Alerta: Há um ritmo desenfreado de extinções de espécies de plantas

Um estudo divulgado na segunda-feira pela revista científica “Nature” alerta para o ritmo desenfreado de extinções de espécies de plantas no planeta. O relatório, o primeiro realizado em escala global, calcula que 571 espécies tenham desaparecido desde 1750.

Cientistas que participaram do trabalho afirmam que a estimativa é assustadora e pode estar muito abaixo da realidade, já que alguns países não foram estudados minuciosamente.

Mais de 570 espécies de plantas foram extintas desde 1750.

Foto: Pixabay / Divulgação
O Brasil está entre os protagonistas do problema, causado em grande parte pela atividade humana sem metas sustentáveis. A derrubada de florestas e o uso de grandes porções de terra pelo agronegócio são apontados como as principais causas das extinções.

Os autores do trabalho compararam o quadro da crise entre diferentes locais do planeta. O Estado americano do Havaí lidera a lista mundial, com 79 espécies extintas, enquanto a África do Sul soma 37. Além do Brasil, Austrália e Índia também figuram entre as nações mais afetadas pelo fenômeno.

A velocidade do desaparecimento é 500 vezes maior do que os índices registrados durante a Revolução Industrial. Os impactos, asseguram os cientistas, serão profundos na vida do planeta.

O estudo menciona riscos aos próprios seres humanos e demais organismos, além dos ecossistemas, e é embasado por trabalhos de campo e anos de análise de revistas científicas.

AFP. Posted: Junho 12, 2019.

Boa noticia! Delegado do Amapá de Meio Ambiente usa TI contra desmatamento

amapaDelegado do Amapá usa aplicativo do WRI para caçar desmatadores

É preciso dar destaque às cada vez mais raras boas notícias. Leonardo Brito, titular da Delegacia do Meio Ambiente do Amapá, está usando, a Tecnologia da Informação – TI o appdo Global Forest Watch para monitorar em tempo real o aparecimento de novos focos de desmatamento. O aplicativo, desenvolvido com o apoio do WRI, traz imagens de satélite com resolução suficiente para que Brito identifique e monte uma operação rapidamente. Apesar do Amapá não constar do ranking dos grandes desmatadores, Brito conta que “grileiros invadem e derrubam a mata para colocar gado. Madeireiros ilegais arrasam áreas grandes em busca de madeiras nobres. Querem ipês e cedros, mas derrubam tudo e vendem o resto para virar carvão.”

Vamos plantar um trilhão de árvores

o-que-e-reflorestamento-02Um professor e sua equipe desenvolveram ferramentas para analisar fotos de satélite que, combinadas com resultados de pesquisas de campo, estimam quantas árvores existem no planeta. A conta chegou a cerca de 3 trilhões de árvores, 7 vezes mais do que última estimativa feita pela NASA. Crowther foi além: somou as áreas degradadas ou abandonadas, excluindo cidades e lavouras, e estimou ser possível plantar mais 1,2 trilhão de árvores sem deslocar pessoas ou ameaçar a segurança alimentar. O crescimento desta quantidade de árvores sugaria 130 bilhões de toneladas de carbono da atmosfera ou o equivalente a dez anos de emissões globais como as do ano passado, empurrando assim os impactos das mudanças climáticas para muito além. O jornal inglês The Independent e o site belga HLN deram a notícia.

 

Fontehttp://climainfo.org.br/2019/02/19/plantar-um-trilhao-de-arvores-para-conter-o-aquecimento-global/

Mudanças climáticas e segurança nacional

furaão na base de Tyndall

por Adriana Erthal Abdenur
Fevereiro 8, 2019
Imagem por Nasa

As chances crescentes de vendavais, enchentes e secas representam ameaças à segurança nacional não apenas no espaço terrestre mas também na costa

Em 2018, caças F-22 foram parcial ou totalmente destruídos quando o Furacão Michael atingiu a Base Aérea Tyndall, na Flórida. As aeronaves, que valem bilhões de dólares, estavam em solo para manutenção. O furacão, de categoria 4 na escala Saffir-Simpson (que vai até 5), danificou gravemente os hangares da base e boa parte do seu conteúdo.

O evento extremo chamou atenção para um risco que, até poucos anos atrás, sequer constava na lista oficial de ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos: o impacto das mudanças climáticas. Um relatório publicado pelo Pentágono em 2014 já havia alertado que o clima representa “riscos imediatos” para a segurança norte-americana, argumentando que medidas concretas de adaptação seriam necessárias.

Frequência e intensidade dos eventos meteorológicos e a elevação do nível do mar oferecem riscos. Já sabemos que dezenas de bases navais norte-americanas, sobretudo situadas em atóis e ilhas do Pacífico, são vulneráveis. Desastres como o Furacão Michael mostram que as políticas de adaptação colocadas em prática não foram suficientes, segundo novo relatório de defesa. Dois terços das instalações estão sob risco de inundação. Mais da metade é vulnerável a secas e incêndios florestais.

As mudanças climáticas já ameaçam instalações militares brasileiras. Em outubro de 2017, uma tempestade tombou uma aeronave Pantera K2 e danificou helicópteros, gerando estragos milionários na base do Comando de Aviação do Exército, em Taubaté. Os ativos militares brasileiros estão concentrados geograficamente. As chances crescentes de vendavais, enchentes e secas representam ameaças à segurança nacional não apenas no espaço terrestre mas também na costa.

As ameaças não se limitam aos danos materiais. As Forças Armadas no Brasil são importantes no desenvolvimento de áreas remotas e na assistência humanitária, inclusive em casos de desastres naturais e ao longo das zonas de fronteira. O agravamento de tais quadros requer planejamento de longo prazo para mitigação e adaptação. É necessária maior reflexão, inclusive do Ministério da Defesa, sobre como adequar políticas e instituições a essa nova realidade.

As mudanças climáticas se multiplicam e aceleram os conflitos armados por todo o mundo. Dado o histórico brasileiro de participação em operações de paz, tais impactos também são altamente relevantes para a política externa brasileira. Estudos já mostram que elas produzem desafios adicionais às missões de paz das Nações Unidas. Na região do Sahel, a desertificação vem acirrando disputas em torno da água, exacerbando a insegurança alimentar e contribuindo para o surgimento de grupos extremistas.

Furacão atinge o estado da Florida, EUA

 

O clima tem efeitos sobre os padrões de violência e tensões sociais também na América Latina. Nos Andes, o derretimento das geleiras reduz o volume de água de rios. Milhares de pessoas que vivem em vários países da região dependem desses rios, que irrigam terras bem além das áreas montanhosas. O próprio Amazonas nasce das águas de degelo do Nevado Mismi, ao sul do Peru. A América Central e o Caribe sofrem com o impacto de furacões. O Haiti, onde o Brasil teve expressiva atuação junto à missão de paz da ONU, é considerado um dos países mais vulneráveis do mundo às mudanças climáticas.

No Brasil, essa influência começa a ser compreendida. Na Amazônia, mudanças nos padrões pluviais afetam os padrões de seca e de inundações. Isso exacerba os conflitos em torno da terra, provoca enormes fluxos migratórios internos e contribui para crises hídricas em grandes regiões metropolitanas, tais como São Paulo. A mudança climática já ameaça os chamados “rios voadores,” correntes de vento que trazem umidade da Amazônia até a região centro-sul do Brasil.

No Cerrado, a elevação da temperatura pode estender o período de seca, reduzindo a cobertura de árvores e favorecendo as queimadas. Essas secas terão impacto de cada vez maior alcance, já que o Cerrado distribui águas para as principais bacias hidrográficas do país. Em todas essas regiões, infraestruturas críticas, desde hidroelétricas até instalações portuárias, podem sofrer danos irreversíveis em questão de horas em casos de eventos climáticos extremos.

O Ministério da Defesa organizou debates pontuais sobre os impactos das mudanças ambientais em contextos específicos, tais como as operações militares marítimas, terrestres e aéreas. A Política Nacional de Defesa menciona as mudanças climáticas uma vez: afirma que o fenômeno “tem graves consequências sociais, com reflexos na capacidade estatal de agir e nas relações internacionais”. O Livro Branco da Defesa sequer cita as mudanças climáticas. É necessária uma abordagem preventiva e transversal, que preze a cooperação internacional, a mitigação e adaptação de todos os setores da sociedade brasileira. Caso contrário, inclusive as Forças Armadas serão prejudicadas pela falta de preparo.

Quanto à política externa, a permanência do Brasil no Acordo de Paris permite que o país também coopere com outros Estados. Isso para o desenvolvimento, e também para a segurança nacional. Faltam, portanto, políticas e diretrizes que levem a sério o enorme impacto que as mudanças climáticas já surtem sobre os interesses nacionais, e os efeitos ainda mais graves que o fenômeno terá sobre a segurança durante as próximas décadas. As mudanças climáticas requerem uma visão a longo prazo, sob uma ótica de direitos humanos e fundamentada no planejamento sistemático e de precaução.

 

*Adriana Erthal Abdenur é da Divisão de Segurança e Paz do Instituto Igarapé.

Fonte:https://diplomatique.org.br/mudancas-climaticas-e-seguranca-nacional

O que acompanhar no mundo climático em 2019

climate_change_ar_agriculture2014

O pessoal da Axios fez uma lista dos temas climáticos mais importantes a serem acompanhados ao longo do ano.

  1. A política climática nos EUA.
  2. O andamento das ações climáticas na justiça (dos EUA e Europa).
  3. O carvão e a nuclear em dificuldades.
  4. Os efeitos colaterais do protecionismo (em especial Trump x China).
  5. Precificação e taxação de carbono.
  6. As alavancas da demanda de petróleo.
  7. A montanha russa dos preços do petróleo.
  8. A crescente desconexão climática.
  9. As consequências das eleições no Brasil e na Austrália.

A matéria da Axios explica cada um desses temas e sua importância ao longo do ano.

Os 10 artigos científicos sobre o clima mais acessados em 2018

O pessoal da Carbon Brief listou os artigos científicos que geraram mais matérias de jornais, mais tuítes e mais posts em murais no Facebook. A lista dos dez mais é a seguinte:

  1. Trajetórias do sistema da Terra ao longo do Antropoceno.
  2. Aquecimento global transforma os recifes de coral.
  3. Cai a oferta de cerveja devido a extremos de calor e secas.
  4. O balanço de massa da cobertura de gelo da Antártida entre 1992 e 2017.
  5. Padrões espaciais e temporais do branqueamento de corais no Antropoceno.
  6. Reduzir os impactos ambientais dos alimentos por meio dos produtores e consumidores.
  7. A pegada de carbono do turismo.
  8. O desaparecimento dos maiores e mais antigos baobás africanos.
  9. A redução na abundância de artrópodes provocada pelo clima reestrutura a rede alimentar na selva tropical.
  10. Modelo climático mostra que grandes centrais solares e eólicas no Saara aumentam a chuva e a vegetação.

A matéria da Carbon Brief fala um pouco de cada artigo e dá os links para os artigos.

O que acompanhar na ciência climática em 2019

O pessoal da revista Science fez sua lista do que a ciência pode gerar de manchetes. A seleção climática é a seguinte:

  1. Ciência do clima: muita atenção ao gelo polar.
  2. Ciência do clima: testes da geoengenharia para reduzir a radiação solar.
  3. Política científica: alguém para assoprar ciência para o Trump.
  4. Conservação: as avaliações dos países quanto à sua biodiversidade.

Ruralistas de Santarém tentaram impedir reunião da CIDH com indígenas

No quarto dia de sua visita ao Brasil, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA teve uma amostra da grave situação de conflito e violência promovida por gente ligada a produtores rurais da região de Santarém. A Comissão foi interpelada de forma intimidatória e ameaçadora por representantes dos produtores de soja que tentaram impedir a realização da reunião com os indígenas e expulsar o comissariado da região.sanntre

No fundo, nada melhor para ilustrar a situação, não é mesmo?

Mamíferos, aves, peixes, reptéis e anfibios estão ameaçados pela extinção de forma acelerada

coraisRelatório Planeta Vivo  documenta o estado do planeta – incluindo a biodiversidade, os ecossistemas e a demanda de recursos naturais – e o que isso significa para os seres humanos e a vida selvagem. Publicado pelo WWF a cada dois anos, o relatório reúne uma variedade de pesquisas para fornecer uma visão abrangente da saúde da Terra.

Estamos empurrando nosso planeta para a beira. A atividade humana – como alimentamos, abastecemos e financiamos nossas vidas – está causando um impacto sem precedentes sobre a vida selvagem, os lugares selvagens e os recursos naturais de que precisamos para sobreviver.

Em média, vimos um surpreendente declínio de 60% no tamanho das populações de mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios em pouco mais de 40 anos, de acordo com o Living Planet Report 2018 da WWF. As principais ameaças às espécies identificadas no relatar diretamente a atividades humanas, incluindo perda e degradação de habitat e uso excessivo de vida selvagem, como sobrepesca e caça excessiva.

O relatório apresenta uma imagem preocupante do impacto que a atividade humana tem sobre a vida selvagem, as florestas, os oceanos, os rios e o clima do mundo. Estamos diante de uma janela de fechamento rápido para ação e da necessidade urgente de todos – todos – de repensar e redefinir coletivamente a forma como valorizamos, protegemos e restauramos a natureza.

“Este relatório soa como uma advertência em nossa proa”, disse Carter Roberts, presidente e CEO da WWF-US. “Sistemas naturais essenciais para nossa sobrevivência – florestas, oceanos e rios – continuam em declínio. A vida selvagem ao redor do mundo continua a diminuir. Isso nos lembra que precisamos mudar de rumo. É hora de equilibrar nosso consumo com as necessidades da natureza e proteger o único planeta que é a nossa casa ”.

NOSSO PLANETA VIVO, NUM RELANCE

60%

Populações de mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios diminuíram em média 60% entre 1970 e 2014, o ano mais recente com dados disponíveis.

50%

Estima-se que a Terra tenha perdido cerca de metade de seus corais de águas rasas nos últimos 30 anos.

20%

Um quinto da Amazônia desapareceu em apenas 50 anos.

US $ 125 trilhões

Globalmente, a natureza fornece serviços no valor de cerca de US $ 125 trilhões por ano, além de ajudar a garantir o fornecimento de ar fresco, água limpa, alimentos, energia, remédios e muito mais.

 

Ainda temos tempo para agir.

Para garantir um futuro sustentável para todos os seres vivos, precisamos urgentemente conter a perda da natureza. O maior desafio – e a maior oportunidade – está em mudar nossa abordagem ao desenvolvimento e lembrar que proteger a natureza também ajuda a proteger as pessoas.

O WWF está trabalhando com governos, empresas e comunidades para reduzir as emissões de carbono, prevenir a perda de habitat e promover políticas para combater as mudanças climáticas. Estamos focados em proteger a vida selvagem e conservar recursos naturais como florestas, oceanos, água doce e pastagens. E estamos explorando novas maneiras de alimentar nossa população sem prejudicar o meio ambiente.

Em última análise, o mundo precisa se unir para fazer um acordo global para salvar a natureza.

Fonte:https://www.worldwildlife.org/pages/living-planet-report-2018

Presidente Bolsonaro ameaça acelerar os licenciamentos ambientais

20181029153134469326iLicenciamento ambiental está sendo ameaçado pela bancada ruralsita de mudar ainda nesta legislatura. A bancada rualista procurou o presidente Bolsonaro, para propr alterações na  Lei d Licenciamento ambiental.

O presidente tem afirmado que dará celeridade aos licenciamentos das hidrelétricas. O presisente Boldonaro ,  tem dado sinais de que pretende avançar nos processos que envolvem licenciamentos ambientais. A tendência é judicializar esses processos.

O presidente do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE), Marcelo Moraes, afirmou que nos últimos anos novas regras foram impostas, tornando o licenciamento ambiental mais burocrático e moroso
O plano de governo do presidente eleito Jair Bolsonaro para a área ambiental ainda não está claro, mas a expectativa de agentes do setor elétrico ligados à pauta ambiental é de que haja maior abertura ao diálogo, de maneira que seja possível acelerar o processo de licenciamento. Para o presidente do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE), Marcelo Moraes, uma esperada conversa mais aberta pode permitir a retomada da discussão sobre novas hidrelétricas com reservatórios.

 

 

“A gente sabe que o viés do novo presidente é um pouco mais liberal do ponto de vista ambiental, então a gente vê, de certa forma, com bons olhos, de um lado, mas também com certa preocupação, por outro. Acho que tem mais a ganhar do que perder”, disse Moraes, em breve comentário. Ele lembrou da possibilidade, já aventada pela equipe de Bolsonaro, de fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, mas demonstrou otimismo com a possibilidade de maior celeridade do processo de licenciamento, “mantendo a segurança e mantendo todas as prerrogativas ambientais”.

 

Moraes afirmou que nos últimos anos novas regras foram impostas, tornando o licenciamento ambiental mais burocrático e moroso. E destacou, no setor elétrico, a suspensão do processo de licenciamento da usina São Luiz do Tapajós, no Pará, e uma resolução da Agência Nacional de Águas (ANA) impedindo qualquer nova outorga na Bacia do Rio Paraguai, sem qualquer análise prévia. Agora, vislumbra a possibilidade de retomada das discussões sobre a construção de hidrelétricas com reservatórios que considera “uma dádiva”. “Talvez dois ou três países no mundo podem ter ainda exploração de potencial hidrelétrico, o Brasil é um deles, e estamos praticamente impedidos de fazer novas hidrelétricas, seja do porte que for, até PCHs com dificuldade”, disse.

 

Com base na expectativa de uma conversa “mais aberta, mais franca” com diversas frentes – governo, setor elétrico, Organizações não-governamentais (ONGs), Ministério Público e Justiça -, o dirigente defendeu um “maior equilíbrio na relação entre setor produtivo e setor ambiental”. “Acho que no governo Bolsonaro vamos ter uma oportunidade nova de começar um diálogo diferente”, disse, defendendo “a convivência harmoniosa entre o desenvolvimento econômico do País e essa preservação ambiental”.

Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2018/10/29/internas_economia,766846/fmase-quer-acelerar-processo-de-licenciamento-de-hidreletricas-no-novo.shtml

50 000 pessoas por ano morrem no Brasil de doenças relacionadas à poluição

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Em países de baixa renda, 87% dos menores de 5 anos são expostos

Publicado em 29/10/2018 – 13:01

 

Por Vinícius Lisboa – Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro

Um relatório divulgado hoje (29) pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que 93% das crianças e adolescentes respiram ar com nível de partículas finas acima do que é considerado recomendável para a saúde. A situação é mais grave em algumas regiões do mundo como a Ásia e a África e também nos países de renda média e baixa.

A publicação do relatório antecede a realização da Primeira Conferência Global da Organização Mundial de Saúde sobre Poluição do Ar e Saúde, que começa amanhã na Suíça. O tema do encontro é “Melhoria da Qualidade do Ar, Combate às Mudanças Climáticas”.

Nos países com renda baixa e média, 98% dos menores de 5 anos são expostos a níveis maiores do que é recomendado para a saúde, enquanto nos países de renda elevada, o percentual é de 52%.

 

Na África e no Mediterrâneo Oriental, 100% das crianças com menos de 5 anos estão expostas a níveis acima do recomendável.

No continente americano, países de renda baixa e média, como o Brasil, expõem 87% das crianças menores de 5 anos a esses níveis de partículas finas.

Mortes

Além da poluição das grandes cidades, as crianças muitas vezes estão expostas a partículas geradas dentro de suas próprias casas, provocadas pela queima de combustíveis como carvão e querosene.

Cerca de 3 bilhões de pessoas ainda dependem de combustíveis e equipamentos poluentes para cozinhar e se aquecer no mundo. Mulheres e crianças costumam passar mais tempo ao redor dessas fontes de calor, expostas à fumaça, o que resulta em concentrações de poluentes que chegam a ser seis vezes mais altas que o ambiente ao redor.

A organização estima que essa exposição resultou em 3,8 milhões de mortes prematuras em todo o mundo, o que supera a mortalidade causada por malária, tuberculose e Aids combinadas. Destas mortes, 400 mil atingiram menores de 5 anos.

No Brasil, a OMS estima que 50 mil pessoas morrem por ano de doenças relacionadas à poluição do ar. Quase 10% da população do país ainda queima madeira para cozinhar, o que contribui para a exposição à poluição.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2018-10/oms-93-das-criancas-respiram-poluicao-acima-do-recomendavel

O mundo está preocupado com os rumos da política do meio ambiente no Brasil

 

desmtamento

 

Os cientistas do clima estão emitindo seu mais dramático aviso de que a humanidade tem apenas 12 anos para reduzir as emissões ou sofrer as consequências do perigoso aquecimento global. Se os países não começarem a plantar árvores e cortar os combustíveis fósseis agora, disseram, então será impossível evitar um aumento de mais de 0,5ºC, o que erradicará completamente todos os corais do mundo e perturbará irreversivelmente os sistemas climáticos, provocando secas e inundações. e calor extremo que empurrará centenas de milhões para a pobreza.

Começando na Grã-Bretanha, o modelo industrial do capitalismo de carbono tem extraído há muito tempo minerais e recursos orgânicos, e descarregando os resíduos no ar, mar e terra. À medida que mais nações se desenvolviam, exportavam seu estresse ambiental para o próximo país, subindo a escada econômica.

Agora que esse paradigma está sendo replicado pelo país mais populoso do mundo, a China, há muito poucos lugares para absorver o impacto. A competição pelo que resta está crescendo. Então é violência e extremismo.

 

Bolsonaro tem o apoio de líderes do agronegócio e da mineração, que estão esfregando as mãos de alegria com a perspectiva de uma Amazônia desnudada de suas maiores proteções . Os mercados – que são fortemente impulsionados pelas indústrias extrativas – também o amam. O principal índice de ações e a taxa de câmbio do real subiram após a vitória na primeira rodada. Um editorial do Wall Street Journal endossou-o como um ” populista conservador “.

Tais políticos neofascistas não devem ser dispensados ​​de bom grado. Eles são os pistoleiros das indústrias que trabalham contra o acordo de Paris e outros acordos internacionais que visam evitar novas catástrofes ambientais, que atingem os mais duramente os mais pobres. Seu “anti-globalismo” é, antes de tudo, anti-natureza e anti-futuro. Uma abordagem de extração primeiro pode trazer benefícios econômicos a curto prazo, já que os amigos e doadores de campanha limpam mais florestas, abrem plantações e extraem mais minas – mas os lucros são concentrados enquanto o estresse ambiental é compartilhado.

Bolsonaro tem o apoio de líderes do agronegócio e da mineração, que estão esfregando as mãos de alegria com a perspectiva de uma Amazônia desnudada de suas maiores proteções . Os mercados – que são fortemente impulsionados pelas indústrias extrativas – também o amam. O principal índice de ações e a taxa de câmbio do real subiram após a vitória na primeira rodada. Um editorial do Wall Street Journal endossou-o como um ” populista conservador “.

Tais políticos neofascistas não devem ser dispensados ​​de bom grado. Eles são os pistoleiros das indústrias que trabalham contra o acordo de Paris e outros acordos internacionais que visam evitar novas catástrofes ambientais, que atingem os mais duramente os mais pobres. Seu “anti-globalismo” é, antes de tudo, anti-natureza e anti-futuro. Uma abordagem de extração primeiro pode trazer benefícios econômicos a curto prazo, já que os amigos e doadores de campanha limpam mais florestas, abrem plantações e extraem mais minas – mas os lucros são concentrados enquanto o estresse ambiental é compartilhado.

Já estamos vendo um fosso crescente entre políticos e cientistas. Enquanto os últimos pedem uma ação climática mais ambiciosa, os primeiros sabem que receberão mais fundos de campanha se se opuserem aos cortes de emissões, apoiarem as indústrias extrativas e enfraquecerem os regulamentos de poluição. Não são apenas ditaduras. A Grã-Bretanha está avançando com o fracking, a Alemanha com carvão e a Noruega com exploração de petróleo.

Em algum momento, os eleitores perceberão que o estresse ecológico está no centro dos problemas atuais do mundo. O aha! O momento pode ser quando a água cresce proibitivamente cara, ou as safras fracassam devido a ondas de calor sucessivas, ou a crise de refugiados desencadeia a guerra, mas em algum momento a fraqueza dos homens fortes será aparente, e as pessoas buscarão mudanças. O perigo é que, então, pode ser tarde demais. Tanto o clima quanto a política terão ultrapassado um ponto crítico, levando ao caos social e à transformação de populistas em ditadores para toda a vida.

Isso ainda não é inevitável, mas os riscos estão aumentando. O que ficou mais claro do que nunca é que a melhor maneira de evitar o colapso climático e ecológico é votar em líderes que fazem disso uma prioridade. Será impossível consertar a economia a menos que você primeiro conserte o ambiente. O instinto global para mudanças radicais está certo, mas a menos que isso seja voltado para a reconstrução ecológica, as democracias do mundo podem se extinguir antes que os corais o façam.

 Jonathan Watts é o editor de ambiente global do Guardian