Zimbabwe importa material genético de frangos do Brasil

FRANGOS

O Zimbábwe aceitou a proposta de Certificado Sanitário Internacional proposto pelo Brasil, e é o mais novo mercado aberto para o setor de genética nacional.  A informação foi repassada hoje (07) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Atual destino da carne de frango brasileira, o país africano agora passará a importar material genético e pintinhos de um dia provenientes das casas genéticas instaladas no Brasil.

frangos1Recentemente, países da região austral da África – entre eles, o Zimbábwe – registraram surtos de Influenza Aviária, causando impactos na produção local.

“Com os problemas sanitários registrados, o setor da região passou a demandar material genético de alta qualidade.  Por nunca ter registrado Influenza Aviária em seu território, o Brasil se consolidou como referência internacional no fornecimento e backup deste segmento, e passará a fornecer genética à cadeia produtiva zimbabuense.  A abertura deste mercado a um segmento de alto valor agregado explicita o reconhecimento internacional do status sanitário brasileiro”, destaca Francisco Turra, presidente-executivo da ABPA.

Angola quer substituir importações de alimentos, vestuários, calçados e da industria têxtil,

gado1Aprovado ontem em reunião da Comissão Econômica do Conselho de Ministros, o programa tem como objectivo acelerar a diversificação da produção nacional, por via do fomento de fileiras exportadoras em setores não petrolíferos e com forte potencial de substituição de importações.

O ministro da Economia e Planejamento, Pedro Luís da Fonseca, explicou à imprensa, no final da reunião, que o programa é para ser aplicado no curto, médio e longo prazo e vai estar centrado em áreas como a alimentação e agro-indústria, recursos minerais, petróleo e gás natural, têxteis, vestuário e calçado, além do turismo e lazer.

A decisão do presidente em priorizar e realizar um programa ocorreu depois de ouvir a demanda de empresários que pediram alteração urgente da Lei do Investimento Privado, para adaptá-la à realidade atual e facilitar a atração de capital estrangeiro em infra-estruturas básicas para o desenvolvimento.
Entre as preocupações, constam ainda a falta de energia e água, telecomunicações e estradas, escassez de divisas para a compra de matérias-primas no exterior e as altas taxas de juro. Também solicitaram mais incentivos para os empresários criarem empregos nas zonas mais desfavorecidas.

O que quer os empresários angolanos?

Recordando as declarações à imprensa, no final do encontro dos empresários , o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, afirmou que a atual Lei do Investimento Privado, foi aprovada numa altura em que o petróleo, o principal produto de exportação do país, estava acima dos 100 dólares o barril e o Estado tinha recursos abundantes para investir, ao contrário do que ocorre hoje.

“Não faz sentido continuarmos com a mesma lei”, disse José Severino. Como exemplo, o líder dos industriais angolanos questionou a obrigatoriedade de um investidor estrangeiro ter de aliar-se a um nacional e que este tem de ser responsável por 35 por cento do investimento.

“Precisamos de atrair grandes investimentos para as infra estruturas e, para isso, temos de facilitar o investimento estrangeiro, porque ele tem dinheiro que falta ao Estado, para a construção de infraestruturas”, disse José Severino, lembrando que o empresário nacional não tem dinheiro para aplicar na parceria.

“Onde é que o nacional vai encontrar, por exemplo, 35% de cinco bilhões de dólares, para investir com o estrangeiro, num projeto na área da energia ou águas?”, questionou José Severino, lembrando que atitudes do gênero levam o investidor a procurar outros mercados, com mais facilidades e onde o retorno do capital é mais rápido. Apesar disso, José Severino elogiou o trabalho do Presidente da República e disse acreditar que os próximos anos vão ser de crescimento econômico. Para que isso aconteça, entre outras medidas, o líder dos industriais defende um combate cerrado ao contrabando, redução da burocracia, maior articulação entre a agricultura e a indústria e a garantia de que o Estado compre mais bens nacionais.

Moçambique insta pequenas e médias empresas à cooperação com estrangeiros

A Feira Internacional de Maputo (FACIM) constitui uma oportunidade única para garantir o fortalecimento da cooperação entre Moçambique e outros países, disse segunda-feira o Chefe do Estado, Filipe Nyusi, ao proceder à inauguração da 53.ª edição da maior feira comercial do país.

Empresas chamadas a aproveitar as oportunidades da feira
Fotografia: Elisio Muchanga | Facim

Filipe Nyusi aproveitou a ocasião para se dirigir às pequenas e médias empresas (PME), convidando os seus responsáveis a procurarem contactos com as empresas estrangeiras presentes no certame, a fim de procurarem exportar mais produtos moçambicanos.
Enaltecendo o papel das pequenas e médias empresas no processo de diversificação da economia, Filipe Nyusi disse representar a feira “mais uma oportunidade para alargar o mercado e os produtos nacionais, internacionalizar a economia moçambicana, expor as potencialidades de produção e aumentar a diversificação de exportações”. “Esperamos que, nesta edição da FACIM, as PME identifiquem e conjuguem parcerias de ganhos quantitativos e qualitativos a nível de acesso de tecnologias, conhecimento e fortalecimento do capital, disse o presidente moçambicano.
Filipe Nyusi acrescentou que a Feira Internacional de Maputo, enquanto fórum anual e multissectorial, tem a faculdade de congregar, num único espaço, todos os sectores económicos à escala nacional, consagrando-se num lugar privilegiado de encontro para os empresários nacionais e estrangeiros.
A edição deste ano conta com a participação de 20 países estrangeiros e um total de 1.900 expositores, dos quais 1.600 são empresas nacionais e 250 estrangeiras. A 53ª edição da Feira Internacional de Maputo decorre até ao dia 3 de Setembro, nas instalações de Ricatla, distrito de Marracuene, província de Maputo, e está a ser visitada por várias pessoas.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/mercados/filipe_nyusi_incentiva_expositores_nacionais

Suspensão de importações de aves da África do Sul

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Quatro países vizinhos suspenderam as importações de aves da África do Sul, após um surto de um vírus altamente contagioso de gripe aviária.

Nesta terça-feira (276), a Namíbia foi o último dos países da região a banir os frangos – vivos, ou crus – da África do Sul. Na última semana, um surto de gripe do tipo H5N8 se espalhou por duas fazendas de aves do país.

Windhoek seguiu a tendência de Botswana, Zimbábue e Moçambique. A Zâmbia já havia parado de importar certos produtos aviários da África do Sul antes dessa crise.

 
Em um pronunciamento, o veterinário-chefe oficial da Namíbia, Adrianatus Maseke, confirmou a “suspensão da importação e do transporte de aves vivas, produtos aviários e ostras da África do Sul”.
As autoridades namibianas também suspenderam as importações da Bélgica, que relatou um surto de gripe aviária em fevereiro.

Para conter o surto, a África do Sul está abatendo milhares de aves e aplicou uma proibição nacional da venda de galinhas vivas. A cepa H5N8 se espalha rapidamente pelas fazendas atingidas.
Especialistas sul-africanos apontam que o vírus chegou à região após a migração de aves da Europa. Desde outubro passado, a gripe foi detectada em 15 países europeus, incluindo Reino Unido, França e Alemanha.

http://www.jornalfloripa.com.br/multimidia/site/?p=noticias_ver&id=74158

Farinha de trigo, arroz e os açúcares os alimentos mais importados por Angola

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Farinha de trigo, o arroz e os açúcares constituem os alimentos mais comprados por Angola no exterior e cuja quantidade adquirida no III trimestre de 2016 teve um ascendente comparativamente a 2015.

Segundo o Boletim Estatístico do terceiro trimestre do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), a quantidade de farinha de trigo importada em 2016 foi de 149.800,83 toneladas e registou um aumento de 43.821,34 toneladas relativamente ao ano 2015. Esta cifra corresponde a um crescimento na ordem dos 41, 35 porcento.

Já o arroz, o terceiro produto mais importado no III trimestre de 2016,atingiu 113.111,15 toneladas, um aumento de mais 27.910,50 toneladas comparativamente a 2015, ano em que foram compradas no exterior 85.200,50 toneladas.

Por sua vez, a importação de açúcar cifrou-se em 66 mil e 883 toneladas, isto é, mais 10 mil, 557 e 64 toneladas em relação ao período de 2015, período em que se registou uma compra de 85.200,50 toneladas, correspondente a uma variação de 18,174 porcento.

Além daqueles produtos alimentares, destaca-se também a importação de granito e outras pedras de cantaria, que registou um aumento considerável de 37.891,3 toneladas em relação ao mesmo período de 2016, o que representa um acrescimento na ordem do 14.718,5 porcento.

Outro aumento verificou-se na importação do milho (44,67 porcento) com as suas expressivas 8.832,82 toneladas.

Em contraste, outros produtos alimentares, como as carnes e miudezas, óleos de soja e farinha de cereais, apresentaram quebras. Em 2016, importou-se 48.055,36 toneladas contra 73. 656,92 toneladas de 2015 – uma redução de 25 mil e 601,56 toneladas.

Portugal, China e Coreia do Sul são os países que mais exportaram para Angola em 2016, mas as suas exportações caíram comparativamente a 2015. Por exemplo, de Portugal importou-se menos 70.130,49 toneladas, da China menos 133.025,06 toneladas e da Coreia do Sul uma diferença de 99.934,14 toneladas.

O continente que mais exportou para Angola foi a Europa (633.633,83 tons), seguido da Ásia (520.048,01 Toneladas) e da América (207.567,93 toneladas).

No geral, as importações de Angola em 2016 baixaram muito devido à situação da crise económica e financeira que o país atravessa desde finais de 2014.

 

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/economia/2017/2/13/Angola-Importacao-alimentos-cresce-significativamente-2016,a8fd8416-4434-4864-bcd6-ee31506c1fa9.html

África do Sul suspendeu importação de carne do Brasil

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Funcionários de portos de todo o país estão orientados a inspecionar todos os contêineres de carnes vindos do Brasil.

A África do Sul comunicou nesta quarta-feira (22) que suspendeu a importação de carne brasileira de empresas envolvidas na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. As informações foram confirmadas pelo Ministério da Agricultura.

De acordo com o Departamento de Agricultura da África do Sul, funcionários de portos de todo o país estão orientados a inspecionar todos os contêineres de carnes vindos do Brasil.

Em 2016, a África do Sul importou cerca de US$ 120 milhões em carnes do Brasil. Entre os produtos importados estão carne bovina, de frango e suína. O valor está bem abaixo dos principais importadores de carne do Brasil, como a China e Hong Kong, que no ano passado compraram o equivalente a US$ 1,75 bilhão e US$ 1,5 bilhão.

O G1 procurou a embaixada da África do Sul e o Ministério da Agricultura. Até as 12h, os órgãos não haviam enviado um posicionamento.

5745470_x720Países que suspenderam a importação

Além da África do Sul , restringiram oficialmente a importação de carne brasileira:

Principais importadores

Saiba quais são os principais compradores de carne brasileira, segundo o Ministério da Indústria e Comércio Exterior:

1) China – US$ 1,75 bilhão (13% do total)

2) Hong Kong – US$ 1,51 bilhão (11,2% do total

3) Arábia Saudita – US$ 1,27 bilhão (9,4% do total)

4) Rússia – US$ 1,03 bilhão (7,6% do total)

5) Japão – US$ 747 milhões (5,5% do total)

6) Países Baixos – US$ 715 milhões (5,3% do total)

7) Egito – US$ 690 milhões (5,1% do total)

8) Emirados Árabes Unidos – US$ 585 milhões (4,3% do total)

9) Chile – US$ 441 milhões (3,2% do total)

10) Reino Unido – US$ 389 milhões (2,9% do total)

A operação

Deflagrada pela Polícia Federal na semana passada, a Operação Carne Fraca investiga corrupção de fiscais do Ministério da Agricultura, suspeitos de receberem propina para liberar licenças de frigoríficos. Segundo a PF, partidos como o PP e o PMDB também teriam recebido propina.

Além de corrupção, a PF também apura a venda, pelos frigoríficos, de carne vencida ou estragada, dentro do Brasil e no exterior.

As investigações envolvem empresas como a JBS, que é dona de marcas como Friboi, Seara e Swift, e a BRF, dona da Sadia e Perdigão, além de frigoríficos menores, como Mastercarnes, Souza Ramos e Peccin, do Paraná, e Larissa, que tem unidades no Paraná e em São Paulo.

Na segunda, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, já havia anunciado a suspensão das exportações dos 21 frigoríficos investigados pela PF. Três deles fora interditados e pararam a produção. Os outros 18 podem continuar a vender dentro do Brasil.

O Ministério da Agricultura também afastou preventivamente os 33 servidores da pasta que são investigados na Operação Carne Fraca. Segundo o ministério, esses servidores vão responder a processo administrativo disciplinar.

http://g1.globo.com/economia/noticia/africa-do-sul-suspende-importacao-de-carne-brasileira-apos-operacao-da-pf-diz-agencia.ghtml

Produção de trigo na África do Sul muda o quadro de importações

trigo.jpgAs importações de trigo por parte da África do Sul deverão cair após uma recuperação na safra, com rendimentos “quase recordes”.

O Serviço de Análise Global de Safras do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê a safra 2016/17 para o país em 1,88 milhões de toneladas.

Este número representa um crescimento de 436.000 toneladas em relação ao último ano, decorrência de fortes rendimentos e de uma área plantada em crescimento. Desta forma, esta é a maior safra do país nos últimos cinco anos.

Aumento dos rendimentos

A produtividade da safra está estimada em 3,69 toneladas por hectare, o que o USDA atribui a “chuvas favoráveis e rendimentos quase recordes” na região do Cabo Ocidental, onde é cultivado mais de 90% do trigo.

Essa região é responsável por 57% da produção total de trigo na África do Sul.

Apesar das chuvas e do rendimento favoráveis, no entanto, a quantidade não indica uma colheita recorde.

Queda nas importações

Com um aumento na produção, embasado em estimativas locais da África do Sul, o fator também deve pesar sobre as importações.

As importações totais de trigo do país devem ficar em 1,5 milhões de toneladas nesta safra, sendo que no ano passado foram importadas 2 milhões de toneladas. De acordo com o USDA, este é o número mais baixo dos últimos 7 anos para as importações.

Tradução: Izadora Pimenta

https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/graos/186337-aumento-na-producao-de-trigo-da-africa-do-sul-deve-diminuir-importacoes-do-cereal-pelo-pais.html#.WJEWltQrI_4

A Pesca em Angola caminha para a autossuficiência

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O sector das Pescas está à beira de atingir e, em algumas áreas, superar os objectivos traçados para este ano, no quadro dos programas dirigidos, delineados pelo Executivo, para saída da crise financeira resultante da queda do preço do petróleo no mercado internacional. Mesmo com todas as adversidades, os diferentes actores, públicos e privados, deste subsector da economia, deram mostras de saber fazer nos domínios da extracção, captura, transformação e comercialização dos produtos de pesca.
 
Dados sobre o sector referentes ao período de Janeiro a Outubro, revelam que, em 10 meses, foram capturadas 416.621 toneladas de pescado, 61 por cento das quais resultantes da pesca artesanal e semi-industrial. Por aí se vê que, incluídos os números de Novembro e Dezembro, em relação às capturas de pescado é quase um dado adquirido que as metas previstas sejam alcançadas, senão mesmo ultrapassadas, como ocorreu em 2015, ano em que as capturas atingiram as 500.000 toneladas.
As metas anuais para o sector preconizadas no Programa Nacional de Desenvolvimento (PND 2013-2017), algumas das quais revistas nos programas dirigidos delineados pelo Executivo em Março deste ano, face à crise financeira, fixam as capturas de pescado em 484.000 toneladas. E tudo aponta para que até ao final do ano esta cifra venha a ser atingida, até porque em 2015 foram conseguidas 16.000 toneladas acima do previsto, mesmo em cima da crise.
 
 
No domínio da produção pesqueira, o sector registou uma variação positiva de cinco por cento, comparado com o período homólogo de 2015, apesar de a pesca industrial ter passado por uma variação negativa de 23 por cento, compensada, no entanto, por uma variação positiva de 39 por cento na pesca semi-industrial. A pesca artesanal marítima registou uma variação positiva de 52 por cento.
É com a tranquilidade de quem sabe que os indicadores apontam para a concretização das metas preconizadas que a ministra das Pescas, Victória de Barros Neto, veio a público afirmar que, apesar das dificuldades resultantes da conjuntura que o país atravessa, foi possível executar “de forma aceitável” os programas dirigidos para a produção do sal, da farinha e óleo de peixe e de captura de pescado e crustáceos.
Com bons resultados está, também, a indústria salineira, que supera, de longe, a produção do ano anterior, pelo menos no que se refere ao período análogo em análise, que vai de Janeiro a Outubro. Por essa altura do ano, em 2015, a produção de sal rondava as 35.000 toneladas, abaixo de metade das 71.100 toneladas registadas nos primeiros 10 meses de 2016, muito próximo do previsto para todo o ano nos programas dirigidos.
Para o sector das Pescas, o Executivo aprovou, em Março deste ano, cinco programas dirigidos, destinados ao aumento das capturas de pescado e crustáceos, da produção do sal, choupa (tilápia), farinha e óleo de peixe e ao fomento das exportações desses produtos, tendo em vista a captação de divisas, a redução das importações, a manutenção dos postos de trabalho e a estabilização dos preços no mercado nacional.
Para garantir a execução dos programas dirigidos, o BNA disponibilizou, entre Janeiro e Novembro, através dos bancos comerciais, 37 milhões de euros, para permitir às empresas do sector a aquisição de bens e serviços indispensáveis para o seu normal funcionamento.
Victória de Barros Neto reconhece que os bons resultados de que se fala hoje no sector, no meio da crise financeira que o país conhece, se devem, em grande parte, às medidas adoptadas pelo Banco Nacional de Angola que, face à escassez de divisas, dedica particular atenção a empresas com potencial para a redução das importações, incluindo as do ramo das Pescas.
 
Aquicultura
 
A piscicultura, onde se inclui a produção de choupas (tilápia), pede uma abordagem à parte. Incluída, também ela, nos programas dirigidos, este subsector das Pescas é relativamente novo no país, encontrando-se ainda em fase de estruturação, com todas as debilidades próprias de um processo que ensaia os primeiros passos. De todos os subsectores das Pescas, foi o que mais sofreu o embate da crise financeira que vem de 2014. A produção deste ano rondará as 500 toneladas, longe das cerca de 200.000 toneladas previstas.
Mal começaram a sentir-se os sinais da crise financeira, a maior parte das empresas importadoras de ração para a tilápia subiu os preços e quando esgotou as reservas disponíveis passou a queixar-se de dificuldades de acesso a divisas para novas aquisições, a partir de Israel, o principal fornecedor do país.
O problema da ração, por si só, explica as quedas de produção da tilápia, mas é preciso agregar-lhe um outro elemento para perceber as grandes disparidades nas estatísticas anuais. É que, de acordo com a Direcção Nacional da Aquicultura (DNA), alguns piscicultores não fornecem informações estatísticas ao Ministério das Pescas e os que o fazem nem sempre são regulares e exactos nos números.
As primeiras estatísticas oficiais sobre a piscicultura no país datam de 2013, ano em que foi apurada uma produção de 47 toneladas. Em 2014, a produção subiu para 305 toneladas para em 2015 passar para 872 toneladas e este ano baixar para quase metade das quantidades do ano transacto.
É para garantir um apoio institucional aos piscicultores que o Ministério das Pescas criou uma direcção nacional, a DNA, que controla actualmente pouco menos de 40 empresas. Mas há pequenas empresas familiares de aquicultura dispersas pelo país, que não estão inscritas no Ministério das Pescas e cuja produção não entra nas contas oficiais.
Atento à celeridade com que se consolida este subsector das Pescas, com benefícios notórios para as famílias e empreendedores e para fomentar a piscicultura à escala nacional, o Governo procedeu a um investimento sem precedentes no país. Trata-se do Centro Nacional de Larviculturana, localizado em Massangano, província do Cuanza Norte.
A infra-estrutura tem por finalidade produzir alevinos (larvas de peixe) para abastecer os aquicultores.
Dotado de tecnologia de última geração, o Centro Nacional de Larviculturana funciona como um laboratório específico de produção, onde são aplicadas tecnologias exclusivas que garantem a qualidade e a sobrevivência dos alevinos em todas as etapas de produção.
O Programa Dirigido para o Aumento da Produção e Promoção da Exportação da tilápia para o biénio 2016-2017 tem, entre outros, o objectivo de elevar para 30 mil toneladas a produção aquícola no país, até finais do próximo ano.
A estratégia do Executivo neste sector vai no sentido de transformar o país, a médio prazo, num exportador de choupa.
Dados da Direcção Nacional de Aquicultura indicam que, em 2015, Angola empregou mais de quatro milhões e trezentos mil dólares na compra dessa espécie no estrangeiro. Estudos recentes, destinados a determinar o potencial aquícola do país, concluíram que o país tem excelentes condições para esse tipo de actividade, excepto na província do Namibe, onde a escassez de recursos hídricos, por causa do deserto, dificulta a prática da aquiculcura.
 
Importações
 
Apesar de rica em recursos marinhos, Angola recorre a exportações para suprir o défice da indústria pesqueira nacional. Entre Janeiro e Novembro, o país importou 8.462,82 toneladas de produtos de pesca e derivados.
À primeira vista, a cifra parece elevada, mas se comparada com as 81.922,29 toneladas adquiridas em 2015, facilmente se percebe que o volume global de compras, este ano, baixou para 10,33 por cento.
Não na mesma proporção, mas bem próximo disso, o esforço financeiro dispendido, traduzido em 18.773.591 dólares, reduziu para pouco mais de 15 por cento, comparativamente a 2015, em que o volume das importações implicou gastos na ordem de mais de 121 milhões de dólares.
Se é verdade que a redução das importações se deve à escassez de divisas no mercado cambial, não é menos verdade que a relativa estabilização dos preços dos produtos de pesca resulta de uma bem sucedida estratégia de execução dos programas dirigidos no sector. A choupa é o produto de pesca mais importado, sendo a China o principal fornecedor. Entre Janeiro e Novembro, o país asiático vendeu a Angola, em 38 operações, 1.508,63 toneladas de tilápia. A lista das espécies importadas inclui ainda a corvina, a pescada, o carapau, a sardinha, o bagre e omakayabu, espécies muito utilizadas na gastronomia angolana.
Mas no rol dos produtos importados, nota-se, claramente, a presença de outros tantos, como pastéis de rissóis e filetes, perfeitamente ao alcance de investimentos locais. É por força desta constatação, que o Ministério das Pescas recomenda que seja realizado um estudo minucioso para a revisão da grelha de produtos de pesca importados.
Para a ministra das Pescas, é urgente aproveitar, até ao limite, os recursos marinhos do país, garantindo um aproveitamento integral das espécies, incluindo os chamados resíduos, que podem servir para o fabrico de ração animal. Em bom rigor, o caminho que Victória de Barros Neto aponta já começou a ser trilhado.
Em Maio, a própria ministra inaugurou uma fábrica de processamento de farinha e óleo de peixe, no município do Tômbwa, província do Namibe. O empreendimento, que esteve durante muitos anos paralisado, permite o aproveitamento das espécies ou parte delas consideradas impróprias para o consumo humano. De Maio a Novembro, a fábrica produziu 16,5 mil toneladas de farinha e 6.083.566 litros de óleo de peixe.
Quando, em Outubro deste ano, entra em funcionamento, em Luanda, uma moderna fábrica de processamento de pescado, com equipamentos tecnologicamente avançados para a produção de hambúrgueres, filetes e postas de peixe, a ministra saudou a iniciativa e fez elogios ao grupo empresarial Diside, responsável pelo projecto.
A fábrica Solmar, com capacidade de processamento de 15 toneladas de pescado por dia, fica na rua dos Pescadores, em Cacuaco. Para além da congelação, limpeza e corte de peixe em filetes e postas, através de duas linhas de processamento, a unidade fabril tem outras valências, como a valorização de espécies com baixa importância económica. O novo “ex-líbris” do sector das Pescas no país, parafraseando Higino Carneiro, o governador de Luanda, junta-se aos grandes exportadores de produtos do mar, onde despontam empresas como a Star One-Comércio Geral Limitada, a Zhara Comércio, a Sundeep Angola, Ndad Nova Ditribuidora e a Kiatemua.
Apesar de importar, Angola também exporta produtos de pesca, sobretudo crustáceos, farinha e óleo de peixe. Este ano, a comercialização de produtos do mar, dentro dos circuitos oficiais, rendeu ao país mais de 30 milhões de dólares. Os principais destinos das exportações são a África do Sul, a República Democrática do Congo, a Namíbia, Espanha, Chile, Peru, Coreia do Sul e Arábia Saudita. Entre as principais espécies comercializadas, este ano, destacam-se a espada com mais de quatro mil toneladas, a sardinha acima das 13 mil toneladas e a corvina com 840 toneladas.
 
Novas metas
 
Há uma semana, em Conselho Consultivo Alargado, o Ministério das Pescas anunciou novos investimentos no sector. Foi tornado público que está em curso um projecto no valor de 3,7 milhões de dólares. destinado à aquisição de uma embarcação de pesca industrial para aumentar a capacidade de captura e proporcionar outras mais-valias ao sector pesqueiro. Para além disso, o departamento ministerial tem em cima da mesa 47 propostas de investimentos, feitas através da Unidade Técnica de Apoio ao Investimento Privado (UTIP) no valor de 135 milhões de dólares. Sete desses projectos já foram encaminhados para bancos comerciais com visto para financiamento.
Estes novos investimentos juntam-se a outros, já em curso, como a construção do porto pesqueiro do Tômbwa (Namibe), a reabilitação da ponte cais de carvão, a doca flutuante, a construção de lotas em Benguela, Luanda e Tômbwa, a construção de entrepostos frigoríficos no Tômbwa e Cuanza Sul, a construção de quatro centros de salga e seca, dois no Tômbwa e igual número no Cacuaco, a construção da fábrica de conservas no Namibe, a construção do Centro de maricultura em Luanda e a reabilitação de 10 centros de apoio à pesca artesanal.
É olhando para esses investimentos que Victória de Barros Neto garante que, no ano que vem, o sector das pescas deve aumentar o seu contributo no Produto Interno Bruto (PIB).
 
 

Importação de alimentos prejudica África

 

Fotografia: JAIMAGENS.COM

A África gasta anualmente 35 bilhões de dólares para importar alimentos que, se fossem produzidos no continente, podiam criar vários postos de trabalho na agricultura.

 

O pensamento foi exteriorizado pelo presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Kanayo Nwanze, quando discursava na sexta conferência internacional sobre o desenvolvimento africano, que terminou ontem em Nairobi, capital do Quênia.
Kanayo Nwanze apresentou no evento uma mensagem destinada a todos os líderes africanos, onde considera que as oportunidades para a prosperidade no continente são enormes, mas, na sua opinião, os investimentos precisam de ser redirecionados para o sector agrícola.
O continente africano tem 25 por cento das terras aráveis do planeta. A África gera apenas 10 por cento da produção agrícola mundial. Para o responsável do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, os líderes africanos estão a falhar com a população por causa dos investimentos débeis na agricultura e infra-estruturas e pela falta de política de apoio ao sector.
A conferência é organizada anualmente pelo Japão, com o objectivo de promover o diálogo entre os líderes africanos e os seus parceiros. Pela primeira vez, a reunião é realizada no continente africano.

Aumento do desemprego

O continente africano é a segunda região do Mundo que mais rapidamente cresce. Mesmo assim, mais de 300 milhões de africanos vivem abaixo da linha da pobreza, a maioria em áreas rurais. As taxas de desemprego chegam aos 40 por cento.
Para Kanayo Nwanze, o crescimento econômico em África não está a ser traduzido em combate à pobreza, além de que os africanos precisam de oportunidades e não de ajudas. O Japão é um membro fundador do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, cujo objectivo está concentrado no combate à pobreza, no aumento da segurança alimentar, na melhoria da nutrição e no fortalecimento da sustentabilidade.

Agricultura orgânica

Produtores e comerciantes de produtos orgânicos em África estão a sofrer com a falta de financiamento, revela a Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento CNUCED).
Em 16 países, 23 por cento dos agricultores e exportadores acreditam que o acesso ao crédito ficou mais restrito nos últimos cinco anos e, para 64 por cento, a situação não melhora.  Na África Oriental, as exportações de produtos orgânicos passaram de 4,6 milhões de dólares em 2003 para 35 milhões em 2010. As colheitas em países como o Burundi, Quénia, Ruanda, Uganda e Tanzânia aumentaram.
Um relatório da Conferência para o Comércio e Desenvolvimento indica que são necessários investimentos para que os agricultores possam certificar os seus produtos como orgânicos, organizarem-se em grupos de produção e investir em marketing e na compra de equipamentos.
A agência especializada da ONU revela que o financiamento para o sector agrícola em África tem sido mais baixo nos últimos anos. A variação do preço relativo dos produtos também é muito ampla. No caso dos produtos orgânicos, a diferença de preço pode ser entre 10 por cento e 100 por cento maior do que a dos alimentos convencionais. A CNUCED constata que as exportações de café e de cacau orgânicos são as que mais  beneficiam do financiamento em África, mas existe um enorme potencial de exportação de colheitas orgânicas de ananás, manga, banana e até de batata.
A falta de garantias de crédito e a capacidade insuficiente dos bancos de integrar os detalhes da agricultura orgânica nos seus planos de financiamento são obstáculos para agricultores e exportadores africanos.
Diante da situação, a CNUCED defende fortemente um esforço coordenado para melhorar a recolha de dados entre valores domésticos e internacionais de produtos orgânicos africanos, para que um melhor plano de negócios possa ser criado no continente africano.

http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/importacao_de_alimentos_prejudica_africa