Santa Catarina no Brasil recebeu 50.000 imigrantes do Senegal e do Haiti

Apesar do preconceito, dificuldades de trabalho, eles dizem que aqui é melhor que em seus países.


Por RBS TV

Conheça os desafios e o dia a dia de imigrantes que vivem em Santa Catarina

Conheça os desafios e o dia a dia de imigrantes que vivem em Santa Catarina

Há dois anos, Santa Catarina recebeu 50 mil imigrantes do Haiti e do Senegal. No entanto, faltam políticas públicas para acolhê-los. Apesar do preconceito, das dificuldades de inserção no mercado de trabalho, viver no estado, é melhor do que em seus países, como mostrou o Jornal do Almoço.

“Eu mando dinheiro para eles [os familiares] todo mês”, contou a auxiliar de cozinha Sanon Willie, do Haiti.

“Eu encontrei um Brasil diferente do que imaginei, porque esperava encontrar uma resposta e nesse momento começava uma verdadeira crise”, disse Moussa Faye, do Senegal.

Willie trabalha como auxiliar de cozinha e ajuda a família no Haiti (Foto: Reprodução RBS TV)Willie trabalha como auxiliar de cozinha e ajuda a família no Haiti (Foto: Reprodução RBS TV)

Willie trabalha como auxiliar de cozinha e ajuda a família no Haiti (Foto: Reprodução RBS TV)

Sanon Willie demorou seis meses para encontrar trabalho, mas agora está satisfeita como funcionária de um restaurante. Para ela, o mais difícil é a saudade dos parentes.

“Eu estou feliz aqui e triste também porque tenho saudade da minha família”, afirmou.

Preconceito

Para Moussa, a dificuldad e é outra: “A gente encontra sempre preconceito, mas tem que saber lutar contra isso”, declarou emocionado. Ele é professor de idiomas, mas no Brasil trabalhou como servente de pedreiro e hoje está desempregado. Moussa recebe R$ 120 pelos dois dias por semana em que ajuda em uma associação cultural. O valor é quase insuficiente para pagar o aluguel de R$ 450.

Moussa era professor de idiomas no Senegal, no Brasil enfrenta preconceito e não consegue trabalho (Foto: Reprodução RBS TV)Moussa era professor de idiomas no Senegal, no Brasil enfrenta preconceito e não consegue trabalho (Foto: Reprodução RBS TV)

Moussa era professor de idiomas no Senegal, no Brasil enfrenta preconceito e não consegue trabalho (Foto: Reprodução RBS TV)

“Eles se deparam com o preconceito porque são pobres, são negros, são discriminados no atendimento em postos de saúde, são discriminados no ônibus. Eles descobrem que o Brasil, que internacionalmente até 2015 vivia uma imagem muito positiva no exterior de país acolhedor, era acolhedor com alguns tipos de migrantes, com esses não”, afirmou Gláucia Assis, coordenadora do Observatório de Migrações da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

Estado construído por migrantes

Santa Catarina é um estado que se desenvolveu pela mão de obra de migrantes. Para a pesquisadora, isso aconteceu porque a chegada de alemãs, italianos, portugueses e franceses no século XIX foi amparada por políticas públicas.

Pesquisadora diz que SC precisa de imigrantes para crescer (Foto: Reprodução RBS TV)Pesquisadora diz que SC precisa de imigrantes para crescer (Foto: Reprodução RBS TV)

Pesquisadora diz que SC precisa de imigrantes para crescer (Foto: Reprodução RBS TV)

“Foi difícil, as pessoas trabalharam muito, mas elas tiveram acesso à terra, tiveram políticas migratórias que de alguma forma os acolheram. O que acontece com os migrantes que chegam agora, os haitianos, senegaleses, ganeses, é que eles se deparam com uma lei migratória muito antiga e a sociedade civil, que com algum apoio de prefeituras e do estado, foi fazendo o acolhimento dessas pessoas”, explicou Gláucia Assis.

Moussa recebe R$ 120 por dois dias de trabalho em projeto (Foto: Reprodução RBS TV)Moussa recebe R$ 120 por dois dias de trabalho em projeto (Foto: Reprodução RBS TV)

Moussa recebe R$ 120 por dois dias de trabalho em projeto (Foto: Reprodução RBS TV)

Um exemplo dessa falta de políticas públicas é o Centro de Referência de Atendimento ao Migrante. Apesar de licitação ter sido feita há um ano, os recursos estarem garantidos ainda não começou a funcionar. No local, deve ser oferecido atendimento psicológico, apoio para fazer documentos, entre outros serviços.

A reportagem da RBS TV procurou a secretaria de estado de Assistência Social, mas até a publicação desta notícia não recebeu os dados. O órgão também não soube informar o prazo para a entrega do Centro de Referência. Enquanto isso, os estrangeiros continuam chegando, agora também os refugiados.

Gerson veio da Venezuela com a mulher e o filho (Foto: Reprodução RBS TV)Gerson veio da Venezuela com a mulher e o filho (Foto: Reprodução RBS TV)

Gerson veio da Venezuela com a mulher e o filho (Foto: Reprodução RBS TV)

Refugiados

“Meu nome é Gerson Joel Zambrano Lingstuyl. Eu sou venezuelano e com a crise da Venezuela está acontecendo uma coisa muito ruim lá, não tem comida, remédio, medicina”, declarou o jovem que trabalha como caixa de um supermercado.

Na Venezuela, ele era funcionário de um banco, mas não conseguia comprar alimentos suficientes para passar o mês. No Brasil, ganha dois salários mínimos mensais e com esse valor pode alimentar a família.

O filho Jeremias, de 15 dias, deu coragem a Gerson para buscar junto com a mulher uma vida melhor no Brasil. “Eu saí por ele, eu sonho para ele tudo, eu quero dar a melhor escola, a melhor educação. Eu quero dar para ele o que eu não tinha quando era um menino”, disse o rapaz.

Hisham (à direita) veio da Síria com toda família (Foto: Reprodução RBS TV)Hisham (à direita) veio da Síria com toda família (Foto: Reprodução RBS TV)

Hisham (à direita) veio da Síria com toda família (Foto: Reprodução RBS TV)

Há dois anos, o comerciante Hisham Yasin deixou a Síria com a família para fugir da guerra. “Porque lá a vida era difícil, há sete anos estão em guerra, mais de 7 milhões de pessoas morreram, outros 7 milhões estão refugiados”, com Hisham.

Apesar das dificuldades, as pessoas ouvidas pela RBS TV, encontraram no Brasil, uma situação melhor do que em seus países.

“Aqui é fácil, tem saúde, chego ao hospital e sou atendida. Lá no Haiti é muito difícil, o hospital público é difícil e o particular é muito caro. Aqui, minha vida é melhor ”, relatou Willin Sanon.

“Meus irmãos e irmãs pequenos estão na escola, de graça, é muito bom. O Brasil aqui é bom mesmo”, contou Hisham.

Hisham quer vender doces e salgados árabes para todo estado (Foto: Reprodução RBS TV)Hisham quer vender doces e salgados árabes para todo estado (Foto: Reprodução RBS TV)

Hisham quer vender doces e salgados árabes para todo estado (Foto: Reprodução RBS TV)

Aqui é melhor

Enquanto os irmãos estudam, ele produz doces e salgados árabes. “Quero levar meus doces para todo estado, são uma delícia”, disse.

“Nessa abertura para o outro, a gente aprende que a cor da pele não torna as pessoas nem inferiores nem piores. Eu acho que a gente aprende a lidar com o preconceito e a gente descobre que este estado que construiu o seu discurso em cima da migração, pra que ele continue crescendo, ele precisa dos imigrantes que chegaram agora”, afirmou a pesquisadora Gláucia Assis.

http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/sc-tem-50-mil-imigrantes-faltam-politicas-publicas-de-acolhimento-diz-pesquisadora-da-udesc.ghtml

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Brasil doa R$ 1,2 milhão para combater a fome no Sudão do Sul, Argélia e Haiti

 

 

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) recebeu uma doação de 1,2 milhão de reais do governo brasileiro. A verba será destinada à distribuição de alimentos, à assistência para refugiados e a outras estratégias para acabar com a fome no Sudão do Sul, na Argélia e no Haiti.

Suls-sudaneses recebem alimentos. Foto: PMA / Ala Kheir

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) recebeu uma doação de 1,2 milhão de reais do governo brasileiro. A verba será destinada à distribuição de alimentos, à assistência para refugiados e a outras estratégias para acabar com a fome no Sudão do Sul, na Argélia e no Haiti.

O Sudão do Sul enfrenta uma guerra civil que já forçou mais de 1,8 milhão de pessoas a deixar suas casas e deixou 3,6 milhões de indivíduos em situação de insegurança alimentar.

A Argélia abriga refugiados do Saara Ocidental que já recebem ajuda do PMA, mas a agência da ONU está tendo dificuldades em captar os recursos necessários para atender as populações deslocadas.

O Haiti foi atingido em outubro pelo Furacão Matthew, que afetou 2 milhões de pessoas e deixou mais de 800 mil passando fome.

O montante disponibilizado pelo Brasil vem da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores. O PMA é a maior agência humanitária lutando contra a fome no mundo, alcançando mais de 80 milhões de pessoas em 80 países com assistência alimentar.

António Guterres aclamado secretário-geral da ONU

Eleazar Van-Dúnem* |

Fotografia: AFP

Os 193 países-membros que integram a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) confirmaram, ontem, em Nova Iorque, por aclamação, António Guterres como o novo Secretário-Geral das Nações Unidas, em substituição do sul-coreano Ban Ki-moon, cujo mandato de dez anos termina em 31 de Dezembro.

O Secretário-Geral designado da ONU, cujo mandato, renovável, começa em 1 de Janeiro de 2017 e termina em 31 de Dezembro de 2021, diz que o futuro da ONU é determinado pela sua “prontidão para mudar e se adaptar aos novos tempos”, razão pela qual defende inovação, menos burocracia e mais eficácia e eficiência, com simplificação de processos e redução de custos.
Ao apresentar propostas, ainda como candidato, António Guterres definiu como prioridades o combate à violação dos direitos humanos, a promoção da autonomia feminina, a prevenção de conflitos, o combate ao terror e o que chamou de “mobilização colectiva contra a intolerância e a radicalização.”
Na primeira reacção após a confirmação, na semana passada, pela Assembleia Geral, da resolução do Conselho de Segurança que propõe o seu nome ao cargo de Secretário-Geral da ONU, disse enfrentar “enormes desafios” e esperar “unidade e consenso” enquanto exercer o cargo.

Diplomata dos EUA

O ex-embaixador dos EUA nas Nações Unidas e veterano da diplomacia norte-americana, John Bolton, escreveu num artigo de opinião no Wall Street Journal que os “burocratas” daquela organização “precisam de um chefe, não de um sonhador”, justificando a sua opinião com os vários desafios que António Guterres vai encontrar, quando assumir o cargo de secretário-geral a 1 de Janeiro de 2017. Para Bolton, António Guterres terá de “reconhecer que deve a sua nomeação aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança” e conformar-se com o poder que aqueles países (França, Reino Unido, EUA, China e Rússia) têm dentro da estrutura, funcionamento e tomada de decisões na ONU. “Embora haja outros países poderosos e emergentes nas Nações Unidas, a não ser que eles convençam um ou mais dos cinco membros permanentes para se virarem contra Guterres, eles serão inevitavelmente factores menores”, escreveu o diplomata norte-americano.
“Se Guterres quiser ser o Dag Hammarkjold [secretário-geral da ONU entre 1953 e 1961] deste século, a flutuar sobre o universo mundano dos Estados-nação, isso pode valer-lhe pontos entre os iluminados deste mundo, mas vai garantir-lhe poucos feitos”, acrescenta.
Assim, o diplomata aconselha Guterres a concentrar-se, sobretudo, em arrumar a casa da ONU.
“António Guterres será mais produtivo se se concentrar no seu território limitado”, escreve John Bolton, apontando desafios como a redução da burocracia dentro da organização e uma reforma das forças de manutenção da paz, que, neste momento, se distribuem em 16 operações (com 119 mil indivíduos destacados e um 7,14 mil milhões de ­euros de orçamento anual). “As alegações de abuso sexual por soldados, o surto de cólera no Haiti e a má gestão estão a prejudicar as forças de manutenção das Nações Unidas, cuja aura de perfeição tem caído desde que venceram o prémio Nobel da Paz em 1988”, lê-se no texto.

“Enormes desafios”

Especialistas afirmam que entre os “enormes desafios” de António Guterres na liderança da ONU, estão a problemática dos refugiados, que para o académico Adriano Moreira “desafia o conflito entre os deveres ­humanitários e as preocupações de segurança”, e a situação na Síria, por muitos analistas considerada “a grande prioridade de António Guterres.”
O terrorismo e as “guerras não resolvidas” ou “conflitos congelados” como os da Moldávia, Geórgia (à volta da Abecásia) e Ucrânia (em Donetsk e em Lugansk), também parecem estar entre os “enormes desafios”, de acordo com especialistas.
A reforma das Nações Unidas, com destaque para a alteração dos poderes da Assembleia Geral, Conselho de Segurança e do Tribunal Internacional de Justiça, a redução da burocracia e a, há muito pedida, reestruturação no Conselho de Segurança também são um “enorme desafio” citado por especialistas.
Israel, Palestina e o mundo árabe, a implementação do Acordo de Paris sobre o Clima, biodiversidade e a pobreza, a imparcialidade, a gerência de antagonismos, a igualdade do género e a desnuclearização são outros grandes desafios para António Guterres, referem especialistas.

Eleição consensual

Os restantes candidatos ao cargo de secretário-geral da ONU felicitaram António Guterres, como o seu antecessor, Ban Ki-moon, que, mesmo depois de publicamente afirmar que preferia uma mulher para o suceder, admitiu que o antigo alto comissário da Organização das Nações Unidas para os Refugiados “é uma excelente escolha.” A União Europeia manifestou igualmente “apoio unânime” ao português António Guterres, apesar das críticas à actuação da Comissão Europeia, que deu uma licença sem vencimento a Kristalina Georgieva para esta concorrer ao cargo “no final da maratona.”
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, que podiam ter vetado o nome de António Guterres, também o fizeram, com maior ou menor entusiasmo. António Guterres declarou publicamente que os EUA, a China e a França foram os seus maiores apoiantes, mas do Reino Unido ouviu pelas suas “qualidades e experiência” para “guiar a ONU nos muitos desafios” e da Rússia por ser alguém “que fala com toda a gente, ouve toda a gente e diz aquilo que pensa.”
E as cerca de 750 ONG de todo o mundo reunidas na campanha “1 por 7 mil milhões” consideraram que a indicação de António Guterres “é uma vitória da transparência pela qual tanto lutamos”. A reacção internacional à escolha de António Guterres, por conseguinte, acabou por ser um manifesto de união.

Ban Ki-moon

António Guterres foi confirmado Secretário-Geral das Nações Unidas, precisamente, dez anos depois de o seu antecessor, Ban Ki-moon, ter sido eleito ao cargo.
Analistas referem que Ban Ki-moon deixa muitas promessas por cumprir, sobretudo no que a reformas diz respeito, mas também vitórias relevantes nos dossiers do nuclear e das alterações climáticas. Críticos o consideram “o pior Secretário-Geral de sempre, com pouco carisma e fuga das decisões difíceis”, mas os apoiantes definem-no como “hábil negociador que liderou com estabilidade uma década complexa.
”O Movimento dos Não-Alinhados e o Grupo dos 77 (países em desenvolvimento) acusam Ban Ki-moon de “acomodar os interesses dos Estados Unidos e os desejos das nações mais ricas.”
A Síria chegou mesmo a acusar o Secretário-Geral da ONU de “se afastar” da Carta das Nações Unidas e que no seu mandato a organização “afastou-se do seu papel de procurar soluções para os problemas internacionais e não conseguiu resolver qualquer conflito”.
Analistas são unânimes em afirmar que o antigo chefe da diplomacia sul-coreana não conseguiu fazer esquecer o seu antecessor, o ghanense Koffi Annan, e que o seu mandato fica marcado por uma “liderança discreta” em que “a inércia se sobrepôs ao papel da ONU.”
Um artigo do jornal britânico “The Telegraph” refere que, provavelmente, o mundo não vai ter saudades de Ban Ki-moon quando este deixar o cargo, porque dos dez anos à frente da organização, o líder cessante da ONU pouco mudou o sistema interno da organização, apesar de contínuas promessas de reformas.
Ban Ki-moon, o líder cessante das Nações Unidas, pode orgulhar-se de algumas vitórias, entre as quais a assinatura dos Acordos de Paris para o combate às alterações climáticas, que o próprio qualificou de a sua maior conquista, conclui o jornal “The Telegraph”.

* Com agências

O novo rosto dos chilenos

Capa da revista chilena "Paula", sobre imigração no país .

El nuevo rostro de Chile

Desde hace algunos años, caminar por Santiago se ha vuelto una experiencia multicultural. No solo se escuchan otras lenguas en la calle, también ha cambiado el paisaje humano, ampliado la gama cromática de pieles, de rasgos, de hábitos, de miradas. ¿Por qué han venido a Chile? ¿Qué hay aquí que quieren quedarse? ¿Qué traen ellos y qué nos aportan? ¿Cómo tratan los chilenos a los nuevos forasteros? En estas catorce historias, ellos lo cuentan.

Por Carola Solari, Valentina Rodríguez, Almendra Arcaya y María José Salas / Fotografía: Alejandro Araya, Rodrigo Chodil, Carolina Vargas, Sebastián Utreras y Christian Guzman / Producción: Álvaro Renner


Paula 1207. Sábado 27 de agosto de 2016.

 

Antes muerta que sencilla

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Siete Miss Universo y seis Miss Mundo. Venezuela ostenta 13 coronas, más títulos de belleza que ningún otro país del planeta. “Las venezolanas crecemos con una particular preocupación por la belleza, que nos inculcan nuestras madres. Cuando niñas nos graban a fuego el lema ‘antes muerta que sencilla’. Por eso, a la mujer venezolana le puede faltar dinero para comer, pero para la peluquería ¡nunca jamás!”, dice Marleny Díaz (64, publicista), quien decidió vender todo lo que tenía en su país (casa, auto y negocio) y se vino a Chile hace siete años escapando de la crisis. Junto a su hija Jealmar Kremisisky (38, ingeniera electrónica) abrió hace nueve meses la peluquería Salexa, que ellas mismas atienden. Es la más pequeña pero solicitada de la galería Providencia 2550, donde llegan a diario venezolanas, colombianas, argentinas y cada vez más chilenas. “Aquí trabajamos el pelo, las manos, las cejas y el maquillaje al estilo venezolano: todo bien producido, bien vistoso, bien arreglado. Nada se hace por encimita”, dice Marleny. Y su hija agrega: “con el boom de la llegada de venezolanas y colombianas, la mujer chilena se ha ido contagiando con nuestra estética y cada vez se están preocupando más. Al principio llegaban pidiendo reflejos que no se notaran, querían un corte, ‘pero que sea bien poquito’; querían un maquillaje, ‘pero lo más natural posible’; y nosotras les decíamos: pero chama, la idea es que se vea. ¿Vamos a estar dos horas con las tinturas en la cabeza para que nadie lo note después? Si vienes a la peluquería es para que se luzca el cambio, para que te veas chévere. ¿Qué gracia tiene salir de aquí igual a como entraste?”.

Siete naciones en una sala

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En el 1°A del Liceo Miguel de Cervantes de Santiago hay un alumno chino, un haitiano, un colombiano, un dominicano, dos argentinos y 17 peruanos. Es decir, de los 36 niños que componen el curso, 23 son inmigrantes o hijos de inmigrantes. “Yo soy chinito y también chileno”, grita Vicente Liu Tan (7), quien asiste con sus papás a las reuniones de apoderados para poder traducirle a la profesora lo que dicen sus padres, que no hablan una gota de español. “Yo soy dominicana, pero como vivo en Chile soy chilena también”, interrumpe Charleny Manzueta (6), jugando con las más de veinte trenzas que lleva pegadas a su cabeza.

La directora del liceo, donde actualmente hay alumnos de 35 nacionalidades, explica que a los niños les encanta el hecho de venir de diferentes partes del mundo: “Es algo que los motiva a aprender. Si un compañero peruano llega a la clase de música con una zampoña, todos los compañeros la quieren tocar”, explica. El contraste de orígenes ha transformado la manera de hacer las clases de los profesores: en Lenguaje se habla de al menos un autor de cada país y en Historia se repasan los grandes hitos y la geografía de sus países. El 21 de mayo se resaltan a los héroes de Perú y Chile, y cada año se realiza una feria intercultural donde comparten arte, música y gastronomía de cada país. Ahora planean enseñar a todos sus alumnos el himno peruano, para acompañar el chileno. “Espero que en unos años más todos se sepan los himnos de todos. Si hay algo de lo que la educación pública va a poder jactarse, es de haber aportado a una educación integral sin discriminación”, asegura Brito.

La única togolesa

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Quamba Cataria-Okouetevi (29) es la única togolesa que vive en Chile. Es periodista y contadora y llegó a Chile buscando refugio político hace 4 años. “Fui una de las muchas concubinas del presidente de mi país y un día en un programa de radio hablé en contra de él y de su gobierno. Después de eso comenzó una persecución y me amenazaron de muerte. Tuve que salir arrancando”, cuenta en un español que apenas se entiende. Un contacto suyo gestionó su salida a algún país donde no existieran conexiones con Togo; terminó llegando a Calama. Quamba no tenía idea dónde estaba y no entendía el idioma; ella solo hablaba algo de francés y el dialecto de su país llamado mina.

En el aeropuerto, después de horas, encontraron a una mujer que hablaba francés, que le ofreció llevarla a San Pedro de Atacama para un trabajo. “Fue un infierno, ella me llevó para que me prostituyera en San Pedro y como no quise, me quitó todas mis cosas y me dejó tirada en la calle. Fue horrible: un chileno abusó de mí y viví por cinco días en un auto abandonado”, recuerda con lágrimas en sus ojos. Luego consiguió trabajo como empleada doméstica y pudo regularizar su situación con ayuda del Centro de Atención al Migrante de Santiago y tramitar sus papeles como refugiada política. “Todos los días rogaba ayuda para encontrar a alguien de mi país aquí, pero me decían que era la única. Hasta que me ofrecieron contactar a algún  africano y ese día fui la persona más feliz del mundo. Sentí un alivio en el pecho”, recuerda. Se reunió con un congolés y cuando lo vio lo abrazó por largos minutos y, por fin, se lanzó a hablar sin parar. Hoy, Quamba está casada con un chileno, tuvieron a Josué, su primer hijo, y abrieron un almacén al lado de su casa en Macul. “Gracias a mi marido y mi hijo me reconcilié con la vida y ya no me siento sola en Chile”, dice.

La fantasía de las chilenas

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El animador dominicano Philippe Noel (37) y el boxeador nigeriano Henry Churchill (37) –también conocido como el Negro Mafla–, son los vedettos más solicitados de Chile. Ambos trabajan como strippers en la discotheque Grammy de Ñuñoa y son parte del staff de vedettos en vedettosvip.cl. Además, hacen eventos privados y sus agendas están copadas. “Las chilenas se vuelven locas, porque somos de color y lo único que quieren es corroborar si es que el mito de que los negros somos mejores dotados es cierto o no”, cuenta Philippe.

Philippe llegó a Santiago hace 7 años para animar dos eventos de un chileno que lo contrató luego de verlo en un show en Cancún. Henry llegó a Osorno diez años antes por una competencia de boxeo: “En esa época no había gente de color aquí; éramos únicos, totalmente novedosos y las mujeres nos adoraban”, cuenta. Ambos decidieron quedarse en Chile. Henry saltó a la fama cuando participó en la vedetón de la Teletón de 2003. Trabajó con Felipe Camiroaga como bailarín en el programa Novios Dulce Condena y en Morandé con Compañía. También ha hecho comerciales y es muy cotizado en las despedidas de soltera; de hecho, animó la de Pamela Díaz. “Los negros somos más alegres, tenemos más gracia y humor, eso es lo que en realidad cautiva a las mujeres de acá”, dice Henry. Philippe agrega: “Nosotros conocemos el verdadero yo de las chilenas, porque ellas viven muy reprimidas en el día a día. En cambio, en las despedidas de soltera, se atreven a hacer y decir lo que quieren y ahí se desatan. La chilena sí tiene mucha personalidad”.

 

Orar y cantar en Quilicura

Especial inmigrantes, Revista PAULA. Agosto del 2016

En Estación Central, Independencia, Pedro Aguirre Cerda y Quilicura, las comunas donde se han ido instalando los inmigrantes que vienen de Haití, hay 20 iglesias donde cada domingo llegan a celebrar cultos evangélicos vestidos muy elegantes: los hombres con ternos blancos o negros y corbatas de colores y las mujeres con vestidos de dos piezas y el pelo trenzado con cintas, igual que las niñas que asisten.“El culto del domingo es el momento más importante de la semana. Es una celebración y a las celebraciones se debe ir con la mejor ropa y ánimo”, dice Adrien Joubert, encargado de la primera Iglesia Evangélica haitiana creada en Chile.

Especial inmigrantes, Revista PAULA. Agosto del 2016

Aunque por fuera parece una casa sencilla, la iglesia de Quilicura, donde este domingo los haitianos celebran el culto evangélico (que dura tres horas), es una gran fiesta en su interior. El canto es un elemento fundamental en la expresión de su fe. Durante una hora y media entonan, en creole, canciones de alabanza siguiendo ritmos de reggae, funky y góspel. Junto al altar hay una banda formada por un guitarrista, un bajista, un baterista y varias coristas. Los asistentes cantan, muchos aplauden, levantan los brazos o lloran. “La música es la manera más pura de acercarnos a Dios. Es un acto de liberación y conexión con él”, explica Adrien. Luego de los cantos, el pastor predica la palabra de Dios con un tono fuerte y marcado. Todos escuchan en silencio. Cuando termina la celebración, a las 11 de la mañana, algunos regresan a sus casas, mientras la mayoría se queda media hora más estudiando la Biblia.

 

Fonte:http://www.paula.cl/reportajes-y-entrevistas/nuevo-rostro-chile/