Conversa de Waack revela o racismo incorporado no Brasil

Os ataques afetam diretamente os tons mais escuros de pele

Por Edilson Nascimento

A conversa de Willian Waack, jornalista da Rede Globo, revela o que é bem claro no Brasil, o racismo incorporado nas relações sociais. Esse assunto sempre provoca diferentes reações, alguns nem acreditam que exista, embora já se encontre toda uma legislação voltada para o combate a injuria e ofensa racial.

O fato é que o grau de sensibilidade de percepção em relação aos ataques racistas, vai ser diretamente proporcional a tonalidade da cor da pele da pessoa, ou seja, quanto mais escura, consequentemente mais afetada com as insinuações e comentários, que nem sempre são objetivos e escancarados por conta da lei de injuria e ofensa racial.

As brincadeiras, piadas e conversas revelam o quanto ainda precisamos evoluir em relação as relações étnicas no Brasil. A colonização ainda acorrenta, aprisiona almas e espíritos de dominados e dominadores. A estrutura de uma emissora de televisão é um exemplo muito evidente da divisão de poder na sociedade.

Afirmo isso por ter trabalhado 13 anos na afiliada da Rede Globo aqui no Piauí. E, como afropiauiense ter começado nessa empresa bem na base de tudo. Na época uma equipe de externa era formada por 5 trabalhadores, que saiam em um Fiat Uno. Era composta por um motorista, um iluminador, um operador de VT, um cinegrafista e um repórter.

Nessa composição eu era o “menos importante”, o iluminador, estava sempre atrás de tudo, tinha que procurar a tomada, na hora de sair também as vezes atrasava a equipe. Não havia oportunidade para manifestar nenhuma opinião, isso porque no imaginário funcional e estrutural da coisa, “os operadores não pensam”. Essa situação me indignava e eu era tido por alguns como o recalcado, o problemático.

E as pessoas mais claras conversam nos bastidores, falam de seus desejos, de suas experiências, mas aqueles mais escuros ficam apenas espiando, muitas vezes porque as suas vivências são ridicularizadas por aqueles que estão em postos de destaque nas instâncias sociais mais privilegiadas.

O menosprezo acontece também nas brincadeiras, nas piadas. Essa manifestação de Waack é café pequeno diante de tantas injurias e ofensas que já presenciei em relação a condição do afrodescendente que sonha, que almeja algo de diferente na sociedade.

E, particularmente, acredito que as leis judiciais colaboram, mas não resolvem o problema.  O racismo acontece de diferentes formas e nem sempre temos como comprová-lo. A sociedade brasileira precisa evoluir para entender que a colonização é um grande mal e que a espécie humana é única.

Diante de tudo, cabe a ideia de Franz Fanon quando afirma que todos os seres humanos são infelizes, se engana quem pensa que apenas os negros sofrem. Os brancos também oprimem por falta de uma orientação adequada de humanidade. O racismo é um grande mal e precisa ser encarado com maior clareza. Não basta punir, temos de pensar e conversar a respeito de seus males em todos os espaços sociais.

http://www.meionorte.com/blogs/edilsonnascimento/conversa-de-waack-revela-o-racismo-incorporado-no-brasil-325928

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Brasil: jovens estão fora do ensino médio

jovemApesar de ter registrado avanços nos últimos anos, a educação no Brasil ainda apresenta dados insatisfatórios. É o que mostra o relatório Education at a Glance 2017 (Um olhar sobre a educação, em tradução livre), publicado hoje (12) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O documento traz amplo panorama sobre a educação em mais de 45 países. – os 35 da OCDE e vários parceiros (Argentina, Brasil, China, Colômbia, Costa Rica, Índia, Indonésia, Lituânia, Federação Russa, Arábia Saudita e África do Sul).

No Brasil, alguns dados chamam a atenção. Em 2015, mais da metade dos adultos, com idade entre 25 e 64 anos, não tinham acesso ao ensino médio e 17% da população sequer tinham concluído o ensino básico. Os números estão muito abaixo da média dos países da OCDE, que têm 22% de adultos que não chegaram ao ensino médio e 2% que não concluíram o básico.

O relatório, no entanto, mostra um avanço. Entre os adultos de 25 e 34 anos, o percentual de alunos que completou o ensino médio subiu de 53% em 2010 para 64% em 2015.

Considerando que o ensino médio brasileiro tem duração de 3 anos e deveria ser cumprido entre os 15 e os 17 anos de idade, o Brasil também apresenta taxas muito abaixo da média dos outros países analisados no relatório. Apenas 53% dos alunos de 15 anos estão matriculados no ensino médio. Entre os alunos de 16 anos, 67% estão matriculados no ensino médio e, entre os de 17 anos, 55%. Na média dos países da OCDE, pelo menos 90% dos alunos entre 15 e 17 estão no ensino médio.

Dos adolescentes brasileiros que têm acesso ao ensino médio, só a metade conclui os estudos em três anos. Se considerados cinco anos de estudo, com duas reprovações, a taxa sobre para 57%, mas permanece abaixo dos 75% de estudantes que concluem o ensino médio nos países que têm dados disponíveis.

No Brasil, entre os jovens de 18 anos, menos da metade cursa o ensino médio ou superior. A taxa para os países da OCDE é de 75% de alunos de 18 anos, na mesma situação.

Apesar de o Brasil já ter conseguido colocar praticamente todas as crianças de 5 e 6 anos na escola, a participação de crianças menores ainda está abaixo do esperado, segundo o relatório. Apenas 37% das crianças de 2 anos e 60% das de 3 anos estão na educação pré-escolar, dados inferiores aos das médias da OCDE que estão em 39% e 78%, respectivamente.

No Brasil, a Emenda Constitucional 59, de 2009, deu prazo para que até 2016 fosse garantida a matrícula escolar a todos os brasileiros com idade entre 4 e 17 anos. De acordo com a pesquisa, em 2015, 79% das crianças de 4 anos estavam na escola, menos do que 87% da média da OCDE, e abaixo de países como o Chile (86%), México (89%), a Argentina (81%) e Colômbia (81%).

Ensino Superior

Apenas 15% dos estudantes brasileiros entre 25 e 34 anos estão no ensino superior, face a 37% na OCDE, 21% na Argentina e a 22% no Chile e na Colômbia. No entanto, se comparado aos países dos Brics (bloco formado pelo Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil está melhor – a China tem 10%, a Índia, 11%, e a África do Sul, 12%.

No Brasil, 37% das graduações em 2015 eram feitas nas áreas de negócios, administração e direito, índice semelhante ao da maioria dos outros países pesquisados. Em seguida, a preferência dos brasileiros era por pedagogia, com 20% das matrículas – uma das taxas mais altas entre os todos os países. Apenas a Costa Rica e Indonésia têm taxas mais altas de opção por pedagogia (22% e 28%, respectivamente).

Somente 15% dos estudantes brasileiros optavam por cursos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, uma das taxas mais baixas, mas semelhante às de países vizinhos como a Argentina (14%) e a Colômbia (13%). Entre os países da OCDE, o percentual ficou em 23%.

Em relação à desigualdade no acesso ao ensino superior, no Brasil a disparidade entre os estados é a maior observada na pesquisa. Enquanto 35% dos jovens de 25 a 34 anos no Distrito Federal frequentam a universidade, no Maranhão a taxa é cinco vezes menor (7%). Apesar de o relatório reconhecer que o Brasil é um país muito grande e diverso, se comparado a outros grandes como os Estados Unidos e a Rússia, a desigualdade é muito mais dramática (apresentando variações de até cinco vezes nos percentuais, contra menos de três vezes de disparidade em outros países).

Quase 75% dos estudantes brasileiros no ensino superior estão em instituições privadas, contra cerca de 33% da média dos países da OCDE. O relatório alerta que, nesse caso, a falta de mecanismos de financiamento estudantil pode ser um obstáculo.

Apenas 0,5% dos estudantes brasileiros estudam no exterior, percentual muito abaixo dos 6% da média da OCDE. Dos que saem do país, 31% vão para os Estados Unidos; 13% para Portugal; 10% para a França e 10% para a Alemanha.

Diploma Universitário

De maneira geral, considerando o grupo de todos os países pesquisados, os adultos com um diploma universitário obtêm ganhos significativos em seu investimento: têm 10% mais chances de serem empregados e ganharão, em média, 56% mais do que os adultos que só completaram o ensino médio.

“Eles também são os primeiros a se recuperar das recessões econômicas: as taxas de emprego de jovens adultos com um diploma universitário voltaram aos níveis anteriores à crise, enquanto as taxas para aqueles que não completaram o ensino médio ainda estão atrasadas”, diz o relatório.

Os adultos com educação universitária também são menos propensos a sofrer de depressão do que aqueles que não chegaram ao ensino superior. Por isso, os jovens adultos estão cada vez mais dispostos a obter uma educação que aumente suas habilidades, ao invés de entrar no mercado de trabalho diretamente após a conclusão do ensino obrigatório.

Entre 2000 e 2016, o percentual de jovens de 20 a 24 anos que continuaram a estudar aumentou 10%, em comparação com uma diminuição de 9% daqueles que trabalham.

Professores

A falta de salários e o envelhecimento dos professores afetam a profissão, afirma o relatório, que cita a categoria como “a espinha dorsal do sistema educacional”.

“Os salários dos professores são baixos em comparação com outros trabalhadores de tempo integral com educação similar. Esse é um grande obstáculo para atrair jovens para o ensino. Embora os salários aumentem de acordo com o nível de educação prestado, eles ainda estão entre 78% e 94% dos salários dos trabalhadores com formação universitária em tempo integral”, acrescenta o texto.

Programa Juvenil de Capacitação Empresarial em Moçambique

 

FORMACAOFB40 jovens das cidades de Maputo e Matola irão beneficiar de capitação e certificação em matérias de desenvolvimento pessoal e profissional

A cidade de Maputo acolhe, próximo 27 deste mês, a cerimónia de lançamento do Programa Juvenil de Capacitação Empresarial. O acto enquadra-se no programa “O Poder do Empreendedor”, uma iniciativa da Associação Nacional de Jovens Empresários. Trata-se de umfórum que se enquadra no âmbito da implementação do plano programático desta agremiação, cujo objectivo é libertar o espírito empreendedor de jovens moçambicanos, através de um programa competitivo de capacitação e mentoria, focados no início, gestão e crescimento empresarial.

Segundo um comunicado de imprensa dos organizadores, durante 3 messes, 40 jovens das cidades de Maputo e Matola, com idades compreendidas entre 18 e 35 anos, 50% de cada sexo, a priori sem nenhuma experiência profissional, entre outros, irão beneficiar-se de uma capitação e certificação em matérias de desenvolvimento pessoal e profissional.

À margem do lançamento do programa de capacitação em causa, está agendado um debate subordinado ao tema “A Crise Econômica e o Papel da Juventude”, que deverá juntar jovens empresários nacionais de sucesso, na mesma mesa, para dialogar com aspirantes do ramo, sobre a fórmula adequada que a juventude deve usar para contornar com sucesso o actual cenário que o mundo e o nosso país em particular atravessam.

http://opais.sapo.mz/index.php/economia/38-economia/45579-maputo-acolhe-programa-juvenil-de-capacitacao-empresarial.html

Protesto na Guiné Bissau

guine

Cerca de duas dezenas de elementos do Movimento dos Cidadãos Inconformados da Guiné-Bissau realizaram hoje um pequeno protesto em silêncio na Praça dos Heróis Nacionais, em Bissau, onde está localizada a Presidência do país.

“Conseguimos. Queríamos chegar à Praça do Império e conseguimos”, afirmou o presidente do movimento, Sana Canté.

Os jovens reuniram-se, em silêncio, ao final do dia, em frente ao Palácio da Presidência, tendo depois caminhado juntos, de mãos dadas, até fora da praça, terminando o protesto.

No sábado passado, dezenas de pessoas ficaram feridas, entre os quais sete polícias, numa manifestação do Movimento dos Cidadãos Inconformados com a crise política na Guiné-Bissau, depois de os jovens tentarem ultrapassar a barreira policial que os impedia de chegar à Praça dos Heróis Nacionais.

Os jovens dos Inconformados acusam o Presidente, José Mário Vaz, de ser responsável pela crise política que o país atravessa.

Daniel Nascimento solidariza-se com a modelo Lumenni Bombo e predispõe-se a pagar-lhe a prótese  

Daniel Nascimento solidariza-se com a modelo Lumenni Bombo e predispõe-se a pagar-lhe a prótese

Por: Vídia António
O cantor e apresentador de TV, Daniel Nascimento deu um grande exemplo de solidariedade na passada terça-feira, no seu programa, Zap News, em que Lumenni Bombo foi convidada para falar sobre a sua superação após o acidente que lhe causou a perda do antebraço direito. Em conversa, a modelo afirmou que, até ao momento, não colocou uma prótese devido à falta de condições financeiras. Comovido com a situação, Daniel Nascimento predispós-se a pagar a prótese para a modelo.
Emocionada com a ajuda, Lumenni lacrimejou e agradeceu o apresentador pelo gesto de solidariedade e prometeu, em seu nome e da sua mãe, fazer o tratamento de forma a melhorar o seu estilo de vida, pois, apesar das poucas limitações com apenas um braço, sempre foi muito dinâmica e vê o gesto de Daniel Nascimento como uma oportunidade de melhorar e destacar-se ainda mais no mundo da moda.
Durante a entrevista, a modelo disse que está a fazer um curso profissional de jornalismo e falou do seu sonho em trabalhar como apresentadora de TV e, mais uma vez, Daniel Nascimento manifestou a sua vontade de ajudá-la, mas sem dar muitos detalhes, deixando expectativas no ar.