Racismo e AIDS na África do Sul

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Victor Carvalho

A conceituada Universidade de Pretória decidiu acabar com a utilização do afrikaans como uma das línguas oficiais de ensino, passando a inglesa a ser a única aceite para que os alunos possam realizar os seus exames.

Como seria de esperar, esta decisão gerou uma acesa polémica na sociedade local, até porque o exemplo da Universidade de Pretória deverá ser seguido por outras instituições de ensino do país, naquilo que está a ser entendido como uma preocupação para travar a propagação do racismo, que nalgumas regiões da África do Sul do país está de novo a atingir proporções extremamente perigosas.
De acordo com um estudo divulgado pela Universidade de Pretória com o objectivo de pormenorizar a sua decisão, o inglês continua a ser, largamente, a língua mais utilizada no país, enquanto o afrikaans é usado para manter uma tradição que muita gente relaciona com o período do apartheid.
“Durante o período do apartheid, a comunidade branca sul-africana criou e desenvolveu uma língua, neste caso o afrikaans, como forma de excluir os negros de determinado tipo de ensino e de discussão”, explicou a Universidade de Pretória numa nota divulgada através das redes sociais.images
Uma outra justificação que tem sido dada por alguns críticos do uso do Afrikaans, refere-se ao facto da palavra “apartheid”, que faz parte do “Dicionário de Oxford” e está agora internacionalizada, é uma expressão retirada precisamente do afrikkans.
No debate que tem vindo a desenrolar-se na África do Sul, a Universidade de Pretória reconhece que o afrikaans é falado por milhões de pessoas, mas sublinha que a esmagadora maioria da população fala o inglês, pelo que com esta medida passarão a ser mais as pessoas a terem rigorosamente as mesmas possibilidades de sucesso escolar neste estabelecimento de ensino, que na verdade é um dos melhores existentes no continente africano.
Como não podia deixar de ser, as redes sociais têm jogado um importante papel neste debate, assistindo-se a múltiplas trocas de argumentos entre estudantes que defendem posições diferentes em relação a este mesmo assunto.
Esse debate no mundo cibernético, onde o anonimato infelizmente prevalece, ajudou a sublinhar a certeza de que mesmo passados 25 anos desde o fim do apartheid, a questão do racismo continua presente na sociedade sul-africana.
A Constituição do país reconhece legalmente a existência de onze línguas, entre as quais estão o inglês e o afrikaans, mas é omissa sobre qual delas deve prevalecer em termos de funcionamento oficial nos diferentes estabelecimentos escolares do país.
Esta polémica, entretanto, cruza-se com uma outra que foi levantada pelo jornal britânico “Independent” ao revelar recentemente que uma unidade paramilitar sul-africana, que operou durante o regime do “apartheid”, foi expressamente constituída para infectar com o virus HIV/AIDS a população negra do país.
Segundo o jornal, por detrás da criação dessa unidade esteve Keith Maxwell, o líder do polémico Instituto Sul-Africano de Investigação Marítima, que defendia um país de maioria branca.
Keith Maxwell, é acusado pelo “Independent” de se ter apresentado perante a sociedade como um médico filantropo, disposto a ajudar os mais desfavorecidos e assim poder aplicar as falsas injecções aos sul-africanos negros com as quais iriam contrair a doença.
O assunto, foi agora trazido a público por causa de um documentário intitulado “Cold Case Hammarskjold”, estreado há duas semanas no “Festival Sundance Film”, que decorreu nos Estados Unidos.

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Nesse documentário, podia ver-se um antigo elemento dos serviços secretos sul-africanos a dizer que essa unidade “espalhou o vírus” a mando de Maxwell.
Falando aos autores do documentário, um ex-oficial dos serviços secretos disse que Keith Maxwell, que tinha poucas qualificações profissionais, se estabeleceu como médico apenas com o objectivo de tratar negros sul-africanos que viviam com problemas sociais.
“As pessoas negras não tinham direitos, precisavam de cuidados médicos. Há um ‘filantropo’ branco que chega e diz ‘vou abrir estas clínicas e tratar-vos’ e, no entanto, é apenas um lobo com pele de cordeiro”, relatou.

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Não será, pois, por um mero acaso que este documentário teve um enorme impacto no país. É que, na verdade, ele reflecte a dimensão do problema que o racismo continua a constituir para os sul-africanos, e que se alimenta de todos os pormenores para ser usado pelos sul-africanos como arma de arremesso para acicatar a divisão entre negros e brancos.
Numa altura em que o país se prepara para ir a votar, aguarda-se com alguma expectativa para ver qual será a postura dos políticos e a contenção que eles estão dispostos a ter para não cairem na tentação de usar o racismo como argumento para conseguirem um maior número de votos.
A enorme nação que é a África do Sul precisa de todos os seus filhos, sejam negros ou brancos, para poder ultrapassar os graves problemas sociais e económicos que enfrenta.
O que falta saber é se existe na sociedade sul-africana a consciência de que essa unidade é fundamental para a salvaguarda dos seus próprios interesses pessoais e étnicos ou se, pelo contrário, essa mesma sociedade se vai deixar enredar nas teias do racismo, para voltar a um passado de tão triste memória.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/combate-ao-racismo-na-africa-do-sul

Medicamento genérico avançado introduzido no combate ao HIV em África

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Trata-se do Dolutegravir (DTG), um medicamento disponível no mercado há alguns anos, e largamente utilizado nos países desenvolvidos. Matiru sublinhou que até muito recentemente, o seu preço continuava muito alto para ser vendido no quadro de programas de luta ao VIH, à grande escala nos países africanos.

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Um genérico barato e mais avançado contra o vírus do VIH foi introduzido pela primeira vez em África, principalmente no Quénia, país que tem 25 milhões de infectados, segundo um Robert Matiru, funcionário da Unitaid. Informou que uma caixa de 30 pílulas de DTG, para um mês de tratamento custa entre 25 e 50 dólares, enquanto a versão genérica para o mesmo período é comercializado a quatro dólares.

 

Para Matiru, o alto preço que custava o DTG inibiu as pessoas a comprá-lo em África. Disse que há alguns dias, o Quénia iniciou o enviou do DTG, em todo o território nacional, devendo, no primeiro momento, ser administrado a 27 mil pacientes que não suportam os efeitos secundários da Efavirenz, actual medicação contra a Aids, mais utilizada no país.

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Frisou que autoridades quenianas prevêem aumentar o emprego do DTG paulatinamente, porque o fármaco possui duas vantagens, por ser muito bom do ponto de vista puramente farmacêutico, e o seu preço vantajoso, que tem como objectivo diminuir os custos dos medicamentos que curam as doenças como a Aids e a tuberculose.

Até ao fim de 2017, programas similares serão lançados, na Nigéria e no Uganda. A Unitaid, que financiou a compra dos primeiros lotos do DTG, para o Quénia, diz tratar-se do melhor medicamento para o tratamento chamado anti-retroviral actualmente no mercado, que permite reduzir a carga viral presente no organismo. Robert Matiru disse, por outro lado, que o novo anti-retrovial é mais simples de utilizar, do que outros tratamentos, e provoca menos efeitos secundários, tendo ainda como vantagem a de impedir que o vírus desenvolva uma resistência.

Sublinha que o O DTG foi desenvolvido e comercializado pela companhia ViiV Healthcare, especializada no tratamento contra a Aids, e detida, maioritariamente, pelo grupo britânico GSK. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicados em 2015, indicam que pelo menos 37 milhões de pessoas vivem com a Aids, no Mundo, 70% das quais em África.

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Fonte:http://tpa.sapo.ao/noticias/internacional/introduzido-generico-mais-avancado-no-combate-ao-vih-em-africa

Boa noticia! A saúde em Angola pode estar melhorando

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Conselho de Ministros angolano recomenda divulgação de dois relatórios sobre a saudê em Angola que apresenta mudanças importantes.
 
 
O primeiro, a ser lançado na quinta-feira, refere-se à mortalidade infantil, que corresponde ao número de óbitos em crianças por mil nascimentos vivos no país em 2015 e 2016 e traduz o risco de morte durante o primeiro ano de vida.
 
“Trata-se de uma evolução extraordinária de um país que saiu de uma fase de pós-conflito e que está a recuperar todo o seu sistema sanitário”, disse, acrescentando que no documento constam dados como a taxa de cobertura de vacinação em crianças, a taxa de fecundidade, além de dados sobre nutrição e anemia. Outra informação importante no documento tem a ver com as atitudes e percepções sobre a Aids. O relatório indica, por exemplo, que apenas 33 por cento das mulheres entre os 15 e 24 anos sabem o que é ou como se contrai a Aids.
Outro dado importante tem a ver com o relacionamento entre homens e mulheres. O relatório revela que apenas dois por cento de mulheres com idades entre os 15 e 49 anos tiveram mais de um parceiro nos últimos 12 meses.
 
O segundo relatório, a ser lançado em Fevereiro, traz dados como a situação da mortalidade materna, trabalho infantil, violência doméstica e a taxa de prevalência do HIV/Aids. O ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, confirmou que do relatório a ser apresentado em Fevereiro constam dados que demonstram, igualmente, uma redução da mortalidade materna.
O Inquérito teve como objectivo obter informação sobre o sector da Saúde, concretamente sobre a mulher, a criança e sobre o agregado familiar e foi elaborado em coordenação com o Ministério da Saúde e outros organismos e instituições, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Banco Mundial.
 
 

Confederação Sindical de Angola cobra “disciplina sexual” dos trabalhadores

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O sindicalista Almeida Pinto alertou na quarta-feira, em Luanda, os trabalhadores para a necessidade de haver “disciplina sexual” pelo facto de a produção das empresas e a economia do país ficarem fragilizadas quando um trabalhador fica doente.
O alerta feito pelo sindicalista, durante uma palestra sobre a “Estigmatização e os desafios do sindicalismo”, decorre do facto de a situação do VIH/Aids em Angola ser preocupante por, na maior parte das empresas, haver pelo menos um trabalhador seropositivo.

Almeida Pinto, que exerce o cargo de assistente de Higiene e Segurança no Trabalho da UNTA-Confederação Sindical, desejou que os trabalhadores sejam fiéis na relação conjugal, por ser um comportamento que evita o crescimento do número de seropositivos no país, onde o primeiro caso de sida foi notificado em 1985.

O activista sindical lembrou a existência em Angola de uma lei que protege os trabalhadores seropositivos e pediu aos empregados e empregadores para nunca discriminarem os seropositivos, por ser uma violação dos direitos humanos, um acto imoral e desumano.
O Executivo angolano foi elogiado pelo sindicalista, devido ao seu empenho no combate à sida, desde a notificação do primeiro caso da doença, há 31 anos.
“O Executivo criou a Comissão Nacional da Luta contra a Sida, o Instituto Nacional de Luta contra a Sida e o Hospital Esperança”, onde são atendidas gratuitamente pessoas infectadas pelo vírus da sida, uma doença sem cura.
Os trabalhadores devem fazer regulamente o teste de VIH, para que tenham conhecimento do seu estado serológico, aconselhou o sindicalista.
A palestra da UNTA-Confederação Sindical esteve inserida na jornada de 1 de Dezembro, dia consagrado à luta contra a aids no Mundo.

Doença sem cura

A aids é provocada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), que penetra no organismo humano por contacto com uma pessoa infectada. A transmissão pode acontecer através de relações sexuais, do contacto com sangue infectado e de mãe para filho, durante a gravidez ou parto e pela amamentação.
O VIH é um vírus poderoso. Quando entra no organismo, dirige-se ao sistema sanguíneo, onde começa de imediato a replicar-se, atacando o sistema imunológico, destruindo as células defensoras e deixando a pessoa infectada (seropositiva) mais debilitada e sensível a outras doenças, as chamadas infecções oportunistas, que são provocadas por micróbios e que não afetam as pessoas cujo sistema imunológico funciona convenientemente. Também podem surgir alguns tipos de cancros.
Entre essas doenças, encontram-se a tuberculose, a pneumonia, a candidose, que pode causar infecções na garganta e na vagina, o citomegalovirus, um vírus que afecta os olhos e os intestinos, a toxoplasmose, que pode causar lesões graves no cérebro, a criptosporidiose, uma doença intestinal, o sarcoma de Kaposi, uma forma de cancro que provoca o aparecimento de pequenos tumores na pele em várias zonas do corpo e pode, também, afectar o sistema gastrointestinal e os pulmões.
A sida provoca ainda perturbações, como perda de peso, tumores no cérebro e outros problemas de saúde que, sem tratamento, podem levar à morte. Este síndrome manifesta-se e evolui de modo diferente de pessoa para pessoa.

http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/unta_pede_disciplina_sexual_aos_trabalhadores

Autoridades públicas da Tanzânia promovem atos de homofobia e proibem programas contra aids

Ministro da Saúde disse que as autoridades vão revisar se os programas estão ou não ‘promovendo a homossexualidade’

Tanzânia proíbe programas contra Aids para reprimir gays
Quem for condenado por homossexualidade na Tanzânia, pode pegar até 30 anos de prisão (Foto: Pixabay)

A homossexualidade é criminalizada em pelo menos 76 países, sendo 33 deles na África, segundo a campanha das Nações Unidas pelos direitos da comunidade LGBT. A Tanzânia é um exemplo destas nações; quem for condenado, pode pegar até 30 anos de prisão. Apesar do código penal da Tanzânia condenar a homossexualidade, o governo permitia que organizações ajudassem gays que tinham Aids ou corriam risco de contrair a doença. No entanto, a tolerância em relação a este assunto mudou desde que John Magufuli foi eleito presidente no ano passado.

 

Mês passado, o ministro da Saúde, Ummy Mwalimu, anunciou que a Tanzânia vai proibir projetos que visam ajudar gays com HIV/Aids. Desta forma, o programa patrocinado pelos Estados Unidos que fornece testes, camisinhas e assistência médica aos gays teve que ser encerrado, pelo menos temporamente. Cerca de 30% dos gays na Tanzânia são soropositivos. No entanto, funcionários da saúde acreditam que agora esta taxa pode subir.

Esta é a primeira vez que um país suspende a bem-sucedida iniciativa americana para tentar reprimir a comunidade gay. Desde sua fundação em 2013, o Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Combate à Aids (PEPFAR, na sigla em inglês) salvou milhões de vidas.

Este ano, a polícia invadiu dois projetos patrocinados pelos Estados Unidos e apreendeu informações confidenciais dos pacientes. Em setembro, o vice-ministro da Saúde Hamisi Kigwangalla acusou as organizações de tratamento de HIV de “promover a homossexualidade”. O ministro da Saúde, Ummy Mwalimu, explicou que as autoridades suspenderam os programas para pacientes gays para revisar se eles estavam ou não promovendo a homossexualidade.

O PEPFAR, lançado por George W. Bush, se tornou um dos mais importantes programas americanos de assistência na África. Desde 2002, a taxa total de HIV/Aids no país caiu de 12% para 5%. Em contrapartida, o número de pessoas recebendo o tratamento aumentou, nos últimos cinco anos, de 289 mil para mais de 700 mil.

Autoridades americanas esperam que os programas sejam restabelecidos em breve, mencionando que o ministro da Saúde disse que o governo está considerando quais serviços de HIV seriam apropriados para a comunidade gay. No entanto, membros da comunidade gay estão pessimistas em relação ao assunto.

A repressão contra a comunidade LGBT está aumentando não só na Tanzânia. Em 2014, o parlamento da Uganda aprovou uma lei, que depois foi anulada, que impunha pena de morte para quem fosse considerado culpado por “homossexualidade agravada”. Este ano, a alta corte do Quênia decidiu que “testes anais” seriam considerados legais para determinar a orientação sexual de uma pessoa.

 

Tanzânia proíbe programas contra Aids para reprimir gays