Guiné Bissau construirá central elétrica sem estudo de impacto ambiental

Bissau – O Governo da Guiné-Bissau anunciou que a construção de uma central eléctrica num parque natural no sul do país vai avançar, apesar de não ter sido antecedida por um estudo de impacto ambiental e social.

CIDADE DA GUINÉ BISSAU

FOTO: FOTO PESQUISA

O ministro da Energia, Florentino Pereira, que visitou o parque das Lagoas de Cufada terça-feira, disse que o projecto não foi antecedido de um estudo de impacto ambiental e social, conforme manda a lei do Ambiente no país.

Ainda assim referiu que as obras não se podem parar, sob risco de a decisão acarretar “custos incalculáveis”.

“Governar é uma opção”, enfatizou Florentino Pereira, lembrando que o projecto, financiado pela Índia custa 18,7 milhões de euros e vai fornecer energia eléctrica às populações das regiões de Quinará e Tombali, no sul da Guiné-Bissau.

Na semana passada, duas organizações de defesa na natureza, a associação Tiniguena e o Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP) criticaram a construção, alertando para prejuízos ambientais.

Segundo as duas organizações, estão em risco a maior reserva de água doce da Guiné-Bissau e uma zona de pesca, único meio de subsistência da população.

A área possui ainda uma importante reserva florestal e avícola.

Miguel de Barros, director executivo da Tiniguena, referiu que além da construção da central o projecto “também é um pretexto” para a indústria madeireira devastar a floresta.

O ministro do Ambiente nega as alegações das duas organizações, salientando que o lençol freático não será afectado e que não houve grande desmatação.

Florentino Pereira afirmou que a concessão da licença a uma empresa indiana para a construção da central ocorreu em 1996 e a lei que delimita a área como zona reservada só foi aprovada em 2000.

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