Moçambique anuncia fim da mediação internacional nas negociações de paz com a Renamo

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou hoje o encerramento da fase que envolve a mediação internacional nas negociações de paz, considerando que os mediadores serão solicitados para as conversações entre o Governo e a Renamo caso se considere necessário.
Filipe Nyusi, presidente de Moçambique

MaputoMaputo – O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou hoje o encerramento da fase que envolve a mediação internacional nas negociações de paz, considerando que os mediadores serão solicitados para as conversações entre o Governo e a Renamo caso se considere necessário.

“Hoje, esta fase do processo de diálogo [que envolve a mediação internacional] pode ser considerada encerrada”, declarou o chefe de Estado moçambicano, durante as cerimónias centrais do Dia dos Heróis em Maputo, que hoje se assinala, informa a agência Lusa.

Expressando a sua “profunda gratidão” pelo trabalho e entrega do grupo, Filipe Nyusi disse que os mediadores internacionais nas negociações paz em Moçambique prestaram uma “valiosa contribuição” nas conversações entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição.

“O povo moçambicano está verdadeiramente agradecido e aprecia os esforços dos mediadores para a aproximação de posições entre o Governo e a Renamo”, acrescentou o chefe de Estado, dando conta de que foram endereçadas cartas de agradecimento a toda a equipa de mediação pelo apoio prestado.

Manifestando-se otimista com as conversas que vem mantendo com o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, Filipe Nyusi avançou que as partes decidiram criar dois grupos diferentes compostos por especialistas para tratar dos “assuntos militares” e da descentralização, exigida pelo maior partido da oposição em Moçambique.

“Apelamos a todas forças vivas da sociedade para acarinharem estas ações”, referiu o chefe de Estado, observando que a paz é a “vontade suprema dos moçambicanos”.

Moçambique atravessa uma crise política que opõe o Governo e a principal força de oposição e o centro do país tem sido assolado por conflitos militares entre as Forças Defesa e Segurança e o braço armado Renamo, que reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder há mais de 40 anos, de fraude no escrutínio.

Os trabalhos da comissão mista nas conversações do Governo e da Renamo, orientada pela equipa de medição internacional, pararam em meados de dezembro sem acordo sobre o pacote de descentralização, um dos temas essenciais das negociações de paz, após meses de reuniões.

Na altura, o coordenador da equipa de mediação, Mario Raffaeli, indicado pela UE, disse que os mediadores só regressarão a Maputo se forem convocados pelas partes.

Além do pacote de descentralização e da cessação dos confrontos, a agenda do processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança e o desarmamento do braço armado da oposição, bem como sua reintegração na vida civil.

Os mediadores internacionais foram selecionados pelas duas partes, tendo a Renamo apontado um grupo de representantes indicados pela União Europeia, Igreja Católica e África do Sul, enquanto o Governo nomeou o ex-Presidente do Botsuana Quett Masire, pela Fundação Global Leadership (do ex-secretário de Estado norte-americano para os Assuntos Africanos Chester Crocker), a Fundação Faith, liderada pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, e o antigo Presidente da Tanzânia Jakaya Kikwete.

Em finais de dezembro, após conversas telefônicas com o Presidente moçambicano, o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, declarou uma trégua de uma semana como “gesto de boa vontade”, tendo, posteriormente, prolongando o seu prazo para 60 dias.

http://www.portugaldigital.com.br/lusofonia/ver/20108830-mocambique-anuncia-fim-da-mediacao-internacional-nas-negociacoes-de-paz-com-a-renamo

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Presidente da Gambia está isolado internacionalmente

Eleazar Van-Dúnem |

Fotografia: Martial Trezzini | Pool/ AFP

A crise política na Gâmbia, que desde terça-feira está em Estado de Sítio por decreto de Yahya Jammeh, cujo mandato legítimo terminou hoje, é até agora o maior teste para a política de prevenção de conflitos que o novo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e a União Africana querem privilegiar.

 

Perante o Conselho de Segurança , António Guterres disse recentemente que a organização gasta muito tempo e recursos na resposta às crises, sublinhando que as pessoas pagam um preço alto demais e defendendo “uma nova abordagem” baseada na mediação de conflitos e na “diplomacia pela paz” e mais empenho “para prevenir a guerra e apoiar a paz ao invés de nos concentrarmos em responder aos conflitos”.
O mundo espera de António Guterres um papel mais activo na tentativa de resolução dos problemas internacionais e acredita, como afirmou recentemente o Presidente angolano José Eduardo dos Santos, que o novo Secretário-Geral da ONU vai dar um “notável impulso a uma nova abordagem dos problemas internacionais”.
O conflito na Gâmbia, por conseguinte, é a oportunidade para António Guterres demonstrar uma diplomacia preventiva mais actuante que busque soluções efectivas para os conflitos actuais e evite novos conflitos, rompendo deste modo com o consulado de Ban Ki-moon, muito criticado pela sua inacção.
Para a União Africana, é uma oportunidade para que possa adoptar um novo paradigma e enviar uma clara mensagem aos líderes africanos sedentos de poder, a de que já não vai permitir que líderes depostos pela vontade do povo manifestada nas urnas governem à revelia da soberania popular. A crise na Gâmbia ainda não resvalou para uma guerra civil, mas o evoluir da situação caminha para tal, a menos que a ONU e a União Africana invertam o percurso.
A organização mundial e a entidade regional, que defendem o mesmo “modus operandis” e cooperam em matéria de paz e segurança, também serão marcados, pela positiva ou pela negativa, sobretudo o mandato de António Guterres e a actuação da União Africana.

Mediação de Marrocos

A France Press noticiou, citando um site de informação marroquino, que Marrocos promove “uma mediação discreta” na Gâmbia para convencer Yahya Jammeh a abandonar o poder. De acordo com a fonte, que cita “meios diplomáticos concordantes”, o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Nasser Bourita, e Yassine Mansouri, chefe dos serviços de inteligência externa, “cumprem há alguns dias” uma “missão delicada em Banjul” para o agora Presidente ilegítimo “ceder o poder e aceitar a derrota nas eleições com a eventualidade de uma retirada dourada em Marrocos”.
Solicitado pela France Press para confirmar essas informações, o Governo marroquino recusou-se a comentar. Rabat mantém boas relações com a Gâmbia.

Intervenção militar

Vários meios de comunicação sociais noticiaram esta semana, citando fontes do Governo e do Exército nigeriano, que a Comunidade Económica de Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO) prepara uma intervenção militar na Gâmbia, caso Yahya Jammeh continue a recusar abandonar o poder.
Entre os países implicados na acção destacam-se a Nigéria e o Senegal, que têm uma força conjunta para desdobrar em território gambiano. “Tomou-se a decisão de não permitir que o Presidente cessante da Gâmbia permaneça no poder e isso vai ocorrer através de uma intervenção militar, a menos que Yahya Jammeh renuncie”, disse uma fonte militar citada pela Prensa Latina.
“Vamos mobilizar-nos muito rápido para Dacar, no Senegal”, disse outra fonte, citada pela France Press, que mencionou o envio de “pilotos, técnicos e pessoal de manutenção dos aviões” relacionado “com os acontecimentos em curso na Gâmbia”. Especialistas militares convergem na ideia de que as Forças Armadas gambianas “não têm capacidade de enfrentar uma eventual força regional” se avançar a intervenção militar.

Yahya Jammeh isolado   

No plano interno, o Presidente cessante está cada vez mais isolado. Quatro novos ministros deixaram o Governo já assolado por uma série de demissões, noticiou na terça-feira a agência de notícias France Press citando fonte próxima do poder.
Os últimos ministros a demitir-se são o dos Negócios Estrangeiros, Neneh Macdoual-Gaye, das Finanças, Abdou Colley, do Comércio, Abdou Jobe e do Turismo, Benjamin Roberts, disse uma fonte próxima do governo cessante, que pediu anonimato.
Benjamin Roberts foi nomeado na segunda-feira para as Finanças, em substituição de Abdou Colley, mas permaneceu menos de 24 horas no cargo. Os ministros da Informação e dos Desportos tinham sido substituídos na semana passada.
Mudanças também ocorreram no Exército, onde oficiais que se recusam a apoiar Yahya Jammeh contra o Presidente eleito Adama Barrow, como solicitado pelos comandantes da Guarda republicana, que garante a protecção do agora Chefe de Estado ilegítimo, foram detidos domingo, segundo fontes dos serviços de segurança e da oposição.
Esta última reclama pela libertação imediata dos militares detidos.
Yahya Jammeh decretou o estado de emergência na terça-feira, justificando a medida com “um nível de ingerência estrangeira excepcional e sem precedentes” no processo eleitoral do país – em pronunciamento transmitido pela televisão e no qual lamentou “a atmosfera hostil injustificada que ameaça a soberania, a paz e a estabilidade”.
O agora Presidente ilegítimo diz querer permanecer no cargo até que a Justiça se pronuncie sobre o recurso apresentado por si.
A Constituição da Gâmbia estabelece que o estado de emergência dura sete dias a partir do decreto, mas pode ser prorrogado por até 90 dias com a aprovação do Parlamento, que já deu sinal verde para tal.
O estado de emergência, refere, vigora até o Tribunal Supremo se pronunciar em relação a uma reivindicação do partido de Yahya Jammeh sobre alegadas irregularidades na votação.
O Tribunal Supremo devia ter decidido o caso no dia 10, mas adiou a decisão para Maio, por alegada falta de juízes para uma deliberação

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/jammeh_sem_legitimidade_pode_ser_obrigado_a_sair

Papa Francisco aceita convite de líderes religiosos do Sudão do Sul para visitar país

 
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CIDADE DO VATICANO (Reuters) – O papa Francisco aceitou um convite para visitar o Sudão do Sul e pregar a paz no país assolado por lutas étnicas e políticas, disseram líderes religiosos depois de conversarem com o pontífice nesta quinta-feira.
“Ele aceitou o convite e disse que em princípio realmente quer ir”, disse o reverendo Peter Gai Lual Marrow, da Igreja Presbiteriana do Sudão do Sul.
 
Marrow, Paulino Lukudu Loro, arcebispo católico da capital do Sudão do Sul, Juba, e o arcebispo episcopal Daniel Deng Bul Yak tiveram conversas com o papa, que havia lhes pedido que fossem ao Vaticano discutir a situação em sua terra.
 
O Sudão do Sul, país produtor de petróleo que se tornou independente em 2011, mergulhou em uma guerra civil em dezembro de 2013, quando uma disputa entre o presidente, Salva Kiir, e seu vice demitido, Riek Machar, degenerou em combates, muitas vezes envolvendo grupos étnicos. Os dois lados vitimaram civis, dizem grupos de direitos humanos.
Um pacto de paz de 2015 aparentemente encerrou a luta, mas foi violado com frequência, e grandes confrontos voltaram a irromper em julho.
 
O papa também precisaria de um convite do governo para realizar a visita. A maioria dos sul-sudaneses seguem crenças cristãs ou animistas tradicionais.
Nesta semana, o alto comissário de Direitos Humanos das Nações Unidas alertou que o Sudão do Sul está testemunhando um crescimento no discurso de ódio e de incitação à violência contra certos grupos étnicos, o que pode resultar em atrocidades em massa se o governo não agir.
(Por Philip Pullella)
 

Dirigentes da Guiné-Bissau chegam a acordo para nomear primeiro-ministro e governo de consenso

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Dirigentes políticos da Guiné-Bissau concordaram hoje em nomear um primeiro-ministro de consenso, a definir, para liderar um novo governo até final da legislatura (2018), disse fonte diplomática à Lusa.

O entendimento encabeça a lista de dez pontos de um documento intitulado “Acordos de Conacri”, a que a Lusa teve acesso, subscrito por dirigentes políticos de Bissau durante um encontro iniciado na terça-feira na capital vizinha.

A reunião foi promovida pelo Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, na qualidade de mediador da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para tentar resolver a crise política na Guiné-Bissau.

O documento hoje subscrito, redigido em francês, prevê no primeiro ponto a “escolha consensual”, sem prazo definido, de “um primeiro-ministro que tenha a confiança do Presidente da República” e que “deve ficar em funções até às eleições legislativas de 2018”.

O segundo ponto detalha que a formação do novo “governo inclusivo” deverá ser feita de acordo com um “organigrama negociado de forma consensual com todos os partidos políticos representados no parlamento, seguindo o princípio da representação proporcional”.

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) tem maioria absoluta com 57 lugares, o Partido da Renovação Social (PRS) ocupa 41, o Partido da Convergência Democrática (PCD) tem dois eleitos, o Partido da Nova Democracia (PND) tem um deputado, tal como a União para a Mudança (UM).

Em janeiro, um grupo de 15 deputados do PAIGC virou costas ao partido e juntou-se à oposição (PRS) constituindo numa nova maioria que formou o atual governo, empossado pelo Presidente da República.

No entanto, este Executivo não conseguiu fazer funcionar o parlamento para aprovar o seu programa, nem o orçamento de Estado para 2016, levando ao atual bloqueio.

O documento subscrito hoje em Conacri prevê que aqueles “15 deputados sejam reintegrados no PAIGC, sem condições, mas em conformidade com as regras em vigor no partido”.

Noutros dois pontos acordados hoje em Conacri é sublinhada “a possibilidade de se nomearem para o governo inclusivo personalidades independentes e membros da sociedade civil” – sendo que o programa do executivo vai resultar de “uma mesa redonda de diálogo nacional a realizar nos 30 dias seguintes à nomeação do primeiro-ministro”.

Esta mesa redonda deverá dar origem a um “pacto de estabilidade assinado pelas principais forças políticas e sociais”, contendo seis princípios.

Terá que haver prestação de contas e transparência na tomada de decisões institucionais, reformar a Constituição para permitir que haja “relações estáveis entre os poderes executivo, legislativo e judiciário”, bem como, reformar a lei eleitoral, “tendo em vista a organização de eleições locais e legislativas em 2018”.

Ao mesmo tempo, deve haver uma nova lei sobre os partidos políticos, que preveja o respetivo financiamento em proporção ao seu peso no parlamento, têm de avançar as reformas dos setores da Defesa, Segurança e Justiça e arrancar um plano de desenvolvimento, semelhante ao que foi apoiado por doadores internacionais em 2014 (intitulado “Terra Ranka”).

Os restantes pontos dos “Acordos de Conacri” estabelecem mecanismos de seguimento do entendimento a que hoje se chegou, bem como de envolvimento e apoio dos parceiros internacionais para cumprimento do pacto de estabilidade – no caso, da CEDEAO, ONU, União Africana (UA), Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e União Europeia (UE).

Assinam o documento, o presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá, o ministro de Estado e da Presidência do Conselho de Ministros, Aristides Ocante da Silva, o presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, e ainda Florentino Pereira, secretário-geral do PRS.

Subscrevem-no igualmente Braima Camara, em representação dos 15 deputados dissidentes do PAIGC, bem como os representantes dos partidos com menor representação parlamentar: Vicente Fernandes, presidente do PCD, Malam Djaura, representante do PND e Agnelo Regalla, presidente da UM.

Para além dos dirigentes guineenses implicados no acordo, rubricam-no ainda o presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, o presidente da Comissão da CEDEAO, Marcel Souza, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Serra Leoa, Samura Kamara, bem como o secretário de Estado das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto.

O acordo conta ainda com as rubricas de Anna Faye, embaixadora do Senegal na Guiné-Conacri, de Modibo Touré, representante da ONU em Bissau, e de Ovídio Pequeno, representante da UA em Bissau.

http://www.rtp.pt/noticias/mundo/dirigentes-da-guine-bissau-chegam-a-acordo-para-nomear-primeiro-ministro-e-governo-de-consenso_n954266

Guiné-Bissau: África Ocidental pede acordo urgente para acabar com crise politica no país

Bissau – Os países da África Ocidental solicitaram nesta quinta-feira, aos dirigentes da Guiné-Bissau, para que se entendam com urgência e acabem com a crise política no país, lê-se num comunicado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), noticou a Lusa.

LOGOTIPO DA CEDEAO

“A CEDEAO apela a todas as partes envolvidas na discussão em curso a aproveitar esta ocasião para pôr termo ao bloqueio institucional que afeta o país, atendendo aos superiores interesses dos cidadãos” e pede um acordo “urgente”, refere-se no documento.

Sublinha o documento que a comunidade reitera a necessidade urgente de se chegar a um acordo durável para garantir a estabilidade da Guiné-Bissau.

O presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, na qualidade de mediador da CEDEAO, está a acolher na sua capital, desde terça-feira, uma mesa redonda de negociações com os dirigentes de Bissau – encontro ainda sem fim à vista, disse fonte no local à Lusa.

A reunião surge depois de Condé e Ernest Koroma, presidente de Serra Leoa, terem conseguido em Setembro, numa visita a Bissau, que os dois principais partidos (PAIGC e PRS), o actual primeiro-ministro e o presidente do parlamento assinassem um compromisso de seis pontos.

O primeiro deles prevê a formação de um governo de inclusão, que consiga ver aprovado no parlamento o seu programa e um orçamento de Estado, e assim desbloquear o país e garantir estabilidade até ao fim da legislatura (2018).

Os outros cinco pontos preveem que uma reforma da Constituição, da lei da administração territorial, da lei eleitoral e dos partidos, que haja fortalecimento do sistema de justiça e que avancem as reformas nos sectores da defesa e da segurança.

“A CEDEAO reafirma o seu apoio à colocação em marcha do roteiro de seis pontos que deverá levar o país a seguir o caminho da coesão social e da erradicação progressiva da pobreza”, conclui-se no comunicado.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/9/41/Guine-Bissau-Africa-Ocidental-pede-acordo-urgente-para-acabar-com-crise-politica-pais,5e0e6d9b-80f9-4d6d-a856-aae649013b6d.html

Moçambique rende última homenagem a Jeremias Pondeca


Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, deposita coroa de flores no velório de Jeremias Pondeca

Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, deposita coroa de flores no velório de Jeremias Pondeca

Moçambique rendeu hoje a última homenagem ao Conselheiro de Estado, Jeremias Pondeca, assassinado no passao sábado, 8, por desconhecidos em Maputo.

A homenagem teve lugar durante o velório de corpo presente que, para além de familiares, amigos e colegas do partido, juntou representantes de todos os órgãos de soberania, incluindo o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o seu antecessor, Armando Guebuza.

Com um discurso emotivo e de consternação, a família do malogrado vincou durante o elogio fúnebre, a certeza de que Jeremias Pondeca foi vítima de violência política.

“Não podemos pensar diferente, sob o risco de te custar a vida”, disse um dos filhos do malogrado, deixando uma outra certeza: “Os que te assassinaram vingar-se-ão entre eles”.

Filipe Nyusi, depositou uma coroa de flores, não deixou nenhuma mensagem nem fez qualquer declaração à imprensa, mas o Conselho de Estado, órgão de que é presidente, deixou uma mensagem onde diz basta de violência no país.

“Nenhuma morte violenta deve ser incessível a nós moçambicanos, muito menos quando acontece em nosso solo pátrio. Contra a violência devemos todos erguermos a voz e dizer basta” disse Amade Miquidade, secretário do Conselho de Estado.

Mario Raffaelli, que representou os mediadores do diálogo político para o restabelecimento da paz no país, considera que o assassinato de Pondera, que era membro da equipa que negoceia a paz, deve servir de catalisador para o fim da violência.

“A melhor maneira de reagir ao que aconteceu é multiplicar os esforços para acabar com todos os tipos de violência e para atingir a paz”, disse Raffaelli.

A Renamo, partido de que era membro, prometeu, perante o corpo inerte de Pondeca, que os ideais pelos quais lutou, em vida, vão ser continuados.

Os restos mortais de Jeremias Pondeca serão enterrados na quinta-feira, 13, no Posto Administrativo de Chidenguele, província de Gaza.

http://www.voaportugues.com/a/mocambique-rende-homenagem-jeremias-pondeca/3547812.html

Graça Machel pede o “impensável”

«Coragem para fazer o impensável». Eis o pedido da ativista Graça Machel às lideranças políticas moçambicanas para alcançar uma paz duradoura no país. Alguém a escutará?

Moçambique precisa de reinventar os seus modelos

A ATIVISTA MOÇAMBICANA GRAÇA MACHEL acusou o anterior Presidente Armando Guebuza de ser o principal responsável pelo conflito político-militar que opõe o Governo ao partido Renamo, por se ter afastado da postura dialogante do seu antecessor, Joaquim Chissano. «Se nós tivéssemos persistido nos princípios e na maneira dialogante que caracterizou a liderança do Presidente Chissano provavelmente não teríamos este atual conflito», afirmou Graça Machel, falando a 14 de setembro durante um seminário organizado pelo Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI), em Maputo.

Depois de sublinhar que a governação de Guebuza, que sucedeu a Chissano em 2005, foi marcada, supostamente, por uma postura «pouco tolerante e fechada», Graça Machel afirmou: «O problema está aí e agora a ‘batata quente’ passou para as mãos de alguém que é quase da vossa geração [Filipe Nyusi, atual Presidente moçambicano]».

Para ela, a crise política em Moçambique só pode ser ultrapassada quando as lideranças políticas ganharem «coragem de fazer o impensável». Assim, acrescentou, Moçambique precisa de reinventar os seus próprios modelos, respeitando a dinâmica e as exigências de novos tempos, dentro de clima de tolerância e transparência para garantir o futuro dos moçambicanos. «Precisamos de sonhos comuns», afirmou.

LEONARDO NHASSONGE

http://www.africa21online.com/artigo.php?a=21929&e=Pol%C3%ADtica&click=yes

Acordo tripartido África do Sul, RDC e Angola

 

Fotografia: Eduardo Pedro

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, participa hoje, em Kinshasa, numa reunião da Troika do Órgão de Defesa e Segurança da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

 

A reunião deve analisar os últimos desenvolvimentos no quadro político da República Democrática do Congo, que foi recentemente palco de confrontos entre manifestantes que contestam o que consideram falta de vontade do Presidente Joseph Kabila de realizar eleições presidenciais.
A situação está sob controlo e segundo recentes relatos a partir da capital da RDC já não existem focos de violência como os que se verificaram nas ruas de Kinshasa em finais de Setembro, situação que motivou a decisão da diplomacia angolana de transferir os familiares dos diplomatas para Brazzaville.
Recentemente, a ministra das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, em declarações à imprensa, em Luanda, disse que o seu país, tal como Angola, têm interesse na estabilidade da RDC. Maite Mashabana lembrou, na ocasião, que existe um acordo tripartido  África do Sul, RDC e Angola de cooperação política, económica e de segurança, que foi assinado em Luanda, em 2013, que reforça o interesse em acompanhar de forma atenta os desenvolvimentos recentes na RDC. “Procuramos formas de cooperar no que for possível de modo a dar suporte às iniciativas de diálogo interno, que estão a ser encaminhadas pela União Africana, através do seu Enviado Especial, o togolês Edem Kodjo.”
Os resultados da reunião de hoje, os membros da Troika do Órgão de Defesa e Segurança da SADC serão levados para a próxima Cimeira extraordinária da Região dos Grandes Lagos, marcada para o próximo dia 27, na capital angolana. O ministro Georges Chikoti disse que a Cimeira já tinha sido convocada, mas adquiriu carácter de urgência face à necessidade de se analisar de forma profunda e abrangente os últimos acontecimentos na RDC.
Iniciativa conjunta da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL), Nações Unidas e União Africana, a Cimeira deve  ser antecedida de uma reunião de peritos dessas entidades, no dia 24. “A região torna-se um pouco instável e as responsabilidades de Angola, como presidente em exercício da CIRGL, são muitas”, disse o ministro das Relações Exteriores.
Segundo Georges Chikoti, além dos desenvolvimentos políticos na República Democrática do Congo, a Cimeira deverá também discutir a situação no Burundi, no Sudão do Sul e na República Centro Africana (RCA), que “continuam a preocupar a região e o continente africano em geral”.
A Troika do Órgão de Defesa e Segurança da SADC é uma instância da organização cujo papel principal é a busca de soluções para os conflitos e crises nos países da região. A Tanzânia detém actualmente a presidência do órgão.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/troika_reunida_em_kinshasa

Guiné Bissau negocia acordo para governo de inclusão

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Foi ontem rubricado um acordo entre o PAIGC, os seus 15 deputados dissidentes e o PRS para formação de um governo de inclusão e consenso na Guiné-Bissau.
 
Depois de uma longa maratona de conversações com as partes desavindas no espectro político guineense, os dois chefes de Estado da sub-região, la conseguiram que se assinasse um documento que se espera venha a colocar um ponto final da crise e impasse político que a Guiné-Bissau conhece já la vai mais de um ano.
 
O documento, assinado pelos partidos com representação parlamentar: PAIGC, PRS, União para Mudança, PND e PCD bem como o grupo dos 15 deputados dissidentes do PAIGC, visa essencialmente a formação de um novo Governo, um governo inclusivo e de consenso entre as partes.
 
É justamente esse consenso que se vai procurar a partir de terça-feira, numa serie de conversações para a escolha da figura que irá liderar o Governo e o formato do mesmo.
 
Os chefes de Estado da CEDEAO que visitaram Bissau deixaram essa tarefa sob a responsabilidade do novo presidente da comissão da organização, o beninense Alain Marcel de Souza que se vai manter na Guiné-Bissau até que haja esse entendimento.
 
 
Nos bastidores da política e círculos diplomáticos em Bissau, a grande questão é agora saber que figura de consenso é essa e se será um elemento indicado ou não pelo PAIGC, na qualidade de partido vencedor das últimas eleições legislativas.
 
O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, já avisou que qualquer engenheira de Governo terá que ter em conta esse pormenor caso contrário o seu partido teria muita dificuldade em aceitar qualquer acordo.