Confirmado , João Lourenço é o novo Presidente de Angola

João Lourenço é o novo Presidente de Angola. Os resultados finais das eleições gerais de 23 de agosto foram divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE). Confirmam João Lourenço como novo Presidente de Angola com 61% dos votos alcançados pelo MPLA.

Em conferência de imprensa o presidente da CNE angolana divulgou os resultados definitivos das eleições gerais. Bornito de Sousa será o novo vice-Presidente da República.

O MPLA venceu com mais de 4,1 milhões de votos e conseguiu 150 deputados – maioria qualificada – na Assembleia Nacional, que conta com 220 assentos. Menos 25 do que nas eleições de 2012.

A UNITA é a segunda força política mais votada, com 26,67% dos votos e mais de 1,81 milhões de votos. Garantiu 51 deputados.

A coligação de partidos Convergência Ampla de Salvação de Angola-Coligação Eleitoral (CASA-CE) obteve 643,9 mil votos, o que corresponde a 9,44% da votação global e 16 assentos na Assembleia Nacional. Nas eleições de 2012, a CASA-CE tinha conseguido apenas oito mandatos.

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O Partido da Renovação Social (PRS) alcançou 92,2 mil votos (1,35%), elegendo dois deputados, enquanto a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) conseguiu 63,6 mil votos (0,9%) e elegeu um parlamentar.

A Aliança Patriótica Nacional (APN) reuniu 34,9 mil votos, ficando sem representação parlamentar.

De acordo com a Constituição angolana, o cabeça de lista do partido mais votado em eleições gerais é automaticamente nomeado Presidente da República.

Desta forma, João Lourenço sucede a José Eduardo dos Santos, que liderava o país desde 1979.Quem é João Lourenço, o novo Presidente de Angola
O general João Lourenço, ex-ministro da Defesa angolano, é um militar na reserva que gosta de xadrez e de andar a cavalo.

É casado e pai de seis filhos. De acordo com a biografia oficial no Ministério da Defesa, fala, além de português, inglês, russo e espanhol.

Tem formação em artilharia pesada, exerceu as funções de comissário político das FAPLA, o antigo exército do MPLA, e entre 1991 e 1998 foi secretário do Bureau Politico para a informação.

João Lourenço chegou a chefe da bancada parlamentar do MPLA e entre 1998 e 2003 desempenhou as funções de secretário-geral do MPLA e de presidente da Comissão Constitucional.

Demonstrou nessa altura disponibilidade para concorrer à liderança do partido, depois de José Eduardo dos Santos ter admitido a saída, passando então, até 2014, para as funções de primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional, mudança que foi conotada publicamente com uma travessia no deserto, por ter assumido a vontade de avançar com a candidatura.

Nascido a 05 de março de 1954 na cidade do Lobito, província de Benguela, João Lourenço formou-se, militarmente, na antiga União Soviética, entre 1978 e 1982, de onde trouxe igualmente uma formação superior em Ciências Históricas.

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Numa entrevista à agência de notícias EFE após as eleições, João Lourenço prometeu ser reformador, ao estilo Deng Xiaoping, rejeitando a classificação de “Gorbachev angolano”, por suceder à prolongada liderança de José Eduardo dos Santos.

“Reformador? Vamos trabalhar para isso, mas certamente não Gorbachev, Deng Xiaoping, sim”, afirmou João Lourenço, militar formado na União Soviética.

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Deng Xiaoping foi secretário-geral do Partido Comunista Chinês e líder político da República Popular da China entre 1978 e 1992, tendo criado o designado socialismo de mercado, regime vigente na China moderna e que posteriormente foi adaptado MPLA para Angola.

Tal como na campanha eleitoral, João Lourenço relativizou a convivência com José Eduardo dos Santos como presidente do MPLA: “O Presidente Dos Santos é uma personalidade muito respeitada, tanto dentro do partido como por um conjunto da sociedade e não é anormal que o presidente do partido no poder não seja ele próprio o Presidente da República. Apenas para citar um caso, Donald Trump é o Presidente dos Estados Unidos mas não do Partido Republicano”, afirmou.João Lourenço garante abertura ao diálogoO futuro Presidente de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, assegurou hoje “abertura ao diálogo permanente com as demais forças políticas do país”, propondo-se ainda “incentivar e praticar ambiente de concórdia” para o engrandecimento de Angola.

“Aos líderes dos demais partidos concorrentes gostaria de manifestar também os nossos agradecimentos pela sua participação no processo eleitoral, manifestar a nossa abertura para o diálogo permanente nas instituições, desde que isso concorra para o engrandecimento do nosso país”, disse João Lourenço, na sua primeira declaração após o anúncio dos resultados das eleições gerais de 23 de agosto, da qual saiu vencedor o MPLA, com 61,07% dos votos.

João Lourenço convidou as forças concorrentes a juntarem-se à cerimónia de investidura. “Para a qual seguramente estão, à partida, convidados, o que contribuirá para este ambiente de concórdia que nos propusemos incentivar e praticar”, referiu.

O terceiro Presidente da República de Angola, em 42 anos de independência, considerou ainda que com este desfecho das eleições, “a vitória não é apenas do MPLA”, mas “de todo o povo angolano”, para quem prometeu “trabalhar com dedicação e total entrega”.

“Convido assim todos os angolanos a darem a mão e comemorarem, em conjunto, de forma efusiva, alegre e entusiasta esta vitória, sem excessos e dentro do respeito ao próximo e apelamos as autoridades que desencorajem qualquer ato de intolerância política, que eventualmente possa surgir em qualquer parte do território nacional”, apelou.

João Manuel Gonçalves Lourenço, que terá como vice-presidente, Bornito Baltazar Diogo de Sousa, garantiu ainda na sua comunicação que o próximo Governo vai trabalhar no sentido de “afastar as práticas e comportamentos reprováveis”, que “provavelmente estarão na base de tanta abstenção”.

Estas eleições, assinalou, “decorreram dentro dos padrões internacionais, num clima de paz e harmonia, salvo alguns casos prontamente identificados, condenados e repudiados pela sociedade”, tendo os observadores internacionais declarado “por sua honra que as eleições foram livres e justas e que tiveram um alto nível de organização”.

O recém-eleito Presidente da República de Angola criticou ainda a onda de contestações, sobretudo dos partidos concorrentes, em torno dos resultados que, à partida, davam já vitória ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), face aos dados provisórios divulgados anteriormente pela CNE.

“A tentativa de incitação à desobediência civil só vem demonstrar que essas forças políticas não respeitam a vontade popular expressa nas urnas, porque entendem haver formas ilegais de anular essa mesma vontade popular e desta forma constituir o tão propalado Governo Inclusivo e Participativo, mas que no caso concreto o povo não sufragou”, apontou.

Ou ainda, “qual cabula malfeita, enveredar pela chamada geringonça, que terá acontecido em outras paragens, onde o povo não deu 61% dos votos válidos, nenhuma maioria qualificada de mais de dois terços a nenhum dos concorrentes”, disse, referindo ao acordo de Governo em Portugal

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/joao-lourenco-confirmado-novo-presidente-de-angola_n1025469

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As eleições em Angola, de 23 de Agosto estão sendo apuradas, com muita reclamação da oposição

20170825081630mapahojeHá dúvidas sobre o processo eleitoral em Angola, se a contagem de votos  terminará em clima de tranquilidade. O Governo de Angola está sob controle do mesmo partido politico desde a independência em 1975, e apresenta sinais evidentes de uma governabilidade insuficiente para dar conta dos problemas complexos, ao mesmo tempo que não combate a corrupção.
É verdade que a realidade africana, como provam os fatos e as estatísticas, as transições políticas têm sido na maioria dos casos dolorosas, algumas vezes sangrentas e com sequelas difíceis de reparar.
Na verdade, desde as independências africanas, nos anos 60 do século passado, não se conhecem muitos casos de transição política traduzidos na mudança de liderança, com sucessão ou continuidade, e que se materializaram pacificamente.
Trata-se de uma realidade inegável na medida em que, inclusive nalgumas democracias africanas, nem sempre tem sido segura e tranquila a transição política produzida mesmo por via das urnas.

A oposição angolana está denunciando os resultados parciais foram divulgados como se fossem os resultados finais do processo eleitoral.

cneA Comissão Nacional Eleitoral (CNE) já tem os resultados definitivos de 11 das 18 províncias, de acordo com declarações prestadas ontem à imprensa pela sua porta-voz, Júlia Ferreira. Trata-se dos resultados das províncias do Bengo, Benguela, Cabinda, Cuando-Cubango, Cunene, Huíla, Kwanza-Norte, Kwanza-Sul, Luanda, Moxico e Zaire.

Entretanto, a oposição reclama que as províncias do Bengo, Bié, Kuando-Kubango, Cunene, Huambo, Kwanza-Sul, Luanda, Lunda-Norte, Lunda-Sul, Malanje e Moxico não realizaram até à data o apuramento dos resultados, conforme estipulado pela lei. Entretanto, as respectivas Comissões Provinciais Eleitorais (CPE) deram por concluído o trabalho, mas os comissários indicados pelos principais partidos da oposição recusam-se a assinar as actas nessas províncias, pelo que não certificam os resultados.

Na província da Huíla, a oposição nota que o escrutínio foi realizado “com muitas irregularidades. Não foi bem feito”, e alguns comissários também se recusam a assinar a acta de certificação dos resultados.

Por sua vez, no Namibe, o escrutínio foi realizado de forma parcial e, por isso, também aqui a certificação dos resultados não encontrou acolhimento pela oposição.

A UNITA acusa a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de continuar a criar obstáculos ao apuramento dos votos das eleições de 23 de Agosto, conforme o estipulado na lei.

Na sua reclamação à CNE, a UNITA acusou este órgão eleitoral de ter produzido e anunciado os resultados provisórios que, inicialmente, conferiam a vitória do MPLA com 64.57% dos votos, “fora do previsto na Lei Orgânica sobre as Eleições Gerais (Lei nº 36/11, de 21 de Dezembro)”

CLIMA DAS ELEIÇÕES É APARENTEMENTE TRANQUILO

20170830081145climaestavelO ministro do Interior, Ângelo de Barros da Veiga Tavares, disse ontem, em Luanda, que a situação de segurança pública no país é calma, apesar do clima de contestação dos resultados eleitorais por parte de alguns partidos da oposição.

o ministro apelou à população para se manter calma e pediu aos cidadãos para desvalorizarem informações postas a circular nas redes sociais sobre o pleito eleitoral. Ângelo da Veiga Tavares disse ser importante que se aguarde com serenidade a publicação dos resultados finais das eleições por parte da CNE.
Ângelo da Veiga Tavares considerou que o trabalho das comissões provinciais eleitorais é eminentemente técnico e pediu aos técnicos da CNE para resistirem à pressão e carga exercida sobre eles pela sociedade, que concluam o trabalho e apresentem os resultados definitivos para o conhecimento da sociedade.

“Com a mesma serenidade que acompanhamos o processo eleitoral, vamos continuar a acompanhar o processo de forma serena, esperando que os intervenientes procurem cumprir  àquilo que juraram perante o povo angolano”, disse.

O ministro informou que se reuniu com a direção da UNITA, a quem havia notificado  sobre alguns posicionamentos públicos menos corretos, e recebeu da direção deste partido político garantias de que, quaisquer que sejam os resultados, saberão cumprir com base na lei e com todos os procedimentos que tiverem que observar.
Ângelo da Veiga Tavares disse que, nesse encontro, a direção da UNITA apresentou algumas questões menos verdadeiras que chegaram ao conhecimento do partido do “Galo Negro”, pelo que foi aconselhado pela direção do Minint a manter-se  sereno em relação à gestão de informações falsas que chegam ao seu conhecimento.

 

Gâmbia pode ser exemplo pela saída da crise política pela persuasão

_92810623_afp_barrowA crise pós-eleitoral na Gâmbia, que terminou da melhor forma possível, sem mortes e com o exílio, na Guiné Equatorial, do antigo Presidente Yahya Jammeh,  parece inaugurar uma nova era na forma de os africanos resolverem os problemas do continente.

Após reiteradas recusas, Yahya Jammeh finalmente aceitou ceder o poder ao Presidente Adama Barrow, evitando um banho de sangue e a entrada no pequeno país de quase dois milhões de habitantes encravado no Senegal de uma força regional para o “convencer” a abandonar a Presidência da Gâmbia.
Yahya Jammeh alega que saiu “de sã consciência e sem pressões”, mas foi a dissuasão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), com aval da União Africana e da ONU, que o levou a deixar o poder após 22 anos de uma governação iniciada com um golpe de Estado.
Para alguns autores, a dissuasão é definida como o receio de uma individualidade ou colectividade sofrer danos em consequência da ação que pretendia levar a efeito.
Para outros, significa persuadir um adversário a não iniciar uma ação específica em virtude dos benefícios percebidos não justificarem os custos e riscos estimados.
A CEDEAO convenceu Yahya Jammeh que continuar a governar sem o aval do povo gambiano resultava para si num dano muito maior do que largar o poder para Adama Barrow, eleito em eleições presidenciais consideradas livres, justas e transparentes pela União Africana e a comunidade internacional.
Para tal, o bloco regional da África Ocidental utilizou o argumento da dissuasão, cuja chave reside na capacidade de represálias e desta reduzir a represália do adversário.
CEDEAO, União Africana e ONU saem reforçadas da crise pós-eleitoral da Gâmbia, inauguram um precedente e adotam um paradigma que envia um recado a líderes africanos sedentos de poder, o de que não vão mais tolerar que líderes depostos pela vontade do povo manifestada nas urnas governem à revelia da soberania popular.
Ao apoiar prontamente a iniciativa da CEDEAO, a ONU e a União Africana privilegiaram uma diplomacia preventiva mais atuante, destinada a evitar o conflito.
Mas é necessário que a prontidão usada na Gâmbia – cujo Presidente foi dissuadido com 200 soldados nigerianos, aviões do Senegal, cargueiros, um helicóptero e um avião de vigilância e de reconhecimento – seja a mesma em situações idênticas em países mais fortes.
Dito de outro modo, é crucial que CEDEAO, ONU e União Africana não adoptem uma política de dois pesos e duas medidas, sendo forte com os Estados fracos e fracos com os Estados fortes.
A actuação da CEDEAO, das Nações Unidas e da União Africana na crise na Gâmbia foi positiva, mas é necessário que actuem da mesma maneira em casos semelhantes em Estados mais fortes, para não perderem a credibilidade que agora conseguiram granjear.

À espera de Adama Barrow

A Gâmbia esperava ontem a chegada do novo Chefe de Estado,  Adama Barrow, após a partida forçada ao exílio do seu antecessor, Yahya Jammeh.
Na capital gambiana, Banjul, as manifestações espontâneas de alegria para festejar a partida de Yahya Jammeh deram lugar a um sentimento de tranquilidade, segundo a agência de notícias France Press.
Num comunicado conjunto, divulgado pouco depois de Yahya Jammeh abandonar o país, a CEDEAO, a União Africana e as Nações Unidas prometeram defender os direitos do antigo presidente, incluindo a possibilidade de regressar a Gâmbia, e declararam o fim da intervenção.
As três organizações saudaram “a boa vontade” de Yahya Jammeh “para conquistar uma saída pacífica à crise”, e referem que as forças militares da CEDEAO “ficam no país pelo tempo necessário” para garantir a segurança do regresso à Gâmbia do Presidente Adama Barrow.
Na manhã de domingo, soldados senegaleses da CEDEAO entraram na Gâmbia e foram recebidos com alegria pela população e por militares, noticiou a France Press.

Apoio de António Guterres

O Secretário-Geral da ONU afirmou no sábado que “o Estado de direito prevaleceu na Gâmbia”.
Numa mensagem divulgada no Twitter, António Guterres saudou a liderança africana “pelo sucesso em restaurar a democracia na Gâmbia”, dois dias depois de ligar para o Presidente Adama Barrow e felicitá-lo pela tomada de posse.
Na conversa ao telefone, António Guterres elogiou a determinação de Adama Barrow e o que chamou de “histórica decisão da CEDEAO para honrar e respeitar a vontade do povo gambiano”.
O Secretário-Geral da ONU manifestou a disponibilidade das Nações Unidas apoiar o novo Presidente gambiano nos esforços de promover democracia e o desenvolvimento sustentável no país.
O chefe do Escritório da ONU na África Ocidental e no Sahel, Mohammed Ibn Chambas, está na Gâmbia, ao lado de outros líderes regionais, para encontrar uma solução para a questão da transição.
Dados da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) indicam que mais de 45.000 pessoas fugiram da Gâmbia desde o início de Janeiro, a maioria rumo ao Senegal, devido a crise pós-eleitoral, que durou seis semanas.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/dissuasao_evitou_banho_de_sangue_na_gambia

Presidente eleito da Gâmbia toma posse no Senegal

O PRESIDENTE eleito da Gâmbia, Adama Barrow, disse hoje, quinta-feira, que vai assumir o cargo de Presidente da República na embaixada da Gâmbia na capital senegalesa, Dakar, às 16.00 (hora local).

Barrow encontra-se desde semana passada em Dakar, onde se deslocou para consultas junto de Chefes de Estado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), organização que medeia a crise gambiana.

Numa mensagem postada na sua conta no Twitter, Barrow disse: “Meus queridos Gambianos, a presidência de Yahya Jammeh está oficialmente terminada. A nova era da Gâmbia finalmente chegou. Todos vocês são bem-vindos à minha tomada de posse hoje às 16 horas na Embaixada Gambiana, em Dakar”.

Relatos anteriores sugeriam que ele iria tomar posse num local indeterminado na Gâmbia.

Estes novos desenvolvimentos seguem-se ao fracasso das negociações de última hora para persuadir o Presidente derrotado, Yahya Jammeh, a demitir-se. O prazo terminou sem que Jammeh deixasse o poder.

Como sinal de crescente isolamento, o ainda homem forte de Gâmbia tem assistido ao abandono de figuras-chave do governo e do seu círculo mais próximo.

A vice-presidente da Gâmbia, Isatou Njie-Saidy, renunciou ontem, horas antes de expirar o mandato do Presidente Jammeh, informou a agência de notícias AFP, citando fontes familiares.

O ministro do Meio Ambiente e do Ensino Superior também renunciou, o último de uma série de membros do Executivo a abandonar Jammeh, após a sua recusa em deixar o cargo.

O advogado de Jammeh fugiu para o Senegal depois de escrever uma carta pedindo-lhe para abandonar o poder, segundo notícias do jornal Premium Times da Nigéria.

Edu Gomez disse que trabalhou para Jammeh sob “tremenda pressão e coerção”, relata o jornal, que cita a carta do advogado, na qual diz: “Na terça-feira, 17 de Janeiro de 2017, eu e o meu filho tomámos uma decisão crucial de procurar um santuário na República do Senegal. Isso foi considerado necessário devido ao crescente medo e tensão”.

Um correspondente da BBC na capital, Banjul, relata que a situação está estranhamente silenciosa e que tudo está parado; as pessoas mantém-se dentro de casa, com receio de serem apanhadas no meio de confusão, na sequência do estado de emergência decretado quarta-feira por Jammeh.

As forças militares da África Ocidental estão preparadas para entrar no país a fim de imporem a transferência do poder.

Relatos não confirmados dão conta de que as tropas do Senegal já atravessaram a fronteira para garantirem um número de cidades, com a ajuda de soldados gambianos.

Jammeh – que está no poder há mais de duas décadas – contesta o resultado das eleições

http://jornalnoticias.co.mz/index.php/internacional/64602-presidente-eleito-da-gambia-toma-posse-no-senegal.html

O medo da intervenção militar na Gâmbia

Especialista acredita num período confuso a partir do dia 19.01, data marcada para Yahya Jammeh deixar o poder.

Gambia Wahlen Yahya Jammeh (Reuters/C. Garcia Ralins)

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) pondera a possibilidade de intervenção militar, segundo agências internacionais. Esta terça-feira, o Presidente Yahya Jammeh decretou estado de emergência e falou numa “ingerência estrangeira”, o que aumenta o temor de um intervenção militar no país.

Antes disso, Alex Vines, especialista em África do Instituto Real de Relações Internacionais de Londres, já previa “um período confuso após o dia 19 de janeiro”, quando ocorre a cerimónia de posse do Presidente gambiano eleito.

O especialista diz que Jammeh, há 22 anos no poder, e os seus apoiantes consideram que o Presidente “deva permanecer no cargo até a decisão da Suprema Corte sobre seu pedido” de anulação das eleições de 1 de dezembro. “O que significa que teremos uma oposição entre os apoiadores de Jammeh e os adeptos de Adama Barrow”, acrescenta Alex Vines.

Além disso, o especialista acredita que “a curto prazo surgirão mais esforços para mediação”. De facto, ministros já renunciaram ao Governo do Presidente Yahya Jammeh, de acordo com a televisão estatal da Gâmbia e a situação política permanece tensa, à medida em que cresce a incerteza sobre o futuro da liderança do país.

Anulação das eleições

defaultO Presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, recebeu o seu homólogo nigeriano a 13 de dezembro, para dialogar sobre a crise

Adama Barrow deverá assumir o poder a 19 de janeiro. Mas o Presidente cessante espera que a Suprema Corte considere a petição que o seu partido apresentou, rejeitando a vitória de seu opositor e pedindo a anulação legal das eleições de 1 de dezembro com a realização de novas eleições.

Na semana passada, chefes de Estado da CEDEAO visitaram a Gâmbia para tentar persuadir Jammeh a deixar o cargo, mas o intento falhou.

Por causa da crise, centenas de gambianos já começaram a abandonar o país em direção ao Senegal e à Guiné-Bissau. Também Adama Barrow, a quem o chefe de Estado cessante recusa ceder o poder, foi acolhido no último domingo (15.01) pelas autoridades senegalesas.

“O Senegal tem contribuído muito para a pluralidade política e tem um histórico de pobres relações com a Gâmbia e, particularmente, com Yahya Jammeh. Por isso, penso não ser coincidência o Presidente eleito da Gâmbia, Adama Barrow, ser agora acolhido no Senegal”, explicou Vines, especialista em África do Instituto Real de Relações Internacionais de Londres.

Insatisfação na Gâmbia

O medo da intervenção militar na Gâmbia

Muitos gambianos declaram-se insatisfeitos e já começaram a deixar o país rumo ao Senegal, temendo, inclusive, a perseguição política, a exemplo do co-fundador do movimento “A Gambia já decidiu” (#Gambiahasdecided), o advogado Salieu Taal.

“O ex-Presidente Jammeh não tem poder, é um cidadão como qualquer outro; não possui status especial diante da corte. Ele tem se negado a aceitar a vontade do povo da Gâmbia”, disse Taal em entrevista à DW.

http://www.dw.com/pt-002/o-medo-da-interven%C3%A7%C3%A3o-militar-na-g%C3%A2mbia/a-37168702

Gâmbia: Presidente Yahya Jammeh denuncia ingerência externa

Banjul- O Presidente gambiano, Yahya Jammeh, denunciou terça-feira, em Banjul, as “ingerências estrangeiras sem precedentes” no seu país, e apelou à uma solução pacífica do contencioso eleitoral que tem com a oposição.

jammeh
PRESIDENTE DA GÂMBIA, YAHYA JAMMEHFOTO:
A declaração do Presidente gambiano surge algumas horas depois de o Tribunal Supremo ter se declarado incompetente para decidir sobre o seu pedido para apreciar a questão da fraude eleitoral.

Jammeh é de opinião que os gambianos podem reunir-se para encontrar uma solução, sem ingerência estrangeira.

Saliente-se que o Tribunal Supremo considerou impossível, em pouco tempo, apreciar os recursos Presidente sobre a sua derrota eleitoral, antes de recrutar os juízes que faltam.

A alta instância judicial defendeu, ao mesmo tempo, uma solução negociada com o Presidente eleito, Adama Barrow.

A decisão do Tribunal Supremo intervêm pouco antes da ida sexta-feira, à Gâmbia, de uma missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), para convencer Yahaya Jammeh a ceder o poder no dia 19 de Janeiro.

A Gâmbia atravessa uma crise política, desde que Yahya Jammet anunciou, no dia 9 de Dezembro de 2016, não reconhecer mais os resultados da eleição presidencial do dia 01 do mesmo mês, depois de reconhecer a sua derrota, e felicitar Adama Barrow, pela sua vitória.

Desde então, o mesmo tem sido alvo de pressões da CEDEAO e da União Africana (UA), instando-o a entregar o poder no dia 19 de Janeiro, dia do fim do seu mandato

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/0/2/Gambia-Presidente-Yahya-Jammeh-denuncia-ingerencia-externa,db780029-5e74-460a-8bf2-3fc5c75374bf.html

MPLA promove ampla campanha de mobilização para as eleições em Angola

Domingos Mucuta | Lubango

Fotografia: Arimateia Baptista | Lubango – Edições Novembro

Uma ampla campanha de sensibilização porta-a-porta, sob o lema “Jovens, todos ao registo”, decorre na província da Huíla, para a mobilização de 600 mil cidadãos em idade eleitoral, numa iniciativa das direcções provinciais da Juventude e Desportos e dos Registros.

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A campanha, que conta com mobilizadores das associações cívicas juvenis e jovens filiados no Conselho Provincial da Juventude, arrancou esta semana, antecedida de palestras de esclarecimento sobre o andamento do processo eleitoral na região.
O director provincial da Juventude e Desportos, Joaquim Tyova, disse que o lançamento da campanha de sensibilização da juventude para o registo eleitoral é a manifestação do compromisso dos jovens da província aos ideais da paz e da democracia e uma forma de exaltação dos valores cívicos e patrióticos.

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Joaquim Tyova disse que a campanha decorre em toda a extensão da província da Huíla, onde os promotores preveem mobilizar em média sete mil eleitores por município. Realçou que os municípios do Lubango, Matala e Caluquembe vão concentrar maior atenção dos mobilizadores por serem as principais praças eleitorais da província.
Aos chefes de secção, líderes juvenis e membros das associações do Conselho Provincial da Juventude pediu maior engajamento no processo eleitoral, com vista à materialização das metas preconizadas.

A província da Huíla conta nesta segunda fase do registro eleitoral com 46 brigadas e 368 brigadistas.

Maioria qualificada

O primeiro secretário do comité provincial do MPLA na Huíla declarou ontem, que para a obtenção de maioria qualificada nas eleições agendadas para este ano, os responsáveis do partido devem ir ao encontro do eleitorado para esclarecer sobre as linhas de força do projeto de governação do partido para o quinquênio 2017-2022.
“Se quisermos ganhar as eleições com maioria qualificada, devemos ir ao encontro do eleitorado, apresentando e esclarecendo à população sobre as linhas de força do projecto de governação do MPLA para o período de 2017-2022”, afirmou João Marcelino Tyipinge, na abertura da sessão ordinária do partido, que balanceou as actividades do Governo durante o último trimestre de 2016 e definiu a estratégia para a campanha eleitoral.
A reunião foi testemunhada pelo coordenador do grupo de acompanhamento à província da Huíla, Eduardo Nelumba.
João Marcelino Tyipinge disse que quer os responsáveis do partido fora dos gabinetes, a trabalharem de forma afincada  para a campanha eleitoral que se avizinha. “Os dirigentes do partido a todos os níveis devem empenhar-se na divulgação da estratégia eleitoral do MPLA e no devido momento do nome e da imagem do cabeça de lista do partido às eleições.”  Lembrou que, para a pré-campanha eleitoral já lançada, é necessário envolver todos os militantes, simpatizantes e amigos com vista à mobilização dos cidadãos para apoiarem o projeto eleitoral do partido.
João Marcelino Tyipinge disse ainda que o objectivo lançado pelo líder do MPLA de ganhar as eleições, com maioria qualificada ou no mínimo com maioria absoluta, está ao alcance do partido maioritário na província, mediante “disciplina, união e coesão de todos em torno do candidato e cabeça de lista para as eleições gerais.”
A província da Huíla é considerada a segunda praça eleitoral do país, onde em 2012 o partido ganhou com maioria absoluta, obtendo cinco deputados, recordou o político, acrescentando que a vitória retumbante nas eleições passadas foi resultado do árduo trabalho realizado naquele período.
“Por isso, não podemos descansar. Temos a responsabilidade acrescida por estarmos na província com um número muito elevado de eleitores e com influência forte na eleição dos deputados do ciclo da província como do nacional. Devemos repetir os resultados das eleições passadas”, afirmou, reforçando o apelo para uma maior atenção ao município do Lubango.
O primeiro secretário lançou também um grande desafio aos membros do comité provincial e aos militantes do partido para mobilizarem os jovens em idade eleitoral para aderirem ao processo de atualização dos dados e ao registo pela primeira vez.
A província da Huíla actualizou na primeira fase do  468.287 registos. O MPLA na região conta com 516.384 militantes, dos quais 267.364 mulheres, enquadrados em 288 comités de acção. Nos últimos tempos, foi registado o ingresso nas fileiras do partido de 1.217 novos militantes provenientes de outras formações políticas.

CASA-CE incentiva processo

O secretário da Convergência Ampla de Salvação de Angola-Coligação Eleitoral (CASA-CE) na província de Malanje, Carlos Xavier, apelou ontem, nesta cidade, aos militantes para afluírem aos postos de actualização do registo eleitoral.
Em declarações à imprensa, a propósito da abertura do ano político da referida coligação, o político considerou o registo eleitoral como um “ato importante”, que antecede as eleições.
Sublinhou a importância de os cidadãos compreenderem que efetuar o registo eleitoral não se trata de uma atividade partidária, mas sim de um processo que visa reforçar a democracia no país.
“Todo o cidadão nacional, independente da sua índole política, religiosa ou social deve aderir aos postos de registo eleitoral com vista a exercer o direito de cidadania e, consequentemente, facilitar o processo da democracia do país”, frisou.
A CASA-CE tem levado a cabo campanhas de sensibilização e de mobilização das comunidades, para a participação dos cidadãos no processo de registo eleitoral.
Na primeira fase do registo eleitoral, foram efectuados em toda a extensão da província de malanje 241.800 registos, sendo 201 mil actualizações de dados e 38 mil cadastramentos pela primeira vez.
Na campanha especial realizada em Malanje, no interregno entre a primeira e segunda fases  registaram-se 12 cidadãos.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/mpla_promove_ampla_campanha_de_mobilizacao

Gâmbia: Presidente da Comissão eleitoral foge para o Senegal e a crise se agrava

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Dakar (Senegal) – O presidente da Comissão eleitoral independente (CEI), Alieu Momarr Njie, fugiu da Gâmbia para o Senegal, num exílio forçado, tendo em conta as ameaças que recebeu desde que declarou Adama Barrow, vencedor do escrutíno presidencial de 01 de Dezembro de 2016, noticiou esta quarta-feira a imprensa local, citando fontes familiares.

Desde 13 de Dezembro, as forças de segurança gambianas bloquearam o aceso à CEI que proclamou Adama Barrow, rival de Yahya Jammeh, vencedor da presidencial de 01 de Dezembro com 19 mil votos de avanço.

Segundo a Reuters, que cita os membros da família de Alieu Nomarr Njie, as autoridades haviam solicitando todos os funcionários da comissão a abandonar o país, tendo o seu presidente manifestado a sua inquietação pela sua segurança.

A 28 de Dezembro, o chefe do Estado cessante ordenou finalmente por decreto a reabertura da CEI, explicando que a comissão foi encerrada com base em informações segundo as quais as suas instalações seriam incendiadas.

A agência de notícias africana Panapress denunciou que o Governo gambiano lançou uma repressão massiva contra os membros da oposição, detendo alguns, e encerrou uma estação de rádio independente, a rádio FM Tanraga.

Segundo a fonte, o opositor Daba Muhammed Kuyateh foi detido no domingo, na sua residência em Bakoteh, e está actualmente encerrado na sede da Agência Nacional de Inteligência (NIA).
A repressão segue-se à afixação de cartazes nas ruas de Banjul, a capital, e a impressão em camisolas das palavras
“GambiaHasDecided” (A Gâmbia Já Decidiu), por membros da oposição, refere a Panapress e acrescenta que a Agência Nacional de Inteligência ameaçou deter a equipa de campanha #GambiaHasDecided e os seus simpatizantes.

A informação foi confirmada por fontes na cidade comercial de Serrekunda, onde testemunhas revelaram que elementos das Forças Armadas retiraram todos os cartazes e perseguiram jovens nas suas casas.
No primeiro dia do ano, o presidente cessante e candidato derrotado nas últimas presidenciais, Yahya Jammeh, que após reconhecer a derrota, deu o dito pelo não dito e agora recusa entregar o poder, acusou a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) de fazer-lhe “uma declaração de guerra” ao prometer “engajar todos os meios para o afastar do poder”.

Yahya Jammeh excluiu participar em diálogo da CEDEAO devido ao que considera “parcialidade” desta organização regional da África Ocidental e reiterou o pedido de anulação das eleições presidenciais realizadas em 1 de Dezembro.

O Presidente cessante e candidato derrotado reclama uma nova votação e já afirmou que continua à governar até o Tribunal Supremo se pronunciar sobre o seu recurso, que deve ser examinado em 10 de Janeiro, nove dias antes de expirar o seu mandato, à luz da Constituição.

Além da CEDEAO, a União Africana e Nações Unidas têm apelado a Yahya Jammeh para aceitar a derrota e abandonar o poder.
O enviado da ONU para a África Ocidental apela ao Presidente cessante a “respeitar o veredicto das urnas e garantir a segurança do Presidente eleito, Adama Barrow, e de todos os cidadãos gambianos”.

Yahya Jammeh afirmou que a intervenção de potências estrangeiras não vai mudar a sua decisão e advertiu que não vai tolerar nenhuma manifestação nas ruas e, numa decisão considerada por analistas como uma tentativa de assegurar a lealdade da hierarquia militar, promoveu pelo menos 250 oficiais subalternos e superiores.

O Chefe de Estado cessante da Gâmbia impediu a aterragem, no aeroporto de Banjul, de um avião que transportava uma delegação da CEDEAO. A organização integrada por 15 Estados africanos enviou em 13 de Dezembro à capital gambiana, Banjul, uma missão de Chefes de Estado integrada pela liberiana Ellen Johnson Sirleaf e o nigeriano Muhammadu Buhari, presidente em exercício da organização, para convencer, sem sucesso, Yahya Jammeh a ceder o poder.

Após o fracasso da mediação regional, a CEDEAO admite, caso falhe a “diplomacia preventiva”, tomar “decisões mais drásticas”, entre as quais a opção militar para a “possível solução” da crise.

O fim da crise pós-eleitoral gambiana continua incerta, numa altua em que o presidente eleito deve ser investido a 19 de Janeiro. Yahya Jammeh, no poder desde há 22 anos, contesta os resultados da eleição.

Por esse facto, o seu partido recorreu ao Tribunal supremo, cujo recurso será exminado a 10 de Janeiro.


Gâmbia: Jammeh resiste deixar o poder, depois de 22 anos na presidência

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Banjul – O presidente gambiano, Yahya Jammeh, que contesta a sua derrota ao escrutínio presidencial face ao opositor Adama Barrow, estimou este domingo, em Banjul, que a organização oeste-africana CEDEAO fez-lhe “uma declaração de guerra”, afirmando engajar todos os meios para o afastar do poder, noticiou a AFP.
 
 
Jammeh, que falava à Nação por ocasião do ano Novo , excluiu participar à toda negociação da Comunidade Económica dos Estados da África do Oeste (15 países) devido, segundo o estadista, da sua “parcialidade” e reiterou o seu pedido de anulação da eleição de 01 de Dezembro.
 
No poder desde há 22 anos, o dirigente gambiano tinha antes reconhecido a sua derrota e felicitou o homem de negócios Adama Barrow, vencedor do escrutínio, segundo os resultados proclamados a 02 de Dezembro pela Comissão eleitoral independente (IEC).
 
Alguns dias mais tarde, a IEC deu a conhecer as cifras corrigidas reduzindo a diferença entre Barrow e Jammeh – de mais de 50 mil para cerca de 19 mil, mas sem alteração no resultado.
 
Entretanto, a 19 de Dezembro, Jammeh fez a revira-volta, reclamando a anulação do escrutínio e uma nova votação, afirmando continuar a frente dos destinos do país, enquanto o Tribunal supremo não se pronunciar sobre o seu recurso, que deve ser examinado a 10 de Janeiro, ou seja nove dias antes da expiração do seu mandato, à luz da Constituição.
 

Gâmbia: Presidente presumivelmente eleito anuncia plano nacional de desenvolvimento

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Banjul – O presidente presumivelmente eleito da Gâmbia, Adama Barrow, anunciou a formação de um grupo de especialistas para formular um plano de nacional de desenvolvimento, após a sua suposta vitória contestada pelo presidente cessante, Yahya Jammeh, nas eleições presidenciais de 01 de Dezembro.
 
 
Barrow espera ser investido no cargo a 19 de Janeiro, data em que, nos termos da Constituição, expira o mandato de Yahya Jammeh, que intentou um recurso no Tribunal Supremo para anular o escrutínio de 01 de Dezembro.
 
“Para garantir que o país vai explorar plenamente as suas potencialidades após a minha investidura, já solicitei a criação de um grupo de peritos, denominado Agência para o desenvolvimento sócio-económico sustentável (ASSED, na sigla em Inglês)”, afirmou Barrow num comunicado publicado na segunda-feira.
 
A ASSED incluirá “um núcleo de sete especialistas nos domínios político, civil, económico, social, cultural e ambiental para coordenar a mobilização de peritos que deverão elaborar um plano de desenvolvimento que irá substituir o do actual governo”, sublinha o documento.
 
A agência vai reunir as competências “para formular planos de desenvolvimento sectoriais do nosso programa trienal de desenvolvimento 2017-2020”.
 
Adama Barrow, que pretende que o seu governo seja “imediatamente operacional após a sua tomada de posse a 19 de Janeiro”, apelou aos gambianos a “rezar por uma transição pacífica”.
 
A 23 de Dezembro, o porta-voz da coligação da oposição gambiana, Halifa Sallah, a vitória de Adama Barrow nas eleições presidenciais de 01 de Dezembro é definitiva e “nenhum tribunal na terra irá anular”.
 
O Tribunal Supremo da Gâmbia deverá analisar a 10 de Janeiro o recurso do partido do presidente Jammeh, que exige a anulação das eleições.
 
O partido de Jammeh apresentou um recurso a 13 de Dezembro, denunciando irregularidades na contagem dos resultados pela Comissão Eleitoral Independente e “intimidações” contra os seus eleitores numa região.
 
Após ter inicialmente reconhecido a sua derrota a 02 de Dezembro – e até mesmo felicitado Adama Barrow -, Yahya Jammeh mudou de decisão uma semana depois, rejeitando os resultados e exigindo novas eleições.
 
O presidente cessante garantiu que iria permanecer no poder até que o Tribunal decidir, numa altura em que vários países e instituições, incluindo a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO, 15 países) e as Nações Unidas, pressionam-o a entregar o cargo a Barrow e a permitir uma transição pacífica no país.