Angola é um dos países mais bem preparados em questões militares da África

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Augusto Cuteta

João Alexandre Paulo de Morais é um jovem luso-angolano, de 32 anos, nascido em Campo Grande, Lisboa. Licenciado em Desenvolvimento Global e Relações Internacionais pela Universidade de Leeds Beckett, no Reino Unido, e pós-graduado em Gestão de Recursos de Defesa para Oficiais Superiores, pela Universidade de Defesa da Roménia, e mestrando em Logística e Cadeia de Abastecimento, com especialidade em Logística Militar, pela Universidade de Northumbria. O jovem luso-angolano trabalhou para a Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN), um órgão de segurança militar intergovernamental, criado a 4 de Abril de 1949, tendo integrado o Programa de Graduados da OTAN, depois de ter sido seleccionado de entre um vasto grupo de candidatos, para integrar o Departamento de Planeamento e Operações Logísticas no Comando do Estado Maior da NATO, em Mons, Bélgica, e, posteriormente, o Departamento de Planeamento Logístico das Forças Terrestres, na Turquia. O especialista recomenda a criação de uma indústria militar, para a garantia da auto-sustentabilidade das Forças Armadas Angolanas (FAA)

É formado em Logística Militar e Gestão de Recursos de Defesa. O que faz, concretamente, um especialista desta área?
O especialista em logística lida essencialmente com questões materiais e procura resolver problemas que estão associados a equipamentos e a bens de consumo em geral, que se destinam a criar condições para o emprego em operações militares, quer do pessoal, quer dos equipamentos. A logística constitui uma área de saber militar que, além de ter associado um corpo de conteúdos científicos, se qualifica essencialmente pela sua utilização na resolução de problemas reais do quotidiano das forças armadas. A serventia da logística mede-se pelo desenvolvimento das condições materiais para a aplicação de forças militares. Porém, vai para além da sustentação de forças, uma vez que apoia indubitavelmente a identidade das forças armadas, dando-lhe algumas particularidades estruturantes, tais como sistemas de armas, fardamentos e armamentos. O especialista deve também assegurar outras funcionalidades dentro da esfera logística, como o reabastecimento, movimento e transporte, manutenção, apoio sanitário, infra-estrutura, aquisição, contratação e até alienação de meios. O especialista em logística militar deve garantir que as carências materiais dos efectivos militares são colmatadas, tanto em tempo de paz, como durante os períodos de campanha militar, permitindo a qualquer dos ramos militares manter a sua capacidade combativa. É bom ressalvar que a logística militar está dividida em três escalões de operações militares: primeiro – Logística Estratégica. A este nível, as forças armadas são mobilizadas e empregues de forma a coincidir com outras ferramentas de poder para alcançar objectivos definidos a nível político-militar. Segundo – Logística Operacional. É mobilizada e utilizada para alcançar objectivos estratégicos e/ou de campanha numa área de operações atribuída. Terceiro – Logística Táctica. Por via da qual, são executadas tarefas militares e conquistados objectivos militares, cujo sucesso possibilita o alcance de efeitos operacionais.

 

Esta especialização em Logística Militar e Gestão de Recursos de Defesa conseguiu-a numa das maiores instituições de peso mundial, a OTAN. Como surgiu essa oportunidade?
A oportunidade surgiu através de um concurso público feito anualmente pelos vários órgãos afectos à OTAN. Tive a honra de ter sido seleccionado, num universo de centenas de jovens, oriundos das universidades mais prestigiadas, para integrar o Programa de Graduados da OTAN, tendo sido inserido no Departamento de Planeamento e Operações Logísticas no Comando do Estado-Maior da OTAN, em Mons, Bélgica. Finda a minha missão na Bélgica, dei sequência a esta experiência no Comando Terrestre da OTAN, em Esmirna, Turquia, tendo sido inserido no Departamento de Planeamento Logístico. A minha missão passava por apoiar o desenvolvimento do programa de optimização logístico e supervisão da sua implementação a nível das forças terrestres dos comandos operacionais e tácticos.otan

Depois da formação a nível da OTAN, que ocupações lhe foram confiadas?

A minha função primária passava pela gestão do Programa de Fundo de Desenvolvimento Militar das Forças Afegãs. Este Fundo da OTAN é uma das três fontes de financiamento usadas pela comunidade internacional, para canalizar o seu apoio financeiro às forças e instituições de segurança do Afeganistão. Os outros dois são a Lei e Fundo Fiduciário para o Afeganistão (LOTFA), administrado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e o Fundo para as Forças de Segurança do Afeganistão (ASFF). O fundo continua a concentrar as suas actividades principalmente no Exército Nacional Afegão. Porém, o mesmo pode, no entanto, ser também usado para fornecer apoio em algumas áreas a outros elementos das forças de segurança afegãs, o que contribui para aumentar a capacidade de diferentes elementos das forças de segurança afegãs para operar em conjunto. Além da função acima mencionada, também tinha a responsabilidade de apoiar a unidade de logística com a monitorização do sistema de fornecimento logístico das forças da OTAN destacadas nos diferentes teatros de operações.

Com essa passagem pela OTAN, que experiências traz para o país?
A passagem pela OTAN foi riquíssima em vários aspectos. Porém, o maior ganho foi, sem dúvida, a experiência de ter trabalhado lado a lado com alguns dos quadros mais brilhantes e qualificados a nível mundial. Estes efectivos são altamente competentes no exercício das suas funções, primando sempre pela perfeição na elaboração e execução das tarefas confiadas pelas chefias militares, obrigando-me assim a seguir os mesmos passos. A OTAN é uma organização que aposta fortemente no desenvolvimento intelectual dos seus quadros e, no meu caso, não fui uma excepção. No decorrer da minha missão, tive a oportunidade de frequentar na escola da OTAN em Oberammergau, Alemanha, as seguintes formações avançadas: Logística Estratégica e Planeamento Operacional de Movimento e Logística. Pela Escola de Comunicações e Sistemas de informação da OTAN, em Latina, Itália, tive a oportunidade de frequentar a formação na área de Serviços Funcionais de Logística (LOGFAS), que é, em suma, uma ferramenta de apoio à decisão na área de logística militar, permitindo o operador ter uma visão abrangente dos recursos disponíveis, assim como a movimentação dos meios e acesso às linhas de comunicação.

Como é trabalhar num ambiente de grande complexidade?
Acredito ter desenvolvido uma capacidade e desenvoltura mental elevada devido às missões nas quais estive inserido. As áreas de operações das missões da OTAN decorrem sempre em ambientes de grande complexidade e volatilidade política e de segurança, o que fez com que desenvolvesse uma outra capacidade de análise, mais eficiente e concisa. A experiência de estar inserido no Comando Supremo das forças, centro das tomadas de decisão das operações militares da OTAN, é sem dúvida uma experiência indescritivelmente enriquecedora, permitindo-me desenvolver conhecimentos do nível estratégico-militar, em teatros de operações de elevado grau de sofisticação. Esta experiência também possibilitou-me angariar conhecimento diferenciados a nível de desenvolvimento da indústria militar ao mais alto nível. Gostaria, contudo, de destacar o papel de Portugal durante esta minha experiência. Apesar de ter entrado através de um concurso de inserção directa e não através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, devo destacar o apoio incondicional que me foi prestado por efectivos portugueses destacados nos comandos em que exerci funções, permitindo uma integração plena, sempre com elevado espírito de camaradagem e patriotismo.

O que já conseguiu passar para as instituições do Estado angolano sobre as experiências adquiridas na OTAN?
Sempre foi desejo de um dia viver na terra que viu meus pais e irmãos nascerem. Este objectivo seria alcançado a médio ou a longo prazo. A oportunidade surgiu numa altura em que não esperava, pois tinha cá vindo para ficar somente duas semanas. Porém, foi-me feita uma oferta de trabalho muito tentadora, para trabalhar numa prestigiada empresa do sector privado como director de projectos e desenvolvimento. Acabei por abraçar o desafio, embora saiba que não posso perder de vista as minhas reais valências. Relativamente à sua pergunta, ainda não tive a oportunidade de transmitir os conhecimentos adquiridos às instituições angolanas. Porém, do meu ponto de vista, tal teria de ser feito a nível das instituições de ensino militar e não só, nas quais gostaria de trabalhar, auxiliando com pesquisas e estudos de temas pertinentes à realidade das forças de segurança angolanas. A Escola Superior de Guerra, assim como o Centro de Estudos Estratégicos, acabam por ser organizações em que gostaria um dia, se possível, vir a colaborar.

Além de si, sabe se já terão passado pela OTAN mais cidadãos angolanos?
Desconheço a existência de um outro angolano ou luso-angolano na OTAN ou com formação semelhante. Acredito que é somente uma questão de tempo até aparecerem outros jovens afrodescendentes que serão devidamente inseridos em organizações de prestígio, como a OTAN e a União Europeia.

Apesar da falta de oportunidade em Angola, para transmitir o que aprendeu na OTAN, tem projectos imediatos ou de médio prazo por materializar?
Pretendo, como já referi anteriormente, abraçar oportunidades a nível da docência e assessoria a nível da logística militar, podendo assim ajudar os técnicos e especialistas angolanos a aprimorarem alguns conceitos e trazer novos elementos às doutrinas angolanas, uma vez que Angola tem vindo adoptar as doutrinas da OTAN.

Já recebeu algum convite ou já bateu algumas portas?
Sim. De momento, tenho alguns processos a tramitar em instituições de ensino. Acredito que este desejo vai ser materializado.

Em função do currículo que tem, nunca tentou contactar as direcções do Ministério da Defesa Nacional e das Forças Armadas Angolanas (FAA)?

Já. Quero colaborar em matérias de ensino militar. Acredito que existe espaço para colaboração, ou no Ministério da Defesa Nacional ou nas Forças Armadas Angolanas. Encontro-me disponível para auxiliar essas instituições, em matérias que sejam do meu domínio.

Caso seja admitido, o que é que Angola pode ganhar com a sua experiência?
A minha experiência pode ser uma mais-valia para Angola, devido à minha capacidade de execução, do ponto de vista técnico. Possuo uma boa combinação entre a área académica e profissional. Detenho conhecimento amplo dos três níveis da logística militar – Estratégico, Operacional e Táctico -, obtido na maior organização mundial no sector da defesa, a OTAN. A nível das Ciências Sociais, possuo formações avançadas de Gestão de Crise Internacional, Política de Segurança e Plano de Emergência Civil e Segurança, pela Universidade de Segurança Nacional do Reino da Suécia. Estas formações são um complemento à formação que fiz em Relações Internacionais, permitindo que faça uma leitura clara das volatilidades políticas nacionais e internacionais.

Quais são os momentos mais marcantes vividos na OTAN?
Foram vários. A OTAN pensa muito nos seus quadros. Pelo tempo que lá estive, senti que a aposta nos quadros está sempre nas suas grandes prioridades, daí ter feito várias formações. O encerramento da missão da OTAN, no Afeganistão, em 2015, foi dos mais distintos acontecimentos, pois fiz parte do grupo de trabalho que elaborou o actual Memorando de Entendimento da ANA-TF. Durante a missão na Turquia, destaco as participações nos exercícios Loyal Lance e Trident Lance, que culminaram com a certificação da capacidade das forças terrestres. Foi, sem dúvida, um momento marcante, que guardo com muito orgulho, por fazer parte de uma fase histórica deste comando da OTAN.

Embora tenha poucas possibilidades de acesso a documentos oficiais das Forças Armadas Angolanas, que analisa faz ao funcionamento da logística militar?
Existe uma clara necessidade de melhorar as classes I, que tem a ver com rações de combate, II, ligada aos fardamentos, e a III, ligada aos lubrificantes e combustíveis e óleos. É importante que Angola tenha uma indústria militar. Eu sei que as autoridades angolanas estão a trabalhar com muito afinco na criação de uma indústria militar, a fim de baixarem os altos níveis de importação, tendo em conta aquilo que é a nova conjuntura económica do país. A indústria militar nacional vai certamente baixar os custos orçamentais e contribuir para a diminuição do alto índice de desemprego na nossa sociedade.

O que deve ser melhorado para o êxito das missões de paz em que o país participa?
A harmonização doutrinária e o devido domínio da logística multinacional são aspectos que devem ser tidos em conta por Angola, para garantir o sucesso das missões internacionais. Devo sublinhar que Angola dispõe de uma classe de efectivos militares bastante experientes. É importante termos noção de que as Forças Armadas Angolanas continuam a ter um papel importantíssimo no que diz respeito ao desenvolvimento económico, pois são o garante da livre circulação de pessoas e bens em todo o território nacional.

Coloca Angola entre os países africanos mais bem preparados militarmente?

Angola gasta cerca de 975 mil milhões de kwanzas em defesa e segurança, o equivalente a 21,27 por cento de todas as despesas do Estado. Este alto investimento coloca Angola nos cinco países africanos que mais investem na área da defesa. Coloco Angola entre os países mais bem preparados em África a nível militar. O processo de modernização vai permitir a Angola alcançar outros níveis operacionais. O emagrecimento dos efectivos das Forças Armadas Angolanas vai ser a longo prazo uma realidade. Contudo, devido ao uso das tecnologias e ao melhoramento técnico-militar, o país vai manter-se entre os países mais bem preparados a nível do continente africano.
Como o país já vive uma paz efectiva, pessoas representativas da sociedade civil defendem que os sectores da Saúde e Educação deveriam receber mais verbas e não os órgãos de defesa e segurança. Gostaria de ouvir o seu comentário.
É um assunto bastante pertinente. Embora seja quase consensual que a Saúde e a Educação devam ter um orçamento maior, eu concordo, em parte, que não podemos deixar de investir nas Forças Armadas Angolanas, porque senão estaríamos a diminuir a prontidão combativa e operacional. Os meios de defesa são de natureza dispendiosa, mas fundamentais para a protecção e garantia da nossa soberania territorial (terra, mar e ar). As FAA encontram-se, neste momento, em fase de reestruturação e modernização. A Força Aérea Nacional, por exemplo, tem vindo a reforçar-se com sistemas de vigilância, rádios de localização e telecomunicações, radares de alta qualidade, meios de transmissões e instrumentos expectantes para a defesa anti-aérea, isto para manter o nível de operacionalidade necessária, de forma a manter sempre a soberania territorial. A Marinha de Guerra Angola encontra-se em progresso e modernização, resultado da importância que Angola tem vindo a adjudicar à defesa da soberania nacional, através do mar e das águas fluviais, numa fase em que o terrorismo internacional tem sido uma séria ameaça para a Região do Golfo da Guiné, onde Angola se insere. O orçamento na área da Defesa é tema de debate pelo mundo, mas, nos últimos tempos, os países membros da OTAN viram-se obrigados a investir no mínimo dois por cento do seu Produto Interno Bruto para o sector da Defesa, tendo em conta as novas ameaças globais.

Comparativamente aos outros países africanos, acha que o orçamento para as Forças Armadas Angolanas é exagerado?
Não concordo. Neste momento de modernização, é preciso um orçamento capaz de garantir esse processo, principalmente, destinado ao apetrechamento em equipamento. É importante este investimento.

A formação individual do militar é importante?

A formação académica é primordial para a progressão da carreira militar e tem um papel fundamental na transição para o mundo civil. As Forças Armadas Angolanas enquadram-se no quadro da diplomacia e são um factor de projecção de força, razão pela qual os seus quadros devem ter uma preparação intelectual adequada, tendo em conta que Angola é signatário de vários acordos internacionais. A educação é a ferramenta que permite ao homem elevar-se e ter maior controlo dos seus destinos.

Voltando ao seu caso, não acha que o facto de ser especialista civil seja a razão das dificuldades que encontra na pretensão de ser enquadrado numa instituição militar?

O civil, dentro da estrutura das FAA, parece-me que ainda não tem o seu devido enquadramento, talvez seja por causa do tipo de estruturas orgânicas de defesa que tivemos durante anos. A minha experiência internacional mostra que os civis são uma peça fundamental para o planeamento e execução das operações militares. No final de tudo, as forças armadas obedecem a objectivos políticos.

Há quem diga que Angola tem muitos oficiais generais. Qual é a sua visão?

Existe um número muito elevado de generais, devido aos longos anos de conflito armado. Acredito que, nos próximos tempos, esta realidade será alterada.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/angola-deve-apostar-numa-industria-militar-para-garantir-a-auto-sustentabilidade-das-faa

Mugabe deve renunciar a presidência do Zimbabwe, cargo que exerce desde 1980,

Zimbabwe's President Robert Mugabe SMILE

Zimbabwe’s President Robert Mugabe SMILES during three-day summit on food security at UN Food and Agriculture Organisation (FAO) in Rome on June 3, 2008. Zimbabwe’s President Robert Mugabe accused Britain Tuesday of fomenting Western efforts to effect “illegal regime change” in his country by crippling it economically. AFP PHOTO / POOL / Alessandro Di Meo (Photo credit should read ALESSANDRO DI MEO/AFP/Getty Images)

Eleazar Van-Dúnem |

A situação do Zimbabwe está hoje mais clarificada depois de na noite de ontem os militares terem reforçado as suas posições em toda a cidade de Harare, com especial incidência para as ruas que dão acesso à residência oficial do Presidente Mugabe e de ter detido alguns dos seus principais ministros.

Militares zimbabweanos reforçaram as suas posições nas ruas que dão acesso à residência de Mugabe
Fotografia: AFP |

A comunidade angolana está bem e foi aconselhada a permanecer em casa, enquanto a SADC vai enviar emissários especiais a Harare e a Luanda depois de Jacob Zuma ter falado ao telefone com Mugabe. A TAAG cancelou o voo de ontem para Harare.    

Robert Mugabe pode renunciar ao cargo 
O Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, deve renunciar hoje ao cargo que exerce desde 1980, após garantir a saída, do país, da primeira-dama, Grace Mugabe, numa altura em que uma intervenção militar alimenta rumores sobre um golpe de Estado.
O canal televisivo sul-africano  News24 noticiou ontem que hoje à tarde é anunciada a renúncia de Robert Mugabe e que o Exército mantém a família presidencial e a sua guarda sob custódia, depois de soldados do Exército bloquearem o acesso a edifícios do governo na capital do país, Harare, como o Mwenemutapa, que abriga o escritório do Chefe de Estado, o Parlamento e o Supremo Tribunal.
Ontem, informações apontavam para uma forte presença militar na estrada que leva à residência rural de Mugabe, no distrito de Zvimba.
Três explosões fortes foram ouvidas na noite de terça-feira em Harare, antes de os militares tomarem as ruas e prenderem ministros.
O jornal zimbabweano “NewsDay” noticiou que, após incursões militares nas suas residências, os soldados detiveram os ministros das Finanças, Ignatius Chombo, da Educação Superior, Jonathan Moyo, e do Governo Local, Obras Públicas e Habitação e comissário político a nível nacional da União Nacional Africana do Zimbabwe – Frente Patriótica (ZANU-PF), Saviour Kasukuwere. O trio faz parte do chamado “grupo G40”, facção da ZANU-PF que, segundo especialistas, procura afastar os veteranos da guerra da independência – como o Vice-Presidente Emmerson Mnangagwa, destituído na semana passada – e abrir caminho para a primeira-dama, Grace Mugabe, assumir o poder. No “NewsDay” lê-se que Jonathan Moyo é o cérebro do grupo, um dos muitos em que se dividiu a ZANU-PF para organizar a sucessão do Presidente Robert Mugabe, de 93 anos.
De acordo com a fonte, o presidente da juventude da ZANU-PF e o número dois dos serviços de inteligência foram detidos. Outras informações dão conta de que o director da Polícia também pode ter sido preso pelos militares. Na noite de terça-feira, o Exército negou que esteja em curso um golpe de Estado, mas prometeu combater o que chamou de “criminosos” próximos de Robert Mugabe.
Em comunicado lido à nação na TV estatal, o porta-voz militar disse que não se trata de “uma tomada militar do Governo”. O que os militares querem “é pacificar uma situação degenerada  que, se não for tomada uma providência, pode resultar num conflito violento”. “Assim que cumprirmos a nossa missão, esperamos que a situação volte ao normal”, afirmou.
O porta-voz pediu que todos os “veteranos de guerra” da luta de libertação do Zimbabwe assegurem a paz, a estabilidade e a unidade. E pediu que as forças de segurança cooperem para o bem do país.
“O Presidente e a sua família estão em segurança”, garantiu. Mais cedo, a ZANU-PF acusou num comunicado o chefe das Forças Armadas de “conduta de traição” por ter dirigido ao partido que Governa, na segunda-feira, um aviso sem precedentes, na primeira divergência pública entre Robert Mugabe e os militares.

Apelos à não violência 
Jacob Zuma, o Presidente da África do Sul, manifestou-se contra qualquer mudança de regime “inconstitucional” no Zimbabwe. Em comunicado, Jacob Zuma diz estar “muito preocupado” com a situação e manifesta esperança de que os desenvolvimentos no Zimbabwe “não levem a uma alteração inconstitucional do Governo”.
A ZANU-PF  anunciou no Twitter que “o Zimbabwe é pacífico e não há instabilidade. A Constituição não foi violada e continua a existir uma democracia”.
Em entrevista à agência DW África, Tendai Biti, antigo ministro das Finanças e líder do MDC, principal partido da oposição do Zimbabwe, condena a acção militar em curso no país, mas admite ser tempo de Robert Mugabe deixar o poder.  “Condenamos a retirada ilegal do Presidente, mas é preciso reconhecer duas coisas. Uma é que não houve violência, e acho que o Exército planeou esta acção cuidadosamente. Outra questão é que há uma crise política centrada no Presidente e na sua sucessão. Existe o grave risco de uma dinastia Mugabe se a sua esposa assumir o poder.”
O secretário-geral do MDC afirmou que “o Exército está em processo de tomar o comando”. Em entrevista pelo telefone a partir do Zimbabwe com o canal sul-africano ANN7, Douglas Mwonzora afirmou: “Esta é a definição padrão de um golpe de Estado. Se isto não é um golpe, o que será?”, questionou, antes de acrescentar que a ZANU-PF “está em fase de negação, mas já não tem o controlo”.
Sobre a mensagem do Exército, na qual foi descartada um “golpe militar”, Douglas Mwonzora considerou que “é um comunicado normal quando os militares intervêm”. “Há muito ressentimento contra (o Presidente) Robert Mugabe e a sua esposa (Grace)”, sublinhou. O político pediu aos cidadãos que “tenham cuidado” e disse ser a hora “de salvar o país”, mas advertiu que “não vai ser permitido derramamento de sangue”.
Até ontem, o clima em Harare era calmo, e o comércio funcionava normalmente.

Golpe sofisticado 

Sara Rich Dorman, pesquisadora especializada na História política do Zimbabwe, afirmou à UOL que esta acção militar “é um tipo peculiar de golpe, com um padrão diferente, que não vimos em outros lugares” e que se tiver êxito, pode  ser exportado e intervenções do género podem acontecer noutros países do continente.“Este modelo de intervenção pode ser atraente para outros países em que a maioria das disputas acontece dentro dos partidos dominantes.
Não havíamos visto os militares agindo de forma aberta assim em questões deste tipo. Agora que isso se tornou possível, abre-se a possibilidade de trajectórias semelhantes em outros lugares. Não daria para ver claramente onde, mas é uma nova forma de jogar a política africana, e, se der certo, as pessoas podem tentar repetir.”  Em vez de derrubar o governante e o grupo do poder, os militares parecem querer assumir o governo dizendo que o estão a defender.
“Dada a posição de Robert Mugabe e esta tradição, parecia improvável que alguém o tentasse derrubar. Daí o que estamos a ver, uma intervenção militar que aparentemente não o tirou do poder. Assim, eles conseguem assumir o governo sem precisar romper de forma tão definitiva com o sistema. Fizeram um golpe em defesa do partido que está no poder. É um modelo diferente de golpe”, disse Sara Rich Dorman.
A acção do Exército do Zimbabwe, que assumiu o controlo do país para supostamente proteger o Presidente Robert Mugabe, deve ser entendida como um golpe de Estado, afirma a também autora do livro “Entendendo o Zimbabwe – Da Libertação ao Autoritarismo”, publicado no ano passado, no qual analisa a História política do Zimbabwe. Mesmo que o Exército negue, não há outro nome para o que acontece no país, refere pesquisadora especializada na História política do Zimbabwe.
“É um golpe. É uma intervenção militar na política. Os militares alegam que estão a agir para defender os interesses de Robert Mugabe, que constitucionalmente é o presidente, mas não está claro se ele pediu isso. Não há motivo para achar que ele pediu. Conta como golpe. Não vejo forma de chamar de outra coisa”, disse a cientista política especializada em questões africanas, professora da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e editora sénior da revista académica “Journal of Southern African Studies”.
Sara Rich Dorman explica diz ser raro haver golpes no Sul de África, por a maioria dos países da região ter sistemas partidários fortes.

Ler os sinais dos tempos 

Analistas políticos angolanos contactados pelo Jornal de Angola condenaram a tomada do poder pela Forças Armadas e disseram que Robert Mugabe não soube ler os sinais dos tempos. Para o analista político Herlander Napoleão, é imperativo que as lideranças africanas interpretem os sinais dos tempos e as revoluções sociais que foram ocorreram no nosso continente com a chamada “Primavera Árabe”.
O analista diz ser preciso que se destrua a ideia de que não existe vida depois do poder, e sublinha que as novas gerações africanas perderam o medo, que é o ingrediente fundamental para as ditaduras. África precisa de instituições fortes e de homens sérios, comprometidos com o seu progresso e desenvolvimento , afirma.
Herlander Napoleão lembra que em África, ironicamente, quem chega ao poder através de golpe de Estado normalmente sai da mesma maneira.  “Existe uma linha muito ténue entre o Presidente muito temido e o Presidente muito odiado”, afirma. Lamenta que muitos líderes africanos dificilmente abandonam o poder  voluntáriamente e alerta que os líderes que não conseguirem fazer a leitura dos tempos podem não acabar os seus dias na sua terra natal.”
Para o analista, a boa governação, transparência, alternância democrática continuam “nublados e confusos, e muitos líderes  africanos esqueceram-se dos grandes líderes impulsionadores das lutas de libertação de África. Exorta os governantes africanos a evitarem promover o que chama de “sucessão dinástica” (tentativa de alguns chefes de estado em entregar o poder a filhos e mulheres) em países republicanos, o que, entende, está na origem de muitos conflitos em África.

Dirigentes africanos têm de acabar com a ideia de que são insubstituíveis e o seu poder é eterno

Augusto Báfua Báfua, especialista em relações internacionais, lembra que o antigo Presidente nigeriano, Olusegum Obasanjo, alertou no inicio deste  2017 aos líderes africanos longevos. “Se não deixarem o poder, o poder vai  deixar-vos”.
Para Báfua Báfua, Robert Mugabe deu indícios de perder o controlo da situação quando o seu maior problema passou a ser primeiro a ex-vice-presidente Joyce Mujuro e agora o sucessor desta, Emmerson “Ngwena” Mnangagwa.  Segundo o analista, cogita-se que os militares exigem a (re)nomeação de Emmerson Mnangagwa como vice-Presidente da República e o pedido de demissão de Robert Mugabe, ficando deste modo “Ngwena” como Presidente interino e candidato da ZANU-PF à Presidência da República já em 2018.
As próximas horas vão dizer muito sobre o futuro a curto prazo do Zimbabwe, perspectiva Augusto Báfua Báfua.
Osvaldo Mboco, docente universitário, lembra que o Zimbabwe independente sempre foi governado por Robert Mugabe, e que nos anos 80 e 90 este era um dos países mais prósperos de África, com um nível de desenvolvimento invejável, um índice de desenvolvimento humano médio e um sistema de saúde e educação dos melhores em África.
O analista pede uma posição clara da União Africana e dos blocos regionais nos quais o Zimbabwe está inserido sobre a situação.  O Zimbabwe, recorda, atravessa uma profunda crise económica, com 70 por cento da população a viver abaixo da linha da pobreza.

                                     União Africana condena “o que parece um golpe de Estado” contra Robert Mugabe no Zimbabwe

O Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, condenou, na qualidade de presidente em exercício da União Africana, “o que parece um golpe de Estado” no Zimbabué e  instou os militares a “submeterem-se à legalidade constitucional”, segundo um comunicado oficial.
“A União Africana manifesta a sua grande preocupação em relação à situação em curso no Zimbabwe, onde manifestamente soldados estão a tentar tomar o poder pela força”, lê-se no comunicado da organização.
A União Africana “condena com a maior firmeza o que parece um golpe de Estado e reitera o seu total apoio às instituições legais do país” e pede “aos militares que ponham imediatamente termo à sua ação e se submetam à legalidade constitucional”, acrescenta o texto.
Robert Mugabe destacou-se como líder guerrilheiro contra o regime racista branco de Ian Smith, o líder da Rodésia. Em 1980 tornou-se primeiro-ministro, e permitiu a Ian Smith, o homem que o manteve preso por uma década, viver os últimos anos no Zimbabwe. Nos anos 80, sob sua direcção, a economia do Zimbabwe era uma das mais pujantes do continente. Com uma taxa de alfabetização de 90 por cento, o Zimbabwe era  um exemplo para África.
Em 1981, Robert Mugabe recebeu o Prémio Internacional de Direitos Humanos da Universidade Howard em Washington e, em 1988, a ONU  distinguiu -o pela sua luta contra a fome em África.
De lá para cá, a sua imagem  perante a comunidade internacional mudou radialmente.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/militares_tem_o_controlo_da_situacao_no_zimbabwe

Moçambique: Mediadores reúnem-se com delegação da Renamo

Maputo – A equipe de mediadores do diálogo político reuniu-se esta quarta-feira, em Maputo, com a delegação da Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, para avaliar o seu posicionamento em relação ao primeiro ponto da agenda que ainda não teve um desfecho, noticiou a AIM.

MOÇAMBIQUE: CIDADE DE MAPUTO, LOCAL QUE ACOLHE AS CONVERSAÇÕES ENTRE GOVERNO E RENAMO

FOTO: PEDRO PARENTE

O primeiro ponto da agenda refere-se a exigência da Renamo em governar seis províncias das regiões centro e norte de Moçambique, nomeadamente Niassa, Nampula, Zambézia, Tete, Manica e Sofala, onde alega ter vencido nas eleições gerais de 2014.

“As conversações sobre as seis províncias já começaram mais ainda não temos desfecho. Neste encontro demos a continuidade da reflexão sobre o pedido dos mediadores de apresentarmos o nosso posicionamento”, disse à imprensa o chefe da delegação da Renamo, José Manteigas, minutos após o término de uma reunião com a equipe de mediadores.

As conversações entre as partes, que retomaram na segunda-feira, decorrem em separado, a pedido dos mediadores. Na terça-feira, a equipa de mediadores reuniu-se apenas com a delegação do Governo liderada por Jacinto Veloso, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança.

O chefe da delegação da Renamo explicou ainda, no fim do encontro, que a Renamo insiste e não abdica da sua reivindicação.

“Nós exigimos a governação das seis províncias e exigimos a reintegração dos homens nas forças armadas”, referiu a fonte.

O diálogo entre o Governo e a Renamo retomou na segunda-feira, depois de uma interrupção de 10 dias a pedido dos mediadores.

As exigências da Renamo incluem ainda a despartidarização do aparelho do Estado, a desmilitarização dos seus homens e sua integração nas Forças de Defesa e Segurança.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/7/32/Mocambique-Mediadores-reunem-com-delegacao-Renamo,a1d689bf-accf-4a33-b254-aa2cb2270ef5.html

ONU ordena saída de funcionários da capital do Sudão do Sul por causa de conflitos

07-14-2016WaterSudan
 
 
Funcionários que não desempenham funções críticas foram realocados de Juba após onda recente de violência. Decisão é motivada por riscos e desafios operacionais, que incluem o saque do maior armazém de alimentos da cidade, controlado pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA).
 
Na quinta-feira (14), o UNICEF entregou 100 mil litros de água para pessoas internamente deslocadas em Juba. Foto: UNICEF Sudão do Sul
 
 
As Nações Unidas ordenaram na quinta-feira (14) que funcionários de suas agências e da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS) que não desempenham funções críticas fossem realocados de Juba, capital do país, para outras regiões devido aos recentes confrontos na cidade. A situação no local apresenta desafios operacionais que incluem o saque do maior armazém da capital, controlado pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA).
 
Segundo o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, a Missão das Nações Unidas recebeu relatos “perturbadores” de que instalações e funcionários da Organização e de parceiros internacionais foram intencionalmente alvejados por integrantes do Exército Popular de Liberação do Sudão durante os últimos conflitos.
 
Informações incluem casos de estupro e assassinato de um sul-sudanês e um estrangeiro a serviço de organizações não governamentais. Profissionais da ONU também foram vítimas de ataques.
 
“Condenamos nos mais fortes termos esses ataques”, afirmou Dujarric. “Pedimos às autoridades nacionais que investiguem essas sérias alegações imediatamente e de forma abrangente, e levem os perpetradores à justiça.”
 
A decisão de retirar parte das equipes não deve afetar a prestação de assistência, pois a ONU e a UNMISS “vão continuar realizando operações críticas para dar apoio” ao povo sul-sudanês, segundo um informe da Missão.
 
Armazém do PMA é saqueado
 
Antes da mais recente onda de violência, o depósito do PMA — localizado na fronteira oeste de Juba — abrigava uma quantidade de suprimentos suficiente para alimentar 220 mil pessoas por um mês.
 
O armazém funcionava como o principal centro logístico do organismo internacional no país, fornecendo alimentos para regiões e cidades em diferentes partes do Sudão do Sul. A extensão dos danos ao estoque causados pelo saque ainda não pôde ser calculada porque funcionários do Programa Mundial não conseguem chegar ao depósito.
 
“O PMA condena fortemente o roubo de comida destinada aos mais pobres e vulneráveis do Sudão do Sul”, destacou o vice-diretor regional da agência, Vernon Archibald. A perda das provisões poderá afetar a capacidade do Programa de responder aos mais de 40 mil indivíduos deslocados pelos recentes confrontos.
 
A chefe nacional do PMA, Joyce Luma, informou que a agência da ONU tem conseguido levar alimentos para as pessoas abrigadas em bases da Missão das Nações Unidas — responsável atualmente pela proteção de cerca de 33 mil indivíduos internamente deslocados que residem, em sua maioria, em abrigos para civis ao lado da Casa da ONU em Juba.
 
O próprio escritório do Programa Mundial abriu suas portas a civis e já conta com cerca de 3 mil sul-sudaneses em suas instalações.
 
“Uma mãe fugiu para o nosso complexo com seu bebê poucas horas após dar a luz”, contou Luma. A dirigente lembrou que, em saques anteriores, o PMA conseguiu negociar a devolução da comida roubada com os ladrões — que teriam reconhecido a importância da assistência humanitária.
 
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Agências da ONU e parceiros levam assistência
 
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou na quarta-feira (13) que está trabalhando com parceiros para prestar assistência a cerca de 50 mil pessoas afetadas pelos últimos confrontos em Juba.
 
“As pessoas mais atingidas pelos conflitos estão lutando para lidar com condições terríveis. Elas estão desesperadas por água, alimentos e necessitam de assistência médica”, disse o representante do UNICEF no Sudão do Sul, Mahimbo Mdoe.
 
Kits com utensílios para cuidados de saúde primários, bem como itens de lazer para as crianças foram distribuído na quinta-feira (14).
 
Já na terça-feira (13), assim que os acessos à ajuda humanitária foram liberados, quatro caminhões de suprimentos — carregados com itens para tratar desnutrição e artigos de saneamento — saíram dos armazéns da agência da ONU para um local onde as Nações Unidas acolhe deslocados em Juba. Barras de alimentos hipercalóricas também foram distribuídas em duas igrejas onde as famílias estão reunidas.
 
Equipes do UNICEF e de seus parceiros estão trabalhando também para avaliar a extensão das necessidades humanitárias e começaram a procurar familiares de crianças que foram separadas de seus pais.
 
“Estamos dando assistência e essa resposta continuará crescendo. No entanto, é vital que sejamos capazes de chegar a todos os necessitados e, para isso, temos de ter acesso humanitário sem restrições”, ressaltou Mdoe.
 
O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que, desde o cessar-fogo acordado na segunda-feira (12), famílias começaram a retornar para suas casas em Juba, mas milhares permanecem deslocadas.
 
O organismo da ONU disse que parceiros humanitários estão monitorando de perto a situação de outras regiões do Sudão do Sul — como Yei, Wau e Leer — que podem enfrentar novas ondas de violência.
 
 

União Européia e Igreja Católica formalmente convidadas para mediarem crise em Moçambique

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A União Europeia (UE) e a Igreja Católica já foram formalmente convidadas pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, para mediarem o fim da crise política entre Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), disseram à Lusa fontes das duas instituições.

Segundo fonte comunitária, a delegação da UE em Maputo recebeu uma carta do chefe de Estado na sexta-feira, endereçada ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, com o convite formal para integral a equipa de mediadores nas negociações de paz.

O porta-voz da Conferência Episcopal de Moçambique e bispo auxiliar de Maputo, João Nunes, bispo, também confirmou à Lusa um convite de Filipe Nyusi entregue na Nunciatura Apostólica na capital moçambicana, na qualidade de representante do Vaticano, convidando a Igreja Católica a assumir igualmente o seu papel de mediação na crise.

A Lusa procurou ouvir a representação em Maputo da África Sul, cujo Governo corresponde à terceira entidade envolvida no processo de mediação, mas ainda não obteve resposta.

Na semana passada, José Manteigas, deputado e membro da equipa negocial da Renamo, adiantou que as duas delegações chegaram a consenso sobre os termos de referência da participação dos mediadores nas conversações, mas remeteu a divulgação de pormenores para o momento em que as entidades tomem parte no processo.

Filipe Nyusi e o líder do principal partido de oposição, Afonso Dhlakama, anunciaram em junho terem chegado, por telefone, a um consenso sobre a participação de mediadores internacionais nas negociações para o fim dos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado da Renamo.

Apesar de as duas partes terem reatado as negociações, os ataques de supostos homens armados da Renamo a veículos civis e militares em vários troços do centro do país não têm cessado e o movimento acusa as Forças de Defesa e Segurança de intensificarem os bombardeamentos na serra da Gorongosa, onde se presume encontrar-se Afonso Dhlakama.

Num comício na segunda-feira na província de Nampula, norte do país, o Presidente moçambicano defendeu que o líder da Renamo “deve parar de matar pessoas”.

“Ele deve parar de matar, porque esse nunca foi o caminho mais correto para governar”, afirmou Nyusi, declarando ainda que tem estado a falar com Dhlakama sobre um eventual encontro entre os dois líderes para o fim da instabilidade militar no país.

O principal partido de oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

O principal partido de oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

http://www.rtp.pt/noticias/mundo/ue-e-igreja-catolica-formalmente-convidadas-para-mediarem-crise-em-mocambique_n931522

Há consenso sobre agenda e termos de referência para diálogo político entre Presidente da República e Afonso Dhlakama em Moçambique

LEGALIDADE

A comissão Mista para o diálogo político diz haver consenso sobre a agenda e os termos de referência para o diálogo político entre o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama. Os termos consensualizados aguardam agora a homologação das duas lideranças.

Antes mesmo do encontro iniciar, o semblante dos membros da comissão já revelava a forma como a reunião poderia decorrer.

“Os nossos trabalhos decorreram num ambiente cordial, de abertura e de troca de ideias. Achamos que foi um ambiente bastante positivo”, assegurou José Manteigas, Porta-Voz da sessão.

Durante três horas sem interrupção, as duas delegações estiveram reunidas a porta-fechada e, no final, saiu apenas uma declaração à imprensa, sem direito a perguntas.

“Durante o período em que estivemos reunidos, conseguimos, ao nosso nível, consensualizar a proposta de agenda que vamos submeter às nossas lideranças. Depois disso, teremos a proposta definitiva. Além disso, estabelecemos as linhas gerais dos termos de referência. Acreditamos que no próximo encontro, a ser realizado próxima quarta-feira, às 15h, na Assembleia da República, podemos trazer de forma precisa os termos de referência que irão nortear o encontro”, disse Manteiga.

Refira-se esta foi a segunda reunião da comissão mista, e a primeira em que estiveram todos os membros indicados.

http://opais.sapo.mz/index.php/politica/63-politica/40993-ha-consenso-sobre-agenda-e-termos-de-referencia-para-dialogo-politico-entre-presidente-da-republica-e-afonso-dhlakama-.html

 

Conselho de Segurança da ONU informado sobre Guiné-Bissau à porta fechada

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O Conselho de Segurança da ONU será informado ainda hoje sobre a situação na Guiné-Bissau, numa reunião à porta fechada em Nova Iorque, pelo Assistente do Secretário-Geral para Assuntos Políticos, Tayé-Brook Zerihoun.


Os membros do conselho querem saber mais sobre a crise no país, onde o Presidente da República, José Mário Vaz, demitiu a 12 de maio o Governo do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), liderado por Carlos Correia, alegando, entre outros motivos, que perdeu apoio parlamentar.

O pedido de informação foi feito pelo Senegal, um membro não permanente, alegando que o organismo não discutia o país desde que tinha visitado a região a 07 de março, no âmbito de uma visita à África Ocidental.

Uma das preocupações do Conselho, segundo o gabinete de um dos países membros, é a possibilidade de uma intervenção militar caso a crise política não seja resolvida.

Quarta-feira, os militares organizaram uma marcha em Bissau usando roupas civis, para mostrar que não têm intenções de interferir, o que é visto como positivo.

Será também discutido no encontro os riscos da retirada da ECOMIB, a missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), devido a dificuldades no seu financiamento.

Uma declaração da Comissão de Construção de Paz da Guiné Bissau, datada de de 10 de maio, fala numa “necessidade premente” de financiar a missão para assegurar a sua continuidade.

A ECOMIB é vista como muito eficaz na dissuasão de uma ação por parte dos militares e os membros deverão querer saber mais sobre o seu papel e necessidades financeiras.

Tayé-Brook Zerihoun, que fará o ‘briefing’, deve também falar sobre as negociações que decorrem para estabelecer um novo governo.

Depois de o Presidente José Mário Vaz ter demitido dois governos no espaço de 10 meses, alguns membros acreditam que o responsável não está interessado em trabalhar com o PAIGC.

Zerihoun deve ainda fazer um balanço sobre as atividades do novo Representante Especial para o país, o maliano Modibo Touré, que assumiu o cargo no mês passado, substituindo o são-tomense Miguel Trovoada.

Depois de demitir o governo do PAIGC, José Mário Vaz recorreu ao “segundo partido mais votado” com a justificação de que o partido no poder não lhe apresentou nenhuma proposta que garanta estabilidade.

Óscar Barbosa, dirigente do PAIGC, referiu hoje em conferência de imprensa que a posição do chefe de Estado representa “uma violação flagrante e criminosa da Constituição”.

José Mário Vaz realizou hoje auscultações aos partidos com assento parlamentar.

Segundo os participantes nas reuniões, o chefe de Estado disse já ter recebido propostas para um novo Governo, que vai agora estudar.

 

http://www.impala.pt/detail.aspx?id=230028&idCat=2059

Militares da Guiné-Bissau garantem que se afastam do “jogo político”

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Os militares da Guiné-Bissau não se vão meter no “jogo político”, serão antes republicanos e respeitadores da Constituição, disse hoje o general Júlio Nhaté, chefe da divisão dos Recursos Humanos das Forcas Armadas.

Nhaté, ex-chefe do Estado-Maior do Exercito guineense, afirmou, perante uma parada militar em Bissau, que o papel dos soldados “é respeitar o poder político” pelo que, notou, aqueles “nunca mais se vão meter no jogo político”, disse.

“Chega de confusão. Quando há confusão somos nós os militares que nos matamos uns aos outros. O nosso papel é defender a pátria e respeitar a Constituição”, disse o general Nhaté.

Os militares guineenses assinalaram hoje o Dia de África com uma marcha entre a rotunda do aeroporto de Bissau até à praça Mártires de Pindjiguiti, numa distância de oito quilómetros, empunhando dísticos nos quais se podia ler: “Vamos nos afastar dos políticos” ou “Vamos apostar sempre na paz e na tranquilidade”.

Em passo de corrida, os soldados entoaram cânticos com refrões como: “A CPLP e a CEDEAO já sabem que não somos nos que criamos confusão no país. Já sabem quem são os que criam confusão no país”.

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/595164/militares-da-guine-bissau-garantem-que-se-afastam-do-jogo-politico

As Forças Armadas Angolanas (FAA) produzem alimentos

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Adalberto Ceita | Negage
25 de Maio, 2016

Fotografia: Eduardo Pedro

As Forças Armadas Angolanas (FAA) vão implementar um programa de produção alimentar em cadeia, que envolve as grandes unidades militares, anunciou ontem, no município do Negage, o ministro da Defesa Nacional.

 

João Lourenço, que falava às tropas em parada, durante uma visita à Unidade Militar número 4067, considerou que a produção alimentar exige investimentos em maquinaria, sementes, fertilizantes e formação do homem, para que se possam retirar rendimentos das terras que circundam as inúmeras unidades militares.
João Lourenço avançou que as chefias das regiões militares já têm instruções neste sentido e que estão a ser criadas condições para que o propósito seja uma realidade num curto espaço de tempo.
“As FAA podem, e devem, na programação das suas actividades, dedicar parte do tempo à produção de bens alimentares de consumo. Evidentemente que isto deve ser feito de forma organizada. As chefias das grandes unidades militares têm essa responsabilidade. O próprio Ministério da Defesa Nacional e o Comando do Estado-Maior General estão com a responsabilidade de, a nível nacional, organizar esta produção para auto-suficiência alimentar”, disse.
João Lourenço sublinhou que as FAA têm de ser transformadas numa força produtiva, independentemente de o Estado ter ou não muitos recursos. O ministro lembrou que a situação financeira que o país atravessa afectou toda a vida do país, e lamentou que o sector da Defesa Nacional tem tido fama sem proveito.
“Pessoas mal informadas têm estado a dizer que a crise tocou a todos menos ao sector da Defesa. Gostava de deixar claro que isto não é verdade, mas de qualquer forma, ninguém está no direito de alegar a crise para deixar de cumprir o seu papel”, disse.
Além de referir que as Forças Armadas são uma parte importante da sociedade e devem saber que sociedade estão a defender, reforçou que com maiores ou menores dificuldades os efectivos não vai deixar de cumprir o seu papel de garante da defesa da Pátria.
Apesar de no país prevalecer uma paz efectiva, o ministro João Lourenço alertou que a responsabilidade da defesa do país não cessou com o calar das armas. “Não podemos cair no erro de pensar que o facto de a guerra ter terminado há 14 anos as Forças Armadas deixaram de ser necessárias, que são apenas um fardo que só consome e gasta. Isto é uma forma muito errada de pensar”, disse.

Defesa do país

João Lourenço explicou que os países,  estejam ou não em situação de conflito, têm de cuidar da sua defesa e o melhor momento para o fazer deve ser em situação de paz. Acrescentou que as FAA têm sabido cumprir com o papel que a Pátria os destinou e “esperamos que a resposta positiva que a juventude foi dando ao longo dos anos continue no presente e no futuro, para que a nossa soberania e integridade não sejam nunca violadas”.
A deslocação do ministro da Defesa Nacional ao município do Negage serviu ainda para o lançamento da primeira pedra para a construção e apetrechamento de dois quartéis de batalhão, visitar o aeródromo de manobra, reunir com o Comando do Estado-Maior da Unidade e tomar conhecimento do informe operativo da situação naquela área de jurisdição.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/faa_produzem_alimentos_para_seu_proprio_consumo