CEO da terceira maior empresa farmacêutica dos Estados Unidos, deixou o Conselho de Trump

 

O CEO da Merck, a terceira maior empresa farmacêutica dos Estados Unidos, demitiu-se ontem do painel de empresários que aconselha o Presidente, uma decisão tomada para “combater a intolerância e extremismo” nos EUA.

Kenneth Frazier deixa de prestar assessoria ao Presidente dos Estados Unidos
Fotografia: Nicholas Kamm | AFP

Donald Trump não tardou a reagir no Twitter, dizendo que o empresário terá agora mais tempo para “baixar os preços dos medicamentos que são uma exploração”.
Kenneth Frazier deixa de fazer parte do grupo de conselheiros do mundo dos negócios criado pela administração de Trump numa altura em que o Presidente dos EUA está a ser criticado por não ter condenado especificamente a extrema-direita pelos incidentes no estado da Virgínia, que resultaram em três mortos.
“Os líderes norte-americanos devem honrar os nossos valores de base ao rejeitarem claramente expressões de ódio, intolerância e supremacia de grupos, que vão contra o ideal americano de que as pessoas são todas iguais”, defendeu o empresário de 62 anos, que lidera a Merck desde 2011.

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Durante o fim de semana, três pessoas morreram e 19 ficaram feridas numa manifestação organizada por extremistas brancos em Charlottesville, Virgínia.
O empresário negro disse que, “por uma questão de consciência” e “como CEO da Merck”, sente a “responsabilidade de tomar uma posição para combater a intolerância e o extremismo”, conforme se lê no comunicado publicado na conta oficial da farmacêutica no Twitter.

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A Casa Branca afirmou no domingo que o Presidente dos Estados Unidos também se referia a “supremacistas brancos, KKK [Ku Klux Klan], neo-nazis e todos os grupos extremistas” quando condenou a “violência, intolerância e ódio” nas declarações sobre Charlottesville.
No sábado, Trump publicou no Twitter um vídeo em que apelava à unidade social. “Acima de tudo, devemos lembrar-nos desta verdade: Não importa a nossa cor, credo, religião, ou partido político, somos todos americanos primeiro”, disse o presidente no vídeo.

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Kenneth Frazier não é o primeiro a deixar o painel de empresários conselheiros. Elon Musk, CEO da Tesla, demitiu-se em Junho após o anúncio de que os EUA vão sair do Acordo de Paris, que prevê o combate às alterações climáticas, e o então presidente executivo da Uber, Travis Kalanick, saíra já em Fevereiro.

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A produção do mel em Angola

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Samuel António e José Rufino | Luena
8 de Julho, 2016

Fotografia: Francisco Bernardo

Os níveis de produção de mel nos últimos dois anos na província do Moxico, com forte envolvimento do sector empresarial privado, superam as expectativas.

A retomada da produção no Moxico, de forma semi-industrial, começou em 2014, com uma produção de 20 toneladas. No ano seguinte, chegou a 50 toneladas e em 2016 a produção pode atingir 70 toneladas.
A Cooperativa Agropecuária, Pesca e Apicultura (COAPA) recebeu um investimento de 1,2 milhões de dólares americanos para desenvolver a produção de mel e melhorar a qualidade de vida da população rural.

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A COAPA dá resposta à estratégia de diversificação da economia e tem como outros objectivos proporcionar a segurança alimentar e criar emprego para os jovens.
Para apoiar os 200 apicultores dos municípios dos Bundas, Luchazes, Moxico e Alto Zambeze, o empreendimento vai receber empilhadoras, camiões, carrinhas 4×4, motorizadas e bicicletas.
A província do Moxico possui florestas com enormes potencialidades para a prática da apicultura, devido à existência de árvores como a muvuca, mucondo e mussamba, ricas em néctar, que as abelhas aproveitam para a produção de mel. A época de maior produtividade vai de Agosto a Dezembro.
Dados históricos indicam que o Moxico liderou até 1974 a lista de maior produtor de mel a nível mundial. O novo desafio na aposta deste produto, que constitui um dos principais recursos de sobrevivência da grande maioria da população da região Leste e Sul da província, pode contribuir para a melhoria das condições de vida de muitas famílias.
A maior dificuldade dos apicultores na província resulta da falta de mercados para a comercialização de mel.
As comunidades onde a apicultura é desenvolvida são beneficiadas pelo emprego e formação que garante a transmissão de melhores práticas sobre a exploração e tratamento do mel.
Depois de recolhido nas colmeias, o mel é transportado até à fábrica de processamento localizada no município de Viana, em Luanda, onde  é filtrado e enfrascado, para comercialização.
A COAPA pretende instalar na cidade do Luena uma fábrica para o processamento de mel, que além de proporcionar mais emprego, vai aumentar a oferta deste produto com mais qualidade e servir toda a região Leste e Sul do país.
Para incentivar a criatividade da classe empresarial, a reunião das Comissões Econômicas para a Economia Real do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente José Eduardo dos Santos, aprovou na cidade do Luena o programa para a produção de mel na província do Moxico, que, pelas suas  condições climáticas e florestais, pode constituir-se num pólo de desenvolvimento da apicultura em Angola. Com este propósito, a apicultura pode contribuir para a diversificação da economia.
Em colaboração com a Agência para a Promoção do Investimento e Exportações de Angola (APIEX), a COAPA está a estabelecer acordos de exportação de mel para os Estados Unidos da América, China e alguns países da União Europeia.
Numa altura de crise econômica e financeira, a exportação deste produto vai contribuir para o Produto Interno Bruto (PIB) angolano.

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Os objetivos da COAPA estão definidos na defesa dos grandes pilares de desenvolvimento sócio-econômico. A empreendimento está envolvido também na piscicultura, silvicultura, indústria, comércio geral, transportes e construção civil.
Para satisfazer as necessidades do sector, o Executivo garante apoios em formação dos apicultores e a introdução de equipamentos modernos, tendo em conta as normas internacionalmente estabelecidas.
A introdução de novos métodos de exploração de mel, em substituição da forma artesanal, vai garantir maior qualidade do produto e a preservação das larvas em fase de crescimento.
A exploração de mel no Moxico, apesar de ser considerada ainda uma atividade de subsistência, tem registado níveis consideráveis. Dados do Instituto de Desenvolvimento Florestal da Direção Provincial da Agricultura indicam que a produção familiar atinge anualmente mais de 300 toneladas de mel bruto.
A Direção Provincial da Agricultura considera o Moxico como um mercado potencial para atrair empresários interessados na apicultura.
Além da cadeia produtiva, a apicultura incorpora um valor social expresso nos postos de trabalho. A exploração de mel em grande escala pode dar lugar ao surgimento de indústrias farmacêuticas e com os seus derivados fabricar sabão, velas e lubrificantes que podem ser utilizados para a manutenção de mobiliário de madeira.

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/a_industria_do_mel_nas_contas_nacionais