Tradição Bantu no Brasil e África: Cultura, Costumes e Hábitos de Um Povo Transatlântico

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O quarto Encontro Internacional das Tradições Bantu (IV Ecobantu) vai reunir de 4 a 6 de Maio, no Memorial da América Latina, em São Paulo, no Brasil, representantes de vários países africanos, da América Latina, das Caraíbas e observadores da Europa, Estados Unidos e Ásia.

Lesliana Pereira que interpreta a soberana do Ndongo e da Matamba no filme “Nzinga Mbandi” é uma das convidadas para integrar a delegação angolana
Fotografia: DR

Carolina Cerqueira ministra da cultrua de angola

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, e outras personalidades angolanas, já confirmaram a sua presença no encontro de amplitude e dimensão internacional, algo similar a um Fórum Mundial dos Bantu, que tem como tema “Tradição Bantu no Brasil e África: Cultura, Costumes e Hábitos de Um Povo Transatlântico”.

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O IV Ecobantu pretende discutir o legado africano e a sua contribuição na construção do continente latino-americano e em particular do Brasil. Os bantu, oriundos da África central, são a primeira civilização de africanos a aportar ao continente latino-americano.
O IV Ecobantu vai ser desenvolvido através de palestras, conferências especiais, relatos e cantos bantu, com intervenções culturais de “jongo”, “makulelê”, samba de roda, samba de umbigada, tambor de crioula, capoeira Angola e regional, “congada”, além de grupos de danças tradicionais do Gabão e de outros países da África bantu convidados.
O evento é considerado um projecto ousado do  Instituto Latino Americano de Tradições Bantu (Ilabantu), nas palavras da historiadora e fotógrafa Carla Cruz, moradora da zona sul de São Paulo.
“Ecobantu, ao analisarmos pelo viés cultural como historiadora, afirmo que o seu organizador, o Pai Walmir Damasceno “Taata Katuvanjesi”, é um homem ousado, quando se trata do empenho, articulações políticas, sociais e empenho na realização do projecto”, referiu.
Para Carla Cruz, “ao analisarmos pelo viés crença a ousadia, pode ser enxergada como fé. Trata-se de um evento de grande importância às mais diversas áreas, como a académica, cultural, para as comunidades tradicionais e para o fortalecimento da identidade negra, especificamente a dos bantu e sua grandiosa contribuição na cultura afro-brasileira.”
Acrescentou que “fé e ousadia são premissas claras no evento e no seu organizador”.
Em Dezembro passado, em Salvador, palavras semelhantes foram ditas pelas secretarias de Cultura e da Promoção da Igualdade Racial, respectivamente, a professora e actriz Arany Santana e a cientista social Fabya Reis, durante o encontros de ambas com o coordenador geral do Ilabantu, testemunhado por importantes lideranças de terreiros de candomblé Congo Angola da Bahia.

Alain Claude Bilie By Nze1
Pela sua dimensão, o certame chamou atenção do Governo do Gabão e o ministro de Estado da Economia, Comunicação Digital, Cultura, Artes e Tradições, Alain Claude Bilie By Nze, responsável pela Educação Popular e Instrução Cívica, e principal porta-voz do Presidente Ali Bongo Ondimba, indicou que o mandatário gabonês está interessado em aparecer pessoalmente na maior e mais importante capital económica do Brasil e da América Latina, para participar do IV Ecobantu.
O ministro adiantou  que o Gabão está disposto a participar no evento  com uma forte delegação, formada pelo Presidente da República, ministros, diplomatas e artistas, que também conta com a presença do mais prestigiado coleccionador de arte clássica africana, o empresário Sindika Dokolo, presidente da Fundação Sindika Dokolo.

Incursão angolana

o Rei do Bailundo e Ekuikui V
O Ministério da Cultura deve, para este evento, criar condições a fim de viabilizar a presença de alguns dos principais soberanos angolanos no IV Ecobantu, como o Rei do Bailundo e Ekuikui V.

Mfumu Mukongo

Deverão integrar, também a comitiva, o Rei Buba NVula Ndala Mana (Ndongo e da Matamba) e o poderoso Mfumu Mukongo (Afonso Méndes), substituto do Rei do Kongo e coordenador das autoridades tradicionais de MBanza Kongo, província do Zaire.
Da academia intelectual internacional tem confirmada a presença do professor Patrício Batsîkama, aguardado com grande expectativa para a apresentação de diversos trabalhos de pesquisas e estudos “As origens do Reino do Kongo segundo a tradição oral”.  O historiador pretende abordar, também, outros temas actuais, como “Democracia no Reino do Kongo”, “Sistema político, económico e sociedade, religião no antigo Kongo”.
Lesliana Pereira, antiga Miss Angola, actriz que interpreta o papel da rainha Njinga Mbandi tem presença confirmada. O filme, realizado por Sérgio Graciano e escrito por Joana Jorge, segundo a consultora histórica Isilda Hurst, não se limita aos aspectos históricos que marcaram a vida da rainha Njinga Mbandi.

 “Entender o mundo Bantu para melhor compreendê-lo”

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Outra projecção cinematográfica prevista é “Kimpa Vita”. O filme conta a história da mãe da revolução africana, que segundo o seu produtor, Ne Kunda Nlaba, foi uma das maiores líderes africanas, na luta contra a escravidão e pela valorização da identidade do povo bakongo (grupo étnico bantu que vive ao longo da costa centro-africana). Nascida em 1684, Kimpa Vita foi condenada e assassinada.

Kimpa Vita
“Qualquer pessoa que aprende sobre a história de Kimpa Vita fica surpreendido pelo carácter e coragem dela. O mundo precisa saber dela, principalmente o mundo afro-brasileiro e latino-americano precisa saber dos seus feitos, da sua influência”, disse em Londres, Ne Kunda Nlaba, director do documentário, cuja presença está confirmada.
Ne Kunda conta que, quando criança, ouvia sobre Kimpa Vita, mas que nunca aprendeu de verdade sobre a história da heroína angolana na escola. Aos poucos descobriu mais sobre a jovem corajosa de família nobre do Reino de Kongo (região onde hoje estão Angola, República do Congo, República Democrática do Congo e Gabão).

CD Karavana da Saudade
O encontro deve encerrar com o lançamento do primeiro CD Karavana da Saudade, do DJ, actor e produtor angolano Celso Roberto, que deve apresentar-se na companhia de vários outros cantores angolanos e da cantora baiana, Margareth Menezes, da cantora, compositora e sambista carioca, Vilma Rosa, com o seu projecto “É p’ra sambar”.
O IV Ecobantu 2018 tem como tema principal “Entender o mundo bantu para melhor compreendê-lo – tradição no Brasil e África: cultura, costumes e hábitos de um povo transatlântico”.

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Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/cultura/brasil_prepara_encontro__sobre_as_tradicoes_bantu

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Ministra angolana divulga bastidores do dossier Mbanza Kongo: Patrimônio Mundial da Humanidade

Victor Mayala | Mbanza Kongo

26 de Julho, 2017

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, apresentou, oficialmente ontem, em Mbanza Kongo, província do Zaire, o feito de inscrição da cidade na lista do Património Mundial da Humanidade, alcançado a oito deste mês em Cracóvia, Polónia, durante a 41.ª sessão do Comité do Património Mundial da Unesco.

Ministro Bornito de Sousa (ao centro) recebeu das mãos de Carolina Cerqueira e Joanes André a mensagem de reconhecimento ao Chefe de Estado
Fotografia: Garcia Mayatoko | Mbanza Kongo | Edições Novembro

Na cerimónia testemunhada pelo embaixador de Angola junto da Unesco, Sita José, ministros da Administração do Território e dos Transportes e de três antigos ministros da Cultura, Carolina Cerqueira disse que o acontecimento enche de orgulho todos os angolanos de Cabinda ao Cunene e na diáspora que manifestaram a alegria e a auto-estima da nação angolana.
“Viemos aqui apresentar, oficialmente, esta conquista e celebrar com as populações locais que jogaram um papel preponderante no decorrer deste processo, que culminou com o reconhecimento internacional do valor histórico e cultural deste sítio, que é uma referência não só para Angola como para a região da África Austral”, disse.
Para a ministra da Cultura, esta região do continente albergou um dos reinos mais organizados política, económica e socialmente daquela época e que hoje tem o mérito de, séculos depois, mostrar um testemunho único excepcional de uma tradição e de uma civilização viva.
A governante lembrou que a classificação de Mbanza Kongo como Património Mundial da Humanidade resultou do trabalho aturado e de grande qualidade técnica e de investigação multidisciplinar excelentes iniciada há três décadas e que foi acompanhado com um intenso trabalho de diplomacia cultural junto da União Africana, CPLP, países da África Central e do Comité do Património Mundial da Unesco, de que Angola faz parte desde 2015.
“Foi determinante a entrega, dedicação, empenho, resiliência e alto sentido de patriotismo dos quadros angolanos, em particular do Ministério da Cultura, do Governo da provínica do Zaire, de universidades, das autoridades tradicionais, religiosas, militares e da sociedade  em geral”, sublinhou Carolina Cerqueira.
Segundo a ministra, compete agora à Comissão de Gestão do Sítio, instituída pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, dar seguimento às orientações e recomendações emanadas pelo Comité do Património Mundial. Entre outros desafios, avançou a ministra, deve ser levado a cabo um conjunto de tarefas, entre as quais se destaca a realização do Festicongo, uma actividade conjunta entre a República Democrática do Congo (RDC), Congo Brazzaville e Gabão, para a transmissão das práticas tradicionais do lumbo às novas gerações como fonte de inspiração das boas práticas, costumes e desenvolvimento das indústrias culturais, como fomento do turismo e da economia local, através da geração de postos de trabalho e promoção do desenvolvimento sustentado.
“Com estas premissas, estamos convictos de que Mbanza Kongo pode ser um grande centro de atracção turística e de investigação, num futuro próximo”, afirmou a ministra da Cultura que destacou o papel dos precursores do projecto “Mbanza Kongo – cidade a desenterrar para preservar”, os ex-ministros da Cultura, Ana Maria de Oliveira, Boaventura Cardoso e Rosa Cruz e Silva, incluindo o mentor do projecto, o malogrado professor Emanuel Esteves.
Após o acto, a ministra da Cultura concedeu uma conferência de imprensa, onde, de forma pormenorizada, esclareceu os aspectos inerentes ao desenrolar de todo o processo que culminou com a inscrição de Mbanza Kongo na lista de Património Mundial da Humanidade.
A governante afirmou também, no acto ocorrido à margem das celebrações da 16.ª edição das Festas da Cidade de Mbanza Kongo, que Angola apresentou à Unesco mais três propostas de sítios a serem inscritos, como são os casos das pinturas rupestres de Tchitundu Hulo, no Namibe, o Corredor do Kwanza e a cidade do Cuito Cuanavale.

População precisa de ser educada a preservar a cidade

O embaixador de Angola junto da Unesco, Sita José, afirmou ontem em Mbanza Kongo que agora é preciso continuar a educar a população para a necessidade da conservação do património, além de recomendar maior rigor na gestão e divulgação dos símbolos aprovados dentro do perímetro de protecção.
O governador provincial do Zaire, Joanes André, entregou ao ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, uma mensagem para o Presidente da República, cujo teor refere-se à sua dedicação e sapiência evidenciadas e que permitiram que o projecto tivesse êxito.
O projecto para a inscrição de Mbanza Congo na lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) foi lançado em 2007, nesta cidade, com a realização da II Mesa Redonda Internacional denominada “Mbanza Congo, cidade a desenterrar para preservar”.
Desde a fundação do Reino do Kongo no século XIII, a cidade de Mbanza Kongo foi a capital, o centro político, económico, social e cultural, sede do rei e a sua corte e centro das decisões.
Mbanza Kongo foi, no século XVII, a maior vila da Costa Ocidental da África Central, com uma densidade populacional de 40 mil habitantes (nativos) e quatro mil europeus.
Com o seu declínio, a cidade de Mbanza Kongo que se encontrava no centro do reino em plena “idade de ouro” transformou-se numa vila mística e espiritual do grupo etnolinguístico kikongo e albergou as repúblicas de Angola, Democrática do Congo, Congo Brazzaville e Gabão.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/cultura/patrimonio/ministra_da_cultura_divulga_bastidores_do_dossier_no_zaire

Ministra da Cultura de Angola cobra responsabilidades dos líderes religiosos

Hard_Carolina-Cerqueira-_ampe-rogerio_RA-620x412.jpgA ministra de Cultura de Angola,Carolina Cerqueira quando falava no Museu Nacional de História Natural, disse que as autoridades não estão indiferentes aos fenômenos praticados pelas igrejas e seitas que atentam contra o bem comum, pelo que os que assim procedem vão ser punidos à luz do que está plasmado na Constituição angolana.
As ações de falsos profetas de igrejas e seitas que usam o bom nome de Jesus Cristo para professar falsas ideologias, nos seus cultos, têm os seus dias contados, pois, realçou a governante,  em nada contribuem para a coesão social.

A ministra da Cultura pediu maior responsabilidade aos líderes religiosos na realização das suas acções em 2017, pois representa mais uma etapa na história moderna de Angola.
A igrejas, disse, devem continuar a realizar as suas ações e o Executivo não fica indiferente por constituírem parceiros essenciais e indispensáveis para o desenvolvimento da nação angolana.
O sociólogo Paulo de Carvalho defendeu que as igrejas devem contribuir para combater a má administração pública e atender questões sociais da população em geral.

Angola celebra a rainha Nginga Mbande

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Nginga Mbande viveu durante um período em que o tráfico de escravos africanos e a consolidação do poder dos portugueses na região cresciam rapidamente. Irmã de Ngola Mbande, que, tendo-se revoltado contra o domínio português em 1618, foi derrotado
pelas forças sob o comando de Luís Mendes de Vasconcelos.
O seu nome surge nos registos históricos três anos mais tarde, como uma enviada do seu irmão, numa conferência de paz com o governador português de Luanda.
 
 
A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, aconselhou, sexta-feira, em Luanda, aos jovens a seguirem o legado da soberana rainha Njinga a Mbande, de forma a salvaguardar a soberania e o amor à pátria.
 
A governante deixou este conselho no final de uma palestra sobre o 353.º aniversário da morte da Rainha Njinga, apelando as jovens mulheres a investigarem mais sobre a vida da soberana dos reinos do Ndongo e da Matamba, que durante o seu reinado deu mostra de firmeza , amor e sobretudo o desejo de liberdade.
A ministra afirmou que atividades de divulgação da vida dos soberanos de Angola devem servir de exemplo para os jovens, para aprenderem os valores socioculturais e a História nacional. Carolina Cerqueira manifestou a disponibilidade do pelouro cultural em continuar a divulgar as figuras que lutaram contra os colonos para manterem a integridade do território nacional.
A ministra destacou a importância de se salvaguardar os arquivos e monumentos que contam histórias das figuras que fazem parte do passado de Angola.
 
Durante a sua intervenção, Carolina Cerqueira referiu que Njinga a Mbande demonstrou toda a sua força e firmeza como mulher, por este motivo as raparigas, hoje, devem ter como exemplo a vida da soberana dos antigos reinos do Ndongo e da Matamba.
A palestra sobre Njinga a Mbande decorreu no Museu de História Natural e teve a participação de directores do Ministério da Cultura, estudantes e membros da JMPLA.