Investidores Indianos conversam com angolanos

 

Uma delegação chefiada pelo ministro da Economia, Abrahão Gourgel, organiza na Índia um evento de captação de investimento directo externo para promover a diversificação da economia nacional e impulsionar a actividade empresarial privada.

Ministro da Economia chefia delegação composta por vice-governadores de quatro províncias na deslocação à Índia
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Denominado Road-show para Captação de Investimento Directo Externo ao Empresariado da Índia, o encontro começa amanhã e decorre até sexta-feira com o objectivo de alavancar a cooperação económica bilateral nos sectores da agricultura, silvicultura, minas, energia, indústria transformadora, transportes e logística.
Um comunicado do Ministério da Economia indica que a actividade é uma acção de promoção das potencialidades económicas, oportunidades de negócio e de investimento em Angola, por forma a captar investimento da Índia, uma economia com reconhecida experiência nos sectores que contribuem para a diversificação económica angolana.
Além de mobilizar o maior número possível de investidores indianos para o processo de atracção de investimento directo externo para Angola, o Road-show tem como foco demonstrar a atractividade de Angola como destino de investimento indiano, gerar com sucesso a confiança dos investidores indianos, criar um perfil de oportunidades de negócio e investimento, para o aumento dos fluxos de investimento directo indiano em Angola, mobilizar e convencer o empresariado indiano a investir em Angola nos sectores prioritários e alavancar a cooperação económica bilateral produtiva.
O Ministério da Economia indica que este primeiro Road-show para captação de investimento directo externo ao empresariado da Índia é objecto de uma agenda político-diplomática a ser realizada em Nova Deli, e secundada por três conferências, nas cidades de Deli, Chennai e Mumbai, onde além das apresentações sectoriais, vão ser igualmente apresentadas as oportunidades de negócio e investimento em Angola nas províncias do Zaire, Huambo, Bengo e Huíla. Por isso, a delegação angolana é igualmente integrada pelos secretários de Estado da Indústria, Kiala Gabriel, da Geologia e Minas, Manuel Domingos Almeida, e dos Transportes, Mário Miguel Domingues, além dos vice-governadores para Esfera Económica das províncias do Huambo, Zaire, Bengo e Huíla.

Encontros hoje

piyush.jpgO ministro da Economia tem hoje encontros com os ministros de Estado da Agricultura e Bem Estar dos Agricultores, S.S. Aluwalia, do Carvão, Minas e Energias Renováveis, Piyush Goyal, do Comércio, Nirmala Sitharaman, com o dos Assuntos Externos, e com alguns grupos empresariais indianos.
Abrahão Gourgel vai estabelecer contactos com instituições indianas para que se possa obter parcerias vantajosas, no âmbito da criação de capacidades produtivas e diversificação da economia nacional, com destaque para o contacto com a direcção do EXIMBANK ÍNDIA, do IDBI (Banco de Desenvolvimento), além da realização de uma conferência de oportunidades e potencialidades de investimento em Angola.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/delegacao_esta_na_india_para_atrair_investidores

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GM sai da Índia e também fará as malas na África do Sul

 

chevrolet-beat-activ-essentia-7 GM sai da Índia e também fará as malas na África do Sul

A General Motors está reduzindo sua atuação global. Após retirar a Chevrolet do mercado europeu, onde apenas venderá Camaro, Corvette e alguns modelos da Cadillac, agora a gigante de Detroit está arrumando as malas na Índia. Até o final do ano, a montadora americana deixa de vender veículos no mercado indiano.

Mas, além da Índia, a GM também arruma a bagagem e saí da África do Sul e Cingapura. Só no mercado indiano, sua saída significará gastar US$ 500 milhões para desmantelar suas operações comerciais, cancelando inclusive o projeto de US$ 1 bilhão para a construção de uma família de carros compactos.

A reviravolta faz parte da nova estratégia de reestruturação da GM, que quer concentrar dinheiro apenas em operações rentáveis. O fim das atividades nos três países trará à montadora uma economia de US$ 100 milhões por ano em suas operações globais, que fecharam 2016 com perdas de US$ 800 milhões. Com vendas em baixa e sem possibilidades de disputar um segmento indiano onde a Maruti-Suzuki domina, a empresa decidiu sair.

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O site da Chevrolet Índia já anuncia que as vendas continuam até 31 de dezembro de 2017. Páginas dos modelos acima já estão fora do ar. Na África do Sul, o site funciona ainda e lá são vendidos cinco modelos, entre eles a picape Utility, a conhecida Montana nacional, que deve perder esse mercado após a saída da GM.

Na Índia, a GM deve manter a fábrica de Talegaon apenas para exportação e um centro técnico em Bangalore. Na África do Sul, de acordo com o site da GM local, a planta de comerciais leves de Port Elizabeth será assumida pela Isuzu. A Opel deve mudar de representação no país. A GM também vendeu 57,7% de sua parte na operação queniana.

Buscando centrar-se na China, EUA, América Latina e também em serviços de compartilhamento e condução autônoma, a montadora sacrificou sua atuação global. Agora resta saber se a Holden continuará sob o guarda-chuva (cada vez menor) da GM ou se terá um destino semelhante ao de Opel e Vauxhall. Até que não seria estranho a mesma ser encampada pela PSA, dada a sinergia com as marcas anglo-germânicas.

https://www.noticiasautomotivas.com.br/gm-sai-da-india-e-tambem-fara-as-malas-na-africa-do-sul/

Governo de Guiné Bissau quer limitar participação de estrangeiros na campanha de caju

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O governo guineense quer limitar aos cidadãos do país a compra da castanha de caju, principal produto de exportação, de acordo com um decreto a que a agência Lusa teve hoje acesso.

O decreto preparado pelo ministro do Comércio e Promoção Empresarial, Vítor Mandinga, aguarda pela promulgação do presidente José Mário Vaz.

Se a proposta for promulgada, o «intermediário de escoamento» do caju guineense – atividade exercida essencialmente por cidadãos da Mauritânia e India – «terá que possuir bilhete de identidade da Guiné-Bissau, caso contrário não pode exercer aquela atividade».

É considerado intermediário de escoamento qualquer pessoa ou empresa que se dedica à compra da castanha de caju, mediante um contrato com o intermediário do posto que é, por sua vez, quem compra o caju ao produtor.

Doravante, o intermediário de escoamento para obter licença do governo guineense para operar na campanha do caju, além do bilhete de identidade, ou cartão de eleitor, terá que possuir ainda armazém e número de identificação fiscal, todos autenticados por um notário.

Mama Saliu Lamba, presidente da Câmara de Comércio, aplaudiu a medida, que considera ser capaz de «tirar o país da pobreza extrema, levar os operadores económicos a organizarem-se melhor e ajudar o Governo».

Saliu Lamba entende que «há muito barulho» à volta de um projeto que disse ser «bem-vindo» e que não limita «a participação dos estrangeiros na atividade do caju.

O caju guineense é normalmente comprado por operadores naturais da Mauritânia e da India, principais mercados do produto.

A Guiné-Bissau é considerada o quinto maior produtor de castanha do caju, a seguir à Costa do Marfim, India, Vietname e Brasil.

Na última safra, o país exportou cerca de 200 mil toneladas

Política externa brasileira para a África nos governos FHC, Lula e Dilma

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 por Walace Ferreira

Entre Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva a política externa para a África apresentou significativa correção de rumo. A primeira diferença aparece nos principais discursos da PEB, o que se verifica nas apresentações realizadas nas sessões ordinárias anuais da Assembleia Geral da ONU (AGNU) e na retórica de uma série de encontros que ambos os Presidentes e seus Chanceleres tiveram com lideranças africanas. Temáticas sobre a África destacaram-se nos discursos nas sessões da AGNU, entre 1995 e 2002, especialmente no tocante à preocupação com os conflitos internos em nações africanas, na apreensão pelas mazelas sociais e econômicas do continente, e na valorização da criação da CPLP. Todavia foi no governo Lula que as ações estiveram mais próximas do discurso envolvendo Brasil e África, dada a ampliação das relações no período 2003-2010.

Como ações diplomáticas, observamos que Fernando Henrique viajou pouco à África, enquanto Lula se tornou o presidente brasileiro que mais foi àquele continente. Enquanto os chanceleres Lampreia e Lafer não realizaram nenhuma visita oficial ao velho continente, Amorim também se tornou o ministro das Relações Exteriores que mais visitou a região (FERREIRA, 2015).

A gestão Lula aproximou-se da África desde o início, seguindo o que encontramos na leitura do seu Programa de Governo, de 2002. Viagens internacionais para o continente, reabertura de embaixadas fechadas, instalação de outras novas, e a recepção de lideranças políticas e diplomáticas africanas foram constantes. Em decorrência disso, vários projetos de cooperação técnica para o desenvolvimento foram articulados, expandindo as iniciativas já existentes. A despeito de a cooperação técnica brasileira se dar inteiramente a fundo perdido e basear-se num discurso de “diplomacia solidária”, essa política de soft power também representou a busca de projeção internacional do país.

Além dos interesses referentes ao estreitamento político com a África e da boa imagem internacional, o Brasil pretendeu com as ações de cooperação abrir espaço para investimentos de empresas brasileiras no continente, assim como a expansão do comércio exterior. Não obstante as narrativas de Lula da Silva enfatizarem a necessidade de se corrigir uma dívida histórica, a África se mostrou promissor mercado para as exportações de manufaturados, além de parceira no fornecimento de combustíveis.

Apesar de um discurso crítico ao sistema internacional, que prejudicava diretamente a África, o governo FHC enfatizou a matriz neoliberal que na prática revelou-se incapaz de resultados contra as assimetrias globais e impediu o país de aproximar-se significativamente do continente africano. Já a política exterior de Lula pareceu romper com essa ambiguidade, ao deixar explícita a aproximação da África e dos países ao Sul, com os quais o país estabeleceu uma série de parcerias políticas, econômicas e diplomáticas visando uma nova arquitetura mundial, sem romper com as parcerias tradicionais do Norte.

Para tal, o governo petista trouxe o Estado para a reorganização da economia, valendo-se de uma matriz neodesenvolvimentista que manteve o tripé econômico da gestão anterior – baseado nas metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário -, procurou associar crescimento econômico com ações sociais, e estimulou as empresas nacionais a expandirem-se no exterior. Exemplo disso foram as ações junto ao BNDES visando o financiamento de empreendimentos de multinacionais brasileiras na África.

Do ponto de vista internacional, salientamos que as mudanças estruturais em partes da África geraram condições para a ampliação das relações verificadas no período Lula, demonstrando a importância do contexto externo. O PIB africano apresentou crescimento a partir dos anos 2000, com maior participação do continente nas exportações mundiais. Esse crescimento pode ser atribuído, em boa medida, ao aumento nos preços das commodities minerais, melhoria na solvência externa e estabilização do cenário político de muitos países, como foi o caso de Angola – com o fim da guerra civil em 2002.

Na transição de Lula para Dilma Rousseff, a política externa brasileira seguiu dando relevância às estratégias de cooperação Sul-Sul e nas relações com a África, a despeito de intensidade bem menor que no período Lula, prejudicando-se, inclusive, pela crise brasileira.

Algumas viagens da Presidente Dilma à África foram realizadas, além de o governo ter anunciado, em 2013, durante participação na 50ª Cúpula da União Africana (na Etiópia), que iria cancelar ou renegociar cerca de US$ 900 milhões em dívidas de países africanos, visando estreitar relações. Ademais, o atual ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu, em 2015, que a África continuaria sendo prioritária. Segundo suas palavras: “O engajamento brasileiro no continente africano é uma política de Estado e reflete os anseios dos mais variados setores da sociedade brasileira. A África foi, é e continuará a ser uma prioridade absoluta da política externa brasileira (VIEIRA, 2015, p. 01). Dando sinais desse interesse, o chanceler visitou cinco países africanos em 2015 (Gana, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola), refletindo sobretudo a valorização das parcerias dentro da CPLP (ITAMARATY, 2015, p. 01).

Num contexto de politização da política externa, no entanto, a incerteza sobre a intensidade das relações no futuro reside não apenas na crise econômica atual, mas também na possibilidade de um governo distinto do PT estabelecer nova diretriz para a política externa. Nesse sentido, por exemplo, Pecequilo (2014) entendia que a vitória de Aécio Neves nas últimas eleições alteraria o rumo da PEB, visto se tratar de programas diferentes que impactariam numa possível descontinuidade às medidas tomadas durante o período petista. Nesse caso, a política africana, ao contrário do que diz Mauro Vieira, seria uma política de governo vulnerável às tendências do grupo no poder.

A história entre Brasil-África sugere que, sem estímulos governamentais, pode haver uma estagnação nas relações econômicas, haja vista a não linearidade verificada ao longo da história, a necessidade da indução do Estado, e até mesmo em virtude da poderosa concorrência na África de países como a China e a Índia.

Diplomaticamente, as relações não devem se alterar no governo do PT, mas nada garante que não ocorrerá redução das embaixadas num governo que não priorize o envolvimento com a região. Do ponto de vista político, a tendência é semelhante, salientando que a gestão Dilma Rousseff, apesar do discurso, e de algumas ações, indica dar menor prioridade à África em comparação ao seu antecessor, o que pode tornar mais incerta a presença das empresas naquele continente. Os setores empresariais aparentam dependência da indução do Estado brasileiro à expansão de negócios com países africanos, seja pela dificuldade da conexão aérea, seja pelas incertezas políticas em nações governadas por regimes frágeis e autoritários, seja pela falta de tradição histórica da África na área empresarial brasileira – mais familiarizada com a região sul-americana e com os mercados do Norte.

Na falta de uma diplomacia presidencial que priorize a África, promovendo a cooperação técnica e o intercâmbio comercial, bem como estimulando os investimentos de empresas nacionais no continente, como ocorreu no governo Lula, a tendência é de uma relativa perda da importância africana na política externa brasileira.

Referências Bibliográficas:

FERREIRA, Walace. A Política Externa para a África dos Governos FHC e Lula: Uma Análise Comparada. Tese de doutorado. IESP/UERJ. Rio de Janeiro, RJ, 2015.

FIORI, José Luís. O Brasil e seu “entorno estratégico” na primeira década do século XXI. In: SADER, Emir (Org.) 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma. São Paulo, SP: Boitempo; Rio de Janeiro: FLACSO Brasil, 2013.

ITAMARATY. Visita do Ministro das Relações Exteriores a Gana, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola.Brasília, 26 de março de 2015. Disponível em: <http://www.itamaraty.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8479:visita-do-ministro-das-relacoes-exteriores-a-gana-sao-tome-e-principe-mocambique-e-angola&catid=42&lang=pt-BR&Itemid=280>. Acesso em: 25 jan. 2016.

PECEQUILO, Cristina. Política externa, política do Brasil: A escolha entre Aécio e Dilma é também uma decisão sobre qual papel o País deve exercer no mundo. In: Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais. Carta Capital. 16/10/2014. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-grri/politica-externa-politica-do-brasil-4400.html>. Acesso em: 25 jan. 2016.

 VIEIRA, Mauro. Discurso do Ministro das Relações Exteriores durante almoço com Embaixadores do Grupo Africano residentes em Brasília. Brasília, 20 de março de 2015. Disponível em: <http://www.itamaraty.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8387:discurso-do-ministro-das-relacoes-exteriores-durante-almoco-com-embaixadores-do-grupo-africano-residentes-em-brasilia-brasilia-20-de-marco-de-2015&catid=42&lang=pt-BR&Itemid=280>. Acesso em: 25 jan. 2016.

Universidade em Gana vai remover estátua de Ghandi ‘racista’

gandhi RIO — As autoridades de Gana anunciaram nesta quinta-feira que uma estátua de Mahatma Gandhi, doada há alguns meses pelo governo da Índia para a Universidade de Gana, na capital Acra, será removida. A decisão foi tomada após uma petição assinada por professores destacarem o caráter “racista” do líder indiano e exigirem prioridade para personalidades africanas.

“Mais vale levantar-se para nossa dignidade que curvar-se à vontade de uma superpotência euro-asiática”, diz a petição, citando que Gandhi dizia que os indianos eram “infinitamente superiores” aos africanos.

A estátua foi inaugurada em junho no campus universitário pelo presidente da Índia, Pranab Mukherjee, como um símbolo de aproximação entre os dois países. Mas em setembro, um grupo de professores solicitou sua retirada.

O Ministério de Relações Exteriores de Gana informou que o assunto gera “profunda preocupação”, destacando que sua intenção é “realocar a estátua para assegurar sua integridade e evitar polêmicas”.

“Gandhi era humano e pode ter tido seus defeitos, mas devemos recordar que as pessoas mudam”, disse a pasta, em comunicado, acrescentando que a Índia e Gana “foram campeões na luta pela liberação dos povos oprimidos em todo o mundo”.

http://oglobo.globo.com/sociedade/universidade-em-gana-vai-remover-estatua-de-ghandi-racista-20253476

Burkina Faso a violação dos direitos humanos

É um dos maiores flagelos a nível mundial em matéria de violação de direitos humanos. Todos os anos, 15 milhões de meninas são obrigadas a tornar-se esposas, muito antes de se tornarem mulheres. As consequências podem ser desastrosas para o seu futuro
Maria tinha apenas 13 anos quando a vida e as tradições do seu país, o Burkina Faso, lhe pregaram uma partida. O pai obrigou-a a casar com um homem de 70 anos, que já tinha cinco mulheres, e não lhe deixou margem de manobra para recusar. «Ameaçou-me, e disse que se eu não me juntasse ao meu marido, me matava», contou a menina aos investigadores da Amnistia Internacional (AI). Encurralada, encheu-se de coragem e fugiu de casa. Caminhou a pé, durante vários dias, para cumprir os quase 170 quilómetros que a separavam de um abrigo para sobreviventes de casamentos forçados, em Kaya, no nordeste do país.

Maria livrou-se de um destino que tinha tudo para ser madrasto, mas nem todas as adolescentes apanhadas nas malhas dos casamentos precoces têm a mesma sorte. Por dia, cerca de 41 mil menores de 18 anos são forçadas a casar em todo o mundo, e até ao final deste ano, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que mais de 15 milhões de meninas sejam obrigadas a contrair matrimónio, antes de atingirem a maioridade. Se a atual tendência se mantiver, a agência da ONU prevê que, até 2030, o número de meninas e mulheres que se casaram ainda crianças chegue a um bilião.

São cifras demasiado altas e preocupantes, tendo em conta que o casamento infantil é uma violação dos direitos das mulheres. «Meninas que se casam ainda crianças estão mais propensas a abandonarem a escola, a serem vítimas de violência doméstica, a contraírem Sida e a morrerem vítimas de complicações durante a gravidez ou o parto, pois o seu corpo normalmente não está pronto para dar à luz. Além disso, este tipo de união é danosa para a economia e fomenta ciclos inter-geracionais de pobreza», alertam os responsáveis da UNICEF.

O caso do Burkina Faso, retratado no mais recente relatório da AI sobre casamentos forçados, é paradigmático. Em algumas regiões, mais de metade das raparigas casam antes de fazerem 18 anos. «São demasiadas raparigas que não têm controlo sobre as suas próprias vidas, a quem é negado o direito de escolha, de quando e com quem casar. Isto tem de acabar. Nem familiares nem a comunidade em geral devem poder tomar decisões sobre o corpo de uma rapariga, nem negar-lhe a oportunidade de cumprir os sonhos e esperanças que tem para o seu futuro», destaca o diretor regional da organização para a África Ocidental e Central, Alioune Tine.

Ao abrigo da lei do Burkina Faso, as raparigas devem ter pelo menos 17 anos para poder contrair matrimónio. Porém, mais de metade – cerca de 51,3 por cento – das jovens entre os 15 e os 17 anos, que vivem da região de Sahel, no norte do país, já estão casadas. Com estas uniões, as famílias das raparigas, por norma, procuram consolidar alianças familiares, adquirir estatuto social, ou receber em troca alguns bens, dinheiro, ou prestação de serviços. Segundo a AI, em algumas regiões é comum ainda a prática da «mulher bónus», em que a noiva leva com ela uma sobrinha para integrar a família do marido, na qualidade de «rapariga adicional» para ser casada.

Isso mesmo testemunhou Céline, de 15 anos, outra das adolescentes que conseguiu fugir a um futuro que não tinha escolhido, no dia da boda em que deveria casar com um familiar do marido da tia. «Eu não queria casar com aquele homem. A minha tia disse-me que se eu fugisse me destruiria. Fugi, mas quando cheguei à aldeia a minha própria família recusou receber-me», conta a adolescente.

Na Índia, o cenário é ainda mais chocante. É ali que se realiza um terço dos casamentos de menores, a nível mundial. Recentemente foi posto a circular na internet um vídeo, feito às escondidas, que documenta a prática dos matrimónios precoces em Chittorgarh, na província de Rajasthan, no norte do país. As imagens rapidamente se tornaram virais. Mostram os rituais de um festival hindu, onde meninas de 10 anos, ou menos, são repreendidas pelos ministros da celebração, por estarem a chorar. É visível ainda uma pequena ‘esposa’, de apenas cinco anos, vestida de noiva, a dar as sete voltas da praxe a uma fogueira, ao lado do seu futuro marido, de 11 anos.

Mudança geográfica
Babatunde Osotimehin, diretor-executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), é perentório, quando chamado a pronunciar-se sobre o tema: «Escolher quando e com quem casar é uma das decisões mais importantes da vida. O casamento infantil nega essa escolha a milhões de meninas, todos os anos». E os progressos alcançados até agora no combate ao matrimónio forçado também não se revelam muito animadores. Se os índices atuais perdurarem, o número total de meninas noivas em África pode aumentar de 125 milhões para 310 milhões, até 2050. Ou seja, o continente africano arrisca-se a ultrapassar o sul da Ásia como a região com o número mais elevado de mulheres entre os 20 e os 24 anos de idade que terão casado na infância. E manter-se-á a probabilidade de uma rapariga proveniente do quinto mais pobre da sociedade vir a casar na infância ser tão forte hoje como o era há 25 anos.

Ainda assim, há organizações que não desistem de combater o casamento infantil, quer a nível global, quer local. No último Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, os especialistas do UNFPA e da UNICEF anunciaram a criação de um novo programa de ação, a desenvolver em 12 países da África, Ásia e Médio Oriente. A campanha conta com o apoio do Canadá, Itália, Holanda, Reino Unido e União Europeia, e foi apresentada como fazendo parte de um amplo esforço para evitar que meninas se casem muito novas e apoiar as que já se casaram.

No essencial, as duas agências da Nações Unidas esperam explorar estratégias já testadas e comprovadas, como o aumento do acesso das adolescentes à educação e a serviços de saúde, a consciencialização dos pais e das comunidades para os perigos do casamento precoce, o aumento do apoio económico às famílias e o fortalecimento e cumprimento de leis que estabeleçam 18 anos como idade mínima para o casamento.

«Vamos trabalhar com os governos dos países com alta prevalência de casamento infantil para defender os direitos das adolescentes, de modo que elas possam alcançar o seu potencial e os países possam atingir as suas metas de desenvolvimento social e económico», promete o diretor-executivo do Fundo de População das Nações Unidas.

Agricultura, energia, turismo e infraestruturas são as areas de cooperação entre Moçambique e Índia

Fotografia: AFP

O Presidente Filipe Nyusi afirmou ontem que a parceria existente entre Moçambique e Índia, virada para o desenvolvimento, vai gerar mais investimentos públicos e privados indianos nos diferentes domínios.

 

A parceria vai, por outro lado, promover a transferência de tecnologias, criação de emprego, melhoria das condições de vida das populações e, consequentemente, o desenvolvimento econômico dos dois países. Nyusi manifestou a convicção durante o almoço servido ontem, na Presidência da República, em Maputo, por ocasião da visita ao país do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, no âmbito de um périplo por quatro Estados africanos, designadamente, Moçambique, África do Sul, Tanzânia e Quénia.“Estamos certos que o futuro testemunhará o reforço do nosso relacionamento, alargando a cooperação para outras áreas de interesse comum, como o intercâmbio entre o sector privado indiano e o empresariado nacional, com vista a fortalecer iniciativas nas áreas da agricultura,  energia, turismo e infra-estruturas”, disse Nyusi.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/mocambique_e_india_consolidam_relacoes

Moçambique: Consórcio indiano anuncia construção de central térmica

Maputo – O consórcio indiano International Coal Ventures Limited (ICVL) pretende construir uma central térmica alimentada a carvão em Moçambique, país onde comprou activos carboníferos ao grupo Rio Tinto.

MAPA DA ÍNDIA

FOTO: ANGOP

Segundo escreve o jornal indiano The Economic, Times, citado pelo “Mediafax”, as administrações da National Thermal Power Corporation Limited (NTPC) e da Coal India Ltd, , estão a ser contactadas no sentido de regressarem a fim de garantir o êxito da proposta da central térmica.

Essas empresas faziam inicialmente parte do consórcio e que mais tarde abandonaram, estão a ser contactadas no sentido de regressarem a fim de garantir o êxito da proposta da central térmica.

Estas duas empresas estatais solicitaram autorização para abandonar o consórcio, alegando que as suas necessidades de carvão eram muito diferentes das empresas siderúrgicas, casos da SAIL e da RINL, noticia a AIM.

Os principais membros da ICVL incluem a Steel Authority of India, Ltd (SAIL), a Rashtriya Ispat Nigam Ltd, (RINL), também conhecida por Vizag Steel e a National Mineral Development Corporation (NMDC), todas empresas estatais.

O jornal cita ainda um responsável governamental como tendo afirmado que a central térmica terá uma capacidade inicial de 200 megawatts, que mais tarde poderá ser aumentada para 2000 megawatts.

Esta notícia é veiculada numa altura em que o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, está a efetuar esta quinta-feira uma visita oficial de um dia a Moçambique, no decurso da qual irá manter conversações com as autoridade moçambicanas sobre projetos agrícolas, de hidrocarbonetos, segurança marítima, comércio e investimentos.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/6/27/Mocambique-Consorcio-indiano-anuncia-construcao-central-termica,81b37379-f80d-4d95-927a-131dd04743a1.html