As lições de segurança alimentar e o petróleo na Nigéria e Angola

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Adebayo Vunge

Angola ea Nigéria têm uma história semelhante em alguns aspectos. O que, à partida, mais salta à vista é o facto de estarem em maior número de produtores de petróleo da África Subsaariana. Por trás do petróleo estão duas realidades que se cruzam em largos aspectos.

Num primeiro momento, a independência não se traduziu numa melhoria da qualidade de vida da população respectiva, fruto, em grande medida, de circunstâncias históricas e da postura assumida pelas lideranças políticas.
A Nigéria mergulhou numa onda de golpes de Estado e a corrupção instalou-se, sem precedentes, na forma de vida da população. Os nigerianos, no mundo, especialmente nos Estados Unidos da América e na Inglaterra, passaram a ser conhecidos pela sua capacidade de subverter as regras. Tentaram levar o seu modo de vida interno além-fronteiras e isso gerou vários choques e alcunhas.
Angola, por sua vez, atingiu a sua independência de modo sui generis. Fruto de uma descolonização mal conseguida, o país, em 1975, mergulhou numa guerra civil que levou a desestruturação do seu tecido social e económico que, na época, em relação a outras realidades, estava num patamar assinalável.
Mas para lá do substracto sócio-político, Angola e Nigéria estavam marcados por uma realidade económica muito coincidente. Ambos os países descobriram o petróleo nos anos 50 e não levou muito tempo até à sua exploração, dominada pelas companhias americanas.
O que era o seu domínio de então, a sua pujante produção agrícola, sucumbiu ao altamente rentável petróleo de tal modo que em 1973, no caso de Angola, o petróleo já liderava as exportações deixando para trás o café, o cacau e o algodão. Instalou-se a doença holandesa.
Levou tempo até que os nigerianos e angolanos percebessem a necessidade de voltarem ao campo. Com o fim da onda de golpes de Estado, o governo nigeriano dirigido por Olossegum Obassanjo lançou uma importante reforma agrária que permitiu ao país aumentar de modo significativo a sua produção agroalimentar, dada a situação crítica de fome num país superpopuloso como é a Nigéria. O actual Presidente do BAD, Akinwumi Adesina, entre 2010 e 2015, enquanto Ministro da Agricultura e do Desenvolvimento, percebeu a importância disso ao lançar uma agenda de transformação e de maior autonomia dos agricultores. Os números da produção dispararam e a produção agrícola nigeriana está novamente entre os maiores em segmentos como mandioca, cacau, café, algodão, óleo de palma, etc.
A Nigéria fez então um investimento sério na agricultura e na indústria que passaram a equilibrar as suas contas. O gigante  africano retomou o crescimento em 2017 graças à agricultura, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas – o mesmo que o nosso INE.
Obviamente, em 2018, a retoma do aumento do preço do petróleo voltou a colocar o sector como a âncora da economia, não obstante o seu maior nível de diversificação económica que o de Angola, contando-se o impacto de sectores como a indústria transformadora nigeriana que é relativamente diversificada: além de refinarias de petróleo, siderúrgicas, processamento de alumínio, linhas de montagem de automóveis, também tem uma produção de escala em sectores agroalimentares (nossa industria de sumos compra naquela praça algumas matérias-primas, como o concentrado de frutas), têxteis, cinema e farmacêuticos. Assim, o país dá cartas.
A agricultura nigeriana combina a pequena produção alimentar e de cooperativas de camponeses com a produção mais intensiva, suportada por empresas multinacionais vindas da Europa e dos Estados Unidos da América. Recentemente, durante uma visita a Holanda, o Presidente Muhammadu Buhari estabeleceu acordos de investimentos para aumentar a produção de leite, algodão e até a instalação da Henieken.
Ora, é claro que nós não estamos parados. A produção agrícola angolana deu um grande salto. Todavia, é também verdade que é ainda ínfima para as nossas necessidades e se compararmos aos gigantes da África Subsaariana (a própria Nigéria e a África do Sul) ou ainda dos países do Magreb veremos o quanto temos pela frente.
Neste momento, o défice agroalimentar tem provocado uma grande pressão sobre as nossas reservas em divisas uma vez que o banco central tem de satisfazer as necessidades de importação alimentar, com valores elevadíssimos. É um absurdo que estejamos ainda a importar alho, laranjas e frangos. Precisamos de um maior pragmatismo para, a exemplo que se passou com o ovo, aumentarmos os nossos níveis de produção, sobretudo nos itens com maior pressão na balança.
O aumento da produção agroalimentar de Angola é um contingente para salvaguarda da segurança alimentar com sérios impactos sociais e económicos. Países com maior adversidade – Japão e Israel conseguiram inverter esse quadro. O aumento da produção agroalimentar, independentemente das outras razões que se possa apontar para o nosso actual défice, é um imperativo para combatermos o êxodo rural, melhorar os níveis de emprego e gerar renda para os pequenos agricultores. Vejamos o impacto no comércio internacional onde congolenses e supermercados como o Kero e o Candando compram campos inteiros, muitas vezes durante o plantio.
Maior hipótese de viabilidade tem a produção orientada não apenas para o consumo interno mas também para o comércio internacional, uma vez que as matérias-primas agrícolas estão em forte alta de preços devido ao aumento da população mundial, sobre exploração dos solos – uma vez que os mesmos perdem a  fertilidade, o que não é ainda o nosso caso(?). Os especialistas em agricultura apontam ainda a escassez de água, as condições meteorológicas e todos os eventos climáticos importantes, geralmente têm forte influência sobre os preços dessas matérias-primas agrícolas.
É urgente aprendermos com os outros. Tornar as terras acessíveis e com infraestruturas (estradas, água e energia). Aprendermos o melhor dos outros. Da África do Sul ou da Nigéria. Do Brasil ou da China. É urgente uma revolução verde, para alimentar, para empregar, para gerar receitas com exportação. Tornar realidade a poesia de Neto. Precisamos de voltar às nossas lavras e aos nossos campos. As nossas terras / vermelhas do café / brancas de algodão / verdes dos milharais.

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/a_seguranca_alimentar__e_as_licoes_da_nigeria

Mauritânia é o país das oportunidades para o empresário brasileiro

download (1)São Paulo – Empresas exportadoras brasileiras dos setores de calçados, cosméticos, alimentos industrializados e construção civil podem encontrar boas oportunidades na Mauritânia, país do norte da África ainda com pouca tradição comercial com o Brasil. São os setores em que o embaixador do País em Nouakchott, Leonardo Carvalho, identifica espaço para os brasileiros explorarem.

“A economia da Mauritânia deve alavancar quando as empresas começarem a pagar os royalties da exploração de gás, lá para 2020 e 2021”, disse Carvalho, em visita à sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira nesta segunda-feira (5), em São Paulo. As reservas da commodity são grandes, segundo o embaixador, e empresas como a Kosmos Energy, dos Estados Unidos, e a britânica BP estão investindo para extrair o produto.

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Os empresários brasileiros devem, portanto, aproveitar para marcar presença na nação árabe antes disso. As exportações ainda são tímidas. No ano passado, somaram US$ 102 milhões, valor altamente concentrado em açúcar. Trigo, aparelhos elétricos, carne de frango e componentes de maquinário foram outros itens com destaque na pauta.mauritania-africa-map

Mas é no setor de alimentos industrializados que o embaixador enxerga potencial para os brasileiros. “Há um grande domínio de empresas espanholas e francesas nesse setor. Vale explorar também os cosméticos e podemos ampliar a presença nos calçados, que já somos fortes”, ponderou.

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Segundo o embaixador, a proximidade da Mauritânia – de Recife à capital Nouakchott são pouco mais de 3,6 mil quilômetros atravessando o Atlântico – é outro fator vantajoso para o empresário brasileiro. Ele citou a possibilidade de o país servir de entrada para mercados vizinhos, como Mali e Burkina Faso.

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Carvalho ressaltou também o boom no setor de construção civil em Nouakchott. Segundo ele, há muitas obras ocorrendo na capital, o que abre espaço para as empresas brasileiras dessa indústria exportarem. “Há dinheiro circulando lá”, afirmou.

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É possível viajar do Brasil à Mauritânia em voos ofertados pela marroquina Royal Air Maroc, com conexão em Casablanca, pela turca Turkish, com parada em Istambul, ou pela Air France, via Paris. Os turistas europeus chegam ao país africano por meio de voos fretados: “O exotismo do deserto chama muito a atenção dos turistas”, contou o embaixador, que destacou também a existência de duas culturas no país: a árabe, mais ao norte, e a da África negra, ao sul. “É o que chamo um país de transição”, explicou.

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Carvalho está no país há cerca de um ano e meio, mas a embaixada brasileira em Nouakchott foi aberta em 2010, mesmo ano em que a Mauritânia abriu sua embaixada em Brasília. Segundo o Itamaraty, as relações diplomáticas entre os dois países foram estabelecidas em 1961, um ano após o Brasil reconhecer a independência da nação africana.

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Em abril, a Câmara Árabe fará a sua primeira missão empresarial para a Mauritânia. Dos dias 23 a 25 serão realizados seminários, visitas técnicas e rodadas de negócios com empresários do país africano. Antes, a missão passará por Jordânia, Egito e Tunísia.

“Nossa expectativa é abrir mercado para o empresário brasileiro nesses setores que identificamos com potencial”, contou o embaixador. Segundo ele, já há produtos brasileiros de empresas como JBS e Tramontina no país, mas sua vontade é ampliar essa oferta.1-DSC_1041.jpg

As inscrições para a Missão ao Norte da África podem ser feitas pelo link http://bit.ly/2F7IsOU. Após o preenchimento do cadastro, o departamento de Inteligência de Mercado da Câmara Árabe entrará em contato com os interessados.

Produtividade agrícola no Senegal aumenta áreas cultivadas em quase 400%

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No Senegal, as regiões cobertas pelo Programa de Aquisição de Alimentos para a África — PAA África — tiveram seus índices de produtividade agrícola triplicados após a implementação da iniciativa. Taxas médias de produção passaram de 0,8 tonelada por hectare para 2,57 toneladas.

O projeto também aumentou as áreas cultivadas — de 51 hectares para 245 — e fez duplicar a produção de arroz. Avanços foram divulgados e debatidos ao final de junho, durante seminário sobre a continuidade da estratégia.

o Senegal, as regiões cobertas pelo Programa de Aquisição de Alimentos para a África — PAA África — tiveram seus índices de produtividade agrícola triplicados após a implementação da iniciativa. Taxas médias de produção passaram de 0,8 tonelada por hectare para 2,57 toneladas. O projeto também aumentou as áreas cultivadas – de 51 hectares para 245 — e fez duplicar a produção de arroz. Avanços foram divulgados e debatidos ao final de junho, durante seminário sobre a continuidade da estratégia.

O PAA África conecta a oferta de alimentos vindos da agricultura familiar aos sistemas de compras públicas, como os que abastecem escolas que fornecem refeições aos seus alunos. O programa foi lançado em 2012 por meio de uma parceria entre o governo do Brasil, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).map senegal

O objetivo do projeto é combater a fome e estimular a geração de renda no meio rural. Atualmente, a iniciativa está presente em cinco países — Etiópia, Gâmbia, Níger, Moçambique e Senegal.

Em território senegalês, o PAA África foi implementado em duas fases: a primeira foi um programa-piloto que se estendeu de 2012 a 2013, enquanto a segunda marcou um momento de consolidação, de 2013 a 2016. A estratégia cobriu a região de Kégoudou e contribuiu para triplicar a renda anual de agricultores de arroz, além de aumentar a oferta do produto em 181 escolas.

O seminário realizado nos dias 29 e 30 de junho analisou as conquistas obtidas até o final do ano passado para assegurar o envolvimento das principais partes interessadas na formulação de uma nova fase do programa. O chamado PAA-extensão buscará melhorar o acesso de agricultores familiares a mercados institucionais. Outra meta é reduzir a pobreza no campo e continuar aumentando a produtividade agrícola.

O encontro de especialistas e gestores funcionou como uma consulta nacional — a última de uma série de consultas organizadas em cada um dos países onde o PAA África opera. Representantes do governo, do setor privado, de parceiros técnicos e financeiros e de associações de produtores discutiram o marco legal, o financiamento e a coordenação do programa.

Avaliações resultaram em uma série de recomendações para a fase de extensão. Indicações incluem medidas sobre assistência técnica e extensão rural, foco na diminuição das taxas de evasão escolar, soluções para o armazenamento de alimentos, aprimoramento da comunicação com os beneficiários e aumento da participação comunitária na alimentação escolar.

https://nacoesunidas.org/no-senegal-programa-da-onu-triplica-produtividade-agricola-e-aumenta-areas-cultivadas-quase-400/

Combate a desnutrição não acompanha o desenvolvimento econômico de Moçambique

A activista social e presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, Graça Machel

Graça Machel, wife of Nelson Mandela, in 2012
A activista social e presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade FDC, Graça Machel, alerta para o impacto da desnutrição crónica sobre as futuras gerações em Moçambique.

Se Moçambique não adoptar medidas energéticas para travar a subida galopante dos índices de desnutrição crónica, actualmente fixadas em 43 por cento, corre o risco de ter gerações de pessoas incapazes de pensar por si próprias e manter-se desta forma o ciclo vicioso… O alerta é da activista social Graça Machel.

“Estamos a dizer que 43% parece uma coisa normal. Senhores é metade, metade das crianças dos 0 aos 5 anos. (…) Quando dizemos uma geração, uma geração de uma maneira geral são 30 anos e portanto se não não quebrarmos agora, daqui a 60 anos nós vamos continuar a lidar com os mesmos problemas”, revelou Graça Machel.

A activista social e presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade FDC, falava durante o Painel Global sobre a Agricultura e sistemas alimentares para a nutrição que decorre na capital moçambicana e junta o governo, a sociedade civil e os parceiros.

http://pt.rfi.fr/mocambique/20170628-mocambique-bracos-com-desnutricao-cronica

Programa Alimentar Mundial alerta sobre desnutrição infantil em Moçambique

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Um estudo do Programa Alimentar Mundial indica que 26% dos casos de mortalidade infantil em Moçambique estão associados à desnutrição.
 
 
 
as taxas de desnutrição são persistentemente altas entre as crianças, devido aos elevados índices de doenças infecciosas, principalmente malária, e ao mau acesso aos serviços de saúde, água e saneamento
António Silva
 
Um estudo do Programa Alimentar Mundial (PAM), a ser lançado na quarta-feira, indica que 26% dos casos de mortalidade infantil em Moçambique estão associados à desnutrição, assinalando que o problema custa ao país 1,6 mil milhões de dólares.
 
O estudo, intitulado “Custo da fome em África”, refere ainda que 42,7% das crianças em Moçambique têm baixo crescimento e apenas 45,2% das que registam índices de desnutrição recebem cuidados de saúde adequados.
 
A maioria dos problemas de saúde associados à desnutrição ocorre antes que a criança atinja três anos de idade”, lê-se no estudo, cujo sumário foi distribuído à imprensa.
A mortalidade infantil associada à desnutrição reduziu a força de trabalho de Moçambique em 10% e 60,2% da população adulta já sofreu de problemas de crescimento, quando era criança, diz.
 
Os custos anuais associados à desnutrição infantil, prossegue o documento, são estimados em 1,6 mil milhões (1,4 mil milhões de euros), o que equivale a 10,96% do Produto Interno Bruto.
 
As crianças afetadas por problemas de crescimento são mais propensas a abandonar a escola. Estima-se que apenas 12% dos adultos afetados em Moçambique completaram a escola primária, em comparação com 84% de pessoas com crescimento normal”, destaca o estudo.
A avaliação refere que um quarto da população do país é desnutrida, apesar de, em 2015, Moçambique ter atingido o Objetivo de Desenvolvimento do Milénio de reduzir para metade o número de pessoas com fome.
 
Por outro lado, cerca de um quarto da população sofre de insegurança alimentar crónica, o que significa que não sabe se terá uma refeição.
 
Apesar dos ganhos que foram feitos, permanecem desafios significativos para a segurança alimentar e nutricional”, realça o texto.
De acordo com o PAM, as taxas de desnutrição são persistentemente altas entre as crianças, devido aos elevados índices de doenças infecciosas, principalmente malária, e ao mau acesso aos serviços de saúde, água e saneamento.
 

Brasil e São Tomé e Príncipe cooperam na alimentação escolar e combate à tuberculose

encontro de aloysio , e o presidente trovoada de são tome e eprincipeNa última etapa de sua viagem à África, o ministro Aloysio Nunes esteve hoje em São Tomé e Príncipe.presidente de sao tome e príncipe e senador anastasia e aloysio

Durante encontro que manteve com o Primeiro Ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Émery Trovoada, o ministro teve a oportunidade de passar em revista os diversos projetos de cooperação técnica impulsionados pelos dois países e que servem de eixo central da relação bilateral. Em especial, foram discutidos programas nas áreas de formação e capacitação profissional, transferência de conhecimento, alimentação escolar e combate à tuberculose. Foram tratados também assuntos de defesa, comércio e investimentos.embaixda do brasil em são tome e principe.jpg

Mais cedo, o ministro Aloysio Nunes visitou o Centro Cultural Brasil-São Tomé e Príncipe na companhia do senador Antonio Anastasia, do embaixador do Brasil em São Tomé, Vilmar Coutinho, e da diretora do centro cultural, Leila Quaresma. A instituição atua como importante espaço de difusão das culturas brasileira e santomense e serve de propulsor do intercâmbio cultural entre os dois países.centro culrtural brasil são tome

Brasil faz sua primeira visita diplomática ao Malawi

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Na primeira visita de uma autoridade brasileira ao Malawi, o chanceler Aloysio Nunes Ferreira foi recebido em Lilongwe por seu homólogo, Francis Kasaila, com quem assinou acordo para criação de mecanismo de consultas políticas. Terceira escala de sua viagem à África, a visita ao Malawi, país com quem o Brasil estabeleceu relações diplomáticas em 1964, é mais um passo na afirmação da importância do continente para a política externa brasileira.

Foram subscritos ainda acordos que colaborarão para aumentar os contatos entres os dois países, tanto no setor privado quanto no setor público, entre eles o de facilitação de vistos de negócios. Ele se junta ao Acordo de Facilitação de Investimentos, assinado em 2015. Somados, servem de atrativo para empresários do Malawi e do Brasil avançarem as relações econômicas e comerciais.

Grande exemplo desse potencial é o Corredor Logístico de Nacala, que será inaugurado no próximo dia 12. Linha férrea financiada pela empresa brasileira Vale, ligará o Malawi ao porto moçambicano de Nacala, abrindo nova via para as exportações desse país.

Em sua reunião de trabalho, os dois ministros discutiram campos para aumentar a cooperação, particularmente em agricultura. O ministro Aloysio confirmou a continuidade da participação do Brasil nos projetos de fortalecimento do setor algodoeiro nas bacias do baixo Shire e Zambeze, alinhados com os programas de cooperação brasileiros, que buscam promover fortalecimento institucional e mudanças estruturais por meio do compartilhamento de experiências e conhecimento. Para o ministro Aloysio, o Brasil tem muito a contribuir com o Malawi, em especial na segurança alimentar, em agricultura familiar e em alimentação escolar.

Visita do ministro Aloysio Nunes ao Malawi - 10/5/2017

Brasil e Guiné-Bissau trabalham para mlhorar a alimentação escolar

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O objetivo da parceria é garantir melhorias no Projeto Nacional de Cantinas Escolares (PCNE). Com a cooperação, as autoridades guineenses esperam que a lei do PNCE seja devidamente aprovada pelo Congresso. Outra meta é desenvolver um censo escolar para monitorar as instituições de ensino. Também está previsto o mapeamento de produtores locais — associações ou individuais — envolvidos no fornecimento de comida para colégios.

Parceria entre Brasil, Guiné-Bissau e ONU vai melhorar sistema de alimentação escolar do país africano. Foto: PMA/Ramin Rafirasme

Representantes do governo brasileiro, de agências da ONU e da Guiné-Bissau reuniram-se na capital do país africano para discutir os rumos de uma parceria que ajudará a nação a melhorar seu sistema de alimentação escolar. Realizado nos dias 27 e 28 de março, o encontro teve como marco a definição dos objetivos, atividades e resultados esperados com a cooperação, que visa a conectar a demanda de centros ensino à agricultura familiar.

A iniciativa para fortalecer a oferta de refeições em ambientes escolares na Guiné-Bissau recebe o apoio do Centro de Excelência contra a Fome, vinculado ao Programa Mundial de Alimentos (PMA), do Brasil e dos Ministérios da Educação, Agricultura e Finanças do país africano. Projeto terá início em agosto de 2017 e vai durar três anos.

O objetivo é garantir melhorias no Projeto Nacional de Cantinas Escolares (PCNE). Com a cooperação, as autoridades guineenses esperam que a lei do PNCE seja devidamente aprovada pelo Congresso. Outra meta é desenvolver um censo escolar para monitorar as instituições de ensino. Também está previsto o mapeamento de produtores locais — associações ou individuais — envolvidos no fornecimento de comida para colégios.

O governo da Guiné-Bissau também tem a expectativa de que a parceria com o Brasil e a ONU produza um plano estratégico para o PNCE, com orientações sobre compras locais, nutrição e educação alimentar.

Outro possível integrante da cooperação é a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que declarou à missão brasileira durante o encontro ter interesse em participar da iniciativa. A agência já confirmou que disponibilizará recursos financeiros.

O Centro de Excelência contra a Fome considera que a diversidade de instituições envolvidas permitirá garantir a integração eficaz entre a produção agrícola familiar e o sistema educacional.

O organismo do PMA ficou responsável por elaborar um rascunho das metas e atividades previstas pelo programa. O documento será compartilhado com os outros participantes até 30 de abril. As partes enviarão comentários e sugestões de revisão até 15 de maio. A versão consolidada deverá ser encaminhada para aprovação ao final do mês que vem.

 

https://nacoesunidas.org/brasil-e-onu-ajudam-guine-bissau-a-melhorar-sistema-nacional-de-alimentacao-escolar/

O impacto das parcerias Sul-Sul no desenvolvimento de estratégias para combater a fome

pmaO Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Centro de Excelência contra a Fome participaram na semana passada (31 de outubro a 3 de novembro) em Dubai, Emirados Árabes Unidos, da Expo Global de Cooperação Sul-Sul das Nações Unidas, evento anual que destaca inovações dos países do Sul no combate à pobreza.

Os órgãos da ONU participaram do evento com o objetivo de compartilhar e ampliar soluções Sul-Sul inovadoras que podem contribuir para a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

As agências das Nações Unidas com sede em Roma – PMA, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) – realizaram o evento paralelo “Redes do Sul e intercâmbio de conhecimentos – meios indispensáveis para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, para discutir contribuições da Cooperação Sul-Sul para progredir em direção ao ODS número – fome zero.

Peter Rodrigues, diretor adjunto do Centro de Excelência, participou do evento para apresentar a experiência do Centro como facilitador de Cooperação Sul-Sul.

Desde sua criação em 2011, o Centro, que é fruto de uma parceria entre o PMA e o governo brasileiro, tem oferecido oportunidades de diálogo e aprendizagem para cerca de 40 países comprometidos com o desenho de soluções inovadoras para superar a fome.

“Nossa meta para a Cooperação Sul-Sul é não deixar ninguém para trás e ajudar os países a compartilhar seus sucessos e aprender uns com os outros nas áreas de alimentação escolar, proteção social e mudança climática, para melhorar a segurança alimentar”, disse.

Expo Global de Cooperação Sul-Sul

Na abertura da conferência, a rainha jordaniana, Noor Al Hussein, disse que os países em desenvolvimento e as economias emergentes tornaram-se atores-chave não apenas no comércio e investimentos, mas também no desenvolvimento global e regional.

“Coletivamente, eles possuem práticas de desenvolvimento ricas, inovadoras e diversificadas e estão ativamente apoiando uns aos outros para encontrar soluções políticas práticas e relevantes”, declarou.

O evento foi realizado em Dubai pelo governo dos Emirados Árabes Unidos, por meio da Zayed International Foundation for the Environment. Desde sua criação, em 2008, a Expo tem detalhado boas práticas de centenas de países, agências da ONU, setor privado e organizações da sociedade civil. As exposições passadas ocorreram em Nova York, Washington, Viena, Genebra, Roma e Nairóbi.

Mais de 70 exibições foram feitas durante o evento. Representantes de Brasil, Índia e África do Sul lançaram durante a conferência o relatório 2016 do IBSA Fund (Fundo do Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul), destacando as conquistas do fundo de 31 milhões de dólares.

“Os muitos resultados do IBSA Fund em vários países em desenvolvimento são um testemunho sobre o impacto das parcerias Sul-Sul”, disse Jorge Chediek, diretor do Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul.

“Estamos muito felizes por oferecer a plataforma desta expo global para realçar os objetivos e conquistas dessa e de outras importantes iniciativas com apoiam a Cooperação Sul-Sul”.

https://nacoesunidas.org/nacoes-unidas-participam-de-evento-em-dubai-sobre-cooperacao-sul-sul/

Libéria e Quênia interessados em programas brasileiros de segurança alimentar

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Em viagem ao Brasil dos dias 24 a 31 de outubro para conhecer políticas nacionais de nutrição, delegações da Libéria e do Quênia visitaram cooperativas e centros de ensino no Rio Grande do Sul, onde estudantes, professores e agricultores estão envolvidos em projetos de alimentação escolar. A missão foi conduzida pelo Centro de Excelência contra a Fome.

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A primeira parada na segunda-feira foi a Escola Municipal de Educação Infantil Humaitá. O colégio atende 106 crianças de um a cinco anos, que fazem quatro refeições por dia. Para entender como os alimentos são preparados, integrantes das delegações foram às cozinhas da instituição e participaram da hora escolar — momento em que docentes e alunos cultivam frutas e vegetais utilizados na merenda.

“Nosso objetivo é dar às crianças a oportunidade de experimentar a sensação de cultivar sua própria comida. A horta não consegue suprir todos os ingredientes de que precisamos para as refeições das escolas, mas nós a utilizamos como um espaço em que as crianças podem se familiarizar com o que comem, um espaço para aprender sobre a importância de uma dieta saudável”, explicou a diretora do colégio, Patrícia Freitas.

O centro de ensino apresentou ainda outras iniciativas, como um programa de aproveitamento de água que coleta chuva para irrigar a horta e também para uso nos lavabos. A escola Humaitá também orienta crianças sobre como manter uma dieta saudável e sobre os riscos de uma alimentação baseada em produtos ultra-processados.

No mesmo dia, no Antônio Giúdice, colégio municipal de ensino fundamental, representantes dos países africanos foram apresentados a um projeto de compostagem que transforma o lixo da cozinha em fertilizante para a horta escolar.

Após visita às escolas, estrangeiros conheceram um restaurante comunitário subsidiado pelo governo local que oferece alimentação saudável a preços acessíveis para populações vulneráveis. Ao final do dia, as delegações visitaram um banco de leite humano e conversaram com técnicos brasileiros sobre as estratégias nacionais de estímulo ao aleitamento para o fornecimento de leite a crianças cujas mães não podem amamentar.

Agricultura familiar

Na terça-feira, os representantes da Libéria e do Quênia visitaram uma cooperativa de agricultores familiares no município de Viamão, Rio Grande do Sul. O que foi um dia uma única propriedade de terra, hoje é o assentamento de 375 agricultores familiares devido à reforma agrária.

Atualmente, a cooperativa fornece arroz e vegetais para escolas da região. Toda a comida produzida pelos agricultores familiares é orgânica. “Ao prover alimentação para o programa de alimentação escolar, damos às crianças acesso à alimentação saudável e apoio aos agricultores locais”, afirmou o coordenador do empreendimento, Huli Zang.

A cooperativa também produz pães, bolos e biscoitos com ingredientes regionais. Cerca de 95% da produção da padaria da cooperativa é vendida para centros de ensino das redondezas. A maioria das pessoas trabalhando na padaria é de mulheres, o que ajudou a incrementar a renda média das famílias e o padrão de vida da comunidade.

Foco na atenção básica de saúde

A visita de campo foi concluída em um centro de saúde na capital gaúcha, onde as delegações puderam aprender sobre a Estratégia Saúde da Família do Brasil, voltada para o combate à mortalidade de crianças.

“Ao combinar o atendimento básico de saúde a outras políticas de proteção social, como a transferência condicional de renda, o Brasil reduziu suas taxas de mortalidade infantil e melhorou os índices de desnutrição”, explicou a coordenadora da atenção básica da Secretaria da Saúde de Porto Alegre, Vania Frantz.

Para atender às exigências de saúde e nutrição, crianças com menos de sete anos devem receber todas as vacinas obrigatórias e cumprir um calendário de monitoramento do crescimento e da situação de saúde. Mulheres grávidas e lactantes também devem comparecer a consultas pré e pós-natal, além de participar de atividades de educação em saúde e nutrição.

Intercâmbio de conhecimentos em nutrição

Compostas por representantes dos ministérios da Saúde e Agricultura, da sociedade civil e dos escritórios do Programa Mundial de Alimentos da ONU nos dois países, as delegações participaram também do XXIV Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN), que aconteceu em Porto Alegre dos dias 26 a 29 de outubro.

Libéria e Quênia conhecem políticas brasileiras de nutrição em visita ao Rio Grande do Sul