Brasil participará do debate em Genebra, sobre o uso do mercúrio e as questões relacionadas à saúde

1200px-Pouring_liquid_mercury_bionerd.jpgNa 1° Assembleia das Exigências da Aliança de Minamata sobre Mercúrio (COP-1), a ser realizada de 24 a 29 de setembro em Genebra, na Suíça, o Brasil defenderá a adesão dos guias de emissões de mercúrio e a construção do plano de atuação nacional para exploração artesanal de ouro. Inclusive está na agenda da comitiva brasileira a defesa dos formulários de aceitação prévio de importação e exportação do mercúrio, constantemente com destaque para as questões relacionadas à saúde nos relatórios de efetivação.mercurio

O parecer brasileiro nas negociações internacionais foi abordado nesta semana, em assembleia no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Na terça-feira (30/08), foram apresentados os principais apresentações técnicos, entre eles, emissões de mercúrio, áreas contaminadas, aspectos de saúde relativos ao mercúrio, gestão de resíduos do mercúrio, armazenamento interino de mercúrio, liberações do mercúrio, comércio, relatoria de efetivação, equipamentos com mercúrio inserido.

Estiveram presentes os principais componentes da comissão brasileira que participará da COP1, entre eles, a equipe de analistas do Ibama e dos ministérios do Meio Ambiente (MMA), das Relações Exteriores (MRE) e da Saúde (MS). Além do mais, participaram da convenção os ministérios de Minas e Energia (MME) e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o setor privado, academia, a sociedade civil, além de outras instituições interessadas.

ACORDADO COLETIVO

O mercúrio é uma elemento surpreendentemente fatal controlada pela Convenção de Minamata, acordo coletivo para ajudar a saúde humana e o meio ambiente dos efeitos adversos da essência.

O nome da aliança homenageia as vítimas por intoxicação de mercúrio acorrido na município japonesa de Minamata, no qual uma empresa química lançou no oceano dejetos com a substância a partir de 1930. Devido ao resultado cumulativo na cadeia alimentar, o despejo provocou envenenamento de aproximadamente 3 mil indivíduos somente através da casa de 1950, especialmente em famílias de pescadores.

O acordo mundial foi acertado por 128 países, até mesmo o Brasil, no município de Kumamoto, Japão, em outubro de 2013. O Ministério do Meio Ambiente participou ativamente das negociações, pautado pela procura de um aparelho ambicioso nos marcos do progresso defendível e dos resultados da Rio+20.

No Brasil, a Aliança foi validada tanto pela Presidência da República quanto pelo Congresso Nacional e entregue às Nações Unidas em 8 de agosto de 2017. A Assembleia entrou em atividade em 16 de agosto de 2017 e até o hora 74 países já depositaram seus dispositivos de ratificação junto à ONU.

https://meioambienterio.com/25239/2017/09/brasil-se-prepara-para-assembleia-sobre-mercurio-em-genebra/

Advertisements

Quênia adota medida de proteção ambiental proibindo a produção e importação de sacos plásticos

A proibição de fabrico e a importação de sacos plásticos entrou em vigor no Quénia, que pune infrações à nova lei com multas de até 38 mil dólares (31,8 mil euros).

Guiné-Bissau, Camarões, Mali, Tanzânia, Uganda, Etiópia e Malawi figuram entre os países que adotaram ou anunciaram uma interdição idêntica.

Aproximadamente 100 milhões de sacos plásticos são distribuídos apenas pelos supermercados no Quénia, segundo o Programa Ambiental das Nações Unidas.

O governo queniano diz que os sacos prejudicam o ambiente, dado que não se decompõem, bloqueando os esgotos.

Mulher negra e cientista brasileira narra epopeia de sua vida

‘Passei fome, mas tracei meta de conseguir vencer’, diz mulher que enfrentou preconceitos e se tornou cientista

Joana D’Arc Félix de Souza superou infância pobre e chegou a uma das universidades mais prestigiadas do mundo. Ela atua na ETEC em Franca, SP, em pesquisas para preservar meio ambiente.

joana-darc.jpg

Aos 4 anos, a pequena Joana D’Arc começou a trilhar um caminho incentivado pelos conselhos do pai. Filha de uma empregada doméstica e de um profissional de curtume, ela encontrou nos estudos a chave para transformar uma vida de grandes dificuldades.

Hoje, aos 53 anos, a cientista PhD em química e professora Joana D’Arc Félix de Souza conquistou status visionário por sua atuação em pesquisas com o objetivo de poupar o meio ambiente de agressões e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

“Já dormi com fome, já passei fome, mas eu coloquei uma meta no meu caminho: a de conseguir vencer”, diz.

20141219Simplicidade que transforma

Joana nasceu em Franca (SP) no seio de uma família com poucos recursos financeiros. Sem condições de mantê-la em uma creche, a mãe optou por levar a caçula para o trabalho todos os dias. A patroa, diretora do Sesi, descobriu uma habilidade precoce na menina, que aprendeu a ler aos 4 anos.

“Para eu ficar quietinha minha mãe me ensinou a ler os jornais que tinham na casa. Teve certo dia que a diretora me viu vendo os jornais e disse ‘Você está vendo as figurinhas?’, e eu disse ‘Não, eu estou lendo’. E ela me deu a primeira oportunidade para estudar.”

A menina foi matriculada na primeira série de uma das turmas do Sesi e conseguiu acompanhar os colegas. O antigo colegial foi concluído quando ela tinha 14 anos, na Escola Estadual Torquato Caleiro, e com isso, surgiu o desejo de ingressar em uma universidade.

“Os meninos começaram a falar de vestibular para poder fazer a faculdade e começou a me despertar aquele ‘eu também quero fazer alguma coisa’ e eu fui conversando com a professora sobre como eu fazia para passar no vestibular. Ela me arrumou todas as apostilas do filho que fez cursinho para eu estudar”, lembra.joana-darc5

Mesmo sem dinheiro e sem ideia de como seria a vida longe da família, já que precisaria estudar em uma universidade pública fora de Franca, Joana ouviu os conselhos do pai e dedicou-se a longas jornadas de estudo com o material emprestado do filho da professora.

“Meu pai estudou só até a 8ª série e a minha mãe foi até a 4ª série. Então, o meu pai sempre incentivou bastante. Ele falava ‘mesmo a gente não tendo condições, a gente vai fazer o máximo, o possível e o impossível para você estudar”, diz.

O trabalho do pai no curtume, local onde o couro cru é quimicamente tratado para ser utilizado na produção de artigos como sapatos, também foi responsável pela escolha da graduação de Joana.

“Eu queria fazer química porque eu via os químicos trabalhando nos curtumes e achava bonito. A gente era tão mal informada que eu achava que químicos só trabalhavam em curtume. Então, o meu objetivo era fazer química para trabalhar no curtume.”

Ela foi em frente no sonho de conquistar uma vaga nas disputadas Unicamp, USP e UNESP. Foi aprovada em todas e escolheu com segurança a universidade em Campinas (SP), distante 330 quilômetros de casa.joana-darc3

A pesquisadora Joana D’Arc coleciona 53 prêmios ao longo da carreira Franca-SP (Foto: Stella Reis/EPTV)

Os desafios

Ainda adolescente, se mudou sozinha na década de 1980 para a cidade grande e passou a viver em um pensionato com pessoas diferentes e de todos os lugares do país. O patrão do pai de Joana também ajudou com algumas despesas, mas não tardou até que as primeiras dificuldades começassem a aparecer.

“Aos finais de semana e em muitas outras noites eu dormi com fome. Eu via aquelas meninas com bolsas, com sorvetes e era muito difícil ver tudo aquilo e não ter condições de comprar. Mas, eu via que a minha mãe não parava de trabalhar, era uma vida sofrida, e criei esse objetivo: eu vou em frente para conseguir.”

No segundo semestre do primeiro ano de graduação, Joana começou a fazer a iniciação científica e passou a receber uma bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Os R$ 300 mensais foram um alívio para a jovem estudante até o fim do curso. Com o primeiro pagamento em mãos, ela correu direto para a padaria e comprou R$ 20 em doces. “Comi tudo sozinha”, lembra. Parte do dinheiro, cerca de R$ 100, ainda eram enviados para ajudar os pais em Franca.

Na Unicamp, Joana ampliou o currículo e tornou-se doutora em química industrial, em 1994. Os artigos publicados sobre a síntese de fármacos renderam a ela um convite para fazer o pós-doutorado em uma das instituições mais prestigiadas do mundo, a Universidade Harvard, nos EUA.

A pesquisadora rumou então para Cambridge para avançar em mais uma etapa promissora da carreira. O assunto de sua tese acabou surpreendendo os orientadores. “Quando eu fui fazer o pós-doc a sugestão era trabalhar com reaproveitamento de resíduos e meu orientador me falou ‘você quer trazer um problema brasileiro?’. Meu pai já tinha sugerido para eu levar os resíduos do curtume aqui para ver o que eu podia fazer.”

Mas, Joana viu seus planos mudarem de rumo inesperadamente em outubro de 2002, com duas perdas avassaladoras. Primeiro, a irmã. Um mês e três dias depois, o pai. As mudanças a fizeram repensar a vida.

“Meu pai sentiu muito a morte da minha irmã e, depois de um mês e três dias, ele faleceu. O meu objetivo era ficar nos Estados Unidos, mas, minha mãe ficou muito doente e o marido da minha irmã foi morar com ela, com as crianças. Eu resolvi voltar para ajudar a minha mãe na criação dos meus sobrinhos.”

Joana atua como coordenadora na ETEC em Franca e coleciona 56 prêmios (Foto: Stella Reis/EPTV)

Escola da mudança

A decisão, por mais difícil que tenha sido, foi a melhor a ser tomada, considera a pesquisadora. O ponto final à vida nos EUA acabou revelando à Joana uma nova oportunidade. Ao invés da carteira de aluno, ela passou a ocupar um lugar superior na sala de aula, o do professor.

Há 12 anos, ela passou a atuar na Escola Técnica Estadual (ETEC) em Franca e começou a desenvolver projetos de pesquisa, conquistando discípulos e prêmios – 56 no total.

“Desenvolvi uma cultura muito interessante aqui na escola, porque os alunos achavam que o curso técnico era o máximo que eles iriam chegar. Eles começaram a ver que existia uma universidade e que eles poderiam fazer uma pós-graduação, ter uma vida acadêmica ou trabalhar em uma indústria.”

Ao lado dos alunos, Joana desenvolveu o trabalho que rendeu-lhe o prêmio Kurt Politizer de Tecnologia 2014, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim), um reconhecimento aos projetos de inovação tecnológica na área. A pesquisa diz respeito à utilização da pele suína em transplantes realizados em seres humanos. A ideia de pesquisar o assunto surgiu quando um trabalhador em Franca sofreu graves lesões ao derrubar um galão de ácido sulfúrico sobre o corpo por acidente. A vítima era parente de um aluno de Joana.

“Ele me contou a história e começou a falar sobre transplantes de pele. Comecei a pesquisar quais tipos de peles animais eram compatíveis com a humana e a que mais se aproximava era a suína, com 78% de compatibilidade. Eu quis descobrir o que faria chegar aos 100% e fomos purificando até alcançar o objetivo.”

Segundo a pesquisadora, o Brasil possui apenas quatro bancos de pele e eles trabalham com restos de peles de cirurgias plásticas, já que as pessoas desconhecem o processo de doação. De acordo com Joana, uma indústria farmacêutica do Rio de Janeiro está interessada em uma transferência de tecnologia.

Por causa do conhecimento sobre as atividades nos curtumes em Franca, a pesquisadora também atua em soluções para que os resíduos do couro não afetem o meio ambiente. Atualmente, ela trabalha no desenvolvimento do chamado cimento ósseo, que usa o colágeno do couro e a hidroxiapatita extraída da escama de peixes.

“Se em um acidente a pessoa perde parte do osso, o médico vai remover a parte perdida, fechar a cirurgia e esse cimento ósseo vai favorecer o crescimento do osso novo. Enquanto ele cresce, o cimento vai ser absorvido sem rejeição.”

Segundo a pesquisadora, países como Holanda e Estados Unidos estão interessados na tecnologia desenvolvida na ETEC.

Joana recebe o prêmio Kurt Politizer, da Abquim, em 2014 (Foto: Assessoria de imprensa ETEC)

Preconceito a fez mais forte

Aos 53 anos, Joana se recorda do preconceito vivido tanto na juventude quanto nos dias de hoje, mas acredita que os episódios a fizeram mais forte e a ajudaram a chegar ao lugar que tanto sonhava.

“Me lembro de uma passagem que me chateou muito na escola. Na hora do intervalo alguns alunos da minha sala danificaram alguns bancos, quebraram algumas coisas. Quando voltamos para a sala, a diretora falou ‘pessoas do nível de vocês nunca vão conseguir nada. Pessoas que os pais vêm trazer de bicicleta na escola nunca vão conseguir ser nada’. As palavras más daquela diretora me ajudaram a vencer na vida.”

Joana tem quatro sobrinhos e eles decidiram seguir os passos da tia na carreira. A professora acredita que o estímulo ao estudo seja seu maior legado aos jovens da família e aos alunos. Ela replica deste modo o que recebeu de herança do pai.

“Eu me sinto realizada por não ter sido impedida por nenhum obstáculo, não ter desistido. Vejo a contribuição que eu estou dando ao meio ambiente e me sinto lisonjeada. Também me sinto bem por poder passar um pouco do meu conhecimento a um aluno e sentir o reconhecimento que eles têm. Sempre procurei incentivar porque é o estudo que vai colocá-lo onde você almeja chegar. É a única coisa que ninguém te rouba. Me sinto gratificada por meus sobrinhos poderem estudar sem preocupação com o que vão jantar ou almoçar, por poder dar a eles uma vida mais tranquila.”

*Sob a supervisão de Thaisa Figueiredo

Joana entre alunos que recebem todo seu incentivo na pesquisa em Franca-SP (Foto: Assessoria de imprensa ETEC)

http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/passei-fome-mas-tracei-meta-de-conseguir-vencer-diz-mulher-que-enfrentou-preconceitos-e-se-tornou-cientista.ghtml

Guiné Bissau construirá central elétrica sem estudo de impacto ambiental

Bissau – O Governo da Guiné-Bissau anunciou que a construção de uma central eléctrica num parque natural no sul do país vai avançar, apesar de não ter sido antecedida por um estudo de impacto ambiental e social.

CIDADE DA GUINÉ BISSAU

FOTO: FOTO PESQUISA

O ministro da Energia, Florentino Pereira, que visitou o parque das Lagoas de Cufada terça-feira, disse que o projecto não foi antecedido de um estudo de impacto ambiental e social, conforme manda a lei do Ambiente no país.

Ainda assim referiu que as obras não se podem parar, sob risco de a decisão acarretar “custos incalculáveis”.

“Governar é uma opção”, enfatizou Florentino Pereira, lembrando que o projecto, financiado pela Índia custa 18,7 milhões de euros e vai fornecer energia eléctrica às populações das regiões de Quinará e Tombali, no sul da Guiné-Bissau.

Na semana passada, duas organizações de defesa na natureza, a associação Tiniguena e o Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP) criticaram a construção, alertando para prejuízos ambientais.

Segundo as duas organizações, estão em risco a maior reserva de água doce da Guiné-Bissau e uma zona de pesca, único meio de subsistência da população.

A área possui ainda uma importante reserva florestal e avícola.

Miguel de Barros, director executivo da Tiniguena, referiu que além da construção da central o projecto “também é um pretexto” para a indústria madeireira devastar a floresta.

O ministro do Ambiente nega as alegações das duas organizações, salientando que o lençol freático não será afectado e que não houve grande desmatação.

Florentino Pereira afirmou que a concessão da licença a uma empresa indiana para a construção da central ocorreu em 1996 e a lei que delimita a área como zona reservada só foi aprovada em 2000.

Boa notícia! Cabo Verde proibe uso e comercialização de sacos de plástico

Praia – O fabrico, importação e comercialização de sacos de plástico convencional para embalagem será interditado em Cabo Verde a partir de domingo, uma medida para incentivar o artesanato local, introduzir embalagens biodegradáveis e proteger o ambiente.

CABO VERDE: CIDADE DA PRAIA

FOTO: SANTOS GARCIA

A decisão foi anunciada em Fevereiro de 2015 pelo então ministro do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território cabo-verdiano, Antero Veiga, e a lei, enquadrada na campanha “Cabo Verde Sem Plásticos”, foi publicada em Agosto do mesmo ano.

Desde Julho deste ano, e numa espécie de transição de seis meses, é proibida a produção e a importação de sacos de plásticos convencionais, estando vários estabelecimentos comerciais no arquipélago já a comercializar os casos degradáveis e reutilizáveis.

A partir de agora só será permitido no país o uso de sacas de plásticos para acondicionar carne, peixe, aves domésticas frescas ou seus produtos frescos, frutas e legumes e gelo.

A população cabo-verdiana, essencialmente urbana, produz mais de 220 toneladas diárias de lixo, sendo que 11% dos resíduos recolhidos são plásticos, que podem durar entre 100 a 500 anos a decomporem-se na natureza.

Há mais de um ano que o governo e outras autoridades cabo-verdianas têm feito várias actividades para sensibilizar empresários ligados à produção, comercialização e importação a reduzirem o consumo de sacos de plástico.

Para os operadores, que assumiram o compromisso de alterar o panorama, as novas regras vão obrigar ao aumento dos custos de produção de sacos de plástico biodegradáveis, que ficarão 6% mais caros do que os convencionais.

O empresário Chady Hojeige, responsável pela única empresa de produção de sacos de plástico em Cabo Verde, a Caboplást, afirmou à agência Lusa em Junho de 2015 que projectou a produção de sacos biodegradáveis, que, depois de um ano de uso, acabam por desfazer-se.

O presidente da Associação para a Defesa do Ambiente e Desenvolvimento (ADAD), Januário Nascimento, indicou à Lusa as várias acções que a organização tem feito para a efectividade da medida, mas afirmou que só mais a frente poderá avançar outros pormenores da mesma.

Em entrevista à Inforpress, em Setembro deste ano, o responsável associativo mostrou-se, porém, céptico quanto ao cumprimento da lei e adiantou que muito resta ainda por fazer, de modo que a legislação tenha a eficácia desejada.

Januário Nascimento apelou os consumidores a usar os sacos de pano e disse que outro trabalho que terá que ser feito é a recolha dos plásticos espalhados pela natureza e que amontoam nas copas das árvores, como é visível, por exemplo, em algumas zonas da Praia.

Quem infringir a lei está sujeito a coima que vai dos 50 mil escudos a 400 mil escudos cabo-verdianos (453 euros a 3.627 euros), em caso de pessoas singulares, e de 250 mil escudos a 800 mil escudos (2.267 euros a 7.255 euros), em caso de pessoas colectivas.

O produto das coimas será receitas do Fundo do Ambiente e serão utilizadas para o financiamento de actividades de sensibilização e protecção do ambiente junto dos consumidores.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/11/52/Cabo-Verde-Proibido-uso-comercializacao-sacos-plastico,1405e71f-f713-482a-ac9a-2dabec9a1eb5.html

Angola exporta madeira para China, Turquia, Itália, Emiratos Árabes, Espanha e Portugal

logs-african-hardwood
 
 
A exportação de 1.026 metros cúbicos de madeira em tora para a China e a Turquia, 209,160 para a Itália, 4.160,207 para os Emiratos Árabes Unidos, pouco mais de 49 para a Espanha e 109, 909 metros cúbicos de madeira serrada para Portugal.
 
123602-moreira
A exportação de madeira do Bengo iniciou entre 2013 e 2014, quando foram enviadas para o estrangeiro as primeiras amostras das duas espécies mais abundantes naquela província, como a moreira e a undianunu, que também possuem qualidade aceitável naqueles mercados.
 

Acordo de cooperação Brasil-Moçambique sairá em 2017

 
 
 
 
reunião2.jpg
 
 
 
Com previsão para assinatura em maio do próximo ano, a parceria deve contemplar intercâmbio e troca de conhecimentos em temas como fiscalização e uso público
 
 
 
Brasília (23/12/16) – O diretor da Agência Nacional de Conservação de Moçambique, Afonso Madope, participou de reunião com gestores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) nesta quinta-feira (22), em Brasília. O objetivo do encontro foi dar seguimento à construção de um acordo de cooperação na área ambiental entre os governos brasileiro e moçambicano. O acordo está previsto para ser assinado em maio de 2017.
 
A reunião, que teve como foco a capacitação dos funcionários de Moçambique nas áreas de fiscalização e uso público (visitação), contou com a presença da presidente substituta do ICMBio, Silvana Canuto, do coordenador geral de Gestão Socioambiental, Paulo Russo, e da coordenadora geral de Gestão de Pessoas, Helena Araújo.
“A vertente principal na mudança de mentalidade que buscamos é capacitar e preparar as pessoas para o trabalho de conservação da natureza”, ressaltou Madope.
 
Durante a reunião, foi definido que o próximo passo será a realização de oficinas com os gestores de áreas protegidas de Moçambique para que os coordenadores do ICMBio possam entender a realidade do país e suas principais necessidades no que diz respeito à fiscalização e visitação. “Acreditamos que o Brasil é um parceiro fundamental”, disse o diretor.
 
De acordo com a presidente substituta do Instituto Chico Mendes, o governo brasileiro também enfrenta do desafio de mudar mentalidades, já que muitas pessoas ainda enxergam a conservação do meio ambiente como entrave ao desenvolvimento. “Nós vamos colaborar e trocar experiências. A natureza não distingue fronteiras”, completou Silvana.
 
 

Angola é o país lusófono com maior mortalidade associada à poluição do ar

Angola é o país lusófono – e um dos oito países africanos – com maior mortalidade associada à poluição atmosférica, com 50 pessoas em cada 100 mil a morrerem devido à exposição a ar de má qualidade

JAWAD JALALI/EPA

 

Os dados constam do relatório “Poluição do ar ambiente: Uma avaliação Global da Exposição e do peso da doença”, hoje divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que conclui que três milhões de pessoas morrem todos os anos por causas associadas à poluição do ar exterior e que 92% da população mundial respira ar poluído.

Com recurso a um novo modelo de avaliação da qualidade do ar, a OMS confirma que mais de nove em cada dez humanos vivem em locais onde a qualidade do ar exterior excede os limites definidos.

A OMS define como limite uma concentração anual média de 10 microgramas por metro cúbico de partículas finas (PM2,5), valor que, segundo o relatório, é excedido em todos os países lusófonos exceto Portugal (nove) e Brasil (10). Nesta tabela, o país lusófono mais mal classificado é Cabo Verde, que apresenta uma concentração média de 36 microgramas de partículas finas por cada metro cúbico, quando se tem em conta as medições em ambiente rural e urbano.

A Guiné Equatorial apresenta uma concentração média anual de 33 microgramas de partículas finas por metro cúbico, a Guiné-Bissau 27, Moçambique 17, Timor-Leste 15 e São Tomé e Príncipe 13.

Quando consideradas apenas as medições em ambiente urbano, Angola é o país lusófono com piores resultados, apresentando uma concentração média anual de 42 microgramas de partículas finas por metro cúbico de ar, valor que desce para 27 quando se tem em conta as zonas rurais e urbanas.

Os números têm por base medições através de satélite, modelos de transporte aéreo e estações de medição da poluição atmosférica em mais de 3.000 localidades, tanto rurais como urbanas, e o estudo foi desenvolvido pela OMS em colaboração com a Universidade de Bath, no Reino Unido. O relatório faz também uma avaliação do impacto da exposição ao ar poluído na saúde, tendo em conta dados do ano 2012.

A nível global, os autores concluem que três milhões de mortes anuais estão associadas à poluição atmosférica, nomeadamente doenças respiratórias agudas, doença pulmonar obstrutiva crónica, cancro do pulmão, doença isquémica do coração e acidente vascular cerebral. Entre os países lusófonos, Angola é o país com mais mortes associadas à poluição atmosférica – 51 por cada 100 mil habitantes.

Quando comparado com os restantes países africanos, apenas sete têm uma taxa superior: Mali (60), Burkina Faso (58), Níger (57), Eritreia (56), e Benim, Chade e República Democrática do Congo (52).

A Guiné Equatorial apresenta uma taxa de 50 mortes associadas à poluição do ar exterior em cada 100 mil habitantes, a Guiné-Bissau 47, Cabo Verde 37, Timor Leste 31, São Tomé e Príncipe 26, Brasil 14 e Portugal sete.

Segundo o relatório, as partículas poluentes consistem numa mistura complexa de partículas sólidas e líquidas de substâncias orgânicas e inorgânicas em suspensão no ar. A maioria dos seus componentes são sulfatos, nitratos, amónia, cloreto de sódio, negro de carbono e pó mineral, entre outros. As partículas iguais ou menores do que 10 micrómetros de diâmetro são particularmente perigosas porque podem penetrar e instalar-se nos pulmões.

http://observador.pt/2016/09/27/angola-e-o-pais-lusofono-com-maior-mortalidade-associada-a-poluicao-do-ar/

A produção do mel em Angola

mel74176

Samuel António e José Rufino | Luena
8 de Julho, 2016

Fotografia: Francisco Bernardo

Os níveis de produção de mel nos últimos dois anos na província do Moxico, com forte envolvimento do sector empresarial privado, superam as expectativas.

A retomada da produção no Moxico, de forma semi-industrial, começou em 2014, com uma produção de 20 toneladas. No ano seguinte, chegou a 50 toneladas e em 2016 a produção pode atingir 70 toneladas.
A Cooperativa Agropecuária, Pesca e Apicultura (COAPA) recebeu um investimento de 1,2 milhões de dólares americanos para desenvolver a produção de mel e melhorar a qualidade de vida da população rural.

mel-620x407
A COAPA dá resposta à estratégia de diversificação da economia e tem como outros objectivos proporcionar a segurança alimentar e criar emprego para os jovens.
Para apoiar os 200 apicultores dos municípios dos Bundas, Luchazes, Moxico e Alto Zambeze, o empreendimento vai receber empilhadoras, camiões, carrinhas 4×4, motorizadas e bicicletas.
A província do Moxico possui florestas com enormes potencialidades para a prática da apicultura, devido à existência de árvores como a muvuca, mucondo e mussamba, ricas em néctar, que as abelhas aproveitam para a produção de mel. A época de maior produtividade vai de Agosto a Dezembro.
Dados históricos indicam que o Moxico liderou até 1974 a lista de maior produtor de mel a nível mundial. O novo desafio na aposta deste produto, que constitui um dos principais recursos de sobrevivência da grande maioria da população da região Leste e Sul da província, pode contribuir para a melhoria das condições de vida de muitas famílias.
A maior dificuldade dos apicultores na província resulta da falta de mercados para a comercialização de mel.
As comunidades onde a apicultura é desenvolvida são beneficiadas pelo emprego e formação que garante a transmissão de melhores práticas sobre a exploração e tratamento do mel.
Depois de recolhido nas colmeias, o mel é transportado até à fábrica de processamento localizada no município de Viana, em Luanda, onde  é filtrado e enfrascado, para comercialização.
A COAPA pretende instalar na cidade do Luena uma fábrica para o processamento de mel, que além de proporcionar mais emprego, vai aumentar a oferta deste produto com mais qualidade e servir toda a região Leste e Sul do país.
Para incentivar a criatividade da classe empresarial, a reunião das Comissões Econômicas para a Economia Real do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente José Eduardo dos Santos, aprovou na cidade do Luena o programa para a produção de mel na província do Moxico, que, pelas suas  condições climáticas e florestais, pode constituir-se num pólo de desenvolvimento da apicultura em Angola. Com este propósito, a apicultura pode contribuir para a diversificação da economia.
Em colaboração com a Agência para a Promoção do Investimento e Exportações de Angola (APIEX), a COAPA está a estabelecer acordos de exportação de mel para os Estados Unidos da América, China e alguns países da União Europeia.
Numa altura de crise econômica e financeira, a exportação deste produto vai contribuir para o Produto Interno Bruto (PIB) angolano.

mel-620x407
Os objetivos da COAPA estão definidos na defesa dos grandes pilares de desenvolvimento sócio-econômico. A empreendimento está envolvido também na piscicultura, silvicultura, indústria, comércio geral, transportes e construção civil.
Para satisfazer as necessidades do sector, o Executivo garante apoios em formação dos apicultores e a introdução de equipamentos modernos, tendo em conta as normas internacionalmente estabelecidas.
A introdução de novos métodos de exploração de mel, em substituição da forma artesanal, vai garantir maior qualidade do produto e a preservação das larvas em fase de crescimento.
A exploração de mel no Moxico, apesar de ser considerada ainda uma atividade de subsistência, tem registado níveis consideráveis. Dados do Instituto de Desenvolvimento Florestal da Direção Provincial da Agricultura indicam que a produção familiar atinge anualmente mais de 300 toneladas de mel bruto.
A Direção Provincial da Agricultura considera o Moxico como um mercado potencial para atrair empresários interessados na apicultura.
Além da cadeia produtiva, a apicultura incorpora um valor social expresso nos postos de trabalho. A exploração de mel em grande escala pode dar lugar ao surgimento de indústrias farmacêuticas e com os seus derivados fabricar sabão, velas e lubrificantes que podem ser utilizados para a manutenção de mobiliário de madeira.

http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/a_industria_do_mel_nas_contas_nacionais

Angola o sonho de tornar-se um centro de criação de economia verde no século XXI

 

palanca negra

 

O director Executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), Achim Steiner, que veio a Angola a propósito do 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, que Luanda acolheu, diz que a sua esperança é que Angola “se torne num centro de criação de economia verde neste século XXI e de uma visão africana que conduza à qualidade de vida sem pôr em causa os recursos naturais”.

Em entrevista ao Jornal de Angola, Achim Steiner afirmou: “Vamos dizer ao mundo  o que Angola já está a fazer a nível ambiental, incluindo o combate ao tráfico ilegal da fauna e da flora”. Achim Steiner elogiou a existência da escola de formação de fiscais, que considera “um outro exemplo do trabalho do Executivo para reforçar a capacidade do país de se defender contra este tipo de actividades.
Na entrevista, Achim Steiner revela que o PNUA, em colaboração com a Interpol, estima  que  o valor de comércio ilegal e actividades criminosa resultou em mais de 270 mil milhões de dólares, usado para financiar conflitos que dividem nações e as colocam umas contra as outras.

Jornal de Angola – Hoje os problemas ambientais afectam em grande medida os países em todo mundo, sendo por isso um problema global. Está em Angola há alguns dias, como avalia as políticas ambientais realizadas pelo Executivo angolano?

Achim Steiner – Neste momento, Angola verte toda a sua atenção para a recuperação económica. As acções do Executivo tem estado voltadas para a recuperação económica, mas o interessante é que tem uma prioridade sobre os temas ambientais, um aspecto que tem assumido um papel manifestamente activo nos últimos anos, com grande realce para os temas da caça furtiva ou ilegal, a questão da protecção da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável que são objectivos que fazem parte dos acordos de Nova Iorque e de Paris sobre as mudanças climáticas. Olho para Angola e vejo que estes temas são hoje questões que dizem muito ao Governo. Ouvi a ministra do Ambiente a falar e notei que a questão ambiental, além de ser importante para Angola, vejo que também está preocupada com os seus vizinhos.

Jornal de Angola – O que representa para Angola a sua visita e que sinal podemos tirar disso, já que é responsável de um organismo das Nações Unidas especializado e com uma assinalável importância em questões ambientais?

Achim Steiner – A minha visita tem como objectivo principal comemorar o Dia Mundial do Ambiente que as Nações Unidas organizam em cada 5 de Junho. Nós, no sistema das Nações Unidas, estamos muito orgulhosos por Angola ter acolhido este dia. É a primeira vez na história de 44 anos do Programa das Nações Unidas que Angola convidou o mundo para ver, testemunhar e perceber o que é falar de Ambiente nesta nação extraordinária. Decidimos, por isso, com o Governo de Angola, fazer do país a sede desta celebração, porque queremos que o mundo compreenda, ou se quisermos, perceba cada vez mais, o que o país tem estado a fazer em prol do Ambiente e pela protecção da biodiversidade, bem como a necessidade de travar a comercialização ilegal dos produtos da fauna e da flora selvagem.

Jornal de Angola – Em que consistiu a sua visita?

Achim Steiner – Estive no Cuando Cubango, onde visitei a escola de formação de fiscais. Este é um outro exemplo do trabalho do Executivo para reforçar a capacidade do país se defender contra o comércio ilegal de espécies da fauna e da flora angolana. Mas também vejo que há uma gestão mais activa dos recursos naturais e da biodiversidade do país. Conheço Angola desde o ano de 1991, pois trabalhei na elaboração do primeiro relatório sobre a situação ambiental no país depois dos conflitos armados. O que apreendi naquela altura é que se estava diante de uma das nações mais ricas do mundo. Há poucas nações neste planeta que além de um território enorme, tenham também dentro de si riqueza natural, desde as suas florestas, água, fauna e recursos naturais, sejam combustíveis fosseis ou metais preciosos. Tudo isso, define a riqueza desta nação.

Jornal de Angola – Sente que cada vez mais os esforços do Executivo em prol do Ambiente encontram terreno fértil?

Achim Steiner –  O que observo hoje, passados estes anos, é um progresso impressionante e de desenvolvimento do país, mas também verifico que é sempre um momento importante para reflectir, pensar na protecção do patrimônio natural dos países, porque constituem o fundamento para o desenvolvimento económico do futuro. Ter falado sobre o Ambiente   aqui é algo de grande significado, porque nos próximos anos, uma nação como Angola, as decisões determinantes, vão definir se olharemos para trás nos últimos 20 ou 100 anos ou então na última década. O que decidirmos fazer hoje vai definir se teremos mais hectares de floresta coberta ou se teremos extinção de espécies inteiras, ou ainda, se teremos conseguido utilizar a água, ecossistemas e recursos de uma maneira mais sustentável.

Jornal de Angola – O combate à caça furtiva é agora uma questão que começa a comprometer cada vez mais os países em todo o mundo, fundamentalmente os africanos. Acha que há um compromisso suficiente para se estancar este mal?

Achim Steiner –  Nós temos múltiplos papéis no que toca às políticas de combate ao tráfico de animais ou de elefantes e rinocerontes que são mortos por criminosos para extracção do marfim e chifres para fins de comércio. Nós temos um papel no que toca à governação internacional por via da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora (CITES), uma lei internacional para o comércio dos produtos selvagens. Angola é membro dessa comissão, por isso tem obrigações e responsabilidades a nível nacional e internacional para ajudar a reforçar esta convenção que visa a proteção das espécies ameaçadas dentro do país, uma vez que regista uma grande atividade de caça furtiva, além de constituir rota de trânsito para os países da região que utilizam os portos e aeroportos angolanos para a exportação ilegal. Mas as decisões que vão ser tomadas por nações como Angola nos próximos anos vão determinar o nível de vida e a biodiversidade global que os nossos netos vão herdar.

Jornal de Angola – Que outro papel tem o Programa das Nações Unidas quanto a esta questão, cada vez mais preocupante e que dilacera a vida da fauna e da flora?

Achim Steiner – Outro papel do PNUA consiste em trabalhar com as autoridades angolanas, contando com as tecnologias ambientais de última geração para conferir maior capacidade ao país para que seja capaz de dizer stop ao comércio ilegal, que vai ameaçando a estabilidade da biodiversidade dos países. Outro papel que desempenhamos passa pela experiência de muitos países. A questão que se coloca, em função dessa experiência, é como a comunidade local tem oportunidade para a sobrevivência e ao mesmo tempo proteger a natureza diante das necessidades? Esta é uma pergunta do desenvolvimento económico e social. Mas, a natureza, os parques nacionais e até do ecoturismo, são muito importantes para o futuro das comunidades. Pretendemos trabalhar com o Ministério do Ambiente e as demais entidades de Angola, pois aí está um grande potencial para o ecoturismo.

Jornal de Angola – Fala da necessidade de migrarmos para as chamadas economias verdes?

Achim Steiner –  A nível de África, o turismo tem um peso que representa sete a oito por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Penso que nos próximos anos o turismo vai continuar a representar um potencial enorme para Angola, porque é uma forma de utilizar os recursos naturais sem os destruir. Essa é uma opção que deve ser parte da estratégia nacional para os próximos anos. Angola é um país muito afortunado. A economia angolana continua a depender dos seus recursos petrolíferos, mas o seu futuro como nação e as infra-estruturas para energia, agricultura, turismo e indústria vai para além desta era de simplesmente buscar o petróleo e vendê-lo para o mercado Internacional. A nossa esperança é que Angola se torne num centro da criação da economia no século XXI e de uma visão africana que proteja os recursos naturais que conduza a uma economia verde que permita uma qualidade de vida com serviços de saúde e serviços de transportes sem pôr em causa os recursos naturais. Encontramos vários exemplos ao redor do mundo de como é que isto já está a ser feito. Não acontece de um dia para outro, mas torna-se possível quando existir vontade. Vamos falar ao mundo sobre o que Angola já está a fazer incluindo o combate ao tráfico ilegal da fauna e da flora.

Jornal de Angola – Estamos no bom caminho no que respeita à protecção e preservação da biodiversidade no país?

Achim Steiner –  Penso que Angola tem uma vantagem. É um país enorme e tem muitos recursos como florestas, zonas costeiras e vida selvagem. Mas as pesquisas nos mostram, que de mais a mais, temos desafios pela frente. A destruição do habitat dos animais, provocada pela caça furtiva e o comércio ilegal, têm também um impacto sobre a biodiversidade desse país, mas com as leis, as políticas adoptadas e a fiscalização do sistema de parques nacionais e a protecção da natureza, penso que Angola deu um grande avanço e um grande exemplo. Angola ao acolher o Dia Mundial do Ambiente, demostra ao mundo que também faz muito neste aspecto e vai fazer ainda mais nos anos vindouros, quanto a necessidade de ter uma cultura ecológica e consciência de protecção ambiental, mas também defesa ao patrimônio mundial.

Jornal de Angola – Dá a impressão de que há cada vez mais discursos políticos sobre a necessidade de protecção ambiental, mas na prática faz-se muito pouco ou quase nada.

Achim Steiner – Todos os países têm o mesmo desafio. A economia do século XX é uma economia de extracção e tem sido, de alguma forma, o paradigma do desenvolvimento, que diz economia, economia e economia. E nós pensamos que a natureza ou a infra-estrutura ecológica não é importante porque a pobreza e os problemas do quotidiano são os mais importantes. Neste século XXI, com as mudanças climáticas, que agridem a biodiversidade e seguida da poluição, mostram estarmos numa situação em que cada país tem políticas e objectivos com vista à preservação do Ambiente, mas a efectivação não é feita de uma forma adequada e isso acontece em todos os países.

Jornal de Angola – Sente que Angola está  empenhada em ultrapassar essa barreira que ainda amarra muitos países no continente africano e no mundo?

Achim Steiner –  Penso que este é o grande objectivo do Ministério do Ambiente e do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, mudar essa realidade. Felicito o Executivo e o povo angolano pela hospitalidade e pela realização de eventos muitos interessantes. Acho que todo o mundo, nesta data, tem os olhos em Angola e com certeza aprenderam uma coisa nova. Este é o objectivo que nos trouxe ao país e a razão de se celebrar o Dia Mundial do Ambiente tão activamente é que a história do Ambiente nos últimos 100 anos não tem sido feliz. Somos muito mais países e as nossas economias cresceram e precisamos de mais energia, mobilidade, habitação, alimentação e transporte, num mundo onde tínhamos apenas mil milhões de pessoas. Vivemos no século XXI e somos sete mil milhões de pessoas. A população africana vai nos próximos 40 anos passar para os dois mil milhões. Temos de repensar como manter as infra-estruturas ecológicas.

Jornal de Angola – A caça furtiva é uma grande ameaça à estabilidade da biodiversidade e até da vida das comunidades humanas?

Achim Steiner – Okavango, que é agora uma referência mundial, não existia se Angola não o preservasse. A  fauna que está sob ataque da caça furtiva e outras actividades ilegais não matam apenas elefantes e rinocerontes mas   roubam os recursos mais preciosos destas nações. O PNUA publicou para a Interpol um novo relatório sobre crimes ambientais. Não é apenas a caça ilegal mas também o comércio ilegal de madeira, pesca ilegal e as práticas criminosas , como actividade “offshore”. Com a Interpol estimamos globalmente que o valor de comércio ilegal e actividades criminosas resultou em mais de 270 mil milhões de dólares. Esse dinheiro é usado para financiar conflitos que dividem nações e as colocam umas contra as outras. Decidimos nos dedicar à luta contra o comércio ilegal da fauna e flora porque isso é um crime que compromete as nações e as comunidades e é produto que financia um dos grandes males neste planeta, a guerra.