13 países reúnem-se para discutir a situação na Rep. Democrática do Congo

 

mapa-congo.jpgA situação política na República Democrática do Congo e a questão dos refugiados congoleses que se encontram no Leste de Angola são debatidas a partir de hoje, em Kinshasa, pelo grupo de acompanhamento do Acordo-Quadro para a paz e estabilidade naquele país.

Georges Chikoti,

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, disse que o grupo de acompanhamento composto pelos treze países membros da Conferência sobre a Região dos Grandes Lagos, a SADC e a União Africana, vai reunir-se para avaliar a situação, em função do novo Governo criado há duas semanas.
Durante três dias, a equipe de trabalho vai avaliar a aplicação da agenda para a realização de eleições até finais de 2017, analisar o cumprimento do Acordo-quadro e compreender melhor a situação dos congoleses refugiados em Angola, em consequência da atual crise política e militar que assola aquele país.
O Acordo quadro para a paz, estabilidade e cooperação na República Democrática do Congo, assinado em Fevereiro de 2013, em Addis Abeba, Etiópia, é o mecanismo adequado para a resolução pacífica da crise e do conflito no Leste da República Democrática do Congo, salvaguardando a sua soberania e integridade territorial, como condição indispensável para o seu desenvolvimento econômico e social.

joseph kabila
O Presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, nomeou, no dia 9 de Maio, o novo Governo chefiado pelo Primeiro-Ministro, Bruno Tshibala. O Executivo disponibilizou já mais de três milhões de dólares para apoiar os mais de 30 mil refugiados provenientes da República Democrática do Congo instalados junto da fronteira da província da Lunda Norte. O Executivo prevê despender mais de 500 milhões de kwanzas em alimentos, medicamentos e tendas para abrigo.
O Governo angolano fez, recentemente, um apelo ao Governo da República Democrática do Congo e às forças políticas daquele país para que “cessem imediatamente a violência”, os atos de extremismo e de intolerância política, que têm causado a fuga de milhares de cidadãos congoleses para Angola.
O Governo da República de Angola afirmou que tem acompanhado com atenção e bastante preocupação a situação vigente na República Democrática do Congo, marcada por “actos de violência de extrema gravidade que aí ocorrem e que devem merecer o repúdio de toda a Comunidade Internacional”. Angola e RDC mantêm uma extensa fronteira e a situação tem provocado a entrada massiva de refugiados em território angolano, exigindo do Governo um esforço suplementar em termos financeiros, logísticos, de segurança e ordem pública, de forma a acudir as necessidades humanitárias mais prementes dos mesmos, cujo número não pára de aumentar.
“O Governo faz um veemente apelo ao Governo da República Democrática do Congo e a todas as forças políticas desse país, para que cessem imediatamente a violência e a prática de actos de extremismo e de intolerância política, enveredando pela via do diálogo sério e construtivo, que propicie o retorno da paz e estabilidade ao país.”
O Governo também chama a atenção da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, da Comunidade de Desenvolvimento dos Estados da África Austral (SADC), da Comunidade de Desenvolvimento da África Central, da União Africana e da Organização das Nações Unidas  para a “necessidade de se encetarem ações políticas, diplomáticas e outras que se mostrarem necessárias e adequadas, susceptíveis de concorrer para uma solução a breve trecho do grave problema em curso na República Democrática do Congo”.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/avaliada_a_crise_na_rdc

Advertisements

Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República Centro Africana preocupam o continente

846px-Mapa_político_da_África.svg.png

O Presidente de Angola,  José Eduardo dos Santos considerou “inquestionável” que o “atual espírito unipolar nas relações internacionais” conduziu o mundo a um período difícil, marcado por conflitos militares em várias partes do globo, pelo clima de incerteza política e pela crise econômica e financeira.
Para o Chefe de Estado angolano só o regresso aos “parâmetros do multilateralismo universal” permitiria sair desse momento difícil que o mundo vive atualmente. “São muitos os problemas a que a comunidade internacional tem de fazer face, e só colocando acima de tudo a vontade política, o espírito de diálogo e o cumprimento dos princípios e normas do Direito Internacional será possível encontrar soluções para esses problemas”.

O Presidente da República defendeu uma visão “mais realista, pragmática e tolerante” num cenário internacional em que urge inverter-se a “inércia negativa dos conflitos”, com a ONU e outras instituições internacionais a terem um papel cada vez mais ativo na resolução dos problemas internacionais. O líder angolano realçou o consenso de que a paz é fundamental para o desenvolvimento e progresso dos povos e nações, para a promoção da democracia e para a salvaguarda dos direitos humanos. Líder em exercício da conferência internacional da região dos Grandes Lagos, José Eduardo dos Santos pediu que seja dado maior apoio a África na luta contra o terrorismo, o radicalismo religioso e a sua expansão pelo continente.
E citou os casos de maior preocupação na região. O Sudão do Sul, que enfrenta um problema de insurreição e precisa de uma “verdadeira reconciliação”, a RDC onde tarda a aplicação dos acordos entre o governo e a oposição para a realização de eleições até Dezembro deste ano, e se restabeleça a confiança no sistema democrático vigente, e a República Centro Africana que, depois do processo de transição que culminou em eleições e formação do Governo, e outras instituições, continua a precisar de apoio para a conclusão da pacificação e estabilização.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/mundo_espera_forte_accao_da_onu

República Democrática de Congo: com intensos tiroteios

republicademocraticadocongo

Lubumbashi – Intensos tiroteios foram ouvidos nesta terça-feira de manhã, em Lubumbashi, a segunda cidade da República Democrática do Congo, noticia a AFP.

Os tiroteios foram ouvidos onde as forças de segurança estão destacadas para o último dia de mandato do presidente Joseph Kabila.

2003_map_of_africa

O tiroteio começou por volta de 09h15 (07h15 TMG) num bairro do sul desta cidade do sudeste do país, segundo este jornalista aconteceu pouco antes nesta zona, palco de confrontos entre os manifestantes e a polícia que testemunharam vários pneus queimados abandonados numa estrada cheia de pedras.

Foram ouvidas intensas rajadas por cerca de vinte minutos que em seguida originou os tiroteios de forma intermitente até pouco depois das 10h00.

Na comuna de Matuba onde o jornalista já havia encontrado vestígios de confrontos, um oficial sénior da polícia disse que os seus homens tinham atacado os “grupos de manifestantes” hostis de cinco a 10 pessoas.

Jean-Claude Kazembe, Governador do Alto – Katanga, província do qual Lubumbashi é a capital, disse à AFP que “entre os manifestantes (em Katuba), identificou-se três que estão armados”.

“Isto é o que justifica a polícia, disparar balas reais para o ar para dispersar os civis”, acrescentou o governador.

Lubumbashi é o feudo do opositor no exílio, Moisés Katumbi, um candidato às presidenciais que deveriam realizar-se este ano, mas que foram adiadas indefinidamente.

Kabila, cujo mandato termina nesta terça-feira, está no poder desde 2001 e a Constituição o proíbe de candidatar-se.

O Chefe de Estado tem a intenção de permanecer no poder até que seja eleito alguém para sucedê-lo.

O opositor congolês histórico, Etienne Tshisekedi, apelou na noite de segunda para terça-feira ao povo para “não reconhecer” o presidente.

A situação está muito tensa na RDC desde as últimas 48 horas. A maior parte das grandes cidades estão controladas pelo aparato militar e a população continua massivamente em casa.

http://cdn1.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/11/51/Congo-Intensos-tiroteios-ouvidos-Lubumbashi,95e93411-5f0b-43da-8794-87256eebe3d1.htmlunc

Crise política na República Democrática do Congo afetará Angola e região

10228559.jpg
 
 
As forças de segurança invadiram as ruas de Kinshasa, depois da suspensão das conversações para encontrar uma solução pacífica para a crise política na República Democrática do Congo, resultante do fim do mandato do Presidente Joseph Kabila. O MPLA/regime reiterou o claro, inequívoco e musculado empenho do Governo angolano a Kabila, mascarado com o rótulo de ajuda à resolução do conflito.
 
Por Norberto Hossi
 
As negociações para uma saída da crise, resultante do fim do segundo e teoricamente último mandato do actual chefe de Estado no próximo dia 20, foram interrompidas sem a obtenção de quaisquer progressos.
 
Com Kabila a recusar marcar eleições e a dar sinais de estar indisponível para abandonar o poder (cuja manutenção lhe é assegurada pelo patrono José Eduardo dos Santos), os receios do ressurgimento da violência regressaram a este país que tem um extensa fronteira com Angola.
 
As conversações deverão ser retomadas na próxima quarta-feira, quando os bispos católicos que têm assumido a mediação regressarem de uma viagem a Roma há muito planeada.
 
As forças de segurança de Kabila (onde se ouve falar frequentemente em português) foram colocadas em larga escala nos pontos de maior concentração da oposição em Kinshasa.
 
Kabila, impedido pela Constituição (como se isso tivesse algum valor – veja-se o caso de Angola) de concorrer a um terceiro mandato presidencial, fez saber que quer permanecer no poder até ser escolhido um sucessor, porém, várias figuras da oposição reclamam que o actual Presidente entregue o poder a uma liderança de transição enquanto o próximo chefe de Estado não for escolhido pelo voto.
 
Joseph Kabila, de 45 anos, está no poder da República Democrática do Congo desde que o seu pai, Laurent Kabila, foi assassinado em 2001. O actual presidente foi eleito em 2006 e reeleito em 2011.
 
O líder da oposição, Étienne Tshisekedi, ameaçou apelar às manifestações a partir desta segunda-feira, se as conversações não ganharem um bom rumo.
 
Começaram já a circular na capital da RDC panfletos que apelam ao povo para que retome Kinshasa “rua a rua, bairro a bairro, até ganhar toda a RDC”.
 
congoCom a cobertura das Nações Unidas
 
Joseph Kabila é um servo ao serviço dos interesses regionais de José Eduardo dos Santos. Ou faz o que ele manda ou vai suceder-lhe o mesmo que ao pai.
 
A respaldar o apoio institucional (tal como o oficioso) de Angola a Kabila está o facto de os membros do Conselho de Segurança da ONU reconhecerem o papel (sobretudo militar) que o regime de Eduardo dos Santos representa na região.
 
No início de Novembro, Georges Chikoti, chefe da diplomacia angolana frisou que Angola, como membro da comunidade internacional pensa que é necessário que o Conselho de Segurança da ONU assuma o papel de trabalhar em coordenação com a região, com a RDCongo, para que possa ajudar este país amigo e servil ao regime de Luanda.
 
Angola no âmbito da presidência da CIRGL (Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos) tem-se engajado para encontrar soluções para resolução de conflitos políticos na RDCongo e que, é claro, mantenham no poder o seu servil amigo Joseph Kabila. Se assim não for… não haverá paz para ninguém.
 
Recorde-se que na guerra civil na RDCongo, entre 1998 e 2002, Angola e o Zimbabué enviaram tropas para aquele país para apoiar o regime do então Presidente, Laurent Désiré Kabila, pai de Joseph Kabila, contra os rebeldes, apoiados pelo Ruanda, Uganda e Burundi.
 
Laurent Kabila foi… ingrato
 
Quem de facto manda na RDCongo é o regime angolano e, por isso, ou Joseph Kabila faz o que Eduardo dos Santos manda ou, é claro, corre o risco de ter, na melhor das hipóteses, de se exilar.
kabila-jes
É por isso que regularmente Kabila manda enviados a Luanda garantir a sua total subserviência a Eduardo dos Santos.
 
Recorde-se que o anterior presidente, Laurent Kabila, subiu ao poder graças à ajuda militar angolana. O exército angolano ofereceu a Kabila uma brigada de 3 mil homens muito bem armados e treinados. Na maioria, esses homens eram antigos gendarmes catangueses, desejosos de vingar a derrota sofrida frente a Mobutu quando foi da revolta do Catanga.
 
Laurent Kabila pediu ajuda ao leão angolano para derrotar os mabecos que o atacavam. O leão derrotou os mabecos e depois… comeu-o.
Laurent Kabila pediu ajuda ao leão angolano para derrotar os mabecos que o atacavam. O leão derrotou os mabecos e depois… comeu-o.
Kabila aceitou a ajuda desses militares mas, logo após a vitória, em Maio de 1997, dissolveu essa brigada porque a consideraria perigosa por suspeitar (e com razão) que seria leal aos interesses angolanos.
 
Kabila desconfiava do amigo angolano… e, assim, percebe-se melhor a forma como morreu assassinado em Janeiro de 2001.
 
Já Joseph Kabila mostra que é um bom aluno do mestre presidente de Angola, e do MPLA, partido está no poder desde 1975 e cujas forças armadas, com mais de 100 mil efectivos, é das mais modernas e poderosas de África.
 
Também em matéria de liberdades Joseph Kabila mostra o que aprendeu com o mestre angolano. Recordam-se que ele mandou prender cinco jornalistas de uma televisão privada em Kinshasa depois da difusão de uma entrevista com um adversário político do seu Governo?
 
Tal como em Angola, então os jornalistas (essa espécie que deveria ser banida da face da terra) julgam-se no direito de entrevistar os adversários políticos do dono do poder? Onde julgam eles que estão?
 
Recordemos Novembro de 2008. A crise humanitária e a continuação dos confrontos militares na República Democrática do Congo justificaram uma intervenção “forte” de Luanda para apoiar Joseph Kabila.
 
Os confrontos entre a milícia Mai-Mai, aliada do Governo congolês, e os rebeldes tutsis do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), ameaçavam a dita “estabilidade”.
 
As hostilidades no leste era de tal ordem que não pouparam os funcionários da ONU que tinham chegado à região com o primeiro comboio de ajuda humanitária para os 250 mil deslocados concentrados na zona de Kiwanja.
 
Soldados uruguaios e indianos dos Capacetes Azuis da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUC) tiveram de usar a força para resgatar 12 membros da missão humanitária que estava na área de Kiwanja, a dois quilómetros de Rutshuru, tomada pelos rebeldes tutsis em 26 de Outubro de 2008.
 
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) confirmou que três campos de refugiados, perto de Rutshuru, tinham sido destruídos, causando a fuga de mais de 50 mil pessoas.
 
Por sua vez, os rebeldes da CNDP denunciaram a presença de soldados zimbabuanos e angolanos na província de Kivu Norte. Além disso, o chefe do contingente militar uruguaio da ONU em Kivu Norte, general Jorge Rosales, afirmou que os seus soldados foram atacados por tanques ruandeses, o que sustentou a acusação de que Ruanda apoia os rebeldes.
 
Sobre as acusações a Angola, alguns analistas angolanos disseram na altura que essa situação era “incontornável”. Graça Campos, director do “Semanário Angolense”, disse que Luanda só aguardava pelo “apoio formal” da comunidade internacional para enviar militares em apoio de Joseph Kabila.
 
Por seu lado, Nelson Pestana “Bonavena”, professor universitário, lembrava que “Angola é parte integrante da solução do conflito na RDCongo” frisando que Luanda “faz parte do sistema de sustentação de governação” daquele país.
 
“Angola é um aliado natural e forte de Kabila, pois tem participado em todos os processos de pacificação, na procura de entendimentos, e, obrigatoriamente, tem de participar nesse processo”, afirmou Nelson Pestana.
 

Estamos a beira de uma grande tragédia na Republica Democrática do Congo

mw-860

Tudo pronto para incendiar a República Democrática do Congo

Joseph Kabila declarou que não abandona a presidência quando terminar o seu segundo mandato, a 19 de dezembro. Depois de ter sido protelada várias vezes a marcação de eleições e apesar de, ainda há dois meses, se ter assinado em Kinshasa um acordo para a reorganização do ciclo eleitoral seguinte — ou seja, este — abrangendo a presidência, as duas câmaras do Parlamento e os executivos provinciais e municipais, a República Democrática do Congo (RDC) está de novo frente ao abismo.

O “país do eterno recomeço”, como lhe chamou a revista “África21” há dois meses, referindo uma transferência de poder credível que consiga evitar o mergulho do país e da região numa guerra sem saída previsível, parece estar a recorrer aos métodos habituais de perpetuação no poder. A cinco dias do final do mandato, as autoridades congolesas ordenaram o bloqueio das redes sociais incluindo Facebook, Twitter e WhatsApp, tentando deste modo evitar que sejam convocados protestos públicos contra Kabila.

Segundo a AFP, que teve acesso ao documento, a ordem da autoridade reguladora das telecomunicações da RDC foi enviada a pelo menos três empresas fornecedoras de serviço de internet para que entre em vigor a partir das 22h59 locais de domingo sem que nenhuma justificação fosse adiantada.

VIOLÊNCIA À VISTA
É previsível que haja uma escalada da tensão já existente, alimentada pelo descontentamento do povo congolês com a fraca melhoria das suas condições de vida. A crise vem de longe, o poder alheou-se da realidade do país e o Reagrupamento das Forças Políticas e Sociais a favor da Mudança, liderado por Étienne Tshishekedi (líder da União para a Democracia e Progresso Social, UDPS, o partido mais antigo da oposição) e por Moise Katumbi (ex-governador e atual inimigo de Kabila) não hesita em declarar que o Presidente será derrubado pela força do povo, se necessário.

A promessa feita pela oposição de organizar protestos já a partir da próxima segunda-feira inflamou-se perante cinco dezenas de congoleses mortos nas manifestações contra Kabila em setembro. Na altura, foram incendiadas as sedes de três partidos da oposição, a UDPS, Forças da União e Solidariedade, FONUS, e o Movimento Progressivo Lumumbista, MPL, na capital Kinshasa, metrópole de dez milhões de habitantes onde o atual chefe de Estado nunca ganhou nas urnas.

O apoio a Kabila é muito baixo. Uma sondagem nacional de outubro revela que 80% dos inquiridos querem que o Presidente se demita e apenas 8% dizem apoiar uma sua nova candidatura. É evidente que há violência à vista. Nada de novo na RDC, onde milhões morreram na guerra de cinco anos iniciada em 1997 sob a presidência do pai de Joseph, Laurent-Desiré Kabila, que então alastrou a nove países da região. Vinte grupos armados daquela altura continuam ativos, alertam as Nações Unidas.

Comitê Contra Discriminação Racial da ONU insta Burundi a proteger os seus civis

0000000000000000

O Comité para a Eliminação da Discriminação Racial (CEDR) da ONU instou hoje o Burundi a atuar de forma a proteger a sua população civil e a permitir a entrada de um contingente da organização para verificar a situação.

Os representantes do CERD sustentam num comunicado que “o facto de milícias armadas intimidarem a população abertamente mostra a incapacidade ou falta de vontade do governo de proteger os civis”.

O comité expressa “grande preocupação” com o número de assassínios, execuções sumárias, desaparecidos e torturados, com o facto de “muitos dos casos terem uma motivação étnica” e com “a utilização do discurso do ódio” por parte de representantes do executivo, bem como com o crescente número de cidadãos do Burundi exilados.

O Burundi está imerso numa grave crise desde abril de 2015, quando o seu presidente Pierre Nkurunziza se candidatou a um terceiro mandato, contrariando, do ponto de vista da oposição, a Constituição.

Desde então morreram centenas de pessoas e cerca de meio milhão abandonaram as suas casas, segundo a ONU, que alertou para um possível genocídio e acusou o governo de crimes contra a humanidade.

O Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação para determinar a possível responsabilidade do governo de Nkurunziza, que reagiu proibindo a entrada dos investigadores da ONU e pedindo a sua saída do TPI.

Até agora, as autoridades do Burundi recusaram a entrada de um contingente de 228 polícias aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU para estabilizar o país e suspenderam as relações com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O comité expressa “grande preocupação” com o número de assassínios, execuções sumárias, desaparecidos e torturados, com o facto de “muitos dos casos terem uma motivação étnica” e com “a utilização do discurso do ódio” por parte de representantes do executivo, bem como com o crescente número de cidadãos do Burundi exilados.

O Burundi está imerso numa grave crise desde abril de 2015, quando o seu presidente Pierre Nkurunziza se candidatou a um terceiro mandato, contrariando, do ponto de vista da oposição, a Constituição.

Desde então morreram centenas de pessoas e cerca de meio milhão abandonaram as suas casas, segundo a ONU, que alertou para um possível genocídio e acusou o governo de crimes contra a humanidade.

O Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação para determinar a possível responsabilidade do governo de Nkurunziza, que reagiu proibindo a entrada dos investigadores da ONU e pedindo a sua saída do TPI.

Até agora, as autoridades do Burundi recusaram a entrada de um contingente de 228 polícias aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU para estabilizar o país e suspenderam as relações com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/696986/comite-contra-discriminacao-da-onu-insta-burundi-a-proteger-os-seus-civis

Crise política em Guiné Bissau aprofunda a pobreza e o descrédito no futuro

Fotografia: DR

O PAIGC, partido vencedor das últimas eleições legislativas na Guiné-Bissau, mas arredado do poder, retirou a confiança política ao Presidente do país, José Mário Vaz, anunciou o porta-voz daquela força política, João Bernardo Vieira.

 

A decisão foi tomada numa reunião extraordinária do Comité Central realizada no sábado, numa votação que foi apoiada por 112 dos 123 presentes na sala.
A decisão visa “retirar a confiança política ao cidadão e militante José Mário Vaz por ser o principal promotor de toda a grave crise política que tem assolado o país há cerca de dois anos”, referiu João Bernardo Vieira.

paigc-reuniao
O partido suportou a candidatura de José Mário Vaz à presidência da Guiné-Bissau, mas o desentendimento tem reinado nesta legislatura, com o Presidente guineense a demitir dois Governos do PAIGC.
O PAIGC, liderado pelo ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, acusa ainda o Chefe de Estado de ter atitudes que demonstram que está determinado em prejudicar o partido.

domingos-simoes-pereira-ex-secretario-executivo-da-cplp-e1358160539254
Aquela força política vai reunir provas de violação dos estatutos por parte de Vaz e entregá-las ao conselho de jurisdição para que o órgão tome medidas.
Na mesma reunião, o PAIGC decidiu que não irá integrar o novo governo do país, que diz ser de iniciativa presidencial e por tal não estar previsto na Constituição.
O partido imputa ao Chefe do Estado a responsabilidade pelas consequências que poderão advir pelo facto de persistir na crise política ao nomear Sissoco Embaló para liderar o próximo executivo.
Enquanto isso, um movimento de cidadãos da Guiné-Bissau que se auto-intitula Vassoura do Povo diz querer afastar os políticos da governação do país e entregá-la aos cidadãos, de acordo com um membro da organização à imprensa.
A iniciativa, constituída essencialmente por jovens, culpa os políticos guineenses “pelo estado de descalabro” que dizem assolar a Guiné-Bissau e pretende, desta forma, vê-los fora das esferas de decisão durante 10 anos.

manifparlamentoguine
“Todos os políticos deste país já provaram que não conseguem resolver os problemas que eles mesmos criaram e, por isso, têm que sair, têm que deixar o lugar para o povo simples assumir o que quer para si”, declarou Saturnino de Oliveira. “Nós não estamos nem do lado do Presidente da República, nem do presidente do Parlamento, nem dos líderes dos partidos PRS, PAIGC ou do grupo de 15 deputados dissidentes. Para nós, nenhum deles serve”, sublinhou Oliveira.
Saturnino de Oliveira quer um “governo popular” dirigido pelo povo e que trabalhe para o povo e diz que o movimento vai desencadear uma campanha de sensibilização da população sobre os objectivos que preconiza.
A Guiné-Bissau passa por uma crise política há mais de 15 meses e na última semana o Presidente do país, José Mário Vaz, acabou por nomear Sissoco Embaló como quinto primeiro-ministro desde as últimas eleições legislativas realizadas em 2014.
O impasse tem feito com que alguns grupos de cidadãos, sobretudo jovens, saiam à rua.
O Movimento de Cidadãos Conscientes Inconformados (MCCI) organizou durante o mês de Outubro duas manifestações em que juntou centenas de pessoas no centro de Bissau.
As manifestações foram suspensas depois da nomeação de Umaro Sissoco Embaló, na expectativa de que a nomeação do novo governo signifique o fim da crise na presente legislatura.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/paigc_nega_integrar_o_governo_de_embalo

Presidente de Guiné Bissau realiza consultas junto aos partidos políticos

Bissau – O presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, vai voltar a consultar os partidos com representação parlamentar na quarta-feira, depois de ter demitido quarta-feira o Governo, disse à Lusa fonte presidencial.

JOSÉ MÁRIO VAZ, PRESIDENTE DA GUINÉ-BISSAU

Nas convocatórias, o estadista guineense faz saber que irá proceder a nomeação do novo primeiro-ministro à luz do artigo 68, alínea g) da Constituição guineense, que refere que o presidente ausculta os partidos e escolhe o líder do executivo de acordo com os resultados eleitorais.

A nomeação de um novo primeiro-ministro já foi tema de discussão em outros encontros promovidos por José Mário Vaz nas últimas semanas.

Em nenhum deles houve unanimidade sobre qual dos três nomes propostos pelo presidente deve ser escolhido: o general na reserva Umaro Cissoko, o político Augusto Olivais ou João Fadiá, director do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO) na Guiné-Bissau.

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das últimas eleições em 2014, já disse que apoia o seu dirigente, Augusto Olivais, enquanto a maior força da oposição, o Partido da Renovação Social (PRS), não se comprometeu com nenhum nome e diz que cabe ao presidente escolher.

Pelo meio há 15 deputados dissidentes do PAIGC que se juntaram ao PRS para formar uma nova maioria parlamentar.

O Acordo de Conakry, mediado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), prevê que este grupo regresse ao partido.

Os dirigentes políticos guineenses assinaram o acordo a 14 de Outubro, mas ainda não houve reconciliação dentro do PAIGC.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/10/46/Guine-Bissau-vai-voltar-consultar-partidos-com-representacao-parlamentar,0468a20c-eec0-4a8c-8cdd-0719502110f5.html

Sudão do Sul: “Nossos pacientes estão nos contando histórias horríveis”

15/07/2016
Ruben Pottier, coordenador de MSF em Juba, fala sobre os relatos de sofrimento e perda dos pacientes de uma clínica móvel no sul da cidade sul-sudanesa
Sudão do Sul: “Nossos pacientes estão nos contando histórias horríveis”

“Depois de cinco dias de confrontos, este é o segundo dia calmo – não ouvimos um tiro sequer. O cessar-fogo foi respeitado no sentido de que os grupos militarizados não estão lutando entre si, mas ainda há muitos tiroteios e roubos acontecendo. De acordo com muitos pacientes que atendemos hoje e também da nossa equipe sul-sudanesa, uma área da cidade em particular ainda está muito insegura.

Esses pacientes tiveram de fugir de seus lares e ainda estão amedrontados demais para voltar. Suas casas foram saqueadas e eles perderam todos os seus pertences. Algumas pessoas que decidiram voltar para casa descobriram que tudo havia sido roubado, então precisaram retornar à igreja de Santa Theresa, no sul da cidade de Juba, onde funciona a nossa clínica móvel. As principais necessidades humanitárias dessas pessoas são alimentos, abrigo, água, saneamento e cuidados básicos de saúde.

Foto: MSFOntem realizamos 150 consultas e hoje 377. Também examinamos crianças com suspeita de desnutrição e oferecemos alimento terapêutico para aquelas que estavam grave ou agudamente desnutridas. Nossos pacientes estão nos contando histórias horríveis – como quando homens armados entraram em suas casas e atiraram nas pessoas que estavam ali. Ao tentar fugir da violência, muitos perderam membros da família. Hoje eu conheci um menino de oito anos que perdeu a mãe e o pai, assassinados a tiros, e agora não tem ninguém para cuidar dele. Vi uma menina de doze anos levando a sua irmã de três anos no colo para uma consulta e dizendo que seu pai e sua mãe tinham sido assassinados.

Muitas pessoas foram apanhadas no meio do fogo cruzado e acabaram com ferimentos a bala. Muitos outros foram feridos enquanto corriam no meio do caos tentando fugir dos confrontos. Alguns agarraram cercas de arame quando tentavam escalar muros e acabaram com cortes nos dedos; outros têm ferimentos e hematomas na cabeça, nos braços e nas pernas.

Dois pacientes nos contaram que homens armados e sem uniforme chegaram às suas casas, levaram suas crianças e todos os seus bens, incluindo as roupas. Eles contaram que fugiram de casa nus. Pessoas da vizinhança lhes deram algumas roupas, que agora são tudo que eles têm.

As histórias que temos ouvido são terríveis – inclusive sobre as coisas que estão acontecendo agora, desde que os confrontos cessaram. Ouvir esses casos é muito traumático, especialmente quando você ouviu os sons dos tiros e das bombas e o barulho das pessoas correndo nas ruas. É muito estressante para nós, mas obviamente é muito mais estressante e traumático para as pessoas que vivem nessas áreas, incluindo muitos dos integrantes da nossa equipe sul-sudanesa.

 

http://www.msf.org.br/noticias/sudao-do-sul-nossos-pacientes-estao-nos-contando-historias-horriveis

ONU ordena saída de funcionários da capital do Sudão do Sul por causa de conflitos

07-14-2016WaterSudan
 
 
Funcionários que não desempenham funções críticas foram realocados de Juba após onda recente de violência. Decisão é motivada por riscos e desafios operacionais, que incluem o saque do maior armazém de alimentos da cidade, controlado pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA).
 
Na quinta-feira (14), o UNICEF entregou 100 mil litros de água para pessoas internamente deslocadas em Juba. Foto: UNICEF Sudão do Sul
 
 
As Nações Unidas ordenaram na quinta-feira (14) que funcionários de suas agências e da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) que não desempenham funções críticas fossem realocados de Juba, capital do país, para outras regiões devido aos recentes confrontos na cidade. A situação no local apresenta desafios operacionais que incluem o saque do maior armazém da capital, controlado pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA).
 
Segundo o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, a Missão das Nações Unidas recebeu relatos “perturbadores” de que instalações e funcionários da Organização e de parceiros internacionais foram intencionalmente alvejados por integrantes do Exército Popular de Liberação do Sudão durante os últimos conflitos.
 
Informações incluem casos de estupro e assassinato de um sul-sudanês e um estrangeiro a serviço de organizações não governamentais. Profissionais da ONU também foram vítimas de ataques.
 
“Condenamos nos mais fortes termos esses ataques”, afirmou Dujarric. “Pedimos às autoridades nacionais que investiguem essas sérias alegações imediatamente e de forma abrangente, e levem os perpetradores à justiça.”
 
A decisão de retirar parte das equipes não deve afetar a prestação de assistência, pois a ONU e a UNMISS “vão continuar realizando operações críticas para dar apoio” ao povo sul-sudanês, segundo um informe da Missão.
 
Armazém do PMA é saqueado
 
Antes da mais recente onda de violência, o depósito do PMA — localizado na fronteira oeste de Juba — abrigava uma quantidade de suprimentos suficiente para alimentar 220 mil pessoas por um mês.
 
O armazém funcionava como o principal centro logístico do organismo internacional no país, fornecendo alimentos para regiões e cidades em diferentes partes do Sudão do Sul. A extensão dos danos ao estoque causados pelo saque ainda não pôde ser calculada porque funcionários do Programa Mundial não conseguem chegar ao depósito.
 
“O PMA condena fortemente o roubo de comida destinada aos mais pobres e vulneráveis do Sudão do Sul”, destacou o vice-diretor regional da agência, Vernon Archibald. A perda das provisões poderá afetar a capacidade do Programa de responder aos mais de 40 mil indivíduos deslocados pelos recentes confrontos.
 
A chefe nacional do PMA, Joyce Luma, informou que a agência da ONU tem conseguido levar alimentos para as pessoas abrigadas em bases da Missão das Nações Unidas — responsável atualmente pela proteção de cerca de 33 mil indivíduos internamente deslocados que residem, em sua maioria, em abrigos para civis ao lado da Casa da ONU em Juba.
 
O próprio escritório do Programa Mundial abriu suas portas a civis e já conta com cerca de 3 mil sul-sudaneses em suas instalações.
 
“Uma mãe fugiu para o nosso complexo com seu bebê poucas horas após dar a luz”, contou Luma. A dirigente lembrou que, em saques anteriores, o PMA conseguiu negociar a devolução da comida roubada com os ladrões — que teriam reconhecido a importância da assistência humanitária.
 
7888slny9zs27a4kzz8d1dwbo
Agências da ONU e parceiros levam assistência
 
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou na quarta-feira (13) que está trabalhando com parceiros para prestar assistência a cerca de 50 mil pessoas afetadas pelos últimos confrontos em Juba.
 
“As pessoas mais atingidas pelos conflitos estão lutando para lidar com condições terríveis. Elas estão desesperadas por água, alimentos e necessitam de assistência médica”, disse o representante do UNICEF no Sudão do Sul, Mahimbo Mdoe.
 
Kits com utensílios para cuidados de saúde primários, bem como itens de lazer para as crianças foram distribuído na quinta-feira (14).
 
Já na terça-feira (13), assim que os acessos à ajuda humanitária foram liberados, quatro caminhões de suprimentos — carregados com itens para tratar desnutrição e artigos de saneamento — saíram dos armazéns da agência da ONU para um local onde as Nações Unidas acolhe deslocados em Juba. Barras de alimentos hipercalóricas também foram distribuídas em duas igrejas onde as famílias estão reunidas.
 
Equipes do UNICEF e de seus parceiros estão trabalhando também para avaliar a extensão das necessidades humanitárias e começaram a procurar familiares de crianças que foram separadas de seus pais.
 
“Estamos dando assistência e essa resposta continuará crescendo. No entanto, é vital que sejamos capazes de chegar a todos os necessitados e, para isso, temos de ter acesso humanitário sem restrições”, ressaltou Mdoe.
 
O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que, desde o cessar-fogo acordado na segunda-feira (12), famílias começaram a retornar para suas casas em Juba, mas milhares permanecem deslocadas.
 
O organismo da ONU disse que parceiros humanitários estão monitorando de perto a situação de outras regiões do Sudão do Sul — como Yei, Wau e Leer — que podem enfrentar novas ondas de violência.