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Fundação Mandela fala sobre a corrupção na Africa do Sul

O Presidente da Fundação Nelson Mandela, Sello Hatang, acusou hoje os políticos sul-africanos de “corrupção”, “violando” o legado democrata e social de “Madiba”, manifestando-se, porém, optimista em relação ao novo chefe de Estado sul-africano.

Numa entrevista à agência Lusa, à margem da III Conferência do Horasis Global Visions Community, que decorre desde sábado no Centro de Congresso do Estoril e termina na manhã de terça-feira, Sello considerou mesmo que a palavra “corrupção” é a que melhor define os quase dez anos de presidência de Jacob Zuma.

Para Sello, há uma “ira internacional justificada” contra a África do Sul, sobretudo depois do fim da presidência do primeiro chefe de Estado negro da África do Sul, Nelson Mandela (1994/99), conhecido localmente também por “Madiba”, em que a esperança de que tudo era possível acabou, depois, por desvanecer-se.

“A ira é justificada. Eu consigo senti-la. Uma das coisas que aconteceu é que cometemos muitos erros. Cometemos esses erros porque demos demasiado poder aos políticos e aos partidos políticos. Os cidadãos deram-lhes liberdade”, sublinhou o homem que Mandela, que morreu a 05 de Dezembro de 2013 aos 95 anos, indicou para o substituir na liderança da Fundação.

“A queda do inimigo [‘apartheid’ — sistema de segregação racial], em 1994, trouxe-nos a liderança de Mandela até 1999. Isso deu-nos a ideia de que poderíamos fazer o que quiséssemos, que éramos excepcionais, diferentes de todos os outros países do continente africano. Como consequência, relaxamos e nem conseguimos atingir os mais pequenos objectivos para responder aos que agora estão zangados: os pobres e os vulneráveis”, argumentou.

Questionando-se sobre como foi possível Jacob Zuma, Presidente sul-africano entre 2009 e 2018, desbaratar todo o legado de Mandela, que Thabo Mbeki ainda prosseguiu entre 1999 e 2009, Sello lamentou o facto de os cidadãos se terem alheado da política, permitindo às elites do poder “servirem-se da África do Sul”.

“Tivemos líderes que não foram servidores, líderes que só se serviram em favor dos seus interesses pessoais, dos das suas famílias e dos empresariais, em vez que criarem uma grande África do Sul”, frisou, apontando a Zuma que, no início, assumiu, ainda fez “algumas coisas brilhantes”, como a redução da violência.

“Mas não há dúvida de que, depois, levou o país por um caminho diferente”, declarou, apontando a “esperança” trazida pelo novo Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, “na construção de uma nova e grande África do Sul”.

Zuma foi afastado a 14 de Fevereiro desde ano da Presidência da África do Sul por um Parlamento dominado pelo ANC, deixando um legado contrário aos ideais do movimento que lutou décadas contra o “apartheid” e ficou já na História sul-africana como o “Presidente corrupto”.

A um ano do final do segundo mandato presidencial, Zuma, 75 anos, não resistiu à ambição política Ramaphosa, que tem em vista as presidenciais de 2019.

Para tal, necessita de recuperar o eleitorado do ANC, descrente, pelo que o afastamento de Zuma, a pouco mais de um ano da votação, dar-lhe-á aparentemente o tempo para voltar a convencer a maioria negra de que o ANC é o melhor para o país.

Zuma foi também vítima das suas próprias acções empresariais. Desde 2005 que são muitas as acusações de corrupção e de subornos envolvendo todas as áreas de interesse económico do país, sobretudo as ligadas a uma das famílias empresariais mais poderosas da África do Sul, a dos três irmãos Gupta. Os casos estão todos em tribunal.

Para Sello, se Ramaphosa, vencer as eleições de 2019, os cinco anos seguintes têm de ter em conta a boa governação, e os combates à pobreza e à desigualdade, sob a “vigilância muito atenta” dos cidadãos para evitar “os erros do passado” de Zuma.

“Chegou o tempo de a África do Sul parar e pensar no que fazer. Ramaphosa tem vindo a dizer, com consistência, que quer assumir as suas responsabilidades para com a África do Sul. E que os que estão zangados devem canalizar a energia para ajudar o país a tornar-se grande outra vez”, sugeriu.

Sello disse não acreditar que Ramaphosa possa seguir o mesmo caminho de Zuma — “está rodeado de boa gente, de gente que quer, de facto, mudar a África do Sul” -, mas destacou que, sem uma grande participação cívica na fiscalização, as coisas podem descarrilar.

Sobre o papel que a Fundação pode desempenhar nesse caminho, Sello destacou as acções já em curso, no combate à pobreza, desigualdade, violência baseada no género e violência, no geral — “está outra vez em crescendo” -, e também ao racismo — “algo de que nos temos esquecido de lidar, que ainda provoca divisões na nossa sociedade”.

“Ainda estamos todos feridos e ainda estamos todos a sarar as feridas”, disse, aludindo aos 24 anos já passados sobre o fim do “apartheid” na África do Sul.

Questionado pela Lusa sobre se todas as acusações de corrupção que pendem sobre Zuma podem condicionar a vitória do ANC nas eleições gerais de 2019 — o partido no poder na África do Sul venceu com maioria absoluta todas as votações desde 1994 -, Sello, admitiu que sim, mas que “dificilmente perderá” o poder.

“A verdade é que as pessoas estão desligadas [da política]. Acredito que ganhe, mas por uma margem muito menor de votos. Passa pela forma como o ANC conseguir trazer também os cidadãos para uma participação activa e de como Ramaphosa conseguir recuperar os eleitores descontentes. Mas tenho muita esperança em Ramaphosa”, frisou.

 

Fonte: https://noticias.mmo.co.mz/2018/05/fundacao-mandela-lamenta-corrupcao-de-zuma.html#ixzz5Ev5UB0aF

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Jacob Zuma, Presidente da África do Sul renuncia

RENUNCIA“Anuncio a minha renúncia do cargo de Presidente da República da África do Sul, com efeitos imediatos”

Em uma declaração ao país, feita através da televisão, Jacob Zuma anunciou que havia acabado de assinar, com efeitos imediatos, o seu pedido de renúncia  do cargo de Presidente da África do Sul.

Na sua alocução, Jacob Zuma disse que não concordava com as razões que estavam a ser apontadas para que apresentasse a sua demissão, mas sublinhou que o fazia em respeito pela unidade do seu partido, o ANC, e do povo sul-africano.

“Devo aceitar que meu partido e meus compatriotas querem que eu vá embora”, disse Zuma.

“Não tenho medo de qualquer moção de censura; Não tenho medo de qualquer impeachment”, disse Zuma, durante a sua comunicação.

Segundo deu a entender, a decisão terá sido motivada pela necessidade de preservar a integridade do partido, perante a violência e divisão que estava a acontecer.

“Ninguém merece morrer em meu nome. O partido não se deve dividir por minha causa” destacou.

Jacob Zuma cumpria agora o seu segundo mandato como Presidente da África do Sul.Cyril ra

Deixa o poder nas mãos do seu então vice-presidente da República, Cyril Ramaphosa, que deverá ser anunciado hoje como seu sucessor na chefia do Estado.

Pres da África do Sul ameaçado de impeachment, diz: “Eu não fiz nada de errado”

ZUMA ENTREVISTA.jpgO comando executivo do Congresso Nacional Africano(ANC), o maior partido político da Africa do Sul, comunicou ao presidente da África do Sul que deve renunciar ao cargo.  Caso ele continue a se negar a deixar o poder, o o ANC pretende se juntar a oposição e realizar o impeachment no Congresso.

A reação do presidente foi de continuar a dizer que não sabe quais os motivos que o estão pedindo para que ele se afaste. Depois das diversas acusações de corrupção. Ele continua a afirmar que não fez nada de errado.  E ainda diz que não está desafiando a decisão do ANC, mas discorda por achar incorreta.

O clima continua muito tenso, e pode ter um desfecho dramático. O Presidente Jacob Zuma, parece não entender que o governo acabou e a sua presença deixa o país em suspenso e coloca o futuro do partido em xeque. Zuma pediu três a seis meses para fazer a transição do cargo. ANC disse que esse período é muito longo para deixar o país no clima de incerteza e ansiedade.

ANC-documents_sliderA preocupação o ANC é que o país se una nos objetivos de crescimento , criação de empregos e transformação econômica.

 

Presidente da África do Sul coloca condições para renunciar ao governo

zuma1O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, aceitou renunciar tão logo conclua uma lista de precondições para deixar o cargo, afirmou na noite desta terça (6) o jornal sul-africano “Times” em sua versão on-line, citando fontes envolvidas no debate.

A decisão seria fruto de um acordo entre Zuma e Cyril Ramaphosa, seu vice e atual líder do CNA (Congresso Nacional Africano), o partido governista. O presidente havia convocado uma reunião de emergência de seu gabinete para esta terça (6) em meio à pressão da legenda para que ele deixe o cargo, mas adiou o encontro após o acordo.

zumazxZuma, 75, está envolvido em uma série de escândalos de corrupção, o que deu início ao movimento para tirá-lo do cargo. Seu segundo mandato, iniciado em 2014, acaba em 2019.

O Parlamento sul-africano aceitou também nesta terça (6) um pedido feito pela oposição para que o Discurso sobre o Estado da União que Zuma faria na quinta (8) fosse adiado.

O pronunciamento será remarcado para depois do dia 22, quando a Casa deve votar uma moção de desconfiança contra o presidente, o que pode tirá-lo do cargo que ocupa desde 2009.

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Crise

 

No domingo (4), líderes do CNA (Congresso Nacional Africano), partido de Zuma, se encontraram com o presidente em sua residência para discutir o futuro político da África do Sul.

Segundo a imprensa local, Zuma recusou na ocasião um pedido para que renunciasse, o que levou à reunião desta terça, agora adiada.

Eleito em 2009 e reeleito cinco anos depois, Zuma vem perdendo poder desde o início dos escândalos de corrupção e vive em queda de braço constante com Ramaphosa.

As principais denúncias contra o presidente envolvem uma série de reformas feitas em sua casa e pagas com dinheiro público e sua ligação com os Gupta, influente família que é acusada de subornar diversas autoridades sul-africanas.

 

SETOR DE MINERAÇÃO V~E COM OTIMISMO A SAÍDA DE ZUMA

O novo otimismo sobre o futuro da mineração da África do Sul percorreu a indústria nesta semana, focado nas esperanças de reformas empresariais sob a nova liderança do partido no poder. A maior conferência de investimento em mineração do mundo começou na Cidade do Cabo na segunda-feira, quando o partido do ANC se reuniu para discutir se o presidente Jacob Zuma poderia ser substituído em breve por seu deputado Cyril Ramaphosa. Ramaphosa, um ex-ex-executivo mineiro, assumiu recentemente o cargo de chefe do Congresso Nacional Africano de Zuma.

 

“Pela primeira vez, é possível olhar para a frente com uma esperança razoável, em vez de uma sensação de pressentimento”, disse Roger Baxter, CEO da Câmara de Minas da África do Sul, quando a conferência “Mining Indaba” abriu. Mais de 460 mil pessoas trabalham na indústria de mineração da África do Sul. Mas um impasse entre o governo e os negócios sobre a legislação chave paralisou a indústria, enquanto um contínuo escândalo de corrupção em torno do presidente Zuma assustou os investidores.

 

A eleição em dezembro de Ramaphosa para liderar o ANC foi motivo de “um novo senso de esperança”, afirmou Baxter. “Há um vento positivo de mudança soprando”, disse ele. A África do Sul sofreu duas avaliações de baixa no ano passado, enquanto as relações entre a indústria e o governo entraram em colapso em um stand-off sobre a carta de mineração, um documento orientador para transformar a propriedade racial do setor. Uma nova versão da carta foi introduzida em junho, mas todos os lados disseram que não foram consultados adequadamente no processo de redação. – tensões da indústria –

 

No ano passado, a Câmara dos Minas disse que perdeu a confiança no ministro dos recursos minerais de Zuma, Mosebenzi Zwane, acrescentando que a carta “destruirá a indústria” se totalmente implementada. Um pedido para que a carta seja reservada será discutido no tribunal no final deste mês. Zwane também esteve implicado no amplo escândalo de corrupção de “captação estadual” que atualmente acumula a política sul-africana.

Antes de Ramaphosa assumir o ANC, a perspectiva de mineração foi “subjugada”, disse Peter Leon, analista de mineração e co-presidente da empresa legal Herbert Smith Freeholds ‘Africa Group, à AFP. “Investidores globais com interesse na África do Sul realmente adotaram uma atitude de espera até depois da conferência eletiva do ANC”, disse ele. “Ramaphosa é um comunicador muito eficaz e ele está fazendo todos os ruídos corretos”.

A reação a Ramaphosa se tornando presidente do ANC – derrotando a ex-esposa de Zuma, Nkosazana Dlamini-Zuma – foi imediata, com o fortalecimento do RN contra o dólar dos EUA.

Cyril Ramaphosa5“Não há dúvida de que o sentimento em relação à África do Sul melhorou consideravelmente”, explicou o economista sênior do Bureau for Economic Research, Hugo Pienaar. – Tainted by Marikana – Um sindicalista-virado-magnata, Ramaphosa é visto por muitos como atravessar as fronteiras muitas vezes carregadas entre negócios, governo e trabalho. Ele fundou a União Nacional de Trabalhadores de Minas na década de 1980, construindo-a na maior e mais poderosa união do país. Mas, como diretor não-executivo na minera de platina Lonmin, ele pediu infames por “ação concomitante” contra grevistas no Marikana em 2012, dias antes de 34 mineros terem sido mortos a tiros pela polícia.

Cyril-RamaphosaEmbora um inquérito sobre o massacre o tenha esclarecido de responsabilidade, o incidente é uma grande cicatriz em sua reputação e um ponto-chave de fraqueza identificado por seus adversários políticos.

No mês passado, no Fórum Econômico Mundial em Davos, Ramaphosa falou sobre a corrupção e trabalhou duro para atrair investidores – abordando diretamente os problemas da indústria de mineração. “A carta de mineração precisa ser discutida minuciosamente com jogadores de papel chave, para que possamos encontrar uma solução para desbloquear o setor de mineração para a África do Sul”, disse ele. “Nós não queremos perder o boom da mercadoria que está se desenrolando”.

Delegados na Indaba, na Cidade do Cabo, seguiram as últimas manobrações dentro do ANC com interesse, tentando avaliar quando Ramaphosa assumirá o cargo de presidente da Zuma. Zuma deve demitir-se antes das eleições no ano que vem, mas parece estar resistindo a severas pressões para se demitir imediatamente. “Há muita fricção em torno de dois centros de poder”, disse o economista do Velho Mutual, Tinyiko Ngwenya, à AFP. “Se Zuma partir, esperamos que seja breve”. 5 (100%) 1 vote

Em dezembro de 2017, a candidata apoiada por Zuma, sua ex-mulher Nkosazana Dlamini-Zuma, perdeu por margem estreita a disputa pela liderança do CNA. À frente do partido majoritário, Ramaphosa já era o favorito para substituir Zuma no comando do país em 2019.

Parte da cúpula do CNA teme que a derrocada da popularidade do atual presidente prejudique a legenda hegemônica nas próximas eleições, abrindo espaço para a oposição, e por isso quer que ele deixe o cargo.

A sigla, que tem como maior símbolo o ex-presidente Nelson Mandela (1918-2013), comanda o país desde o fim do apartheid, em 1994.

Em 2016, o presidente Zuma chegou a enfrentar uma votação de impeachment, mas obteve vitória.

 

FONTES:- Jornal Folha de Goiás: https://folhadegoias.info/jornal-de-goiania-industria-de-mineracao-ansiosa-pela-mudanca-de-lideranca-na-africa-do-sul.html

Processo de impeachment do presidente da África do Sul depende de deliberação do Parlamento

Azumazx comissão da Assembleia Nacional encarregada da revisão das normas deve deliberar um texto sobre procedimentos a serem aplicados na secção 89 (1) da Constituição referente  “a Remoção do Presidente”, como tinha anunciado o Parlamento num comunicado divulgado domingo.
Uma vez aprovado pela comissão, “o procedimento deve ser adoptado pela Assembleia Nacional”, precisa o Parlamento na sua nota. Assim, o Parlamento segue recomendações do Tribunal Constitucional, a mais alta instância judicial do país, que lhe ordenou nos finais de Dezembro de 2017 para “pôr em marcha mecanismos que podem ser utilizados para a destituição do Presidente da República”.
No seu julgamento, o Tribunal Constitucional (TC) censurou o Parlamento pelo facto de não ter pedido contas ao Presidente, no quadro do escândalo da sua residência privada.
Jacob Zuma, no poder desde 2009, tinha remodelado, a custa dos impostos dos contribuintes, a sua propriedade de  Nkandla no país zulu (nordeste da África do Sul). zuma-devolucaoEm 2016, o TC reconheceu o Chefe de Estado como culpado pela violação da lei suprema e condenou-o a devolver ao Tesouro uma soma equivalente a 480 mil  euros. Até à presente data, o Congresso Nacional Africano (ANC), partido maioritário no Parlamento, sempre apoiou Jacob Zuma, de forma indefensável.
Mas o Presidente, cujo segundo mandato e último termina em 2019, está envolvido em vários escândalos de corrupção que suja a imagem do seu partido e corrói a sua base eleitoral.

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Em Dezembro de 2017, Jacob Zuma sofreu um revés político, por ser substituído na liderança do ANC por Cyril Ramaphosa, o seu vice-presidente, que fez campanha contra a corrupção.
O novo líder do ANC en­tende que deve desembaraçar-se rapidamente do caso Zuma,  para que o seu partido tenha a possibilidade de renovar a sua maioria absoluta nas eleições de 2019.
Mas a sua tarefa não se afigura fácil, porque embora envolto em escândalos, o Presidente Zuma ainda beneficia de largo apoio no seio da formação de Nelson Mandela.
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A vez do Tribunal

O Tribunal Constitucional da África do Sul decidira, na sexta-feira, que o Parlamento deve iniciar um processo de destituição do Presidente Jacob Zuma.
Segundo agências noticiosas internacionais, o Tribunal Constitucional sul-africano alega que o Parlamento falhou por não ter pedido contas ao Presidente Jacob Zuma, acusado de ter gasto dinheiro público na restauração de uma das suas residências privadas. As fontes precisam que o juiz Chris Jefta considerou, na sexta-feira, que o Parlamento não aplicou correctamente o artigo 89º da Constituição, facto que invalida a sua decisão de não iniciar o processo de destituição de Jacob Zumba. O artigo 89º da Constituição sul-africana estipula que o Parlamento deve destituir o Presidente do cargo, quando for comprovada uma séria violação da lei, má conduta ou incapacidade do mesmo de responder pelas suas funções como Chefe de Estado.
No ano passado, a justiça concluiu que o Presidente Jacob Zuma violou a Constituição, ao utilizar os cofres públicos para fazer obras de restauro na sua residência privada, em Nkandla.
O Tribunal Constitucional decidiu que Zuma devolvesse ao Estado meio milhão de euros. Após o parecer desta sexta-feira, o analista Lawson Naidoo diz que a decisão da justiça, que deve iniciar o processo de destituição de Jacob Zuma, é uma chamada de atenção ao Parlamento.
O secretário-geral do partido dos Lutadores da Liberdade Económica (EFF), Godrich Gardee, espera que o Parlamento inicie, em breve, o processo exigido pelo Tribunal Constitucional.
O líder do Congresso do Povo, outro partido da oposição, Mosiuoa Lekota, chama a atenção para possíveis manobras do partido de Zuma, o Congresso Nacional Africano (ANC), para protegê-lo.
Jacob Zuma já sobreviveu a oito moções de censura no Parlamento, onde o ANC tem a maioria. Analistas alertam que, caso seja despoletado o processo de destituição, seja  improvável que  Zuma chegue ao final do seu mandato presidencial, em 2019.
No poder desde 2009, Zuma deixou recentemente a presidência do ANC, tendo sido substituído por Cyril Ramaphosa. Nos últimos 10 anos, o líder sul-africano tem sido alvo de diversas acusações de corrupção.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/parlamento_decide_sobre_destituicao_de_jacob_zuma

Ramaphosa venceu a batalha pela liderança do CNA na África do Sul

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 Johanesburgo – Em uma derrota humilhante para Jacob Zuma, o Congresso Nacional Africano (CNA) escolheu um herói antiapartheid e magnata dos negócios como seu novo líder, o que o torna o possível sucessor do presidente da África do Sul.

Cyril Ramaphosa, de 65 anos, era um protegido de Nelson Mandela, que tentou, sem sucesso, nomeá-lo seu sucessor, na década de 1990. Após uma longa espera, ele agora está pronto para liderar o partido e a nação, que foram profundamente afetados pelos oito anos de governo de Zuma.

Depois de uma disputa feroz e apertada que expôs as gritantes divisões no partido, os 4.708 delegados do CNA elegeram o atual vice-presidente da África do Sul, com uma margem de 179 votos.

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A votação também mostrou a rejeição a Zuma, que havia apoiado outra candidata, Nkosazana Dlamini-Zuma, política veterana e sua ex-esposa.

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A vitória de Ramaphosa pode ser vista como o triunfo dos reformistas do CNA, que pretendem erradicar a corrupção e reconquistar os investidores estrangeiros. Dlamini-Zuma havia prometido uma transformação econômica radical, algo que seu ex-marido nunca conseguiu realizar.

“Ramaphosa tem mais chances de renovar a confiança, não só do mercado, mas também dentro do partido, onde os reformistas agora sentem que têm um lugar. O clima neste país nos últimos anos estava muito lúgubre, e isso vai trazer nova energia”, disse William Gumede, presidente executivo do grupo de defesa governamental Fundação Democracia Funciona.

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Mas, como membro rico do governo de Zuma, que ficou em silêncio diante de nepotismo e da corrupção, Ramaphosa é visto pelos críticos mais como uma criatura do sistema do que como um mediador honesto e combatente da corrupção.

“Ramaphosa não tem a reputação de ser muito dedicado. Não é o tipo de político forte que vai chegar e resolver a situação; é mais um conciliador. Há uma expectativa insana agora”, disse Steven Friedman, analista político na Universidade de Johanesburgo.

Além da votação da presidência, os delegados votaram em outras cinco posições da cúpula do partido. Os seis postos foram igualmente divididos entre as duas facções, indicando que Ramaphosa ainda precisa negociar e se comprometer com aliados de Zuma, segundo Friedman.

O atual presidente do país, que deixará de ser o líder do partido, mas cujo mandato só termina em 2019, vai deixar a seu sucessor uma série de problemas, mas, acima de tudo, um partido de libertação outrora heroico, mas que hoje está associado ao suborno, ao favoritismo e à incompetência, e que vem perdendo adeptos importantes.

Com sua vitória, é quase certo que Ramaphosa seja o próximo presidente da África do Sul, graças à dominância do CNA no parlamento, que escolhe o líder da nação. Segundo especialistas e aliados, ele vai fortalecer o CNA antes das eleições de 2019.

“Ele sempre foi, em sua trajetória, um negociador incrivelmente inteligente, sempre mantendo sua visão no futuro”, disse Barbara Hogan, veterana antiapartheid que serviu no gabinete de Zuma por dois anos e apoiou Ramaphosa.

“Ele não é do tipo que destruiria uma organização em nome de seu próprio ego”, acrescentou Hogan, aludindo a Zuma, que alguns dizem colocar seus próprios interesses acima dos do partido.

Em grande parte por causa dos eleitores negros mais velhos que se lembram bem de seu passado heroico, o CNA ainda é considerado o favorito na próxima eleição geral, mas seus líderes estão alarmados com seu declínio rápido, e Zuma está tão desacreditado que os líderes poderiam substituí-lo por Ramaphosa antes das eleições de 2019 para melhorar as chances do partido.

Por Norimitsu Onishi

https://gauchazh.clicrbs.com.br/mundo/noticia/2017/12/ramaphosa-vence-a-batalha-pela-lideranca-do-cna-na-africa-do-sul-cjbqoxsyw03yw01lsoi0ci7me.html

Congresso Nacional Africano, maior partido da África do Sul, está dividido

zumaO presidente sul-africano, Jacob Zuma, fez hoje um apelo à unidade do Congresso Nacional Africano (ANC, no poder), agitado por divisões que o podem fazer perder em 2019 o poder, que detém desde o fim do ‘apartheid’.

Falando no final da Conferência Política Nacional do partido, que esteve reunida desde sexta-feira, Zuma defendeu ser necessário “acabar com as divergências”.

“Estamos confrontados com uma situação em que duas organizações diferentes coexistem no nosso seio. Não o podemos tolerar. Queremos um ANC destabilizado permanentemente, destruído por guerras internas?”, questionou o presidente do ANC.

À frente do país desde a queda do regime de segregação social do ‘apartheid’ e das primeiras eleições livres em 1994, o ANC está muito enfraquecido depois de uma série de casos político financeiros de que o seu líder é acusado.

Os escândalos, a que se juntam o abrandamento da economia, o desemprego em massa e a indignação social, ameaçam a posição do partido de Nelson Mandela nas eleições gerais de 2019.

O ANC deve eleger em dezembro um novo presidente para suceder a Zuma, que se tornará chefe de Estado em caso de vitória do partido nas eleições de 2019.

Os dois principais candidatos são o atual vice-presidente Cyril Ramaphosa, considerado moderado e próximo do mundo empresarial, e a ex-líder da União Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, que tem o apoio do seu ex-marido Jacob Zuma.Nkosazana Dlamini-Zuma

O analista Peter Fabricius, do Instituto para os Estudos de Segurança de Pretória, considera existir um “risco de rutura, mas mais tarde”.

“Zuma faz tudo para impedir Ramaphosa de chegar ao poder. Até ao mês de dezembro, a corrida à sucessão pode tornar-se verdadeiramente violenta ou mesmo sangrenta se Zuma se aperceber de que a pode perder”, declarou Fabricius à agência France Presse.

O chefe de Estado sugeriu hoje que a direção do partido seja alargada, integrando um segundo vice-presidente, para melhor representar todas as sensibilidades.

O ANC sofreu um revés eleitoral nas autárquicas de agosto de 2016, onde perdeu para uma coligação da oposição o controlo de alguns municípios emblemáticos, como Joanesburgo e Pretória.

A oposição, que não esconde a sua ambição de fazer cair o ANC em 2019, apresentou uma nova moção de censura contra Zuma, que será discutida no dia 8 de agosto no parlamento.

 

Fonte:http://www.dn.pt/lusa/interior/zuma-defende-fim-das-divergencias-no-anc-no-poder-na-africa-do-sul-8615382.html

Vaias a Zuma cancelam ato do Dia do Trabalho na África do Sul

O mandato do presidente Jacob Zuma, seu segundo e último, termina em 2019

Johanesburgo – Centenas de integrantes do sindicato COSATU vaiaram nesta segunda-feira o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, durante a comemoração do Dia do Trabalho em Bloemfontein, que acabou sendo cancelada sem o pronunciamento do chefe de Estado depois que este não conseguiu o silêncio dos organizadores, que pediam sua renúncia.

Um grupo de sindicalistas recebeu o presidente com gritos de “Zuma deve sair”. Outros integrantes da COSATU tentaram silenciá-los, sem sucesso, com palavras de ordem em favor do presidente.

 

Zuma assistiu aos gritos e canções contra ele sentado sob a tenda que protegia do sol os dirigentes que compareceram ao evento.

Aliado histórico do partido Congresso Nacional Africano (CNA), que é presidido por Zuma, a COSATU pediu no mês passado a saída de chefe de Estado por causa da destituição em 31 de maio do respeitado ministro de Finanças, Pravin Gordhan.

O Partido Comunista – o outro aliado do CNA desde os tempos da luta contra o apartheid – também pediu a saída de Zuma pela destituição de Gordhan, que tinha manifestado sua oposição aos planos de gastos mais ambicioso do presidente e se converteu em um símbolo de integridade moral na África do Sul.

Zuma foi acusado de tirar Gordhan para aplainar o terreno ao caríssimo projeto de construir novos reatores nucleares na África do Sul, que, segundo alguns comentaristas, proporcionaria concessões milionárias à família dos magnatas Gupta e a um dos filhos do presidente.

Os Gupta e Duduzane Zuma são proprietários de uma mina de urânio que seria utilizada para abastecer os novos reatores.

De origem indiana e com interesses em vários setores estratégicos, os Gupta fizeram fortuna com concessões públicas na África do Sul, e são acusados de ter manipulado licitações para obter contratos do Estado e de terem oferecido cargos de ministro em nome do próprio presidente.

Mais de 100 mil pessoas pediram em abril a renúncia de Zuma, e duas agências de qualificação de risco rebaixaram a nota da África do Sul ao nível do bônus lixo alegando temores com gastos descontrolados após a saída de Gordhan do governo.

A oposição sul-africana prepara uma moção de censura contra o presidente e espera que os deputados descontentes da base governista se juntem a ela.

O mandato de Zuma, seu segundo e último, termina em 2019 e o político deixará de ser presidente do CNA em dezembro deste ano.

Além dos protestos contra Zuma, os trabalhadores da COSATU se manifestaram hoje em frente à Bolsa de Valores de Johanesburgo para pedir a “transformação” racial da economia e denunciar o “monopólio capitalista branco” que, segundo eles, controla a África do Sul.

Fonte:http://exame.abril.com.br/mundo/vaias-a-zuma-cancelam-ato-do-dia-do-trabalho-na-africa-do-sul/

Protestos contra o presidente da Africa do Sul

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Dezenas de milhares de pessoas manifestam-se hoje nas ruas de Pretoria para exigir a demissão do presidente sul-africano, Jacob Zuma, numa nova ação de protesto da oposição, antes da votação de uma moção de censura no parlamento.

Menos de uma semana após uma primeira vaga de manifestações em várias cidades da África do Sul, a capital é palco de uma marcha que deve terminar junto à sede do governo, com os participantes aos gritos de “Zuma deve cair”.

A manifestação conta sobretudo com militantes da Aliança Democrática (DA) e dos Combatentes pela Liberdade Económica (EFF), os dois principais partidos contra o Congresso Nacional Africano (ANC) no poder.

Atolado há meses numa série de casos de corrupção, o chefe de Estado enfrenta uma nova tempestade política desde a remodelação do governo feita a 30 de março.

A demissão do ministro das Finanças Pravin Gordhan, que se opunha a Zuma em nome da transparência da gestão dos fundos públicos, provocou a cólera da oposição e a deterioração da classificação financeira da África do Sul.

A remodelação provocou também uma crise aberta no seio do ANC.

Na sexta-feira, foram também dezenas de milhares as pessoas que desfilaram em várias cidades sul-africanas para pedir a saída de Zuma e a DA e os EFF apresentaram no parlamento uma nova moção de censura contra o chefe de Estado.

Zuma qualificou os protestos de “racistas”, embora neles estivessem representadas todas as etnias, religiões e culturas do país.

O Parlamento da África do Sul anunciou na quarta-feira o adiamento da votação da moção de censura ao presidente Jacob Zuma, até que o tribunal decida se a mesma deve ser feita por voto secreto.

Os partidos da oposição defendem a moção de censura poderá vencer, se a votação for feita por voto secreto. No entanto o partido do Congresso Nacional Africano, que tem a maioria no parlamento, já adiantou que votará contra a moção.

Partido de Mandela sofre recuo inédito na África do Sul. Por que isso aconteceu?

  • Rafael Iandoli

Após 22 anos de hegemonia na cena política nacional, o ANC recebeu nas urnas um alerta de que precisa promover reformulações estruturais

FOTO: JAMES OATWAY/REUTERS

Partido da situação, ANC sofreu derrotas importantes

ELEITORA DEPOSITA SEU VOTO EM ELEIÇÕES MUNICIPAIS NA ÁFRICA DO SUL

Os eleitores sul-africanos foram às urnas na quarta-feira (03) para escolher seus governantes municipais, que ficarão no cargo pelos próximos cinco anos. Os resultados apontam para a maior retração do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) desde o estabelecimento da democracia multirracial, em 1994, solidificada com a eleição do candidato do partido, Nelson Mandela, à presidência do país.

Apesar de ainda obter a maioria dos votos no somatório nacional, pela primeira vez o ANC não chegou à marca dos 60% de votos, estacionando nos 53,9%. O resultado confirma um cenário de cansaço e desilusão com o partido, que desde o fim do Apartheid exerce o papel de situação.

Ainda mais doloroso para Jacob Zuma, atual presidente sul-africano e um dos líderes do ANC, é perder o controle de dois dos principais municípios do país: a capital, Pretoria, e Nelson Mandela Bay, famoso por ser a origem de diversos combatentes do Apartheid. Joanesburgo, principal centro econômico do país, ficou sob controle do ANC por pouco, com uma diferença de 6% para o maior partido de oposição – Aliança Democrática (DA, na sigla em inglês) – e sem garantir maioria absoluta.

TRÊS PARTIDOS COM MAIS VOTOS

Apoiado no histórico de libertação do racismo institucionalizado que persistiu de 1948 a 1994 em nível nacional, e mais especificamente na imagem de Mandela, o ANC se manteve hegemônico sem precisar fazer grandes esforços nas últimas duas décadas. Acomodou-se com uma confiança tão grande que seu secretário-geral, Gwede Mantashe, chegou a dizer que o partido era “escolhido por deus” para liderar o país.

Apesar do avanço da oposição, sobretudo nas áreas urbanas da África do Sul, onde as populações utilizam menos serviços públicos garantidos pelo governo federal, o principal motivo da fragilização do ANC, escancarado na última semana, é a desmobilização de suas bases.

Algumas cidades que são redutos do partido apresentaram números baixíssimos de comparecimento às urnas – o voto não é obrigatório por lá, como é no Brasil. Em alguns casos, menos de 5% dos eleitores registrados votaram, mesmo em locais que confirmaram a vitória do ANC. O recado foi dado: a insatisfação está posta, e o partido terá de mudar sua postura.

Para especialistas, apesar de perder força, o ANC tampouco pode ter sua força questionada, uma vez que contou por muitos anos não apenas com o apoio, mas também com o carinho de seus eleitores. Os laços afetivos que a população negra possui com o partido não são fáceis de serem quebrados. Os negros representam aproximadamente 80% dos sul-africanos.

“Muitas pessoas que estão desapontadas com o ANC tampouco conseguem votar em um partido que reconhecem como sendo dominado por brancos”

Shireen Hassim

Professor de política na Universidade de Witwatersrand, em entrevista ao jornal britânico “The Guardian

Origens da decepção

A África do Sul nunca se recuperou totalmente da crise econômica global que teve início em 2008. O ANC é visto como um partido que não teve a capacidade de retomar o crescimento e nem mesmo de contornar os problemas sociais derivados da crise. Somado a isso, acusações de corrupção e favorecimentos pessoais envolvendo a imagem do atual presidente Jacob Zuma contribuíram para aumentar o desgaste do partido de Mandela.

Dois principais fatores

ESTAGNAÇÃO ECONÔMICA E DESEMPREGO

Com uma economia dependente da exportação decommodities, e em plena fase de desindustrialização, a crise econômica mundial fez com que os principais compradores dos produtos sul-africanos – China, União Europeia e Estados Unidos – diminuíssem os gastos, afetando a entrada de dinheiro no país. Tal cenário contribuiu para o aumento do desemprego, que hoje atinge 25% da mão de obra. Sem demonstrar sinais de melhora, a capacidade do governo de retomar o crescimento passou a ser questionada.

CRESCE A FALTA DE POSTOS DE TRABALHO

CORRUPÇÃO

Além dos problemas nacionais que acabam rebatendo no partido em forma de críticas, o ANC é alvo também de acusações diretas de corrupção. O presidente Jacob Zuma já foi condenado em 2016 pela Corte Constitucional a devolver meio milhão de dólares aos cofres públicos, sob a alegação de que teria usado a verba para fazer reformas em um imóvel particular. O presidente também é acusado de permitir que uma família de ricos empresários comandasse as decisões de seu gabinete.

Impacto para 2019

FOTO: SIPHIWE SIBEKO/REUTERS

País africano estabeleceu pior desempenho do ANC desde o fim do Apartheid

PRESIDENTE DA ÁFRICA DO SUL, JACOB ZUMA, ANUNCIA RESULTADO DAS ELEIÇÕES

Assim como a maioria das eleições locais ao redor do mundo, o encolhimento do ANC nas municipais é mais importante pelo que ele representa para o panorama nacional do que, de fato, pelas cidades que a oposição conquistou.

O resultado é histórico, e o que se espera do partido de Zuma a partir de agora é repensar sua organização interna e sua estratégia política. A certeza do sucesso evitou que o partido evoluísse e acompanhasse as mudanças no país, conforme membros do partido constataram à imprensa após as eleições.

Nomes importantes do ANC se pronunciaram. Mavuso Msimang, líder histórico da legenda, foi um deles. Ele disse ao jornal americano “Washington Post” que “os eleitores responderam à arrogância da minha organização”.

Para a oposição, as eleições representavam, na prática, um referendo sobre o trabalho de Zuma. A notícia foi boa, tanto para o DA, de direita, quanto para o menor ‘Combatentes pela Liberdade Econômica’ (EFF), de esquerda, criado por dissidentes do ANC. Eles agora veem a possibilidade de uma disputa pelo poder, antes impossível em um país praticamente monopartidário.

“Chamamos essa de ‘eleição da mudança’ porque sentimos que foi um referendo sobre Jacob Zuma enquanto figura nacional, mas também tivemos um referendo sobre o futuro da África do Sul”

Mmusi Maimane

Primeiro líder negro da Aliança Democrática, em entrevista à rádio local “702”

O papel da dinâmica racial nas eleições

FOTO: JAMES OATWAY/REUTERS

Congresso Nacional Africano, partido de Mandela, faz propaganda eleitoral na África do Sul

CARRO DE CAMPANHA DO PARTIDO DA SITUAÇÃO, ANC, NO NORTE DE JOANESBURGO

Apesar do Apartheid ter terminado oficialmente em 1994, a desigualdade racial ainda tem um papel fundamental na dinâmica social e econômica da África do Sul.

A consolidação dos direitos iguais para negros e brancos não inseriu automaticamente os negros na economia formal, o que hoje se reflete em uma nova divisão populacional: os integrados na economia (tanto brancos quanto negros), e os não-integrados (majoritariamente negros).

Mesmo entre a população negra de classe média, permanece o sentimento de desigualdade de oportunidades no mercado de trabalho. Duas populações vivendo em mundos distintos possuem, por consequência, demandas eleitorais também distintas.

Hoje, o ANC tem dificuldades em representar e conversar com ambos os lados, tornando urgente para sua sobrevivência uma reformulação estratégica.

“Temos de olhar para nós mesmos nos olhos e dizer ‘o que aconteceu?’ Não acreditamos que nenhuma outra organização na África do Sul ofereça uma solução melhor do que a do ANC. Se nós temos soluções melhores, o que deu errado?”

Jackson Mthembu

Membro do ANC, que ocupa um cargo semelhante ao líder de bancada de partido no Brasil

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/08/09/Partido-de-Mandela-sofre-recuo-in%C3%A9dito-na-%C3%81frica-do-Sul.-Por-que-isso-aconteceu