A conivente colaboração dos bancos internacionais à corrupção na África

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Entre os dias 6  e 9 de março de 2017 ocorreu o “Ibrahim Governance Forum” na cidade de Marraquexe, capital do Marrocos.  O Fórum teve  importantes debates sobre a corrupção na Africa , serviu também para fazer uma balanço dos avanços e persistências de governança nos países africanos.

O lider sudanês , empresário e filantropo Mo Ibrahim chamou atenção dizendo  que para cada líder corrupto na Africa há uma dúzia de empresários corruptos que o sutem e vivem dele. A corrupção na África  só é possível com a colaboração dos bancos internacionais.

Mo Ibrahim lembra que a França que tem uma legislação anticorrupção há 16 e 17 anos,  nunca houve um só processo envolvendo os africanos. O silêncio é uma demonstração de conivência, infelizmente  isto representa um atraso ao desenvolvimento dos países africanos.

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Gana aos 60 anos: Lembrar Kwame Nkrumah

O Gana celebra o sexagésimo aniversário da sua independência. Cidadãos recordam o primeiro Presidente ganês, Kwame Nkrumah.

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Neste 6 de março, dia em que o Gana comemora o sexagésimo aniversário da sua independência, recordar Kwame Nkrumah é incontornável: “Atualmente, o nome de Nkrumah está envolto em mistério e controvérsia”, diz Atsu Aryee, da Universidade do Gana.

No passado, era diferente. Quando o Gana conquistou a independência da Grã-Bretanha em 1957, os apoiantes de Nkrumah aclamaram-no em massa. “Finalmente chegou ao fim a batalha! O Gana, a nossa pátria amada, será, a partir de agora, livre para sempre”, afirmou Nkrumah na altura. Em resposta, a multidão gritava “viva!”

Nos primeiros anos depois da independência, o Governo de Kwame Nkrumah colocou em prática um programa económico ambicioso, com o objetivo de colocar o país, tradicionalmente rural, no mapa dos países industrializados. As barragens hidroelétricas construídas ao longo do rio Volta ainda hoje são vistas como marcos da engenharia africana e é nelas que o Gana continua a confiar para garantir a produção energética no país de 27 milhões de habitantes. Mas nem todos os projetos de Nkrumah resultaram. As grandes empresas geridas pelo Estado foram, na maior parte dos casos, mal sucedidas, acumulando enormes dívidas ao longo dos anos, sobretudo devido à má gestão e à corrupção.

Os ganeses conheceram então um outro lado de Kwame Nkrumah. O líder político tornou-se cada vez mais autoritário, tendência que culminou na transformação do Gana num Estado de partido único, em 1964, e na auto-proclamação de Nkrumah como Presidente eterno. Milhares de cidadãos viram-se obrigados a abandonar o país. Com a economia em queda livre, a popularidade de Nkrumah também decresceu. Um golpe militar colocou um ponto final na era Nkrumah, quando o Presidente se ausentou do país para uma visita de Estado à China, em 1966.

Ghana Kwame NkrumahKwame Nkrumah é lembrado como um herói da luta contra o colonialismo

Legado cada vez mais esquecido?

Hoje a imagem de Kwame Nkrumah é mais positiva: Os observadores dizem que o líder histórico contribuiu de maneira decisiva para que o Gana goze atualmente de uma certa estabilidade política.

“O legado mais importante de Nkrumah é o patriotismo e o nacionalismo que ele incutiu no povo enquanto esteve no poder”, diz o politólogo Atsu Aryee. “É esta noção de que somos todos ganeses, que temos um país e que é preciso manter a estabilidade.”

Mas, embora muitas crianças e jovens continuem a visitar o mausoléu de Kwame Nkrumah em Accra, poucas parecem compreender o seu legado: “Nkrumah ainda é um nome importante no Gana, pois conduziu o Gana à independência. Mas muitos jovens conhecem apenas o nome e já não conhecem as suas políticas enquanto Presidente e primeiro-ministro”, afirma Burkhardt Hellemann, chefe do escritório da fundação alemã Konrad Adenauer na capital do Gana, próxima ao partido no poder na Alemanha, a CDU.

“Ainda dá para ver que o nome de Nkrumah tem alguma influência, mas as suas políticas pouco ou nada influenciam os debates políticos deste país hoje em dia”, diz. O partido criado por Nkrumah em 1949, o Partido da Convenção do Povo (CPP, na sigla em inglês) desempenha hoje um papel menor na arena política ganesa.


Ainda assim, muitos na África subsaariana continuam a lembrar o legado de Nkrumah. Em 2004, a revista “New African” pediu aos leitores para elegerem os maiores líderes africanos de todos os tempos e Nkrumah ficou em segundo lugar, atrás do ex-Presidente sul-africano e líder da luta anti-apartheid Nelson Mandela.

Nkrumah defendia uma união pan-africana para contrabalançar a influência ocidental. Ele foi um dos fundadores da Organização da Unidade Africana, predecessora da União Africana (UA).

“Ainda se fala dos conceitos de Nkrumah nos corredores da UA”, conta o historiador nigeriano Toyin Falola.

Mas, apesar de a União ter hoje mais influência no continente, a concretização da ideia de Nkrumah de criar uns “Estados Unidos de África” está muito longe, sublinha Falola.

“Depois de Mbeki e Obasanjo saírem, não há líderes africanos dinâmicos que advoguem a ideia. Os países parecem interessar-se apenas nos seus assuntos, concentrando-se na sua política interna, preocupados com o declínio das suas economias. Portanto, a ideia do pan-africanismo foi tirada de cima da mesa.”

http://www.dw.com/pt-002/gana-aos-60-anos-lembrar-kwame-nkrumah/a-37819580

Um americano na presidência da Somália

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Mogadíscio – Milhares de habitantes de Mogadíscio manifestaram, na quinta-feira, a sua alegria pela eleição do novo Presidente, Mohamed Abdullahi Farmajo, que consideram o único que pode unir a Nação.

PRESIDENTE ELEITO DA SOMÁLIA, MOHAMED ABDULLAHI FARMAJO

FOTO: MUSTAFA HAJI ABDINUR

“Este homem vai impor a boa governação e unir os somalis. Ele é o Presidente do povo, e apoiamo-lo”, declarou a AF um dos seus apoiantes Idris Sharif.

Antigo Primeiro-ministro durante oito meses, entre 2010 e 2011, Mohamed Abdullahi Farmajo Mohamed goza de uma verdadeira popularidade de muitos somalis, incluindo os da diáspora, e a sua eleição por um colégio de 329 parlamentares marca uma transição pacífica.

Com 184 votos, o antigo primeiro-ministro, com cidadania somali e norte-americana, obteve mais de metade dos votos dos 329 deputados na segunda volta, depois de o atual chefe de Estado, Hassan Sheikh Mohamud, que concorria à reeleição, reconhecer a derrota.

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“Fez-se história, nós tomámos este caminho na direção da democracia e agora quero felicitar Mohamed Abdullahi Farmajo”, declarou Hassan Sheik Mohamud.

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O Presidente cessante, Hassan Sheikh Mohamud, pertencente a uma das principais tribos do país, os Hawiye, reconheceu a sua derrota, depois da segunda volta, permitindo a eleição do novo Presidente, sem constatação.

Quarta-feira, no seu discurso de investidura, prometeu um governo do povo, cuja actividade será baseada nas necessidade e nas aspirações da população.

 

“Tarefa assustadora”

“Tenho uma tarefa assustadora à minha frente”, reconheceu o novo Presidente no seu discurso perante os membros do Parlamento logo após o resultado. “Vou trabalhar arduamente para realizar os vossos sonhos”, prometeu Farmajo.

O novo Presidente  confrontará com uma difícil realidade, que tem a ver com o governo federal que apenas controla uma pequena porção da Somália, graças ao apoio vital dos 22 mil homens da força da União África (AMISOM).

AL SHABAAB NA SOMÁLIAGrupo extremista islâmico domina região do país

Nos últimos 12 meses, os shebab multiplicaram os atentados mortíferos na capital, e ataques coordenados nas bases da AMISOM. Por outro lado, o país sofre de uma seca, desde 2010-2011, que ameaça cerca de três milhões de habitantes.

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Como o resume Rashid Abdi, director do Programa do Corno de África para a International Crisis Group (ICG), ” ser popular é uma coisa, ser eficaz é uma outra: Tem um enorme potencial para fazer boas coisas, mas presentemente, trata-se de transformar este potencial em actos”.hambruna-en-africa-1-728

EUA lamentam irregularidades

Os Estados Unidos  (EUA) já felicitaram Mohamed Abdullahi Farmajo pela sua eleição como Presidente da Somália num clima eleitoral “relativamente seguro”, apesar de lamentarem as “irregularidades registadas durante esse processo”.

“Felicitamos os milhares de somalis de todo o país, incluindo jovens e mulheres, que puderam votar em maior número do que nas eleições de 2012, mas lamentamos as inúmeras informações credíveis de irregularidades no processo eleitoral”, lê-se num comunicado do Departamento de Estado.

Os EUA instam o novo Governo a estabelecer um sistema eleitoral de “uma pessoa, um voto” para que as eleições de 2020 sejam “livres e justas”, ao contrário das de 2016 e 2012.

País mais corrupto do mundo

Essa é a primeira tentativa em 25 anos de se constituir um governo central na Somália, o país mais corrupto do mundo, segundo a organização não-governamental Transparência Internacional. O país estava sem um governo funcional desde a queda do regime de Siad Barre, em 1991.

O anterior Presidente Hassan Sheikh Mohamud foi altamente criticado por doadores internacionais por envolvimento em escândalos de corrupção.

O processo eleitoral, que deveria ter decorrido em agosto de 2016, foi marcado por trocas de acusações sobre compra de votos. 275 membros do Parlamento e 54 senadores foram nomeados por 14 mil chefes de clã e tiveram que escolher o vencedor entre 21 candidatos.

O jornal “The New York Times” classificou o processo eleitoral como o mais fraudulento da história da Somália.

 

Fontes:

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/1/6/Somalia-Alegria-esperanca-pela-eleicao-novo-Presidente,bce1aeea-98f9-4e7a-acdf-115fcff74414.html

http://www.dw.com/pt-002/novo-presidente-da-som%C3%A1lia-fez-se-hist%C3%B3ria/a-37475210