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Empresário guineense investe milhões de euros em academia de futebol

futebol empresario catio

Academia, refere Cátio Baldé, vai estar equipada de acordo com os padrões da FIFA.

A Guiné-Bissau vai ter a partir do próximo ano uma academia de futebol e um centro de estágios conformes com os padrões internacionais, um investimento de cinco milhões de euros realizado pelo empresário guineense Catió Baldé.

“A Guiné-Bissau gerou em termos de lucros de futebol em Portugal mais de 50 milhões de euros. Este é um investimento que vai ter o seu retorno. O novo futebol hoje não compadece daquilo que era a cultura dos anos 60, 70 e 80”, afirmou o empresário à Lusa.

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A academia de futebol vai estar equipada com refeitório, dormitório, escola, piscinas, uma unidade hoteleira para o centro de estágio e dois campos de futebol, que se podem transformar em quatro campos de futebol de sete.catio baldé.jpg

Tudo conforme as regras da Federação Internacional de Futebol (FIFA).

“Antes, os europeus vinham a África buscar jogadores altos, corpulentos, com força, mas hoje o futebol mudou e os grandes clubes da Europa querem jogadores com formação base e nós somos obrigados a exportar anualmente centenas de jovens para a Europa sem formação base”, disse.

catioO objetivo, segundo o empresário, é o negócio, mas também “oferecer aos jovens as melhores condições de trabalho”.

“Quando saem daqui para a Europa saem preparadíssimos. Hoje, na Europa, querem jogadores inteligentes, porque hoje é preciso saber que um jogador é capaz de decidir um jogo numa fração de segundos”, salientou.

Apaixonado pelo futebol, Catió Baldé assumiu à Lusa que está naquele desporto pelo negócio, mas “acima de tudo porque acredita no talento dos jovens guineenses”.

“Dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), a Guiné-Bissau é o país mais próximo do Brasil tecnicamente e eu acredito neste talento”, salientou.

Com investimento já feito de cinco milhões de euros, porque todo o equipamento foi importado da Europa, Catió Baldé não tem dúvidas que a “academia vai estar preparada para exportar jogadores para a Europa e para os grandes mercados internacionais”.

A Guiné-Bissau podia ganhar anualmente milhões de euros se houvesse legislação que protegesse os jogadores guineenses e a forma como saem do país para a Europa.

 

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Diversificação da economia em Angola para além da agricultura

 O processo da diversificação econômica em Angola não deve centrar-se apenas na agricultura,  um sector que, de acordo com as práticas internacionais, se desenvolve com o envolvimento da indústria, afirmou na terça-feira o professor da Faculdade de Economia da Universidade Metodista de Angola José Gonçalves.

Docentes universitários declaram que a diversificação deve estar baseada na complementariedade entre os sectores da agricultura e da indústria
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Em  entrevista concedida à imprensa à margem das jornadas técnico-científicas da Fundação Eduardo dos Santos (FESA) que decorrem de terça-feira até hoje, em Luanda, o professor afirmou que os dois sectores têm grande conexão, posto que se a produção não for vendida ainda fresca, pode sê-lo em forma conserva enlatada, completando o ciclo e acrescentando valor.
José Gonçalves realçou a importância de produzir para a exportação não tradicional, dando exemplo da recuperação do ferro e outros minérios na região sul do país, os quais passaram a incorporar valor e deixaram de ser vendidos em bruto.
“ Se aumentarmos as exportações das matérias-primas em bruto, vamos voltar à mesma situação de depender do mercado mundial para fixação dos preços, um domínio no qual não temos influencia suficiente”, sublinhou José Gonçalves.
José Gonçalves proferiu na terça-feira, durante as jornadas técnico-científicas da Fundação Eduardo dos Santos, uma palestra consagrada à “Crise do Mercado Petrolífero: Consequências para o Sector Energético e Abertura de Novas Janelas Económicas”.
O decano da Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto, Redento Maia, considerou que o desafio da economia é o de determinar que sectores que estão em desigualdade e quais as áreas em que devem incidir os estímulos económicos para elevar a competitividade.

Desenvolvimento humano
Numa intervenção sobre o “Modelo de Desenvolvimento Económico”, afirmou que Angola deve criar um modelo de desenvolvimento sustentável, centrado no homem angolano e no seu bem-estar e assente em princípios da modernidade e de abertura ao exterior, com a iniciativa privada como força motriz.
Redento Maia afirmou que o modelo deve ser capaz de instalar a estabilidade política e social, o desenvolvimento humano, a equidade na distribuição do rendimento nacional, a eliminação da fome e pobreza e uma sociedade justa.
Para alcançar estes objectivos, apontou o decano, o Estado deve criar um ambiente apropriado para o exercício da actividade económica, por meio da promoção da estabilidade e complementaridade estratégica entre o investimento público e privado.
A curadora da Fundação Eduardo dos Santos Teresa Cohen acrescentou, como outra prática mundial generalizada, que não há desenvolvimento sem investimento na educação, adiantando que, nesta fase, o problema de Angola deve ser a aposta na qualidade.
Na abertura das jornadas, o presidente da FESA, Ismael Diogo, declarou que Angola necessita de renovar as políticas para obter um ambiente macroeconómico mais sustentável, tendo em conta o actual momento económico que está a viver.
Ismael Diogo disse que Angola se vê obrigada a vencer as barreiras do desenvolvimento impostas pelas diferentes contingências,um desafio que exige do Estado e do Governo esforços para identificar e dar solução aos eventos, tendo como fim proporcionar a harmonia e bem-estar.
Enquanto as relação entre Angola e os outros países estiverem aliados apenas à exportação de matérias-primas (petróleo ou  outros bens primários) e para a satisfação das necessidades internas continuar a recorrer-se à importação de produtos acabados do exterior, perpetua-se a dependência quase infinita.
Neste contexto, frisou, os desafios do país face à actual ordem económico -financeira mundial passam por criar condições internas em termos económicos e políticos para uma integração regional (económica) eficaz. Mas antes de avançar para a integração regional, Ismael Diogo defende a necessidade de se criar condições em termos de infra-estruturas, tecnologia, conhecimento e formação de quadros, aspectos tidos como de capital importância para propiciar e alavancar a produção interna.
O gestor da FESA chamou a atenção para uma a abertura ao mercado externo para a exportação do excedente de produção, que deve ser acompanhada de investimentos em infra-estruturas, tecnologia, conhecimento, formação de quadros e maior acesso ao crédito.

 Autoridades da Chibia promovem um fórum de investimento
Um fórum 
empresarial denominado Chibia Investe é realizado amanhã naquele município da província da Huíla, para atrair investimentos para aquela localidade, noticiou a Angop.
O encontro é promovido pela Administração Municipal da Chibia e está inserido nas comemorações do 90º aniversário daquela aldeia, que é assinalado na segunda-feira e prevê o  debate de assuntos ligados às oportunidades de negócio e potencialidades económicas do município.
Falando à Angop, ontem, o chefe do Sector Econômico da Administração Municipal da Chibia, João Faria, informou que o encontro vai juntar 35 investidores, entre os quais gestores de diferentes instituições bancárias representadas na província da Huíla e empresários, bem como estudantes e representantes das autoridades institucionais da Chibia.
João Faria referiu que este é o primeiro evento do género a ser realizado na região e visa atrair investidores, no quadro do processo de diversificação da economia da região.
“Temos muitos sectores que precisam de investimentos no nosso município, como os sectores da agricultura, pecuária, aquicultura, rochas ornamentais, turismo e banca. Queremos mostrar isso aos potencias investidores”, disse o responsável, augurando que o encontro vá decorrer com sucesso.
Situado 42 quilômetros a sul do Lubango, o município da Chibia conta com uma população de 190.670 habitantes, que tem na agro-pecuária a sua principal fonte de sustento.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/investimentos/diversificacao_da_economia_implica_a_adicao_de_valor_1

Angola é o terceiro maior destino do financiamento chinês

 

Angola é o terceiro maior destino do financiamento chinês além-fronteiras, segundo a unidade de investigação AidData, que aponta que Pequim está perto de igualar Washington como principal fonte de empréstimos aos países em desenvolvimento.

Crédito chinês atinge mais de 16,5 mil milhões de dólares
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro
A pesquisa, difundida pela unidade de investigação AidData, da universidade norte-americana de William & Mary, analisa o financiamento oriundo da China, que publica poucos detalhes sobre os fluxos de capital para o exterior. Em 15 anos, e até 2014, Pequim doou ou emprestou 354,4 mil milhões de dólares a outros países.
Durante o mesmo período, os EUA doaram ou emprestaram 394,6 mil milhões de dólares. Angola surge no estudo da AidData como o terceiro maior beneficiário do financiamento de Pequim, apenas atrás da Rússia e Paquistão, dois países que fazem fronteira com a China. O país recebeu de Pequim um total de 16.556 milhões de dólares (14.011 milhões de euros).
A base de dados AidData, que reúne milhares de fontes, é analisada por acadêmicos da William & Mary e das universidades de Harvard e Heidelberg. “Ao nível mais alto, pode dizer-se que os EUA e a China são agora rivais nos gastos, no que toca às suas transferências financeiras para outros países”, escreve o director executivo da AidData, Bradley C. Parks.
A opacidade do financiamento chinês suscita preocupações de apoio a regimes corruptos e redução dos padrões de protecção ambiental e direitos humanos, que doadores ocidentais tentam reforçar. A maioria do financiamento chinês parece servir o crédito à exportação e outros critérios que visam promover os objectivos chineses, mas produzem pouco benefício aos países destinatários, segundo Parks.
“A maior fatia do financiamento não visa permitir um crescimento econômico significante para os países receptores”, afirma.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/angola_entre_os_maiores__devedores_da_china

Produção agrícola é prioridade em Angola para a politica monetária

 

O aumento da produção agrícola e da competitividade passam a ser  prioridade da política monetária cambial, declarou sexta-feira, em Luanda, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA).

BNA defende um novo ciclo em que a banca comercial esteja ao serviço da produção nacional
Fotografia: Francisco Bernardo|Edições Novembro|
Valter Filipe da Silva, que falava no encerramento do VII Fórum Banca-Regulação e supervisão bancária, promovido pelo Jornal Expansão, estão a ser criados instrumentos de garantia para que as divisas fiquem ao dispor do investimento voltado ao setor da agricultura.
O governador frisou que a política cambial deve continuar a disponibilizar divisas para o mercado, não de uma forma muito administrativa, mas dando maior disponibilidade para o sistema bancário, olhando para o plano de negócio e o plano de crédito dos bancos comerciais para que estas divisas sejam efectivamente para a produção agrícola.
Para o gestor, a prioridade deve ser dada à produção de milho e soja para reduzir a importação da farinha, bem como outros agregados como a ração animal e aumentar a produção de carne.
Na sua óptica,  deve estabelecer-se um diálogo com a Associação Angolana de Bancos (ABANC), sector bancário, fiscal, produtivo e a área comercial para encontro do novo ciclo angolano, cujo motor seja o sistema bancário e não o Estado.
O governador disse que, no contexto actual, é necessário ter um sistema financeiro de inclusão, mas também um instrumento para a justiça social, combate contra a corrupção e favoritismo.
“Se queremos uma prosperidade para todos temos que combater a injustiça social que se faz pela via do sistema bancário, concessão de crédito, regulação, supervisão, branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo, boa gestão, ética e estar ao serviço do povo e da prosperidade”, disse.
O Fórum Expansão visa abordar, em conferências, seminários, palestras, debates, workshops, temas relevantes sobre economia angolana.
No evento, foram debatidos os modelos e tendências mundiais em matéria de regulação e supervisão bancárias com o objectivo de apontar caminhos, sugerir procedimentos, atitudes e comportamentos, contribuindo dessa forma para a afirmação em Angola de bancos sólidos e sustentáveis para o financiamento da economia, ajudando à criação de emprego e geração de riqueza.
Participaram no evento personalidades da finança nacional e internacional, entre governantes, reguladores, banqueiros, empresários, gestores, quadros médios e superiores, académicos e outros especialistas.

BIC antevê baixa nos lucros
O resultado líquido do Banco BIC para este ano pode baixar entre cinco e dez por cento em relação a 2016, ano em que atingiu 7,146 mil milhões de kwanzas. A revelação foi feita, no sábado, pelo presidente da instituição.
Fernando Teles, que falava à Angop à margem do VII Fórum Banca-Regulação e supervisão bancária, fez essa projecção em função do actual quadro da economia do país.
O banqueiro explicou que, embora falte ainda um semestre para o fim do ano, tem consciência que parte dos resultados da banca no país são o efeito cambial e esses não deviam ser contabilizados, mas deviam ir directamente ao aumento da situação líquida.
“ O que acontece é que os bancos têm resultados maiores em kwanzas, mas o seu balanço em dólares está a encolher. Isto é o banco tinha por exemplo 800 milhões de dólares de fundos próprios, mas quando vai ver no final do ano em kwanzas  é superior mas tem em dólares um valor de 600 milhões de dólares.
Neste caso, perdeu 200 milhões de dólares, e isso não foi contabilizado”, esclareceu o bancário.
Fernando Teles disse que fica a aparência de um resultado muito grande mas não é verdade. “Só será assim quando o lucro do efeito da posição cambial for elevado directamente à situação líquida e não for contabilizado como alguns bancos estão a fazer”, referiu.
Fernando Teles disse que o banco emprestou até agora 2,7 mil milhões de dólares às empresas e aos particulares e cerca de 3,2 mil milhões de dólares ao Estado.
O BIC pretende manter o valor do crédito concedido ao Estado e aumentar o crédito às empresas e aos particulares.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/agricultura_e_prioridade__nas_politicas_monetarias

China investe 45 milhões de euros em campus universitário de Cabo Verde

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O primeiro-ministro de Cabo Verde disse hoje que, dentro de três anos, Cabo Verde terá um campus universitário ao nível de países mais desenvolvidos, agradecendo à China pelo apoio a um investimento estimado em 45 milhões de euros.

Ulisses Correia e Silva falava ao final da tarde, durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra do novo campus da universidade pública de Cabo Verde (UNICV), um projeto totalmente financiado pelo Governo da China.Delegação-de-Cabo-Verde-e-China

O chefe de Estado cabo-verdiano assinalou o facto de se tratar do maior projeto apoiado pela China em 40 anos de relações de cooperação com Cabo Verde, adiantando que representará um investimento de 45 milhões de euros e deverá estar pronto dentro de três anos.

“Dentro de três anos teremos um campus moderno, funcional e ao nível dos campus universitários de países mais desenvolvidos”, disse.

cabo-verde-chinaO primeiro-ministro sublinhou também a importância da cooperação chinesa para Cabo Verde, apontando outros investimentos emblemáticos que deverão arrancar em breve como os projeto Cidade Segura, nas ilhas de Santiago, São Vicente, Sal e Boavista, e de habitação social para eliminação dos bairros de barracas ainda existente em Cabo Verde ou a criação da Zona Económica Especial de São Vicente.

O embaixador da China em Cabo Verde, Du Xiaocong, considerou que este será um ano “muito dinâmico” na cooperação entre os dois países e revelou que a equipa chinesa que irá apoiar a criação da Zona Económica Especial de São Vicente chegará no próximo mês para começar a trabalhar.

O embaixador considerou que a recente visita a Cabo Verde do ministro dos Negócios Estrangeiros da China veio trazer uma “nova dinâmica nas relações entre os dois países” e sublinhou o apoio de Cabo Verde à iniciativa chinesa “Uma faixa, uma rota”, de ligação da China ao ocidente através de uma rede de portos.

Localizado na zona do Palmarejo Grande, na cidade da Praia, o novo campus de foi projetado para acolher 4.890 estudantes e 476 professores em 61 salas de aulas, 5 auditórios, oito salas de informática, oito salas de leitura, 34 laboratórios, salão multiúsos, com capacidade de 654 lugares, refeitórios, biblioteca, dormitórios e espaços desportivos.

Vai ser edificado pela construtora estatal chinesa Longxin Group e as obras inicialmente previstas para arrancar em maio deverão começar em julho.

http://www.dn.pt/lusa/interior/cabo-verde-tera-campus-universitario-ao-nivel-de-paises-mais-desenvolvidos—pm-8578550.html

Cabo Verde é o 18º país mais atrativo para investir em África

A-Montagem-fotos-de-rostos-cabo-verdianos-cabeçalho-a-abrir-a-peça-983x550-33n8z3aavgnwl126iei51c Cabo Verde é o 18.º país mais atrativo para os investidores em África, e o primeiro entre os lusófonos, segundo a edição deste ano do Programa de Atratividade do Investimento Estrangeiro, elaborado pela consultora EY.

Moçambique está na 22.ª posição, numa lista liderada por Marrocos, Quênia e África do Sul, e que até ao 25.º lugar não contempla mais nenhum país de língua oficial portuguesa, tendo Cabo Verde melhorado seis lugares face à classificação do ano passado, enquanto Moçambique piorou dois níveis.

“O sentimento dos investidores relativamente a África deve continuar menos animado nos próximos anos, o que tem a ver menos com as condições fundamentais de África do que com um mundo caracterizado pelo aumento da incerteza geopolítica e por uma maior aversão ao risco”, comentou o diretor executivo da EY Africa, Ajen Sita.

Os investidores que não estão presentes em África permanecem positivos sobre a atratividade para o investimento de longo prazo no continente, mas estão cautelosos e atentos às dificuldades”, acrescentou o responsável.

O estudo da EY baseia-se numa análise de 46 países africanos e assenta em seis pilares que são considerados fundamentais para os investidores escolherem a localização do seu investimento: resiliência macroeconómica, tamanho do mercado, facilidade nos negócios, investimento em infraestrutura e logística, diversificação económica e governança e desenvolvimento humano, com os primeiros dois a valerem 20% e os restantes 15% cada.

O maior investidor estrangeiro no continente em número de projetos continua a ser os Estados Unidos, com 91 novos investimentos, seguidos da França, com 81, e da China, com 66 projetos, o que representou um aumento de 106% face ao ano anterior.

Em termos do montante do investimento, a China é, de longe, a que investe mais, tendo canalizado no ano passado 36,1 mil milhões de dólares, o que vale mais de um terço do total investido no continente, e quase três vezes mais que o segundo maior investidor, os Emirados Árabes Unidos, que enviaram para o continente 11 mil milhões de dólares para 35 projetos.

http://www.dn.pt/lusa/interior/cabo-verde-e-o-18o-pais-mais-atrativo-para-investir-em-africa—consultora-7201925.html

Projeto Jovem Empreendedor Angolano.

Ontem  celebrou-se  o dia da juventude angolana. A efeméride é celebrada em homenagem ao herói José Mendes de Carvalho, conhecido por Hoji-ya-Henda, morto em combate a 14 de Abril de 1968, no Moxico, durante um assalto ao quartel de Karipande, do exército colonial português.

Jair Miguel Jerónimo Pereira

Uma das principais preocupações da juventude angolana é o emprego.

O Executivo, no âmbito da implementação da política da juventude, aprovou este ano uma linha de crédito de apoio ao empreendedor jovem, denominado Projovem. A linha de crédito é financiada pelo Banco de Desenvolvimento de Angola, operacionalizada pelo BCI e conta com a participação do Inapem, Conselho Nacional da Juventude e com o Instituto Angolano da Juventude (IAJ). Vários jovens já remeteram os seus projectos de candidatura para o crédito. Jair Miguel Jerónimo Pereira, 31 nos, é funcionário da TAAG, colaborador  no Instituto Angolano da Juventude, através do projecto “Meu Padrinho meu Mentor”e fundador do projecto Jovem Empreendedor Angolano. Jair Pereira tem a missão de sensibilizar os jovens a aderirem ao projecto Projovem, devido à sua dura experiência familiar, e no mundo dos negócios. Jair Pereira fala ao Jornal de Angola do desafio de sensibilizar os jovens com palestras motivacionais para aderirem ao crédito dirigido aos jovens empreendedores.

Jornal de Angola – Qual é a sua experiência de vida?


Jair Pereira
– É uma experiência muito forte e humilde. Dessa humildade, consigo ser exemplo para outros jovens. Consigo apontar caminhos para outros jovens de que a vida não se faz num dia, a vida faz-se lutando. As coisas não acontecem por acaso, as coisas acontecem em função do nosso trabalho. Tudo na vida é uma fase. É acção e efeito. Tudo vai acontecendo em função das nossas acções.

Jornal de Angola – Qual é a estratificação social da sua família?

Jair Pereira
– Sou de uma família pobre. O meu pai foi professor do ensino de base. A minha mãe era educadora de infância. Naquela altura, os salários no sector da Educação não eram altos e havia atrasos. Em função disso, nós passávamos muitas necessidades. Viemos do Cuanza Norte e chegámos a Luanda. Não tínhamos condições básicas, mas pela batalha e luta do meu pai, foi possível nós nos formarmos e hoje estamos com uma orientação.

Jornal de Angola – Para além das suas ocupações profissionais na TAAG e nos negócios, é prelector motivacional. Qual é a sua experiência neste domínio?

Jair Pereira
– Tem sido uma experiência peculiar, porque nós estamos na parte da orientação, estamos ligados ao associativismo juvenil, na orientação dos jovens para a questão da criação do primeiro emprego. Tem sido uma experiência muito boa, porque os jovens vêem em nós uma luz no fundo do túnel. Porque quando começam a procurar soluções para os seus problemas, nós apontamo-las, daí o grande benefício. Os jovens olham para nós com veneração, no sentido de que somos um exemplo para um futuro melhor.

Jornal de Angola – Qual é o seu ponto de vista sobre o projecto Projovem?

Jair Pereira – É um projecto muito bom. É uma linha de crédito para os jovens empreendedores, para aqueles jovens que desejam realizar os seus negócios. Porque o grande objectivo é tirar os jovens da informalidade, para os negócios formais. Esta linha de crédito é uma linha com taxas bonificadas e com períodos de carência longos. É uma experiência diferente e com planos de negócios também diferentes, tudo dependendo de valores que o jovem desejar.

Jornal de Angola – O que fazias quando estavas no sector informal da economia?

Jair Pereira – Eu já vendi bolinhos, água fresca, já fiz vários trabalhos, como taxista. Mas hoje, graças a Deus dei a volta por cima. Fui lutando e hoje consegui fazer coisas diferentes.

Jornal de Angola – Como conseguiu sair do negócio informal para o formal?

Jair Pereira – Não foi fácil. Foi preciso muita disciplina, muito planeamento porque almejava um futuro melhor para mim. Também tive Deus ao lado, porque houve momentos de desespero. Acima de tudo, foi preciso muita persistência. Acredito que o amanhã será melhor.

Jornal de Angola – Quais são as reacções que recebes dos jovens sobre o projecto Projovem?

Jair Pereira – Encntramos muitas objecções no que concerne ao crédito. Mas depois das explicações, as pessoas ficaram mais esclarecidas. As objecções eram sobre os requisitos que são normais para um crédito em função dos valores e os prazos de pagamento. Por exemplo, no requisito sobre a certificação da empresa, se queremos passar para a formalização, a certificação é importante. A empresa tem que estar certificada no INAPEM. Muitas vezes, quando os  jovens lêm certificação, não sabem onde ir, e nós aparecemos para dar este esclarecimento e orientação.

Jornal de Angola – Que diferença existe entre o crédito normal e o Projovem?

Jair Pereira – A diferença é abismal. Primeiro, é o período de carência que se oferece e, segundo, são as taxas que são muito atractivas. Depois, também tem o período de maturidade. As garantias, para um valor ínfimo, abaixo de 10 milhões. Muitas vezes, as garantias são pequenas e não são aquelas que muitos esperam. Muitos esperam hipotecas. Um jovem empreendedor não tem ainda nada para hipotecar. Em função dos valores, vamos fazendo atribuições. Este crédito acho que é muito atraente, porque escalona os sectores de actividade a financiar, por exemplo na agricultura, pecuária e prestação de serviços. O projecto dispõe de informações na internet a que se pode aderir directamente.

Jornal de Angola – Que dificuldades é que os jovens apresentam?


Jair Pereira
– Muitas vezes, é a falta de orientação. Nós, quando fizemos a apresentação do projecto Projovem, há uma questão que transmitimos aos jovens que é de trabalharem em função das suas habilidades. Tudo isto fica entendidoquando falamos da formação sobre o empreendedorismo onde se aprende como começar e fazer o plano de negócio. É um leque de explicações e eles sentem-se satisfeitos. Acontece que muitos olham para o valor total ou o valor máximo do crédito, às vezes, não pensam que as habilitações que têm pode levá-los para um crédito de menor valor. Daí, o papel do gestor bancário de poder aconselhar a rever o plano do negócio ou o estudo de viabilidade no sentido de orientar os jovens.

Jornal de Angola – Qual é a primeira impressão dos jovens sobre o crédito?

Jair Pereira – A primeira impressão que temos dos jovens é de um certo imediatismo. A ideia de fazer crédito lhes vem a visão de que o dinheiro é para outros fins, como por exemplo comparar carro, casa ou outros bens de luxo. Nós estamos a passar a mensagem certa que é mesmo de um crédito para empreendedores, porque os valores não são disponibilizados na sua totalidade. O valor disponibilizado é o capital do fundo de maneio. O resto do capital é empregue no negócio. Os jovens têm a visão de comprar carro ou outros bens.

Jornal de Angola – Quando passam a mensagem de que o dinheiro não é dado ao vivo, qual é a reação que recebem dos jovens?

Jair Pereira – Em princípio, por falta de informação, a reacção é drástica e de desespero. O fundamental na vida não é dar dinheiro. O fundamental é dar dinheiro para que as pessoas consigam evoluir. A dependência dos jovens ao Estado, muitas vezes, não pode ser contínua. O jovem cria hoje a sua empresa, mas esta iniciativa não é só para ficar aqui é para dar sequência, criando assim, emprego para si e emprego para outras pessoas, resolvendo os seus problemas sociais e dos outros.

Jornal de Angola – Os jovens já começaram a apresentar os projectos?

Jair Pereira – O processo de candidatura já começou. Alguns estão na fase de criação de empresa, abertura de contas, entrega de formulários por via correio electrónico. Então, já começou o processo de cadastramento. Neste momento, temos os gestores bancários a receberem os jovens e a darem mais explicações sobre o projecto. Nós também continuamos a esclarecer todas as dúvidas que eles apresentam. O Instituto Angolano para a Juventude está presente para esclarecer todas as dúvidas apresentadas pelos jovens .

Jornal de Angola – Como é que o IAJ passa a informação aos jovens de outras províncias?

Jair Pereira – Nós temos o Ministério da Juventude e Desportos, porque o IAJ é uma instituição deste departamento ministerial, que por sua vez dissemina a informação noutras províncias. Mas nós temos ido a todas as províncias passando a informação de como tem funcionado o Projovem. Em breve, estaremos no Cuando Cubango. Este projecto é para todos os jovens angolanos.

Jornal de Angola – Ontem foi dia da juventude angolana. Qual deve ser o foco para os jovens?

Jair Pereira – Os jovens devem assinalar mais a formação, acima de tudo. Eu, por exemplo, não consegui fazer a formação com que sempre sonhei, porque tínhamos poucos institutos. Hoje, temos várias universidades credíveis. Então, o jovem hoje é um jovem actualizado e mais capacitado intelectualmente. Já começa a surgir uma geração diferente e que não quer estar na bebedeira, droga, festas. Temos jovens que estão compenetrados nos seus objectivos. Os jovens angolanos começam a dar respostas diferentes às questões do dia-a-dia. Hoje, já se vêm jovens com mais foco, mais objectivos. E, a par disso, é o nosso projecto. Temos jovens com grandes projectos que têm ajudado outros jovens. É esta a juventude, essa sociedade que queremos. Todas as sociedades foram constituídas por jovens. Os mais velhos hoje, um dia foram jovens. Como diz o saudoso Dr. Agostinho Neto, “nós somos de quem se espera.” Nós não podemos esperar. Somos aqueles de quem se espera. Então, vamos vendo uma juventude mais inteligente, mais batalhadora e mais consciente. Sejamos esta juventude para que os mais velhos depositem mais credibilidade nas nossas acções.

Jornal de Angola – Como é que a jovem mulher participa nos negócios em Angola?

Jair Pereira – Os maiores projectos e com histórias mais fortes são mesmo das mulheres. Nós temos tido várias situações de empresárias que começaram a fazer viagens, com salão de cabeleireiro bolos e contam as suas histórias. Os nossos encontros são muito interactivos. Eu acho que a jovem mulher está mais focada nos negócios que os homens.

Jornal de Angola – O que quer transmitir quando diz que a jovem mulher está mais focada?

Jair Pereira
– Quero dizer que, actualmente, dos 100 projectos, 60 por cento são projectos de mulheres que estão a dar passos no mundo dos negócios. Actualmente, é assim que tem acontecido. Das experiências que temos, são de mulheres a vencerem no mundo dos negócios. Das inquietações que recebemos, é mais de mulheres a pedirem para transmitirmos mais conhecimentos. Geralmente, são as mulheres que aderem à legalidade, à formalização. Então, eu acho que o papel da jovem mulher tem sido muito importante de um tempo a esta parte. Eu tenho uma visão positiva quanto à jovem mulher.

Jornal de Angola – Qual é a sua opinião sobre os jovens ambulantes?

Jair Pereira – Fruto da experiência que tenho, é que o empreendedorismo tem diversas vertentes. Muitos de nós enveredamos pelo caminho de empreendedorismo pela necessidade. Estes jovens que buscam o seu dia-a-dia pela necessidade, a minha visão particular, isto não pondo outras instituições, são grandes batalhadores e vencedores na vida. Infelizmente, ainda não criamos métodos que permitem agregá-los, regê-los em função das suas actividades. São jovens que têm dado o seu contributo à sociedade e constituem um exemplo a seguir. É essa visão que todo o jovem angolano deve ter. Todos os dias devemos acordar e ir a busca do nosso pão. Muitas vezes, podemos seguir conselhos, livros, mas um exemplo vivo do que tem acontecido na nossa sociedade, essa mamã zungueira que acorda todos os dias para ir a procura do pão. A minha avó, por exemplo, vendeu múcua por muitos anos, educou-nos para nós, é uma grande experiência.  Acho que é esta visão que devemos ter, de ir à luta. Para mim, só existe um feitiço: acordar cedo para ir trabalhar.

Jornal de Angola – Qual é a tua opinião sobre a dependência do sector público?

Jair Pereira
– A minha ideia é que só em Angola é que temos a questão do Estado ser o maior empregador. Para mim, deveria ser o sector privado a ser o maior empregador. Mas criarem-se políticas, como o Projevem para podermos reduzir a avalanche de desempregados que temos.

Jornal de Angola – Como vê a participação dos jovens nas próximas eleições?

Jair Pereira – A participação dos jovens nas eleições é evidente. Vimos, durante o período do registo eleitoral, a sua aderência massiva. Na verdade, há muito por fazer no que diz respeito à informação. É este trabalho que o IAJ está a fazer. Porque uma pessoa não orientada não tem conhecimentos. Infelizmente, não consegue  fazer o que é certo, porque não tem conhecimento da verdade.
Os jovens têm participado nesse processo de forma massiva. Muitos activistas do registo eleitoral foram, na sua maioria, jovens. Nota positiva para a nossa juventude quanto à sua participação ao processo eleitoral.

Jornal de Angola – Quer acrescentar mais alguma coisa?

Jair Pereira – O empreendedorismo não se limita só na vertente financeira que é empresarial, mas também na vertente familiar e no amor. Acho que nós, os jovens, devemos demonstrar mais amor ao próximo. Os trabalhos que temos feito aqui no instituto é sempre amando o próximo e amando o país. Respeito ao patriotismo, à natureza humana e às nossas famílias.

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/processo_de_candidaturas_ja_comecou

O risco de investimento na África é o mesmo que na Europa e nas Américas

por Kumuênho da Rosa
12 de Abril, 2017

Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

É completamente falso que África seja o lugar no mundo onde é maior, em termos absolutos, o risco de investimento por causa de questões ligadas à instabilidade política. É um facto que este risco persista em alguns países africanos em conflito armado.

No entanto desengane-se quem acredita que, em contraponto, a América ou a Europa sejam garantidamente o porto seguro para pôr dinheiro a render e simplesmente estar descansado. Basta analisar o efeito “Trump” na América e o efeito “Brexit” na Europa. O risco político para o negócio existe em qualquer economia e em qualquer região. A afirmação é de Miguel Carneiro, um jovem gestor angolano, que recentemente esteve como orador convidado num painel, com outros especialistas de investimento de diferentes regiões do mundo, numa conferência organizada pelo IESE – Instituto de Estudos Superiores da Empresa, da Universidade de Navarra, em Barcelona.


Jornal de Angola – Como caracterizar as diferentes regiões do globo por incidência de risco. Quais os factores que determinam o risco potencial para a realização de bons negócios?


Miguel Carneiro –
O mundo vive hoje, momentos atípicos, pois as regiões que tradicionalmente possuíam um risco de negócio baixo ou moderado, passaram recentemente a viver fenómenos políticos e sociais que elevaram consideravelmente o seu risco. Assistimos a esses fenómenos um pouco por toda a parte, América do Norte, América do Sul, Europa, Médio Oriente, Sudeste Asiático, e África. A análise de risco e a sua caracterização quase que deixou de ser uma ciência exacta, passando a ser quase uma arte, pois, nos dias de hoje se fizermos uma análise detalhada não existem regiões do globo, com risco inquestionavelmente baixo. O mundo esta totalmente globalizado, e por isso a melhor forma de caracterização de risco é a da classificação do risco especificamente para o negócio que se está a lançar. Com um total sentido de pragmatismo e objectividade, diria que o bom negócio é aquele que está estruturado de forma a florescer num ambiente, no qual, está inserido, seja em Angola, Espanha, Alemanha ou outro país.

JA – Porquê que o risco nos negócios por eventos políticos tanto dá para África como para qualquer outra região do mundo?

MC –
Não é possível haver negócios estanques de risco políticos, e isso é valido tanto em África como em qualquer outro continente. É um facto que todas as nações do globo têm estruturas políticas e consequentemente governativas na condução dos seus destinos. No negócio, os riscos políticos são projectados com base no historial do país ou da região no qual o negócio está ou pretende estar instalado. Por isso, no contexto dos negócios sempre que se termina e se inicia um novo ciclo político, repete-se o exercício de análise de risco, quer seja em África, América ou na Europa. Todas as sociedades são dinâmicas e os negócios também forçosamente precisam de ser dinâmicos para se poderem adaptar ao meio envolvente e continuar a crescer.

JA- Fale-nos um pouco da experiência de ser orador numa conferência para um público tão segmentado?

MC –
Foi claramente um desafio ser orador no IESE. Trata-se de uma instituição que conheço bem, sendo a melhor escola de negócios da Europa e top nos  rankings mundiais.
Numa instituição com o prestígio e reputação desta escola de negócios, a fraquia está sempre bem alta. Apesar dos negócios e investimentos em mercados emergentes, serem temas técnicos com os quais sinto-me perfeitamente à vontade, foi sobretudo necessário colocar-me nas vestes do público para poder responder de forma clara e objectiva a todas perguntas colocadas. São alunos de Mestrado e futuros gestores de topo, empreendedores, e investidores de todas as partes do mundo, com ideias bem claras e dúvidas objectivas. O moderador em si, o professor doutor Alejandro Lago é um acadêmico

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de elevado calibre, com credenciais que incluem um phd na Berkeley. Procurei elevar-me ao desafio.

JA – Com que impressão ficou?

MC – Fiquei com uma excelente impressão. Escolas de negócios como o IESE, são simplesmente exímias em termos organizacionais e de procura incansável pela excelência. Foi uma experiência fantástica, após anos voltar a rever professores e gestores com os quais tive a oportunidade de conviver aquando do meu mestrado.
O evento correu muito bem, tendo o fórum tocado nos pontos críticos de interesse para o público, que assistiu e teve oportunidade de fazer perguntas directamente aos oradores. Tópicos como riscos, desafios e oportunidades estão na vanguarda de qualquer negócio em mercados emergentes.

JA – Percebemos a sua preocupação em clarificar que África é um continente e não um país. Sente que isso tem sido um obstáculo ao investimento em países africanos?

MC – Algumas correntes de informação no mundo, apresentam África e alguns países africanos de uma forma sobreposta, ou seja, uma mistura entre o continente e os países que o compõem. Várias vezes assistimos por exemplo, a temas positivos como recursos naturais (exemplo da agricultura e minério) apresentados num modelo continental. Ao mesmo tempo também assistimos a temas menos positivos e que de facto não correspondem à verdade, como o risco em países como o Congo e Angola, apresentados também num modelo continental.

JA – Falou de Angola e de alguns programas governamentais, como o Angola Investe. Qual foi a percepção do auditório ao abordar algo tão específico?

MC – Angola está numa posição única no continente africano. Programas com o modelo do Angola Investe, não são comuns em África, sobretudo na questão da partilha do risco entre o investidor e o Estado. Este modelo, cumprindo com o preconizado, tem o potencial de se apresentar como uma clara alavanca ao investimento e ao empreendedorismo. Trata-se de uma demonstração de compromisso do país com os seus investidores e investimentos, o que foi entusiasticamente recebido pelo auditório.

JA – Outra questão é o acesso aos mercados financeiros. Porquê que os países africanos sentem tanta dificuldade em aceder a financiamentos no exterior?

MC – Primariamente o acesso aos mercados financeiros e consequentemente financiamento internacional, que requer acima de tudo capacidade de endividamento, um pré-requisito que, por questões históricas, há duas décadas esteve restrito a muito poucos países no continente africano. Segundo, além de terem de estar enquadrados nas melhores práticas de gestão financeira, os países africanos que à data, já cumprem com o primeiro requisito, precisam de ter uma articulação e execução mais objectiva e directa com as grandes praças financeiras mundiais.

JA – A crise financeira tem feito mossa em economias emergentes, como a de Angola. Mas ela (a baixa dos preços das matérias-primas) é também uma oportunidade para fazer negócios. Que segmentos poderiam ser apostas para os investidores?

MC – Angola é uma excelente aposta para o investimento, pelo facto de ser um país do futuro. Os contra ciclos económicos em termos técnicos, constitui a melhor altura para se realizar investimentos. Como em todas as regiões já abordadas, os riscos existem e no caso de Angola estes riscos podem ser amplamente mitigados. Todas as oportunidades de investimento por excelência em Angola têm de estar enquadradas no contexto do país, e forçosamente de utilizar uma cadeia produtiva nacional. Independentemente do sector, Angola tem de ser um país focado, e o estado jogar um papel crucial neste aspecto. Garantindo a intervenção do Estado dando as bases, apostar em alguns segmentos da Agricultura e agro-business, podem claramente ser apostas para investidores angolanos ou internacionais, tal como podem ser alguns segmentos do sector mineiro. Para a materialização do futuro promissor de Angola, é crítica a implementação de um foco, porque a dispersão enfraquece a maior parte das estratégias.

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/nos_negocios__o_risco_existe__em_todo_o_lado

As Falências atingem mais empresas comerciais em Angola

 

 

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por Lourenço Bule

Parte significativa das 648 empresas comerciais licenciadas nos últimos anos na província do Cuando Cubango fecharam as portas, devido a dificuldades de importação de produtos da Namíbia, revelou o presidente da Câmara do Comércio e Indústria local.
Longui António Bongui disse que, por sobreviverem essencialmente das importações, com a escassez de divisas no mercado nacional os proprietários de 50 por cento dos estabelecimentos comerciais ficaram sem saída e como resultado tiveram que encerrar.
“A situação sócio-económica que o país vive actualmente reflecte-se nas nossas empresas, dada a realidade da região, onde não existem grandes armazéns para apoiar os pequenos empreendedores”, referiu.
O responsável disse haver pouco incentivo por parte da banca, para que cresçam os volumes de negócios da classe empresarial local. Para o crescimento da classe empresarial e diversificação da economia, sugere a necessidade de mais créditos bancários, para o financiamento dos projectos. “Não existe nenhum homem de negócios que trabalhe somente com o seu próprio capital”, ressaltou.
Por sua vez, o secretário de Estado para o Comércio Interno, Jaime Fortuna, exortou a classe empresarial do Cuando Cubango a apostar nas actividades agro-pecuárias e em outras fontes de produção com vista a mitigar os efeitos da crise económica e financeira e aumentar a venda de produtos nacionais em todas as superfícies comerciais do país. Durante um encontro com os empresários locais, Jaime Fortuna sublinhou que as crises geram oportunidades e nesta ordem de ideias é necessário apostar na produção nacional e diminuir a importação para a valorização dos bens e serviços locais.
O secretário de Estado disse que os produtos importados devem complementar a produção nacional e não o inverso. “Actualmente, a pirâmide do país está invertida, visto que temos um excesso de produtos oriundos do exterior e que dominam o circuito de comércio angolano”, frisou. Com o esforço redobrado de todos, disse, é possível ultrapassar rapidamente a actual crise económica, salvaguardar as empresas licenciadas, garantir empregos e ajudar o país a crescer cada vez mais.
Jaime Fortuna reiterou a necessidade de os operadores logísticos penetrarem mais no interior do país para escoarem os produtos do campo para os estabelecimentos comerciais das áreas urbanas. “Todos os anos, há relatos de camponeses e agricultores que se queixam da deterioração de grandes quantidades de alimentos por falta de escoamento”, reconheceu.
O secretário de Estado lembrou que o país está a viver um momento difícil, condicionando em alguns casos a capacidade de importação e o abastecimento do mercado nacional, “mas, se nos empenharmos mais nas actividades do campo, podemos mitigar esta situação”. Jaime Fortuna garantiu que, apesar da actual conjuntura, não existe rotura de “stocks”.
Em Menongue, a comitiva chefiada por Jaime Fortunato visitou alguns estabelecimentos comerciais, designadamente as lojas Shoprite, Nosso Super, Ferplas e a empresa de venda de automóveis Indagro, que declarou falência por falta de recursos financeiros.

Comércio transfronteiriço

O vice-governador do Cuando Cubango para o sector Económico e Produtivo, Ernesto Kiteculo, disse que o governo provincial gizou um programa de reparação das estradas que ligam os municípios de Menongue, Cuangar, Calai e Dirico, bem como Cuito Cuanavale, Nancova e Mavinga, com o intuito de impulsionar o desenvolvimento do comércio transfronteiriço e a circulação de pessoas.
Ernesto Kiteculo acredita que, com a conclusão das obras, vão surgir melhorias substanciais na circulação de pessoas e mercadorias, visto que a região do Cuando Cubango faz fronteira com a Namíbia e Zâmbia, e situa-se próximo do Botsuana. Dada a sua localização geográfica na África Austral, uma boa rede rodoviária no Cuando Cubango pode servir uma grande plataforma logística para as províncias do Bié, Cunene, Huíla e Moxico.
O vice-governador salientou que o governo provincial está a preparar um conjunto de acções que visam a implantação de vários projectos sócio-económicos e a manutenção das infra-estruturas rodoviárias, com o objectivo de melhorar a circulação de pessoas e mercadorias.
“O governo da província e o Ministério do Comércio têm vindo a desenvolver um conjunto de esforços na perspectiva de abordar vários assuntos que afligem a classe empresarial, com realce para a falta de crédito bancário para o financiamento dos seus negócios, incluindo a importação, e a escassa distribuição de bens produzidos localmente para exportação”, disse.

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Angola tem minérios de ferro, cobre, manganês, titânio, quimberlitos, carbonatitos, ouro, fosfato, zinco, chumbo, alumínio colombita e zirconita

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O ministro da Geologia e Minas, Francisco Queiroz, participa,  até quinta-feira, na cidade do Cabo, África do Sul, na conferência internacional de minas Indaba Mining, na qual a evolução do sector mineiro angolano é apresentada como um caso de Estudo, soube o Jornal de Angola de fonte oficial.

O Ministério da Geologia e Minas anunciou ontem, em comunicado, que Francisco Queiroz preside, hoje, no Indaba  Angola Business Forúm, a um encontro subordinado ao lema “Planageo e as Oportunidades de Negócios no Sector Mineiro” realizado para atrair a investidores e decisores governamentais, assim como para permitir  a partilha de informação.
O Plano Nacional de Geologia e Minas (Planageo) é uma investigação de recursos minerais – possivelmente a mais ambiciosa de sempre realizada em Angola – que depois de lançado, em 2013, permite ao país conhecer com detalhe de que recursos dispõe, para iniciar um processo de diversificação da produção do sector, por agora assente nos diamantes.

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O comunicado refere que, no espaço do Indaba Mining, Angola apresenta um pavilhão com material de promoção com a estratégia do Executivo para o sector, as operadoras do Planageo e as empresas mineiras de capital privado que operam no mercado nacional.
Em declarações feita  na  quarta-feira com a ministra do Ambiente do Marrocos, Hakima El Haity, em Luanda, Francisco Queiroz declarou que o Planageo está a trazer novidades que apontam para “Angola  ser um país mineiro no futuro”.

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O ministro disse que a interpretação dos dados do Planageo aponta a prevalência de minérios como ferro, metais básicos, cobre, manganês, titânio, quimberlitos, carbonatitos, ouro, fosfato, zinco, chumbo, alumínio colombita, zirconita e fosfato.
O Indaba é um encontro de periodicidade anual que, nesta edição, se debruça sobre temas como os vícios económicos globais, a África e a comunidade mineira, o  financiamento de infra-estruturas  e projectos de parceria com empresas estatais, carvão em mercados emergentes e a criação de valor e desenvolvimento local.
Em paralelo ao evento, é realizada uma  exposição na qual os grandes operadores vão  mostrar o seu potencial em vários domínios da actividade mineira e procurar estabelecer parcerias e, sobretudo, tentar conseguir contratos