A maioria das crianças de Cabo Verde são pobres

Mais de metade das crianças e jovens cabo-verdianos são pobres ou muito pobres, de acordo com o perfil da pobreza em Cabo Verde, que revela ainda que 35% da população total é pobre e 10,6% muito pobre.

Os dados foram apresentados hoje, na cidade da Praia, durante uma sessão para assinalar o Dia Africano da Estatística.

Segundo os resultados definitivos do Inquérito às Despesas e Receitas Familiares 2001-2015, no qual se baseia o perfil, 43% das crianças entre os 06 e os 14 anos são pobres e 14% muito pobres, enquanto nos jovens entre os 15 e os 25 anos as taxas sobem para 62% e 38% respetivamente.

Os dados revelam ainda a influência da pobreza no abandono escolar.

Nas crianças entre os 06 e os 14 anos, as taxas de abandono escolar situam-se nos 3% de rapazes e 2% de raparigas (pobres) e nos 5% de rapazes e 2% de raparigas (muito pobres), enquanto entre os jovens entre os 15 e os 25 anos as taxas atingem os 62,5% de rapazes e 59,2% de raparigas (pobres).

Esta é uma realidade mais acentuada no meio rural e as taxas de abandono situam-se acima das de crianças consideradas não pobres.

Globalmente, em 2015, Cabo Verde tinha 179.909 pobres (35% da população) e 54.395 muito pobres (10,6% da população).

A população pobre cabo-verdiana é constituída sobretudo por mulheres (53%), com menos de 25 anos (60%), que migraram internamente (15%) e que têm apenas o nível básico de ensino (44%).

Os pobres cabo-verdianos vivem na sua maioria em meio urbano (51%), sobretudo na ilha de Santiago (59%) e na cidade da Praia (22%).

No caso dos muito pobres, a maioria vive em meio rural (68%), na ilha de Santiago (57%) e nos concelhos de Santa Cruz (15%) e na cidade da Praia (12%).

A dimensão média dos agregados familiares pobres é de 5,5 pessoas, sendo que a maioria (44,9%) é monoparental com crianças, seguida dos agregados conjugais com crianças (39,9%).

A maioria da população pobre está empregada (63%), nomeadamente no setor da agricultura (46,6%), 32% são inativos e 5% desempregados.

Alimentação, habitação, água e eletricidade e transportes são as principais despesas económicas dos agregados pobres, que vivem em casas próprias, mas más condições de habitabilidade e com problemas de saneamento, acessos e segurança.

Os dados revelam que a quase totalidade dos agregados pobres têm telemóvel, a maioria tem televisão e mais de um terço tem acesso à Internet.

O perfil avaliou também a considerada “pobreza subjetiva”, ou seja, a perceção dos inquiridos sobre a sua condição económica e concluiu que a maioria (63%) considera que o seu agregado é pobre, mas mais de dois terços (83%) adiantou nunca ter ficado sem alimentação ou dinheiro para comer nos últimos três meses anteriores ao inquérito.

Cabo Verde tem 535.139 habitantes.

Programa Juvenil de Capacitação Empresarial em Moçambique

 

FORMACAOFB40 jovens das cidades de Maputo e Matola irão beneficiar de capitação e certificação em matérias de desenvolvimento pessoal e profissional

A cidade de Maputo acolhe, próximo 27 deste mês, a cerimónia de lançamento do Programa Juvenil de Capacitação Empresarial. O acto enquadra-se no programa “O Poder do Empreendedor”, uma iniciativa da Associação Nacional de Jovens Empresários. Trata-se de umfórum que se enquadra no âmbito da implementação do plano programático desta agremiação, cujo objectivo é libertar o espírito empreendedor de jovens moçambicanos, através de um programa competitivo de capacitação e mentoria, focados no início, gestão e crescimento empresarial.

Segundo um comunicado de imprensa dos organizadores, durante 3 messes, 40 jovens das cidades de Maputo e Matola, com idades compreendidas entre 18 e 35 anos, 50% de cada sexo, a priori sem nenhuma experiência profissional, entre outros, irão beneficiar-se de uma capitação e certificação em matérias de desenvolvimento pessoal e profissional.

À margem do lançamento do programa de capacitação em causa, está agendado um debate subordinado ao tema “A Crise Econômica e o Papel da Juventude”, que deverá juntar jovens empresários nacionais de sucesso, na mesma mesa, para dialogar com aspirantes do ramo, sobre a fórmula adequada que a juventude deve usar para contornar com sucesso o actual cenário que o mundo e o nosso país em particular atravessam.

http://opais.sapo.mz/index.php/economia/38-economia/45579-maputo-acolhe-programa-juvenil-de-capacitacao-empresarial.html

Jovens do Brasil, Angola,Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste na ONU

ONU(Programa Jovens Profissionais 2017 da ONU, que procura novos talentos em países com pouca representação profissional dentro da organização mundial.incluiu o Brasil, Angola,Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

 

Os jovens interessados em aderir ao programa devem inscrever-se através do “site” inspira.un.org, até ao dia 22 de Agosto. Haverá uma triagem e os candidatos selecionados nessa primeira etapa vão ter direito a fazer a prova. Quem for aprovado na parte escrita do exame passa depois por uma entrevista.

Os candidatos que forem bem sucedidos em todas as fases recebem um convite para trabalhar nas Nações Unidas. Para a edição deste ano, o concurso envolve três setores de trabalho – Política, Paz e Sector Humanitário -, e as áreas de direitos humanos, assuntos civis, políticos e humanitários, direito e segurança.

São vários os critérios para a candidatura, como ser cidadão de um dos países-membros da ONU que participam no Programa Jovens Profissionais 2017. Para o efeito, é preciso também ter pelo menos um diploma de bacharel, ter 32 anos ou menos e ser fluente em inglês ou francês.

http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/angolanos_podem_trabalhar_para_a_onu

Angola e Moçambique vão superar a crise

Strive Masiyiwa

 

O empresário e filantropo Strive Masiyiwa mostrou-se ontem optimista sobre a evolução econômica de Angola e Moçambique, considerando que o principal desafio destes países e do resto do mundo é o desemprego dos jovens.

“O principal desafio que África enfrenta não é só africano, é global, e chama-se desemprego, principalmente a criação de emprego para os jovens, que é o maior desafio do mundo”, disse Strive Masiyiwa à margem da sua participação na conferência Horasis Global Meeting, que terminou ontem em Cascais, nos arredores de Lisboa.
Questionado sobre a evolução previsível das economias de Angola e Moçambique, o homem mais rico do Zimbabwe manifestou-se optimista e disse que, alcançada a paz nos dois países, há todas as condições para um futuro risonho.
“Estou muito otimista sobre Angola porque sou suficientemente velho para me lembrar do tempo em que pensava que este país nunca ia ficar em paz. Angola é um país jovem, mas olhando para o arco da história, estou numa situação esperançosa, estou otimista, mas não escondo os desafios”, disse.
Relativamente a Moçambique, Strive Masiyiwa considerou que o gás pode mudar o futuro do país: “Pode ser uma economia fenomenal, porque olhando para o tamanho da economia e para a escala das descobertas de gás, os políticos só precisam de se entender e perceber que têm uma oportunidade única de tornar o país na mais extraordinária economia dos próximos 25 anos.” O fundador e presidente executivo do grupo de telecomunicações Econet Wireless comentou ainda a desaceleração econômica de Moçambique, desvalorizando o abrandamento:

 

“Eu nasci no Zimbabwe e vivi de perto o período da guerra, portanto se agora desceram de um crescimento de 7 por cento ao ano, que conseguiram durante décadas, para 5 por cento ou 3 por cento, eu não me vou queixar porque o país tem um futuro extraordinário”.
Sobre África, Strive Masiyiwa concordou que “a narrativa sobre ‘África em Ascensão’ está correta, basta lembrar que temos tido crescimento de 5 por cento ao longo de duas décadas e que num continente de 54 nações, não há uma que esteja em confronto com outra, e isto é histórico”.
Em 1990, quando Nelson Mandela saiu da prisão, “havia sete países com eleições democráticas regulares, e hoje há menos de sete países que não têm eleições regulares”, lembrou o filantropo africano, vincando que a juventude de África representa uma enorme oportunidade para a mudança.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/angola_e_mocambique__vao_superar_a_actual_crise

Jovens angolanos disputam cinco mil vagas na Universidade Agostinho Neto

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por Gabriel Bunga |

Fotografia: José Soares 

Milhares de candidatos ao ensino superior acorrem ao Campus Universitário, na zona do Camama, em Luanda, para se inscreverem na Universidade Agostinho Neto.

O processo de inscrição iniciou a 5 de Janeiro e termina no dia 21 deste mês,  tendo sido inscritos até ao momento mais de 20 mil candidatos.  Os exames de admissão começam a 30 de Janeiro  e terminam a 6 de Fevereiro.
A universidade prevê inscrever para este ano 50 mil candidatos que vão disputar 5.385 vagas, distribuídas em 45 cursos das nove unidades orgânicas.
Para a inscrição, a universidade  cobra quatro mil kwanzas por um curso e seis mil kwanzas por dois cursos, para cada candidato.
Cálculos por defeito indicam que para a inscrição num curso (quatro mil kwanzas), e se se admitir que haja cinquenta mil candidatos, a Universidade Agostinho Neto pode arrecadar duzentos milhões de kwanzas num espaço de dezassete dias. Se os cinquenta mil candidatos se inscreverem em dois cursos (seis mil kwanzas), a universidade   pública arrecada trezentos milhões de kwanzas.
O presidente da Comissão Nacional de Pais e Encarregados de Educação Angolana – Amigos da Criança, Manuel Diogo, mostrou-se preocupado com os valores das inscrições. “Qual é o destino destes valores? O pior é que muitos candidatos nem sequer conseguem ingressar na universidade. As instituições públicas deviam reflectir sobre isso\”, referiu.

Emolumentos

O coordenador da subcomissão de comunicação da Comissão Técnica do Exame de Acesso 2017, Arlindo Isabel, disse ao Jornal de Angola que o valor cobrado é um emolumento estabelecido para suportar os custos da operação, que envolve mais de 500 funcionários, entre  professores, funcionários não docentes e estudantes.
“Eles têm que tomar pequeno almoço, almoçar,  produzir folhetos,  regulamentos e os exames,  para que o processo seja sustentável”. Sublinhou que os folhetos e regulamentos são distribuídos a todos os candidatos.
Arlindo Isabel disse que este é um processo  que não está previsto no Orçamento Geral do Estado. Antigamente, acrescentou, era cobrado nas unidades orgânicas e depois do estabelecimento do critério de exame unificado passou a ser cobrado pela reitoria da Universidade Agostinho Neto.
“Os requisitos para a inscrição são o certificado ou declaração com notas descriminadas, cópia do Bilhete de Identidade, declaração da situação militar regularizada, declaração de serviço e o pagamento de quatro mil por uma opção e seis mil kwanzas por duas opções,  pagos uma só vez. Há ainda uma ficha de inscrição que é encontrada aqui”, disse.
Arlindo Isabel precisou  que as cobranças no acto de inscrição são uma decisão interna da Universidade Agostinho Neto, aprovada pelos órgãos de governo daquela instituição de ensino.
O coordenador da subcomissão de comunicação da Comissão Técnica do Exame de Acesso 2017 disse que a decisão existe há anos e  o processo de inscrições não está previsto no Orçamento Geral do Estado. A Lei nº 17/16 de 7 de Outubro, Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino, aprovada no dia 11 de Agosto de 2016, pela Assembleia Nacional define o regime jurídico do Ensino Superior, mas não clarifica a forma de comparticipação dos pais e dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem.
A Lei define que as despesas relativas às inscrições, assistência às aulas, material escolar e outros encargos, no Ensino Superior, são da responsabilidade dos pais e encarregados de educação. Ainda não regulamentada, a  Lei garante que só ao Presidente da República, na qualidade de Titular do Poder Executivo, cabe regular e autorizar a cobrança de taxas e emolumentos pelos serviços prestados nas instituições públicas de ensino dos diversos níveis. Muitos candidatos chegam às instalações do Campus Universitário às 4horas da manhã. Cada um ocupa o seu lugar na fila, de acordo com a área de formação. Os candidatos são levados por seis autocarros, das portas de entrada ao interior do Campus Universitário, uma distância de cerca de quilómetro e meio.
Os candidatos são distribuídos em três áreas de triagem, onde declaram os cursos a fazer. Aqui, o processo é lento, porque os funcionários têm a missão de verificar a autenticidade dos documentos. Depois, os candidatos  são encaminhados para a biblioteca central, onde fazem a inscrição. “Esta inscrição é um processo absolutamente rápido, porque temos vários computadores instalados, e em média, a solução tecnológica consegue inscrever 100 candidatos em três minutos”, disse Arlindo Isabel.

Processo de selecção

Arlindo Isabel disse que o processo de selecção é feito de forma automática no computador. As folhas de provas dispõem de um número. Depois da prova, a parte com o nome é recortada.
No dia do exame, os candidatos recebem um recibo que tem um código de barras, que permite verificar se de facto a pessoa está inscrita naquele curso. O lançamento de notas é feito por laser e o nome aparece automaticamente. O  sistema organiza a lista a partir da maior nota. “Em qualquer curso, entram os candidatos que tiverem a maior nota”, explicou, referindo  que o sistema está programado também para seleccionar os candidatos com menos idade.Depois dos exames, a base de dados é enviada para a faculdade e os candidatos com maior nota são considerados como inscritos. Os resultados são publicados na página electrónica da UAN.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/saude_e_educacao/cinco_mil_vagas_na_uan

Jovens descontentes insurgem contra hierarcas africana

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Nairóbi, 16 dez (EFE).- A onda de descontentamento social que começou a florescer há alguns anos ganhou força em 2016 em diversas regiões da África Subsaariana, onde os jovens se sentem enganados por regimes autoritários de líderes que uma vez lutaram para libertar seus países.
 
As ruas da África do Sul foram tomadas este ano por estudantes revoltados com um governo que não garante educação a todas as classes sociais, por cidadãos fartos da corrupção que afeta a administração de seu presidente, Jacob Zuma, atual líder do partido que terminou, precisamente, com o apartheid.
 
 
 
“O descontentamento popular com o Congresso Nacional Africano (no poder na África do Sul desde o fim do sistema racista) está vinculada a um sentimento de setores que estão fartos dos regimes corruptos”, diz o Instituto para Estudos de Segurança (ISS, em inglês).
 
A frustração com o autoritarismo, a falta de transparência e de ambição para melhorar a vida do povo levou à mudança em 2014 em Burkina Fasso, que ainda hoje segue inspirando os movimentos populares que cruzam o continente, com sucesso irregular e diferentes motivações.
 
No sul, alguns daqueles que um dia foram heróis contra a opressão colonial se transformaram em velhos presidentes que se negam a ceder o posto e violam diariamente os direitos de seus cidadãos.
 
Robert Mugabe, o nonagenário presidente do Zimbábue, se transformou em um herói africano após favorecer a reconciliação no fim da guerra civil de seu país.
 
Três décadas depois, não só ostenta a honra de ser o líder mais idoso do mundo, mas o de ter imergido o antigo celeiro da África em um abismo econômico e institucional que suscitou uma violenta resposta social sem precedentes.
 
Nos vizinhos Angola e Moçambique, as forças que um dia lideraram movimentos de libertação (o Movimento Popular de Libertação de Angola e a Frente de Libertação de Moçambique) se transformaram em aparatos repressores da oposição e dos cidadãos.
 
“Os jovens estão acusando aqueles que estiveram no poder desde a independência de acumularem riqueza através da corrupção e de não fazerem nada para aliviar a pobreza”, enfatiza o ISS.
 
A origem deste sentimento tem uma explicação simples para o diretor para a África do observatório britânico Chatham House, Alex Vines: os eleitores jovens cresceram alheios aos dias do colonialismo, mas sofrem diariamente com o desemprego e a desigualdade.
 
“Foram incapazes de encontrar emprego e oportunidades e de expandir a riqueza, o que fez com que as desigualdades aumentassem, e os hierarcas do partido se tornaram muito ricos”, disse Vines em Pretória, na África do Sul.
 
Mais ao norte, a falta de eleições livres e justas estão alimentando os protestos: Uganda, Burundi, República Democrática do Congo e Etiópia viveram este ano violentos movimentos de contestação a seus líderes, que resistem a deixar seus cargos, passando por cima das leis.
 
Durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o atleta Feyisa Lelisa cruzou os braços no ar ao terminar em segundo lugar e conquistar a medalha de prata na maratona, um gesto que denunciava a repressão do governo da Etiópia contra a etnia oromo durante a maior onda de protestos no país.
 
Os oromo, assim como os muitos jovens que pagaram com suas vidas em outros países africanos, não reivindicam apenas mais democracia, enfraquecida pela falta de uma tradição eleitoral e pelo neopatrimonialismo, mas, sobretudo, uma “vida melhor”.
 
“Estamos determinados a impulsionar uma solidariedade e unidade dos povos da África para construir o futuro que queremos: o direito à paz, à inclusão social e à prosperidade compartilhada”, adverte a denominada “Declaração de Kilimanjaro”, adotada em uma cúpula extraordinária em agosto em Arusha (Tanzânia).
 
Naquela reunião, grupos da sociedade civil, religiosos, sindicatos, mulheres, jovens e parlamentares tomaram a decisão de “construir um movimento pan-africano que reconheça os direitos e liberdades” do povo deste continente.
 
Um movimento que, mais uma vez, ultrapassa as fronteiras das diferentes nações africanas para não mais libertá-los do jugo colonial, mas de seus novos opressores: dirigentes que, na maioria dos casos, sequer puderam escolher.