África deveria ter sido o grande tema da cúpula do G20 em Hamburgo

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 Continente deveria ter sido o grande tema da cúpula em Hamburgo e terminou em segundo plano. Trump e Merkel fizeram promessas, mas quão satisfeitos estão os próprios africanos com os resultados do encontro?A África deveria ter sido o grande tema da cúpula do G20, encerrada no último sábado (08/07), em Hamburgo. Mas o comunicado final se concentrou na proteção climática e no livre-comércio. Somente pouco antes do fim do encontro de líderes das 20 maiores economias do mundo, a África entrou na agenda.

O presidente americano, Donald Trump, prometeu 639 milhões de dólares para a luta contra a fome em Nigéria, Somália, Iêmen e Sudão do Sul. E a chanceler federal alemã, Angela Merkel, encerrou a reunião do G20 com uma rejeição “à clássica ajuda ao desenvolvimento”.

O Compact with Africa – iniciativa proposta pela presidência alemã do G20 – prevê que economias africanas sejam fortalecidas por meio de mais investimentos privados. O foco deve ser educação, pesquisa, saúde, projetos de infraestrutura e, principalmente, a independência econômica de mulheres jovens.

No entanto, de início não estão previstas parcerias com todos os países, mas somente com Etiópia, Costa do Marfim, Gana, Marrocos, Ruanda, Senegal e Tunísia. “Em princípio, a ideia de parcerias com a África é boa”, diz a política de origem senegalesa Pierrette Herzberger-Fofana, do Partido Verde alemão. “Mas usando que critérios eles pretendem escolher os países?”

A África do Sul é o único Estado africano representado no grupo dos 20 principais países industrializado e em desenvolvimento. Em Hamburgo, também esteve presente como convidado o presidente do Senegal, Macky Sall, como representante da Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (Nepad), o nigeriano Akinwumi Adesina, chefe do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), e o novo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), o etíope Tedros Adhamom.

O presidente da Guiné, Alpha Condé, também participou do encontro em Hamburgo como presidente em exercício da União Africana. E ele se mostrou satisfeito com o saldo da cúpula.

“Um dos resultados do G20 é o consenso de que é preciso escutar os africanos, de que não se devem tomar decisões em seu lugar, mas sim discutir juntos suas necessidades reais”, disse Condé, destacando que a África precisa urgentemente de investimentos no setor energético e em infraestrutura.

“Precisamos financiar o crescimento, e se a economia privada puder nos ajudar, por que não? Agora cabe a nós insistir que essas promessas sejam cumpridas. Mas quando escuto o presidente francês ou a chanceler federal alemã, fico muito otimista”, afirmou.

Falta de real interesse

O vice-ministro do Exterior de Uganda, Henry Okello Oryem, se mostrou menos confiante. “A cúpula do G20 em Hamburgo não despertou nos participantes muito interesse pela África”, disse. Para Oryem, os países estavam muito mais interessados em seus próprios problemas e em conflitos como o da Síria do que nas necessidades do continente africano.

O desenvolvimento da África não depende apenas de investimentos, mas também do combate conjunto a obstáculos ao desenvolvimento, escreveu o vice-presidente da Nigéria, Yemi Osinbajo, em artigo publicado pelo jornal francês Le Monde.

“Se os países europeus estiverem realmente interessados em ajudar a África a se desenvolver, então eles precisam apoiar governos africanos no combate à corrupção”, afirmou. Para o político nigeriano, no momento, todos os esforços do lado africano para alcançar o desenvolvimento econômico sustentável são sufocados por fluxos ilegais de fundos, sobretudo nos próprios países do G20.

“Os problemas da África não podem ser solucionados em Hamburgo, Washington ou Xangai, mas somente pelos próprios líderes africanos”, afirma a jornalista política Jenerali Ulimwengu, da Tanzânia.

https://www.terra.com.br/noticias/o-que-ficou-do-g20-para-a-africa,dfeb8a41145711d61d3468fb4c10a722q07todpk.html

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China investe 45 milhões de euros em campus universitário de Cabo Verde

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O primeiro-ministro de Cabo Verde disse hoje que, dentro de três anos, Cabo Verde terá um campus universitário ao nível de países mais desenvolvidos, agradecendo à China pelo apoio a um investimento estimado em 45 milhões de euros.

Ulisses Correia e Silva falava ao final da tarde, durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra do novo campus da universidade pública de Cabo Verde (UNICV), um projeto totalmente financiado pelo Governo da China.Delegação-de-Cabo-Verde-e-China

O chefe de Estado cabo-verdiano assinalou o facto de se tratar do maior projeto apoiado pela China em 40 anos de relações de cooperação com Cabo Verde, adiantando que representará um investimento de 45 milhões de euros e deverá estar pronto dentro de três anos.

“Dentro de três anos teremos um campus moderno, funcional e ao nível dos campus universitários de países mais desenvolvidos”, disse.

cabo-verde-chinaO primeiro-ministro sublinhou também a importância da cooperação chinesa para Cabo Verde, apontando outros investimentos emblemáticos que deverão arrancar em breve como os projeto Cidade Segura, nas ilhas de Santiago, São Vicente, Sal e Boavista, e de habitação social para eliminação dos bairros de barracas ainda existente em Cabo Verde ou a criação da Zona Económica Especial de São Vicente.

O embaixador da China em Cabo Verde, Du Xiaocong, considerou que este será um ano “muito dinâmico” na cooperação entre os dois países e revelou que a equipa chinesa que irá apoiar a criação da Zona Económica Especial de São Vicente chegará no próximo mês para começar a trabalhar.

O embaixador considerou que a recente visita a Cabo Verde do ministro dos Negócios Estrangeiros da China veio trazer uma “nova dinâmica nas relações entre os dois países” e sublinhou o apoio de Cabo Verde à iniciativa chinesa “Uma faixa, uma rota”, de ligação da China ao ocidente através de uma rede de portos.

Localizado na zona do Palmarejo Grande, na cidade da Praia, o novo campus de foi projetado para acolher 4.890 estudantes e 476 professores em 61 salas de aulas, 5 auditórios, oito salas de informática, oito salas de leitura, 34 laboratórios, salão multiúsos, com capacidade de 654 lugares, refeitórios, biblioteca, dormitórios e espaços desportivos.

Vai ser edificado pela construtora estatal chinesa Longxin Group e as obras inicialmente previstas para arrancar em maio deverão começar em julho.

http://www.dn.pt/lusa/interior/cabo-verde-tera-campus-universitario-ao-nivel-de-paises-mais-desenvolvidos—pm-8578550.html

Investidores Indianos conversam com angolanos

 

Uma delegação chefiada pelo ministro da Economia, Abrahão Gourgel, organiza na Índia um evento de captação de investimento directo externo para promover a diversificação da economia nacional e impulsionar a actividade empresarial privada.

Ministro da Economia chefia delegação composta por vice-governadores de quatro províncias na deslocação à Índia
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Denominado Road-show para Captação de Investimento Directo Externo ao Empresariado da Índia, o encontro começa amanhã e decorre até sexta-feira com o objectivo de alavancar a cooperação económica bilateral nos sectores da agricultura, silvicultura, minas, energia, indústria transformadora, transportes e logística.
Um comunicado do Ministério da Economia indica que a actividade é uma acção de promoção das potencialidades económicas, oportunidades de negócio e de investimento em Angola, por forma a captar investimento da Índia, uma economia com reconhecida experiência nos sectores que contribuem para a diversificação económica angolana.
Além de mobilizar o maior número possível de investidores indianos para o processo de atracção de investimento directo externo para Angola, o Road-show tem como foco demonstrar a atractividade de Angola como destino de investimento indiano, gerar com sucesso a confiança dos investidores indianos, criar um perfil de oportunidades de negócio e investimento, para o aumento dos fluxos de investimento directo indiano em Angola, mobilizar e convencer o empresariado indiano a investir em Angola nos sectores prioritários e alavancar a cooperação económica bilateral produtiva.
O Ministério da Economia indica que este primeiro Road-show para captação de investimento directo externo ao empresariado da Índia é objecto de uma agenda político-diplomática a ser realizada em Nova Deli, e secundada por três conferências, nas cidades de Deli, Chennai e Mumbai, onde além das apresentações sectoriais, vão ser igualmente apresentadas as oportunidades de negócio e investimento em Angola nas províncias do Zaire, Huambo, Bengo e Huíla. Por isso, a delegação angolana é igualmente integrada pelos secretários de Estado da Indústria, Kiala Gabriel, da Geologia e Minas, Manuel Domingos Almeida, e dos Transportes, Mário Miguel Domingues, além dos vice-governadores para Esfera Económica das províncias do Huambo, Zaire, Bengo e Huíla.

Encontros hoje

piyush.jpgO ministro da Economia tem hoje encontros com os ministros de Estado da Agricultura e Bem Estar dos Agricultores, S.S. Aluwalia, do Carvão, Minas e Energias Renováveis, Piyush Goyal, do Comércio, Nirmala Sitharaman, com o dos Assuntos Externos, e com alguns grupos empresariais indianos.
Abrahão Gourgel vai estabelecer contactos com instituições indianas para que se possa obter parcerias vantajosas, no âmbito da criação de capacidades produtivas e diversificação da economia nacional, com destaque para o contacto com a direcção do EXIMBANK ÍNDIA, do IDBI (Banco de Desenvolvimento), além da realização de uma conferência de oportunidades e potencialidades de investimento em Angola.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/delegacao_esta_na_india_para_atrair_investidores

Cabo Verde é o 18º país mais atrativo para investir em África

A-Montagem-fotos-de-rostos-cabo-verdianos-cabeçalho-a-abrir-a-peça-983x550-33n8z3aavgnwl126iei51c Cabo Verde é o 18.º país mais atrativo para os investidores em África, e o primeiro entre os lusófonos, segundo a edição deste ano do Programa de Atratividade do Investimento Estrangeiro, elaborado pela consultora EY.

Moçambique está na 22.ª posição, numa lista liderada por Marrocos, Quênia e África do Sul, e que até ao 25.º lugar não contempla mais nenhum país de língua oficial portuguesa, tendo Cabo Verde melhorado seis lugares face à classificação do ano passado, enquanto Moçambique piorou dois níveis.

“O sentimento dos investidores relativamente a África deve continuar menos animado nos próximos anos, o que tem a ver menos com as condições fundamentais de África do que com um mundo caracterizado pelo aumento da incerteza geopolítica e por uma maior aversão ao risco”, comentou o diretor executivo da EY Africa, Ajen Sita.

Os investidores que não estão presentes em África permanecem positivos sobre a atratividade para o investimento de longo prazo no continente, mas estão cautelosos e atentos às dificuldades”, acrescentou o responsável.

O estudo da EY baseia-se numa análise de 46 países africanos e assenta em seis pilares que são considerados fundamentais para os investidores escolherem a localização do seu investimento: resiliência macroeconómica, tamanho do mercado, facilidade nos negócios, investimento em infraestrutura e logística, diversificação económica e governança e desenvolvimento humano, com os primeiros dois a valerem 20% e os restantes 15% cada.

O maior investidor estrangeiro no continente em número de projetos continua a ser os Estados Unidos, com 91 novos investimentos, seguidos da França, com 81, e da China, com 66 projetos, o que representou um aumento de 106% face ao ano anterior.

Em termos do montante do investimento, a China é, de longe, a que investe mais, tendo canalizado no ano passado 36,1 mil milhões de dólares, o que vale mais de um terço do total investido no continente, e quase três vezes mais que o segundo maior investidor, os Emirados Árabes Unidos, que enviaram para o continente 11 mil milhões de dólares para 35 projetos.

http://www.dn.pt/lusa/interior/cabo-verde-e-o-18o-pais-mais-atrativo-para-investir-em-africa—consultora-7201925.html

Projeto Jovem Empreendedor Angolano.

Ontem  celebrou-se  o dia da juventude angolana. A efeméride é celebrada em homenagem ao herói José Mendes de Carvalho, conhecido por Hoji-ya-Henda, morto em combate a 14 de Abril de 1968, no Moxico, durante um assalto ao quartel de Karipande, do exército colonial português.

Jair Miguel Jerónimo Pereira

Uma das principais preocupações da juventude angolana é o emprego.

O Executivo, no âmbito da implementação da política da juventude, aprovou este ano uma linha de crédito de apoio ao empreendedor jovem, denominado Projovem. A linha de crédito é financiada pelo Banco de Desenvolvimento de Angola, operacionalizada pelo BCI e conta com a participação do Inapem, Conselho Nacional da Juventude e com o Instituto Angolano da Juventude (IAJ). Vários jovens já remeteram os seus projectos de candidatura para o crédito. Jair Miguel Jerónimo Pereira, 31 nos, é funcionário da TAAG, colaborador  no Instituto Angolano da Juventude, através do projecto “Meu Padrinho meu Mentor”e fundador do projecto Jovem Empreendedor Angolano. Jair Pereira tem a missão de sensibilizar os jovens a aderirem ao projecto Projovem, devido à sua dura experiência familiar, e no mundo dos negócios. Jair Pereira fala ao Jornal de Angola do desafio de sensibilizar os jovens com palestras motivacionais para aderirem ao crédito dirigido aos jovens empreendedores.

Jornal de Angola – Qual é a sua experiência de vida?


Jair Pereira
– É uma experiência muito forte e humilde. Dessa humildade, consigo ser exemplo para outros jovens. Consigo apontar caminhos para outros jovens de que a vida não se faz num dia, a vida faz-se lutando. As coisas não acontecem por acaso, as coisas acontecem em função do nosso trabalho. Tudo na vida é uma fase. É acção e efeito. Tudo vai acontecendo em função das nossas acções.

Jornal de Angola – Qual é a estratificação social da sua família?

Jair Pereira
– Sou de uma família pobre. O meu pai foi professor do ensino de base. A minha mãe era educadora de infância. Naquela altura, os salários no sector da Educação não eram altos e havia atrasos. Em função disso, nós passávamos muitas necessidades. Viemos do Cuanza Norte e chegámos a Luanda. Não tínhamos condições básicas, mas pela batalha e luta do meu pai, foi possível nós nos formarmos e hoje estamos com uma orientação.

Jornal de Angola – Para além das suas ocupações profissionais na TAAG e nos negócios, é prelector motivacional. Qual é a sua experiência neste domínio?

Jair Pereira
– Tem sido uma experiência peculiar, porque nós estamos na parte da orientação, estamos ligados ao associativismo juvenil, na orientação dos jovens para a questão da criação do primeiro emprego. Tem sido uma experiência muito boa, porque os jovens vêem em nós uma luz no fundo do túnel. Porque quando começam a procurar soluções para os seus problemas, nós apontamo-las, daí o grande benefício. Os jovens olham para nós com veneração, no sentido de que somos um exemplo para um futuro melhor.

Jornal de Angola – Qual é o seu ponto de vista sobre o projecto Projovem?

Jair Pereira – É um projecto muito bom. É uma linha de crédito para os jovens empreendedores, para aqueles jovens que desejam realizar os seus negócios. Porque o grande objectivo é tirar os jovens da informalidade, para os negócios formais. Esta linha de crédito é uma linha com taxas bonificadas e com períodos de carência longos. É uma experiência diferente e com planos de negócios também diferentes, tudo dependendo de valores que o jovem desejar.

Jornal de Angola – O que fazias quando estavas no sector informal da economia?

Jair Pereira – Eu já vendi bolinhos, água fresca, já fiz vários trabalhos, como taxista. Mas hoje, graças a Deus dei a volta por cima. Fui lutando e hoje consegui fazer coisas diferentes.

Jornal de Angola – Como conseguiu sair do negócio informal para o formal?

Jair Pereira – Não foi fácil. Foi preciso muita disciplina, muito planeamento porque almejava um futuro melhor para mim. Também tive Deus ao lado, porque houve momentos de desespero. Acima de tudo, foi preciso muita persistência. Acredito que o amanhã será melhor.

Jornal de Angola – Quais são as reacções que recebes dos jovens sobre o projecto Projovem?

Jair Pereira – Encntramos muitas objecções no que concerne ao crédito. Mas depois das explicações, as pessoas ficaram mais esclarecidas. As objecções eram sobre os requisitos que são normais para um crédito em função dos valores e os prazos de pagamento. Por exemplo, no requisito sobre a certificação da empresa, se queremos passar para a formalização, a certificação é importante. A empresa tem que estar certificada no INAPEM. Muitas vezes, quando os  jovens lêm certificação, não sabem onde ir, e nós aparecemos para dar este esclarecimento e orientação.

Jornal de Angola – Que diferença existe entre o crédito normal e o Projovem?

Jair Pereira – A diferença é abismal. Primeiro, é o período de carência que se oferece e, segundo, são as taxas que são muito atractivas. Depois, também tem o período de maturidade. As garantias, para um valor ínfimo, abaixo de 10 milhões. Muitas vezes, as garantias são pequenas e não são aquelas que muitos esperam. Muitos esperam hipotecas. Um jovem empreendedor não tem ainda nada para hipotecar. Em função dos valores, vamos fazendo atribuições. Este crédito acho que é muito atraente, porque escalona os sectores de actividade a financiar, por exemplo na agricultura, pecuária e prestação de serviços. O projecto dispõe de informações na internet a que se pode aderir directamente.

Jornal de Angola – Que dificuldades é que os jovens apresentam?


Jair Pereira
– Muitas vezes, é a falta de orientação. Nós, quando fizemos a apresentação do projecto Projovem, há uma questão que transmitimos aos jovens que é de trabalharem em função das suas habilidades. Tudo isto fica entendidoquando falamos da formação sobre o empreendedorismo onde se aprende como começar e fazer o plano de negócio. É um leque de explicações e eles sentem-se satisfeitos. Acontece que muitos olham para o valor total ou o valor máximo do crédito, às vezes, não pensam que as habilitações que têm pode levá-los para um crédito de menor valor. Daí, o papel do gestor bancário de poder aconselhar a rever o plano do negócio ou o estudo de viabilidade no sentido de orientar os jovens.

Jornal de Angola – Qual é a primeira impressão dos jovens sobre o crédito?

Jair Pereira – A primeira impressão que temos dos jovens é de um certo imediatismo. A ideia de fazer crédito lhes vem a visão de que o dinheiro é para outros fins, como por exemplo comparar carro, casa ou outros bens de luxo. Nós estamos a passar a mensagem certa que é mesmo de um crédito para empreendedores, porque os valores não são disponibilizados na sua totalidade. O valor disponibilizado é o capital do fundo de maneio. O resto do capital é empregue no negócio. Os jovens têm a visão de comprar carro ou outros bens.

Jornal de Angola – Quando passam a mensagem de que o dinheiro não é dado ao vivo, qual é a reação que recebem dos jovens?

Jair Pereira – Em princípio, por falta de informação, a reacção é drástica e de desespero. O fundamental na vida não é dar dinheiro. O fundamental é dar dinheiro para que as pessoas consigam evoluir. A dependência dos jovens ao Estado, muitas vezes, não pode ser contínua. O jovem cria hoje a sua empresa, mas esta iniciativa não é só para ficar aqui é para dar sequência, criando assim, emprego para si e emprego para outras pessoas, resolvendo os seus problemas sociais e dos outros.

Jornal de Angola – Os jovens já começaram a apresentar os projectos?

Jair Pereira – O processo de candidatura já começou. Alguns estão na fase de criação de empresa, abertura de contas, entrega de formulários por via correio electrónico. Então, já começou o processo de cadastramento. Neste momento, temos os gestores bancários a receberem os jovens e a darem mais explicações sobre o projecto. Nós também continuamos a esclarecer todas as dúvidas que eles apresentam. O Instituto Angolano para a Juventude está presente para esclarecer todas as dúvidas apresentadas pelos jovens .

Jornal de Angola – Como é que o IAJ passa a informação aos jovens de outras províncias?

Jair Pereira – Nós temos o Ministério da Juventude e Desportos, porque o IAJ é uma instituição deste departamento ministerial, que por sua vez dissemina a informação noutras províncias. Mas nós temos ido a todas as províncias passando a informação de como tem funcionado o Projovem. Em breve, estaremos no Cuando Cubango. Este projecto é para todos os jovens angolanos.

Jornal de Angola – Ontem foi dia da juventude angolana. Qual deve ser o foco para os jovens?

Jair Pereira – Os jovens devem assinalar mais a formação, acima de tudo. Eu, por exemplo, não consegui fazer a formação com que sempre sonhei, porque tínhamos poucos institutos. Hoje, temos várias universidades credíveis. Então, o jovem hoje é um jovem actualizado e mais capacitado intelectualmente. Já começa a surgir uma geração diferente e que não quer estar na bebedeira, droga, festas. Temos jovens que estão compenetrados nos seus objectivos. Os jovens angolanos começam a dar respostas diferentes às questões do dia-a-dia. Hoje, já se vêm jovens com mais foco, mais objectivos. E, a par disso, é o nosso projecto. Temos jovens com grandes projectos que têm ajudado outros jovens. É esta a juventude, essa sociedade que queremos. Todas as sociedades foram constituídas por jovens. Os mais velhos hoje, um dia foram jovens. Como diz o saudoso Dr. Agostinho Neto, “nós somos de quem se espera.” Nós não podemos esperar. Somos aqueles de quem se espera. Então, vamos vendo uma juventude mais inteligente, mais batalhadora e mais consciente. Sejamos esta juventude para que os mais velhos depositem mais credibilidade nas nossas acções.

Jornal de Angola – Como é que a jovem mulher participa nos negócios em Angola?

Jair Pereira – Os maiores projectos e com histórias mais fortes são mesmo das mulheres. Nós temos tido várias situações de empresárias que começaram a fazer viagens, com salão de cabeleireiro bolos e contam as suas histórias. Os nossos encontros são muito interactivos. Eu acho que a jovem mulher está mais focada nos negócios que os homens.

Jornal de Angola – O que quer transmitir quando diz que a jovem mulher está mais focada?

Jair Pereira
– Quero dizer que, actualmente, dos 100 projectos, 60 por cento são projectos de mulheres que estão a dar passos no mundo dos negócios. Actualmente, é assim que tem acontecido. Das experiências que temos, são de mulheres a vencerem no mundo dos negócios. Das inquietações que recebemos, é mais de mulheres a pedirem para transmitirmos mais conhecimentos. Geralmente, são as mulheres que aderem à legalidade, à formalização. Então, eu acho que o papel da jovem mulher tem sido muito importante de um tempo a esta parte. Eu tenho uma visão positiva quanto à jovem mulher.

Jornal de Angola – Qual é a sua opinião sobre os jovens ambulantes?

Jair Pereira – Fruto da experiência que tenho, é que o empreendedorismo tem diversas vertentes. Muitos de nós enveredamos pelo caminho de empreendedorismo pela necessidade. Estes jovens que buscam o seu dia-a-dia pela necessidade, a minha visão particular, isto não pondo outras instituições, são grandes batalhadores e vencedores na vida. Infelizmente, ainda não criamos métodos que permitem agregá-los, regê-los em função das suas actividades. São jovens que têm dado o seu contributo à sociedade e constituem um exemplo a seguir. É essa visão que todo o jovem angolano deve ter. Todos os dias devemos acordar e ir a busca do nosso pão. Muitas vezes, podemos seguir conselhos, livros, mas um exemplo vivo do que tem acontecido na nossa sociedade, essa mamã zungueira que acorda todos os dias para ir a procura do pão. A minha avó, por exemplo, vendeu múcua por muitos anos, educou-nos para nós, é uma grande experiência.  Acho que é esta visão que devemos ter, de ir à luta. Para mim, só existe um feitiço: acordar cedo para ir trabalhar.

Jornal de Angola – Qual é a tua opinião sobre a dependência do sector público?

Jair Pereira
– A minha ideia é que só em Angola é que temos a questão do Estado ser o maior empregador. Para mim, deveria ser o sector privado a ser o maior empregador. Mas criarem-se políticas, como o Projevem para podermos reduzir a avalanche de desempregados que temos.

Jornal de Angola – Como vê a participação dos jovens nas próximas eleições?

Jair Pereira – A participação dos jovens nas eleições é evidente. Vimos, durante o período do registo eleitoral, a sua aderência massiva. Na verdade, há muito por fazer no que diz respeito à informação. É este trabalho que o IAJ está a fazer. Porque uma pessoa não orientada não tem conhecimentos. Infelizmente, não consegue  fazer o que é certo, porque não tem conhecimento da verdade.
Os jovens têm participado nesse processo de forma massiva. Muitos activistas do registo eleitoral foram, na sua maioria, jovens. Nota positiva para a nossa juventude quanto à sua participação ao processo eleitoral.

Jornal de Angola – Quer acrescentar mais alguma coisa?

Jair Pereira – O empreendedorismo não se limita só na vertente financeira que é empresarial, mas também na vertente familiar e no amor. Acho que nós, os jovens, devemos demonstrar mais amor ao próximo. Os trabalhos que temos feito aqui no instituto é sempre amando o próximo e amando o país. Respeito ao patriotismo, à natureza humana e às nossas famílias.

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/processo_de_candidaturas_ja_comecou

O risco de investimento na África é o mesmo que na Europa e nas Américas

por Kumuênho da Rosa
12 de Abril, 2017

Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

É completamente falso que África seja o lugar no mundo onde é maior, em termos absolutos, o risco de investimento por causa de questões ligadas à instabilidade política. É um facto que este risco persista em alguns países africanos em conflito armado.

No entanto desengane-se quem acredita que, em contraponto, a América ou a Europa sejam garantidamente o porto seguro para pôr dinheiro a render e simplesmente estar descansado. Basta analisar o efeito “Trump” na América e o efeito “Brexit” na Europa. O risco político para o negócio existe em qualquer economia e em qualquer região. A afirmação é de Miguel Carneiro, um jovem gestor angolano, que recentemente esteve como orador convidado num painel, com outros especialistas de investimento de diferentes regiões do mundo, numa conferência organizada pelo IESE – Instituto de Estudos Superiores da Empresa, da Universidade de Navarra, em Barcelona.


Jornal de Angola – Como caracterizar as diferentes regiões do globo por incidência de risco. Quais os factores que determinam o risco potencial para a realização de bons negócios?


Miguel Carneiro –
O mundo vive hoje, momentos atípicos, pois as regiões que tradicionalmente possuíam um risco de negócio baixo ou moderado, passaram recentemente a viver fenómenos políticos e sociais que elevaram consideravelmente o seu risco. Assistimos a esses fenómenos um pouco por toda a parte, América do Norte, América do Sul, Europa, Médio Oriente, Sudeste Asiático, e África. A análise de risco e a sua caracterização quase que deixou de ser uma ciência exacta, passando a ser quase uma arte, pois, nos dias de hoje se fizermos uma análise detalhada não existem regiões do globo, com risco inquestionavelmente baixo. O mundo esta totalmente globalizado, e por isso a melhor forma de caracterização de risco é a da classificação do risco especificamente para o negócio que se está a lançar. Com um total sentido de pragmatismo e objectividade, diria que o bom negócio é aquele que está estruturado de forma a florescer num ambiente, no qual, está inserido, seja em Angola, Espanha, Alemanha ou outro país.

JA – Porquê que o risco nos negócios por eventos políticos tanto dá para África como para qualquer outra região do mundo?

MC –
Não é possível haver negócios estanques de risco políticos, e isso é valido tanto em África como em qualquer outro continente. É um facto que todas as nações do globo têm estruturas políticas e consequentemente governativas na condução dos seus destinos. No negócio, os riscos políticos são projectados com base no historial do país ou da região no qual o negócio está ou pretende estar instalado. Por isso, no contexto dos negócios sempre que se termina e se inicia um novo ciclo político, repete-se o exercício de análise de risco, quer seja em África, América ou na Europa. Todas as sociedades são dinâmicas e os negócios também forçosamente precisam de ser dinâmicos para se poderem adaptar ao meio envolvente e continuar a crescer.

JA- Fale-nos um pouco da experiência de ser orador numa conferência para um público tão segmentado?

MC –
Foi claramente um desafio ser orador no IESE. Trata-se de uma instituição que conheço bem, sendo a melhor escola de negócios da Europa e top nos  rankings mundiais.
Numa instituição com o prestígio e reputação desta escola de negócios, a fraquia está sempre bem alta. Apesar dos negócios e investimentos em mercados emergentes, serem temas técnicos com os quais sinto-me perfeitamente à vontade, foi sobretudo necessário colocar-me nas vestes do público para poder responder de forma clara e objectiva a todas perguntas colocadas. São alunos de Mestrado e futuros gestores de topo, empreendedores, e investidores de todas as partes do mundo, com ideias bem claras e dúvidas objectivas. O moderador em si, o professor doutor Alejandro Lago é um acadêmico

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de elevado calibre, com credenciais que incluem um phd na Berkeley. Procurei elevar-me ao desafio.

JA – Com que impressão ficou?

MC – Fiquei com uma excelente impressão. Escolas de negócios como o IESE, são simplesmente exímias em termos organizacionais e de procura incansável pela excelência. Foi uma experiência fantástica, após anos voltar a rever professores e gestores com os quais tive a oportunidade de conviver aquando do meu mestrado.
O evento correu muito bem, tendo o fórum tocado nos pontos críticos de interesse para o público, que assistiu e teve oportunidade de fazer perguntas directamente aos oradores. Tópicos como riscos, desafios e oportunidades estão na vanguarda de qualquer negócio em mercados emergentes.

JA – Percebemos a sua preocupação em clarificar que África é um continente e não um país. Sente que isso tem sido um obstáculo ao investimento em países africanos?

MC – Algumas correntes de informação no mundo, apresentam África e alguns países africanos de uma forma sobreposta, ou seja, uma mistura entre o continente e os países que o compõem. Várias vezes assistimos por exemplo, a temas positivos como recursos naturais (exemplo da agricultura e minério) apresentados num modelo continental. Ao mesmo tempo também assistimos a temas menos positivos e que de facto não correspondem à verdade, como o risco em países como o Congo e Angola, apresentados também num modelo continental.

JA – Falou de Angola e de alguns programas governamentais, como o Angola Investe. Qual foi a percepção do auditório ao abordar algo tão específico?

MC – Angola está numa posição única no continente africano. Programas com o modelo do Angola Investe, não são comuns em África, sobretudo na questão da partilha do risco entre o investidor e o Estado. Este modelo, cumprindo com o preconizado, tem o potencial de se apresentar como uma clara alavanca ao investimento e ao empreendedorismo. Trata-se de uma demonstração de compromisso do país com os seus investidores e investimentos, o que foi entusiasticamente recebido pelo auditório.

JA – Outra questão é o acesso aos mercados financeiros. Porquê que os países africanos sentem tanta dificuldade em aceder a financiamentos no exterior?

MC – Primariamente o acesso aos mercados financeiros e consequentemente financiamento internacional, que requer acima de tudo capacidade de endividamento, um pré-requisito que, por questões históricas, há duas décadas esteve restrito a muito poucos países no continente africano. Segundo, além de terem de estar enquadrados nas melhores práticas de gestão financeira, os países africanos que à data, já cumprem com o primeiro requisito, precisam de ter uma articulação e execução mais objectiva e directa com as grandes praças financeiras mundiais.

JA – A crise financeira tem feito mossa em economias emergentes, como a de Angola. Mas ela (a baixa dos preços das matérias-primas) é também uma oportunidade para fazer negócios. Que segmentos poderiam ser apostas para os investidores?

MC – Angola é uma excelente aposta para o investimento, pelo facto de ser um país do futuro. Os contra ciclos económicos em termos técnicos, constitui a melhor altura para se realizar investimentos. Como em todas as regiões já abordadas, os riscos existem e no caso de Angola estes riscos podem ser amplamente mitigados. Todas as oportunidades de investimento por excelência em Angola têm de estar enquadradas no contexto do país, e forçosamente de utilizar uma cadeia produtiva nacional. Independentemente do sector, Angola tem de ser um país focado, e o estado jogar um papel crucial neste aspecto. Garantindo a intervenção do Estado dando as bases, apostar em alguns segmentos da Agricultura e agro-business, podem claramente ser apostas para investidores angolanos ou internacionais, tal como podem ser alguns segmentos do sector mineiro. Para a materialização do futuro promissor de Angola, é crítica a implementação de um foco, porque a dispersão enfraquece a maior parte das estratégias.

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/nos_negocios__o_risco_existe__em_todo_o_lado

As Falências atingem mais empresas comerciais em Angola

 

 

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por Lourenço Bule

Parte significativa das 648 empresas comerciais licenciadas nos últimos anos na província do Cuando Cubango fecharam as portas, devido a dificuldades de importação de produtos da Namíbia, revelou o presidente da Câmara do Comércio e Indústria local.
Longui António Bongui disse que, por sobreviverem essencialmente das importações, com a escassez de divisas no mercado nacional os proprietários de 50 por cento dos estabelecimentos comerciais ficaram sem saída e como resultado tiveram que encerrar.
“A situação sócio-económica que o país vive actualmente reflecte-se nas nossas empresas, dada a realidade da região, onde não existem grandes armazéns para apoiar os pequenos empreendedores”, referiu.
O responsável disse haver pouco incentivo por parte da banca, para que cresçam os volumes de negócios da classe empresarial local. Para o crescimento da classe empresarial e diversificação da economia, sugere a necessidade de mais créditos bancários, para o financiamento dos projectos. “Não existe nenhum homem de negócios que trabalhe somente com o seu próprio capital”, ressaltou.
Por sua vez, o secretário de Estado para o Comércio Interno, Jaime Fortuna, exortou a classe empresarial do Cuando Cubango a apostar nas actividades agro-pecuárias e em outras fontes de produção com vista a mitigar os efeitos da crise económica e financeira e aumentar a venda de produtos nacionais em todas as superfícies comerciais do país. Durante um encontro com os empresários locais, Jaime Fortuna sublinhou que as crises geram oportunidades e nesta ordem de ideias é necessário apostar na produção nacional e diminuir a importação para a valorização dos bens e serviços locais.
O secretário de Estado disse que os produtos importados devem complementar a produção nacional e não o inverso. “Actualmente, a pirâmide do país está invertida, visto que temos um excesso de produtos oriundos do exterior e que dominam o circuito de comércio angolano”, frisou. Com o esforço redobrado de todos, disse, é possível ultrapassar rapidamente a actual crise económica, salvaguardar as empresas licenciadas, garantir empregos e ajudar o país a crescer cada vez mais.
Jaime Fortuna reiterou a necessidade de os operadores logísticos penetrarem mais no interior do país para escoarem os produtos do campo para os estabelecimentos comerciais das áreas urbanas. “Todos os anos, há relatos de camponeses e agricultores que se queixam da deterioração de grandes quantidades de alimentos por falta de escoamento”, reconheceu.
O secretário de Estado lembrou que o país está a viver um momento difícil, condicionando em alguns casos a capacidade de importação e o abastecimento do mercado nacional, “mas, se nos empenharmos mais nas actividades do campo, podemos mitigar esta situação”. Jaime Fortuna garantiu que, apesar da actual conjuntura, não existe rotura de “stocks”.
Em Menongue, a comitiva chefiada por Jaime Fortunato visitou alguns estabelecimentos comerciais, designadamente as lojas Shoprite, Nosso Super, Ferplas e a empresa de venda de automóveis Indagro, que declarou falência por falta de recursos financeiros.

Comércio transfronteiriço

O vice-governador do Cuando Cubango para o sector Económico e Produtivo, Ernesto Kiteculo, disse que o governo provincial gizou um programa de reparação das estradas que ligam os municípios de Menongue, Cuangar, Calai e Dirico, bem como Cuito Cuanavale, Nancova e Mavinga, com o intuito de impulsionar o desenvolvimento do comércio transfronteiriço e a circulação de pessoas.
Ernesto Kiteculo acredita que, com a conclusão das obras, vão surgir melhorias substanciais na circulação de pessoas e mercadorias, visto que a região do Cuando Cubango faz fronteira com a Namíbia e Zâmbia, e situa-se próximo do Botsuana. Dada a sua localização geográfica na África Austral, uma boa rede rodoviária no Cuando Cubango pode servir uma grande plataforma logística para as províncias do Bié, Cunene, Huíla e Moxico.
O vice-governador salientou que o governo provincial está a preparar um conjunto de acções que visam a implantação de vários projectos sócio-económicos e a manutenção das infra-estruturas rodoviárias, com o objectivo de melhorar a circulação de pessoas e mercadorias.
“O governo da província e o Ministério do Comércio têm vindo a desenvolver um conjunto de esforços na perspectiva de abordar vários assuntos que afligem a classe empresarial, com realce para a falta de crédito bancário para o financiamento dos seus negócios, incluindo a importação, e a escassa distribuição de bens produzidos localmente para exportação”, disse.

http://jornaldeangola.sapo.ao/…/falencia_atinge_mais_empres…

A dívida de Moçambique pode estar acima de 140% do PIB

 
 
 
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A dívida pública de Moçambique terá ultrapassado 140 por cento do Produto Interno Bruto, afirmou o economista moçambicano João Mosca, no decurso de uma conferência organizada pelo Africa Monitor Intelligence e Fundação AIP (Associação Industrial Portuguesa).
 
O economista citou cálculos que apontam para que o nível da dívida pública tenha já superado os 130 por cento estimados pelas agências de notação de risco, tendo-se aproximado se não mesmo ultrapassado 140 por cento do PIB, “que é um valor muitíssimo elevado.”
 
João Mosca salientou que os dois últimos pagamentos de cupões relativos a empréstimos contraídos por empresas públicas não foram efectuados – o primeiro de 59,8 milhões de dólares e o segundo de 119,2 milhões de dólares – pelo que “a notação de risco da dívida moçambicana afundou-se ainda mais na categoria de lixo.”
 
Dizendo ser difícil fazer um discurso optimista sobre a realidade económica de Moçambique, o professor disse que o país tem serviços públicos pouco eficientes e dificuldades no acesso ao crédito, tendo apontado como problemas centrais para as empresas a existência de “corrupção a todos os níveis” e de um “Estado frágil e ineficiente, com forte centralização das decisões nos órgãos centrais.”
 
João Mosca disse também que a concentração da atenção do Estado nos grandes investimentos tem como efeito o aumento da dependência externa de Moçambique, consubstanciado no fato de 93 por cento do investimento actualmente realizado no país ter origem no estrangeiro e de o Orçamento de Estado depender em 30 por cento da cooperação. O Banco Mundial vai retomar o apoio ao Orçamento de Estado de Moçambique este ano, prevendo vir a desembolsar dois bilhões de dólares ao longo dos próximos cinco anos, anunciou o representante da instituição, citado pelo matua interligação do sistema eléctrico de Mbanza Congo, sede da província do Zaire, à rede nacional de electricidade ocorre a partir de Junho próximo, anunciou nesta quinta-feira o ministro da Energia e Águas.tino Notícias, de Maputo.
 
Mark Lundell disse ainda ao principal jornal diário de Moçambique que a política do Banco Mundial privilegia o apoio ao Orçamento de Estado, tendo a instituição uma carteira de 25 projectos em 17 áreas estratégicas, 11 das quais relacionadas com prioridades de desenvolvimento, para realizar em cinco anos.
Lundell considerou que a ajuda da sua instituição a Moçambique contribuiu para um crescimento económico robusto, tendo admitido, contudo, que o mesmo não teve o impacto esperado na melhoria das condições de vida da população moçambicana, pelo que o próximo programa de ajuda incidirá em áreas com impacto na redução da pobreza.
 
O Banco Mundial suspendeu a cooperação financeira com Moçambique, após a descoberta, em Abril de 2016, de empréstimos superiores a bilhões de dólares contraídos pelo anterior governo moçambicano, entre 2013 e 2014, à revelia da Assembleia da República e dos doadores internacionais.
 
O Fundo Monetário Internacional (FMI) e os principais doadores do Orçamento do Estado moçambicano também congelaram a sua ajuda ao país, condicionando a retomada do apoio à realização de uma auditoria internacional à dívida pública, cujos resultados deverão ser entregues no final deste mês.
 

Investimento chinês em Moçambique aproxima-se de 6 bilhões de dólares

O investimento da China em Moçambique tem vindo a crescer a ritmo muito acelerado e aproxima-se já, em termos acumulados, de 6 bilhões de dólares, de acordo com dados da Embaixada chinesa em Maputo.

Os dados foram citados quinta-feira em Lisboa pelo conselheiro da Embaixada da China em Lisboa, Nie Quan, no lançamento de um livro dos fiscalistas portugueses Bruno Santiago e Sara Teixeira, sobre o direito fiscal moçambicano, com foco no papel de Lisboa e Macau como plataformas.

Nie Quan disse que “o ritmo de crescimento do investimento chinês em Moçambique tem sido muito acelerado”, estando activas no país 100 empresas chinesas, em áreas diversificadas como a energia, agricultura, pesca, imobiliário, materiais de construção, turismo, autocarros, telecomunicações, infra-estruturas e comércio.

O investimento chinês em Moçambique visa ajudar os moçambicanos a serem auto-suficientes, tanto na indústria como na agricultura, sendo disso exemplo o facto de Moçambique ter já a primeira marca de automóveis em África, a Matchedje”, salientou o diplomata, que lembrou também os projectos de cooperação na área agrícola.

Nie Quan referiu ainda que as relações da China com Moçambique e com Portugal são de parceria estratégica global, superando o simples investimento económico, e que existe o potencial de “cooperação tripartida” sino-portuguesa em todo o espaço de língua portuguesa.

Juntos, sublinhou, China e os países de língua portuguesa representam 17% da economia global e 22% da população, pelo que existem “condições para que relações sejam mais sólidas e prósperas.”

Na cerimónia de lançamento do livro, na sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados, a embaixadora de Moçambique, Fernanda Lichale, lembrou a “amizade longínqua” do seu país com a China, desde a independência nacional até aos dias de hoje, e também com Portugal, considerando ambos os países parceiros privilegiados no desenvolvimento.

“Apesar das vicissitudes de diversa índole, Moçambique continua a ser um destino privilegiado para os investimentos estrangeiros e Portugal sem dúvida ocupa um lugar muito especial, alicerçado nas suas ligações histórico-culturais forjadas em séculos de convivência”, adiantou a diplomata.

O economista António Rebelo de Sousa, da Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento, Instituição Financeira de Crédito, defendeu que, apesar dos problemas políticos e económicos actuais, “Moçambique evoluiu no bom sentido nas últimas décadas, optando por um modelo de crescimento relativamente equilibrado.”

O livro “Direito Fiscal Internacional de Moçambique – As Convenções de Dupla Tributação” dedica especial foco a Macau e Portugal enquanto plataformas para o investimento. (Macauhub)

fonte:http://www.macauhub.com.mo/pt/2017/03/17/investimento-chines-em-mocambique-aproxima-se-de-6000-milhoes-de-dolares/China

Angola tem minérios de ferro, cobre, manganês, titânio, quimberlitos, carbonatitos, ouro, fosfato, zinco, chumbo, alumínio colombita e zirconita

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O ministro da Geologia e Minas, Francisco Queiroz, participa,  até quinta-feira, na cidade do Cabo, África do Sul, na conferência internacional de minas Indaba Mining, na qual a evolução do sector mineiro angolano é apresentada como um caso de Estudo, soube o Jornal de Angola de fonte oficial.

O Ministério da Geologia e Minas anunciou ontem, em comunicado, que Francisco Queiroz preside, hoje, no Indaba  Angola Business Forúm, a um encontro subordinado ao lema “Planageo e as Oportunidades de Negócios no Sector Mineiro” realizado para atrair a investidores e decisores governamentais, assim como para permitir  a partilha de informação.
O Plano Nacional de Geologia e Minas (Planageo) é uma investigação de recursos minerais – possivelmente a mais ambiciosa de sempre realizada em Angola – que depois de lançado, em 2013, permite ao país conhecer com detalhe de que recursos dispõe, para iniciar um processo de diversificação da produção do sector, por agora assente nos diamantes.

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O comunicado refere que, no espaço do Indaba Mining, Angola apresenta um pavilhão com material de promoção com a estratégia do Executivo para o sector, as operadoras do Planageo e as empresas mineiras de capital privado que operam no mercado nacional.
Em declarações feita  na  quarta-feira com a ministra do Ambiente do Marrocos, Hakima El Haity, em Luanda, Francisco Queiroz declarou que o Planageo está a trazer novidades que apontam para “Angola  ser um país mineiro no futuro”.

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O ministro disse que a interpretação dos dados do Planageo aponta a prevalência de minérios como ferro, metais básicos, cobre, manganês, titânio, quimberlitos, carbonatitos, ouro, fosfato, zinco, chumbo, alumínio colombita, zirconita e fosfato.
O Indaba é um encontro de periodicidade anual que, nesta edição, se debruça sobre temas como os vícios económicos globais, a África e a comunidade mineira, o  financiamento de infra-estruturas  e projectos de parceria com empresas estatais, carvão em mercados emergentes e a criação de valor e desenvolvimento local.
Em paralelo ao evento, é realizada uma  exposição na qual os grandes operadores vão  mostrar o seu potencial em vários domínios da actividade mineira e procurar estabelecer parcerias e, sobretudo, tentar conseguir contratos