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Adriana Alves: a Academia não é um ambiente acolhedor

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A professora Adriana Alves do Instituto de Geociências da USP

Por Ana Bottallo

É comum as pessoas perguntarem aos cientistas sobre a sua pesquisa. Se alguém fizer essa pergunta à geóloga Adriana Alves, professora do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc/USP), descobrirão que em seu atual projeto de pesquisa ela busca comparar dois eventos geológicos de origem vulcânica que ocorreram em momentos muito diferentes da história geológica da Terra – o primeiro ao final do Permiano, há aproximadamente 250 milhões de anos, e o segundo ao final do Jurássico, em torno de 136 milhões de anos atrás. A diferença entre esses dois eventos não foi apenas de idade: um aconteceu na região que hoje corresponde ao Hemisfério Norte, e é evidenciado nas rochas vulcânicas siberianas, outro ocorreu nas rochas das regiões sul e sudeste do Brasil. Mais um detalhe: embora esses dois eventos sejam semelhantes, o primeiro foi responsável pela maior extinção em massa que já ocorreu no mundo, enquanto o segundo parece não ter tido consequências sequer para a biodiversidade local. Por que eventos geológicos tão similares tiveram fins tão distintos? É esta pergunta que a pesquisadora busca responder.

Nascida em Diadema, cidade da região metropolitana de São Paulo, Adriana ingressou no curso de graduação em Geologia na USP e, a partir daí, concluiu sua pesquisa de doutorado, ingressou em um pós-doutorado e foi aprovada em concurso público para um cargo de professora no mesmo Instituto. Sua pesquisa, inicialmente, abordava rochas continentais de origem magmática.

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No final do ano passado, foi selecionada, junto com outros 64 jovens pesquisadores, em um edital do Instituto Serrapilheira, com um investimento de 100 mil reais para realizar sua pesquisa. Para Adriana, os financiamentos do Serrapilheira são muito positivos, pois “valorizam o investimento em projetos multidisciplinares, mas sem amarras quanto à metodologia empregada”. Um investimento desse porte seria mais difícil através de uma agência de fomento tradicional, uma vez que o caráter multidisciplinar demandaria uma equipe de pesquisa também diversa e se enquadraria na categoria de Projeto Temático, cujo fomento é destinado a pesquisadores experientes. “O Serrapilheira permite os chamados ‘dream grants’, ou seja, um financiamento para você desenvolver a pesquisa do seu sonho, do modo como você julgar melhor”. E que sonho!

Busco entender porque eventos geológicos tão similares, como os evidenciados pelas rochas vulcânicas siberianas e pelas rochas da Província Paraná-Etendeka, tiveram fins tão distintos

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Afloramento de rocha vulcânica bandada da região de Guarapuava (PR). Um dos objetivos do projeto coordenado por Adriana é identificar a origem da estrutura “zebrada” dessas rochas. Foto: Adriana Alves.

As dificuldades, no entanto, não são apenas burocráticas ou acadêmicas, na hora de enviar pedidos de projetos científicos. Sua trajetória pessoal foi sempre muito marcada por situações onde teve que enfrentar o preconceito. “Sendo professora, escancarar o racismo, como eu fiz na matéria para a Folha de São Paulo, é muito mais tranquilo do que quando eu era aluna de graduação ou de pós. Lidar com o racismo a gente lida desde criança, mas chega um momento em que as pessoas [do Instituto de Geociências] passam a respeitar você pelo que é – ou assim esperamos”.

A professora conta, ainda, que atualmente é a presidente da Comissão de Ética e Direitos Humanos do Instituto de Geociências, e que os alunos de graduação que sofrem racismo de seus colegas ou professores reportam as ocorrências a ela. “Tem melhorado, mas eles relatam que frequentemente recebem um tratamento diferenciado”, diz Adriana. Mas essa maior conscientização, embora venha crescendo no Instituto, surgiu nos últimos anos e só ocorreu porque os próprios alunos e alunas passaram a reivindicar os seus direitos e a falar sobre as situações que ocorrem – como ela própria fez na época que entrou no Instituto.

Sendo professora, escancarar o racismo, como eu fiz na matéria para a Folha de São Paulo, é muito mais tranquilo do que quando eu era aluna de graduação ou de pós.

“Em um dos primeiros concursos que acompanhei aqui no IGc, a banca era composta por homens brancos. Eu apontei para essa questão e disse que era preciso uma mudança. Na época, me tacharam de ‘neurótica’, mas fato é que a partir dessa observação, no concurso seguinte tinha uma mulher na banca”. A Geologia é, tradicionalmente, uma ciência muito masculinizada. Quando foi criada a Sociedade Brasileira de Geologia, em 1945, em São Paulo, só haviam homens na presidência e diretoria. Dentro do próprio Instituto de Geociências da USP, no último andar, há fotos dos antigos diretores, todos homens. “Só tem uma mulher professora titular em todo o Instituto. Se as mulheres não são professoras titulares, não podem concorrer a cargos de Direção, uma vez que são elegíveis, em um primeiro momento, os professores titulares e, na ausência destes, outros docentes das demais categorias (livre-docente, professor doutor) podem concorrer. Dentre os professores doutores, é meio a meio, mas nos cargos de chefia você não encontra uma mulher”, completa ela, apontando que essa mudança no pensamento coletivo dentro da Geologia ainda é muito recente, e não parece estar totalmente incorporado. “A preocupação de gênero e mesmo de idade nos congressos de Geologia é muito recente”.

Aliada à questão de gênero, vem uma outra preocupação: a maternidade. Adriana já é mãe da Flora, de 2 anos, e está grávida de 8 meses de Serena. Quando recebeu a notícia, em dezembro passado, de que ganhou o edital do Serrapilheira, a sua primeira reação foi de surpresa: pensou em como iria conciliar duas filhas pequenas e o novo projeto de pesquisa. “A academia não é um ambiente acolhedor [para a maternidade]. [A ciência] é muito cruel, pois ela te força a ter uma dedicação e no momento que você começa a deslanchar na carreira precisa parar para decidir se vai ser mãe ou não – o que é um desejo legítimo”. O projeto aprovado pelo Serrapilheira tem a possibilidade de extensão, mas a geóloga enxerga isso como um desafio a mais. “Nós somos penalizadas por sermos mães, pois por mais que seu parceiro seja prestativo e divida tarefas, a sobrecarga é sempre da mulher”. Isso é evidenciado, por exemplo, quando vemos os cargos de alta chefia nas universidades e instituições de pesquisa, onde a maioria dos reitores, diretores e chefes de departamento é homem. Um detalhe: a maioria desses, ainda, é casado e com filhos, o que indica que o fato de terem uma família para cuidar não os impediu de chegar a esses cargos (para ver mais sobre essa discussão, relembre o texto “Mulher e Ciência”).

Essa “penalização” sofrida pelas mulheres que são pesquisadoras e mães vem principalmente na hora de comparar a produtividade com os pares masculinos. É natural que, no período logo antes e logo após a licença-maternidade, a mulher tenha uma queda na sua produtividade científica. Mesmo quando elas retornam ao trabalho, elas encontram um desafio a mais, que é o de voltar à produtividade sabendo que vai ter a sobrecarga com o cuidado dos filhos. Uma sugestão da professora para contornar esse problema seria, em um primeiro momento, divulgar os dados referentes a período de maternidade para as agências de fomento. “A informação estando lá, as agências e as empresas que fazem os cálculos de produtividade conseguiriam facilmente acessar as estatísticas. Então, é preciso calcular em 3, 4 ou 5 anos, a média de produtividade de uma pesquisadora que teve filhos, e então se basear nessa média. Se não teve filhos durante esse período, então podemos comparar com a média de produtividade dos nossos pares masculinos”. Recentemente, um movimento iniciado pela organização “Parent in Science” sugere que as mulheres pesquisadoras que usam a Plataforma Lattes incluam no seu currículo o período em que estiveram de licença-maternidade ou se afastaram do trabalho para cuidar de seus filhos. Essa iniciativa, chamada “Maternidade no Lattes”, ajuda ao mostrar a todos o elefante branco na sala: que a produtividade de uma mulher, mas não a de um homem, é influenciada pela sua vida pessoal e familiar.

A academia não é um ambiente acolhedor [para a maternidade]. [A ciência] é muito cruel, pois ela te força a ter uma dedicação e no momento que você começa a deslanchar na carreira precisa parar para decidir se vai ser mãe ou não – o que é um desejo legítimo

Ainda falando em produtividade, quando perguntada sobre a forma como a Ciência é produzida hoje, a pesquisadora a considera como negativa, e que a necessidade de publicar artigos incessantemente prejudica a qualidade do trabalho e tolhe o livre pensar. Principalmente, a forma como é avaliada excelência hoje, onde o que conta é a produtividade, desconsidera, por exemplo, períodos de baixa produção, como quando ela teve sua primeira filha. “Eu já tive uma queda de produtividade quando tive minha primeira filha, e isso influencia na hora de conseguir financiamento para meus projetos, pois a metodologia adotada hoje para avaliar excelência é produtividade. Eu prefiro elaborar uma pergunta mais complexa e desafiadora do que publicar 2, 3 artigos por ano”, completa.

E é por isso que Adriana considera como essencial unir, aos esforços das agências públicas de fomento, as iniciativas de incentivo privados à Ciência, como é o caso do Instituto Serrapilheira. “A valorização da pesquisa de base, e não o direcionamento de pesquisas com um fim específico, é fundamental para o avanço da Ciência e Tecnologia. Muitas das respostas para as perguntas que temos hoje sobre saúde ou uso de recursos naturais provêm de uma pesquisa de base”. O projeto premiado de Adriana tem até o início do ano que vem para apresentar seus resultados e, então, convencer o comitê científico do Instituto que vale o investimento de 1 milhão de reais. Mas independente de ser aprovado ou não, Adriana pretende continuar fazendo ciência da forma como faz hoje: divertindo-se. “Daqui a dez anos, quero continuar me divertindo fazendo Ciência”, termina. E nós também achamos que fazer Ciência – e divulgar também – é uma das coisas mais divertidas do mundo!

A valorização da pesquisa de base, e não o direcionamento de pesquisas com um fim específico, é fundamental para o avanço da Ciência e Tecnologia. Muitas das respostas para as perguntas que temos hoje sobre saúde ou uso de recursos provêm de uma pesquisa de base

Fonte:http://projetofilos.com.br/2018/05/filos-entrevista-adriana-alves/

Angola: Sonangol aborda planos de reestruturação com empresas petrolíferas

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Luanda – O conselho de administração da Sonangol reuniu-se hoje, em Luanda, com as companhias petrolíferas que operam no país, com as quais abordou questões ligadas aos planos de reestruturação do sector, reunião presidida pela sua presidente, Isabel dos Santos.

Em declarações à imprensa, no final do encontro, o administrador executivo e presidente da comissão executiva da Sonangol, Paulino Gerónimo, disse esperar que essa reestruturação seja feita sem afectar as operações normais do sector.

Referiu que a reestruturação pretendida se baseia na redução de custos e melhorias de eficiências, tal como a Sonangol irá fazer.

Por sua vez, o director-geral da BP Angola, Darryl Willis, disse que o país tem grande potencial e as companhias vão trabalhar com o conselho de administração da Sonangol, para o alcance dos objectivos.

Salientou que a BP Angola vai continuar a operar no mercado nacional, uma vez que há possibilidade de descobrir mais óleo e gás, desenvolver os campos mais pequenos, que são marginais, e desenvolver o gás natural.

Explicou que a melhor maneira de reduzir os custos nessa fase é concentrar nas oportunidades apresentadas, assegurar que os seus contratos sejam eficientes e partilhar logística entre os vários blocos.

Por sua vez, o director-geral Chevron, John Baltz, considerou que o futuro de Angola é promissor, pelo facto da nova direcção da Sonangol trabalhar na contenção de custos, transparência e eficácia.

Disse ser bastante positivo o facto do preço do barril de petróleo estar estabilizado.

Salientou que a realidade mostra ainda muitas oportunidades em Angola.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/economia/2016/5/23/Angola-Sonangol-aborda-planos-reestruturacao-com-empresas-petroliferas,c790d559-cc06-45b9-941e-7f841487af9e.html

Investimentos na mineração em Angola

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O ministro da Geologia e Minas, Francisco Queiroz, disse ontem, em Luanda, que no médio e longo prazo o setor mineiro vai ser uma alternativa ao petróleo, assumindo um lugar importante na economia nacional em termos de arrecadação de receitas para o OGE com a entrada em operação de novos projetos.

Os novos projectos incluem a produção de diamantes, ouro, ferro, fosfato e rochas ornamentais, entre outros.
O ministro, que falava em conferência de imprensa, no GRECIMA, sublinhou que todo o trabalho que está a ser desenvolvido pelo setor, e os resultados produzidos até agora, conduz a que o domínio da geologia e minas venha, no futuro, a alterar profundamente a base econômica do país,com a produção de significativas e novas receitas fiscais.
Francisco Queiroz está optimista quanto a este aspecto, a julgar pelos resultados produzidos pelo PLANAGEO (Plano Nacional de Geologia), já na sua fase final de levantamento aéreo geofísico, que permitiu radiografar todo o território nacional. Até agora, dos 22 blocos em que o país foi dividido, 18 já foram radiografados. Deste número, oito blocos já foram interpretados, o que corresponde a 30 por cento do território. Com esses dados foram identificadas 973 anomalias (sinal que indica a existência de um mineral).
O ministro explicou que das anomalias identificadas, 191 são prioritárias por terem grande interesse mineiro. No total foram interpretadas 30 por cento das matérias recolhidas pelos aviões, o que significa que o país pode vir a ter no final do PLANAGEO cerca de três mil anomalias e destas, uma base de mineração na ordem de 30 minas de grande dimensão.
O ministro assegurou que a conjuntura financeira do país não vai comprometer o andamento do PLANAGEO, porque o Executivo atribui grande importância ao projeto, que é tido como estruturante e com grande impacto na diversificação da economia.

“A conjuntura atual tem sempre um impacto, mas já foram encontradas soluções alternativas. As dificuldades já estão equacionadas por via da transferência para as linhas de financiamento de Estado a Estado”, esclareceu. O PLANAGEO custa 405 milhões de dólares ao Estado.
O PLANAGEO tem vários subprogramas, como o da Geologia, Geoquímica, a própria gestão do plano, mapeamento e banco de dados, além do cadastramento de Geociências. Segundo o ministro, o projeto vai entrar agora para a fase da geologia, que consiste na deslocação de equipas ao terreno para colherem amostras nas zonas onde foram identificadas e que vão dar lugar às análises laboratoriais.
O ministro revelou que os laboratórios encontram-se na fase final de construção. O principal é o da cidade do Kilamba,cujas obras estão concluídas em 95 por cento devendo começar a ser equipado em breve. Além do levantamento, construção de laboratórios e produção de mapas, existem outras tarefas fundamentais para que o PLANAGEO produza resultados, como a formação de quadros. Foram formados 245 técnicos e ministradas 145 ações de formação e 30 técnicos de laboratório fazem estágio na China. Além disso, três mil geocientistas angolanos foram cadastrados. O banco de dados para armazenar toda a informação geológica recolhida já está funcional.

Produção de diamantes

O ministro da Geologia e Minas disse que o sector prevê aumentar a produção de diamantes, ferro e rochas ornamentais. Quanto às rochas ornamentais, o setor vai aumentar a produção em 2017 na ordem dos 50 por cento, com base na atribuição de licenças a novos operadores.
Em relação aos diamantes, Francisco Queiroz referiu que vai entrar em funcionamento, em 2018, a mina do Luache, localizada na Lunda Sul, que supera o actual projecto de Catoca e que pode duplicar a produção atual de diamantes, que anda à volta dos nove milhões de quilates por ano, ao preço de cerca de mil milhões e 200 mil dólares. Dentro de cinco anos, prosseguiu, essa produção vai ser duplicada.“É uma mina de grande dimensão. Poderá ser uma das maiores, senão a maior a céu aberto no mundo”.
Actualmente os diamantes têm um peso no PIB que anda à volta dos 2,5 por cento e uma participação de 120 milhões de dólares em impostos para o Estado. “Com as descobertas de novas ocorrências de Kimberlitos e a entrada em funcionamento da mina de Luache, a contribuição do sector vai crescer profundamente”, previu.

Grandes projetos

O ministro falou dos grandes projectos que se encontram em desenvolvimento no país. Em relação ao ferro, o projeto mineiro e siderúrgico de Cassinga, que já funcionou no período colonial e que o Titular do Poder Executivo orientou para ser reaberto dentro de um novo modelo, deve começarem 2017 e prevê a produção anual de um milhão e 700 mil toneladas de ferro podendo vir a gerar 800 empregos.
O projecto de ferro Gusa, na localidade Cutato, município do Cuchi, no CuandoCubango, arranca este ano e deve produzir 18 mil toneladas por ano podendo, a partir de 2018,elevar a produção para as 90 mil toneladas. O projecto vai custar 220 milhões de dólares e gerar 3.500 postos de trabalho, pois combina a componente silvícola com a mineira.
O projecto de fosfato na província do Zaire, na localidade do Lukunga, vai absorver 130 milhões de dólares e gerar 300 empregos. A montagem da mina está prevista para 2017 e a produção de fertilizantes para 2018. Em Cabinda, na localidade de Cácata, está o projecto de fosfato que custa 114 milhões de dólares e deve gerar cerca de 300 empregos. Arranca no próximo ano com a montagem da mina e em 2018 com a produção de fertilizantes.Na província do Cuanza Norte, localidade de Cerca, está outro projecto de ferro orçado, em 290 milhões de dólares, gerando 100 postos de trabalho. Arranca em 2018.

Investimento privado

No que respeita ao investimento privado no sector, o ministro considerou haver um bom quadro regulatório que é dominado pelo Código Mineiro. Com base nas regras, prosseguiu, o sector organiza-se para captar investimentos. “O nosso foco é estarmos preparados para receber investidores de grande capacidade financeira e técnica e à altura das grandes oportunidades de investimento que estão a ser criadas no país”. O ministro sublinhou que o sector privado tem garantias de acesso à actividade mineira sem restrições, explicando que elas ocorrem apenas na exploração dos minérios menos nobres, como as rochas ornamentais e minérios para a construção, que abrangem o sector privado estrangeiro, que só pode entrar com até um terço do capital social da sociedade que faz a respectiva exploração. Dois terços são reservados ao sector privado nacional.
Francisco Queiroz explicou que existe no país um modelo de exploração em que o Estado define a forma de organização e exploração, apropriando-se dos recursos através das concessionárias nacionais (Sonangol nos petróleos, Endiama nos diamantes e a Ferrangol no ouro). Apesar disso, reconheceu faltar capacidade para a transformação dos recursos naturais minerais que agregue mais-valias. O ministro referiu que todo o trabalho que está a ser feito no sector pretende conduzir à criação dos polos de desenvolvimento mineiro.

Porto mineiro

O ministro afirmou ainda que o Porto Mineiro do Namibe vai ser reabilitado. A primeira fase do projecto de Cassinga vai exigir a reparação do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes e do Porto de Sacomar. Francisco Queiroz disse que o porto vai ser reparado e o Caminho-de-ferro adaptado para transportar minério. Sobre o diferendo entre a Endiama e a Sociedade Portuguesa de Empreendimentos (SPE), disse que está resolvido. “Foi desgastante, mas foi encontrada uma solução que favorece ambas as partes, o que vai permitir a recuperação de todo o acervo bibliográfico e informação geológica produzida no tempo colonial”, disse, referindo que toda a informação vai ser dada e integrada no PLANAGEO.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/alternativa_ao_petroleo_esta_na_industria_mineira