Ministra angolana divulga bastidores do dossier Mbanza Kongo: Patrimônio Mundial da Humanidade

Victor Mayala | Mbanza Kongo

26 de Julho, 2017

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, apresentou, oficialmente ontem, em Mbanza Kongo, província do Zaire, o feito de inscrição da cidade na lista do Património Mundial da Humanidade, alcançado a oito deste mês em Cracóvia, Polónia, durante a 41.ª sessão do Comité do Património Mundial da Unesco.

Ministro Bornito de Sousa (ao centro) recebeu das mãos de Carolina Cerqueira e Joanes André a mensagem de reconhecimento ao Chefe de Estado
Fotografia: Garcia Mayatoko | Mbanza Kongo | Edições Novembro

Na cerimónia testemunhada pelo embaixador de Angola junto da Unesco, Sita José, ministros da Administração do Território e dos Transportes e de três antigos ministros da Cultura, Carolina Cerqueira disse que o acontecimento enche de orgulho todos os angolanos de Cabinda ao Cunene e na diáspora que manifestaram a alegria e a auto-estima da nação angolana.
“Viemos aqui apresentar, oficialmente, esta conquista e celebrar com as populações locais que jogaram um papel preponderante no decorrer deste processo, que culminou com o reconhecimento internacional do valor histórico e cultural deste sítio, que é uma referência não só para Angola como para a região da África Austral”, disse.
Para a ministra da Cultura, esta região do continente albergou um dos reinos mais organizados política, económica e socialmente daquela época e que hoje tem o mérito de, séculos depois, mostrar um testemunho único excepcional de uma tradição e de uma civilização viva.
A governante lembrou que a classificação de Mbanza Kongo como Património Mundial da Humanidade resultou do trabalho aturado e de grande qualidade técnica e de investigação multidisciplinar excelentes iniciada há três décadas e que foi acompanhado com um intenso trabalho de diplomacia cultural junto da União Africana, CPLP, países da África Central e do Comité do Património Mundial da Unesco, de que Angola faz parte desde 2015.
“Foi determinante a entrega, dedicação, empenho, resiliência e alto sentido de patriotismo dos quadros angolanos, em particular do Ministério da Cultura, do Governo da provínica do Zaire, de universidades, das autoridades tradicionais, religiosas, militares e da sociedade  em geral”, sublinhou Carolina Cerqueira.
Segundo a ministra, compete agora à Comissão de Gestão do Sítio, instituída pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, dar seguimento às orientações e recomendações emanadas pelo Comité do Património Mundial. Entre outros desafios, avançou a ministra, deve ser levado a cabo um conjunto de tarefas, entre as quais se destaca a realização do Festicongo, uma actividade conjunta entre a República Democrática do Congo (RDC), Congo Brazzaville e Gabão, para a transmissão das práticas tradicionais do lumbo às novas gerações como fonte de inspiração das boas práticas, costumes e desenvolvimento das indústrias culturais, como fomento do turismo e da economia local, através da geração de postos de trabalho e promoção do desenvolvimento sustentado.
“Com estas premissas, estamos convictos de que Mbanza Kongo pode ser um grande centro de atracção turística e de investigação, num futuro próximo”, afirmou a ministra da Cultura que destacou o papel dos precursores do projecto “Mbanza Kongo – cidade a desenterrar para preservar”, os ex-ministros da Cultura, Ana Maria de Oliveira, Boaventura Cardoso e Rosa Cruz e Silva, incluindo o mentor do projecto, o malogrado professor Emanuel Esteves.
Após o acto, a ministra da Cultura concedeu uma conferência de imprensa, onde, de forma pormenorizada, esclareceu os aspectos inerentes ao desenrolar de todo o processo que culminou com a inscrição de Mbanza Kongo na lista de Património Mundial da Humanidade.
A governante afirmou também, no acto ocorrido à margem das celebrações da 16.ª edição das Festas da Cidade de Mbanza Kongo, que Angola apresentou à Unesco mais três propostas de sítios a serem inscritos, como são os casos das pinturas rupestres de Tchitundu Hulo, no Namibe, o Corredor do Kwanza e a cidade do Cuito Cuanavale.

População precisa de ser educada a preservar a cidade

O embaixador de Angola junto da Unesco, Sita José, afirmou ontem em Mbanza Kongo que agora é preciso continuar a educar a população para a necessidade da conservação do património, além de recomendar maior rigor na gestão e divulgação dos símbolos aprovados dentro do perímetro de protecção.
O governador provincial do Zaire, Joanes André, entregou ao ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, uma mensagem para o Presidente da República, cujo teor refere-se à sua dedicação e sapiência evidenciadas e que permitiram que o projecto tivesse êxito.
O projecto para a inscrição de Mbanza Congo na lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) foi lançado em 2007, nesta cidade, com a realização da II Mesa Redonda Internacional denominada “Mbanza Congo, cidade a desenterrar para preservar”.
Desde a fundação do Reino do Kongo no século XIII, a cidade de Mbanza Kongo foi a capital, o centro político, económico, social e cultural, sede do rei e a sua corte e centro das decisões.
Mbanza Kongo foi, no século XVII, a maior vila da Costa Ocidental da África Central, com uma densidade populacional de 40 mil habitantes (nativos) e quatro mil europeus.
Com o seu declínio, a cidade de Mbanza Kongo que se encontrava no centro do reino em plena “idade de ouro” transformou-se numa vila mística e espiritual do grupo etnolinguístico kikongo e albergou as repúblicas de Angola, Democrática do Congo, Congo Brazzaville e Gabão.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/cultura/patrimonio/ministra_da_cultura_divulga_bastidores_do_dossier_no_zaire

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Ministra da Cultura de Angola cobra responsabilidades dos líderes religiosos

Hard_Carolina-Cerqueira-_ampe-rogerio_RA-620x412.jpgA ministra de Cultura de Angola,Carolina Cerqueira quando falava no Museu Nacional de História Natural, disse que as autoridades não estão indiferentes aos fenômenos praticados pelas igrejas e seitas que atentam contra o bem comum, pelo que os que assim procedem vão ser punidos à luz do que está plasmado na Constituição angolana.
As ações de falsos profetas de igrejas e seitas que usam o bom nome de Jesus Cristo para professar falsas ideologias, nos seus cultos, têm os seus dias contados, pois, realçou a governante,  em nada contribuem para a coesão social.

A ministra da Cultura pediu maior responsabilidade aos líderes religiosos na realização das suas acções em 2017, pois representa mais uma etapa na história moderna de Angola.
A igrejas, disse, devem continuar a realizar as suas ações e o Executivo não fica indiferente por constituírem parceiros essenciais e indispensáveis para o desenvolvimento da nação angolana.
O sociólogo Paulo de Carvalho defendeu que as igrejas devem contribuir para combater a má administração pública e atender questões sociais da população em geral.

Angola celebra a rainha Nginga Mbande

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Nginga Mbande viveu durante um período em que o tráfico de escravos africanos e a consolidação do poder dos portugueses na região cresciam rapidamente. Irmã de Ngola Mbande, que, tendo-se revoltado contra o domínio português em 1618, foi derrotado
pelas forças sob o comando de Luís Mendes de Vasconcelos.
O seu nome surge nos registos históricos três anos mais tarde, como uma enviada do seu irmão, numa conferência de paz com o governador português de Luanda.
 
 
A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, aconselhou, sexta-feira, em Luanda, aos jovens a seguirem o legado da soberana rainha Njinga a Mbande, de forma a salvaguardar a soberania e o amor à pátria.
 
A governante deixou este conselho no final de uma palestra sobre o 353.º aniversário da morte da Rainha Njinga, apelando as jovens mulheres a investigarem mais sobre a vida da soberana dos reinos do Ndongo e da Matamba, que durante o seu reinado deu mostra de firmeza , amor e sobretudo o desejo de liberdade.
A ministra afirmou que atividades de divulgação da vida dos soberanos de Angola devem servir de exemplo para os jovens, para aprenderem os valores socioculturais e a História nacional. Carolina Cerqueira manifestou a disponibilidade do pelouro cultural em continuar a divulgar as figuras que lutaram contra os colonos para manterem a integridade do território nacional.
A ministra destacou a importância de se salvaguardar os arquivos e monumentos que contam histórias das figuras que fazem parte do passado de Angola.
 
Durante a sua intervenção, Carolina Cerqueira referiu que Njinga a Mbande demonstrou toda a sua força e firmeza como mulher, por este motivo as raparigas, hoje, devem ter como exemplo a vida da soberana dos antigos reinos do Ndongo e da Matamba.
A palestra sobre Njinga a Mbande decorreu no Museu de História Natural e teve a participação de directores do Ministério da Cultura, estudantes e membros da JMPLA.