As guerras em áreas de proteção ambiental na África levam a extinção de animais selvagens

Lisboa – A guerra tem sido durante décadas um fator consistente no declínio de grandes mamíferos nas áreas protegidas em África, mas a extinção raramente aconteceu e a recuperação é possível, segundo um estudo publicado quarta-feira na revista Nature.

GUERRA CAUSA DECLÍNIO DE GRANDES MAMÍFEROS NAS ÁREAS PROTEGIDAS EM ÁFRICA

De acordo com o estudo, mais de 70% das áreas protegidas de África foram afetadas pela guerra entre 1946 e 2010, quando às guerras pelas independências se sucederam muitas vezes lutas de poder pós-coloniais.

O trabalho, de Joshua Daskin e Robert Pringle, especialistas em ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Princeton, Estados Unidos, surgiu no seguimento de uma visita que os dois fizeram ao Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, em 2012.urema_lake

Gorongosa era nos anos 1970 considerado dos mais belos parques naturais de África, com uma densa vida selvagem, mas a guerra civil levou ao extermínio de mais de 90% dos animais.waterfall3_0

Desde 2004 que o Parque está a recuperar, graças a uma parceria entre o Governo de Moçambique e o norte-americano Greg Carr, através da Fundação Carr/Gorongosa Restoration Project. img_0623_0

Na visita à Gorongosa os dois questionaram-se se os animais teriam em outros locais a mesma capacidade de repovoamento ou se a guerra seria uma pressão humana que a maioria dos animais não conseguiria suportar.img_0954_1

Após anos a examinar os conflitos em áreas protegidas de África os dois investigadores concluíram que a guerra leva ao declínio dos mamíferos, e que a populações estáveis em áreas tranquilas bastava apenas um pequeno aumento do conflito para entrarem em espiral recessiva. jstretz_gorongoza-8805_0

Mas concluíram também que essas populações da vida selvagem raramente tiveram um colapso de forma irreversível.l_gorongosa_park_and_mountain-c_jeffrey_barbee_3

O estudo, apoiado pela Fundação Nacional da Ciência, uma agência governamental dos Estados Unidos, e pelo Instituto do Ambiente de Princeton, concluiu que animais como elefantes, hipopótamos ou girafas foram dizimados pelos combatentes e por pessoas que os caçavam pela carne ou para produtos, como o marfim. Mas que mesmo as áreas mais afectadas continuaram a ser promissoras nos esforços de conservação e reabilitação. michael_other_7_1

“Esperamos que os nossos dados e conclusões ajudem no esforço de priorizar essas regiões para a atenção e financiamento dos governos e das organizações não governamentais”, disse Daskin.img_4760_0

E acrescentou: “Estamos a mostrar indícios de que apesar de as populações de mamíferos caírem em zonas de guerra elas não se extinguem. Com políticas correctas e recursos podem muitas vezes recuperar e restaurar os ecossistemas, mesmo em zonas historicamente propensas a conflitos”. mozambique_2012_6561_0

E evidente, acrescentaram, é também que os conflitos frequentes levam a redução das populações de grandes animais como nenhum outro factor. A exploração de minas, o desenvolvimento urbano, a corrupção, a seca ou a intensidade do conflito (mais ou menos mortes de pessoas) não têm um efeito tão grande nas trajectórias da vida selvagem como a guerra.mozambique_2012_6570

 

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2018/0/2/Africa-Guerras-levam-declinio-vida-selvagem-continente-estudo,2ebe03a4-d393-45b7-8ae5-f1b32b9f3ea8.html

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