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Conselho de Segurança da ONU aprovou o cumprimento do Acordo de Conacri na Guiné Bissau

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O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou hoje uma declaração presidencial a pedir o cumprimento do Acordo de Conacri e a nomeação de um novo primeiro-ministro na Guiné-Bissau.

A declaração diz que o Acordo de Conacri, que prevê a formação de um governo consensual integrado por todos os partidos representados no parlamento e a nomeação de um primeiro-ministro de consenso e de confiança do chefe de Estado, é “a ferramenta principal para uma resolução pacifica da crise política” e diz que o documento oferece uma “oportunidade histórica”.

“O Conselho de Segurança expressa preocupação profunda com o impasse político na Guiné-Bissau, devido à incapacidade dos seus líderes atingirem uma solução consensual e duradoura, como fica demonstrado com o falhanço da Assembleia Nacional em realizar sessões plenárias desde janeiro de 2016 e com o falhanço de quatro governos consecutivos em aprovar um programa de governo e um orçamento nacional”, lê-se na declaração.

Os membros do Conselho de Segurança lembram “os efeitos negativos da crise política na população civil” e pedem “a todos os atores políticos que coloquem os interesses do povo da Guiné-Bissau acima de quaisquer outras considerações”.

“O Conselho de Segurança sublinha a importância de preparar as eleições legislativas e presidenciais, calendarizadas para 2018 e 2019, sobretudo atualizando o registo de eleitores”, defende a organização.

A declaração do presidente do Conselho de Segurança elogia a extensão por três meses da missão Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) no país, sublinhando o seu “papel positivo na estabilização do país.”

As notícias do crescimento económico são bem recebidas, mas os estados membros dizem que “com as causas da instabilidade por resolver”, estes ganhos “podem não ser sustentáveis.”

O organismo volta a pedir uma reforma do setor da segurança, um combate à corrupção reforçando o sistema judicial e uma melhoria da administração pública da Guiné-Bissau.

“O Conselho de Segurança mostra preocupação para com os desafios colocados pelas ameaças terroristas e outras ameaças, como o extremismo violento, que podem conduzir a terrorismo e crime organizado internacional, como tráfico de drogas e pessoas”, lê-se no documento.

A declaração não se refere à revisão das sanções impostas a 10 militares da Guiné-Bissau, algo que foi defendido pelo presidente do Comité de Sanções para o país, Elbio Rosselli, embaixador permanente do Uruguai na ONU.

Segundo o “What`s in Blue”, uma publicação do Conselho de Segurança, “vários estados membros parecem estar contra a retirada de indivíduos da lista” porque “acreditam que manter essa designação cria um desincentivo a possíveis interferências pelos militares numa situação que ainda é muito frágil.”

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/conselho-de-seguranca-pede-implementacao-de-acordo-de-conacri-na-guine-bissau_n1026951

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Quênia vive clima de tensão pós eleição e vitória de Uhuru Kenyatta

Nairobi – O líder da oposição queniana, Raila Odinga, 72 anps, prometeu domingo que não se renderá até que seja reconhecida a sua vitória nas eleições presidenciais, vencidas pelo presidente , enquanto aumentava a pressão para que acalmasse os seus simpatizantes.

RAILA ODINGA, LÍDER DA OPOSIÇÃO NO QUÉNIA

FOTO: ANGOP

Na sua primeira aparição pública desde sexta-feira à noite, Odinga também pediu aos seus simpatizantes para não irem trabalhar nesta segunda de manhã, após a pressão da comunidade internacional para que interviesse no sentido de arrefecer os ânimos no período pós-eleitoral, em que os distúrbios já deixaram 16 mortos desde sexta-feira.

O opositor anunciou que iria explicar na próxima terça-feira “o caminho a seguir” pelo seu partido político e assinalou: “Ainda não perdemos. Não cederemos”, insistiu em Kibera, subúrbio de Nairobi, reduto da oposição.

Confrontos violentos foram registados domingo na comunidade de Mathare, subúrbio de Nairobi, entre membros da etnia kikuyu, ligada ao presidente reeleito, Uhuru Kenyatta, e integrantes da etnia luos, apoiantes do opositor derrotado nas urnas.

A violência irrompeu depois que os luos incendiaram estabelecimentos de comerciantes kikuyus, provocando uma batalha campal entre ambos os grupos. Dois homens morreram.

Os incidentes ocorreram após uma visita de Odinga a Mathare para se encontrar com a família de uma menina de nove anos que morreu baleada na manhã de sábado quando estava na varanda no quarto andar de um prédio.

Odinga visitou o subúrbio de Kibera, onde, diante de milhares de apoiantes, afirmou que não aceitaria os resultados da eleição presidencial “roubada”, segundo ele, por Kenyatta.

“Ainda não perdemos. Não baixaremos a guarda. Esperem que anuncie o que deve ser feito, depois de amanhã”, assinalou no domingo.

Kenyatta foi reeleito presidente na noite de sexta-feira, para um segundo mandato de cinco anos, com 54,27% dos votos, frente a 44,74% de Odinga, segundo resultados oficiais. A oposição questiona os números.

Após o anúncio da vitória de Kenyatta, houve cenas de violência e saques em redutos da oposição, no Oeste do país e nos subúrbios de Nairobi, com um saldo de 16 mortos até a noite deste sábado.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou Odinga a enviar “uma mensagem clara a seus simpatizantes para que se abstenham de recorrer à violência”. União Europeia e Reino Unido também fez um apelo por moderação, e felicitaram Kenyatta por sua vitória.

A coligação opositora, Nasa, afirma que Odinga venceu as eleições, cujo resultado responde, segundo ela, a uma manipulação electrónica do sistema de transmissão da contagem de votos usado pela comissão eleitoral. Mas descartou recorrer à Suprema Corte, como fez, em vão, em 2013.

A derrota deste ano é a quarta em eleições presidenciais sofrida por Odinga, após as de 1997, 2007 e 2013.

Embora a repressão policial esteja sendo firme, o ministro do Interior, Fred Matiangi, garante que a polícia não lançou mão do “uso desproporcional da força contra nenhum manifestante, em nenhum lugar do país”.

Na manhã de domingo, em Mathare, um dos subúrbios de Nairobi mais afectados pela violência, comerciantes reabriam suas lojas.

“Queremos ouvir o que Raila tem a dizer. Será ele que nos guiará. Se nos disser para sair às ruas, sairemos. Se quiser que fiquemos em casa, ficaremos”, declarou o cabeleireiro de Humpfrey Songole, 25, horas antes de Odinga se pronunciar em Kibera.

Os distúrbios actuais diferem do conflito de há 10 anos, que deixou mais de 1,1 mil mortos e 600 mil deslocados. Apesar de reflectirem antigas divisões tribais, no momento estão circunscritos aos redutos da oposição.

O contexto político também é diferente: após as eleições de 2007, a maioria dos confrontos opuseram os kikuyu de Kenyatta aos kalenjin, etnias actualmente aliadas. De fato, o vice-presidente William Ruto é um kalenjin.

Actualmente, apenas a etnia luo, à qual pertence Odinga, parece estar mobilizada.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/7/33/Quenia-Lider-oposicao-promete-continuar-contestar-vitoria-Kenyatta,beec95fd-beae-4215-a628-30879fa6ce67.html

Milhares de pessoas celebram na capital da Gâmbia, a saída de Yahya Jammeh

THIERRY GOUEGNON/ REUTERS

A coligação regional militar pretende obrigar o chefe de Estado cessante, Yahya Jammeh, a deixar o poder

Milhares de pessoas saíram esta quinta-feira às ruas de Banjul, capital da Gâmbia, para celebrar a tomada de posse do Presidente Adama Barrow, que decorreu em Dacar, Senegal, e a entrada no país de uma coligação regional militar.

A coligação regional militar pretende obrigar o chefe de Estado cessante, Yahya Jammeh, a deixar o poder.

Segundo testemunhas dos festejos, uma multidão de cidadãos superou o medo de uma possível repressão do ditador e expressou a sua alegria perante o final de 22 anos de regime autoritário.

Tal como ocorreu a 2 de dezembro, quando foram conhecidos os resultados eleitorais que deram a vitória a Adama Barrow, os gambianos também manifestaram a sua hostilidade contra Yahya Jammeh e reclamaram que seja julgado no Tribunal Penal Internacional.

Alguns soldados uniram-se à celebração nas ruas, entre os quais o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, o general Ousman Bargie, que anunciou quarta-feira a sua decisão de se submeter à autoridade do novo Presidente.

“Não vou envolver as minhas tropas numa guerra estúpida”, disse, o que fez com que as tropas regionais, apoiadas pelas Nações Unidas, não tenham encontrado nenhuma resistência no caminho até à capital com a missão de restabelecer a ordem constitucional.

O seu objetivo é retirar Yahya Jammeh do Palácio Presidencial, que ocupa ilegalmente desde quinta-feira, quando expirou o seu mandato de cinco anos.

Fontes locais referem que Yahya Jammeh prepara a saída do país com destino a Marrocos, país de origem da sua mulher, que lhe ofereceu asilo.

http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-01-19-Gambia-Milhares-de-pessoas-celebram-nas-ruas-da-capital-saida-de-Yahya-Jammeh

Tropas do Senegal entram na Gâmbia para afastar antigo presidente

Com luz verde das Nações Unidas, o exército senegalês entrou na vizinha Gâmbia, cujo novo presidente já assumiu o cargo na embaixada do país no Senegal. Só falta que o ex-chefe de Estado, derrotado nas eleições, abandone o poder

Gâmbia - Yahya Jammeh (presidente derrotado)/  Adama Barrow (presidente eleito)
Gâmbia – Yahya Jammeh (presidente derrotado)/ Adama Barrow (presidente eleito). Reuters

Por unanimidade, os 15 membros do Conselho de Segurança aprovaram uma resolução dando cobertura aos países da CEDEAO, a Comunidade dos Países da África Ocidental, para intervir na Gâmbia.

Apoio total à CEDEAO nos seus compromissos para assegurar, primeiro, através de meios políticos, o respeito pela vontade do povo da Gâmbia, expresso nos resultados das eleições de 1 de dezembro”, refere a resolução das Nações Unidas.

Desde a meia-noite desta quinta-feira que o Senegal, onde a Gâmbia constitui um enclave, tinha tropas estacionadas na fronteira do pequeno país. Prontas a intervir de forma a afastar o presidente derrotado nas eleições de dezembro.

Já entrámos na Gâmbia”, foi a mensagem enviada à agência noticiosa Reuters por um porta-voz do exército senegalês.

O propósito da intervenção militar dos países da CEDEAO é o de afastar do poder Yahya Jammeh, de 51 anos, que se tornou presidente do pequeno país de língua inglesa através de um golpe militar em 1994.

Após as eleições de 1 de dezembro, tem-se recusado a abandonar o cargo. Não reconhece a derrota eleitoral e recorreu até para o Supremo Tribunal do país. Que entretanto considerou não ter competências para esse tipo de avaliação.

Empossado fora de portas

Eleito em dezembro, Adama Barrow é o novo presidente do país. Refugiou-se no vizinho Senegal, a potência regional de língua francesa, que tem fronteira a sul com a Guiné-Bissau, à espera que os esforços diplomáticos levados a cabo nas últimas semanas convencessem Yahya Jammeh a deixar o poder.

Face à irredutibilidade do presidente derrotado, que não se deixou convencer pelas várias missões de países da CEDEAO, o eleito Adama Barrow preferiu jurar a Constituição do país e assumir o cargo na embaixada da Gâmbia no Senegal.

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Presidente eleito da Gâmbia toma posse no Senegal

O PRESIDENTE eleito da Gâmbia, Adama Barrow, disse hoje, quinta-feira, que vai assumir o cargo de Presidente da República na embaixada da Gâmbia na capital senegalesa, Dakar, às 16.00 (hora local).

Barrow encontra-se desde semana passada em Dakar, onde se deslocou para consultas junto de Chefes de Estado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), organização que medeia a crise gambiana.

Numa mensagem postada na sua conta no Twitter, Barrow disse: “Meus queridos Gambianos, a presidência de Yahya Jammeh está oficialmente terminada. A nova era da Gâmbia finalmente chegou. Todos vocês são bem-vindos à minha tomada de posse hoje às 16 horas na Embaixada Gambiana, em Dakar”.

Relatos anteriores sugeriam que ele iria tomar posse num local indeterminado na Gâmbia.

Estes novos desenvolvimentos seguem-se ao fracasso das negociações de última hora para persuadir o Presidente derrotado, Yahya Jammeh, a demitir-se. O prazo terminou sem que Jammeh deixasse o poder.

Como sinal de crescente isolamento, o ainda homem forte de Gâmbia tem assistido ao abandono de figuras-chave do governo e do seu círculo mais próximo.

A vice-presidente da Gâmbia, Isatou Njie-Saidy, renunciou ontem, horas antes de expirar o mandato do Presidente Jammeh, informou a agência de notícias AFP, citando fontes familiares.

O ministro do Meio Ambiente e do Ensino Superior também renunciou, o último de uma série de membros do Executivo a abandonar Jammeh, após a sua recusa em deixar o cargo.

O advogado de Jammeh fugiu para o Senegal depois de escrever uma carta pedindo-lhe para abandonar o poder, segundo notícias do jornal Premium Times da Nigéria.

Edu Gomez disse que trabalhou para Jammeh sob “tremenda pressão e coerção”, relata o jornal, que cita a carta do advogado, na qual diz: “Na terça-feira, 17 de Janeiro de 2017, eu e o meu filho tomámos uma decisão crucial de procurar um santuário na República do Senegal. Isso foi considerado necessário devido ao crescente medo e tensão”.

Um correspondente da BBC na capital, Banjul, relata que a situação está estranhamente silenciosa e que tudo está parado; as pessoas mantém-se dentro de casa, com receio de serem apanhadas no meio de confusão, na sequência do estado de emergência decretado quarta-feira por Jammeh.

As forças militares da África Ocidental estão preparadas para entrar no país a fim de imporem a transferência do poder.

Relatos não confirmados dão conta de que as tropas do Senegal já atravessaram a fronteira para garantirem um número de cidades, com a ajuda de soldados gambianos.

Jammeh – que está no poder há mais de duas décadas – contesta o resultado das eleições

http://jornalnoticias.co.mz/index.php/internacional/64602-presidente-eleito-da-gambia-toma-posse-no-senegal.html

Presidente da Gambia está isolado internacionalmente

Eleazar Van-Dúnem |

Fotografia: Martial Trezzini | Pool/ AFP

A crise política na Gâmbia, que desde terça-feira está em Estado de Sítio por decreto de Yahya Jammeh, cujo mandato legítimo terminou hoje, é até agora o maior teste para a política de prevenção de conflitos que o novo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e a União Africana querem privilegiar.

 

Perante o Conselho de Segurança , António Guterres disse recentemente que a organização gasta muito tempo e recursos na resposta às crises, sublinhando que as pessoas pagam um preço alto demais e defendendo “uma nova abordagem” baseada na mediação de conflitos e na “diplomacia pela paz” e mais empenho “para prevenir a guerra e apoiar a paz ao invés de nos concentrarmos em responder aos conflitos”.
O mundo espera de António Guterres um papel mais activo na tentativa de resolução dos problemas internacionais e acredita, como afirmou recentemente o Presidente angolano José Eduardo dos Santos, que o novo Secretário-Geral da ONU vai dar um “notável impulso a uma nova abordagem dos problemas internacionais”.
O conflito na Gâmbia, por conseguinte, é a oportunidade para António Guterres demonstrar uma diplomacia preventiva mais actuante que busque soluções efectivas para os conflitos actuais e evite novos conflitos, rompendo deste modo com o consulado de Ban Ki-moon, muito criticado pela sua inacção.
Para a União Africana, é uma oportunidade para que possa adoptar um novo paradigma e enviar uma clara mensagem aos líderes africanos sedentos de poder, a de que já não vai permitir que líderes depostos pela vontade do povo manifestada nas urnas governem à revelia da soberania popular. A crise na Gâmbia ainda não resvalou para uma guerra civil, mas o evoluir da situação caminha para tal, a menos que a ONU e a União Africana invertam o percurso.
A organização mundial e a entidade regional, que defendem o mesmo “modus operandis” e cooperam em matéria de paz e segurança, também serão marcados, pela positiva ou pela negativa, sobretudo o mandato de António Guterres e a actuação da União Africana.

Mediação de Marrocos

A France Press noticiou, citando um site de informação marroquino, que Marrocos promove “uma mediação discreta” na Gâmbia para convencer Yahya Jammeh a abandonar o poder. De acordo com a fonte, que cita “meios diplomáticos concordantes”, o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Nasser Bourita, e Yassine Mansouri, chefe dos serviços de inteligência externa, “cumprem há alguns dias” uma “missão delicada em Banjul” para o agora Presidente ilegítimo “ceder o poder e aceitar a derrota nas eleições com a eventualidade de uma retirada dourada em Marrocos”.
Solicitado pela France Press para confirmar essas informações, o Governo marroquino recusou-se a comentar. Rabat mantém boas relações com a Gâmbia.

Intervenção militar

Vários meios de comunicação sociais noticiaram esta semana, citando fontes do Governo e do Exército nigeriano, que a Comunidade Económica de Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO) prepara uma intervenção militar na Gâmbia, caso Yahya Jammeh continue a recusar abandonar o poder.
Entre os países implicados na acção destacam-se a Nigéria e o Senegal, que têm uma força conjunta para desdobrar em território gambiano. “Tomou-se a decisão de não permitir que o Presidente cessante da Gâmbia permaneça no poder e isso vai ocorrer através de uma intervenção militar, a menos que Yahya Jammeh renuncie”, disse uma fonte militar citada pela Prensa Latina.
“Vamos mobilizar-nos muito rápido para Dacar, no Senegal”, disse outra fonte, citada pela France Press, que mencionou o envio de “pilotos, técnicos e pessoal de manutenção dos aviões” relacionado “com os acontecimentos em curso na Gâmbia”. Especialistas militares convergem na ideia de que as Forças Armadas gambianas “não têm capacidade de enfrentar uma eventual força regional” se avançar a intervenção militar.

Yahya Jammeh isolado   

No plano interno, o Presidente cessante está cada vez mais isolado. Quatro novos ministros deixaram o Governo já assolado por uma série de demissões, noticiou na terça-feira a agência de notícias France Press citando fonte próxima do poder.
Os últimos ministros a demitir-se são o dos Negócios Estrangeiros, Neneh Macdoual-Gaye, das Finanças, Abdou Colley, do Comércio, Abdou Jobe e do Turismo, Benjamin Roberts, disse uma fonte próxima do governo cessante, que pediu anonimato.
Benjamin Roberts foi nomeado na segunda-feira para as Finanças, em substituição de Abdou Colley, mas permaneceu menos de 24 horas no cargo. Os ministros da Informação e dos Desportos tinham sido substituídos na semana passada.
Mudanças também ocorreram no Exército, onde oficiais que se recusam a apoiar Yahya Jammeh contra o Presidente eleito Adama Barrow, como solicitado pelos comandantes da Guarda republicana, que garante a protecção do agora Chefe de Estado ilegítimo, foram detidos domingo, segundo fontes dos serviços de segurança e da oposição.
Esta última reclama pela libertação imediata dos militares detidos.
Yahya Jammeh decretou o estado de emergência na terça-feira, justificando a medida com “um nível de ingerência estrangeira excepcional e sem precedentes” no processo eleitoral do país – em pronunciamento transmitido pela televisão e no qual lamentou “a atmosfera hostil injustificada que ameaça a soberania, a paz e a estabilidade”.
O agora Presidente ilegítimo diz querer permanecer no cargo até que a Justiça se pronuncie sobre o recurso apresentado por si.
A Constituição da Gâmbia estabelece que o estado de emergência dura sete dias a partir do decreto, mas pode ser prorrogado por até 90 dias com a aprovação do Parlamento, que já deu sinal verde para tal.
O estado de emergência, refere, vigora até o Tribunal Supremo se pronunciar em relação a uma reivindicação do partido de Yahya Jammeh sobre alegadas irregularidades na votação.
O Tribunal Supremo devia ter decidido o caso no dia 10, mas adiou a decisão para Maio, por alegada falta de juízes para uma deliberação

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/jammeh_sem_legitimidade_pode_ser_obrigado_a_sair

Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República Centro Africana preocupam o continente

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O Presidente de Angola,  José Eduardo dos Santos considerou “inquestionável” que o “atual espírito unipolar nas relações internacionais” conduziu o mundo a um período difícil, marcado por conflitos militares em várias partes do globo, pelo clima de incerteza política e pela crise econômica e financeira.
Para o Chefe de Estado angolano só o regresso aos “parâmetros do multilateralismo universal” permitiria sair desse momento difícil que o mundo vive atualmente. “São muitos os problemas a que a comunidade internacional tem de fazer face, e só colocando acima de tudo a vontade política, o espírito de diálogo e o cumprimento dos princípios e normas do Direito Internacional será possível encontrar soluções para esses problemas”.

O Presidente da República defendeu uma visão “mais realista, pragmática e tolerante” num cenário internacional em que urge inverter-se a “inércia negativa dos conflitos”, com a ONU e outras instituições internacionais a terem um papel cada vez mais ativo na resolução dos problemas internacionais. O líder angolano realçou o consenso de que a paz é fundamental para o desenvolvimento e progresso dos povos e nações, para a promoção da democracia e para a salvaguarda dos direitos humanos. Líder em exercício da conferência internacional da região dos Grandes Lagos, José Eduardo dos Santos pediu que seja dado maior apoio a África na luta contra o terrorismo, o radicalismo religioso e a sua expansão pelo continente.
E citou os casos de maior preocupação na região. O Sudão do Sul, que enfrenta um problema de insurreição e precisa de uma “verdadeira reconciliação”, a RDC onde tarda a aplicação dos acordos entre o governo e a oposição para a realização de eleições até Dezembro deste ano, e se restabeleça a confiança no sistema democrático vigente, e a República Centro Africana que, depois do processo de transição que culminou em eleições e formação do Governo, e outras instituições, continua a precisar de apoio para a conclusão da pacificação e estabilização.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/mundo_espera_forte_accao_da_onu

Gâmbia: Dirigentes oeste-africanos em Banjul pressionam Jammeh para abandonar o poder

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Abuja (Nigéria) – Os dirigentes oeste-africanos vão deslocar-se novamente esta semana a Gâmbia, para pressionar o presidente Yahya Jammeh a respeitar o resultado das eleições e a deixar o poder, declarou esta segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, noticiou a AFP.

O chefe de Estado nigeriano, Muhammadu Buhari, desloca-se à Banjul terça-feira, acompanhado da sua homóloga da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, e o antigo presidente do Ghana, John Dramani Mahama, precisou o ministro, Geoffrey Onyeama.

Esse encontro visa “discutir com o presidente Jammeh o imperativo de respeitar à Constituição”, acrescentou o ministro, num comunicado, após discussões sobre a crise gambiana.

O presidente nigeriano Muhammadu Buhari e o ex-presidente ghanense foram escolhidos pela organização oeste-africana da CEDEAO como mediadores para resolver à crise eleitoral na Gâmbia, onde o presidente cessante Yahya Jammeh recusa-se a abandonar o poder.

Yahya Jammeh, a frente da Gâmbia há 22 anos, tinha inicialmente reconhecido a sua derrota nas presidenciais de 01 de Dezembro e felicitou o seu opositor Adama Barrow, antes de fazer à revira-volta.

A 09 de Dezembro, rejeitou os resultados e exigiu a organização de um novo escrutínio ao argumentar irregularidades na contagem dos resultados.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/0/2/Gambia-Dirigentes-oeste-africanos-Banjul-para-pressionar-Jammeh-abandonar-poder,9fd44e57-5db5-4f6d-b73a-ac461b80066a.html

Guiné Bissau um ano de crises e acordos descumpridos

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O ano de 2016 na Guiné-Bissau foi dominado, uma vez mais, pela política, mais precisamente pela crise política que influenciou todos os sectores da vida nacional.

O Presidente da República e o PAIGC, partido mais votado nas eleições de 2014, travaram uma ferrenha batalha política e na qual entraram outros actores políticos como o PRS que aliou-se ao Chefe de Estado.

Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, e José Mário Vaz, Chefe de Estado, foram as figuras que maracam este ano.00000000000000000000000

Dois acordos sucessivos foram alcançados, mas sem resultados.

Conacri e Bissau foram palcos de negociações entre as partes.

Primeiro, em Bissau, esteve uma missão de alto nível da CEDEAO, composta pelos presidentes da Guiné Conacri, Alpha Condé, e da Serra Leoa, Ernest Koroma.

Segundo, como o citado acordo não foi cumprido, as partes deslocaram-se a Conacri.

Na capital do país vizinho, tudo correu bem, mas, chegada à hora da implementação do que foi assinado, assistiu-se a mais um episódio da crise, que culminou com a demissão do Governo liderado por Baciro Djá e a nomeação de Umaro Mocktar Sissoko para o cargo do primeiro-ministro.

Aliás, no âmbito desta mesma crise, ainda por conter, esteve em Bissau Hellen Johnson Sirleaf, Presidente da Libéria e em exercício da Conferência dos Chefes de Estado e de Governos da CEDEAO.00000000000000000000000c

Muitas figuras marcaram a crise politica, na Guiné-Bissau, em 2016, como Cipriano Cassamá, presidente do Parlamento, e Florentino Mendes Pereira, secretário-geral do PRS.

Quem também esteve atento à evolução da situação foi Nuno Na Bian, adversário político do actual Chefe de Estado, nas eleições de 2014.

O ano prestes a terminar deu origem a dois movimentos alegadamente anti-crise: Iniciativa Bassora e o Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados.

Este último protagonizou duas manifestações exigindo o fim da crise, através da dissolução do Parlamento e a consequente convocação de eleições antecipadas.

Futebol deu alegrias

Mas nem tudo se resumiu à crise política.

O ano fica marcado pelo apuramento da Guiné-Bissau, pela primeira-vez, para a fase final do Campeonato Africano de Futebol das Nações, a decorrer no próximo mês no Gabão.

Uma nota para o regresso ao país do contra-Almirante, José Américo Bubu Na Tchutu, preso, julgado e condenado pela justiça norte americana, devido ao seu envolvimento no tráfico de drogas.

Na altura, as autoridades politicas do país reagiram com prudência ao seu regresso.

Problemas sociais

Registaram-se também sucessivas paralisações no sector educativo guineense.

Os professores das escolas públicas não se desarmaram ao longo do ano, alegando incumprimento do diploma da carreira docente.

Foi no meio de toda esta crise politica, que o então Governo liderado por Baciro Djá assinou com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um acordo que abre a possibilidade para a retoma do programa de assistência à Guiné-Bissau.

Entretanto, na perspectiva da Liga Guineense dos Direitos Humanos há indicadores preocupantes quanto à falta de respeito pelos direitos humanos.

Uma outra nota a registar em 2016 foi a reunião de 10 organismos de regulação jornalística da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa em Bissau, onde discutiram a “regulação editorial no online”.

No cair do pano, uma nota para a formação do Governo liderado por Umaro Sissoko Embaló: 37 membros, com apenas cinco mulheres.

 

http://www.voaportugues.com/a/guine-bissau-retrospectiva-2016/3652689.html

República Democrática do Congo: Kabila em silêncio, governo e igreja procuram soluções

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Kinshasa (Prensa Latina) O presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, guarda hoje silencio três dias depois do fim de seu mandato, enquanto o primeiro-ministro recém nomeado e a Igreja católica tentem encaminhar a institucionalidade.
Com incidentes de violência esporádicos, e ao menos duas dezenas de mortos na capital e outras cidades, o primeiro-ministro Samy Badibanga -nomeado por Kabila- e alguns prelados tentam encaminhar todas as partes a uma negociação que afaste o caminho das armas.
A Conferência Episcopal Nacional do Congo estabeleceu um ultimato ao exigir à classe política (signatária ou não do acordo de 18 de outubro) que se alcance uma solução antes do Natal.
Para diversas fontes no terreno o ‘Nenhum dia mais’ dos prelados tem pouca força dado que a situação foge de suas mãos e diversas organizações sublinham que a permanência de Kabila no poder é inegociável.
Diante da falta de um compromisso para evitar o estancamento, os prelados submeterão nesta quinta-feira suas próprias propostas para a saída da crise tanto aos signatários como aos não signatários.
A solução de 18 outubro, firmada pelo governo e por setores minoritários da oposição, estabelecia a permanência de Kabila no cargo presidencial até a eleição (em abril de 2018) de seu sucessor, com o compromisso de não se candidatar e levar figuras opositoras a um governo de transição.
Para o site congolês 7sul7, o governo encabeçado por Badibanga teve que recompensar personalidades políticas que tiveram uma ampla participação nesta saída, que ainda não foram reconhecidas por todas as partes.
Badibanga é um dissidente da União para a Democracia e o Progresso Social, cujo chefe, Étienne Tshisekedi, pediu aos congoleses que desconhecessem Kabila como presidente e fizessem manifestações pacíficas.
Vários partidos pressionam para que as eleições sejam realizadas em 2017 e não em 2018.
A Comissão Nacional Eleitoral alegou dificuldades técnicas quando adiou as eleições em setembro, o que provocou protestos que deixaram 30 mortos, e dos quais Kabila culpou à oposição.
Kabila dirige o país desde 2001 quando seu pai, Laurent-Désiré, foi assassinado e depois venceu nas eleições presidenciais de 2006 e 2011, mas desde 2008 existem focos de violência em várias partes do país.+
O papa Francisco chamou nesta segunda-feira os congoleses, e especialmente a sua classe política, a ‘serem artífices de paz e reconciliação’.
O secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, também pediu na quarta-feira que se trabalhasse de forma construtiva e de boa fé sobre os assuntos pendentes sobrepondo os interesses do país aos pessoais ou de grupos políticos.