Brasil: jovens estão fora do ensino médio

jovemApesar de ter registrado avanços nos últimos anos, a educação no Brasil ainda apresenta dados insatisfatórios. É o que mostra o relatório Education at a Glance 2017 (Um olhar sobre a educação, em tradução livre), publicado hoje (12) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O documento traz amplo panorama sobre a educação em mais de 45 países. – os 35 da OCDE e vários parceiros (Argentina, Brasil, China, Colômbia, Costa Rica, Índia, Indonésia, Lituânia, Federação Russa, Arábia Saudita e África do Sul).

No Brasil, alguns dados chamam a atenção. Em 2015, mais da metade dos adultos, com idade entre 25 e 64 anos, não tinham acesso ao ensino médio e 17% da população sequer tinham concluído o ensino básico. Os números estão muito abaixo da média dos países da OCDE, que têm 22% de adultos que não chegaram ao ensino médio e 2% que não concluíram o básico.

O relatório, no entanto, mostra um avanço. Entre os adultos de 25 e 34 anos, o percentual de alunos que completou o ensino médio subiu de 53% em 2010 para 64% em 2015.

Considerando que o ensino médio brasileiro tem duração de 3 anos e deveria ser cumprido entre os 15 e os 17 anos de idade, o Brasil também apresenta taxas muito abaixo da média dos outros países analisados no relatório. Apenas 53% dos alunos de 15 anos estão matriculados no ensino médio. Entre os alunos de 16 anos, 67% estão matriculados no ensino médio e, entre os de 17 anos, 55%. Na média dos países da OCDE, pelo menos 90% dos alunos entre 15 e 17 estão no ensino médio.

Dos adolescentes brasileiros que têm acesso ao ensino médio, só a metade conclui os estudos em três anos. Se considerados cinco anos de estudo, com duas reprovações, a taxa sobre para 57%, mas permanece abaixo dos 75% de estudantes que concluem o ensino médio nos países que têm dados disponíveis.

No Brasil, entre os jovens de 18 anos, menos da metade cursa o ensino médio ou superior. A taxa para os países da OCDE é de 75% de alunos de 18 anos, na mesma situação.

Apesar de o Brasil já ter conseguido colocar praticamente todas as crianças de 5 e 6 anos na escola, a participação de crianças menores ainda está abaixo do esperado, segundo o relatório. Apenas 37% das crianças de 2 anos e 60% das de 3 anos estão na educação pré-escolar, dados inferiores aos das médias da OCDE que estão em 39% e 78%, respectivamente.

No Brasil, a Emenda Constitucional 59, de 2009, deu prazo para que até 2016 fosse garantida a matrícula escolar a todos os brasileiros com idade entre 4 e 17 anos. De acordo com a pesquisa, em 2015, 79% das crianças de 4 anos estavam na escola, menos do que 87% da média da OCDE, e abaixo de países como o Chile (86%), México (89%), a Argentina (81%) e Colômbia (81%).

Ensino Superior

Apenas 15% dos estudantes brasileiros entre 25 e 34 anos estão no ensino superior, face a 37% na OCDE, 21% na Argentina e a 22% no Chile e na Colômbia. No entanto, se comparado aos países dos Brics (bloco formado pelo Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil está melhor – a China tem 10%, a Índia, 11%, e a África do Sul, 12%.

No Brasil, 37% das graduações em 2015 eram feitas nas áreas de negócios, administração e direito, índice semelhante ao da maioria dos outros países pesquisados. Em seguida, a preferência dos brasileiros era por pedagogia, com 20% das matrículas – uma das taxas mais altas entre os todos os países. Apenas a Costa Rica e Indonésia têm taxas mais altas de opção por pedagogia (22% e 28%, respectivamente).

Somente 15% dos estudantes brasileiros optavam por cursos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, uma das taxas mais baixas, mas semelhante às de países vizinhos como a Argentina (14%) e a Colômbia (13%). Entre os países da OCDE, o percentual ficou em 23%.

Em relação à desigualdade no acesso ao ensino superior, no Brasil a disparidade entre os estados é a maior observada na pesquisa. Enquanto 35% dos jovens de 25 a 34 anos no Distrito Federal frequentam a universidade, no Maranhão a taxa é cinco vezes menor (7%). Apesar de o relatório reconhecer que o Brasil é um país muito grande e diverso, se comparado a outros grandes como os Estados Unidos e a Rússia, a desigualdade é muito mais dramática (apresentando variações de até cinco vezes nos percentuais, contra menos de três vezes de disparidade em outros países).

Quase 75% dos estudantes brasileiros no ensino superior estão em instituições privadas, contra cerca de 33% da média dos países da OCDE. O relatório alerta que, nesse caso, a falta de mecanismos de financiamento estudantil pode ser um obstáculo.

Apenas 0,5% dos estudantes brasileiros estudam no exterior, percentual muito abaixo dos 6% da média da OCDE. Dos que saem do país, 31% vão para os Estados Unidos; 13% para Portugal; 10% para a França e 10% para a Alemanha.

Diploma Universitário

De maneira geral, considerando o grupo de todos os países pesquisados, os adultos com um diploma universitário obtêm ganhos significativos em seu investimento: têm 10% mais chances de serem empregados e ganharão, em média, 56% mais do que os adultos que só completaram o ensino médio.

“Eles também são os primeiros a se recuperar das recessões econômicas: as taxas de emprego de jovens adultos com um diploma universitário voltaram aos níveis anteriores à crise, enquanto as taxas para aqueles que não completaram o ensino médio ainda estão atrasadas”, diz o relatório.

Os adultos com educação universitária também são menos propensos a sofrer de depressão do que aqueles que não chegaram ao ensino superior. Por isso, os jovens adultos estão cada vez mais dispostos a obter uma educação que aumente suas habilidades, ao invés de entrar no mercado de trabalho diretamente após a conclusão do ensino obrigatório.

Entre 2000 e 2016, o percentual de jovens de 20 a 24 anos que continuaram a estudar aumentou 10%, em comparação com uma diminuição de 9% daqueles que trabalham.

Professores

A falta de salários e o envelhecimento dos professores afetam a profissão, afirma o relatório, que cita a categoria como “a espinha dorsal do sistema educacional”.

“Os salários dos professores são baixos em comparação com outros trabalhadores de tempo integral com educação similar. Esse é um grande obstáculo para atrair jovens para o ensino. Embora os salários aumentem de acordo com o nível de educação prestado, eles ainda estão entre 78% e 94% dos salários dos trabalhadores com formação universitária em tempo integral”, acrescenta o texto.

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QUAL A MOTIVAÇÃO DOS JOVENS AFRICANOS PARA ABRAÇAR O TERRORISMO?

Mapa_político_da_África.svg.pngNa ONU, um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgado esta semana conclui que a marginalização, fraca governação, percepção de abuso de poder dos governos, pobreza e privações incentivam os jovens africanos a abraçar o terrorismo. Intitulado

“Viagem ao Extremismo em África: Motivação, Incentivos e o Ponto de Viragem para Recrutamento”, o estudo,baseado em entrevistas a 495 pessoas que se alistaram voluntariamente a grupos terroristas como Al-Shabaab e Boko Haram, refere que estes factores “oferecem o impulso para tomar a decisão de se juntar a um grupo terrorista

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/onu_e_berlim_abordam_africa

A juventude africana enfrenta problemas bastante difíceis

ENTREVISTA

João Dias | Addis Abeba

13 de Julho, 2017

O embaixador de Angola na Etiópia, Arcanjo do Nascimento, diz ser fundamental dar corpo às medidas que constam do pacote de reformas da União Africana (UA), analisado na 29.ª cimeira da organização. Este ano, os líderes africanos, atentos aos problemas da juventude, escolheram o “aproveitamento do dividendo demográfico, investindo na juventude” como tema de uma jornada que reclama a “devolução” da dignidade do jovem africano.

Embaixador de Angola na Etiópia Arcanjo do Nascimento
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro | Addis Abeba

A União Africana (UA) teve um tema bastante sugestivo, que é o “aproveitamento do dividendo demográfico, investindo na juventude”. Como é que olha para esta questão, numa altura em que paira no ar um certo “cizentismo” e incerteza quanto ao futuro de grande parte de jovens no continente africano?

Arcanjo do Nascimento – Este tema resulta de uma séria preocupação que o continente tem sobre o assunto e a UA quis traduzir isso numa plataforma de debate, uma vez que a avaliação que tem sido feita a nível dos órgãos competentes da organização é que a juventude está a enfrentar problemas bastante difíceis em grande parte dos nossos países. Essa questão tem sido um dos factores que está a contribuir para a instabilidade em alguns países, onde a juventude enfrenta elevadas taxas de desemprego e falta de oportunidades O receio da UA é que os futuros conflitos possam vir a derivar disso. Grande parte dos nossos países está a enfrentar este risco, porque a maior parte da nossa população é composta por jovens. Nem o crescimento económico que se regista em alguns países, até naqueles que cresceram em dois dígitos, deu respostas aos seus legítimos anseios, ou seja, não houve grande impacto na melhoria da situação social e económica da juventude. Por isso, a União Africana decidiu escolher este tema, primeiro para despertar a atenção dos governos para este perigo latente que está aí bem presente, de os futuros conflitos derivarem desta falta de investimento na juventude, e, segundo, para ver se consegue harmonizar as políticas dos países-membros e ver se as colocam nas prioridades da acção dos seus governos. Daí a plataforma de debate que se estende para todo o ano de 2017.

Outro tema candente tem sido e provavelmente não deixou de ser desta vez, a questão das contribuições dos países à UA que representam o grande paradoxo da organização em que uns países contribuem, outros nem por isso. Como é que a UA vai ultrapassar este problema?

É um problema para o qual se está a tentar encontrar uma resposta. De facto, há um défice no orçamento da União Africana por falta de contribuições antepadas dos Estados-membros. É uma situação que os Chefes de Estado e de Governo tentam ultrapassar. Por um lado, vai-se intensificar o apelo aos países e suas lideranças sobre a necessidade de honrarem os seus compromissos, e por outro lado, vai-se instaurar um regime de sanções. Até agora, os países tinham um prazo de até dois anos, período em que poderiam ficar sem honrar os seus compromissos, mas está-se a tentar reduzir este tempo para evitar que a organização tenha problemas financeiros. Entendemos que é preciso que a UA esteja dotada de meios para poder levar avante as suas responsabilidades em domínios importantes como a paz e segurança, movimentação transfronteiriça, promoção do comércio e no domínio da própria protecção do ambiente, um tema em voga. Portanto, existem domínios que os Estados não devem fazer sozinhos, precisando, por isso, de uma instituição de carácter regional. Porém, até estas precisam de estar dotadas de meios.

Sobre as candidaturas às agências e comissões da UA… Angola conseguiu eleger Josefa Sacko e outros compatriotas. Parece que o país desperta para a necessidade de preencher com os seus quadros alguns cargos importantes da organização continental.

Sim. Parece muito importante. Aliás, Angola tem uma participação, cada vez mais activa, nos processos de decisão da organização e dos seus órgãos, não só como Governo, mas também com os seus quadros na estrutura da UA. Fomos bem sucedidos na maior parte das eleições em que participámos. Os nossos candidatos foram eleitos, o que demonstra que estão altamente qualificados, estão à altura e que também é um reconhecimento do papel que Angola tem desempenhado ao nível do continente africano. Os países expressam o seu apoio e solidariedade relativamente a Angola, tendo em conta o papel que tem jogado.

Isso deve-se também ao seu desempenho na presidência da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos…

Claro. Angola tem responsabilidade a nível do continente e durante muito tempo não esteve em condições de assumir essas responsabilidades. Angola é um país importante que não pode ser marginalizado a nível do continente. Tem uma contribuição importante a dar na resolução dos problemas continentais, com realce para o domínio da paz e segurança e em outros domínios. E agora que assumiu e entrou para um estágio diferente em relação à sua estabilidade interna, tem maior flexibilidade para participar nas acções do continente. O nosso papel tem sido, fundamentalmente, o de ajudar a construir soluções diplomáticas e negociadas para resolver os vários conflitos, já que o nosso lema tem sido o de esgotar, primeiro, todos os meios pacíficos para a resolução dos problemas e só em última instância o recurso à força. Sempre priorizámos a diplomacia e é neste quadro que Angola joga o seu papel.

Os jovens olham para a agenda da União Africana 2063 como uma quimera e que sugere um permanente apelo a um futuro que nunca mais chega. Partilha dessa opinião, ou os jovens estão equivocados?

Eu olho para esta agenda com realismo. Os pais fundadores da União Africana, quando criaram a organização não sonhavam que chegaria a atingir 54 anos. Não imaginavam que houvesse uma África toda praticamente independente e constituída por países soberanos e capazes controlar o seu próprio destino. Por isso, é preciso ser optimista e sonhador. É preciso planear para o futuro e foi isso que a África fez. Desta vez, ao invés de fazermos planos de curto ou de médio prazo, fizemos um plano muito mais ambicioso que vai ajudar a resolver os problemas de África, que são tão sérios e difíceis que não vão ser resolvidos nas próximas décadas. Então, é preciso estabelecer um horizonte temporal realista e nós acreditamos que até lá muitos dos problemas que hoje enfrentamos serão resolvidos. Nós ainda enfrentamos problemas de base que os outros países já ultrapassaram. Precisamos de ser realistas. Se estabelecêssemos, por exemplo, uma agenda para um período de 20 anos, de 10 ou mesmo de 30, estaríamos a ser optimistas demais. Quando é que vamos resolver o problema do analfabetismo, das infra-estruturas e da própria paz  e segurança que não se tem ainda? Outros países e continentes já têm tudo isso quase de uma forma total. Quando é que vamos resolver o problema do atraso tecnológico, da industrialização dos nossos países? Daí ser necessário esse horizonte, já que o objectivo da União Africana é  também o da sua integração.

Está claro que isoladamente os países não seriam capazes de chegar a atingir para si mesmos estes objectivos…

Sabemos que isoladamente os países não vão conseguir vencer os problemas do subdesenvolvimento e do atraso, por exemplo. Por isso é que se decidiu apostar na integração regional, que tem dois momentos: o primeiro, que deve ocorrer ao nível das sub-regiões, daí a existência das organizações regionais, para o nosso caso a SADC, e depois passar para um momento posterior, que é de domínio continental. Mas neste momento, é preciso integrar uma série de coisas como políticas e infra-estruturas, numa altura em que um dos problemas que ainda enfrentamos é a livre circulação. Um empreendedor africano, para visitar dez países africanos, precisa de dez vistos. Porquê? Estamos a tentar ultrapassar isso para que o empreendedor saia do seu país para outros que pretende visitar para fazer negócios livremente. É algo em que a Europa já tem um avanço grande. São problemas que não os vamos resolver em pouco tempo. É preciso criar uma série de condições para ir resolvendo estes problemas. Por isso é que se estabeleceu esse horizonte temporal, que é de 50 anos, pois a agenda foi definida em 2013. E já estamos quase no fim do primeiro decénio e estamos a ver que muitos problemas ainda não foram resolvidos.

A implantação da Zona de Livre Comércio é realista para a actual  situação de parte considerável dos países africanos?

É realista. Estabeleceram-se metas e espera-se que a Zona de Livre Comércio esteja pronta até final de 2017, para que os parlamentos nacionais, a partir de 2018, possam começar a legislar. Mas já se avançou muito. Vamos ter agora um informe sobre em que ponto estamos. Temos a vantagem de existirem já embriões de integração a nível das sub-regiões, embora algumas estejam mais avançadas que outras, havendo algumas que conseguiram eliminar barreiras atinentes ao livre comércio, como tarifárias e não tarifárias. Recentemente, tivemos duas grandes zonas que se integraram, COMESA e  SADC, onde existem milhões de consumidores. Estamos nessa direcção e se virmos bem, em cada uma das sub-regiões já se deram passos práticos relativamente à integração. Por exemplo, na África Ocidental, muitas barreiras foram eliminadas. Aqui mesmo, na África Oriental, a Comunidade dos Estados Oriental deu avanços em matéria de livre comércio ao eliminar também muitas das barreiras que impediam a implantação do livre

comércio. Portanto, a sua concretização pode não ocorrer exactamente no final de 2017, mas já se fez um trabalho muito profundo e acredito no comércio, que é uma das formas de integração do continente.

A paz, defesa e segurança constituem sempre temas incontornáveis nas Cimeiras de Chefes de Estado e de Governo. Está distante o dia em que todos os africanos poderão usar nos seus países apenas a linguagem da paz?

Há uma meta da União Africana que é a de chegar até 2020 com  o continente livre de conflitos. Está-se a trabalhar seriamente nisso e, se formos a ver, a violência no continente diminuiu muito. Hoje, existem guerras, mas grande parte delas são nacionais ou internas. Já passámos da fase em que tínhamos conflitos entre países. Já é um grande ganho, tal como é também a redução do nível de violência que em nada é comparada à que ocorre no Médio Oriente, onde o número de mortes e de propriedades destruídas por causa de conflitos é grande e nada comparável com os de África. Mas, vejo que o foco recai sempre para o continente africano, onde ainda existem conflitos na Somália, RDC e Mali. Mas grande parte deles é de baixa intensidade. Fala-se de África como se estivesse completamente mergulhada na guerra. Não. Não é bem assim. Pinta-se uma imagem de África que não é a real.

Privilegiar a via da diplomacia para a procura de soluções para os conflitos no continente deve continuar a ser um instrumento a ter em conta, mesmo quando a força seja necessária?

Há um grande esforço, porque sabemos que parte considerável dos países que hoje estão envolvidos em conflitos herdaram problemas muito graves. Uns não conseguiram permanecer estáveis durante o período de transição de modelos políticos e de governação. Em muitos deles, os problemas que estavam subjacentes à mudança continuaram e não houve capacidade dos actores internos para os resolver. Outros conflitos resultaram de factores externos. Mas a tendência é positiva, embora tenhamos ainda perdas humanas e de propriedades. É preciso perceber que nem tudo se pode resolver de uma só vez. Por exemplo, os meios postos à disposição para resolver conflitos nem sempre são os mais adequados. É claro que se privilegia a diplomacia, mas algumas vezes tem de ser apoiada pela força e nem sempre isso é possível. Contudo, o que digo é que a imagem que se apresenta de África nem sempre é real, pois existem regiões do Mundo em que o nível de conflito e violência é pior e nem por isso têm a má publicidade que tem o nosso continente.

A cimeira foi aguardada com elevadas expectativas?

Para a 29ª cimeira dos Chefes de Estado e de Governo que decorreu em Addis Abeba, o grande objectivo foi a implementação das reformas. A organização chegou a uma situação em que já não respondia aos desafios que tinha nos domínios da paz e segurança e integração, etc. Chegou-se à conclusão de que era preciso introduzir reformas na organização e, deixe-me dizer-lhe, o pacote de reformas é bastante profundo. Ouvimos o Presidente Paul Kagame, que lidera o processo de reforma institucional da organização. O pacote foi aprovado. Está-se agora na fase de implementação para ver como tornar a organização muito mais eficiente. Esse é um dos grandes ganhos que tivemos da cimeira e esperámos que no futuro contemos com uma organização que, de facto, funcione e concomitantemente, seja financiada pelos seus próprios membros e não dependa do exterior. Outro ganho que queremos que advenha desta cimeira realizada em Addis Abeba tem que ver com a integração regional, propriamente a criação da Zona de Livre Comércio. Os países africanos podem desenvolver-se através do comércio, que traz grandes vantagens aos países, numa altura em que a África tem uma percentagem de trocas comerciais entre si bastante baixa, rondando os 12 por cento. A maior parte do comércio não é intra-continental, mas com países de outros continentes. Os estudos e a prática demonstram que se eliminarmos as barreiras às zonas de livre comércio e industrializarem-se os países, haverá mais ganhos e um maior investimento.

Existem além do que mencionou, outros aspectos a ter em conta para guindar a organização e torná-la mais eficiente, profícua e mais realista?

Outra grande expectativa a volta da cimeira girou em torno das decisões sobre a situação de paz e segurança no continente. E é preciso que existam decisões e acções em relação aos problemas que os países enfrentam, particularmente, os do terrorismo, que ganhou no continente uma certa expressão por conta de algum fundamentalismo. Criaram-se mecanismos bastante activos nos Estados africanos, que até, em muitos casos, põem à disposição os seus recursos e meios internos. Ainda assim, esperamos que haja uma nova acção vigorosa relativamente ao terrorismo, bem como o seguimento de outras acções que foram definidas nas cimeiras anteriores.

“Os pais fundadores da UA não sonhavam que a organização chegaria a atingir 54 anos”


O continente tem passado por muitas situações que sugerem de facto uma atenção redobrada dos líderes de cada um dos nossos países. Em face disso, haverá ainda espaço para esperança?

Os pais fundadores da União Africana, quando criaram a organização não sonhavam que chegaria a atingir 54 anos. Não imaginavam que houvesse uma África toda praticamente independente e constituída por países soberanos e capazes controlar o seu próprio destino. Por isso, é preciso ser optimista e sonhador. É preciso planear para o futuro e foi isso que a África fez. Desta vez, ao invés de fazermos planos de curto ou de médio prazo, fizemos um plano muito mais ambicioso que vai ajudar a resolver os problemas de África, que são tão sérios e difíceis que não vão ser resolvidos nas próximas décadas. Então, é preciso estabelecer um horizonte temporal realista e nós acreditamos que até lá muitos dos problemas que hoje enfrentamos serão resolvidos. Nós ainda enfrentamos problemas de base que os outros países já ultrapassaram. Precisamos de ser realistas. Se estabelecêssemos, por exemplo, uma agenda para um período de 20 anos, de 10 ou mesmo de 30, estaríamos a ser optimistas demais. Quando é que vamos resolver o problema do analfabetismo, das infra-estruturas e da própria paz  e segurança que não se tem ainda? Outros países e continentes já têm tudo isso quase de uma forma total.

A paz é fundamental para o tão almejado desenvolvimento do continente. Faz sentido ter voltado a ser tema de debate?

Em todas as cimeiras, o tema da paz, estabilidade e segurança é recorrente. É assim, pois entendemos que a implementação dos projectos que o continente tem em vista dependem da segurança, estabilidade e paz. A implementação, por exemplo da Zona Livre de Comércio depende em grande medida da estabilidade de cada um dos paises, tal como a Agenda 2063. Por isso, é que este tema voltou a estar no centro dos debates da 29ª cimeira dos Chefes de Estado e de Governo.

“Angola privilegia a diplomacia para resolução dos conflitos no continente”

A Filosofia de Angola na componente de resolução de conflitos continua a ser o primado do diálogo e a força apenas como último recurso?

Tem sido este o caminho perfilhado por Angola no que respeita a resolução de conflitos. O diálogo deve estar sempre na linha da frente e a via da força deve ser tida sempre como último recurso na resolução de conflitos armados. A nível da presidência da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL), Angola faz reiterados apelos à necessidade do diálogo permanente para a resolução de conflitos em algumas regiões do continente.

A necessidade de termos uma África que fale “a uma só voz”, bem como a necessidade de se introduzirem reformas junto do Conselho de Segurança da ONU foi uma das questões discutidas na cimeira. O que se espera?

O continente deve estar unido em face de novos desafios, como o terrorismo. Mas além de contar com o seu próprio papel, deve contar com os interlocutores mundiais. Por isso, foi tida em conta a consideração sobre a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, reclamando, como se faz habitualmente, o direito de a África estar representada entre os membros permanentes. Entendemos que a África é um actor importante e precisa de ter voz a nível global.

Perfil

Arcanjo Maria do Nascimento
É diplomata de carreira há 30 anos. Licenciado em Direito pela Universidade Agostinho Neto e doutorado em Relações Internacionais pela Geneva School Of Diplomacy, a sua mais recente missão foi a de embaixador Extraordinário e Plenipotenciário e Representante Permanente de Angola junto do Escritório da ONU e Organizações Internacionais em Genebra.
Tem 54 anos de idade, é casado e está na Etiópia como embaixador desde 2011. É fluente em Inglês e Francês. Nasceu em Luanda.
O último livro que leu intitula-se Hard Choices (Tradução literal Escolhas difíceis) da autora de Hillary Rodham Clinton.
Na música, tem preferência pelo Blue e pelo jazz.

 

Crédito jovem para a região da África Austral

Bernardino Manje | Victoria

14 de Julho, 2017

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) vai incentivar os Estados membros a aprovarem leis e elaborar políticas que melhorem o acesso dos jovens ao crédito, bem como a criação de fundos nacionais e regionais da juventude, a fim de aumentar o acesso dos jovens ao capital empresarial.

Líder do Fórum Parlamentar com o deputado das Seycheles
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro – Victoria

A intenção consta da resolução sobre o Aproveitamento do Dividendo Demográfico da SADC apostando na Juventude, que foi aprovada ontem, por unanimidade, na 41.ª sessão plenária do Fórum Parlamentar da região, que decorre nas  Seychelles.
A resolução, cujo assunto é o lema da sessão plenária, foi proposto pela deputada Patricia Kainga, do Malawi.
O documento prevê a aprovação de leis para os sectores do emprego e empreendedorismo, ensino e formação de quadros, saúde e bem-estar e direitos, governação e empoderamento da juventude. A garantia de aplicação de políticas como a Estratégia da Ciência, Tecnologia e Inovação (STISA 2014-24), e a Estratégia Continental da Educação para a África (CESA 2016-25), para facilitar a revisão dos currículos dos estabelecimentos de ensino, é o que, entre outros aspectos, se prevê fazer

no sector do ensino e formação de quadros.
A ideia é aumentar a qualidade e relevância no mercado de trabalho e as necessidades de desenvolvimento nacional e um maior enfoque sobre Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Na saúde e bem-estar, destaca-se a promoção de serviços de saúde integrados favoráveis aos adolescentes e jovens nos estabelecimentos públicos e privados, nas clínicas e em outros locais, com serviços adequados de saúde sexual e reprodutiva.
Consta ainda da resolução a eliminação da mortalidade materna e neonatal evitáveis, assegurando que os partos sejam assistidos por um pessoal de saúde competente, e a garantia do acesso universal aos cuidados pré e pós-natais e ao planeamento familiar.Os deputados  aprovaram vários projectos de resoluções, como o para a adoção do Relatório da Comissão Permanente de Democratização.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/credito_jovem_para_a_regiao

Programa Juvenil de Capacitação Empresarial em Moçambique

 

FORMACAOFB40 jovens das cidades de Maputo e Matola irão beneficiar de capitação e certificação em matérias de desenvolvimento pessoal e profissional

A cidade de Maputo acolhe, próximo 27 deste mês, a cerimónia de lançamento do Programa Juvenil de Capacitação Empresarial. O acto enquadra-se no programa “O Poder do Empreendedor”, uma iniciativa da Associação Nacional de Jovens Empresários. Trata-se de umfórum que se enquadra no âmbito da implementação do plano programático desta agremiação, cujo objectivo é libertar o espírito empreendedor de jovens moçambicanos, através de um programa competitivo de capacitação e mentoria, focados no início, gestão e crescimento empresarial.

Segundo um comunicado de imprensa dos organizadores, durante 3 messes, 40 jovens das cidades de Maputo e Matola, com idades compreendidas entre 18 e 35 anos, 50% de cada sexo, a priori sem nenhuma experiência profissional, entre outros, irão beneficiar-se de uma capitação e certificação em matérias de desenvolvimento pessoal e profissional.

À margem do lançamento do programa de capacitação em causa, está agendado um debate subordinado ao tema “A Crise Econômica e o Papel da Juventude”, que deverá juntar jovens empresários nacionais de sucesso, na mesma mesa, para dialogar com aspirantes do ramo, sobre a fórmula adequada que a juventude deve usar para contornar com sucesso o actual cenário que o mundo e o nosso país em particular atravessam.

http://opais.sapo.mz/index.php/economia/38-economia/45579-maputo-acolhe-programa-juvenil-de-capacitacao-empresarial.html

Protesto na Guiné Bissau

guine

Cerca de duas dezenas de elementos do Movimento dos Cidadãos Inconformados da Guiné-Bissau realizaram hoje um pequeno protesto em silêncio na Praça dos Heróis Nacionais, em Bissau, onde está localizada a Presidência do país.

“Conseguimos. Queríamos chegar à Praça do Império e conseguimos”, afirmou o presidente do movimento, Sana Canté.

Os jovens reuniram-se, em silêncio, ao final do dia, em frente ao Palácio da Presidência, tendo depois caminhado juntos, de mãos dadas, até fora da praça, terminando o protesto.

No sábado passado, dezenas de pessoas ficaram feridas, entre os quais sete polícias, numa manifestação do Movimento dos Cidadãos Inconformados com a crise política na Guiné-Bissau, depois de os jovens tentarem ultrapassar a barreira policial que os impedia de chegar à Praça dos Heróis Nacionais.

Os jovens dos Inconformados acusam o Presidente, José Mário Vaz, de ser responsável pela crise política que o país atravessa.

Projeto Jovem Empreendedor Angolano.

Ontem  celebrou-se  o dia da juventude angolana. A efeméride é celebrada em homenagem ao herói José Mendes de Carvalho, conhecido por Hoji-ya-Henda, morto em combate a 14 de Abril de 1968, no Moxico, durante um assalto ao quartel de Karipande, do exército colonial português.

Jair Miguel Jerónimo Pereira

Uma das principais preocupações da juventude angolana é o emprego.

O Executivo, no âmbito da implementação da política da juventude, aprovou este ano uma linha de crédito de apoio ao empreendedor jovem, denominado Projovem. A linha de crédito é financiada pelo Banco de Desenvolvimento de Angola, operacionalizada pelo BCI e conta com a participação do Inapem, Conselho Nacional da Juventude e com o Instituto Angolano da Juventude (IAJ). Vários jovens já remeteram os seus projectos de candidatura para o crédito. Jair Miguel Jerónimo Pereira, 31 nos, é funcionário da TAAG, colaborador  no Instituto Angolano da Juventude, através do projecto “Meu Padrinho meu Mentor”e fundador do projecto Jovem Empreendedor Angolano. Jair Pereira tem a missão de sensibilizar os jovens a aderirem ao projecto Projovem, devido à sua dura experiência familiar, e no mundo dos negócios. Jair Pereira fala ao Jornal de Angola do desafio de sensibilizar os jovens com palestras motivacionais para aderirem ao crédito dirigido aos jovens empreendedores.

Jornal de Angola – Qual é a sua experiência de vida?


Jair Pereira
– É uma experiência muito forte e humilde. Dessa humildade, consigo ser exemplo para outros jovens. Consigo apontar caminhos para outros jovens de que a vida não se faz num dia, a vida faz-se lutando. As coisas não acontecem por acaso, as coisas acontecem em função do nosso trabalho. Tudo na vida é uma fase. É acção e efeito. Tudo vai acontecendo em função das nossas acções.

Jornal de Angola – Qual é a estratificação social da sua família?

Jair Pereira
– Sou de uma família pobre. O meu pai foi professor do ensino de base. A minha mãe era educadora de infância. Naquela altura, os salários no sector da Educação não eram altos e havia atrasos. Em função disso, nós passávamos muitas necessidades. Viemos do Cuanza Norte e chegámos a Luanda. Não tínhamos condições básicas, mas pela batalha e luta do meu pai, foi possível nós nos formarmos e hoje estamos com uma orientação.

Jornal de Angola – Para além das suas ocupações profissionais na TAAG e nos negócios, é prelector motivacional. Qual é a sua experiência neste domínio?

Jair Pereira
– Tem sido uma experiência peculiar, porque nós estamos na parte da orientação, estamos ligados ao associativismo juvenil, na orientação dos jovens para a questão da criação do primeiro emprego. Tem sido uma experiência muito boa, porque os jovens vêem em nós uma luz no fundo do túnel. Porque quando começam a procurar soluções para os seus problemas, nós apontamo-las, daí o grande benefício. Os jovens olham para nós com veneração, no sentido de que somos um exemplo para um futuro melhor.

Jornal de Angola – Qual é o seu ponto de vista sobre o projecto Projovem?

Jair Pereira – É um projecto muito bom. É uma linha de crédito para os jovens empreendedores, para aqueles jovens que desejam realizar os seus negócios. Porque o grande objectivo é tirar os jovens da informalidade, para os negócios formais. Esta linha de crédito é uma linha com taxas bonificadas e com períodos de carência longos. É uma experiência diferente e com planos de negócios também diferentes, tudo dependendo de valores que o jovem desejar.

Jornal de Angola – O que fazias quando estavas no sector informal da economia?

Jair Pereira – Eu já vendi bolinhos, água fresca, já fiz vários trabalhos, como taxista. Mas hoje, graças a Deus dei a volta por cima. Fui lutando e hoje consegui fazer coisas diferentes.

Jornal de Angola – Como conseguiu sair do negócio informal para o formal?

Jair Pereira – Não foi fácil. Foi preciso muita disciplina, muito planeamento porque almejava um futuro melhor para mim. Também tive Deus ao lado, porque houve momentos de desespero. Acima de tudo, foi preciso muita persistência. Acredito que o amanhã será melhor.

Jornal de Angola – Quais são as reacções que recebes dos jovens sobre o projecto Projovem?

Jair Pereira – Encntramos muitas objecções no que concerne ao crédito. Mas depois das explicações, as pessoas ficaram mais esclarecidas. As objecções eram sobre os requisitos que são normais para um crédito em função dos valores e os prazos de pagamento. Por exemplo, no requisito sobre a certificação da empresa, se queremos passar para a formalização, a certificação é importante. A empresa tem que estar certificada no INAPEM. Muitas vezes, quando os  jovens lêm certificação, não sabem onde ir, e nós aparecemos para dar este esclarecimento e orientação.

Jornal de Angola – Que diferença existe entre o crédito normal e o Projovem?

Jair Pereira – A diferença é abismal. Primeiro, é o período de carência que se oferece e, segundo, são as taxas que são muito atractivas. Depois, também tem o período de maturidade. As garantias, para um valor ínfimo, abaixo de 10 milhões. Muitas vezes, as garantias são pequenas e não são aquelas que muitos esperam. Muitos esperam hipotecas. Um jovem empreendedor não tem ainda nada para hipotecar. Em função dos valores, vamos fazendo atribuições. Este crédito acho que é muito atraente, porque escalona os sectores de actividade a financiar, por exemplo na agricultura, pecuária e prestação de serviços. O projecto dispõe de informações na internet a que se pode aderir directamente.

Jornal de Angola – Que dificuldades é que os jovens apresentam?


Jair Pereira
– Muitas vezes, é a falta de orientação. Nós, quando fizemos a apresentação do projecto Projovem, há uma questão que transmitimos aos jovens que é de trabalharem em função das suas habilidades. Tudo isto fica entendidoquando falamos da formação sobre o empreendedorismo onde se aprende como começar e fazer o plano de negócio. É um leque de explicações e eles sentem-se satisfeitos. Acontece que muitos olham para o valor total ou o valor máximo do crédito, às vezes, não pensam que as habilitações que têm pode levá-los para um crédito de menor valor. Daí, o papel do gestor bancário de poder aconselhar a rever o plano do negócio ou o estudo de viabilidade no sentido de orientar os jovens.

Jornal de Angola – Qual é a primeira impressão dos jovens sobre o crédito?

Jair Pereira – A primeira impressão que temos dos jovens é de um certo imediatismo. A ideia de fazer crédito lhes vem a visão de que o dinheiro é para outros fins, como por exemplo comparar carro, casa ou outros bens de luxo. Nós estamos a passar a mensagem certa que é mesmo de um crédito para empreendedores, porque os valores não são disponibilizados na sua totalidade. O valor disponibilizado é o capital do fundo de maneio. O resto do capital é empregue no negócio. Os jovens têm a visão de comprar carro ou outros bens.

Jornal de Angola – Quando passam a mensagem de que o dinheiro não é dado ao vivo, qual é a reação que recebem dos jovens?

Jair Pereira – Em princípio, por falta de informação, a reacção é drástica e de desespero. O fundamental na vida não é dar dinheiro. O fundamental é dar dinheiro para que as pessoas consigam evoluir. A dependência dos jovens ao Estado, muitas vezes, não pode ser contínua. O jovem cria hoje a sua empresa, mas esta iniciativa não é só para ficar aqui é para dar sequência, criando assim, emprego para si e emprego para outras pessoas, resolvendo os seus problemas sociais e dos outros.

Jornal de Angola – Os jovens já começaram a apresentar os projectos?

Jair Pereira – O processo de candidatura já começou. Alguns estão na fase de criação de empresa, abertura de contas, entrega de formulários por via correio electrónico. Então, já começou o processo de cadastramento. Neste momento, temos os gestores bancários a receberem os jovens e a darem mais explicações sobre o projecto. Nós também continuamos a esclarecer todas as dúvidas que eles apresentam. O Instituto Angolano para a Juventude está presente para esclarecer todas as dúvidas apresentadas pelos jovens .

Jornal de Angola – Como é que o IAJ passa a informação aos jovens de outras províncias?

Jair Pereira – Nós temos o Ministério da Juventude e Desportos, porque o IAJ é uma instituição deste departamento ministerial, que por sua vez dissemina a informação noutras províncias. Mas nós temos ido a todas as províncias passando a informação de como tem funcionado o Projovem. Em breve, estaremos no Cuando Cubango. Este projecto é para todos os jovens angolanos.

Jornal de Angola – Ontem foi dia da juventude angolana. Qual deve ser o foco para os jovens?

Jair Pereira – Os jovens devem assinalar mais a formação, acima de tudo. Eu, por exemplo, não consegui fazer a formação com que sempre sonhei, porque tínhamos poucos institutos. Hoje, temos várias universidades credíveis. Então, o jovem hoje é um jovem actualizado e mais capacitado intelectualmente. Já começa a surgir uma geração diferente e que não quer estar na bebedeira, droga, festas. Temos jovens que estão compenetrados nos seus objectivos. Os jovens angolanos começam a dar respostas diferentes às questões do dia-a-dia. Hoje, já se vêm jovens com mais foco, mais objectivos. E, a par disso, é o nosso projecto. Temos jovens com grandes projectos que têm ajudado outros jovens. É esta a juventude, essa sociedade que queremos. Todas as sociedades foram constituídas por jovens. Os mais velhos hoje, um dia foram jovens. Como diz o saudoso Dr. Agostinho Neto, “nós somos de quem se espera.” Nós não podemos esperar. Somos aqueles de quem se espera. Então, vamos vendo uma juventude mais inteligente, mais batalhadora e mais consciente. Sejamos esta juventude para que os mais velhos depositem mais credibilidade nas nossas acções.

Jornal de Angola – Como é que a jovem mulher participa nos negócios em Angola?

Jair Pereira – Os maiores projectos e com histórias mais fortes são mesmo das mulheres. Nós temos tido várias situações de empresárias que começaram a fazer viagens, com salão de cabeleireiro bolos e contam as suas histórias. Os nossos encontros são muito interactivos. Eu acho que a jovem mulher está mais focada nos negócios que os homens.

Jornal de Angola – O que quer transmitir quando diz que a jovem mulher está mais focada?

Jair Pereira
– Quero dizer que, actualmente, dos 100 projectos, 60 por cento são projectos de mulheres que estão a dar passos no mundo dos negócios. Actualmente, é assim que tem acontecido. Das experiências que temos, são de mulheres a vencerem no mundo dos negócios. Das inquietações que recebemos, é mais de mulheres a pedirem para transmitirmos mais conhecimentos. Geralmente, são as mulheres que aderem à legalidade, à formalização. Então, eu acho que o papel da jovem mulher tem sido muito importante de um tempo a esta parte. Eu tenho uma visão positiva quanto à jovem mulher.

Jornal de Angola – Qual é a sua opinião sobre os jovens ambulantes?

Jair Pereira – Fruto da experiência que tenho, é que o empreendedorismo tem diversas vertentes. Muitos de nós enveredamos pelo caminho de empreendedorismo pela necessidade. Estes jovens que buscam o seu dia-a-dia pela necessidade, a minha visão particular, isto não pondo outras instituições, são grandes batalhadores e vencedores na vida. Infelizmente, ainda não criamos métodos que permitem agregá-los, regê-los em função das suas actividades. São jovens que têm dado o seu contributo à sociedade e constituem um exemplo a seguir. É essa visão que todo o jovem angolano deve ter. Todos os dias devemos acordar e ir a busca do nosso pão. Muitas vezes, podemos seguir conselhos, livros, mas um exemplo vivo do que tem acontecido na nossa sociedade, essa mamã zungueira que acorda todos os dias para ir a procura do pão. A minha avó, por exemplo, vendeu múcua por muitos anos, educou-nos para nós, é uma grande experiência.  Acho que é esta visão que devemos ter, de ir à luta. Para mim, só existe um feitiço: acordar cedo para ir trabalhar.

Jornal de Angola – Qual é a tua opinião sobre a dependência do sector público?

Jair Pereira
– A minha ideia é que só em Angola é que temos a questão do Estado ser o maior empregador. Para mim, deveria ser o sector privado a ser o maior empregador. Mas criarem-se políticas, como o Projevem para podermos reduzir a avalanche de desempregados que temos.

Jornal de Angola – Como vê a participação dos jovens nas próximas eleições?

Jair Pereira – A participação dos jovens nas eleições é evidente. Vimos, durante o período do registo eleitoral, a sua aderência massiva. Na verdade, há muito por fazer no que diz respeito à informação. É este trabalho que o IAJ está a fazer. Porque uma pessoa não orientada não tem conhecimentos. Infelizmente, não consegue  fazer o que é certo, porque não tem conhecimento da verdade.
Os jovens têm participado nesse processo de forma massiva. Muitos activistas do registo eleitoral foram, na sua maioria, jovens. Nota positiva para a nossa juventude quanto à sua participação ao processo eleitoral.

Jornal de Angola – Quer acrescentar mais alguma coisa?

Jair Pereira – O empreendedorismo não se limita só na vertente financeira que é empresarial, mas também na vertente familiar e no amor. Acho que nós, os jovens, devemos demonstrar mais amor ao próximo. Os trabalhos que temos feito aqui no instituto é sempre amando o próximo e amando o país. Respeito ao patriotismo, à natureza humana e às nossas famílias.

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/processo_de_candidaturas_ja_comecou

Secretário-Geral da ONU critica “visão parcial” sobre o continente africano

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Fotografia: Zacharias Abubeker | AFP

O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, deixou a 28ª Cimeira da União Africana com um forte apelo para a mudança na forma como o continente berço da humanidade é caracterizado pela comunidade internacional e com a promessa de o apoiar na construção do desenvolvimento e da paz sustentáveis.

 

Ao falar a jornalistas à margem da cimeira que juntou em Addis Abeba dezenas de líderes do continente africano, antes de deixar a capital Etíope, António Guterres defendeu que África deve ser reconhecida pelo potencial de desenvolvimento, economia e governação.
António Guterres lamentou a forma como África é descrita na Europa, Américas e Ásia, denunciou o que chamou de “uma visão parcial de África”, disse ser preciso mudar a narrativa sobre o continente na comunidade internacional e que este deve ser reconhecido “pelo seu enorme potencial.”
O Secretário-Geral das Nações Unidas recordou que África teve o maior crescimento econômico do mundo nos últimos 10 anos e “histórias de sucesso extraordinárias do ponto de vista do desenvolvimento econômico e de governação.”
Uma dessas histórias, prosseguiu, ocorreu há dias com a reacção “exemplar” da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (CEDEAO) na Gâmbia, que demonstrou “a capacidade de os países africanos se unirem e resolverem os problemas no continente.”
António Guterres lembrou que “o apoio da União Africana e das Nações Unidas ajudou a resolver a crise pós-eleitoral” e disse esperar que esse exemplo “seja seguido noutras partes do mundo.”
O Secretário-Geral da ONU elogiou a União Africana pelo “trabalho muito importante em nome do continente”, manifestou “disposição total da ONU em apoiar plenamente as suas actividades” e destacou “o entendimento integral” entre a ONU, a União Africana e a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (Igad) sobre a necessidade de se trabalhar “numa só voz” para pacificar o Sudão do Sul.

Agradecimento a África

No discurso proferido na segunda-feira na União Africana, António Guterres  reiterou o pleno apoio da organização que dirige à construção do desenvolvimento e da paz sustentáveis na África.
António Guterres, que começou o discurso manifestando solidariedade à União Africana, afirmou que a ONU “tem orgulho dessa parceria” e destacou a cooperação das partes na implementação das agendas 2063 da União Africana, 2030 da ONU e na promoção da paz, da segurança e dos direitos humanos.

samora-machel  Samora Machel
O Secretário-Geral recordou uma frase do ex-Presidente moçambicano, já falecido, Samora Machel, segundo a qual “a solidariedade é um acto de união entre aliados lutando em diferentes áreas, mas com os mesmos objectivos e o principal desses é ajudar no desenvolvimento da humanidade no nível mais alto possível”, para afirmar que a União Africana “trabalha diariamente pela união, paz e progresso para todos.”
E África, prosseguiu, fornece a maioria das forças de paz da ONU.
As nações africanas “estão entre os maiores e mais generosos anfitriões de refugiados do mundo” e as suas fronteiras “continuam abertas às pessoas que precisam de protecção, quando muitas fronteiras estão a ser fechadas, até mesmo nos países mais desenvolvidos.” António Guterres elogiou o continente por incluir algumas das economias que mais crescem no mundo, mas pediu mais atenção para os jovens.
“É fundamental que façamos mais para proporcionar aos jovens oportunidades e esperança. Felicito-vos por terem designado 2017 como o ano do aproveitamento do dividendo demográfico através de investimentos na juventude. Mais de três em cada cinco africanos têm menos de 35 anos de idade”, afirmou.
Para o continente tirar partido deste potencial, António Guterres recomenda mais investimento na educação, na formação e no trabalho condigno e considera “fundamental” envolver os jovens “na construção do seu próprio futuro.” Nesse sentido, prometeu “apoio total” do Sistema das Nações Unidas.  António Guterres disse esperar também trabalhar com a União Africana para reforçar o poder das mulheres africanas, para que estas possam desempenhar o seu papel no desenvolvimento e na paz sustentáveis. Sobre a paz, garantiu que a ONU vai apoiar a iniciativa africana “Silenciar as Armas até 2020”, ou até mesmo antes da data.

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Alpha Condé, o Presidente da Guiné Conacri e líder em exercício da União Africana, convidou António Guterres a participar anualmente num pequeno almoço com Chefes de Estado e de Governo africanos em Janeiro. Para o Secretário-Geral da ONU, estas ocasiões vão servir para interagir com líderes africanos e discutir “de forma muito significativa” as relações entre a União Africana e a ONU.
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Mais apoio ao continente

António Guterres passou das promessas à prática ao liberar, também na segunda-feira, 100 milhões de dólares da verba do Fundo Central de Resposta de Emergência para mais de nove países, oito dos quais Estados africanos.
O Secretário-Geral da ONU disponibilizou o dinheiro para operações humanitárias em nove países com o que considera “crises negligenciadas”, ajudando deste modo mais de 6 milhões de pessoas nos Camarões, na Coreia do Norte, na Líbia, no Madagáscar, no Mali, no Níger, na Nigéria, na Somália e no Uganda. Ao justificar a medida, António Guterres disse que o financiamento é crucial para que agências da ONU e parceiros continuem a apoiar “pessoas que precisam de ajuda tão desesperadamente.”
Boa parte dos 100 milhões de dólares vão para pessoas deslocadas e o financiamento vai ajudar  a garantir cuidados de saúde, abrigo e alimentos para milhões de pessoas que escapam da violência do Boko Haram na Nigéria, no Níger e nos Camarões, explicou.
No Madagáscar, no Mali e na Coreia do Norte, o apoio da ONU segue para os civis que sofrem de desnutrição e com a insegurança alimentar, acrescentou.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/guterres_critica_visao_parcial_sobre_o_continente_africano

Jovens angolanos disputam cinco mil vagas na Universidade Agostinho Neto

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por Gabriel Bunga |

Fotografia: José Soares 

Milhares de candidatos ao ensino superior acorrem ao Campus Universitário, na zona do Camama, em Luanda, para se inscreverem na Universidade Agostinho Neto.

O processo de inscrição iniciou a 5 de Janeiro e termina no dia 21 deste mês,  tendo sido inscritos até ao momento mais de 20 mil candidatos.  Os exames de admissão começam a 30 de Janeiro  e terminam a 6 de Fevereiro.
A universidade prevê inscrever para este ano 50 mil candidatos que vão disputar 5.385 vagas, distribuídas em 45 cursos das nove unidades orgânicas.
Para a inscrição, a universidade  cobra quatro mil kwanzas por um curso e seis mil kwanzas por dois cursos, para cada candidato.
Cálculos por defeito indicam que para a inscrição num curso (quatro mil kwanzas), e se se admitir que haja cinquenta mil candidatos, a Universidade Agostinho Neto pode arrecadar duzentos milhões de kwanzas num espaço de dezassete dias. Se os cinquenta mil candidatos se inscreverem em dois cursos (seis mil kwanzas), a universidade   pública arrecada trezentos milhões de kwanzas.
O presidente da Comissão Nacional de Pais e Encarregados de Educação Angolana – Amigos da Criança, Manuel Diogo, mostrou-se preocupado com os valores das inscrições. “Qual é o destino destes valores? O pior é que muitos candidatos nem sequer conseguem ingressar na universidade. As instituições públicas deviam reflectir sobre isso\”, referiu.

Emolumentos

O coordenador da subcomissão de comunicação da Comissão Técnica do Exame de Acesso 2017, Arlindo Isabel, disse ao Jornal de Angola que o valor cobrado é um emolumento estabelecido para suportar os custos da operação, que envolve mais de 500 funcionários, entre  professores, funcionários não docentes e estudantes.
“Eles têm que tomar pequeno almoço, almoçar,  produzir folhetos,  regulamentos e os exames,  para que o processo seja sustentável”. Sublinhou que os folhetos e regulamentos são distribuídos a todos os candidatos.
Arlindo Isabel disse que este é um processo  que não está previsto no Orçamento Geral do Estado. Antigamente, acrescentou, era cobrado nas unidades orgânicas e depois do estabelecimento do critério de exame unificado passou a ser cobrado pela reitoria da Universidade Agostinho Neto.
“Os requisitos para a inscrição são o certificado ou declaração com notas descriminadas, cópia do Bilhete de Identidade, declaração da situação militar regularizada, declaração de serviço e o pagamento de quatro mil por uma opção e seis mil kwanzas por duas opções,  pagos uma só vez. Há ainda uma ficha de inscrição que é encontrada aqui”, disse.
Arlindo Isabel precisou  que as cobranças no acto de inscrição são uma decisão interna da Universidade Agostinho Neto, aprovada pelos órgãos de governo daquela instituição de ensino.
O coordenador da subcomissão de comunicação da Comissão Técnica do Exame de Acesso 2017 disse que a decisão existe há anos e  o processo de inscrições não está previsto no Orçamento Geral do Estado. A Lei nº 17/16 de 7 de Outubro, Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino, aprovada no dia 11 de Agosto de 2016, pela Assembleia Nacional define o regime jurídico do Ensino Superior, mas não clarifica a forma de comparticipação dos pais e dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem.
A Lei define que as despesas relativas às inscrições, assistência às aulas, material escolar e outros encargos, no Ensino Superior, são da responsabilidade dos pais e encarregados de educação. Ainda não regulamentada, a  Lei garante que só ao Presidente da República, na qualidade de Titular do Poder Executivo, cabe regular e autorizar a cobrança de taxas e emolumentos pelos serviços prestados nas instituições públicas de ensino dos diversos níveis. Muitos candidatos chegam às instalações do Campus Universitário às 4horas da manhã. Cada um ocupa o seu lugar na fila, de acordo com a área de formação. Os candidatos são levados por seis autocarros, das portas de entrada ao interior do Campus Universitário, uma distância de cerca de quilómetro e meio.
Os candidatos são distribuídos em três áreas de triagem, onde declaram os cursos a fazer. Aqui, o processo é lento, porque os funcionários têm a missão de verificar a autenticidade dos documentos. Depois, os candidatos  são encaminhados para a biblioteca central, onde fazem a inscrição. “Esta inscrição é um processo absolutamente rápido, porque temos vários computadores instalados, e em média, a solução tecnológica consegue inscrever 100 candidatos em três minutos”, disse Arlindo Isabel.

Processo de selecção

Arlindo Isabel disse que o processo de selecção é feito de forma automática no computador. As folhas de provas dispõem de um número. Depois da prova, a parte com o nome é recortada.
No dia do exame, os candidatos recebem um recibo que tem um código de barras, que permite verificar se de facto a pessoa está inscrita naquele curso. O lançamento de notas é feito por laser e o nome aparece automaticamente. O  sistema organiza a lista a partir da maior nota. “Em qualquer curso, entram os candidatos que tiverem a maior nota”, explicou, referindo  que o sistema está programado também para seleccionar os candidatos com menos idade.Depois dos exames, a base de dados é enviada para a faculdade e os candidatos com maior nota são considerados como inscritos. Os resultados são publicados na página electrónica da UAN.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/sociedade/saude_e_educacao/cinco_mil_vagas_na_uan

Angola investirá em projetos de jovens empreendedores

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O Executivo aprovou ontem a criação de um fundo de apoio a projectos de jovens empreendedores. O “Projovem” tem um valor global de quatro mil milhões de kwanzas e vai ser operacionalizado pelo Banco Angolano de Desenvolvimento (BAD).

Trata-se de uma linha de crédito para o jovem empreendedor que decida abraçar uma atividade empresarial em áreas como hotelaria e turismo, comércio e prestação de serviços, indústria, agricultura, pecuária, pescas, tecnologias de informação e comunicação, e empreendedorismo cultural. “Esta linha de crédito será assegurada pelo BDA e o que foi aprovado aqui foram as regras, os princípios e a forma como a linha irá funcionar e os mecanismos para acesso a esse fundo”, disse o ministro da Juventude e Desportos, que espera por um longo período de estabilidade financeira de modo a evitar-se constrangimentos na implementação do fundo.
O fundo de apoio ao jovem empreendedor prevê um montante limite por projecto equivalente a 200 mil dólares norte-americanos. “Este é de facto o limite por projecto e depois há uma série de requisitos que os empreendedores terão que observar para terem acesso a esse financiamento”, referiu.
“Queremos que seja um processo transparente, sem burocracias e com a credibilidade junto dos jovens de uma maneira geral”, declarou o ministro da Juventude e Desportos, antes de avançar com alguns dos requisitos: apresentar um projeto idôneo, não ser devedor da banca, seja pública seja privada, ter certificação de micro, pequena ou média empresa passada pelo Inapem, e ter formação básica do Instituto Nacional de Formação Profissional (Inefop). Para Albino da Conceição, esses requisitos visam conferir credibilidade junto do público-alvo e o envolvimento do Conselho Nacional da Juventude e do Instituto Nacional da Juventude deve reforçar ainda mais essa credibilidade, na medida em que os jovens empreendedores possam beneficiar-se.
Para já, disse, está dado o primeiro passo, que foi o da aprovação das regras. Vem de seguida a publicação do diploma e o Conselho Nacional da Juventude terá a incumbência de disseminar as informações sobre o fundo, desde o órgão central aos conselhos provinciais.

 

Ref.:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/4_mil_milhoes_para_jovens