Fome severa agrava «caça» aos albinos

As pessoas portadoras de albinismo correm cada vez mais perigo no Malawi, devido à falta de alimentos e às crenças de que possuem poderes especiais. Mais de 12 milhões de pessoas enfrentam riscos de insegurança alimentar na África Austral
O testemunho recolhido pelo padre Piergiorgio Gamba, missionário monfortino a trabalhar no Malawi, é revelador da situação dramática por que está a passar parte da população, por causa dos efeitos do fenômeno «El Niño»: «Sempre fomos pobres, mas nunca como este ano vivemos tão mal com falta de comida», relatam os populares ouvidos pelo sacerdote.

O Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) estima que mais de 12 milhões de pessoas correm risco de fome na África Austral, devido ao aquecimento global. Além do Malawi, os países mais afetados são Angola, Lesoto, Madagáscar, Moçambique, Suazilândia e Zimbábue.

No Malawi, a grave carência alimentar está a provocar consequências sociais que atingem sobretudo as pessoas portadoras de albinismo. «Se é difícil viver bem a pobreza, a deste ano está a criar situações que nunca tinham acontecido. Por exemplo, a caça aos albinos, porque segundo as crenças de bruxaria, quem possui um pedaço do corpo de um albino se torna imediatamente rico. Houve um caso em que o pai vendeu o seu filho de nove anos por pouco mais de mil euros», contou Gamba à agência Fides.

O missionário lamentou ainda o agravamento de impostos, que não ajuda em nada as pessoas em situação de mais vulnerabilidade: «O governo acentuou a pressão fiscal e as pessoas pagam imposto até dos cadernos usados nas escolas, cadernos que são divididos em dois para durar mais tempo e ser partilhado com os outros estudantes».

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África Austral deve declarar “emergência” devido à seca

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Eleazar Van-Dúnem |
 
 
 
Ian Khama, Presidente do Botswana e líder em exercício da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), anunciou esta semana que a organização precisa de 2,7 mil milhões de dólares para ajudar 23 milhões de pessoas que enfrentam os efeitos da seca resultante do fenómeno “El Ninõ”,
razão pela qual vai declarar “emergência regional” e lançar um apelo internacional.
 
 
A medida, que a ser tomada apenas peca por tardia, vai acontecer depois de o Lesoto, Malawi, Namíbia, Suazilândia e Zimbabwe declararem emergência nacional provocada pela seca, de a África do Sul declarar emergência em oito das suas nove províncias e de Moçambique, todos países pertencentes à Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, emitirem um alerta vermelho institucional de noventa dias em algumas regiões do centro e norte.
 
Se for decretado, o estado de emergência regional também é declarado quase um mês depois de o secretariado executivo da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral anunciar em comunicado que 41,4 milhões de pessoas da região vivem com insegurança alimentar, 21 milhões dos quais precisam de ajuda urgente, e quase 2,7 milhões de crianças sofriam na altura de desnutrição aguda grave, número que, previa o comunicado, podia “aumentar substancialmente”. Os Resultados da Avaliação de Vulnerabilidade apresentados em Junho em Pretória, África do Sul, na 10.ª Reunião de Avaliação de Vulnerabilidade Regional da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, indicam que a África Austral vive a pior seca dos últimos 35 anos e que a África do Sul, Botswana, o Reino da Suazilândia e o Zimbabwe perderam quase meio milhão de cabeças de gado por causa da seca provocada pelo “El ninõ”.
 
 
O Programa Mundial Alimentar (PAM) advertiu no primeiro trimestre deste ano que 14 milhões de pessoas corriam risco de passar fome na região da África Austral devido às más colheitas provocadas pela seca causada pelo fenómeno climático “El Niño”, tendo destacado os casos da Zâmbia, Malawi, Madagáscar e Zimbabwe como “especialmente preocupantes”.
 
Na altura, o Programa Mundial Alimentar referiu em comunicado que os principais afectados eram os proprietários de pequenas culturas, que representam a maior parte da produção agrícola na região, que cerca de três milhões de pessoas enfrentavam a possibilidade de passar fome no Malawi, quase dois milhões no Madagáscar e 1,5 milhões no Zimbabwe podiam ficar sem comida suficiente pela falta de chuva.
 
Segundo o documento, a produção agrícola nestes países diminuiu em 2015 para metade, em relação ao volume colhido um ano antes.
 
Devido ao “El Niño”, o fenômeno meteorológico de maior impacto das últimas três décadas e com efeitos sobre o clima em todo o Mundo, o maior produtor agrícola da África meridional, a África do Sul, viveu no ano passado a pior seca em mais de meio século, e o Madagáscar, o Malawi, Moçambique e a Zâmbia estão entre os países com os números mais elevados de desnutrição crônica.
 
Para combater a severa seca, a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral tem um Plano de Acção Estratégico destinado a reduzir a escassez de água na região e desenvolver nos próximos cinco anos a construção de novas infra-estruturas que permitam o acesso fácil à água.