Alerta: Há um ritmo desenfreado de extinções de espécies de plantas

Um estudo divulgado na segunda-feira pela revista científica “Nature” alerta para o ritmo desenfreado de extinções de espécies de plantas no planeta. O relatório, o primeiro realizado em escala global, calcula que 571 espécies tenham desaparecido desde 1750.

Cientistas que participaram do trabalho afirmam que a estimativa é assustadora e pode estar muito abaixo da realidade, já que alguns países não foram estudados minuciosamente.

Mais de 570 espécies de plantas foram extintas desde 1750.

Foto: Pixabay / Divulgação
O Brasil está entre os protagonistas do problema, causado em grande parte pela atividade humana sem metas sustentáveis. A derrubada de florestas e o uso de grandes porções de terra pelo agronegócio são apontados como as principais causas das extinções.

Os autores do trabalho compararam o quadro da crise entre diferentes locais do planeta. O Estado americano do Havaí lidera a lista mundial, com 79 espécies extintas, enquanto a África do Sul soma 37. Além do Brasil, Austrália e Índia também figuram entre as nações mais afetadas pelo fenômeno.

A velocidade do desaparecimento é 500 vezes maior do que os índices registrados durante a Revolução Industrial. Os impactos, asseguram os cientistas, serão profundos na vida do planeta.

O estudo menciona riscos aos próprios seres humanos e demais organismos, além dos ecossistemas, e é embasado por trabalhos de campo e anos de análise de revistas científicas.

AFP. Posted: Junho 12, 2019.

Cientistas protestam contra a politica ambiental brasileira

Os sistemas do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes) registraram no fim de 2018 um aumento de 13,7% do desmatamento da Amazônia em relação aos 12 meses anteriores – o maior número registrado em dez anos.

Edison Veiga – De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil

25 ABR2019

A edição de sexta-feira (26) da revista Science traz uma carta assinada por 602 cientistas de instituições europeias pedindo para que a União Europeia (UE), segundo maior parceiro comercial do Brasil, condicione a compra de insumos brasileiros ao cumprimento de compromissos ambientais.

vista aérea da floresta amazônica

vista aérea da floresta amazônica

Foto: Larissa Rodrigues / BBC News Brasil

Em linhas gerais, o documento faz três recomendações para que os europeus continuem consumindo produtos brasileiros, todas baseadas em princípios de sustentabilidade. Pede que sejam respeitados os direitos humanos, que o rastreamento da origem dos produtos seja aperfeiçoado e que seja implementado um processo participativo que ateste a preocupação ambiental da produção – com a inclusão de cientistas, formuladores de políticas públicas, comunidades locais e povos indígenas.

O grupo de cientistas tem representantes de todos os 28 países-membros da UE. O teor da carta ecoa preocupações da Comissão Europeia – órgão politicamente independente que defende os interesses do conjunto de países do bloco político-econômico – que há cerca de quatro anos vem estudando como suas relações comerciais impactam o clima mundial.

Amazônia perdeu 50 mil km² de matas nos últimos 7 anos

Amazônia perdeu 50 mil km² de matas nos últimos 7 anos

Foto: AFP / BBC News Brasil

Pesquisador de questões de uso do solo, políticas de mitigação climática, combate ao desmatamento e cadeias produtivas, o brasileiro Tiago Reis, da Universidade Católica de Louvain, é um dos autores da carta.

Em entrevista à BBC News Brasil, ele afirmou que a publicação do texto tem como objetivo mostrar às instituições europeias que a comunidade científica entende a questão como “prioritária e extremamente relevante”.

“A iniciativa é importante, sobretudo neste momento em que sabemos que a Comissão Europeia está estudando o assunto e formulando uma proposta de regulação para a questão da ‘importação do desmatamento'”, disse o cientista.

O artigo foi divulgado nesta quinta-feira. Procurado pela reportagem da BBC News Brasil, o Ministério do Meio Ambiente ainda não respondeu ao pedido de entrevista sobre o tema.

Sustentabilidade e direitos humanos

“Exortamos a União Europeia a fazer negociações comerciais com o Brasil sob as condições: a defesa da Declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas; a melhora dos procedimentos para rastrear commodities no que concerne ao desmatamento e aos conflitos indígenas; e a consulta e obtenção do consentimento de povos indígenas e comunidades locais para definir estrita, social e ambientalmente os critérios para as commodities negociadas”, diz a carta veiculada no periódico científico.

Exportações para a UE representaram 17,56% do total do Brasil em 2018

Exportações para a UE representaram 17,56% do total do Brasil em 2018

Foto: Thiago Foresti / BBC News Brasil

A carta ressalta que a UE comprou mais de 3 bilhões de euros de ferro do Brasil em 2017 – “a despeito de perigosos padrões de segurança e do extenso desmatamento impulsionado pela mineração” – e, em 2011, importou carne bovina de pecuária brasileira associada a um desmatamento de “mais de 300 campos de futebol por dia”.

Segundo dados do Ministério da Economia, as exportações para a UE representaram 17,56% do total do Brasil em 2018 – um total de mais de US$ 42 bilhões, com superávit de US$ 7,3 bilhões. A exportação de carne responde por cerca de US$ 500 milhões deste total, minério de ferro soma quase US$ 2,9 bilhões e cobre, US$ 1,5 bilhão.

De acordo com dados divulgados em novembro pelo ministérios do Meio Ambiente e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, a Amazônia enfrenta índices recordes de desmatamento.

Os sistemas do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes) registraram um aumento de 13,7% do desmatamento em relação aos 12 meses anteriores – o maior número registrado em dez anos. Isso significa que, no período, foram suprimidos 7.900 quilômetros quadrados de floresta amazônica, o equivalente a mais de cinco vezes a área do município de São Paulo.

A principal vilã é a pecuária. Estudo realizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em 2016 apontou que 80% do desmatamento do Brasil se deve à conversão de áreas florestais em pastagens.

Atividades de mineração respondem por 7% dos tais danos ambientais.

Principal autora do texto, a bióloga especialista em conservação ambiental Laura Kehoe, pesquisadora da Universidade de Oxford, acredita que, como forte parceria comercial, a Europa é corresponsável pelo desmatamento brasileiro.

“Queremos que a União Europeia pare de ‘importar o desmatamento’ e se torne um líder mundial em comércio sustentável”, disse ela. “Nós protegemos florestas e direitos humanos ’em casa’, por que temos regras diferentes para nossas importações?”

“É crucial que a União Europeia defina critérios para o comércio sustentável com seus principais parceiros, inclusive as partes mais afetadas, neste caso as comunidades locais brasileiras”, afirmou a bióloga conservacionista Malika Virah-Sawmy, pesquisadora da Universidade Humboldt de Berlim.

"Queremos que a União Europeia pare de 'importar o desmatamento' e se torne um líder mundial em comércio sustentável", defende bióloga Laura Kehoe

“Queremos que a União Europeia pare de ‘importar o desmatamento’ e se torne um líder mundial em comércio sustentável”, defende bióloga Laura Kehoe

Foto: Thiago Foresti / BBC News Brasil

A carta dos cientistas apresenta preocupações, mas a aplicação dos tais compromissos como condições para tratativas comerciais depende de regras a serem criadas pela Comissão Europeia. Se o órgão acatar as sugestões, será preciso definir de que maneira o Brasil – e outros parceiros comerciais da UE – precisaram criar organismos e estabelecer as métricas para o cumprimento das exigências.

Medidas do governo Bolsonaro

De acordo com o brasileiro Tiago Reis, foram dois meses de articulação entre os cientistas europeus para que a carta fosse consolidada e os signatários, reunidos.

“Criamos o texto acompanhando a evolução do novo governo brasileiro. Estávamos preocupados com as promessas de campanha, mas quando essas promessas passaram a ser concretizadas, com edição de decretos, decidimos que precisávamos fazer algo”, disse ele.

“Existe, hoje, um discurso no Brasil que promove a invasão de terras protegidas e o desmatamento. Isso gerou sinais de alerta na comunidade científica internacional.”

A carta publicada pela Science ainda afirma que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) trabalha “para desmantelar as políticas anti-desmatamento” e ameaça “direitos indígenas e áreas naturais”. Além de ser assinada pelos 602 cientistas europeus, a carta tem o apoio de duas entidades brasileiras, que juntas representam 300 povos indígenas: a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

Em Mato Grosso, floresta amazônica dá lugar a pastagens

Em Mato Grosso, floresta amazônica dá lugar a pastagens

Foto: Thiago Foresti / BBC News Brasil

Logo no dia 2 de janeiro, primeiro dia útil do mandato, Bolsonaro publicou decretos transferindo órgãos de controle ambiental para outras pastas, reduzindo a atuação do Ministério do Meio Ambiente.

O Serviço Florestal Brasileiro, por exemplo, foi realocado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – pasta comandada por Tereza Cristina, ligada à bancada ruralista. Outros três órgãos foram cedidos para o Ministério do Desenvolvimento Regional.

A incumbência de demarcar terras índigenas, antes sob responsabilidade da Fundação Nacional do Índio (Funai), também foi transferida para o Ministério da Agricultura. A própria Funai foi remanejada. Antes vinculada ao Ministério da Justiça, acabou subordinada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves.

Mais recentemente, funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) têm sido alvo de exonerações.

Na semana passada, o Ibama arquivou processos contra a produção de soja em áreas protegidas em Santa Catarina. E o próprio presidente Bolsonaro, via redes sociais, desautorizou no início deste mês operação em andamento contra a exploração ilegal de madeira em Rondônia.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/ciencia/sustentabilidade/meio-ambiente/manifesto-assinado-por-602-cientistas-pede-que-europa-pare-de-importar-desmatamento-do-brasil,3c71759e87b6a09817e0ba8d15c48e27xmxbyti2.html

China proíbe o comércio de marfim

Victor Carvalho

A imprensa oficial chinesa deu ontem grande destaque ao cumprimento da decisão, anunciada pelo Presidente Xi Jinping ainda antes do final de 2017, que dava conta da proibição do comércio interno de marfim.

Medidas do Governo contra o tráfico na China oferecem maior tranquilidade aos elefantes em território de países africanos como a Costa do Marfim
Fotografia: Diptendu Dutta | afp

O anúncio da entrada em vigor a partir de 1 de Janeiro deste ano dessa proibição vem confirmar o empenho das autoridades em acertar o passo com as Nações Unidas que a meio do ano passado haviam “recordado” que a China tinha decidido, em 2015, proibir o comércio de marfim.

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Nessa altura, o próprio presidente chinês, Xi Jinping, reconheceu algum atraso na conclusão da legislação em relação a essa matéria, tendo sido ele próprio a anunciar em Novembro de 2017 que estava já tudo pronto para que o seu país pudesse agora cumprir a palavra dada em 2015. Trata-se de uma decisão com um grande impacto político a nível internacional pois permite corrigir a falha no cumprimento de uma promessa feita em 2015 e que estava a custar ao país algum ostracismo sempre que se falava de defesa do Ambiente ou da protecção dos animais.

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Já em 2017 que a comercialização de marfim no interior da China havia conhecido um declínio, uma vez que as autoridades policiais estavam a desenvolver um controle muito apertado junto dos principais locais de venda do produto antecipando trabalho para poder depois defender a aplicação da lei agora aprovada.

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Esse controlo fez com que os contrabandistas tivessem que redobrar cuidados no envio de marfim para o mercado chinês, o que provocou uma baixa de 80 por cento no total do produto disponível e de 65 por cento nos valores em circulação. De acordo com dados oficiais divulgados pelas autoridades chinesas, desde Março do ano passado foram encerradas 67 fábricas e lojas de preparação e venda de diamantes, havendo ainda 105 que serão agora fechadas. “A partir deste momento haverá tolerância zero para quem violar a lei e continuar a comercializar marfim. Trata-se de uma questão de Estado que tudo faremos para defender”, disse o ministro chinês das Florestas e do Ambiente no seu site disponível na rede social Weibo.

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A agência de notícias Xinhua, por seu lado, dá conta da existência de uma ampla campanha de sensibilização para o combate ao tráfico e venda de marfim e que conta com a participação de celebridades locais, tanto do mundo do desporto  como do espectáculo, entre eles o conhecido basquetebolista Yao Ming.
O Fundo Mundial para a Defesa da Natureza já reagiu à decisão agora implementada pela China, sublinhando que está “deliciado por ver o maior mercado mundial de marfim fechar as suas portas”. “Isto é um passo muito significativo e prova que existem esforços internacionais muito sérios para a protecção dos elefantes africanos”, referiu o director daquela organização para África, Fred Kumah.
Porém, como muitas vezes acontece nos meandros políticos, a legislação que a China vai agora accionar tem algumas lacunas. Neste caso, o problema é que Hong Kong fica de fora da alçada da lei, o que é estranho uma vez que se trata da principal região de comercialização de marfim em todo o país. A imprensa chinesa faz referência a esta “lacuna” legislativa, e tenta tranquilizar as pessoas adiantando que “em breve” também em Hong Kong “será totalmente proibida a comercialização de diamantes”.
Mas, os mais cépticos a­cham que a inclusão de Hong Kong na lei que já está em vigor desde o início do ano, poderá demorar ainda algum tempo uma vez que está mui­to dinheiro em jogo e que “existem interesses políticos que podem influenciar um certo adiamento da imposição da directiva assinada pelo Presidente chinês, Xi Jinping.
É que já em 1975 a China havia aderido, sem efeitos práticos, a uma convenção que proibia a comercialização de marfim e mais tarde, em 1990, a uma lei internacional aprovada nas Nações Unidas que também bania a venda do produto.

Laos passa a estar no topo da lista

Com a proibição de comercialização de marfim na China, que era o maior consumidor mundial do produto, agora passa a ser o Laos o país que lidera esta pouco recomendável lista.
Trata-se de uma situação normal, dentro da anormalidade que é a prática deste tipo de comércio, uma vez que os contrabandistas tentam sempre encontrar uma proximidade com o local onde actuavam com mais frequência.
Investigadores internacionais deste fenómeno visitaram um casino chinês que funciona às margens do rio Mekong, no interior do Laos, e confirmaram que se tratava de um cenário de jogo, prostituição e de… venda de marfim, na sua maioria a clientes provenientes da China. Esses mesmos investigadores referem que desde Novembro de 2017, quando o Presidente chinês anunciou a proibição da venda interna de marfim, a comercialização do produto no Laos conheceu um aumento significativo de 80 por cento. Tal como no Vietname e em Myanmar, também no Laos o preço do marfim é muito inferior àquele que era praticado na China. Os sindicatos internacionais do crime, envolvidos no tráfico de marfim são directamente responsáveis pelos actos de corrupção que envolvem cumplicidades em todo o mundo, sobretudo em África, onde se calcula que dezenas de milhares de elefantes foram dizimados.

 

Guiné Bissau construirá central elétrica sem estudo de impacto ambiental

Bissau – O Governo da Guiné-Bissau anunciou que a construção de uma central eléctrica num parque natural no sul do país vai avançar, apesar de não ter sido antecedida por um estudo de impacto ambiental e social.

CIDADE DA GUINÉ BISSAU

FOTO: FOTO PESQUISA

O ministro da Energia, Florentino Pereira, que visitou o parque das Lagoas de Cufada terça-feira, disse que o projecto não foi antecedido de um estudo de impacto ambiental e social, conforme manda a lei do Ambiente no país.

Ainda assim referiu que as obras não se podem parar, sob risco de a decisão acarretar “custos incalculáveis”.

“Governar é uma opção”, enfatizou Florentino Pereira, lembrando que o projecto, financiado pela Índia custa 18,7 milhões de euros e vai fornecer energia eléctrica às populações das regiões de Quinará e Tombali, no sul da Guiné-Bissau.

Na semana passada, duas organizações de defesa na natureza, a associação Tiniguena e o Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP) criticaram a construção, alertando para prejuízos ambientais.

Segundo as duas organizações, estão em risco a maior reserva de água doce da Guiné-Bissau e uma zona de pesca, único meio de subsistência da população.

A área possui ainda uma importante reserva florestal e avícola.

Miguel de Barros, director executivo da Tiniguena, referiu que além da construção da central o projecto “também é um pretexto” para a indústria madeireira devastar a floresta.

O ministro do Ambiente nega as alegações das duas organizações, salientando que o lençol freático não será afectado e que não houve grande desmatação.

Florentino Pereira afirmou que a concessão da licença a uma empresa indiana para a construção da central ocorreu em 1996 e a lei que delimita a área como zona reservada só foi aprovada em 2000.