas a desigualdade de classe nem sempre foi assim. Entre 1880 e 1940, a renda do pai se relacionava positivamente com a chance de o filho se tornar um inventor – mas, ao contrário de agora, a educação da criança era mais decisiva, segundo um estudo publicado em 2017 sobre a idade de ouro dos inventores norte-americanos. Como afirma Chetty no The New York Times, a “criatividade está amplamente distribuída; as oportunidades, não.”

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/26/ciencia/1514291186_766622.html3

Professores angolanos estão em greve

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A situação de crise que atinge o país provocado pela queda do preço do petróleo, tem levado os trabalhadores a uma situação difícil, com grandes perdas salariais. O setor educacional, que é um dos grandes empregadores em Angola.

Os professores promovem , neste momento uma grande paralisação nacional, sob a liderança do Sindicato dos Professores (Sinprof) , que denuncia que os trabalhadores tiveram uma perda salarial de 40 %. Um valor sem dúvida substancial, o que agravou a vida  de milhares de profissionais,

O processo de gestão gestão do sistema de ensino angolano, apresenta falhas que agravam ainda mais esta situação, pois os professores recentes passam por um estágio probatório, mas o sistema que deveria indicar o fim do mesmo não se dá de forma eficiente. Com isso , muitos professores ficam na condição de precariedade que o estado probatório além do tempo determinado em lei,  impõe aos professores.

Como de hábito, as autoridades afirmam que estão abertas ao diálogo. O ministro da educação de Angola , Pinda Simão, disse:  “Vamos dialogar com os sindicatos na próxima reunião, já em conjunto com os ministérios da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social e Finanças”, garantiu.  Informou Pinda Simão, que reconhece que a perda de poder de compra dos professores em 40 por cento radica das dificuldades financeiras do momento.

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Na 3ª reunião ordinária da Comissão para a Política Social do Conselho de Ministros, orientada pelo Vice-Presidente da República, Manuel Vicente. Foram informados sofre o Relatório de Execução do Programa “Educação para todos”, referente ao período 2000 a 2015, no quadro da declaração de Incheon e da ação mundial 2030, adotados pelo Fórum Mundial de Educação e pela 38ª sessão da Conferência geral da Unesco, realizados em Maio e Novembro de 2015, na Coreia do Sul e em França, respectivamente.
No relatório, são destacados os principais progressos registados em Angola, nos seis diferentes domínios de intervenção do programa, nomeadamente a primeira infância, a universalização do ensino primário, as habilidades e preparação para a vida activa, a redução do analfabetismo, a equidade do género e a qualidade da educação.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/executivo_aberto_ao_dialogo

Editorial do Jornal de Angola:”A União Africana”

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Angola saudou a eleição do diplomata de carreira, o chadiano Moussa Faki Mahamat, para o cargo de presidente da Comissão Executiva da União Africana, em substituição da sul-africana Nkosazana Zuma, para um mandato de quatro anos. Depois de adiado, o continente deu um passo em frente com a eleição do quinto presidente do órgão continental mais importante, bem como dos seus vários comissários.

 

Tendo sido primeiro-ministro do Chade e durante os últimos nove anos   ministro dos Negócios Estrangeiros, Moussa Faki Mahamat é um conhecedor da realidade africana. Embora o continente continue a enfrentar numerosos desafios, não há dúvidas de que os principais problemas continuam a traduzir-se na busca de soluções para conflitos, insegurança nas fronteiras, terrorismo e fortalecimento dos passos nos processos de integração.
Acreditamos que vamos ter uma União Africana virada para solucionar os problemas mais prementes do continente e com uma liderança no topo da sua comissão que possui credenciais em matéria de diplomacia, concertação e resolução de conflitos. A eleição de Moussa Faki Mahamat é uma vitória da União Africana, um triunfo de todo o continente num momento em que a organização continental registra o regresso de Marrocos como membro de pleno direito.
É expectável que este regresso sirva também para acelerar a solução do conflito com a República Árabe Saharauí Democrática.Num ambiente democrático, a União Africana acaba de dar mais um passo na demonstração da funcionalidade, utilidade e relevância das suas instituições, numa altura em que os angolanos se podem congratular com os resultados da cimeira. O denominado “Dia das Decisões” na 28.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que teve lugar há dias em Addis Abeba, capital da Etiópia, foi produtivo para a diplomacia angolana.
A eleição da angolana Josefa Sacko, para comissária da União Africana para a Economia Rural e Agricultura e a tentativa não bem sucedida da eleição de Tete António, para o cargo de comissário para os Assuntos Políticos, constituíram  momentos sublimes para o país.
Na verdade, precisamos de continuar a aprimorar a diplomacia, proporcionando-lhe uma grande capacidade para o exercício do “lobbying” junto dos corredores da União Africana para que os nossos quadros continuem a merecer a confiança da instituição. Afinal, a União Africana é uma organização continental, a qual olhamos todos com a esperança e expectativa de representar todos os povos, todas as regiões e todas as línguas.
É igualmente verdade que todos os Estados membros se predispõem e se empenham no sentido de colocarem os seus quadros ao serviço daquela importante estrutura continental. É preciso continuar a trabalhar para que os níveis de representatividade ao nível das várias subcomissões reflictam anseios, expectativas e povos das várias regiões.
Não é exagerado esperar que os quadros de todos os países e regiões do continente tenham as mesmas oportunidades e que as disputas para o preenchimento de determinados cargos junto da Comissão Executiva e das suas subcomissões não fique à mercê dos segmentos francófono e anglófono. Não é prestigiante para o continente e para as suas diversas regiões que as próximas e sucessivas disputas para o cargo de presidente da Comissão Executiva da União Africana sejam circunscritas àqueles dois blocos linguísticos.
Defendemos que os países de expressão portuguesa continuem a fazer prova de engenho e “agressividade” das suas diplomacias, como têm feito, para que, cada vez mais tenham quadros nos lugares de decisão da organização continental. Em todo o caso, abrem-se novos desafios para o quadriénio 2017-2021, numa altura em que a União Africana precisa de pôr em prática numerosas agendas, melhorar planos adoptados e continuar em busca da auto-suficiência, integração e prosperidade.
As aspirações da Agenda 2063, cujos passos começam a ser dados agora, são bastante encorajadoras sobretudo porque numerosos Estados africanos procuram adequar-se aos seus ditames. A busca de crescimento económico e desenvolvimento sustentável, ao lado das boas práticas de governação e transparência, apenas para mencionar estas, fazem já morada no continente. Na maioria dos Estados membros da União Africana há o compromisso de que não pode haver avanço e progresso dissociados dos valores democráticos, da igualdade de gênero, do respeito pelos direitos humanos, da justiça e do Estado de Direito. O fundamental é que numerosos países africanos se encontram num processo acelerado de materialização destes pressupostos e com os resultados positivos que testemunhamos.
Desejamos sucessos à nova equipe que, nos próximos quatro anos, dirige a Comissão Executiva da União Africana e que tenha como foco a solução de conflitos, a promoção da paz e segurança em todo o continente. Sem aqueles factores, paz e segurança, dificilmente podemos falar sobre as outras condições que favorecem o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável.

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/editorial/a_uniao_africana_2

Segregação vertical impacta trajetória das mulheres cientistas, apontam especialistas

 

Scientist examining laboratory samples

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A discriminação contra a mulher na universidade e na ciência é um triste denominador comum entre todos os países do planeta. Esta foi a afirmação da presidente da Rede Francófona de Mulheres Responsáveis pelo Ensino Superior e Pesquisa (Resuff, na sigla em francês), Leila Saadé, que discutiu o assunto nesta quinta-feira, 15, no Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP), em São Paulo.

Saadé conta que pediu para incluir a universidade no título de sua apresentação porque, segundo ela, um problema muito grande da mulher cientista é a questão do poder dentro da universidade. Um problema histórico, que depende de transformações em sistemas culturais e sociais. “A mulher não é aceita no domínio do poder”, disse.

Segundo dados que ela apresentou, 58% dos mestrandos na França hoje são mulheres. Mas, à medida que se progride, a participação feminina diminui: elas contam 48% dos doutorandos; 23% dos professores titulares e apenas 10,5% dos presidentes das universidades francesas – número que caiu vertiginosamente desde 2008, quando 20% das universidades eram presididas por mulheres.

Mulheres na Ciência: novos olhares !

Créditos: Lugar de Mulher
Na Europa, os dados confirmam a tendência: apenas 11% dos altos cargos acadêmicos são ocupados por mulheres. “É como um tubo furado, que vai provocando perdas no percurso”, resume.

A pesquisadora, que é jurista por formação, aponta que a descriminação generalizada na universidade impacta na trajetória acadêmica das mulheres. E um fator que alimenta esse comportamento são os estereótipos que são inculcados nas pessoas desde a mais tenra infância.

“Uma pesquisa realizada pela Fundação L’Oréal sobre a percepção pública das mulheres na ciência mostrou que para 67% dos europeus, a mulher não está qualificada para ocupar cargos de alta função na ciência. E as explicações foram as mais ‘poéticas’ possíveis: as mulheres não tinham espírito prático, racional ou analítico. O que é mais grave é que mulheres compartilham a mesma percepção”, contou Saadé. O mesmo estudo foi feito na China, e os resultados foram semelhantes, segundo ela. “Os estereótipos impactam essa visão. O que nos ensinam, desde bebês, é isso”.

Teto de vidro

Para se conseguir reverter esse quadro, a jurista acredita que é preciso formar uma rede de ações para ajudar as mulheres a “quebrarem o teto de vidro”. Criar frentes que valorizem e incentivem o avanço da mulher cientista, que promovam um olhar para a trajetória de vida da mulher – que inclui a maternidade -, além de romper o círculo vicioso de projetos feitos por homens serem avaliados por homens e aceitos por homens. “Quanto mais houver uma rede feminina se espalhando por todas as esferas, mais avançaremos”, disse.

Saadé criticou ainda a falta de dados consistentes sobre a real situação da mulher na ciência e nas universidades. “Os indicadores ainda são muito imprecisos. É necessário elaborar índices que apresentem uma visão mais detalhada das mulheres para podermos desenhar estratégias mais precisas”, comentou, acrescentando que este é um dos pedidos da Unesco que a Resuff pretende desenvolver.

Observatório de Gênero na Universidade

Desde sua criação, em 2014, a Resuff, rede criada pela Agência Universitária da Francofonia (AUF), desenvolveu módulos de ensino a distância sobre gênero, oferecendo a mulheres ferramentas para capacitá-las em estratégias profissionais e institucionais. Além disso, a rede abriu uma chamada de propostas para a criação de um “Observatório de Gênero na Universidade”, que tem por objetivo justamente identificar os fatores que dificultam a ascensão de mulheres na universidade e oferecer instrumentos metodológicos de monitoramento e medição da evolução de suas carreiras. A ideia é que cada universidade participante tenha ao menos um representante da rede responsável por esse levantamento.

Saadé ressaltou que todo esse empenho deve ir na direção de fazer com que a questão da igualdade se torne um indicador de qualidade das universidades. “A primeira missão da universidade deveria ser formar cidadãos, dentro de uma política de igualdade. Depois se pensaria em formar bons médicos, bons físicos, bons juristas, bons matemáticos. Abrir mão da presença feminina é abrir mão de grandes potenciais “, concluiu.

Efeito tesoura

Carolina Brito, física e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi a debatedora da discussão. Para ela, a falta de bons indicadores é, de fato, um problema que atrapalha ter a real dimensão da situação das mulheres nas universidades e na ciência. Mas, a partir de dados espalhados, uma história vai sendo construída. E essa história é que, apesar de as mulheres serem a maioria entre os que concluem o ensino fundamental e médio, e a maioria nos cursos de graduação, quando se analisa a distribuição desses números, observam-se sérias discrepâncias.

“Quando olhamos a distribuição das mulheres por áreas, vemos que estamos segregadas”, afirma. Uma área crítica é a das engenharias: de 100 pessoas que concluem a graduação no Brasil, 15 se formam em alguma engenharia e apenas 5 são mulheres.

A segregação vertical é ainda mais notável. Na física, área que Brito estuda com mais profundidade, 30% dos alunos de iniciação científica são do sexo feminino. No mestrado, esse percentual cai para 20%; doutorado, 15%; até que apenas 5% das bolsas de pesquisa nível 1A são de mulheres. “É o chamado efeito tesoura. Ao subir na carreira, o percentual de mulheres cai”, comenta, corroborando os dados apresentados por Saadé.

Além do preconceito implícito, da questão família e carreira, e da falta de modelos femininos na alta hierarquia acadêmica, um fator de alto impacto, que precisa ser analisado são os comitês científicos, que avaliam projetos e pesquisadores. “No comitê de física do CNPq, apenas 10% dos membros são mulheres. Na farmácia, área tradicionalmente dominada pelas mulheres, 100% do comitê é masculino”, destacou a pesquisadora.

Brito é coordenadora do projeto Meninas na Ciência, ação de extensão do Instituto de Física da UFRGS desde o final de 2013, e, segundo ela, o efeito tesoura traz um desafio ainda maior para se compreender e promover a equiparação de gêneros na academia. “O efeito tesoura é muito dramático porque a gente poderia pensar que a entrada na ciência é uma solução. Mas esse fenômeno mostra que despertar esse desejo não é suficiente”, analisou.

Nota do Managing EditorEsta matéria é de autoria de Daniela Klebis para o Jornal da Ciência foi veiculada em 16 de setembro de 2016. A ilustração apresentada não consta da matéria original e foi introduzida pela Editoria do Boletim.

Filha do líder do MPLA considera injustas críticas à sua ascensão no partido

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A nova membra do Comité Central do MPLA Welwitchia dos Santos, filha do líder do partido, José Eduardo dos Santos, considerou hoje “injustas” as pessoas que alegam não reunir condições para chegar àquele órgão partidário.
‘Tchizé’, como também é conhecida, falava à imprensa no final da sessão de encerramento do VII congresso do Movimento de Libertação Popular de Angola (MPLA), que aprovou a lista de 363 membros do Comité Central com 5.511 votos a favor, 37 contra e sete abstenções, correspondente a 98,35% da votação.
 
A também deputada do MPLA disse que entrou para as fileiras do partido com cinco anos, pela Organização de Pioneiros Angolanos (OPA), estrutura infantil daquela força política no poder.
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Nesse sentido, Welwitchia dos Santos afirmou que as críticas só podem ser feitas por pessoas que desconhecem a sua trajetória e militância no MPLA.
 
“Eu estou nas fileiras do MPLA desde os cinco anos de idade, entrei para a OPA, participei de vários acampamentos pioneiros. A ideologia do MPLA tendo-me sido incutida desde muito pequenina, passei por uma eleição no MPLA na base, pela primeira vez, em 2004, entrei para a OMA [Organização da Mulher Angolana] da Maianga”, disse.
 
A filha de José Eduardo dos Santos, reconduzido na liderança do MPLA no VII congresso, com 99,6% dos votos, chegou ao Comité Central proposta pela OMA, tendo o seu irmão, José Filomeno dos Santos (conhecido como ‘Zenu’) sido proposto pela estrutura da juventude do partido, a JMPLA.
 
À imprensa, Welwitchia dos Santos enumerou o seu percurso no partido até ser proposta para integrar o Comité Central do MPLA, lembrando que foi “uma disputa acirrada” pelos 12 lugares a ser ocupados em representação da OMA.
 
“Neste mandato de 2016 fui eleita membro do comité nacional da OMA e depois também num escrutínio bastante apertado consegui ser escolhida uma das 12 militantes da OMA, que vieram para a renovação. A OMA tem 20 e poucos lugares, tinha que haver 45% de renovação”, explicou.
 
Lembrou que no partido esteve na base da constituição do comité de especialidade de empresários do MPLA, para o qual conseguiu mobilizar 1.500 membros, o maior que existe, pelo que considerou “bastante satisfatório” o seu trabalho de mobilização.
 
“Tal como para ser eleita deputada em 2008 também passei pelo mesmo escrutínio na minha organização de base que é a OMA, fui eleita pela OMA para ser candidata a deputada pelo MPLA duas vezes, uma vez, em 2008, aos 28 anos de idade, outra vez em 2012, portanto nunca fui indicada pela estrutura da sede do MPLA, nem para deputada nem para ser membro do CC”, frisou.
 
Tchizé dos Santos considerou as críticas “um aproveitamento político”, recorrendo à Constituição angolana para pedir às pessoas que entendam que não pode “ser prejudicada por partilhar laços de sangue com o presidente do MPLA e Presidente da República”.
 
“Também não posso ser prejudicada, eu e nenhuma outra mulher angolana, pelo facto de ser do gênero feminino”, referiu, criticando ainda “uma certa imprensa internacional que na análise da política nacional cria factos” que considerou baseados “na discriminação do gênero”.

Brasileira do PDT denuncia o golpe, no Brasil, no VII Congresso do MPLA em Angola

 

A brasileira Miguelina Vecchio, líder da Acção da Mulher Trabalhista do PDT, terá feito uma das intervenções mais aplaudidas. Denunciou o “golpe” no Brasil, da necessidade do equilíbrio de gênero e do perigo das alianças políticas. Para a representante do PDT, o MPLA constitui um caso espantoso de um partido que depois de tantos anos de poder consegue ser ainda opção do poder.

Se o MPLA está no Governo há tanto tempo e ainda é opção de poder é porque fez a sua aliança com o povo, disse. Numa referência indirecta à crise política no seu país, em particular ao estopim das divergências entre os partidos que formavam a base governante anterior à saída de Dilma Rousseff, Miguelina Vecchio disse ser “melhor errar junto com o povo do que acertar com as suas elites”.

Ainda lembrou, e dirigindo-se ao Presidente José Eduardo dos Santos, que às vezes o socialismo se esquece de que a aliança que os partidos de esquerda devem fazer é com o povo, porque com as elites costumam custar caro. Figura destacada do movimento feminista no Brasil e na América do Sul, Miguelina Vecchio defendeu mais mulheres no “lugar de direito e no espaço real de poder”.

Vecchio reclamou mais prestígio para as mulheres da OMA e de Angola, de uma forma geral, “porque nenhum governante pode ser efectivamente bom, se não colocar a equidade de género entre homens e mulheres.

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