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Boa notícia! Mãe e filha sobrevivem ao ebola

No dia 6 de janeiro, uma mãe infectada pelo ebola durante a gravidez deu a luz uma bebê saudável. O caso é raro: é a segunda vez que algo assim é documentado. E a primeira vez que mãe e bebê sobrevivem à doença. Em dezembro, a mulher foi internada num centro de tratamento em Beni, na República Democrática do Congo. Ela respondeu bem ao tratamento, recebeu alta e teve a gestação monitorada. A neném, chamada Sylvana, nasceu pesando quase quatro quilos e continua sendo acompanhada.

O surto de ebola na RDC acontece desde agosto e, de lá para cá, foram confirmados 577 casos e 377 morte

A filha de uma mulher grávida que foi curada do Ebola sobreviveu e testou negativo para o vírus, em um caso que foi descrito como um milagre médico.

Sylvana, nascido em 6 de janeiro e pesando 3,7 kg, é o segundo bebê no mundo conhecido por ter sobrevivido depois de ter nascido com uma mulher que tinha Ebola. É o primeiro caso em que tanto a mãe quanto o bebê sobreviveram.

Em dezembro, a mãe de Sylvana foi internada no centro de tratamento do ebola em Beni, no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), onde a resposta ao surto de Ebola foi prejudicada pela violência. A mãe foi curada e descarregada, e o desenvolvimento de seu bebê foi monitorado antes de retornar ao centro para dar à luz.

A mãe de Sylvana com o filho recém-nascido
 A mãe de Sylvana com seu filho recém-nascido, um dos dois únicos conhecidos por terem sobrevivido após nascer de uma vítima do Ebola. Foto: Cortesia do Ministère de la Santé RDC

Em todo o país, houve 577 casos confirmados de Ebola e 377 mortes desde que um surto foi declarado em agosto do ano passado, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Dra. Séverine Caluwaerts, uma ginecologista de referência com Médicos Sem Fronteiras (MSF), disse que o nascimento de Sylvana ofereceu uma mensagem de esperança a outras mulheres.

“Antes, a mensagem era que seu bebê sempre pegaria Ebola. Agora podemos dizer que tivemos casos em que o bebê sobreviveu, está saudável e sem problemas ”, disse ela.

Caluwaerts fazia parte da equipe que tratou Nubia , o único outro bebê que se sabe ter sobrevivido depois de ter nascido com uma mãe com Ebola. A Nubia nasceu em um centro de tratamento para Ebola na Guiné em 2015, depois de receber três medicamentos experimentais, incluindo o remdesivir, que o MSF agora administra a mulheres grávidas na República Democrática do Congo. Sua mãe morreu horas depois de ela nascer.

O Sylvana foi testado duas vezes para a doença e os resultados foram negativos. No entanto, há um período de incubação de 21 dias para o Ebola, e seu progresso continuará a ser monitorado. Em outro caso recente na República Democrática do Congo, um bebê nascido de uma mãe curada do ebola foi testado como negativo no nascimento, e se tornou positivo seis dias depois. A criança morreu em seguida.

As mulheres grávidas tratadas nas clínicas de MSF na República Democrática do Congo recebem remdesivir, um dos vários medicamentos experimentais usados ​​na atual epidemia. “É uma molécula muito pequena e supomos que ela se transferirá mais facilmente para a placenta”, disse Caluwaert, que acrescentou que acredita-se que o vírus se acumula no líquido amniótico.

Não está claro qual tratamento foi dado a Sylvana, que foi tratada pela equipe da ONG Alima.

A taxa de sobrevivência para crianças de um ano e menos é de 17%, segundo dados coletados em MSF durante a epidemia na África Ocidental. A taxa de sobrevivência para mulheres grávidas foi de aproximadamente 45%. No entanto, este valor deve ser tratado com cautela, uma vez que os testes de gravidez não foram realizados rotineiramente nos estágios iniciais do surto ou em que as mulheres corriam risco imediato de morte. Outro estudosugeriu uma taxa de mortalidade de 80-90% para mulheres grávidas.

Mulheres que estão grávidas ou amamentando atualmente são negadas a vacina experimental para Ebola, uma política descrita como “totalmente indefensável” por especialistas em saúde.

A decisão, que foi tomada pelo ministério da saúde da RDC e ecoa as recomendações da OMS, baseia-se em preocupações de que a vacina pode causar complicações em crianças e bebês em gestação.

Até agora, na RDC, mais de 56.866 pessoas foram vacinadas. A vacina, feita pela Merck, é usada para imunizar um “anel” de contatos de qualquer pessoa que adoecer.

 

Dra. Joy DeGruy ea síndrome pós traumática do escravo

Trabalhos Publicados

A Dra. Joy DeGruy é autora do livro intitulado Síndrome do Escravo Pós-Traumático: o legado de lesões e ferimentos duradouros da América , que aborda os impactos residuais do trauma em descendentes africanos nas Américas. Síndrome do Escravo Pós-Traumático estabelece as bases para a compreensão de como o passado influenciou o presente e abre a discussão sobre como podemos eliminar atitudes não-produtivas, crenças e comportamentos adaptativos e construir sobre as forças que ganhamos do passado para curar lesões de hoje.

Síndrome do Escravo Pós-Traumático: “O Guia de Estudo” é projetado para ajudar indivíduos, grupos e organizações a entender melhor as atitudes e comportamentos funcionais e disfuncionais que nos foram transmitidos através de múltiplas gerações. O Guia incentiva e amplia a discussão e as implicações sobre as questões específicas que foram levantadas no livro de PTSS e fornece as ferramentas práticas para ajudar a transformar atitudes e comportamentos negativos em positivos.

O Dr. DeGruy publicou numerosos artigos publicados em periódicos e desenvolveu a “Escala de Respeito aos Adolescentes Afro-Americanos”, um instrumento de avaliação destinado a ampliar nossa compreensão dos desafios enfrentados por esses jovens em um esforço para impedir sua sobre-representação no sistema judiciário.

Randall Robinson, Gil Noble, Al Sharpton e muitos outros elogiaram o livro. Susan Taylor, Diretora Editorial da Essence Magazine, diz que “A Síndrome do Escravo Pós-Traumático é um trabalho mestre… Seu livro é o bálsamo que precisamos para nos curar e nos nossos relacionamentos. É o dom da totalidade ”. Adelaide Sanford, Vice-Chanceler do Conselho de Regentes do Estado de Nova York, afirma que“ Dr. O fascinante e fascinante livro de Joy DeGruy é uma leitura vital para o nosso tempo … Com as poderosas palavras do Dr. DeGruy, podemos e iremos curar. ”

Além de seu trabalho pioneiro na teoria explicativa e livro, Síndrome do Escravo Pós-Traumático, ela desenvolveu um modelo de educação baseada na cultura para trabalhar com crianças e adultos de cor.

A revolução silenciosa das mulheres do Niger: não querem mais sofrer no casamento

Dionne Searcey
MARADI (NÍGER)

Ele não batia nela. Não gritava. Não a traía —até onde ela soubesse. Mas, menos de dois anos depois do casamento, o marido de Zalika Amadou havia mudado. E sua negligência e indiferença pareciam inaceitáveis, para uma jovem que esperava mais.

A mãe dela, que se casou aos 14 anos com um desconhecido duas vezes mais velho, não conseguia entender as queixas. Ela ficou com o marido por cinco décadas, até a morte dele.

Mas para Amadou, que se casou aos 16 anos, simplesmente ter um marido não bastava. Por isso, certa manhã movimentada em Maradi, Níger, ela se apresentou diante de um juiz, em um tribunal islâmico de rua lotado, e pediu o que muitas mulheres jovens da região estão buscando com muito mais frequência hoje: um divórcio.

Nos bolsões conservadores da África Ocidental, durante séculos a expectativa era de que as mulheres suportassem os maus casamentos. Divórcios aconteciam, mas o mais comum era que os maridos deixassem suas mulheres.

“É o fim do mundo quando um marido e sua mulher não ficam juntos”, disse Halina Amadou, a mãe de Amadou.

Mulheres em aula ao ar livre em Bassaraua, Níger
Mulheres em aula ao ar livre em Bassaraua, Níger – Laura Boushnak/The New York Times

Mas no Níger, um lugar em que as mulheres têm escolaridade mais baixa, padrões de vida piores e menos igualdade com os homens do que em praticamente qualquer lugar do planeta, uma revolução silenciosa está em curso.

Muitas mulheres como Amadou vão ao tribunal que se reúne na calçada, a cada mês, para solicitar divórcios, não só frustradas pela incapacidade de seus maridos de ganhar a vida, em um período de dificuldades econômicas, mas também porque sua visão básica sobre relacionamentos mudou.

Elas querem escolher com quem e quando se casam, em lugar de serem forçadas ao matrimônio. Exigem respeito e, ainda mais, amor. E se os maridos ficam aquém do desejado, são as mulheres que movem a nova cultura da separação.

“As mulheres jovens agora se casam com certas expectativas”, disse Alou Hama Maiga, secretário-geral da Associação Islâmica do Níger. “Se essas expectativas não forem satisfeitas, em dado momento o divórcio se torna inevitável”.

O juiz islâmico que preside ao tribunal religioso de rua em Maradi, a terceira maior cidade do Níger, disse que os divórcios iniciados por mulheres dobraram de número nos últimos três anos, e que quase 50 mulheres ao mês o procuram para terminar seus casamentos.

Zalika Amadou, 17, segura seu filho Affan, de seis meses, em Maradi
Zalika Amadou, 17, segura seu filho Affan, de seis meses, em Maradi – Laura Boushnak/The New York Times

“Essas jovens mulheres não querem mais sofrer”, disse o juiz, Alkali Laouali Ismaël. “Existe uma solução para seus problemas e elas sabem que podem encontrá-la aqui”.

Advogados, associações de mulheres, funcionários do governo local e acadêmicos que estudam a região dizem que esse avanço do divórcio acontece em toda a África Ocidental —em regiões rurais e urbanas, e em áreas muçulmanas e cristãs—, em um momento no qual as mulheres buscam afirmar mais controle sobre seus relacionamentos,

O número total de divórcios continua relativamente estável ou até em queda, em algumas partes da África Ocidental, eles apontam, mas por sob essa estatística se escondem grandes mudanças nos padrões de divórcio, e na sociedade mais ampla.

As mulheres agora têm escolaridade maior, e em algumas áreas se casam mais tarde, fatores que segundo os acadêmicos resultam em casamentos mais estáveis. Ao mesmo tempo, mais mulheres estão se mudando para as cidades e entrando para a força de trabalho, o que permite que muitas delas descartem casamentos insatisfatórios.

A Associação de Advogadas de Dakar disse que hoje ajuda três vezes mais clientes mulheres a obter divórcios do que era o caso quatro anos atrás.

Hajara, que se divorciou do marido e voltou a morar com a família, lava louça perto da filha em Maradi
Hajara, que se divorciou do marido e voltou a morar com a família, lava louça perto da filha em Maradi – Laura Boushnak/The New York Times

“Muitas mulheres em Dakar são independentes e têm empregos e dinheiro”, disse Daouda Ka, advogada que trabalha em casos de divórcio. “No passado, elas simplesmente toleravam maus casamentos. Agora, se não funciona, elas saem”.

Em Gana, 73% dos casos de divórcio conduzidos com ajuda da Legal Aid Scheme of Greater Accra, uma organização de assistência judicial, foram apresentados por mulheres, em 2016-2017, uma grande mudança com relação ao passado. O divórcio, que os cristãos conservadores costumavam ver como tabu, vem sendo apresentado nos sermões das igrejas como uma alternativa melhor do que encerrar um relacionamento com violência doméstica ou adultério.

Amadou viveu sua infância em Maradi, uma cidade de pequenas lojas e feiras ao ar livre, cercada por grupos de aldeias agrícolas.

Ela não estava necessariamente em busca de um marido. Fazia aulas de costura, pelas quais havia convencido sua família a pagar.

“Eu queria ser capaz de me sustentar”, disse.

Mas quando uma amiga ligou para perguntar se Issa podia visitá-la, ela concordou.

O casal terminou se casando e foi morar na casa de Issa, perto do centro da cidade. Pouco depois da mudança, Issa disse à mulher que suas aulas de costura eram um desperdício de dinheiro. Ele não queria que ela saísse de casa.

Mas a alfaiataria dele estava enfrentando dificuldades; a crise econômica da Nigéria havia atravessado a fronteira e atingido Maradi, um grande centro de comércio entre os dois países.

Já empobrecido, o Níger sofreu muito com os problemas originados na Nigéria, entre os quais quase dez anos de guerra com o movimento islâmico radical Boko Haram, que dilaceraram a região.

Poucos anos atrás, Issa ganhava o equivalente a US$ 14 por dia, costurando roupas. Mas de repente ele não conseguia ganhar nem a metade disso.

“Os maridos já não conseguem sustentar suas mulheres da mesma maneira”, disse o juiz religioso Ismaël.

Os problemas econômicos são agravados no Níger porque a poligamia é muito comum. Os homens do país, majoritariamente muçulmano, podem ter até quatro mulheres. O Níger também tem o maior índice de natalidade do planeta: em média, sete filhos por mulher.

Saadia, grávida de seis meses, lista ao juiz Alkali Ismaël, suas razões para querer o divórcio
Saadia, grávida de seis meses, lista ao juiz Alkali Ismaël, suas razões para querer o divórcio – Laura Boushnak/The New York Times

Ismaël diz que a maioria das mulheres que procuram seu tribunal para solicitar divórcios justifica seu pedido mencionando problemas financeiros.

A despeito das mudanças nos costumes, o casamento envolvendo menores de idade tem uma das maiores incidências do planeta no Níger, e as adolescentes do país têm mais filhos do que em qualquer outro país do mundo, de acordo com as Nações Unidas.

Um fator que estimula os casamentos precoces é o medo de que as meninas envergonhem suas famílias e engravidem sem casar.

“Uma menina precisa se casar para evitar problemas”, disse Laouali Oubandawaki Iro, chefe da aldeia de Giratawa, que fica nas cercanias de Maradi, explicando as tradições da região. Ele tem pouco mais de 60 anos, e duas de suas mulheres são adolescentes.

Mas um esforço para limitar os casamentos de menores de idade ajudou a mudar as atitudes. Nos últimos anos, organizações de assistência começaram a atuar na região para aliviar a pobreza e conter o crescimento populacional, e seu foco são os casamentos forçados e os casamentos de menores.

Organizações locais e o governo do Níger aderiram.

Zalika Amadou segura o filho Affan enquanto espera do lado de fora da corte de divórcios
Zalika Amadou segura o filho Affan enquanto espera do lado de fora da corte de divórcios – Laura Boushnak/The New York Times

Amadou achava que seu caso seria simples, ao procurar o tribunal de rua. Mas o juiz disse ao casal que voltasse para casa e tentasse mais uma vez resolver seus problemas. Ele os instruiu a voltar em dois dias caso ainda desejassem um divórcio.

Depois da audiência, Issa, de cabeça baixa, admitiu que o dinheiro era curto e que ele não dava a Amadou todos os presentes que ela talvez desejasse.

“Mas presentes não constavam do contrato de casamento”, ele disse. “Estou cansado de vir aqui”, acrescentou, em um resmungo. “Já tomei minha decisão”.

Dois dias depois, o casal chegou ao tribunal vindo de lados opostos da rua.

“O senhor disse que voltássemos se não conseguíssemos consertar as coisas, e por isso voltamos”, disse Issa. “Agora o que fazemos?”

O casal começou o tedioso processo de dividir publicamente os seus pertences —sal, temperos, pratos, um cântaro usado para que eles se lavassem antes das orações. O juiz deu a Amadou custódia única do filho do casal até que ele fizesse sete anos, e determinou que Issa pague pela comida do menino pelos próximos dois anos.

“Sem problema”, disse Issa.

O casal assinou os papéis de divórcio.

“Está tudo bem para você?”, o juiz perguntou a Amadou. “Creio que isso seja um alívio para você”.

Ela concordou com um aceno de cabeça, e um sorriso largo surgiu em seu rosto. Amadou planeja se casar de novo, com alguém que a ame.

THE NEW YORK TIMES

Mulheres de Guiné Bissau conquistam direitos e aumentam a participação na política

Bissau-30-Dez09-522-cópiaPresidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, promulgou esta segunda feira, 3 de dezembro, a lei da paridade, que visa aumentar a participação das mulheres guineenses na política e nas esferas de tomada de decisão. Segundo a nota informativa enviada à imprensa da Presidência da Guiné-Bissau, a lei obriga a uma representação mínima de 36% de mulheres na lista de cargos eletivos, valores apresentados num território no qual as mulheres representam 55% dos cerca de 1,7 milhões de habitantes.

“A presente lei aplica-se às listas apresentadas pelos partidos políticos às eleições legislativas e autárquicas e tem como finalidade a observação de uma maior igualdade de oportunidades na esfera de decisão, promovendo a paridade entre homem e mulher“, refere a mesma nota.

O parlamento guineense aprovou em novembro na especialidade e na globalidade a lei das quotas, mas os deputados deixaram cair o princípio da alternância, que previa que os partidos políticos apresentassem listas para eleições com candidatos alternados entre homens e mulheres.

As mulheres negras na política

 

Representatividade de mulheres pretas e pardas, maioria da população brasileira, cresceu 38% nas eleições; participação dos homens brancos é 15 vezes maior do que a das mulheres negras

LUIGI MAZZA

12nov2018_14h13

ILUSTRAÇÃO: PAULA CARDOSO

Os americanos que foram às urnas no último dia 6 de novembro elegeram o Congresso mais diverso da história dos Estados Unidos. Pela primeira vez em seus 229 anos, a Câmara norte-americana terá parlamentares muçulmanas e indígenas. O estado de Massachusetts elegeu Ayanna Pressley, sua primeira congressista negra – feito repetido em Connecticut, onde foi eleita a professora Jahana Hayes.

Com as últimas seções ainda sendo apuradas em alguns distritos nesta segunda-feira, dia 12, estima-se que mulheres negras, asiáticas e de origem latina ocuparão 43 das 435 cadeiras da câmara baixa do Congresso. O recorde anterior era de 34 lugares. As parlamentares, classificadas como “não-brancas” e representativas de cerca de 19% da população total dos EUA, terão quase 10% das vagas.

O contraste do avanço americano com o vácuo de representação política no Brasil é imenso. Após as eleições de outubro deste ano, mulheres pretas ou pardas – que constituem a maioria da população brasileira, segundo o IBGE – terão apenas 2,5% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados. Serão 13 deputadas federais representando 48,4 milhões de brasileiras autodeclaradas pretas e pardas no Censo 2010. No Senado, historicamente ainda mais restrito, há apenas uma parlamentar negra.

Ao todo, foram eleitas 65 candidatas autodeclaradas pretas ou pardas para cargos no Legislativo em todo país, levando em conta a Câmara, o Senado e as assembleias estaduais. O resultado equivale a 4% das 1.626 vagas disputadas no pleito. A representação cresceu 38% em relação a 2014. Mas ainda é muito baixa. Para os mesmos cargos, foram eleitas quase o triplo de mulheres brancas (181), seis vezes mais homens negros (379) e quinze vezes mais homens brancos (997).

Cruzando o número total de candidaturas ao Legislativo com o número de eleitos por raça e gênero, o padrão de desigualdade se reforça. Enquanto o índice de êxito eleitoral dos homens brancos em 2018 foi de 10,9% – ou seja, um em cada dez candidatos conseguiu se eleger –, o de homens negros foi de 4,8%. Para mulheres brancas, o índice foi de 4,5%. As candidatas negras tiveram apenas 1,7% de êxito nas urnas.

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O principal obstáculo que a gente enfrenta é a condição financeira. Fiz campanha com 70 mil reais de recursos partidários, enquanto via algumas concorrentes gastarem mais de 2 milhões e 300 mil”, afirma a vereadora de Ji-Paraná e deputada federal eleita por Rondônia, Sílvia Cristina, do PDT. Com mais de 33 mil votos, ela se tornou a primeira mulher negra a representar seu estado em Brasília.

Autodeclarada preta no registro de sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, Cristina faz parte de uma minoria com acesso ainda mais restrito ao Legislativo. Como ela, apenas outras 18 deputadas pretas se elegeram no Brasil em 2018, sendo quase 70% delas no Sudeste. Na região Centro-Oeste, nenhuma foi eleita; no Norte, apenas duas – Sílvia Cristina inclusa.

“Em lugares mais distantes, como Rondônia, os recursos partidários não chegam de forma igualitária”, afirma a pedetista, que credita sua eleição a esforços próprios e à militância na área da saúde, sua principal bandeira. “Alguns grupos políticos não acreditavam na minha candidatura. As mulheres negras, infelizmente, são as que mais têm dificuldade de crescer.”

Para o cientista social e doutor pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Osmar Teixeira Gaspar, o baixo nível de verbas para candidaturas negras é sistêmico no país e reflete a situação financeira dos próprios candidatos. Um levantamento conduzido por Gaspar entre 2010 e 2016 constatou que candidatos brancos a deputado estadual e vereador em São Paulo tinham, em média, um patrimônio declarado quatro vezes maior do que seus concorrentes negros mais ricos. “A discrepância é ainda mais ampla quando se trata de mulheres.”

A desigualdade dentro dos partidos, aponta Gaspar, cria o fenômeno das “candidaturas operárias”: quadros mais pobres, da base da estrutura partidária, que com suas campanhas ativas pela sigla acabam servindo de escada para candidaturas mais bem estruturadas. Como a eleição para a Câmara e assembleias legislativas se dá por quociente eleitoral, os votos desses candidatos migram para correligionários de melhor desempenho nas urnas. “São candidaturas postas para não ser eleitas”, afirma o pesquisador. “Estão ali para ser úteis e permitir que o partido ganhe uma ou duas cadeiras a mais.”

 

Amaior parte das parlamentares negras que se elegeram em outubro exercerão mandatos na esfera estadual a partir de 2019: são 51 ao todo, distribuídas pelas assembleias de 19 estados e do Distrito Federal. O saldo é de 15 parlamentares a mais do que em 2014. Mas elas ainda equivalem a pouco menos de 5% das 1.059 vagas de deputado estadual disputadas este ano.

Com dez eleitas, o Rio de Janeiro foi o estado em que mais deputadas pretas e pardas saíram vitoriosas. Na primeira eleição após o assassinato da vereadora Marielle Franco, do Psol, ocorrido em março deste ano, o estado alçou quatro candidatas negras à Câmara dos Deputados e seis à Assembleia Legislativa do Rio, a Alerj. Em 2014, apenas seis foram eleitas para as duas Casas.

“A movimentação da Marielle desde o ano passado provocou mulheres a estar na política. Vemos uma mudança aos poucos na sociedade, e no Rio isso já é uma realidade”, avalia a deputada estadual eleita Mônica Francisco, também do Psol. Essa foi sua primeira eleição e ela recebeu 40 mil votos. Mônica foi uma das três ex-assessoras de Marielle que se candidataram para a Alerj este ano. As outras duas, Renata Souza e Danielle Monteiro, também foram eleitas.

Na esteira da comoção pela morte da vereadora, a disputa no Rio foi marcada por uma onda de candidaturas de mulheres negras: ao todo, 521 se lançaram candidatas a deputada no estado, um aumento de 52% na comparação com 2014. “Esse fato trágico acabou impulsionando o ingresso de mulheres negras na política. Elas são mais organizadas hoje que os homens negros”, avalia o cientista social Osmar Teixeira Gaspar. Para ele, as mulheres negras têm conseguido um maior acesso às estruturas partidárias. “Essas candidaturas existem, mas não estão maciçamente representadas nos partidos, que reproduzem as mesmas desigualdades da sociedade. Os dirigentes dão preferência a candidatos que têm aporte e, portanto, chances de vencer.”

Em São Paulo, o número de candidatas negras ao Legislativo também cresceu em 2018, passando de 242 a 324. O salto de 34% dentre as candidaturas do maior colégio eleitoral do país, porém, parou nos partidos. Apenas três deputadas negras foram eleitas para a Assembleia Legislativa de São Paulo, a Alesp, e nenhuma para a Câmara dos Deputados. Comparado a 2014, o saldo final foi de uma parlamentar a mais.

Mulheres guinenses aprovaram a lei de cotas mínima de 36% nos cargos eletivos

mulher de guinéA presidente da associação de mulheres juristas da Guiné-Bissau, Helena Neves, considerou hoje que o país tem muitas mulheres com pensamento e atitude machistas e que nem a recente lei das quotas poderá ser suficiente para mudar.

Em entrevista à agência Lusa, Helena Neves, regressada ao país há quatro anos, após vários anos a residir no estrangeiro, defendeu ser necessário “muito trabalho para quebrar com as rivalidades”, que diz existir entre as mulheres na Guiné-Bissau.

“Tenho dito que a Guiné-Bissau é um país de mulheres muito machistas”, afirmou a presidente da associação de mulheres juristas que a própria teve que liderar por falta de quem se chegasse à frente.

Após um grande movimento de pressão das organizações femininas, entre as quais a rede das mulheres parlamentares e a plataforma política das mulheres, o parlamento do país aprovou recentemente uma lei que impõe uma quota mínima de 36% de mulheres nas candidaturas para cargos eletivos públicos.

A lei, aprovada na generalidade no passado mês de agosto ainda se encontra em sede de discussão na especialidade no parlamento, pelo que não entrará em vigor a tempo de ser aplicada nas próximas eleições legislativas, marcadas para 18 de novembro.

A presidente da associação das mulheres juristas da Guiné-Bissau considera que se não for feito um trabalho de disseminação e de sensibilização das próprias mulheres, nem a lei das quotas trará a mudança desejada.

“É preciso explicar o que é isso da lei de quotas, se não for assim será uma letra morta”, observou Helena Neves.

A dirigente associativa aponta para as conclusões de um estudo recente da organização não-governamental Voz di Paz (Voz de Paz), que referem que a rivalidade entre as mulheres é um dos fatores que limitam a igualdade no país.

“Há mulheres que tendo trabalhos que podem dar à outras mulheres profissionais, dão a homens”, enfatizou Neves.

A dirigente sublinha ser anormal quando se vê homens a darem cursos sobre liderança feminina, quando, disse, o país já tem profissionais do sexo feminino naqueles domínios.

fonte:https://www.rtp.pt/noticias/mundo/guine-bissau-e-um-pais-de-mulheres-machistas-afirma-lider-das-mulheres-juristas_n1106046

Joy James: “Mesmo quando somos assassinados, temos que ser dóceis”

por Laura Castanho — publicado 18/09/2018 
Uma das acadêmicas de maior renome da Williams College, James critica a falsa sensação de progresso racial na gestão do ex-presidente dos EUA
Alice Vergueiro/Ibccrim
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‘Os negros pensaram que pertenciam ao próprio país, sem entender que isso tinha data de validade’, diz James sobre a era Obama

“Obrigado pelo livro, mas ele não tem nada a ver com a minha vida.” Foi a carta curta e grossa de Jalil Mutanqim, ativista dos Panteras Negras preso desde 1971, que abriu os olhos de Joy James para expandir o ativismo para fora dos muros da academia.

Aos 59 anos, ela é uma das acadêmicas de maior renome da Williams College, uma pequena universidade de elite na costa leste dos Estados Unidos. Especializada em filosofia política e estudos afro-americanos, ela foi apresentada à mobilização política por ninguém menos que Angela Davis.

James trabalha com presos políticos há 20 anos e milita no movimento abolicionista contemporâneo, que visa acabar com as prisões — a décima terceira emenda da constituição americana, que aboliu a escravidão, não vale para pessoas privadas de liberdade.

Em entrevista a CartaCapital, ela criticou as políticas de segurança pública na gestão Obama e o feminismo negro. Também se disse entusiasmada por novas ativistas, como Alexandria Ocasio-Cortez – estrela ascendente da ala socialista do Partido Democrata, atualmente concorrendo ao Senado – e Erica Garner, a filha de um homem morto pela polícia que se converteu em ativista e morreu no fim do ano passado, aos 27 anos.

Confira abaixo a íntegra da entrevista.

CC: Qual  diagnóstico a sra. faz da democracia, nos EUA e no mundo?

Joy James: Ela está muito frágil. Passamos muito tempo reparando as pessoas que foram traumatizadas pela polícia, ou pelas prisões, ou as enterrando, e isso torna muito difícil ser proativo com a democracia e a organização política. Temos muita gente desgastada.

Pensando no caso da Marielle Franco: você conecta a política doméstica com a internacional, e é aí que acontece a repressão. Foi isso que aconteceu com Malcom X, quando ele viajou a Meca e passou a ser financiado pelo Egito, segundo algumas fontes. Quando ele voltou aos EUA, foi assassinado pouco depois. Foi o que houve com Martin Luther King, quando ele juntou o ativismo pelos direitos civis com a crítica à Guerra do Vietnã e começou a denunciar o capitalismo e o imperialismo — e em 1968 ele também foi morto. O fio é uma coalizão organizada e internacional, e que também apoiamos a democracia quando apoiamos uns aos outros.

CC: Como vê o debate sobre as prisões na atualidade?

JJ: Senti que a resistência crítica e o abolicionismo mainstream estavam minimizando os presos políticos. Uma vez que você considera a ideia de presos políticos, tem que lidar com a autonomia deles. Geralmente falamos do encarceramento em massa e de suas vítimas. Mas os presos políticos não são vítimas, são ativistas, intelectuais. Alguns usam violência, outros não.

A honra é muito importante e acho que é dela que os abolicionistas sentem falta. A honra e a dignidade é o que os torna (presos) humanos. Você tem que respeitá-los.

A democracia ainda não se consolidou no que diz respeito aos negros. É por isso que somos policiados, mortos e humilhados em maior escala. Mas é essa asserção de dignidade – mesmo quando você não é pobre – que leva à rebelião. E penso que é essa asserção que costuma se perder ou ser mal compreendida quando resolvemos a política no pragmatismo.

CC: A sra. leciona um curso sobre o racismo institucional na era Obama. Em retrospecto, como avalia a política racial do ex-presidente?

JJ: O governo norte-americano, na gestão Obama, diminuiu a importância da violência dos supremacistas brancos. Sob Obama, quase todos os chefes do aparato de policiamento eram negros. Obama era o comandante-chefe dos militares, Eric Holder era o advogado-geral, e depois dele foi Lorretta Lynch. O responsável pela segurança interna era Jay Johnson. Então pensei: como é que todo mundo no controle do aparato policial nos Estados Unidos é negro e mesmo assim você não consegue controlar a violência contra os negros por parte da polícia?

Então o Obama disse algo muito pungente — sempre vou lembrar a frase, porque o verbo que usou é incomum. Ele disse, ‘Não posso federalizar a polícia’. Não entendi o significado de primeira, mas então percebi: ah, você acabou de dizer que não consegue controlar a polícia dos EUA. Então por que estamos nos dirigindo a você nas petições? Ele basicamente quis dizer, ‘Perdão, gente, não consigo controlá-los’.

CC: Era apenas simbólico?

JJ: É arrogância, é orgulho, é performance. Trump realmente odeia os negros e age de modo indecente, então claro que há um contraste nítido entre ambos. Mas o que os liberais estavam dispostos a arriscar, sob a gestão de um presidente negro liberal, era mínimo.

No final, as pessoas pensaram, ‘O que eu tirei disso tudo?’. As elites negras tiraram muita coisa, muito capital cultural. Elas iam às festas na Casa Branca. Era um momento em que os negros pensaram que pertenciam ao próprio país, sem entender que isso tinha data de validade. E essa sensação de pertencimento tinha mais a ver com cultura e representação do que com controle sobre a violência e a economia.

Paramos de focar na violência racista [na gestão Obama]. Focamos no fato de que ele cantou ‘Amazing Grace’ e chorou [após o massacre em uma igreja de Charleston]. Esse momento de vulnerabilidade e perdão negros estava estampado na cara do presidente, como se estivéssemos sempre ofendendo.

Mesmo quando somos assassinados, temos que ser dóceis. Não podemos manifestar raiva em público. Esse era o modelo a ser seguido, o modelo oficial do abolicionismo liberal convencional — ‘não irrite os brancos’. Mas eles já estão irritados.

Havia toda essa narrativa triunfal de que tínhamos superado as piores partes e estávamos seguindo adiante. Na verdade, ainda temos que passar pelas piores partes, porque os negros e os radicais são sempre orientados a calar a boca, trabalhar com coalizões e parar de aprontar.

CC: Outro curso que a sra. leciona é focado nas mulheres na política nacional. O que pensa das candidatas nas eleições no Legislativo, em novembro, como Alexandria Ocasio-Cortez?

JJ: Fico animada com ela. Adoro como a juventude está tomando seu espaço. Sei que o Partido Democrata está tentando conter o que vê como ‘a facção do Bernie [Sanders]’, mas ela não é a menina do Bernie. Ela é autônoma e é um fenômeno único. Muito da política é comprometimento ideológico, e também alguma traição. Sinto que em algum momento ela vai se comprometer, mas não acho que trairá ninguém. Era assim que eu também via a Erica Garner.

Fiquei obcecada pela Erica Garner. Ela não fazia a política dos liberais. Se fizesse, teria aparecido nos jornais quando morreu, mas não foi assim. Ela criou sozinha uma das propagandas de campanha mais poderosas nas últimas décadas. Acho que sou uma versão mais atenuada dela, dentro dos espaços liberais.

CC: E os movimentos recentes pela justiça racial, como o Black Lives Matter?

JJ: É complicado. Tenho a Erica Garner como modelo, mas não as outras organizações, como o Black Lives Matter (BLM) e o Say Her Name. O BLM recebeu 100 milhões de dólares da Fundação Ford. Tudo bem. Mas eles também negaram dinheiro ao Martin Luther King quando ele passou a criticar o imperialismo e o capitalismo, então os pagantes têm as suas vontades.

Eles [BLM] estão fazendo coisas importantes, mas não são novidades — ao contrário da Alexandria Ocasio-Cortez e da Erica Garner. Não tem que haver só uma disrupção da norma, mas uma proposta de novos caminhos.

Nossos cérebros estão tão engessados na mesma definição de democracia e trabalho duro, e precisamos abrir espaço para novas formas de pensar. É assim que vejo esses jovens que fogem da política tradicional — não é para destruir nada, mas para plantar algo novo. Não dá para respirarmos sem esse novo fervor político e intelectual.

CC: A sra. também faz uma crítica do feminismo negro. Poderia explicá-la?

JJ: As pessoas se contentam em achar que o feminismo negro é necessariamente mais progressista que o feminismo branco, porque o tornaram monolítico. Meu argumento é que já resolvemos isso nos anos oitenta, e que agora precisamos olhar para a ideologia. Então mesmo com a interseccionalidade, eu pergunto, ‘Ok, mas cadê a ideologia?’. É ela que vai dizer se temos uma marxista ou uma capitalista, uma radical ou uma neoliberal.

É essa ausência de interrogação do feminismo negro, de imbuir nele uma autocrítica, que permite que pensemos que ele é sempre progressista e transformador, mesmo quando não é. Teve quem boicotou meus textos, por eu fazer essa crítica.

Os feminismos negros se consolidaram como uma vanguarda, mas passam muito tempo fazendo uma análise da vitimização. Vitimização não é sinônimo de liderança. Só porque você foi vitimizado, não quer dizer que deva liderar [um movimento político]. A sua subalternidade na ordem social não reflete, necessariamente, a sua coragem de mudá-la.

https://www.cartacapital.com.br/diversidade/governo-obama-subestimou-a-violencia-racista-dos-estados-unidos

Mulheres de Guiné Bissau exigem cumprimento das Lei das cotas

Lei da Cota Histórica foi aprovada a 2 de agosto na Assembleia Nacional Popular. Obrigada os partidos a incluir 36% de mulheres nas suas listas. Precisa ainda ser promulgada pelo presidente da República

A Lei da Cota Histórica aprovada a 2 de agosto na Assembleia Nacional Popular (ANP) pulverizou a Guiné-Bissau com a agitação provocada pelas reinvidicações de mulheres pelos seus direitos políticos. As guineenses exigem ter acesso aos órgãos de decisão de que foram afastadas depois da abertura da pátria de Amílcar Cabral ao sistema de democracia multipartidária.

Hoje em toda a Guiné-Bissau de Norte ao Sul e de Leste a Oeste, nos Ministérios, nas estruturas das comunidades rurais, nas estruturas étnicas, nos mercados, nos bares, nas discotecas dos bairros das grandes cidades do país não se fala de outra coisa que não seja a lei da Cota Histórica conquistada pelas mulheres guineenses na ANP sob a batuta da Plataforma Política das Mulheres da Guiné-Bissau, da Rede das Mulheres Parlamentares e dos ativistas dos direitos políticos das Mulheres da Guiné-Bissau.

“A lei da Quota Histórica vai, sem dúvida, acabar agora de uma vez por todas com a injustiça social contra as mulheres”, explicou a DN a presidente da Rede das Mulheres Parlamentares da Guiné-Bissau, a deputada Suzi Barbosa. No seu entender já era tempo de a mulher guineneense reinvidicar o seu direito de acesso aos órgãos de decisão. “Na Guiné-Bissau temos uma população maioritariamente feminina. O país tem 52% de mulheres e não se sabe muito bem a razão pela qual elas não têm acesso até agora aos lugares de decisão”, defendeu, manifestando de seguida ao DN a sua convicção: “Com a lei da Quota Histórica as mulheres guineenses nunca mais serão usadas pelos partidos políticos nas campanhas eleitorais como carne para obter votos. Agora temos que integrar as mulheres nas listas para as legislativas como candidatas legitimas para sermos também chamadas a elaborar e implementar a gestão das políticas públicas”.

A deputada Suzi Barbosa espelha a imagem real da convicção e predisposição das mulheres guineenses para desencadear agora uma luta desenfreada para conquistar de uma vez por todas os seus direitos políticos de acesso aos órgãos de decisão.
E a três meses das legislativas, ameaçam boicotar o próximo processo eleitoral se os partidos políticos não cumprirem a lei da Quota Histórica que exige a cada força partidária a integração nas suas listas de candidatos ao escrutínio de 18 de novembro 36% de mulheres.

Apoiadas pela Rede das Mulheres Parlamentares, pela Plataforma Política das Mulheres e pelos ativistas dos direitos políticos das mulheres, as mulheres guineenses assumiram elas próprias o papel de fiscalizar a lei da Quota Histórica no ato da entrega das listas no Supremo Tribunal de Justiça em Bissau.

“Seremos nós as mulheres membros dos partidos políticos, deputadas, ativistas dos direitos políticos das mulheres e membros de organizações da sociedade civil que vamos fiscalizar o cumprimento da lei nas listas dos candidatos as legislativas”, asseverou Suzi Barbosa, acrescentando que “ninguém neste país é melhor do que as mulheres na implementação das políticas públicas. Portanto, se os partidos não cumprirem a lei da Quota Histórica, reservamo-nos o direito de boicotar as próximas legislativas de 18 de novembro”.

A Lei da Cota Histórica é assim designada em virtude de o fundador da nacionalidade guineense, Amílcar Cabral, ter aplicado já durante a luta armada pela libertação nacional uma quota de paridade na constituição dos Comítés de Tabanca. Na altura, as mulheres partilhavam de forma equitativa a elaboração das politicas da luta e da gestão de dois terço das regiões libertadas na altura sob domínio colonial português. Dos cinco membros de Comités de Tabanca, dois eram mulheres. Assim sendo, as guineenses defendem também hoje, numa única voz, que se as heroínas como Titina Sila e Carmen Pereira, e outras ainda vivas como Adja Satu Camará e Francisca Pereira, tiveram coragem de exigir a Amílcar Cabral a Quota de Paridade durante a histórica luta armada da libertação nacional, elas vão também fiscalizar nas próximas legislativas todas listas de candidatos entregues no Supremo Tribunal de Justiça para exigir a democracia paritária.

As vendedoras dos mercados de Bandim e de Bairro militar, em Bissau, embora não tenham grande informação sobre a lei da Quota Histórica, sabem como as restantes de todo o país que ela já foi aprovada na ANP. Estão dispostas também a apoiar a luta das mulheres guineenses para ter acesso aos órgãos de decisão, no sentido de poder ativamente participar na elaboração e gestão das políticas públicas do país.

Motivadas pela aprovação da Lei da Quota Histórica na ANP, as organizações das mulheres guineenses garantem que a partir de agora nenhuma mulher votará nos partidos que não cumprirem com a inclusão de 36% de mulheres nas suas listas. No olhar da Rede das Mulheres Parlamentares, da Plataforma Política das Mulheres e dos ativistas dos direitos políticos das mulheres, “as guineenses não podem continuar a ser enfeites domésticos e deixarem os homens monopolizar os órgãos de decisão para legislar, tomar medidas e criar politicas públicas apenas para o consumo das mulheres”.

A presidente da Rede das Mulheres Parlamentas acredita que a “inclusão das guineenses na elaboração das Políticas Públicas as torna mais humanitárias”. Porque elas sabem melhor do que homens como cuidar da família. Por seu lado, o sociólogo guineense e ativista dos direitos políticos das mulheres da Guiné-Bissau, Miguel de Barros, sustentou como prova de que as mulheres serão boas gestoras das politicas públicas o facto de “na Guiné-Bissau quando há fome a mulher lembra-se de dar de comer aos filhos enquanto o homem prefere comer tudo sob a alegação de poder ir trabalhar no dia seguinte para adquirir mais sustento para a família”.

Miguel de Barros e Suzi Barbosa assumem unanimemente que a crise política e institucional que a Guiné-Bissau viveu há três anos e levou ao encerramento da ANP deveu-se ao facto de os homens monopolizarem os órgãos de decisão, legislando, tomando medidas e criando sozinhos todas as políticas públicas sem participação das mulheres.

Os dois promotores e defensores acérrimos da lei da democracia paritária na Guiné-Bissau disseram ao DN que não obstante “as mulheres na Guiné-Bissau representarem 52% da população do país, mas é o grupo mais vulnerável e excluído da esfera de decisão”. No entender deles, a vulnerabilidade é um dos fatores que levam as mulheres guineenses a apresentarem níveis mais baixos de educação do que os homens. Os casamentos e gravidez precoces são também apontados por eles como fatores que reduzem a possibilidades de as mulheres terem o acesso às oportunidades de educação e desenvolvimento profissional. “A maioria dos 30% da população guineense que não tem o acesso à educação são mulheres.

Quando se fala nos partidos políticos da inclusão de mulheres nas listas para as legislativas, os homens não recusam, mas afirmam sempre que tem de haver mulheres com capacidade”, asseverou ao DN Miguel de Barros. Já Suzi Barbosa contra-ataca: “Nós as mulheres, depois da declaração de Cantchungo em 2015, interrogamo-nos se realmente todos os homens deputados que estão na ANP têm capacidades?”. E logo assume: “Hoje há muitas mulheres na Guiné-Bissau com capacidade superior à de muitos homens deputados que andam de um lado para outro na ANP. O que existe agora no nosso país é a falta de vontade politica dos lideres dos partidos políticos em as nomear para os órgãos de decisão”.

Para a vice-presidente da Plataforma Política das Mulheres da Guiné-Bissau, Aissatu Indjai, foi na realidade a ausência de vontade politica dos homens em aceitar a democracia paritária no país que levou a organização das Mulheres que preside, os ativistas dos direitos políticos das Mulheres guineenses e com o apoio da ONU-Mulheres, a criarem há seis anos o projeto da lei da Quota Histórica para garantir os direitos políticos das mulheres guineenses a uma maior participação e inclusiva na esfera de tomada de decisão.

“As organizações promotoras e defensoras dos direitos das mulheres na Guiné-Bissau assumiram, a partir da declaração de Cantchungo, um compromisso firme no sentido de mobilizar as mulheres em todos os partidos políticos, nas ONG, na sociedade civil e nas estruturas das comunidades locais para lutarmos em bloco a favor do princípio da não-discriminação e do gozo igualitário do direito de participação nos órgãos de decisão permitindo, assim, eliminar todas as formas de descriminação contra as mulheres na Guiné-Bissau”, explicou Aissatu Indjai a DN, visivelmente orgulhosa pela união das mulheres em todo o território nacional em torno da lei da Quota Histórica. Esta, diz, não obstante várias dificuldades que têm pela frente, “vai trazer a democracia paritária na Guiné-Bissau”.

Não obstante os discursos eufóricos das organizações promotoras e defensoras da lei da Quota Histórica, para se chegar à democracia paritária nas próximas legislativas as mulheres guineenses têm ainda uma pedra no sapato. Porque se não houver a vontade política do Presidente, José Mário Vaz, em promulgar a tempo a lei da Quota Histórica para entrar em vigor 60 dias antes do próximo processo eleitoral, esta não será ainda aplicada nas próximas legislativas de 18 de novembro.

Mas, Aissatu Indjai afiançou ao DN “nós as mulheres já temos a promessa do presidente José Mário Vaz de promulgar, em menos de 24 horas, a lei da Quota Histórica para a devolver à ANP, e da Assembleia para o Ministério da Função Pública para a sua publicação no boletim oficial”.

Instada a pronunciar-se se os três meses que faltam para a realização do pleito eleitoral será suficiente para promulgação e publicação da lei no boletim oficial, a vice-presidente da Plataforma Política das Mulheres garantiu ao DN que a sua organização está diariamente a acompanhar a evolução da trajetória que a lei da Quota Paritária Histórica está a percorrer na Presidência da República e que está confiante que ela irá entrar em vigor antes das próximas eleições.

“Na verdade estamos diariamente a acompanhar de perto o percurso que a lei da Quota Histórica está a percorrer na Presidência da República. Estamos confiante que o Presidente da República José Mário Vaz promulgará o documento em menos de 24 horas”, garantiu ao DN. Aissatu Indjai manifestou ainda a sua convicção que, com a lei da Quota de paridade Histórica, as mulheres guineenses irão mostrar ao mundo e, em particular, aos países da subregião, como é que as mulheres se podem unir por uma causa, mesmo pertencendo aos vários partidos políticos com distintas ideologias.

Mulheres nas estruturas do poder tradicionais

No período pré-colonial, antes da luta armada da libertação nacional e ao longo da toda a sua caminhada histórica, a mulher guineense tem demonstrado uma forte capacidade de liderança na esfera de decisão e na gestão das políticas públicas nas estruturas das suas comunidades locais. “Só perdeu estes predicados da liderança com a instauração do regime colonial português que a retirou do poder que detinha de regular, por exemplo, as atividades comerciais ou de desempenhar dentro das estruturas das Mansas (Regulados) o papel de conselheiras dos reis que governavam um determinado reino de um império”, assegurou ao DN Miguel Barros, sociólogo e ativistas guineense dos direitos políticos das mulheres.

Miguel de Barros garantiu ainda existirem documentos históricos que provam que no “império de Gabú, por exemplo, as mulheres eram conselheiras de Rei, as mediadoras entre as diferentes classes do império e serviam também de elementos de ligação quando houvesse uma rutura na administração das politicas públicas dos impérios”. E também, de acordo com Miguel de Barros, na cidade de Cacheu, na primeira fase da escravatura, “as mulheres Nharas desempenhavam um papel importante no comércio dos escravos. Os mercadores europeus não tinham o direito do acesso a terra e eram as mulheres Nharas que regulavam as atividades do comércio de escravo com os mercadores estrangeiros, em particular, com os europeus”. Miguel de Barros testemunhou ainda a DN “as mulheres assumiam um papel importante na comunidade. Para além de confecionarem e venderem os produtos caseiros que geravam grandes rendimentos para as suas famílias, eram elas que se encarregavam de administrar e controlar in loco as atividades comerciais dos produtos e geriam também diretamente os trabalhadores das propriedades agrícolas”.

Para além das Nharas, o ativista explicou ao DN que “as mulheres Baloberas gozavam também de um grande respeito e prestigio nas estruturas das comunidades da linhagem de sucessões matrilinear porque era reconhecido nelas o dom de comunicar com os ancestrais como interpretante, vidente e auxiliares religiosas”. Assim sendo, de acordo com Miguel de Barros, “as cerimónias religiosas eram orientadas pelas estas sacerdotisas Baloberas”, mesmo que “o Régulo quisesse tomar medida sobre as políticas públicas do reino tinha que consultar, em última instância, as Baloberas porquanto eram as grandes conhecedoras de plantas medicinais”.

Regime colonial português e poder dos homens na Guiné-Bissau

Entre os ativistas e as organizações das mulheres defensora da lei da Quota Histórica a leitura é unânime que foi a instauração do regime colonial português na Guiné-Bissau que destruiu toda a arquitetura do poder paritária tradicional,​​​​​​ outrora, em algumas estruturas de comunidades, organizado em pirâmide com o Rei no topo e seguido pelos chefes religiosos onde as mulheres detinham um enorme poder.

“O poder colonial português retirou, por exemplo, às mulheres Nharas de Cacheu o poder de regular as atividades de comércios com os mercadores europeus, relegando-as apenas para as atividades domésticas”, assegurou ao DN Miguel de Barros. Este ainda sustentou que “as mulheres passaram, assim, na sociedade guineense a sofrer várias exclusões simultaneamente. São excluídas por serem mulheres, por não serem mulheres grandes, por não ser da origem da família que pode influenciar o acesso aos recursos do próprio Estado e são excluídas economicamente”.

O sociólogo e ativista garantiu a DN que a participação equilibrada entre homens e mulheres nas estruturas de decisão esteve também presente na fase da mobilização e da organização do movimento da luta armada da libertação nacional, “mas o caráter violento da dominação colonial português contribuiu na desestruturação da lógica das instâncias de gestão do poder e da administração das ações públicas pelas mulheres e contribuiu ainda para a reprodução da lógica do poder de força dos homens após a independência da Guiné-Bissau que acabou por afastar as mulheres da esfera pública da decisão”.

Este caráter violento do regime colonial português é ainda hoje, pós-independência e com abertura democrática, apontado pelas organizações e pelos ativistas dos direitos políticos das mulheres guineenses como uma das razões da posição das mulheres nas instituições políticas e nos postos de decisões estarem aquém da conquista da paridade histórica da luta armada da libertação nacional. É, ainda na opinião das organizações das mulheres guineenses, o factor que está a acentuar progressivamente a desigualdade entre homens e mulheres, em particular, a nível da representatividade nos órgãos de soberanias, nas outras estruturas governamentais e no sector privado.

Na Guiné-Bissau, quando se analisa o período da vigência do regime do partido único e o da democracia multipartidária em termos da representação das mulheres nos principais órgãos de decisão há uma grande discrepância. No poder legislativo, por exemplo, existe uma grande disparidade entre homens e mulheres. O que não aconteceu na legislatura antes da abertura ao sistema de democracia multipartidária em que a representação feminina na ANP atingiu os 20% de deputadas, caindo logo no ano seguinte para 9% e jamais, volvidos 20 anos, atingiu essa percentagem.

As organizações das mulheres guineenses garantem que por influência do conflito político-militar de 1998-1999 a sétima legislatura (1999 – 2004) teve a menor representação de mulheres na ANP. O que na leitura das guineenses conduziu a “um maior reforço do papel da cultura de “Matchundadi” na Guiné-Bissau, enfraqueceu ainda mais a presença das mulheres nas listas eleitorais dos partidos e as suas capacidades de ação na política”. Assim, nas primeiras eleições legislativas de 1994, os oito partidos políticos concorrentes apresentaram nas suas listas a deputados 902 candidatos dos quais 92 eram mulheres e apenas 33 estavam em lugares elegíveis.

A democratização do sistema político favoreceu, na Guiné-Bissau, a criação, em 1991, de um Ministério dos Assuntos Sociais e Promoção Feminina cujo mandato visava coordenar e implementar as políticas de valorização do papel das mulheres no processo do desenvolvimento nacional. Tinha também como meta, garantir a participação plena das mulheres guineenses no processo de decisão. Mas, como garantem as organizações das mulheres da sociedade civil guineenses, “não conseguiu atingir essa meta pela falta de capacidade financeira em virtude da crise económica provocada na altura pelo conflito político-militar”.

Defendem ainda que “o fracasso das ações do Ministério dos Assuntos Sociais e Promoção Feminina reflete-se na ausência de uma estratégia nacional e uma ação pragmática visada para uma maior equidade na transição política, acabando por estender e transferir o seu mandato para as organizações de massas das mulheres dos partidos políticos”. Por outro lado, na leitura das mulheres guineenses “não constitui nenhuma surpresa que o grosso das pastas que as mulheres guineenses são chamadas a liderar sejam as ligadas a assuntos sociais” (Educação, Saúde, Solidariedade e Família). O que revela, ainda na leitura dos ativistas, “a reprodução de uma visão estereotipada da extensão das ocupações domésticas das mulheres para a esfera de tomada de decisões públicas”.

Na Guiné-Bissau, passados quase vinte anos da realização das primeiras legislativas, o número de mulheres que participaram no governo não chegou a 15%. Em 14 executivos que o país conheceu teve apenas 42 mulheres contra 323 homens num universo de 363 Ministros, ou seja 13% do total. A permanente instabilidade política que o país vive é aqui apontada pelas organizações das mulheres guineenses como “um dos fatores que desfavoreceu a presença de número das mulheres guineenses naquilo que deveria ser uma legislatura paritária. Por exemplo, em 18 anos de democracia o país conheceu 14 primeiros-ministros. O que, na opinião das organizações das mulheres guineenses defensoras da lei da Quota Histórica “torna difícil a consolidação da democracia paritária na pátria de Amílcar Cabral”.

Todavia agora as mulheres da Guiné-Bissau estão motivadas e convencidas que com a lei da Quota Histórica, acabarão de uma vez por todas com os constrangimentos da participação política das mulheres guineenses na esfera da decisão e que a lei paritária permitirá criar programas de fiscalização das listas dos candidatos dos partidos políticos às legislativas de 18 de novembro.

 

Fonte:https://www.dn.pt/mundo/interior/mulheres-guineenses-ameacam-boicotar-legislativas-de-novembro-9757438.html

Mulheres sul africanas protestam contra a violência feminina

Milhares de mulheres protestaram hoje contra a violência de género em marchas e protestos em várias cidades da África do Sul, país onde uma em cada cinco mulheres tem sido afetada por este crime, segundo dados oficiais.
Milhares de mulheres manifestam-se contra a violência de género na África do Sul

Sob o tema “Total Shutdown” (“Paragem total”), as mulheres sul-africanas foram hoje chamadas a interromperem as suas atividades e a juntarem-se para aumentar a conscientização sobre os altos índices de violência contra a mulher, contra a criança e contra a comunidade LGBTI [lésbicas, gays, transexuais, bissexuais e intersexuais].

Nas grandes cidades, como a Cidade do Cabo, Durban ou Pretória, as marchas foram muito concorridas.

Os participantes, vestidos de preto e vermelho, empunhavam cartazes com frases como “Meu corpo, não a sua cena do crime”, “Não, não” ou “Os direitos das mulheres são direitos humanos”.

Por trás do movimento estão várias associações civis locais, que também pediram protestos contra as mulheres nos países vizinhos.

A iniciativa foi apoiada por sindicatos e organizações não-governamentais internacionais, como a Oxfam e a Amnistia Internacional.

De acordo com os meios de comunicação sul-africanos, uma mulher morre a cada oito horas na África do Sul por causa da violência de género e, de acordo com estatísticas do Governo, uma em cada cinco diz já ter sofrido este tipo de violência durante a sua vida – de acordo com um estudo publicado em 2017 e com dados de 2016).

Além disso, e segundo dados da polícia, na África do Sul são registadas anualmente cerca de 40.000 violações, a grande maioria denunciadas por mulheres.

Estes números levam a agência governamental Statistics South Africa a estimar que 1,4 em cada mil mulheres foram violadas, colocando o país com uma das maiores taxas deste tipo de crime no mundo.