Africanos estão no Brasil para aprender técnicas de produção de sementes de gramíneas forrageiras

Foto: Laura Souza Pereira

Laura Souza Pereira - Africanos participam de workshop sobre produção de sementes

Africanos participam de workshop sobre produção de sementes

Um grupo de africanos participa, nesta semana, de um workshop sobre produção de sementes de gramíneas forrageiras na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). São 16 representantes de países africanos que estão na delegação. O evento, que vai até sexta-feira (15), foi articulado pela Embrapa em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

O objetivo é identificar potenciais, restrições e limitações à produção de sementes de forrageiras utilizadas no Brasil com possibilidade de uso consorciado em lavouras de algodão em cinco países africanos – Benin, Burkina Faso, Chade, Mali e Togo. O workshop também vai apresentar e discutir alternativas técnicas à produção de sementes dessas gramíneas e elaborar um planejamento inicial para a multiplicação de sementes nesses países.

De acordo com o pesquisador Francisco Dübbern de Souza, que está trabalhando o tema com os visitantes, a intenção é apresentar a experiência brasileira nessa área. “A ideia é que a experiência do Brasil sirva de inspiração para eles solucionarem os problemas com pastagem em seus países”, destacou Souza.

Para Fagaye Sissoko, a expectativa com a formação é que o grupo aprenda e domine a técnica de multiplicação das sementes de gramíneas para não depender mais do Brasil. “As sementes de pastagens sempre partiram do Brasil para os países da África. Agora, é preciso que aprendamos a multiplicar essas sementes. Sabemos dos benefícios dessas plantas para o solo e para a cultura do algodão”, afirmou Sissoko, representante de Mali.

A programação do workshop inclui visitas a campo, laboratórios e experimentos da Embrapa. Os representantes de cada país vão caracterizar as condições locais de cultivo e de uso das sementes de gramíneas forrageiras tropicais em seus países. Na tarde de quinta-feira (14) começa o trabalho em grupo que prevê a definição do planejamento para produção de sementes. O workshop termina sexta-feira (15), às 11h30.

Histórico

O projeto de cooperação técnica internacional “Fortalecimento tecnológico e difusão de boas práticas agrícolas para o algodão nos países do Cotton-4 e Togo” começou em 2009. A iniciativa visa ajudar os cinco países africanos a desenvolver o setor de algodão, aumentando a produtividade, gerando diversidade genética e aprimorando a qualidade do produto cultivado.

Produtores de algodão da África Ocidental perceberam aumento da produtividade quando consorciaram braquiária à cultura original. A Embrapa chegou a enviar sementes da gramínea à África, mas os resultados não foram positivos por falta de conhecimento.

Agricultura em Angola é prioridade do Governo, mas não recebe dotação orçamentária

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Em Angola a agricultura, pecuária, silvicultura e pesca no Produto Interno Bruto (PIB) entre 2001 e 2003 foi de cerca de 8,00 por cento, indicador que aumentou em 2017 para 12 por cento, devido os programas de investimento público. O governo angolano tem anunciado diversos investimentos na agricultura, pesca , nomeadamente na compra de equipamentos, valorização da mulher rural, estabelecendo parcerias com países como Itália, Espanha, Alemanha, Brasil e outros.

Agostinho Neto, após ter proclamado a independência de Angola, em 1975, declarou 1979 como o “Ano da Agricultura”. Participou em campanhas durante os seus quatro “meteoritos” anos de presidência, a ramagem de milho, café e algodão são símbolos que estão no  mais alto da insígnia da nação angolana.

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O indicador do setor agrícola tenha contribuído para uma redução da fome, o impacto foi menor na redução da pobreza”.
A maior parte do crescimento deveu-se a expansão das terras cultivadas e não a um aumento da produtividade. “Mesmo que o setor da agricultura tenha sido identificado como área prioritária na estratégia de redução da pobreza, as dotações orçamentais para o setor continuam baixas. Nos últimos anos, a fatia do Orçamento Geral do Estado (OGE) para a agricultura não chega a um por cento.

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Antes da Independência, Angola era autossuficiente em todos os principais gêneros alimentares, exceto na produção do trigo, e exportava vários produtos agrícolas, em particular o café e açúcar. “A guerra e a falta de investimento tiveram um forte impacto no sector agro-alimentar e, desde 1990, o país depende da importação de alimentos e da ajuda alimentar.
Hoje, apenas dez por cento das terras aráveis de Angola são cultivadas e a produtividade por área cultivada é uma das mais baixas da África Subsaariana.

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No contexto de crise, parece-me existir um desinteresse quase generalizado por parte dos angolanos na produção dos seus próprios alimentos, respeitando algumas excepções que permitem que chegue até à nossa mesa alguma produção local e que haja excedente de alguns tubérculos e banana que, regra geral, deixaram de ser importada, há tempo.

Burkina Faso, Etiópia, Guiné, Malawi, Mali, Níger, Senegal e Zimbabwe têm honrado o compromisso de dedicar 10% do orçamento para agricultura e são a prova de que este tipo de investimentos pode resultar em melhorias na vida dos seus cidadãos. Por exemplo, no Burkina Faso, o crescimento do sector agrícola tem estado acima de 6 por cento ao ano, há já algum tempo, e parece estar no bom caminho para a eliminação dos altos índices de fome e de extrema pobreza.

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De várias partes do Mundo chegam alguns exemplos e, em alguns casos, verifica-se até mesmo algum excesso de zelo. De qualquer forma, alguns exemplos ajudam a uma rápida e melhor reflexão. A Etiópia quer atingir até 2025 o estatuto de país com uma economia de rendimento médio. Para tal, foram feitas sérias apostas na agricultura e hoje o país é um dos maiores produtores do continente em gergelim (semente de sésamo) e criação de gado.bananas-angola-itália.jpg

Robert Mugabe, ex presidente  no Zimbabwe, outrora conhecido como celeiro de África, conduziu uma reforma agrária que resultou na redistribuição sem compensação aos fazendeiros brancos. Muitos estabelecem comparação do processo com o de uma mulher que dá luz a um filho, por via de uma “cesariana”.

Na África do Sul e também na vizinha Namíbia, esse tema continua a ser um assunto crítico. Em um jantar oferecido pelo presidente Mugabe, em Maio de 2017, em Harare, o Presidente Geingob, da Namíbia, referiu que o emotivo e complexo assunto sobre a reforma da terra requer conversação sincera e difícil. A terra deve ser um ativo produtivo, não apenas confinada à redistribuição.

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A agricultura se quer hoje e que agricultura se vai testar para as futuras gerações. Parece  sensato o investimento e apoio a agricultura  famíliar, para que possam apostar em atividades que garantam maior sustentabilidade.

Rússia corre contra o tempo e negócios perdidos na África

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Na esteira de velhos laços soviéticos, ministro russo do Exterior faz um tour pelo continente africano. Moscou está de olho sobretudo na expansão de relações comerciais. E em matérias-primas.A primeira viagem do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, à África começou no início da semana em Angola. Nesta quinta-feira (08/03), o diplomata visitou o Zimbábue, e o roteiro do ministro pelo continente também inclui Namíbia, Moçambique e Etiópia.

Serguei Lavrov, e joão lçourenço

Depois de conversar na segunda-feira com o presidente de Angola, João Lourenço, e seu colega de pasta angolano, Manuel Domingos Augusto, Lavrov enfatizou em coletiva de imprensa a longa relação entre os dois países. O ministro russo disse esperar que os laços se tornem ainda mais estreitos – em áreas como educação, energia e cooperação militar.

 

“Nós acreditamos que os problemas africanos precisam de soluções africanas”, disse o diplomata russo na capital angolana. “A comunidade internacional deve respeitar a decisão dos africanos sobre como se deve pôr fim a um conflito e proporcionar-lhes apoio moral, político e financeiro para o treinamento de pessoal de missões de paz. A Rússia tem participado ativamente desse esforço”, acrescentou.

Assim, Lavrov deu o tom de sua viagem. Trata-se de um retorno da Rússia ao continente africano, afirma Evgeny Korendyasov, ex-embaixador soviético em Burkina Faso e ex-representante russo no Mali. Hoje, ele dirige o Centro de Pesquisa das Relações Russo-Africanas na Academia de Ciências de Moscou.

“A importância política e econômica da África vem aumentando”, diz Korendyasov, apontando que diante de mudanças no equilíbrio global de forças surge uma disputa por novos parceiros no continente.Sergei Lavrov

“Sem a África não é possível encontrar uma resposta para os problemas urgentes do novo século, como as mudanças climáticas, o terrorismo e a criminalidade transnacional”, afirma.

Caminhos conhecidos

Em particular, a Rússia está interessada na expansão das relações comerciais e econômicas com a África. Nesse contexto, os recursos naturais desempenham um papel importante.

A Rússia não consegue suprir a própria demanda por matérias-primas com o que produz, aponta Korendyasov, sendo que o manganês, por exemplo, precisa ser completamente importado, assim como 80% do cromo. Os russos também não conseguem atender à sua demanda de urânio com as próprias reservas.

Portanto, não é coincidência que Lavrov esteja justamente visitando quatro países africanos ricos em matérias-primas. A Namíbia, por exemplo, está a caminho de se tornar o terceiro maior produtor de urânio do mundo. Em Moçambique, a petrolífera russa Rosneft pretende participar da exploração de petróleo offshore.

Mas a escolha dos países também segue outro padrão: Lavrov persegue caminhos conhecidos. Durante a Guerra Fria, Moscou foi um importante parceiro de muitos jovens Estados africanos. A União Soviética apoiou muitos movimentos de independência. Entre eles, a Organização dos Povos da África do Sudoeste (Swapo) na Namíbia, que é hoje o partido governista.

 

https://www.terra.com.br/noticias/o-que-a-russia-quer-na-africa,8b76d2c0fdd654d3ad780453849df542ytabn379.html

Quênia adota medida de proteção ambiental proibindo a produção e importação de sacos plásticos

A proibição de fabrico e a importação de sacos plásticos entrou em vigor no Quénia, que pune infrações à nova lei com multas de até 38 mil dólares (31,8 mil euros).

Guiné-Bissau, Camarões, Mali, Tanzânia, Uganda, Etiópia e Malawi figuram entre os países que adotaram ou anunciaram uma interdição idêntica.

Aproximadamente 100 milhões de sacos plásticos são distribuídos apenas pelos supermercados no Quénia, segundo o Programa Ambiental das Nações Unidas.

O governo queniano diz que os sacos prejudicam o ambiente, dado que não se decompõem, bloqueando os esgotos.

União Africana procede a troca de pastas

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Addis-Abeba – A nova direcção da União Africana (UA), eleita em Janeiro deste ano (2017), recebeu segunda-feira o testemunho do elenco cessante, para início de funções, acto que teve lugar na sede do organismo continental, em Addis-Abeba, capital da Etiópia.

LOGOTIPO DA UNIÃO AFRICANA

Tomou parte da cerimônia a nova comissária da UA para a Economia Rural e Agricultura, a angolana Josefa Sacko, que recebeu, na ocasião, o seu Passaporte Diplomático da União Africana, à semelhança dos outros membros da Comissão Africana, ora liderada pelo tchadiano, Moussa Faki Mahamat.

O passaporte continental, lançado na cimeira realizada em Kigali, no Rwanda, em Julho de 2016, visa possibilitar a livre circulação de pessoas e bens.

A entrega de poderes foi presenciada pelo presidente da Etiópia, Mulato Teshome, ladeado pelos estadistas do Uganda, Yoweri Museveni, e do Níger, Mahamadou Issoufou, tendo igualmente o novo presidente em exercício da UA, e Chefe de Estado da República da Guiné, Alpha Condé, entregue certificados à Comissão cessante, encabeçada pela sul-africana, Nkosana Dlamini Zuma.

Esta, no seu discurso, agradeceu a todos que colaboraram para o seu mandato à frente da Comissão Africana, nomeadamente o seu “staff”, e desejou felicidade e bom trabalho ao seu sucessor.

Por seu turno, Moussa Faki Mahamat elogiou “os esforços incansáveis” envidados pela sul-africana, relativamente ao financiamento da UA, e caracterizou o exercício de Zuma como um importante marco em prol da mulher na arena da prosperidade e futuro dos povos africanos.

Para o seu mandato destacou a necessidade de solidificação dos procedimentos e melhoria da eficiência e eficácia de forma a que a Comissão Africana seja um instrumento capaz de traduzir, na prática, a visão dos dirigentes e as aspirações dos africanos.

Quanto a parcerias, Moussa Faki Mahamat sublinhou a sua vontade firme de trabalhar com todos os parceiros, acrescentando que as Nações Unidas terão sempre um lugar cimeiro nessas parcerias, na base do respeito e solidariedade, sendo também reservado à União Europeia um espaço privilegiado.

Por outro lado, asseverou que a preguiça, a falta de motivação e o laxismo não terão lugar no seio da comissão e apelou para à necessidade de aplicação de uma política de tolerância zero a actos que possam denegrir a imagem do continente e hipotecar a confiança depositada pelos africanos.

Já o novo presidente em exercício da UA, e Chefe de Estado da República da Guiné, Alpha Condé, qualificou como histórica a passagem de testemunho entre duas equipas que comungam a preocupação de promover ideais, princípios e objectivos da organização.

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Referiu que Dlamini Zuma, a primeira mulher à frente da UA, deu uma contribuição notável para os esforços de transformação estruturante da União Africana, para a sua posição na arena internacional, assim como nas políticas de paridade homem/mulher.

Realçou ser imperioso à nova comissão um trabalho em equipa, mediante uma cooperação harmoniosa entre os vários órgãos, para dar um novo ímpeto à dinâmica do relançamento da  União Africana. A racionalização das metodologias de trabalho, o respeito pelos regulamentos internos da comissão devem estar sempre patentes, acrescentou.

Alpha Condé reiterou que África deverá ser artífice do seu próprio destino, que os problemas africanos possam ser resolvidos pelos próprios africanos.

“Se os chefes de Estado assumirem a sua responsabilidade ao nível dos nossos países, nenhum órgão estrangeiro poderá ajudar-nos melhor do que nós próprios. É por isso que a UA deverá encontrar uma forma para a solução no Sul do Sudão, no Darfur, na luta contra o terrorismo no Mali, Níger, Nigéria (…) bem como a ajuda que deverá ser dada aos nossos países irmãos como o Congo Kinshasa, República Centro-Africana”, declarou.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2017/2/11/Etiopia-Uniao-Africana-procede-troca-pastas,29b9f486-9e67-46b1-80a5-db40787d2e51.html