“Mocímboa” em Moçambique põe na agenda política a intolerância religiosa

“Precisamos de uma resposta enérgica ao caso Mocímboa”

Mocímboa da Praia. Há alguns meses, o nome de um dos municípios de Cabo Delgado até poderia passar despercebido aos leitores, sem despertar grande interesse. No entanto, depois dos ataques à mão armada que causaram uma preocupação generalizada, as coisas já não são mesmas.

Mocímboa tornou-se um distrito mais vasto e sonante do que algum dia foi. E o que lá aconteceu na primeira semana do mês, até hoje, retira o sossego a muitos, inclusive a Mia Couto, que trabalhou em Palma, distrito vizinho de Mocímboa da Praia.

Na percepção da maior referência literária viva do país, traduzida um pouco por todo o mundo, o fenómeno de Mocímboa da Praia deve ser estudado com muita seriedade, não pelo acto em si, mas porque não constitui um evento surpreendente para quem conhece o distrito. Longe disso. Mia considera que já era de esperar que um dia viessem ao de cima acções que demonstram a deformação do Islão naquele ponto do país.

“O que aconteceu em Mocímboa da Praia deve ser estudado com cuidado, porque não é uma coisa nova. Quando trabalhei em Palma, há algum tempo, fui vendo um certo radicalismo que se foi instalando, e penso que acordámos tarde nesse sentido, porque havia já sinais que demonstravam haver ali gente nova com uma atitude mais intolerante. Mais dias menos dias, aqueles ataques iriam acontecer”, afirmou o escritor, dois dias antes de lançar seu novo título “O bebedor de horizontes”.

Não obstante ter-se referido às suas percepções em relação à radicalização do Islão em Mocímboa da Praia, Mia Couto considerou, na tarde desta segunda-feira, em Maputo, que é preciso agir rápido, com uma resposta enérgica de quem não pode tolerar a intolerância dos radicais. Mas isso não é tudo. Mais do que resolver o problema, é necessário que se dê um outro passo igualmente importante: “Tentar compreender o que está por detrás dos ataques ocorridos naquele distrito. Não se deve apenas agir como se tudo se tratasse de uma resposta militar, é preciso também uma resposta que crie focos de entendimento e de diálogo, algo que isole o fenómeno”, o que deve acontecer agora, porque, caso contrário, entende o autor, pode se repetir em Moçambique o que está a acontecer noutros países africanos.

Os ataques armados em Mocímboa da Praia tiveram como alvo esquadras e postos da Polícia. Os confrontos estenderam-se por alguns dias e fizeram uma dezena de mortos, incluindo agentes da Polícia.

Numa outra perspectiva, deixando ainda a ficção em surdina por alguns instantes, olhando mais para a vida real do país, o escritor não deixou de se referir a um outro acontecimento: o “chupa sangue”. “Esse fenômeno lembra-me a minha infância. Eu sou da Beira e, de vez em quando, tínhamos esses surtos desse fantasma do ‘chupa sangue’. A dimensão que isso toma tem a ver com o facto de as pessoas não terem respostas para coisas muito concretas da sua vida”. Logo, de acordo com Mia, não é o assunto em si que deve preocupar os moçambicanos, mas as razões que fazem com que o evento ganhe a dimensão que tem, para que não se repita o que aconteceu no Malawi, onde, de repente, tomou conta de uma sociedade inteira. Em parte, é necessário que se conheça a estória do ‘chupa sangue’ e recuperar a memória que dá origem a esse ‘fantasma’, porque o assunto também é sensível para o escritor.

http://opais.sapo.mz/precisamos-de-uma-resposta-energica-ao-caso-mocimboa

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Imãs da Guiné-Bissau alertam para radicalismo religioso no país

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O presidente da União Nacional dos Imãs da Guiné-Bissau, Bubacar Djaló, alertou hoje, em entrevista à agência Lusa, para a existência de radicalismo religioso no país trazido por estrangeiros.

“De facto há aqueles que vêm de fora e que estão a incutir o radicalismo na cabeça dos filhos da Guiné-Bissau, aproveitando-se da pobreza e da falta de formação”, disse Bubacar Djaló, quando questionado pela Lusa sobre a existência de radicalismo islâmico.

Segundo o imã, algumas daquelas pessoas “não sabem três palavas (do islão) mas já se assumem como conhecedores”.

“Nem sabem peneirar qual a visão de um lado e do outro, não sabem respeitar as opiniões dos outros, apenas admitem as suas próprias opiniões, aquilo que aprenderam, mas não é isso a visão do islão”, salientou.

Bubacar Djaló explicou que aqueles estrangeiros chegam ao país e como não conseguem apresentar-se publicamente à comunidade “usam os filhos da Guiné-Bissau, por serem pouco instruídos na religião, para os dividir”.

“Recorrem às pessoas agressivas nas comunidades, pessoas facilmente `aliciáveis`, usam-nas para os seus fins. Estamos a tentar estancar tudo isso para ver se vamos conseguir fazer reinar aquele espírito de patriotismo da nossa terra”, afirmou, salientando que, se existe islão moderado, não há motivo para haver um islão radical.

Bubacar Djaló sublinhou também que pretende que a Guiné-Bissau seja um interlocutor no mundo para mostrar que o islão no país é uma “coisa filtrada, não uma coisa suja que ninguém sabe a origem e a finalidade”.

Sobre informações que dão conta da entrada de salafistas (radicais islâmicos) do Mali, Guiné-Conacri e Mauritânia, o líder dos imames da Guiné-Bissau disse “não ter dúvidas sobre isso”.

“Apenas não têm campo de manobra para se mostrarem, mas uma coisa é certa: nunca uma sementeira é posta na terra, no solo, para dar resultado no mesmo dia”, alertou.

O imã disse que aquelas pessoas já se encontram na Guiné-Bissau e que estão a dar ensinamentos e que só não sabe “quando é que os ensinamentos vão dar resultados”.

“Não podemos acabar com isso, porque existe em toda parte do mundo, mas podemos fazer com que não tenha progresso na sociedade, tudo isso depende da colaboração entre o Estado e os religiosos”, salientou.

O líder dos imãs guineenses também disse estar preocupado com a proliferação de mesquitas no país.

“Hoje constatamos que há mesquitas a serem construídas em locais onde não há necessidade para tal. Há casos em que novas mesquitas são construídas ao lado das nossas velhas mesquitas, o que acaba por dividir a comunidade, com uns a irem à mesquita nova e outros à mesquita antiga”, disse.

Isso, segundo Bubacar Djaló, cria desobediência, porque uns dão ouvidos a um líder e outros dão ouvidos a um outro líder da mesma comunidade.

“Por exemplo quem obedecia a um imã passa a ser ele mesmo imã. Começa a dizer que tem a sua autonomia para decretar coisas. A pior situação que existe hoje em dia na nossa comunidade é a proliferação de mesquitas na Guiné-Bissau. É uma coisa que nos deixa chateados. Estamos a ver mesquitas por todo lado sem saber de onde vem o financiamento, quem é que é o autor desses financiamentos”, alertou.

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/uniao-nacional-dos-imas-da-guine-bissau-alerta-para-radicalismo-religioso-no-pais_n1035523

A emergência de uma nova África

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A agricultura, a segurança alimentar e a energética são os pilares da integração africana no século XXI. Essas três áreas permitirão que a integração do continente se torne uma realidade tangível. Tal ambição goza de um consenso crescente entre os países africanos.angola-petroleo
Ela é efetivada por um setor privado africano empreendedor, juntamente com um sistema bancário continental cada vez mais eficiente e com multinacionais que apostam mais do que nunca na África. A parceria Marrocos-Etiópia, que envolve a produção de fertilizantes, com investimento total de US$ 2,5 bilhões, permitirá à Etiópia alcançar sua autossuficiência em fertilizantes agrícolas em 2025. O gasoduto Marrocos-Nigéria, com cinco mil quilômetros, transformará a paisagem energética da Costa Oeste da África.
As joint-ventures na área de telecomunicações ou de bancos, os projetos em infraestrutura e em habitação social… São todos levados por uma nova geração de managers africanos. Esses projetos estão moldando a África do século XXI. Uma África definitivamente emancipada dos espólios da Guerra Fria, das manipulações ideológicas, das guerras civis e da gangrena do separatismo.
Liberta destas desvantagens, a África de hoje toma confiança, seguindo o caminho da decolagem econômica, com a ambição de ter um posicionamento mais competitivo na globalização. Ademais, esta dinâmica é apoiada por uma nova elite política africana, que prioriza a eficiência nas políticas públicas e o pragmatismo nas relações interafricanas. O regresso do Marrocos à União Africana, celebrado semana passada, em Adis Abeba, constitui, sem dúvida, um grande marco para uma África mais homogênea e mais unida.

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Sua Majestade, o Rei Mohammed VI, sempre colocou a África na essência da projeção diplomática do país, através parcerias globais com vários países africanos. Parcerias que articulam, ao mesmo tempo, projetos econômicos, paz e seguridade, desenvolvimento humano, política de gênero, cooperação educacional e acadêmica, bem como a promoção de um Islã aberto e tolerante. Ao voltar a assumir o seu papel histórico dentro da família institucional africana, o Marrocos dará um impulso ainda mais ambicioso à sua política para o continente.

A iniciativa que o país tinha tomado com a organização de uma cúpula dedicada especificamente à África à margem da COP-22, realizada em Marrakesh, em novembro passado, reflete o compromisso claro que o Marrocos tem em relação às questões do desenvolvimento sustentável do continente africano.
Vista do Brasil, essa dinâmica na África criará um movimento ainda mais promissor, na costa atlântica da África. O espaço geopolítico que compartilha com o Brasil, além da história e da geografia, um potencial forte de cooperação e de ações conjuntas. Os países africanos estão entusiasmados para lançar com o Brasil uma parceria Sul-Sul inovadora, que envolva uma maior integração industrial e comercial na agricultura e na pesca, que aumente a conectividade logística entre os dois lados do Atlântico e que acrescente a integração de redes de investigação científica e inovação digital.
Há consenso de que a África é o continente que mais crescerá no século XXI. Cabe-nos, africanos e brasileiros, tornar o Atlântico Sul um espaço seguro, próspero e aberto. Nabil Adghoghi é embaixador do Marrocos no Brasil

Fonte: http://oglobo.globo.com/opiniao/a-emergencia-de-uma-nova-africa-20884182

Relatório da ONU sobre a Guiné-Bissau é preocupante

 

Nova Iorque – O relatório do secretário-geral da ONU sobre a situação na Guiné-Bissau, que será apresentado hoje, em Nova Iorque, aos membros do Conselho de Segurança, recomenda a manutenção das sanções ao país. 

“Existe amplo consenso de que as sanções têm actuado como um impedimento ao envolvimento directo das forças de segurança e defesa na deteriorante situação política que o país enfrenta desde Agosto de 2015”, lê-se no relatório citado pela Agência Angola Press.

Uma destas sanções diz respeito à proibição de sair do país de 11 militares que estiveram envolvidos no golpe de estado de 2012, responsáveis que continuam a pertencer às forcas armadas e, à excepção de três, nas mesmas funções.

O relatório diz que os militares se têm mantido à margem da crise política, mas que “o risco de uma intervenção pode aumentar se a crise política persistir, se a reforma de sectores relevantes não for implementada e, em particular, se a precária situação orçamental impedir o pagamento de salários aos soldados.”

“O Conselho de Segurança deve manter a situação actual e enviar uma mensagem clara a todos os cidadão da Guiné-Bissau: o regime de sanções é aplicável a todos, independentemente da sua afiliação política ou institucional”, defende o secretário-geral Ban Ki-Moon.

O documento diz ainda que o Conselho de Segurança deve mostrar que está pronto para “fortalecer as medidas”, que deve considerar o estabelecimento de um comité que recolha informação para sanções mais dirigidas e eficientes e, finalmente, recomenda a visita do presidente do Comité de Sanções da ONU à Guiné-Bissau.

No geral, o relatório defende que “o inicial mas significante progresso feito na Guiné-Bissau após as eleições de 2014, através da formação de um governo legítimo, inclusivo e democrático, foi amplamente revertido” nos últimos 12 meses.

A Guiné-Bissau atravessa uma crise política sem que os dois principais partidos do país, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e o Partido da Renovação Social (PRS), consigam chegar a acordo para marcar uma data para a continuação dos trabalhos parlamentares e debater o programa de Governo.

O documento garante que “três mudanças sucessivas de governo e um prolongado período de paralisia política enfraqueceram ainda mais as instituições do estado”, explica que “a implementação de reformas chave nos sectores da defesa, segurança e justiça foi suspensa” e que “a prestação de serviços básicos foi negativamente afectada.”

O relatório fornece ainda uma actualização sobre os principais acontecimentos políticos, de segurança, direitos humanos, e desenvolvimentos na área socioeconómica e humanitária na Guiné-Bissau desde o seu relatório mais recente, de 12 de Fevereiro de 2016.

Este é o primeiro relatório produzido sobre a supervisão do novo Representante Especial, Modibo Ibrahim Touré, que substitui Miguel Trovoada.

Outro aspecto evidenciado pelo relatório do secretário-geral da ONU sobre a situação na Guiné-Bissau, tem a ver com a possível expansão no país do grupo terrorista Al Qaida do Magreb islâmico.

“Existem preocupações de que grupos como a Al-Qaida no Magrebe Islâmico podem aproveitar-se da instabilidade na Guiné-Bissau para ganhar presença e avançar a sua agenda de extremismo violento”, lê-se no documento. Os autores do relatório lembram que em Março deste ano quatro indivíduos, suspeitos de colaborar com organizações ligadas à Al-Qaida, foram perseguidos pelas autoridades no país e detidos enquanto tentavam cruzar a fronteira.

“Existem receios na região de que o país se possa tornar um alvo para excursões terroristas, visto que, no momento presente, a capacidade do governo responder a esta ameaça ou possíveis ameaças de crime organizado transnacional, como o tráfico de droga, continua limitada”, explica o documento.

O relatório lembra ainda que instituições como o Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e a União Europeia suspenderam o seu apoio orçamental ao país, uma situação que pode ter um “impacto devastante” no país, visto que 80% do seu apoio vem da ajuda internacional.

 

http://pt.radiovaticana.va/news/2016/08/30/relat%C3%B3rio_da_onu_sobre_a_guin%C3%A9-bissau/1254643

Jovens muçulmanos da África Ocidental contra fundamentalismos

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Jovens africanos de religião muçulmana, empenhados nos respectivos países na luta contra todas formas de fundamentalismo, reuniram-se nos dias passados em Ougadougou, capital do Burkina-Faso, num colóquio intitulado “Contributo à prevenção do extremismo violento” e que tinha por objectivo chamar a atenção, sobretudo das novas gerações, para os perigos da radicalização e dos extremismos violentos.
 
Centenas de participantes de oito nações pediram aos governos para criarem oportunidades de emprego e de formação, a fim de fazer com que os jovens não caiam nas ratoeiras do terrorismo.
Para a Organização da juventude muçulmana da África Ocidental, OJEMAO, que representa o Benin, Burkina-Faso, Costa do Marfim, Guiné-Conacri, Mali, Níger, Senegal e Togo, é necessário agir com urgência porque os terroristas e alguns pregadores radicais estão a tomar a dianteira. O temor é que outras regiões africanas se deixem levar pelos fundamentalistas, com a criação de organizações que possam usar a fé para “justificar” os seus crimes.
 
O OJEMAO está activa de modo particular no Níger onde, os aderentes, promovem, entre outras, iniciativas de solidariedade islâmica.
 
 
Jovens africanos de religião muçulmana, empenhados nos respectivos países na luta contra todas formas de fundamentalismo, reuniram-se nos dias passados em Ougadougou, capital do Burkina-Faso, num colóquio intitulado “Contributo à prevenção do extremismo violento” e que tinha por objectivo chamar a atenção, sobretudo das novas gerações, para os perigos da radicalização e dos extremismos violentos.
 
Centenas de participantes de oito nações pediram aos governos para criarem oportunidades de emprego e de formação, a fim de fazer com que os jovens não caiam nas ratoeiras do terrorismo.
Para a Organização da juventude muçulmana da África Ocidental, OJEMAO, que representa o Benin, Burkina-Faso, Costa do Marfim, Guiné-Conacri, Mali, Níger, Senegal e Togo, é necessário agir com urgência porque os terroristas e alguns pregadores radicais estão a tomar a dianteira. O temor é que outras regiões africanas se deixem levar pelos fundamentalistas, com a criação de organizações que possam usar a fé para “justificar” os seus crimes.
 
O OJEMAO está activa de modo particular no Níger onde, os aderentes, promovem, entre outras, iniciativas de solidariedade islâmica.
(LZ/DA)
 

Jovens muçulmanos africanos reunidos contra o extremismo

Jovens muçulmanas nigerinas – AFP

Ouagadougou (RV) – Jovens africanos de religião muçulmana, comprometidos nos seus respectivos países na luta contra o fundamentalismo, reuniram-se nos dias passados em Ouagadougou, capital de Burkina Faso, para participar do simpósio intitulado “Contribuição para prevenção do extremismo violento”.

Perigos na radicalização

O encontro teve por objetivo chamar a atenção, sobretudo das novas gerações, sobre os perigos existentes na radicalização e no extremismo violento.

Papel dos governos

Eram centenas os participantes, vindos de oito nações da região, para pedir aos governos para que desempenhem plenamente o seu papel, oferecendo oportunidades de emprego e de formação, com o fim de evitar que os jovens caiam nas garras do terrorismo.

Necessidade de ação

Para a Organização da Juventude Muçulmana na África Ocidental (OJEMAO) – que representa Togo, Benin, Mali, Guiné, Niger, Costa do Marfim, Senegal e Burkina Faso – é necessário agir rapidamente, porque os terroristas e alguns pregadores radicais tomaram a iniciativa.

O temor é que outras regiões africanas possam sofrer o fascínio dos fundamentalistas, com a criação de organizações que fazem uso do pretexto da fé para “justificar” seus crimes.

Solidariedade islâmica

A OJEMAO é particularmente ativa no Niger onde, entre outros, os participantes promovem iniciativas de solidariedade islâmica.

http://br.radiovaticana.va/news/2016/08/22/jovens_mu%C3%A7ulmanos_africanos_reunidos_contra_o_extremismo/1252969

Aside

Pesquisa mostra muçulmanos profundamente divididos sobre adoção de lei islâmica

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Iranianas recitam versos do Alcorão no templo de Mohammad Helal Ibn Ali, em Aran
Foto: Vahid Salemi / AP

 

Pesquisa mostra muçulmanos profundamente divididos sobre adoção de lei islâmica
Proporção dos que defendem adoção estrita do Alcorão na legislação nacional vai de 9% a 78% dependendo do país

 

RIO – Embora com uma religião em comum, nações de maioria muçulmana se dividem profundamente sobre o quanto os ensinamentos do Islã devem influenciar suas leis internas. Uma pesquisa com habitantes de dez países conduzida pelo instituto americano de pesquisas Pew e divulgada nesta quarta-feira mostra que a ideia de que o Alcorão deva ser estritamente seguido como base para as leis vai de apenas 9% até 78%, dependendo do país onde foi feita a consulta. Esta percepção mostra como se torna difícil para determinadas nações adotarem leis mais laicas.

 
A pesquisa foi conduzida com dez mil habitantes espalhados em países de África, Oriente Médio e Sudeste Asiático. Nela, cada um — seja muçulmano sunita ou xiita, ou ainda cristão — teve de responder a uma pergunta: “O quanto as leis em nosso país devem ser influenciadas pelos ensinamentos do Alcorão? Devem segui-los estritamente, seguir valores e princípios ou não serem influenciadas?”

Os que mais demonstram apoio à adoção estrita das leis islâmicas em sua legislação são o Paquistão (78%) e os territórios palestinos (65%). Os dois países têm população islâmica em sua quase totalidade: 97% e 100% se declararam muçulmanos, respectivamente. Além destes dois, foram pesquisados Jordânia, Malásia, Senegal, Nigéria, Indonésia, Líbano, Turquia e Burkina Faso.
A adoção da sharia, que impõe uma série de condutas legais e conservadoras em política, economia, negócios, família, sexualidade, questões sociais e apostasia, já é aplicada com diferente profundidade em dezenas de países — alguns mais brandos, permitindo a adoção pessoal, e outros muito mais estritos, como a Arábia Saudita. Outros dois países mostraram ter maioria que defende a adoção estrita dela: a Jordânia (54%) e a Malásia (52%).

Enquanto mais de 50% nesses quatro países defendem a adoção de leis que incluem a punição a crimes como adultério, consumo de álcool e homossexualidade, os demais mostram um ponto de vista mais secular, com a maioria defendendo a laicidade do Estado — são eles Senegal, Nigéria, Indonésia, Líbano e Burkina Faso. Enquanto os dois primeiros ainda apresentam um número expressivo de entrevistados que declaram apoio à lei islâmica estrita, os demais têm a maioria contra a sharia ou que não quer impor sua religião sobre a legislação nacional.

PAÍSES COM MAIOR CONVIVÊNCIA SÃO MAIS TOLERANTES

No Líbano e em Burkina Faso, países onde cristãos e muçulmanos de diferentes orientações convivem em boa proporção — apesar de recorrentes confrontos sectários —, a maioria dos entrevistados defendem que não haja qualquer papel do Alcorão nas leis. Na Turquia, que tem maioria muçulmana, mas desde o início do século XX tentou se estabelecer como um Estado secular, a divisão é proporcional: somados, 74% dos consultados não querem a adoção da sharia.

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Imigrante rohingya lê uma cópia do Alcorão em um centro de acolhimento em Aceh, na Indonésia – SUTANTA ADITYA / AFP
Mas na Nigéria, onde tensões provocadas por confrontos civis e grupos radicais como o Boko Haram têm convulsionado a nação, a divisão de metade de muçulmanos e metade de cristãos cria uma polarização: 42% são totalmente contra a sharia, e 27%, totalmente a favor. Apenas 17% se declaram muçulmanos sem qualquer desejo de implantar as leis religiosas no país. Os terroristas têm tratado de inflamar as tensões — com uma cruzada que traz no próprio nome do Boko Haram a mensagem “A educação ocidental é pecaminosa”, o grupo queima escolas e sequestra meninas para torná-las submissas ao islamismo sunita de corrente mais radical, no Nordeste do país.

JOVENS EM DEFESA DA LAICIDADE

Se o combate à educação laica é tão importante para o Boko Haram, isto se torna claro em outra estatística: enquanto 29% dos nigerianos que não concluíram o ensino médio defendem um país laico, 48% dos que o fizeram disseram ser contra a adoção de leis pautadas pelo Islã. Processos semelhantes acontecem em Turquia e Burkina Faso, onde a diferença percentual dos que apoiam o Estado laico salta cerca de 20 pontos a partir do momento em que eles completam o ensino médio.

No geral, um padrão que se repete é o da tolerância da juventude: seja na Jordânia, na Turquia ou em Burkina Faso, os índices mostram uma proporção maior de defesa à laicidade por parte daqueles que têm entre 18 e 29 anos.

http://oglobo.globo.com/mundo/pesquisa-mostra-muculmanos-profundamente-divididos-sobre-adocao-de-lei-islamica-19171878

Muçulmanos juntam-se na Ilha de Moçambique numa marcha pela paz e estabilidade no país

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Milhares de muçulmanos jun­taram-se, último domingo, no município da Ilha de Moçambi­que, numa marcha em que ma­nifestaram preocupação com a situação política do país
 
A marcha, que tinha como ob­jectivo central assinalar mais um aniversário do nascimento do profeta Muhammad, considera­do obreiro da paz, foi marcado por apelos à reconciliação e esta­bilidade no país.
 
O desfile percorreu as prin­cipais artérias do município e desaguou no estádio municipal local, onde os crentes exaltaram o nome do seu mensageiro e pro­feta.
 
 
Na ocasião, foram feitas vá­rias intervenções a propósito da efeméride, como também hou­ve recitação de vários grupos evocando o nome do profeta Muhammad.
 
Em mensagem de ocasião, Ga­far Abdul Gafar, porta-voz da co­munidade muçulmana, referiu­-se à importância do encontro e convidou os muçulmanos a reza­rem também pela compreensão, união, apelando particularmen­te aos diferentes actores políti­cos do país, com destaque para o Governo e a Renamo, para um entendimento, de modo a que o povo moçambicano possa viver em paz.
 
 
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A islamofobia na França cresce assustadoramente

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Fora aos árabes!”. O slogan gritado por uma centena de ma­nifestantes na Córsega há dias é revelador de uma hostilidade crescente em França contra os muçulmanos, depois dos atenta­dos terroristas de Janeiro e No­vembro.

Locais de culto vandalizados – como aconteceu na Córsega –, cabeças de porco deixadas à porta das mesquitas, ou mes­mo tiros disparados e granadas lançadas contra edifícios frequentados por muçulmanos.

Os ataques contra locais de culto muçulmanos multiplicaram­-se depois dos ataques contra o jornal satírico Charlie Hebdo e conta um supermercado judaico no dia 7 de Janeiro. Segundo o Conselho Francês do Culto Mu­çulmano (CFCM), uma instân­cia representativa dos cinco a seis milhões de muçulmanos em França, o número de actos isla­mófobos atingiu “um pico” em 2015.

 

http://opais.sapo.mz/index.php/internacional/56-internacional/38965–crescem-casos-de-islamofobia-na-franca.html

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Líderes da África ocidental querem proibir uso do véu islâmico integral

 

Os líderes da região da África ocidental defenderam hoje a proibição do uso do véu islâmico integral nos respetivos países, para travar o aumento de atentados suicidas perpetrados por mulheres.

Líderes da África ocidental querem proibir uso do véu islâmico integral

Os chefes de Estado da região devem “tomar medidas” para “proibir todas as roupas que tornam impossível a identificação de uma pessoa”, declarou o presidente da comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Kadré Desiré Ouédraogo, após uma cimeira de dois dias em Abuja, Nigéria.

O Chade já proibiu o uso do véu integral no seu território em junho passado, na sequência de um duplo atentado suicida em N’Djamena.

Os Camarões e o Níger também decretaram medidas similares em julho, mas só em algumas regiões atingidas por ataques suicidas.

Os países da África ocidental devem agir “em conformidade com a situação e o ambiente cultural” de cada Estado, precisou Ouédraogo.

O islamismo é a religião dominante em toda a região do Sahel, que atravessa toda a África ocidental.

O grupo radical islâmico Boko Haram recorre regularmente a mulheres, algumas vezes a adolescentes e a crianças, para cometer atentados suicidas.

Estes ataques atingem não só o norte da Nigéria (onde o grupo pretende criar um estado islâmico), mas também os países vizinhos como o Chade, o sudeste do Níger e o norte dos Camarões.

O mais recente ataque aconteceu na quarta-feira em Mafa, nordeste da Nigéria, onde quatro menores atacaram um posto de controlo.

Segundo um responsável local, as atacantes tinham idades compreendidas entre os nove e os 12 anos.

A CEDEAO integra 15 países da África ocidental: Benim, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.

 

fonte:http://www.sapo.pt/noticias/lideres-da-africa-ocidental-querem-proibir_567310f17fbb0b06517f8c94