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Mugabe deve renunciar a presidência do Zimbabwe, cargo que exerce desde 1980,

Zimbabwe's President Robert Mugabe SMILE

Zimbabwe’s President Robert Mugabe SMILES during three-day summit on food security at UN Food and Agriculture Organisation (FAO) in Rome on June 3, 2008. Zimbabwe’s President Robert Mugabe accused Britain Tuesday of fomenting Western efforts to effect “illegal regime change” in his country by crippling it economically. AFP PHOTO / POOL / Alessandro Di Meo (Photo credit should read ALESSANDRO DI MEO/AFP/Getty Images)

Eleazar Van-Dúnem |

A situação do Zimbabwe está hoje mais clarificada depois de na noite de ontem os militares terem reforçado as suas posições em toda a cidade de Harare, com especial incidência para as ruas que dão acesso à residência oficial do Presidente Mugabe e de ter detido alguns dos seus principais ministros.

Militares zimbabweanos reforçaram as suas posições nas ruas que dão acesso à residência de Mugabe
Fotografia: AFP |

A comunidade angolana está bem e foi aconselhada a permanecer em casa, enquanto a SADC vai enviar emissários especiais a Harare e a Luanda depois de Jacob Zuma ter falado ao telefone com Mugabe. A TAAG cancelou o voo de ontem para Harare.    

Robert Mugabe pode renunciar ao cargo 
O Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, deve renunciar hoje ao cargo que exerce desde 1980, após garantir a saída, do país, da primeira-dama, Grace Mugabe, numa altura em que uma intervenção militar alimenta rumores sobre um golpe de Estado.
O canal televisivo sul-africano  News24 noticiou ontem que hoje à tarde é anunciada a renúncia de Robert Mugabe e que o Exército mantém a família presidencial e a sua guarda sob custódia, depois de soldados do Exército bloquearem o acesso a edifícios do governo na capital do país, Harare, como o Mwenemutapa, que abriga o escritório do Chefe de Estado, o Parlamento e o Supremo Tribunal.
Ontem, informações apontavam para uma forte presença militar na estrada que leva à residência rural de Mugabe, no distrito de Zvimba.
Três explosões fortes foram ouvidas na noite de terça-feira em Harare, antes de os militares tomarem as ruas e prenderem ministros.
O jornal zimbabweano “NewsDay” noticiou que, após incursões militares nas suas residências, os soldados detiveram os ministros das Finanças, Ignatius Chombo, da Educação Superior, Jonathan Moyo, e do Governo Local, Obras Públicas e Habitação e comissário político a nível nacional da União Nacional Africana do Zimbabwe – Frente Patriótica (ZANU-PF), Saviour Kasukuwere. O trio faz parte do chamado “grupo G40”, facção da ZANU-PF que, segundo especialistas, procura afastar os veteranos da guerra da independência – como o Vice-Presidente Emmerson Mnangagwa, destituído na semana passada – e abrir caminho para a primeira-dama, Grace Mugabe, assumir o poder. No “NewsDay” lê-se que Jonathan Moyo é o cérebro do grupo, um dos muitos em que se dividiu a ZANU-PF para organizar a sucessão do Presidente Robert Mugabe, de 93 anos.
De acordo com a fonte, o presidente da juventude da ZANU-PF e o número dois dos serviços de inteligência foram detidos. Outras informações dão conta de que o director da Polícia também pode ter sido preso pelos militares. Na noite de terça-feira, o Exército negou que esteja em curso um golpe de Estado, mas prometeu combater o que chamou de “criminosos” próximos de Robert Mugabe.
Em comunicado lido à nação na TV estatal, o porta-voz militar disse que não se trata de “uma tomada militar do Governo”. O que os militares querem “é pacificar uma situação degenerada  que, se não for tomada uma providência, pode resultar num conflito violento”. “Assim que cumprirmos a nossa missão, esperamos que a situação volte ao normal”, afirmou.
O porta-voz pediu que todos os “veteranos de guerra” da luta de libertação do Zimbabwe assegurem a paz, a estabilidade e a unidade. E pediu que as forças de segurança cooperem para o bem do país.
“O Presidente e a sua família estão em segurança”, garantiu. Mais cedo, a ZANU-PF acusou num comunicado o chefe das Forças Armadas de “conduta de traição” por ter dirigido ao partido que Governa, na segunda-feira, um aviso sem precedentes, na primeira divergência pública entre Robert Mugabe e os militares.

Apelos à não violência 
Jacob Zuma, o Presidente da África do Sul, manifestou-se contra qualquer mudança de regime “inconstitucional” no Zimbabwe. Em comunicado, Jacob Zuma diz estar “muito preocupado” com a situação e manifesta esperança de que os desenvolvimentos no Zimbabwe “não levem a uma alteração inconstitucional do Governo”.
A ZANU-PF  anunciou no Twitter que “o Zimbabwe é pacífico e não há instabilidade. A Constituição não foi violada e continua a existir uma democracia”.
Em entrevista à agência DW África, Tendai Biti, antigo ministro das Finanças e líder do MDC, principal partido da oposição do Zimbabwe, condena a acção militar em curso no país, mas admite ser tempo de Robert Mugabe deixar o poder.  “Condenamos a retirada ilegal do Presidente, mas é preciso reconhecer duas coisas. Uma é que não houve violência, e acho que o Exército planeou esta acção cuidadosamente. Outra questão é que há uma crise política centrada no Presidente e na sua sucessão. Existe o grave risco de uma dinastia Mugabe se a sua esposa assumir o poder.”
O secretário-geral do MDC afirmou que “o Exército está em processo de tomar o comando”. Em entrevista pelo telefone a partir do Zimbabwe com o canal sul-africano ANN7, Douglas Mwonzora afirmou: “Esta é a definição padrão de um golpe de Estado. Se isto não é um golpe, o que será?”, questionou, antes de acrescentar que a ZANU-PF “está em fase de negação, mas já não tem o controlo”.
Sobre a mensagem do Exército, na qual foi descartada um “golpe militar”, Douglas Mwonzora considerou que “é um comunicado normal quando os militares intervêm”. “Há muito ressentimento contra (o Presidente) Robert Mugabe e a sua esposa (Grace)”, sublinhou. O político pediu aos cidadãos que “tenham cuidado” e disse ser a hora “de salvar o país”, mas advertiu que “não vai ser permitido derramamento de sangue”.
Até ontem, o clima em Harare era calmo, e o comércio funcionava normalmente.

Golpe sofisticado 

Sara Rich Dorman, pesquisadora especializada na História política do Zimbabwe, afirmou à UOL que esta acção militar “é um tipo peculiar de golpe, com um padrão diferente, que não vimos em outros lugares” e que se tiver êxito, pode  ser exportado e intervenções do género podem acontecer noutros países do continente.“Este modelo de intervenção pode ser atraente para outros países em que a maioria das disputas acontece dentro dos partidos dominantes.
Não havíamos visto os militares agindo de forma aberta assim em questões deste tipo. Agora que isso se tornou possível, abre-se a possibilidade de trajectórias semelhantes em outros lugares. Não daria para ver claramente onde, mas é uma nova forma de jogar a política africana, e, se der certo, as pessoas podem tentar repetir.”  Em vez de derrubar o governante e o grupo do poder, os militares parecem querer assumir o governo dizendo que o estão a defender.
“Dada a posição de Robert Mugabe e esta tradição, parecia improvável que alguém o tentasse derrubar. Daí o que estamos a ver, uma intervenção militar que aparentemente não o tirou do poder. Assim, eles conseguem assumir o governo sem precisar romper de forma tão definitiva com o sistema. Fizeram um golpe em defesa do partido que está no poder. É um modelo diferente de golpe”, disse Sara Rich Dorman.
A acção do Exército do Zimbabwe, que assumiu o controlo do país para supostamente proteger o Presidente Robert Mugabe, deve ser entendida como um golpe de Estado, afirma a também autora do livro “Entendendo o Zimbabwe – Da Libertação ao Autoritarismo”, publicado no ano passado, no qual analisa a História política do Zimbabwe. Mesmo que o Exército negue, não há outro nome para o que acontece no país, refere pesquisadora especializada na História política do Zimbabwe.
“É um golpe. É uma intervenção militar na política. Os militares alegam que estão a agir para defender os interesses de Robert Mugabe, que constitucionalmente é o presidente, mas não está claro se ele pediu isso. Não há motivo para achar que ele pediu. Conta como golpe. Não vejo forma de chamar de outra coisa”, disse a cientista política especializada em questões africanas, professora da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e editora sénior da revista académica “Journal of Southern African Studies”.
Sara Rich Dorman explica diz ser raro haver golpes no Sul de África, por a maioria dos países da região ter sistemas partidários fortes.

Ler os sinais dos tempos 

Analistas políticos angolanos contactados pelo Jornal de Angola condenaram a tomada do poder pela Forças Armadas e disseram que Robert Mugabe não soube ler os sinais dos tempos. Para o analista político Herlander Napoleão, é imperativo que as lideranças africanas interpretem os sinais dos tempos e as revoluções sociais que foram ocorreram no nosso continente com a chamada “Primavera Árabe”.
O analista diz ser preciso que se destrua a ideia de que não existe vida depois do poder, e sublinha que as novas gerações africanas perderam o medo, que é o ingrediente fundamental para as ditaduras. África precisa de instituições fortes e de homens sérios, comprometidos com o seu progresso e desenvolvimento , afirma.
Herlander Napoleão lembra que em África, ironicamente, quem chega ao poder através de golpe de Estado normalmente sai da mesma maneira.  “Existe uma linha muito ténue entre o Presidente muito temido e o Presidente muito odiado”, afirma. Lamenta que muitos líderes africanos dificilmente abandonam o poder  voluntáriamente e alerta que os líderes que não conseguirem fazer a leitura dos tempos podem não acabar os seus dias na sua terra natal.”
Para o analista, a boa governação, transparência, alternância democrática continuam “nublados e confusos, e muitos líderes  africanos esqueceram-se dos grandes líderes impulsionadores das lutas de libertação de África. Exorta os governantes africanos a evitarem promover o que chama de “sucessão dinástica” (tentativa de alguns chefes de estado em entregar o poder a filhos e mulheres) em países republicanos, o que, entende, está na origem de muitos conflitos em África.

Dirigentes africanos têm de acabar com a ideia de que são insubstituíveis e o seu poder é eterno

Augusto Báfua Báfua, especialista em relações internacionais, lembra que o antigo Presidente nigeriano, Olusegum Obasanjo, alertou no inicio deste  2017 aos líderes africanos longevos. “Se não deixarem o poder, o poder vai  deixar-vos”.
Para Báfua Báfua, Robert Mugabe deu indícios de perder o controlo da situação quando o seu maior problema passou a ser primeiro a ex-vice-presidente Joyce Mujuro e agora o sucessor desta, Emmerson “Ngwena” Mnangagwa.  Segundo o analista, cogita-se que os militares exigem a (re)nomeação de Emmerson Mnangagwa como vice-Presidente da República e o pedido de demissão de Robert Mugabe, ficando deste modo “Ngwena” como Presidente interino e candidato da ZANU-PF à Presidência da República já em 2018.
As próximas horas vão dizer muito sobre o futuro a curto prazo do Zimbabwe, perspectiva Augusto Báfua Báfua.
Osvaldo Mboco, docente universitário, lembra que o Zimbabwe independente sempre foi governado por Robert Mugabe, e que nos anos 80 e 90 este era um dos países mais prósperos de África, com um nível de desenvolvimento invejável, um índice de desenvolvimento humano médio e um sistema de saúde e educação dos melhores em África.
O analista pede uma posição clara da União Africana e dos blocos regionais nos quais o Zimbabwe está inserido sobre a situação.  O Zimbabwe, recorda, atravessa uma profunda crise económica, com 70 por cento da população a viver abaixo da linha da pobreza.

                                     União Africana condena “o que parece um golpe de Estado” contra Robert Mugabe no Zimbabwe

O Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, condenou, na qualidade de presidente em exercício da União Africana, “o que parece um golpe de Estado” no Zimbabué e  instou os militares a “submeterem-se à legalidade constitucional”, segundo um comunicado oficial.
“A União Africana manifesta a sua grande preocupação em relação à situação em curso no Zimbabwe, onde manifestamente soldados estão a tentar tomar o poder pela força”, lê-se no comunicado da organização.
A União Africana “condena com a maior firmeza o que parece um golpe de Estado e reitera o seu total apoio às instituições legais do país” e pede “aos militares que ponham imediatamente termo à sua ação e se submetam à legalidade constitucional”, acrescenta o texto.
Robert Mugabe destacou-se como líder guerrilheiro contra o regime racista branco de Ian Smith, o líder da Rodésia. Em 1980 tornou-se primeiro-ministro, e permitiu a Ian Smith, o homem que o manteve preso por uma década, viver os últimos anos no Zimbabwe. Nos anos 80, sob sua direcção, a economia do Zimbabwe era uma das mais pujantes do continente. Com uma taxa de alfabetização de 90 por cento, o Zimbabwe era  um exemplo para África.
Em 1981, Robert Mugabe recebeu o Prémio Internacional de Direitos Humanos da Universidade Howard em Washington e, em 1988, a ONU  distinguiu -o pela sua luta contra a fome em África.
De lá para cá, a sua imagem  perante a comunidade internacional mudou radialmente.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/militares_tem_o_controlo_da_situacao_no_zimbabwe

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Tropas do Senegal entram na Gâmbia para afastar antigo presidente

Com luz verde das Nações Unidas, o exército senegalês entrou na vizinha Gâmbia, cujo novo presidente já assumiu o cargo na embaixada do país no Senegal. Só falta que o ex-chefe de Estado, derrotado nas eleições, abandone o poder

Gâmbia - Yahya Jammeh (presidente derrotado)/  Adama Barrow (presidente eleito)
Gâmbia – Yahya Jammeh (presidente derrotado)/ Adama Barrow (presidente eleito). Reuters

Por unanimidade, os 15 membros do Conselho de Segurança aprovaram uma resolução dando cobertura aos países da CEDEAO, a Comunidade dos Países da África Ocidental, para intervir na Gâmbia.

Apoio total à CEDEAO nos seus compromissos para assegurar, primeiro, através de meios políticos, o respeito pela vontade do povo da Gâmbia, expresso nos resultados das eleições de 1 de dezembro”, refere a resolução das Nações Unidas.

Desde a meia-noite desta quinta-feira que o Senegal, onde a Gâmbia constitui um enclave, tinha tropas estacionadas na fronteira do pequeno país. Prontas a intervir de forma a afastar o presidente derrotado nas eleições de dezembro.

Já entrámos na Gâmbia”, foi a mensagem enviada à agência noticiosa Reuters por um porta-voz do exército senegalês.

O propósito da intervenção militar dos países da CEDEAO é o de afastar do poder Yahya Jammeh, de 51 anos, que se tornou presidente do pequeno país de língua inglesa através de um golpe militar em 1994.

Após as eleições de 1 de dezembro, tem-se recusado a abandonar o cargo. Não reconhece a derrota eleitoral e recorreu até para o Supremo Tribunal do país. Que entretanto considerou não ter competências para esse tipo de avaliação.

Empossado fora de portas

Eleito em dezembro, Adama Barrow é o novo presidente do país. Refugiou-se no vizinho Senegal, a potência regional de língua francesa, que tem fronteira a sul com a Guiné-Bissau, à espera que os esforços diplomáticos levados a cabo nas últimas semanas convencessem Yahya Jammeh a deixar o poder.

Face à irredutibilidade do presidente derrotado, que não se deixou convencer pelas várias missões de países da CEDEAO, o eleito Adama Barrow preferiu jurar a Constituição do país e assumir o cargo na embaixada da Gâmbia no Senegal.

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Presidente eleito da Gâmbia toma posse no Senegal

O PRESIDENTE eleito da Gâmbia, Adama Barrow, disse hoje, quinta-feira, que vai assumir o cargo de Presidente da República na embaixada da Gâmbia na capital senegalesa, Dakar, às 16.00 (hora local).

Barrow encontra-se desde semana passada em Dakar, onde se deslocou para consultas junto de Chefes de Estado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), organização que medeia a crise gambiana.

Numa mensagem postada na sua conta no Twitter, Barrow disse: “Meus queridos Gambianos, a presidência de Yahya Jammeh está oficialmente terminada. A nova era da Gâmbia finalmente chegou. Todos vocês são bem-vindos à minha tomada de posse hoje às 16 horas na Embaixada Gambiana, em Dakar”.

Relatos anteriores sugeriam que ele iria tomar posse num local indeterminado na Gâmbia.

Estes novos desenvolvimentos seguem-se ao fracasso das negociações de última hora para persuadir o Presidente derrotado, Yahya Jammeh, a demitir-se. O prazo terminou sem que Jammeh deixasse o poder.

Como sinal de crescente isolamento, o ainda homem forte de Gâmbia tem assistido ao abandono de figuras-chave do governo e do seu círculo mais próximo.

A vice-presidente da Gâmbia, Isatou Njie-Saidy, renunciou ontem, horas antes de expirar o mandato do Presidente Jammeh, informou a agência de notícias AFP, citando fontes familiares.

O ministro do Meio Ambiente e do Ensino Superior também renunciou, o último de uma série de membros do Executivo a abandonar Jammeh, após a sua recusa em deixar o cargo.

O advogado de Jammeh fugiu para o Senegal depois de escrever uma carta pedindo-lhe para abandonar o poder, segundo notícias do jornal Premium Times da Nigéria.

Edu Gomez disse que trabalhou para Jammeh sob “tremenda pressão e coerção”, relata o jornal, que cita a carta do advogado, na qual diz: “Na terça-feira, 17 de Janeiro de 2017, eu e o meu filho tomámos uma decisão crucial de procurar um santuário na República do Senegal. Isso foi considerado necessário devido ao crescente medo e tensão”.

Um correspondente da BBC na capital, Banjul, relata que a situação está estranhamente silenciosa e que tudo está parado; as pessoas mantém-se dentro de casa, com receio de serem apanhadas no meio de confusão, na sequência do estado de emergência decretado quarta-feira por Jammeh.

As forças militares da África Ocidental estão preparadas para entrar no país a fim de imporem a transferência do poder.

Relatos não confirmados dão conta de que as tropas do Senegal já atravessaram a fronteira para garantirem um número de cidades, com a ajuda de soldados gambianos.

Jammeh – que está no poder há mais de duas décadas – contesta o resultado das eleições

http://jornalnoticias.co.mz/index.php/internacional/64602-presidente-eleito-da-gambia-toma-posse-no-senegal.html

Presidente da Gambia está isolado internacionalmente

Eleazar Van-Dúnem |

Fotografia: Martial Trezzini | Pool/ AFP

A crise política na Gâmbia, que desde terça-feira está em Estado de Sítio por decreto de Yahya Jammeh, cujo mandato legítimo terminou hoje, é até agora o maior teste para a política de prevenção de conflitos que o novo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e a União Africana querem privilegiar.

 

Perante o Conselho de Segurança , António Guterres disse recentemente que a organização gasta muito tempo e recursos na resposta às crises, sublinhando que as pessoas pagam um preço alto demais e defendendo “uma nova abordagem” baseada na mediação de conflitos e na “diplomacia pela paz” e mais empenho “para prevenir a guerra e apoiar a paz ao invés de nos concentrarmos em responder aos conflitos”.
O mundo espera de António Guterres um papel mais activo na tentativa de resolução dos problemas internacionais e acredita, como afirmou recentemente o Presidente angolano José Eduardo dos Santos, que o novo Secretário-Geral da ONU vai dar um “notável impulso a uma nova abordagem dos problemas internacionais”.
O conflito na Gâmbia, por conseguinte, é a oportunidade para António Guterres demonstrar uma diplomacia preventiva mais actuante que busque soluções efectivas para os conflitos actuais e evite novos conflitos, rompendo deste modo com o consulado de Ban Ki-moon, muito criticado pela sua inacção.
Para a União Africana, é uma oportunidade para que possa adoptar um novo paradigma e enviar uma clara mensagem aos líderes africanos sedentos de poder, a de que já não vai permitir que líderes depostos pela vontade do povo manifestada nas urnas governem à revelia da soberania popular. A crise na Gâmbia ainda não resvalou para uma guerra civil, mas o evoluir da situação caminha para tal, a menos que a ONU e a União Africana invertam o percurso.
A organização mundial e a entidade regional, que defendem o mesmo “modus operandis” e cooperam em matéria de paz e segurança, também serão marcados, pela positiva ou pela negativa, sobretudo o mandato de António Guterres e a actuação da União Africana.

Mediação de Marrocos

A France Press noticiou, citando um site de informação marroquino, que Marrocos promove “uma mediação discreta” na Gâmbia para convencer Yahya Jammeh a abandonar o poder. De acordo com a fonte, que cita “meios diplomáticos concordantes”, o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Nasser Bourita, e Yassine Mansouri, chefe dos serviços de inteligência externa, “cumprem há alguns dias” uma “missão delicada em Banjul” para o agora Presidente ilegítimo “ceder o poder e aceitar a derrota nas eleições com a eventualidade de uma retirada dourada em Marrocos”.
Solicitado pela France Press para confirmar essas informações, o Governo marroquino recusou-se a comentar. Rabat mantém boas relações com a Gâmbia.

Intervenção militar

Vários meios de comunicação sociais noticiaram esta semana, citando fontes do Governo e do Exército nigeriano, que a Comunidade Económica de Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO) prepara uma intervenção militar na Gâmbia, caso Yahya Jammeh continue a recusar abandonar o poder.
Entre os países implicados na acção destacam-se a Nigéria e o Senegal, que têm uma força conjunta para desdobrar em território gambiano. “Tomou-se a decisão de não permitir que o Presidente cessante da Gâmbia permaneça no poder e isso vai ocorrer através de uma intervenção militar, a menos que Yahya Jammeh renuncie”, disse uma fonte militar citada pela Prensa Latina.
“Vamos mobilizar-nos muito rápido para Dacar, no Senegal”, disse outra fonte, citada pela France Press, que mencionou o envio de “pilotos, técnicos e pessoal de manutenção dos aviões” relacionado “com os acontecimentos em curso na Gâmbia”. Especialistas militares convergem na ideia de que as Forças Armadas gambianas “não têm capacidade de enfrentar uma eventual força regional” se avançar a intervenção militar.

Yahya Jammeh isolado   

No plano interno, o Presidente cessante está cada vez mais isolado. Quatro novos ministros deixaram o Governo já assolado por uma série de demissões, noticiou na terça-feira a agência de notícias France Press citando fonte próxima do poder.
Os últimos ministros a demitir-se são o dos Negócios Estrangeiros, Neneh Macdoual-Gaye, das Finanças, Abdou Colley, do Comércio, Abdou Jobe e do Turismo, Benjamin Roberts, disse uma fonte próxima do governo cessante, que pediu anonimato.
Benjamin Roberts foi nomeado na segunda-feira para as Finanças, em substituição de Abdou Colley, mas permaneceu menos de 24 horas no cargo. Os ministros da Informação e dos Desportos tinham sido substituídos na semana passada.
Mudanças também ocorreram no Exército, onde oficiais que se recusam a apoiar Yahya Jammeh contra o Presidente eleito Adama Barrow, como solicitado pelos comandantes da Guarda republicana, que garante a protecção do agora Chefe de Estado ilegítimo, foram detidos domingo, segundo fontes dos serviços de segurança e da oposição.
Esta última reclama pela libertação imediata dos militares detidos.
Yahya Jammeh decretou o estado de emergência na terça-feira, justificando a medida com “um nível de ingerência estrangeira excepcional e sem precedentes” no processo eleitoral do país – em pronunciamento transmitido pela televisão e no qual lamentou “a atmosfera hostil injustificada que ameaça a soberania, a paz e a estabilidade”.
O agora Presidente ilegítimo diz querer permanecer no cargo até que a Justiça se pronuncie sobre o recurso apresentado por si.
A Constituição da Gâmbia estabelece que o estado de emergência dura sete dias a partir do decreto, mas pode ser prorrogado por até 90 dias com a aprovação do Parlamento, que já deu sinal verde para tal.
O estado de emergência, refere, vigora até o Tribunal Supremo se pronunciar em relação a uma reivindicação do partido de Yahya Jammeh sobre alegadas irregularidades na votação.
O Tribunal Supremo devia ter decidido o caso no dia 10, mas adiou a decisão para Maio, por alegada falta de juízes para uma deliberação

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/jammeh_sem_legitimidade_pode_ser_obrigado_a_sair

Gâmbia: Dirigentes oeste-africanos em Banjul pressionam Jammeh para abandonar o poder

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Abuja (Nigéria) – Os dirigentes oeste-africanos vão deslocar-se novamente esta semana a Gâmbia, para pressionar o presidente Yahya Jammeh a respeitar o resultado das eleições e a deixar o poder, declarou esta segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, noticiou a AFP.

O chefe de Estado nigeriano, Muhammadu Buhari, desloca-se à Banjul terça-feira, acompanhado da sua homóloga da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, e o antigo presidente do Ghana, John Dramani Mahama, precisou o ministro, Geoffrey Onyeama.

Esse encontro visa “discutir com o presidente Jammeh o imperativo de respeitar à Constituição”, acrescentou o ministro, num comunicado, após discussões sobre a crise gambiana.

O presidente nigeriano Muhammadu Buhari e o ex-presidente ghanense foram escolhidos pela organização oeste-africana da CEDEAO como mediadores para resolver à crise eleitoral na Gâmbia, onde o presidente cessante Yahya Jammeh recusa-se a abandonar o poder.

Yahya Jammeh, a frente da Gâmbia há 22 anos, tinha inicialmente reconhecido a sua derrota nas presidenciais de 01 de Dezembro e felicitou o seu opositor Adama Barrow, antes de fazer à revira-volta.

A 09 de Dezembro, rejeitou os resultados e exigiu a organização de um novo escrutínio ao argumentar irregularidades na contagem dos resultados.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/0/2/Gambia-Dirigentes-oeste-africanos-Banjul-para-pressionar-Jammeh-abandonar-poder,9fd44e57-5db5-4f6d-b73a-ac461b80066a.html

Nota do Ministério das Relações Exteriores do Brasil sobre a República Democrática do Congo

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O governo brasileiro acompanha com preocupação a situação na República Democrática do Congo, onde choques entre forças de segurança e manifestantes provocaram a morte de cerca de 20 civis em Kinshasa no dia de ontem, 20/12, segundo declarações de altos funcionários da ONU.
 
O governo brasileiro acolhe com satisfação a retomada, hoje, do diálogo entre governo e oposição mediado pela Conferência Nacional Episcopal do Congo (CENCO) e conclama as partes envolvidas a agirem com moderação e a redobrarem os esforços com vistas à obtenção de solução, baseada em diálogo inclusivo, para a realização das próximas eleições presidenciais no país.
 
A Embaixada do Brasil em Kinshasa acompanha a situação no país e mantém contato com a comunidade brasileira residente na capital congolesa, a fim de prestar a assistência que se fizer eventualmente necessária.
 

República Democrática de Congo: com intensos tiroteios

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Lubumbashi – Intensos tiroteios foram ouvidos nesta terça-feira de manhã, em Lubumbashi, a segunda cidade da República Democrática do Congo, noticia a AFP.

Os tiroteios foram ouvidos onde as forças de segurança estão destacadas para o último dia de mandato do presidente Joseph Kabila.

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O tiroteio começou por volta de 09h15 (07h15 TMG) num bairro do sul desta cidade do sudeste do país, segundo este jornalista aconteceu pouco antes nesta zona, palco de confrontos entre os manifestantes e a polícia que testemunharam vários pneus queimados abandonados numa estrada cheia de pedras.

Foram ouvidas intensas rajadas por cerca de vinte minutos que em seguida originou os tiroteios de forma intermitente até pouco depois das 10h00.

Na comuna de Matuba onde o jornalista já havia encontrado vestígios de confrontos, um oficial sénior da polícia disse que os seus homens tinham atacado os “grupos de manifestantes” hostis de cinco a 10 pessoas.

Jean-Claude Kazembe, Governador do Alto – Katanga, província do qual Lubumbashi é a capital, disse à AFP que “entre os manifestantes (em Katuba), identificou-se três que estão armados”.

“Isto é o que justifica a polícia, disparar balas reais para o ar para dispersar os civis”, acrescentou o governador.

Lubumbashi é o feudo do opositor no exílio, Moisés Katumbi, um candidato às presidenciais que deveriam realizar-se este ano, mas que foram adiadas indefinidamente.

Kabila, cujo mandato termina nesta terça-feira, está no poder desde 2001 e a Constituição o proíbe de candidatar-se.

O Chefe de Estado tem a intenção de permanecer no poder até que seja eleito alguém para sucedê-lo.

O opositor congolês histórico, Etienne Tshisekedi, apelou na noite de segunda para terça-feira ao povo para “não reconhecer” o presidente.

A situação está muito tensa na RDC desde as últimas 48 horas. A maior parte das grandes cidades estão controladas pelo aparato militar e a população continua massivamente em casa.

http://cdn1.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/11/51/Congo-Intensos-tiroteios-ouvidos-Lubumbashi,95e93411-5f0b-43da-8794-87256eebe3d1.htmlunc

Crise política na República Democrática do Congo afetará Angola e região

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As forças de segurança invadiram as ruas de Kinshasa, depois da suspensão das conversações para encontrar uma solução pacífica para a crise política na República Democrática do Congo, resultante do fim do mandato do Presidente Joseph Kabila. O MPLA/regime reiterou o claro, inequívoco e musculado empenho do Governo angolano a Kabila, mascarado com o rótulo de ajuda à resolução do conflito.
 
Por Norberto Hossi
 
As negociações para uma saída da crise, resultante do fim do segundo e teoricamente último mandato do actual chefe de Estado no próximo dia 20, foram interrompidas sem a obtenção de quaisquer progressos.
 
Com Kabila a recusar marcar eleições e a dar sinais de estar indisponível para abandonar o poder (cuja manutenção lhe é assegurada pelo patrono José Eduardo dos Santos), os receios do ressurgimento da violência regressaram a este país que tem um extensa fronteira com Angola.
 
As conversações deverão ser retomadas na próxima quarta-feira, quando os bispos católicos que têm assumido a mediação regressarem de uma viagem a Roma há muito planeada.
 
As forças de segurança de Kabila (onde se ouve falar frequentemente em português) foram colocadas em larga escala nos pontos de maior concentração da oposição em Kinshasa.
 
Kabila, impedido pela Constituição (como se isso tivesse algum valor – veja-se o caso de Angola) de concorrer a um terceiro mandato presidencial, fez saber que quer permanecer no poder até ser escolhido um sucessor, porém, várias figuras da oposição reclamam que o actual Presidente entregue o poder a uma liderança de transição enquanto o próximo chefe de Estado não for escolhido pelo voto.
 
Joseph Kabila, de 45 anos, está no poder da República Democrática do Congo desde que o seu pai, Laurent Kabila, foi assassinado em 2001. O actual presidente foi eleito em 2006 e reeleito em 2011.
 
O líder da oposição, Étienne Tshisekedi, ameaçou apelar às manifestações a partir desta segunda-feira, se as conversações não ganharem um bom rumo.
 
Começaram já a circular na capital da RDC panfletos que apelam ao povo para que retome Kinshasa “rua a rua, bairro a bairro, até ganhar toda a RDC”.
 
congoCom a cobertura das Nações Unidas
 
Joseph Kabila é um servo ao serviço dos interesses regionais de José Eduardo dos Santos. Ou faz o que ele manda ou vai suceder-lhe o mesmo que ao pai.
 
A respaldar o apoio institucional (tal como o oficioso) de Angola a Kabila está o facto de os membros do Conselho de Segurança da ONU reconhecerem o papel (sobretudo militar) que o regime de Eduardo dos Santos representa na região.
 
No início de Novembro, Georges Chikoti, chefe da diplomacia angolana frisou que Angola, como membro da comunidade internacional pensa que é necessário que o Conselho de Segurança da ONU assuma o papel de trabalhar em coordenação com a região, com a RDCongo, para que possa ajudar este país amigo e servil ao regime de Luanda.
 
Angola no âmbito da presidência da CIRGL (Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos) tem-se engajado para encontrar soluções para resolução de conflitos políticos na RDCongo e que, é claro, mantenham no poder o seu servil amigo Joseph Kabila. Se assim não for… não haverá paz para ninguém.
 
Recorde-se que na guerra civil na RDCongo, entre 1998 e 2002, Angola e o Zimbabué enviaram tropas para aquele país para apoiar o regime do então Presidente, Laurent Désiré Kabila, pai de Joseph Kabila, contra os rebeldes, apoiados pelo Ruanda, Uganda e Burundi.
 
Laurent Kabila foi… ingrato
 
Quem de facto manda na RDCongo é o regime angolano e, por isso, ou Joseph Kabila faz o que Eduardo dos Santos manda ou, é claro, corre o risco de ter, na melhor das hipóteses, de se exilar.
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É por isso que regularmente Kabila manda enviados a Luanda garantir a sua total subserviência a Eduardo dos Santos.
 
Recorde-se que o anterior presidente, Laurent Kabila, subiu ao poder graças à ajuda militar angolana. O exército angolano ofereceu a Kabila uma brigada de 3 mil homens muito bem armados e treinados. Na maioria, esses homens eram antigos gendarmes catangueses, desejosos de vingar a derrota sofrida frente a Mobutu quando foi da revolta do Catanga.
 
Laurent Kabila pediu ajuda ao leão angolano para derrotar os mabecos que o atacavam. O leão derrotou os mabecos e depois… comeu-o.
Laurent Kabila pediu ajuda ao leão angolano para derrotar os mabecos que o atacavam. O leão derrotou os mabecos e depois… comeu-o.
Kabila aceitou a ajuda desses militares mas, logo após a vitória, em Maio de 1997, dissolveu essa brigada porque a consideraria perigosa por suspeitar (e com razão) que seria leal aos interesses angolanos.
 
Kabila desconfiava do amigo angolano… e, assim, percebe-se melhor a forma como morreu assassinado em Janeiro de 2001.
 
Já Joseph Kabila mostra que é um bom aluno do mestre presidente de Angola, e do MPLA, partido está no poder desde 1975 e cujas forças armadas, com mais de 100 mil efectivos, é das mais modernas e poderosas de África.
 
Também em matéria de liberdades Joseph Kabila mostra o que aprendeu com o mestre angolano. Recordam-se que ele mandou prender cinco jornalistas de uma televisão privada em Kinshasa depois da difusão de uma entrevista com um adversário político do seu Governo?
 
Tal como em Angola, então os jornalistas (essa espécie que deveria ser banida da face da terra) julgam-se no direito de entrevistar os adversários políticos do dono do poder? Onde julgam eles que estão?
 
Recordemos Novembro de 2008. A crise humanitária e a continuação dos confrontos militares na República Democrática do Congo justificaram uma intervenção “forte” de Luanda para apoiar Joseph Kabila.
 
Os confrontos entre a milícia Mai-Mai, aliada do Governo congolês, e os rebeldes tutsis do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), ameaçavam a dita “estabilidade”.
 
As hostilidades no leste era de tal ordem que não pouparam os funcionários da ONU que tinham chegado à região com o primeiro comboio de ajuda humanitária para os 250 mil deslocados concentrados na zona de Kiwanja.
 
Soldados uruguaios e indianos dos Capacetes Azuis da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUC) tiveram de usar a força para resgatar 12 membros da missão humanitária que estava na área de Kiwanja, a dois quilómetros de Rutshuru, tomada pelos rebeldes tutsis em 26 de Outubro de 2008.
 
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) confirmou que três campos de refugiados, perto de Rutshuru, tinham sido destruídos, causando a fuga de mais de 50 mil pessoas.
 
Por sua vez, os rebeldes da CNDP denunciaram a presença de soldados zimbabuanos e angolanos na província de Kivu Norte. Além disso, o chefe do contingente militar uruguaio da ONU em Kivu Norte, general Jorge Rosales, afirmou que os seus soldados foram atacados por tanques ruandeses, o que sustentou a acusação de que Ruanda apoia os rebeldes.
 
Sobre as acusações a Angola, alguns analistas angolanos disseram na altura que essa situação era “incontornável”. Graça Campos, director do “Semanário Angolense”, disse que Luanda só aguardava pelo “apoio formal” da comunidade internacional para enviar militares em apoio de Joseph Kabila.
 
Por seu lado, Nelson Pestana “Bonavena”, professor universitário, lembrava que “Angola é parte integrante da solução do conflito na RDCongo” frisando que Luanda “faz parte do sistema de sustentação de governação” daquele país.
 
“Angola é um aliado natural e forte de Kabila, pois tem participado em todos os processos de pacificação, na procura de entendimentos, e, obrigatoriamente, tem de participar nesse processo”, afirmou Nelson Pestana.
 

Comitê Contra Discriminação Racial da ONU insta Burundi a proteger os seus civis

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O Comité para a Eliminação da Discriminação Racial (CEDR) da ONU instou hoje o Burundi a atuar de forma a proteger a sua população civil e a permitir a entrada de um contingente da organização para verificar a situação.

Os representantes do CERD sustentam num comunicado que “o facto de milícias armadas intimidarem a população abertamente mostra a incapacidade ou falta de vontade do governo de proteger os civis”.

O comité expressa “grande preocupação” com o número de assassínios, execuções sumárias, desaparecidos e torturados, com o facto de “muitos dos casos terem uma motivação étnica” e com “a utilização do discurso do ódio” por parte de representantes do executivo, bem como com o crescente número de cidadãos do Burundi exilados.

O Burundi está imerso numa grave crise desde abril de 2015, quando o seu presidente Pierre Nkurunziza se candidatou a um terceiro mandato, contrariando, do ponto de vista da oposição, a Constituição.

Desde então morreram centenas de pessoas e cerca de meio milhão abandonaram as suas casas, segundo a ONU, que alertou para um possível genocídio e acusou o governo de crimes contra a humanidade.

O Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação para determinar a possível responsabilidade do governo de Nkurunziza, que reagiu proibindo a entrada dos investigadores da ONU e pedindo a sua saída do TPI.

Até agora, as autoridades do Burundi recusaram a entrada de um contingente de 228 polícias aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU para estabilizar o país e suspenderam as relações com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O comité expressa “grande preocupação” com o número de assassínios, execuções sumárias, desaparecidos e torturados, com o facto de “muitos dos casos terem uma motivação étnica” e com “a utilização do discurso do ódio” por parte de representantes do executivo, bem como com o crescente número de cidadãos do Burundi exilados.

O Burundi está imerso numa grave crise desde abril de 2015, quando o seu presidente Pierre Nkurunziza se candidatou a um terceiro mandato, contrariando, do ponto de vista da oposição, a Constituição.

Desde então morreram centenas de pessoas e cerca de meio milhão abandonaram as suas casas, segundo a ONU, que alertou para um possível genocídio e acusou o governo de crimes contra a humanidade.

O Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação para determinar a possível responsabilidade do governo de Nkurunziza, que reagiu proibindo a entrada dos investigadores da ONU e pedindo a sua saída do TPI.

Até agora, as autoridades do Burundi recusaram a entrada de um contingente de 228 polícias aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU para estabilizar o país e suspenderam as relações com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/696986/comite-contra-discriminacao-da-onu-insta-burundi-a-proteger-os-seus-civis