Frente Favela Brasil :”As famílias negras hoje mobilizam R$ 1,5 trilhão por ano.”

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Historiadores dos EUA dizem que Portugal deve desculpas por tráfico de escravos

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Agência Brasil

Os líderes políticos portugueses devem pedir desculpas pelo papel do país no tráfico de escravos e incentivar uma discussão sobre o tema na sociedade portuguesa, defendem especialistas americanos. “O apoio do Estado a estas iniciativas pode galvanizar a investigação e ajudar a informar melhor o público”, disse à agência Lusa o professor da Universidade de Columbia, de Nova York, Christopher Brown.

“O fato de que vários países decidiram que era importante fazê-lo sugere uma nova norma que merece reflexão. Do meu ponto de vista, um reconhecimento do passado contribui para um sentimento coletivo de reconhecimento da desumanidades do passado”, reforçou o também professor americano Walter Hawthorne, da Universidade de Michigan.

Para Christopher Brown , o impacto da ação do Estado nessa área ficou evidente com o Museu de História Afro-Americana, inaugurado em Washington no ano passado e que se tornou o primeiro espaço na capital dos EUA dedicado à história dos afro-americanos, numa iniciativa do presidente George W. Bush, autorizada pelo Congresso.

Brown acredita que quando um líder político fala sobre estes temas “leva a história a uma audiência muito mais ampla do que os acadêmicos conseguiriam e desperta a curiosidade de todos aqueles que nem tinham pensado sobre isso antes. Por isso, sim, a liderança política pode fazer uma grande diferença, sobretudo se acompanhada por um apoio do estado para melhorar o conhecimento e compreensão sobre o tema”, atestou.

Da África ao Brasil

Em abril, o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa visitou a ilha de Gorée, no Senegal, de onde partiram milhares de escravos para o Novo Mundo, e disse que o poder político português reconheceu a injustiça da escravatura quando a aboliu em parte do seu território, “pela mão do Marquês de Pombal, em 1761”.

As declarações foram feitas no mesmo local em que, anos antes, o Papa João Paulo II pediu perdão pela escravatura. A decisão de Rebelo de Sousa trouxe para a opinião pública uma discussão que até então estava praticamente reduzido à academia.

Walter Hawthorne, autor de livros como From Africa to Brazil: Culture, Identity, and an Atlantic Slave Trade 1600-1830 [Da África ao Brasil: Cultura, Identidade e o Comércio de Escravos no Atlântico 1600-1830], acredita que “um pedido de desculpas deve focar-se numa ação, com reconhecimento das consequências, e terminar com uma ação corretiva”, como a criação de um museu ou um centro de investigação.

Desculpas elevam

“Um pedido de desculpas ajudaria os 5.8 milhões de africanos tornados escravos e embarcados em navios com a bandeira de Portugal? Ajudaria aqueles que foram mortos em guerras causadas pelo tráfico de escravos? Aqueles que sofreram há centenas de anos? Não, mas seria um passo em frente para melhorar a relação hoje em dia entre pessoas com coresdiferentes”, defendeu.

“Grandes pessoas pedem desculpas e tornam-se melhores pessoas. Grandes países cometeram atrocidades. Grandes países pedem desculpa. Quando os seus líderes tomam essa ação, elevam os seus países”, acrescentou  Hawthorne,que cresceu no sul dos EUA, um território marcado pela escravatura, e diz que conhece “bem as atrocidades que foram cometidas e a ligação que existe entre o trafico de escravos no Atlântico e racismo, desigualdades globais em termos monetários, educação, emprego, saúde e muito mais.”

“Portugal acolhe coleções de arquivos incríveis e bibliotecas que iluminam a história da escravatura. Nas suas universidades, encontram-se alguns dos melhores historiadores da área, pessoas que dedicaram a sua vida a escrever livros e artigos para envolver o público nestas importantes, mas distantes, discussões”, concluiu o historiador.

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2017/07/17/historiadores-dos-eua-dizem-que-portugal-deve-desculpas-por-trafico-de-escravos/

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II-Negros apoiam a Dilma e são contra o impeachmet

 

0,21.jpgOlhando para as fotos de governadores e seus Staff, há uma gritante invisibilidade do negro. Como diria a poeta e advogada Dra. Orlando Campos em seu poema “Onde estão os meus irmãos?” .

Não estamos em lugar nenhum, é como se o segredo de governar fosse hereditário, os negros não podem ter acesso à informações de como decidir e porque escolhem determinadas políticas públicas.

Alguns setores como a área de finanças aumenta a invisibilidade, sequer chegamos perto dos cargos de assessoria. O lugar do negro tem sido determinado para determinados setores como esportes, cultura, assistência social, segurança pública e as exceções. É assustador, o direito humano de participar do Governo não é respeitado.

Afirmar que o lugar do negro é qualquer lugar, não deixa de ser estimulante e motivador enxergar que os negros não devem limitar suas ambições e que devem se programar para estar em todos os lugares.

Há espaços que desde que a República foi proclamada no século XIX, que os negros não tem acesso por mais que sonhem e lutem, coma devidas exceções. E não depende só de vontade e ter conhecimento especializado e mérito, o que ingenuamente muitos acreditam.

Não existem concursos para ser Ministros, Secretários estaduais ou municipais. Na política as regras são outras, você precisa ter um capital social, amigos, parentes e presença partidária.

Em conversa com a ex Ministra Matilde Ribeiro ela me perguntava o que eu via como diferente entre o Governo Lula e o Governo FHC. Eu respondia que o números de negros ocupando cargos de Assessorias em diferentes ministérios.

Eu fiquei impressionado quando vi o número de negros em cargos de Chefia de Gabinete e Assessorias, eram centenas no primeiro mandato do Governo Lula , comparando com o tempo do Governo FHC que podíamos contar nos dedos de uma mão quem ocupava cargos de Assessoria.

Todos os negros que ocupam cargos de Assessoria nos Ministérios tem consciência do racismo? Infelizmente não, alguns acreditam que o que colocaram no lugar onde estão, foi unicamente e exclusivamente o mérito. Não é verdade, ter uma inserção política tem um valor importante.

Registra-se a importância de negros ocupando cargos, que algumas politicas só foram possíveis quando os negros ocuparam cargos importantes e estratégicos, o caso do Ministério da Saúde, ou ainda tivemos aliados brancos que acreditaram em nossa luta como o Ministro Celso Amorim no Ministério das Relações Exteriores que ajudou a implementar as bolsas para carreira diplomática.

Os negros apoiam a Dilma porque eles podem acreditar em seu sonhos, pois viram, constataram que politicas de ações afirmativas podem avançar apesar dos recuos no momento.

Há muitos problemas no Governo Dilma só temos uma Ministra em todo o Governo, os recursos para diversos programas estão em evidente recuos, o orçamento da SEPPIR sofreu expressiva reduções em suas atividades. Apesar disso , quando olhamos os Estados e Municípios é um oásis.

A visibilidade de negros nos governos Lula e Dilma comparando com a invisibilidade absoluta dos governadores e prefeitos, mostram que o futuro não é nada animador.

Governos em crise cortam as Secretarias e órgãos voltadas para a população negra, o exemplo próximo é o Governo de Brasília, mas o exemplo ocorre em muitos lugares do Brasil. Estamos em governos só para constar que tem um pretinho outros nem essa preocupação tem.

O maior problema é que a medida que não participamos , a democracia fica mais pobre, menos qualificada, distante da maioria da população, e o principal deixamos de sonhar ou imaginar que podemos ser secretários em áreas como planejamento, orçamento e fazenda.

A violência de governadores, prefeitos, a elite partidária, setores da mídia, ruralistas, empresários impedem e boicotam o direito de negros implementarem politicas de ações afirmativas e de combater o racismo.

Estou exagerando, então pergunte para qualquer liderança negra se ele imagina em seu estado, que os negros possam vir a ocupar cargos estratégicos no primeiro escalão dos governos estaduais e municipais, com poder de implementar as politicas de combate ao racismo e do genocídio da população negra.

Infelizmente essa história atravessou o século XX inteiro e o século XXI vislumbramos que teremos muita luta mas seremos vitoriosos. Porque somos cada vez mais conscientes de que a política é um caminho do qual devemos estar cada vez mais presente. E a nossa luta é justa.

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Negros apoiam a Dilma e são contra o impeachment

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Na pesquisa realizada pelo Datafolha na última manifestação pró-impeachment em São Paulo, dia 13/12, os brancos eram 80%. Apenas 2% se declararam pretos nas manifestações.

Uma informação nada desprezível, os negros não estão alinhados com setores conservadores. Mostra que apesar da mobilização pró-impeachment, negros de diferentes classes sociais não se identificam com o esse movimento.

Uma maneira de interpretar esse dados poderia ser pela indiferença , boa parte das pessoas não acreditariam que o movimento pró-impeachment afetaria sua vida, ou modificaria sua vidas para melhor.

O envolvimento dos Governos Lula e Dilma junto a população negra foi muito forte e construiu uma história.

Há conquistas importantes para a população negra que os Governos Lula e Dilma foram importantes, embora essas iniciativas tenham começado no Governo Fernando Henrique Cardoso, lembrando que o movimento pró ações afirmativas iniciaram em seu Governo. Embora lideranças do PSDB depois acabaram fazendo oposição aos programas de Ações Afirmativas,

Há tristes registros de pronunciamentos de parlamentares do PSDB, de setores conservadores do PMDB, do DEM contra as ações afirmativas que ajudaram a formar um quadro que se colocou contra o movimento negro.

A luta por ampliação dos programas de ações afirmativas, em defesa dos quilombos, contra a intolerância religiosa, contra o genocídio da população negra formam um conjunto de propostas que aqueles que apoiam o pró-impeachment são contra . Que são essas pessoas, que são contra essas bandeiras de lutas ? Parlamentares no Congresso formados por ruralistas, evangélicos e a bancada da bala que apoiam o impeachment.

Um fato pouco comentado, foi a quase totalidade das lideranças dos militantes dos movimentos negros no país participarem ativamente no ato em defesa da Dilma.

O destaque de 2015 foi a Marcha das Mulheres Negras que se colocaram abertamente em defesa da Dilma, contra setores conservadores.

Se por um lado a crise do Governo Dilma afeta mais duramente a população negra, mas os negros confiam mais nesse governo do que qualquer alternativa que se apresente nesse momento e as razões estão na história recente.