Mulheres guinenses aprovaram a lei de cotas mínima de 36% nos cargos eletivos

mulher de guinéA presidente da associação de mulheres juristas da Guiné-Bissau, Helena Neves, considerou hoje que o país tem muitas mulheres com pensamento e atitude machistas e que nem a recente lei das quotas poderá ser suficiente para mudar.

Em entrevista à agência Lusa, Helena Neves, regressada ao país há quatro anos, após vários anos a residir no estrangeiro, defendeu ser necessário “muito trabalho para quebrar com as rivalidades”, que diz existir entre as mulheres na Guiné-Bissau.

“Tenho dito que a Guiné-Bissau é um país de mulheres muito machistas”, afirmou a presidente da associação de mulheres juristas que a própria teve que liderar por falta de quem se chegasse à frente.

Após um grande movimento de pressão das organizações femininas, entre as quais a rede das mulheres parlamentares e a plataforma política das mulheres, o parlamento do país aprovou recentemente uma lei que impõe uma quota mínima de 36% de mulheres nas candidaturas para cargos eletivos públicos.

A lei, aprovada na generalidade no passado mês de agosto ainda se encontra em sede de discussão na especialidade no parlamento, pelo que não entrará em vigor a tempo de ser aplicada nas próximas eleições legislativas, marcadas para 18 de novembro.

A presidente da associação das mulheres juristas da Guiné-Bissau considera que se não for feito um trabalho de disseminação e de sensibilização das próprias mulheres, nem a lei das quotas trará a mudança desejada.

“É preciso explicar o que é isso da lei de quotas, se não for assim será uma letra morta”, observou Helena Neves.

A dirigente associativa aponta para as conclusões de um estudo recente da organização não-governamental Voz di Paz (Voz de Paz), que referem que a rivalidade entre as mulheres é um dos fatores que limitam a igualdade no país.

“Há mulheres que tendo trabalhos que podem dar à outras mulheres profissionais, dão a homens”, enfatizou Neves.

A dirigente sublinha ser anormal quando se vê homens a darem cursos sobre liderança feminina, quando, disse, o país já tem profissionais do sexo feminino naqueles domínios.

fonte:https://www.rtp.pt/noticias/mundo/guine-bissau-e-um-pais-de-mulheres-machistas-afirma-lider-das-mulheres-juristas_n1106046

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Mulheres de Guiné Bissau exigem cumprimento das Lei das cotas

Lei da Cota Histórica foi aprovada a 2 de agosto na Assembleia Nacional Popular. Obrigada os partidos a incluir 36% de mulheres nas suas listas. Precisa ainda ser promulgada pelo presidente da República

A Lei da Cota Histórica aprovada a 2 de agosto na Assembleia Nacional Popular (ANP) pulverizou a Guiné-Bissau com a agitação provocada pelas reinvidicações de mulheres pelos seus direitos políticos. As guineenses exigem ter acesso aos órgãos de decisão de que foram afastadas depois da abertura da pátria de Amílcar Cabral ao sistema de democracia multipartidária.

Hoje em toda a Guiné-Bissau de Norte ao Sul e de Leste a Oeste, nos Ministérios, nas estruturas das comunidades rurais, nas estruturas étnicas, nos mercados, nos bares, nas discotecas dos bairros das grandes cidades do país não se fala de outra coisa que não seja a lei da Cota Histórica conquistada pelas mulheres guineenses na ANP sob a batuta da Plataforma Política das Mulheres da Guiné-Bissau, da Rede das Mulheres Parlamentares e dos ativistas dos direitos políticos das Mulheres da Guiné-Bissau.

“A lei da Quota Histórica vai, sem dúvida, acabar agora de uma vez por todas com a injustiça social contra as mulheres”, explicou a DN a presidente da Rede das Mulheres Parlamentares da Guiné-Bissau, a deputada Suzi Barbosa. No seu entender já era tempo de a mulher guineneense reinvidicar o seu direito de acesso aos órgãos de decisão. “Na Guiné-Bissau temos uma população maioritariamente feminina. O país tem 52% de mulheres e não se sabe muito bem a razão pela qual elas não têm acesso até agora aos lugares de decisão”, defendeu, manifestando de seguida ao DN a sua convicção: “Com a lei da Quota Histórica as mulheres guineenses nunca mais serão usadas pelos partidos políticos nas campanhas eleitorais como carne para obter votos. Agora temos que integrar as mulheres nas listas para as legislativas como candidatas legitimas para sermos também chamadas a elaborar e implementar a gestão das políticas públicas”.

A deputada Suzi Barbosa espelha a imagem real da convicção e predisposição das mulheres guineenses para desencadear agora uma luta desenfreada para conquistar de uma vez por todas os seus direitos políticos de acesso aos órgãos de decisão.
E a três meses das legislativas, ameaçam boicotar o próximo processo eleitoral se os partidos políticos não cumprirem a lei da Quota Histórica que exige a cada força partidária a integração nas suas listas de candidatos ao escrutínio de 18 de novembro 36% de mulheres.

Apoiadas pela Rede das Mulheres Parlamentares, pela Plataforma Política das Mulheres e pelos ativistas dos direitos políticos das mulheres, as mulheres guineenses assumiram elas próprias o papel de fiscalizar a lei da Quota Histórica no ato da entrega das listas no Supremo Tribunal de Justiça em Bissau.

“Seremos nós as mulheres membros dos partidos políticos, deputadas, ativistas dos direitos políticos das mulheres e membros de organizações da sociedade civil que vamos fiscalizar o cumprimento da lei nas listas dos candidatos as legislativas”, asseverou Suzi Barbosa, acrescentando que “ninguém neste país é melhor do que as mulheres na implementação das políticas públicas. Portanto, se os partidos não cumprirem a lei da Quota Histórica, reservamo-nos o direito de boicotar as próximas legislativas de 18 de novembro”.

A Lei da Cota Histórica é assim designada em virtude de o fundador da nacionalidade guineense, Amílcar Cabral, ter aplicado já durante a luta armada pela libertação nacional uma quota de paridade na constituição dos Comítés de Tabanca. Na altura, as mulheres partilhavam de forma equitativa a elaboração das politicas da luta e da gestão de dois terço das regiões libertadas na altura sob domínio colonial português. Dos cinco membros de Comités de Tabanca, dois eram mulheres. Assim sendo, as guineenses defendem também hoje, numa única voz, que se as heroínas como Titina Sila e Carmen Pereira, e outras ainda vivas como Adja Satu Camará e Francisca Pereira, tiveram coragem de exigir a Amílcar Cabral a Quota de Paridade durante a histórica luta armada da libertação nacional, elas vão também fiscalizar nas próximas legislativas todas listas de candidatos entregues no Supremo Tribunal de Justiça para exigir a democracia paritária.

As vendedoras dos mercados de Bandim e de Bairro militar, em Bissau, embora não tenham grande informação sobre a lei da Quota Histórica, sabem como as restantes de todo o país que ela já foi aprovada na ANP. Estão dispostas também a apoiar a luta das mulheres guineenses para ter acesso aos órgãos de decisão, no sentido de poder ativamente participar na elaboração e gestão das políticas públicas do país.

Motivadas pela aprovação da Lei da Quota Histórica na ANP, as organizações das mulheres guineenses garantem que a partir de agora nenhuma mulher votará nos partidos que não cumprirem com a inclusão de 36% de mulheres nas suas listas. No olhar da Rede das Mulheres Parlamentares, da Plataforma Política das Mulheres e dos ativistas dos direitos políticos das mulheres, “as guineenses não podem continuar a ser enfeites domésticos e deixarem os homens monopolizar os órgãos de decisão para legislar, tomar medidas e criar politicas públicas apenas para o consumo das mulheres”.

A presidente da Rede das Mulheres Parlamentas acredita que a “inclusão das guineenses na elaboração das Políticas Públicas as torna mais humanitárias”. Porque elas sabem melhor do que homens como cuidar da família. Por seu lado, o sociólogo guineense e ativista dos direitos políticos das mulheres da Guiné-Bissau, Miguel de Barros, sustentou como prova de que as mulheres serão boas gestoras das politicas públicas o facto de “na Guiné-Bissau quando há fome a mulher lembra-se de dar de comer aos filhos enquanto o homem prefere comer tudo sob a alegação de poder ir trabalhar no dia seguinte para adquirir mais sustento para a família”.

Miguel de Barros e Suzi Barbosa assumem unanimemente que a crise política e institucional que a Guiné-Bissau viveu há três anos e levou ao encerramento da ANP deveu-se ao facto de os homens monopolizarem os órgãos de decisão, legislando, tomando medidas e criando sozinhos todas as políticas públicas sem participação das mulheres.

Os dois promotores e defensores acérrimos da lei da democracia paritária na Guiné-Bissau disseram ao DN que não obstante “as mulheres na Guiné-Bissau representarem 52% da população do país, mas é o grupo mais vulnerável e excluído da esfera de decisão”. No entender deles, a vulnerabilidade é um dos fatores que levam as mulheres guineenses a apresentarem níveis mais baixos de educação do que os homens. Os casamentos e gravidez precoces são também apontados por eles como fatores que reduzem a possibilidades de as mulheres terem o acesso às oportunidades de educação e desenvolvimento profissional. “A maioria dos 30% da população guineense que não tem o acesso à educação são mulheres.

Quando se fala nos partidos políticos da inclusão de mulheres nas listas para as legislativas, os homens não recusam, mas afirmam sempre que tem de haver mulheres com capacidade”, asseverou ao DN Miguel de Barros. Já Suzi Barbosa contra-ataca: “Nós as mulheres, depois da declaração de Cantchungo em 2015, interrogamo-nos se realmente todos os homens deputados que estão na ANP têm capacidades?”. E logo assume: “Hoje há muitas mulheres na Guiné-Bissau com capacidade superior à de muitos homens deputados que andam de um lado para outro na ANP. O que existe agora no nosso país é a falta de vontade politica dos lideres dos partidos políticos em as nomear para os órgãos de decisão”.

Para a vice-presidente da Plataforma Política das Mulheres da Guiné-Bissau, Aissatu Indjai, foi na realidade a ausência de vontade politica dos homens em aceitar a democracia paritária no país que levou a organização das Mulheres que preside, os ativistas dos direitos políticos das Mulheres guineenses e com o apoio da ONU-Mulheres, a criarem há seis anos o projeto da lei da Quota Histórica para garantir os direitos políticos das mulheres guineenses a uma maior participação e inclusiva na esfera de tomada de decisão.

“As organizações promotoras e defensoras dos direitos das mulheres na Guiné-Bissau assumiram, a partir da declaração de Cantchungo, um compromisso firme no sentido de mobilizar as mulheres em todos os partidos políticos, nas ONG, na sociedade civil e nas estruturas das comunidades locais para lutarmos em bloco a favor do princípio da não-discriminação e do gozo igualitário do direito de participação nos órgãos de decisão permitindo, assim, eliminar todas as formas de descriminação contra as mulheres na Guiné-Bissau”, explicou Aissatu Indjai a DN, visivelmente orgulhosa pela união das mulheres em todo o território nacional em torno da lei da Quota Histórica. Esta, diz, não obstante várias dificuldades que têm pela frente, “vai trazer a democracia paritária na Guiné-Bissau”.

Não obstante os discursos eufóricos das organizações promotoras e defensoras da lei da Quota Histórica, para se chegar à democracia paritária nas próximas legislativas as mulheres guineenses têm ainda uma pedra no sapato. Porque se não houver a vontade política do Presidente, José Mário Vaz, em promulgar a tempo a lei da Quota Histórica para entrar em vigor 60 dias antes do próximo processo eleitoral, esta não será ainda aplicada nas próximas legislativas de 18 de novembro.

Mas, Aissatu Indjai afiançou ao DN “nós as mulheres já temos a promessa do presidente José Mário Vaz de promulgar, em menos de 24 horas, a lei da Quota Histórica para a devolver à ANP, e da Assembleia para o Ministério da Função Pública para a sua publicação no boletim oficial”.

Instada a pronunciar-se se os três meses que faltam para a realização do pleito eleitoral será suficiente para promulgação e publicação da lei no boletim oficial, a vice-presidente da Plataforma Política das Mulheres garantiu ao DN que a sua organização está diariamente a acompanhar a evolução da trajetória que a lei da Quota Paritária Histórica está a percorrer na Presidência da República e que está confiante que ela irá entrar em vigor antes das próximas eleições.

“Na verdade estamos diariamente a acompanhar de perto o percurso que a lei da Quota Histórica está a percorrer na Presidência da República. Estamos confiante que o Presidente da República José Mário Vaz promulgará o documento em menos de 24 horas”, garantiu ao DN. Aissatu Indjai manifestou ainda a sua convicção que, com a lei da Quota de paridade Histórica, as mulheres guineenses irão mostrar ao mundo e, em particular, aos países da subregião, como é que as mulheres se podem unir por uma causa, mesmo pertencendo aos vários partidos políticos com distintas ideologias.

Mulheres nas estruturas do poder tradicionais

No período pré-colonial, antes da luta armada da libertação nacional e ao longo da toda a sua caminhada histórica, a mulher guineense tem demonstrado uma forte capacidade de liderança na esfera de decisão e na gestão das políticas públicas nas estruturas das suas comunidades locais. “Só perdeu estes predicados da liderança com a instauração do regime colonial português que a retirou do poder que detinha de regular, por exemplo, as atividades comerciais ou de desempenhar dentro das estruturas das Mansas (Regulados) o papel de conselheiras dos reis que governavam um determinado reino de um império”, assegurou ao DN Miguel Barros, sociólogo e ativistas guineense dos direitos políticos das mulheres.

Miguel de Barros garantiu ainda existirem documentos históricos que provam que no “império de Gabú, por exemplo, as mulheres eram conselheiras de Rei, as mediadoras entre as diferentes classes do império e serviam também de elementos de ligação quando houvesse uma rutura na administração das politicas públicas dos impérios”. E também, de acordo com Miguel de Barros, na cidade de Cacheu, na primeira fase da escravatura, “as mulheres Nharas desempenhavam um papel importante no comércio dos escravos. Os mercadores europeus não tinham o direito do acesso a terra e eram as mulheres Nharas que regulavam as atividades do comércio de escravo com os mercadores estrangeiros, em particular, com os europeus”. Miguel de Barros testemunhou ainda a DN “as mulheres assumiam um papel importante na comunidade. Para além de confecionarem e venderem os produtos caseiros que geravam grandes rendimentos para as suas famílias, eram elas que se encarregavam de administrar e controlar in loco as atividades comerciais dos produtos e geriam também diretamente os trabalhadores das propriedades agrícolas”.

Para além das Nharas, o ativista explicou ao DN que “as mulheres Baloberas gozavam também de um grande respeito e prestigio nas estruturas das comunidades da linhagem de sucessões matrilinear porque era reconhecido nelas o dom de comunicar com os ancestrais como interpretante, vidente e auxiliares religiosas”. Assim sendo, de acordo com Miguel de Barros, “as cerimónias religiosas eram orientadas pelas estas sacerdotisas Baloberas”, mesmo que “o Régulo quisesse tomar medida sobre as políticas públicas do reino tinha que consultar, em última instância, as Baloberas porquanto eram as grandes conhecedoras de plantas medicinais”.

Regime colonial português e poder dos homens na Guiné-Bissau

Entre os ativistas e as organizações das mulheres defensora da lei da Quota Histórica a leitura é unânime que foi a instauração do regime colonial português na Guiné-Bissau que destruiu toda a arquitetura do poder paritária tradicional,​​​​​​ outrora, em algumas estruturas de comunidades, organizado em pirâmide com o Rei no topo e seguido pelos chefes religiosos onde as mulheres detinham um enorme poder.

“O poder colonial português retirou, por exemplo, às mulheres Nharas de Cacheu o poder de regular as atividades de comércios com os mercadores europeus, relegando-as apenas para as atividades domésticas”, assegurou ao DN Miguel de Barros. Este ainda sustentou que “as mulheres passaram, assim, na sociedade guineense a sofrer várias exclusões simultaneamente. São excluídas por serem mulheres, por não serem mulheres grandes, por não ser da origem da família que pode influenciar o acesso aos recursos do próprio Estado e são excluídas economicamente”.

O sociólogo e ativista garantiu a DN que a participação equilibrada entre homens e mulheres nas estruturas de decisão esteve também presente na fase da mobilização e da organização do movimento da luta armada da libertação nacional, “mas o caráter violento da dominação colonial português contribuiu na desestruturação da lógica das instâncias de gestão do poder e da administração das ações públicas pelas mulheres e contribuiu ainda para a reprodução da lógica do poder de força dos homens após a independência da Guiné-Bissau que acabou por afastar as mulheres da esfera pública da decisão”.

Este caráter violento do regime colonial português é ainda hoje, pós-independência e com abertura democrática, apontado pelas organizações e pelos ativistas dos direitos políticos das mulheres guineenses como uma das razões da posição das mulheres nas instituições políticas e nos postos de decisões estarem aquém da conquista da paridade histórica da luta armada da libertação nacional. É, ainda na opinião das organizações das mulheres guineenses, o factor que está a acentuar progressivamente a desigualdade entre homens e mulheres, em particular, a nível da representatividade nos órgãos de soberanias, nas outras estruturas governamentais e no sector privado.

Na Guiné-Bissau, quando se analisa o período da vigência do regime do partido único e o da democracia multipartidária em termos da representação das mulheres nos principais órgãos de decisão há uma grande discrepância. No poder legislativo, por exemplo, existe uma grande disparidade entre homens e mulheres. O que não aconteceu na legislatura antes da abertura ao sistema de democracia multipartidária em que a representação feminina na ANP atingiu os 20% de deputadas, caindo logo no ano seguinte para 9% e jamais, volvidos 20 anos, atingiu essa percentagem.

As organizações das mulheres guineenses garantem que por influência do conflito político-militar de 1998-1999 a sétima legislatura (1999 – 2004) teve a menor representação de mulheres na ANP. O que na leitura das guineenses conduziu a “um maior reforço do papel da cultura de “Matchundadi” na Guiné-Bissau, enfraqueceu ainda mais a presença das mulheres nas listas eleitorais dos partidos e as suas capacidades de ação na política”. Assim, nas primeiras eleições legislativas de 1994, os oito partidos políticos concorrentes apresentaram nas suas listas a deputados 902 candidatos dos quais 92 eram mulheres e apenas 33 estavam em lugares elegíveis.

A democratização do sistema político favoreceu, na Guiné-Bissau, a criação, em 1991, de um Ministério dos Assuntos Sociais e Promoção Feminina cujo mandato visava coordenar e implementar as políticas de valorização do papel das mulheres no processo do desenvolvimento nacional. Tinha também como meta, garantir a participação plena das mulheres guineenses no processo de decisão. Mas, como garantem as organizações das mulheres da sociedade civil guineenses, “não conseguiu atingir essa meta pela falta de capacidade financeira em virtude da crise económica provocada na altura pelo conflito político-militar”.

Defendem ainda que “o fracasso das ações do Ministério dos Assuntos Sociais e Promoção Feminina reflete-se na ausência de uma estratégia nacional e uma ação pragmática visada para uma maior equidade na transição política, acabando por estender e transferir o seu mandato para as organizações de massas das mulheres dos partidos políticos”. Por outro lado, na leitura das mulheres guineenses “não constitui nenhuma surpresa que o grosso das pastas que as mulheres guineenses são chamadas a liderar sejam as ligadas a assuntos sociais” (Educação, Saúde, Solidariedade e Família). O que revela, ainda na leitura dos ativistas, “a reprodução de uma visão estereotipada da extensão das ocupações domésticas das mulheres para a esfera de tomada de decisões públicas”.

Na Guiné-Bissau, passados quase vinte anos da realização das primeiras legislativas, o número de mulheres que participaram no governo não chegou a 15%. Em 14 executivos que o país conheceu teve apenas 42 mulheres contra 323 homens num universo de 363 Ministros, ou seja 13% do total. A permanente instabilidade política que o país vive é aqui apontada pelas organizações das mulheres guineenses como “um dos fatores que desfavoreceu a presença de número das mulheres guineenses naquilo que deveria ser uma legislatura paritária. Por exemplo, em 18 anos de democracia o país conheceu 14 primeiros-ministros. O que, na opinião das organizações das mulheres guineenses defensoras da lei da Quota Histórica “torna difícil a consolidação da democracia paritária na pátria de Amílcar Cabral”.

Todavia agora as mulheres da Guiné-Bissau estão motivadas e convencidas que com a lei da Quota Histórica, acabarão de uma vez por todas com os constrangimentos da participação política das mulheres guineenses na esfera da decisão e que a lei paritária permitirá criar programas de fiscalização das listas dos candidatos dos partidos políticos às legislativas de 18 de novembro.

 

Fonte:https://www.dn.pt/mundo/interior/mulheres-guineenses-ameacam-boicotar-legislativas-de-novembro-9757438.html

Senegalesa quer capacitar meninas e mulheres para ciência e tecnologia

Uma das pessoas mais poderosas da África quer capacitar meninas e mulheres para a Ciência e a Tecnologia. Em entrevista exclusiva a EXAME, ela explica como

São Paulo – Ela foi abandonada pela mãe enquanto criança na zona rural do Senegal, não teve acesso à educação na infância e juventude e foi traficada para a França.

Mariéme Jamme se recusou a continuar parte das estatísticas que atormentam mulheres marginalizadas e aprendeu sozinha a ler e a escrever aos 16 anos. Dois anos depois, vivendo no Reino Unido, dominava sete linguagens diferentes de programação, uma habilidade que lhe garantiu empregos em grandes corporações.

Com a cabeça naquelas que não conseguiram deixar os ciclos de violência e exclusão que ela mesma conheceu, Mariéme virou ativista e criou projetos para inserir jovens senegalesas no mundo das Ciências Exatas. Ainda assim, sentia que suas ações não estavam criando impactos suficientes para mudar a realidade dessas pessoas. Queria mais.

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Criou, então, o iamtheCODE, que, segundo ela, é um dos maiores e “talvez o primeiro” movimento criado na África que tem impacto global. O projeto está hoje presente em 60 países e atua a partir da mobilização de governos e iniciativa privada na capacitação de meninas e mulheres para a Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. O objetivo? Ensinar um milhão delas a programar até 2030.

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“Por anos, meninas e mulheres foram deixadas para trás, especialmente em países como o Brasil, países da África e do Oriente Médio. Precisamos prestar atenção nisso”, avaliou em entrevista exclusiva a EXAME. “Quero garantir que elas tenham a capacitação e a confiança de que podem conseguir empregos em empresas desses setores”, reforçou.

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Mariéme teve o trabalho reconhecido pela Unicef e foi eleita uma das mulheres mais poderosas da África pela revista Forbes. Por telefone, falou a EXAME sobre a chegada de iamtheCODE no Brasil, empoderamento em comunidades marginalizadas e os desafios de agir em lugares nos quais a visão tradicional dos gêneros ainda é a realidade.

Abaixo, confira a entrevista:

EXAME – Por que é importante ensinar programação?

Mariéme – O importante não é apenas aprender a programar, mas sim inserir as pessoas no mundo digital, que é a direção em que estamos caminhando. Há muitos desafios por aí, especialmente com a robótica e a automação impactando os empregos, e são muitas as tendências para os próximos dez anos. Se não capacitarmos as mulheres nessas áreas, vão ficar para trás.

Acredito que é importante trabalharmos não só a capacitação em programação, mas também a educação digital como um todo, ensinar essas mulheres a procurarem por dados e soluções para seus problemas. Nosso objetivo é o de garantir que elas estejam sempre bem-informadas para tomar as suas decisões.

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EXAME – Essa é essa premissa por trás do movimento iamtheCODE? Pode nos contar um pouco mais sobre o projeto?

Mariéme – O iamtheCODE é um dos maiores, talvez o primeiro, movimento criado na África e que tem impacto global e foi criado por mim a partir da minha própria frustração.

Na época em que a ideia surgiu, eu estava aprendendo a ensinar meninas a programar e investigando como dar acesso à essa educação para as mulheres. No entanto, não conseguia ver os impactos das minhas ações nos governos e no setor privado. Assim, decidi criar algo holístico em que pudesse mobilizar essas pessoas a realmente investir na educação.

Educação não pode ser caridade. As meninas que cresceram em favelas, por exemplo, não deveriam estar ali, mas estão porque alguém não está fazendo o seu trabalho. Queremos transformar as meninas da favela em mulheres bem-sucedidas, dar para essas pessoas esperança e oportunidades.

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EXAME – IamtheCODE agora está presente em 60 países. Em muitos deles, a sociedade ainda enxerga os gêneros a partir dos seus papeis tradicionais. Como convencer as pessoas da importância de ensinar programação para meninas e mulheres?

Mariéme – É muito desafiador e, ao mesmo tempo, animador, pois está claro que não podemos mais excluir as meninas e as mulheres das narrativas. Já tiramos coisas demais delas nos últimos anos.

Na semana passada, eu estava em Gana para uma palestra. Nela, um homem se levantou e perguntou por quê estávamos falando apenas sobre a capacitação de meninas e mulheres. Eu respondi que entendia que se essas medidas não impactassem os meninos, eles também ficariam para trás. E esse é também um desafio, ainda há muitas pessoas que não acreditam que as mulheres deveriam estar nessas discussões.

Mas esse é também o nosso trabalho e é por isso que iamtheCODE é tão importante: educamos, informamos e realizamos trabalhos de advocacy para conscientizar os governantes sobre importância da inclusão feminina.

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EXAME – Quais os planos para iamtheCODE no Brasil?

Mariéme – Temos uma empresa britânica parceira que está presente em São Paulo e nossa intenção é a de iniciar as operações dos clubes de programação em Salvador, São Paulo e Recife ainda neste mês. A expectativa é a de que todos os clubes estejam em atividade até o fim de maio.

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EXAME – O projeto também pretende inserir essas meninas e mulheres no mercado de trabalho?

Mariéme – Estamos falando de comunidades marginalizadas, especialmente a negra, portanto, nossa prioridade é inspirá-las, mostrá-las que não é por serem negras que não podem ser bem-sucedidas no Brasil. Depois, queremos realmente ajudá-las a ter a confiança de que vão aprender e de que podem trabalhar em uma empresa de tecnologia.

Nosso objetivo é o de auxiliá-las a conseguir esse emprego no final da jornada. Até o momento, trabalhamos com meninas entre 11 e 18 anos de idade, mas já estamos olhando para a geração seguinte, jovens entre 18 e 25 anos.

Especificamente sobre o Brasil, o sistema ainda é muito racista e não acho que está pronto para contratar pessoas negras na Tecnologia e da Inovação. Não desejamos tornar isso uma questão racial, mas vejo que o maior desafio no país é o de encontrar pessoas que estejam dispostas a dar uma chance para as minorias.

Uma das coisas que queremos fazer no Brasil é convidar as mulheres que fazem parte desse mundo a terem mais compaixão e empatia. Acho que ainda não há muito interesse em ajudar as minorias, mas espero conseguir mostrar que a tecnologia não conhece barreiras, passaportes, raças.

Temos meninas programando em São Francisco (Estados Unidos) e no Quênia. Então, o problema não é conhecimento, mas sim inclusão e quero garantir as pessoas entendam e falem sobre o assunto.

trip272-marieme-header.jpgEXAME – Sua história de vida é impressionante. Quando você olha para trás, como se sente?

Mariéme – É uma lição de humildade, mas é fruto de trabalho duro. Me sinto lisonjeada de ter a atenção da imprensa, de ver as pessoas interessadas na minha história e é por isso que quero deixar meu legado no mundo e nas meninas.

Minha história não me define, sou o exemplo de pessoa que foi pobre, marginalizada e que conseguiu ser bem-sucedida. Mas, o Reino Unido me deu oportunidades: vivo em um país que reconheceu meu valor. Então, quero devolver para a sociedade, pois todos os dias milhões de meninas são traficadas, violadas, abusadas, discriminadas e ninguém faz nada.

É evidente que, se você der para uma menina habilidades e oportunidades para pensar e se educar, ela será muito bem-sucedida.

Esta senegalesa tem um plano para ensinar 1 milhão de meninas a programar

Muito além de ser esposa de Mandela

 

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A maioria dos grandes homens da história quase sempre tem o dom raro de ser apoiada por mulheres fortes, mas muitas vezes complicadas. O falecido ícone sul-africano e um dos maiores homens do século passado, Nelson Mandela, não foi exceção. Sua ex-esposa, Winnie Madikizela-Mandela, que faleceu essa semana, era uma dessas mulheres. Sua fidelidade estóica a Mandela era talvez o vínculo mais forte que mantinha seu próprio compromisso vivo e continha aquela teimosa esperança de que, no final de seu sacrifício, esperá-lo seria um símbolo de amor e solidariedade permanente.

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Ao longo dos 27 anos que o falecido Mandela permaneceu em encarceramento, seu anseio por sua amada Winnie também se tornou simbólico de seu anseio pela amada pátria. Assim, em sua célebre coleção, “Cartas para Winnie”, é muito claro que ela era para Mandela tanto uma âncora emocional quanto uma personificação da esperança patriótica. Sendo humano, a longa ausência de Mandela testou a força de Winnie até os limites e o sistema fez muito para danificá-la.winnie-mandela

É instrutivo sublinhar que Winnie não era apenas mais uma mulher à espera de um marido preso. Ela abraçou e incorporou a luta contra o apartheid com força total. Ela permaneceu na linha de frente da luta contra o regime que oprimia os negros em seu próprio país. Seu papel como um dos líderes do Congresso Nacional Africano (ANC) não se restringiu ao papel das mulheres. Ela também liderou e apoiou a ala juvenil de tal forma que, no final, ela era muito mais do que a esposa de Mandela.

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Como era de se esperar, as maquinações malignas do regime do apartheid lutaram contra Winnie em igual medida. As acusações inventadas, inclusive por assassinato, foram levantadas contra ela. Mesmo onde a lei da evidência bruta forçou um veredicto de culpado, o contexto político de seus supostos crimes nunca foi perdido em seus seguidores e no resto do mundo. Sua seriedade política era mais importante do que os detalhes técnicos da invenção legal.

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Permanece historicamente significativo que quando Mandela foi libertado em 11 de fevereiro de 1990, ele estava de mãos dadas com Winnie; o amor da sua vida e companheiro eterno na luta contra o apartheid e a impunidade racista. Mas então o dano havia sido feito em seu casamento. Tentou, como os dois, fazer o papel em cima da rachadura, os longos anos de separação e as pressões da luta cobraram seu preço. Eventualmente, eles tiveram que seguir caminhos separados. Mas a separação e o divórcio que naturalmente se seguiram se tornaram insignificantes contra o pano de fundo das lutas titânicas que eles suportaram e sobreviveram juntos. O que se seguiu foram entradas em uma mera nota de rodapé humana.

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Com certeza, Winnie tinha seus defeitos e ela nunca se dava bem com eles desde que ela estava sob constante holofote. O governo pós-apartheid liderado por seu ex-marido estabeleceu um Comitê de Verdade e Reconciliação para investigar abusos de direitos humanos no passado e várias atividades violentas foram creditadas a ela durante os anos 80. Mas ela manteve o carinho de muitos de seus apoiadores dentro do ANC que a apelidaram de “Mãe da Nação”. Como figura sênior do ANC, ela também ocupou vários cargos no governo, inclusive sendo vice-ministra de Artes, Cultura, Ciência e Tecnologia antes de ser demitida por alegações de corrupção. No entanto, isso nem sequer a diminuiu aos olhos de seus partidários.

Como o mundo, portanto, lamenta a morte de Winnie Madikizela-Mandela, é seu papel como uma personagem histórica e os sacrifícios que ela fez por seu país e, de fato, pela raça negra que lega como legados. Como Shakespeare diz no rei Lear: “Após tais sacrifícios, os próprios deuses jogam incenso”.

 

http://allafrica.com/stories/201804030279.html

 

 

Agricultura em Angola é prioridade do Governo, mas não recebe dotação orçamentária

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Em Angola a agricultura, pecuária, silvicultura e pesca no Produto Interno Bruto (PIB) entre 2001 e 2003 foi de cerca de 8,00 por cento, indicador que aumentou em 2017 para 12 por cento, devido os programas de investimento público. O governo angolano tem anunciado diversos investimentos na agricultura, pesca , nomeadamente na compra de equipamentos, valorização da mulher rural, estabelecendo parcerias com países como Itália, Espanha, Alemanha, Brasil e outros.

Agostinho Neto, após ter proclamado a independência de Angola, em 1975, declarou 1979 como o “Ano da Agricultura”. Participou em campanhas durante os seus quatro “meteoritos” anos de presidência, a ramagem de milho, café e algodão são símbolos que estão no  mais alto da insígnia da nação angolana.

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O indicador do setor agrícola tenha contribuído para uma redução da fome, o impacto foi menor na redução da pobreza”.
A maior parte do crescimento deveu-se a expansão das terras cultivadas e não a um aumento da produtividade. “Mesmo que o setor da agricultura tenha sido identificado como área prioritária na estratégia de redução da pobreza, as dotações orçamentais para o setor continuam baixas. Nos últimos anos, a fatia do Orçamento Geral do Estado (OGE) para a agricultura não chega a um por cento.

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Antes da Independência, Angola era autossuficiente em todos os principais gêneros alimentares, exceto na produção do trigo, e exportava vários produtos agrícolas, em particular o café e açúcar. “A guerra e a falta de investimento tiveram um forte impacto no sector agro-alimentar e, desde 1990, o país depende da importação de alimentos e da ajuda alimentar.
Hoje, apenas dez por cento das terras aráveis de Angola são cultivadas e a produtividade por área cultivada é uma das mais baixas da África Subsaariana.

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No contexto de crise, parece-me existir um desinteresse quase generalizado por parte dos angolanos na produção dos seus próprios alimentos, respeitando algumas excepções que permitem que chegue até à nossa mesa alguma produção local e que haja excedente de alguns tubérculos e banana que, regra geral, deixaram de ser importada, há tempo.

Burkina Faso, Etiópia, Guiné, Malawi, Mali, Níger, Senegal e Zimbabwe têm honrado o compromisso de dedicar 10% do orçamento para agricultura e são a prova de que este tipo de investimentos pode resultar em melhorias na vida dos seus cidadãos. Por exemplo, no Burkina Faso, o crescimento do sector agrícola tem estado acima de 6 por cento ao ano, há já algum tempo, e parece estar no bom caminho para a eliminação dos altos índices de fome e de extrema pobreza.

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De várias partes do Mundo chegam alguns exemplos e, em alguns casos, verifica-se até mesmo algum excesso de zelo. De qualquer forma, alguns exemplos ajudam a uma rápida e melhor reflexão. A Etiópia quer atingir até 2025 o estatuto de país com uma economia de rendimento médio. Para tal, foram feitas sérias apostas na agricultura e hoje o país é um dos maiores produtores do continente em gergelim (semente de sésamo) e criação de gado.bananas-angola-itália.jpg

Robert Mugabe, ex presidente  no Zimbabwe, outrora conhecido como celeiro de África, conduziu uma reforma agrária que resultou na redistribuição sem compensação aos fazendeiros brancos. Muitos estabelecem comparação do processo com o de uma mulher que dá luz a um filho, por via de uma “cesariana”.

Na África do Sul e também na vizinha Namíbia, esse tema continua a ser um assunto crítico. Em um jantar oferecido pelo presidente Mugabe, em Maio de 2017, em Harare, o Presidente Geingob, da Namíbia, referiu que o emotivo e complexo assunto sobre a reforma da terra requer conversação sincera e difícil. A terra deve ser um ativo produtivo, não apenas confinada à redistribuição.

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A agricultura se quer hoje e que agricultura se vai testar para as futuras gerações. Parece  sensato o investimento e apoio a agricultura  famíliar, para que possam apostar em atividades que garantam maior sustentabilidade.

Uma mulher na presidência da Guiné Bissau em 2019?

Nancy Schwarz vai candidatar-se como independente ao mais alto cargo da Nação na Guiné-Bissau. A socióloga quer marcar a diferença em 2019 e contrariar a marginalização da mulher guineense.

Guinea-Bissau Nancy Schwarz, Präsidentschaftskandidatin (DW/J. Carlos)

“Amanhã Guiné” é o slogan de Nancy Germano Schwarz Okeigwe, socióloga e ex-diretora de Gabinete do Ministério da Defesa Nacional e dos Combatentes da Liberdade da Pátria. No seu manifesto, a candidata, sobrinha do conceituado músico José Carlos Schwarz, diz que o povo guineense é a sua prioridade. Por isso, defende valores como o amor e o perdão para reconciliar e unir a população da Guiné-Bissau.

Em entrevista à DW África, Nancy Schwarz diz que concorrer à Presidência da Guiné-Bissau em 2019 foi uma decisão difícil de tomar. A decisão surgiu em resposta ao repto que lhe foi lançado, há cerca de dois anos, por um grupo de cidadãos guineenses na diáspora, nomeadamente no Reino Unido, Suíça, França, Canadá, Holanda, Espanha e Portugal.  A ativista, nascida em 1973, tem consciência de que esta é “uma grande responsabilidade”.

DW África: Foi uma decisão difícil de tomar?

Nancy Schwarz (NS): Foi e continua a ser muito difícil, porque tenho uma criança de três anos. Vai ser um grande embate a nível pessoal e familiar. Todos os dias há que ponderar, mas o caminho já está a ser trilhado, portanto, não posso olhar para trás.

Nancy Schwarz

Guiné-Bissau: “É necessário que as mulheres se levantem”

DW África: Mas tomou a decisão atenta à situação política que se vive na Guiné-Bissau. Como é que olha para o contexto em que o país se encontra?

NS: Foi esse o motivo que me fez decidir e arregaçar as mangas, porque considero que nesta azáfama de conflitos que tem sido a Guiné-Bissau, já lá vão 44 anos, é necessário que as mulheres se levantem. É necessário que a força da mulher faça parte deste trabalho grandíssimo que é de todos os guineenses. Este é realmente o momento de eu e todas as demais mulheres da Guiné-Bissau nos juntarmos para este grande trabalho de mudança. Houve um projeto de luta de libertação nacional, mas todos nós sabemos que não houve um projeto de construção da Nação. É necessário que se pense nessa construção. Por isso, coloco o meu projeto em cima da mesa.

DW África: E quais são as linhas orientadoras do seu projeto como candidata às eleições presidenciais?

NS: Começo por defender o conceito da família, com destaque para a mulher como mãe e também como fazedora da sociedade. São linhas de pensamento necessárias para a construção de uma sociedade. Depois, vem evidentemente a estabilidade. Para esse trabalho de mudança e construção dos alicerces, é preciso incluir todos. Se não houver esse diálogo entre todos os atores sociais, não será possível desenvolver a Guiné-Bissau.

DW África: Há vários atores e vários interesses e a Guiné-Bissau parece ser uma sociedade fragmentada…

NS: Completamente. Esse é o objetivo desse projeto. Primeiro, defender a coesão nacional. Os valores negativos têm estado a comandar a esfera política. O nosso objetivo é ir buscar os valores da irmandade, do perdão, da partilha e da comunicação, baseados num diálogo sincero, de simplicidade, de amor, de respeito, do cuidar do outro, que é próprio da cultura africana e que está a ser esquecido.

DW África: Considera importante a realização de um fórum de unidade e de reconciliação nacional?

NS: É necessário e urgente organizar esse fórum. Há um movimento, o Movimento Guiné Amanhã, cujo objectivo é criar um espaço de discussão em que todos os guineenses terão voz para se poder debater a real situação do país. Não estarmos apenas a criticar, mas a apresentar propostas coesas que possam ser usadas neste trabalho de mudança que defendemos.

Guinea-Bissau José Mário Vaz trifft P5 Presidente guineense, José Mário Vaz, num encontro com representantes da ONU, CPLP, UE, CEDEAO e UA para tentar resolver a crise guineense

DW África: O Presidente da República em exercício tem sido bastante criticado pela sua postura ao longo deste período de crise. Como candidata, qual será a sua postura face a eventuais situações semelhantes?

NS: Há que criar um diálogo constante com todos os atores sociais guineenses. E esse diálogo tem de ser de igual para igual. Se o povo se identificar com os meus princípios e se for escolhida para ocupar o cargo, não quer dizer que passei a ser um ídolo para o povo. Não sou e não serei jamais. Sou um ser humano, normal como qualquer, que está ao serviço da Nação. Ninguém é dono da verdade. Esse é o grande problema de toda a governação na Guiné-Bissau. Afasta-se o povo, que é a voz da democracia e aparece um indivíduo que quer usar o povo para os seus próprios benefícios.

DW África: Como avalia o papel da CEDEAO e da CPLP perante a crise guineense?

NS: A Guiné-Bissau faz parte do mundo global e das organizações. As organizações são necessárias, mas – disse-o uma vez numa entrevista – o conflito na Guiné-Bissau fala o crioulo, o mandinga, o fula, o balanta, fala as línguas autóctones. Portanto, não pode ser discutido ou resolvido a nível internacional, onde se fala o inglês, o português, o alemão ou o francês. Há que entender. Há que resolver esse problema internamente.

 DW África: Quando é que apresenta oficialmente a sua candidatura na Guiné-Bissau?

NS: A candidatura será logo no início do ano de 2019.

 

Fonte:http://www.dw.com/pt-002/guiné-bissau-é-necessário-que-as-mulheres-se-levantem/a-42354612

A maioria dos africanos não emigra para onde você (possivelmente) pensa

Sai o primeiro atlas que analisa os complexos fluxos populacionais da África Subsaariana, com especial atenção ao âmbito rural

Amostras de mapas do atlas ‘África em Movimento’.
Amostras de mapas do atlas ‘África em Movimento’. FAO / CIRAD

Dizer que a África se movimenta seria pouco. O continente na verdade está em ebulição: 36 milhões de africanos migraram em 2017, ou seja, 14% dos 258 milhões de deslocamentos registrados no ano passado em todo mundo, segundo o relatório de migrações de 2017 das Nações Unidas. Mas não migram como costumamos acreditar. Geralmente se imagina que os fluxos entre a África e a Europa e a América do Norte são os únicos, ou os de maior volume, mas 75% dos indivíduos que mudaram de ares na África Subsaariana permaneceram dentro do continente, segundo o estudo África em Movimento: Dinâmica e Motores da Migração ao Sul do Saara, publicado em novembro pela FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura) e o Centro de Pesquisas Agrícolas para o Desenvolvimento (CIRAD). Trata-se do primeiro atlas a analisar a inter-relação dos fatores que levam os habitantes do continente africano a abandonar seus lares.

Através de vários mapas e do estudo aprofundado de quatro exemplos (Senegal, Madagascar, África do Sul e Zâmbia), a publicação visa a facilitar a compreensão das dinâmicas e tendências dos fluxos migratórios. Os migrantes deram forma ao mundo no qual vivemos hoje, impulsionaram o progresso, e os movimentos humanos não irão parar. Por isso, é preferível promover ações que aumentem seu potencial e diminuam os possíveis efeitos nocivos. Esse atlas tenta encontrar padrões que sirvam para desenvolver políticas mais eficientes. “Os migrantes podem ser agentes de desenvolvimento, então é de suma importância aproveitar isso”, afirma o estudo. A seguir, algumas das suas principais conclusões:

Mais população rural, e o emprego como grande desafio

Gráficos que descrevem a densidade da população rural em 2015 e a estimada para 2050. Abaixo, o número de pessoas que entraram para a população economicamente ativa desde 1950 e o estimado até 2050, as mudanças demográficas previstas para os países e regiões analisados e uma comparação da evolução da população rural em vários países.ampliar foto
Gráficos que descrevem a densidade da população rural em 2015 e a estimada para 2050. Abaixo, o número de pessoas que entraram para a população economicamente ativa desde 1950 e o estimado até 2050, as mudanças demográficas previstas para os países e regiões analisados e uma comparação da evolução da população rural em vários países. FAO/CIRAD

A população na África Subsaariana continua crescendo numa escala sem precedentes. Até 2050, aumentará em 208 milhões de pessoas, chegando a 2,2 bilhões. Essa expansão representa uma mudança maior que a experimentada pela China e a Índia no passado. A região continuará sendo principalmente rural, já que o crescimento das cidades é relativamente recente: em 2015, 62% dos africanos (602 milhões) ainda viviam no campo. Até 2050, a cifra chegará a 980 milhões, ou um terço dos camponeses do mundo. Como consequência, a mão de obra aumentará em 813 milhões até o ano 2050. Quase 35% serão de origem rural, com 220 milhões de trabalhadores.

Também aumenta a faixa etária economicamente ativa (de 15 a 64 anos), algo que representa uma grande vantagem para o crescimento econômico. Mas, sem um ambiente econômico e institucional favorável, esse possível benefício poderia se tornar um ônus demográfico (muitos desempregados), gerando tensões sociais e políticas. O maior desafio para a África Subsaariana é criar empregos suficientes para absorver sua força de trabalho em expansão. A evolução do setor agrário dependerá da pressão sobre os recursos e sua gestão.

Migra-se mais dentro da África

Gráfico que mostra o volume de migrações rurais e urbanas por destino e as migrações dentro e fora da África.ampliar foto
Gráfico que mostra o volume de migrações rurais e urbanas por destino e as migrações dentro e fora da África. FAO/CIRAD

Em 2015, cerca de 33 milhões de africanos viviam fora de seus países de origem, embora os que se deslocam dentro do próprio continente respondam por quase 75% desse total. A porosidade das fronteiras e as regras regionais destinadas a facilitar a livre circulação de pessoas favorecem esse movimento. Os padrões de migração rural e urbana apresentam características muito diferentes. Os migrantes rurais costumam se mudar para cidades quando permanecem no seu próprio país. Já os migrantes urbanos em geral partem para outros continentes e zonas urbanas. A migração entre zonas rurais surge quando é possível o acesso à terra e quando se desenvolvem novas atividades, como na mineração artesanal. Entretanto, na maioria das vezes decorre da falta de empregos nas cidades e da maior oferta em zonas de produção de cultivos comerciais como algodão, amendoim, cacau, café e arroz.

Tais dinâmicas demonstram que os vínculos entre o rural e o urbano são cada vez menos estáticos. A migração favorece a diversificação dos meios de subsistência das famílias e o acesso a oportunidades de emprego. Fortalece o papel das cidades pequenas e médias, bem como as dinâmicas locais e regionais. Essa nova realidade territorial, moldada pela migração, deveria facilitar uma melhor coincidência das ações políticas com as necessidades locais.

Perfil dos migrantes africanos

Infográfico que mostra os motivos principais para migrar no caso dos migrantes rurais de alguns países selecionados, as características dos migrantes internacionais por país em 2015 e as dos migrantes rurais e de seus lares.ampliar foto
Infográfico que mostra os motivos principais para migrar no caso dos migrantes rurais de alguns países selecionados, as características dos migrantes internacionais por país em 2015 e as dos migrantes rurais e de seus lares. FAO/CIRAD

Em 2015, a África apresentou a maior proporção de jovens migrantes internacionais (de 15 a 24 anos) com 34% do total. A média de idade foi de 29 anos. Observando mais de perto um grupo de países (Senegal, Burkina Faso, Uganda e Quênia), encontram-se semelhanças: os jovens se movem dentro de seu país e são o grosso dos migrantes rurais. Por volta de 60% tem entre 15 e 34 anos e as mulheres são geralmente mais jovens, mas eles são maioria: entre 60% e 80%. A região também se caracteriza por ter famílias muito numerosas (frequentemente sete ou mais membros) que geralmente são mais propensas a ter migrantes. Isso se reflete nas dificuldades dos jovens para ter acesso e herdar terras agrícolas, o que é um incentivo para ir embora.

Os camponeses têm desenvolvimento escolar mais baixo do que os seus homólogos urbanos, e os que decidem deixar o campo não são uma exceção. Os migrantes tendem, entretanto, a passar mais anos na escola, e a maioria dos rurais vêm de lares que têm membros melhor educados. Ao se observar o emprego, a maioria dos que tem educação formal limitada ou nula terminam em trabalhos por conta própria, enquanto aqueles que obtiveram o nível de educação básica têm mais probabilidades de conseguir um emprego assalariado.

Importância das remessas

Infográfico sobre o envio e recepção de remessas: principais países que as recebem, quantidade em bilhões de dólares recebidos em vários países africanos, e envios em espécie.
Infográfico sobre o envio e recepção de remessas: principais países que as recebem, quantidade em bilhões de dólares recebidos em vários países africanos, e envios em espécie. FAO/CIRAD

O motor de desenvolvimento mais tangível da migração é o dinheiro que os migrantes enviam à casa. A África Subsaariana recebeu aproximadamente 32 bilhões de dólares (103 bilhões de reais) dos 580 bilhões (1,86 trilhão de reais) enviados ao redor do mundo. Os números reais, entretanto, devem ser superiores porque muitos enviam informalmente e porque outros o fazem em forma de bens, em espécie, e isso não se reflete nas estatísticas.

O envio de remessas transforma a vida das famílias no país, aliviando a pobreza e melhorando o consumo dos lares, mas pode gerar problemas se chega a perturbar as instituições e sistemas tradicionais ou provoca a dependência da família que recebe da pessoa que envia. Ainda assim ajuda a melhorar os meios de vida para muitos. De acordo com os autores, a África deveria priorizar a redução dos custos de envio e promover a concorrência, a eficiência e a transparência. “Os Estados africanos também deveriam reformar seu sistema bancário e financeiro para facilitar a capacidade dos migrantes de enviar dinheiro através de instituições financeiras”, recomendam.

A importância da mudança climática

Infográfico em inglês sobre o impacto da mudança climática na África. Mostra as inter-relações entre as zonas de aridez e os níveis de degradação do solo, densidade populacional, níveis de vulnerabilidade, população trabalhadora dedicada à agricultura e níveis de pobreza.ampliar foto
Infográfico em inglês sobre o impacto da mudança climática na África. Mostra as inter-relações entre as zonas de aridez e os níveis de degradação do solo, densidade populacional, níveis de vulnerabilidade, população trabalhadora dedicada à agricultura e níveis de pobreza. FAO/CIRAD

mudança climática é um fenômeno global cada vez mais prejudicial aos humanos. As temperaturas e as mudanças nas chuvas podem ter graves repercussões nos meios de subsistência. A estimativa das perdas nas colheitas de grãos chega a 20% e a região subsaariana será uma das mais atingidas, com cenários que projetam um aumento de 20% da desnutrição em 2050 se medidas não forem tomadas.

Em países de alto risco e com mecanismos de mitigação, as pessoas podem sobreviver melhor a esse fenômeno. A capacidade dos Governos para responder às necessidades básicas após os desastres naturais pode, por exemplo, permitir às pessoas reconstruírem seus meios de vida sem a necessidade de migrar. Na maioria dos países da África Subsaariana, problemas como a instabilidade política, governança ruim, falta de capacidades e os recursos financeiros limitados impedem o uso efetivo e a boa implementação de mecanismos de prevenção e adaptação. Para consegui-los devem ser criadas estratégias de desenvolvimento fundamentadas em um olhar a longo prazo dos possíveis cenários para se conseguir um modelo adequado e eficiente das políticas públicas.

 

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/11/internacional/1515674435_555866.html

Yaa Nana Asantewaa: a rainha guerreira da nação Ashanti do Gana

Ficou conhecida pelo seu papel heróico na guerra do “Trono de Ouro”, no Gana. Asantewaa era uma mulher forte e que seguia as suas convicções. Defendeu sempre o que acreditava ser a santidade da sua terra e cultura.

DW Videostill Projekt African Roots | Yaa Asantewaa, Ghana (Comic Republic)

Nasceu: em 1840 em Besease, no atual Gana, e morreu a 17 de outubro de 1921, nas Seychelles.

Reconhecida:

– por ter inspirado e apoiado o que é hoje conhecido como guerra do “Trono de Ouro”. O “Trono de Ouro” era a propriedade mais sagrada da nação Ashanti – atual Gana -, tendo o representante britânico na época na Costa do Ouro, Frederick Mitchell Hodgson, exigido que lho dessem.

– por se ter pronunciado sem hesitar e em frente aos homens Ashanti, quando confrontada pela exigência do representante britânico. Afirmou: “É verdade que a bravura dos Ashanti acabou? Não posso acreditar. Não pode ser! Devo dizer: Se vocês, homens de Asante, não vão em frente, então nós vamos. Apelo às minhas companheiras mulheres. Vamos lutar contra os homens brancos. Vamos lutar até que a última de nós caia no campo de batalha”.

– por ter sido nomeada por uma série de reis regionais Ashanti a líder da força de guerra de combate. Foi a primeira e única mulher na história de Asante com estas funções.

– por ter estado, em momentos diferentes, na frente de guerra para dar conselhos e cuidar do abastecimento dos combatentes Asante – aos 60 anos!

Legado:  Yaa Asantewa é um importante modelo e inspiração não só para as raparigas e mulheres do Gana, mas também para todo o continente africano, pela bravura que demonstrou ter. Hoje, muitas mulheres que ingressam em profissões que, anteriormente, eram dominadas por homens, são muitas vezes apelidadas de Yaa Asantewaa como forma de incentivo e apoio.

Em 2000, um museu foi criado em memória à grande rainha guerreira na localidade de Ejisu no Gana. A sua família contribuiu com heranças e artigos que Yaa Asantewaa usava, incluindo peças de roupa, e também uma carapaça de tartaruga, na qual se diz que a rainha tenha comido as suas refeições. Infelizmente, um incêndio destruiu o museu em julho de 2004. A maioria das coisas foram perdidas, estando o museu ainda em ruínas.

DW African Roots- Yaa Asantewaa (Comic Republic)

Rainha guerreira proveniente de famílias humildes

A primeira Escola Secundária do Governo em Kumasie recebeu o seu nome: Escola Secundária Yaa Asantewaa.

Asantewaa nasceu em 1840, em Ejisu, atual Gana, que fazia parte do império Ashanti naquela época. Casou cedo e teve uma filha.

Em entrevista à DW África, Wilhemina Donkor, historiadora e presidente da Universidade Garden City, no Gana, lembra que Yaa Asantewaa era proveniente de famílias humildes, tendo começado a sua vida como uma “mulher comum”. Yaa Asantewaa era agricultora e “cultivava amendoim, cebolas e outros produtos alimentares”.

No entanto, a sua vida mudou decisivamente quando os seus pais morreram. O seu irmão Kwasi Afrane tornou-se líder de Ejisu e nomeou a sua mãe Rainha. No entanto, Kwasi Afrane morreu pouco tempo depois, em 1894. Seguiu-se um novo líder, um dos dez netos de Yaa Asantewaa, mas que acabou por ser exilado pelos britânicos dois anos depois. É aqui que Yaa Asantewa se torna regente de Ejisu.

De agricultora a líder de Guerra

Representar o líder do seu país deu a Yaa Asantewaa a oportunidade de estar entre os chefes que foram convidados a conhecer o representante britânico em 1900.

Na reunião, Frederick Mitchell Hodgson, representante da coroa britânica, solicitou que o “Trono de Ouro” lhe fosse concedido, no entanto este não era um trono comum. Era o “Trono de Ouro”, o objeto mais sagrado da cultura Ashanti e por isso Asantewaa entendeu que não poderia deixar que os britânicos o levassem.

Ouvir o áudio04:08

Yaa Nana Asantewaa: a rainha guerreira

No entanto, foi a única a lutar contra isso. Pelos chefes de Ashanti, a solução desistir e sacrificar o “Trono de Ouro”. Mas, para Yaa Asantewaa esta solução não estava em cima da mesa. Asantewaa insurgiu-se e proferiu as tão famosas palavras: “Se vocês, homens de Asante, não vão em frente, então nós vamos. Desafio as minhas companheiras mulheres. Vamos lutar contra os homens brancos. Vamos lutar até que a última de nós caia no campo de batalha. Se vocês, os chefes, não lutarem, então deverão trocar a vossa tanga pela minha roupa interior”.

Guerra do Trono de Ouro

A guerra que se seguiu ficou conhecida como a “Guerra do Trono de Ouro” e também como a “Guerra de Yaa Asantewaa”.

De acordo com Wilhemina Donkor, Yaa Asantewaa deixou algumas lições, nomeadamente, “ensinou-nos a defender aquilo em que acreditamos”. “Sendo a dignidade de Ashanti que estava em jogo, ela ergueu-se”, explica.

Yaa Asantewaa não só iniciou a guerra, como também desempenhou um papel ativo. Tinha 60 anos na época e há provas de que esteve na frente da batalha, não só para motivar os soldados mas também para lhes fornecer armas.

A guerra apenas atenuou depois da sua filha ter sido capturada, o que forçou Yaa Asantewaa a render-se. Os britânicos levaram-na para as Seychelles, no Oceano Índico, onde acabou por morrer, em outubro de 1921.

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Um ícone

Ainda assim, os britânicos nunca encontraram o “Trono de Ouro”. Yaa Asantewaa tornou-se um ícone, respeitado no Gana e mais além.

Para Daniel Baker Glover, cineasta e comentador político, Asantewaa inspirou a luta da independência no seu país. No seu entender, “o que ela estava a querer dizer ao povo Asante e, indiretamente, aos ganianos e africanos, é que esta é a nossa terra, e ninguém vindo do exterior pode chegar e dizer como é que devemos viver. (…) Ao vestir “a capa” de líder de guerra, ela estava a querer mostrar às mulheres que elas são iguais aos homens, e que não são cidadãos de segunda classe”.

Quase um século após a sua morte, Yaa Nana Asantewaa continua a ser lembrada um pouco por todo continente africano por ter sido uma mulher excecionalmente corajosa e forte. Para preservar a herança de Yaa Asantewaa, uma das melhores escolas secundárias do sexo feminino no Gana tem o seu nome.

A sua memória está também preservada através de livros, filmes, peças de rádio e canções – ou seja, na memória de uma nação .

O projeto “Raízes Africanas” é financiado pela Fundação Gerda Henkel.

http://www.dw.com/pt-002/yaa-nana-asantewaa-a-rainha-guerreira-da-na%C3%A7%C3%A3o-ashanti-do-gana/a-41770230

Direito a maternidade passa a ser de 90 dias em Moçambique

Maputo – O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, promulgou a proposta que alarga os direitos dos funcionários e agentes do Estado, segundo um comunicado da Presidência enviado à Lusa.

PRESIDENTE DE MOÇAMBIQUE, FILIPE NYUSI

FOTO: PEDRO PARENTE

A lei alarga o período da licença de maternidade de 60 para 90 dias, enquanto o período da licença de paternidade passa a ser de sete dias.

A proposta de lei foi aprovada em Abril pelas três bancadas do parlamento moçambicano, nomeadamente a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido governamental, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior força de oposição, e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Na altura, a ministra da Administração Estatal e Função Pública, Carmelita Namashulua, disse que o novo estatuto visa ainda suprimir o limite de tempo de serviço como fundamento de aposentação obrigatória.

Entre outras medidas, prevê-se ainda imprimir maior celeridade ao abono da pensão de aposentação, reduzir burocracias, ajustar o regime de contratação e aperfeiçoar o regime das promoções, progressões e mudança de carreira, associando-os ao desempenho, mérito e experiência do funcionário.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/7/31/Mocambique-Presidente-promulga-lei-que-alarga-direitos-dos-funcionarios-agentes-Estado,6c7970be-5c4d-4f60-acaa-f31598c13317.html

Nigéria recebe apoio para empoderar as mulheres

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As Nações Unidas (ONU) instaram o governo da Nigéria a aumentar seu investimento no desenvolvimento das mulheres na promoção da paz no país.

Secretária-geral adjunta da ONU, Amina Mohammed fez a contato ontem quando se encontrou com o presidente interino, Yemi Osinbajo, na villa presidencial, Abuja.

Ela disse que a equipe da ONU liderada por ela mesma estava na cidade para discutir a implementação da agenda 2030, mas também 2063 e ver como a Nigéria poderia ser apoiada especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento das mulheres. Promover o desenvolvimento das mulheres, o governo nigeriano precisaria começar a colocar as mulheres no centro dos assuntos.

 
Ela disse: “Tenho a honra de liderar uma delegação com foco na paz e no desenvolvimento das mulheres.

“Comigo, a presidente-executiva ONU mulheres, também está a representante especial sobre mulheres e conflitos, também temos conosco nosso parceiro a União Africana, a conselheira especial também sobre paz, mulheres e desenvolvimento.

A representante da ONU também disse que está ponderando maneiras de apoiar a Nigéria.

É um momento emocionante estar aqui, porque realmente estamos falando sobre a implementação da agenda 2030, mas também 2063 e para nós, é sobre como apoiarmos a Nigéria e em um contexto muito difícil fazer mais e fazer em escala paa que todas as mulheres nigerianas sejam assistidas.

Ela incluiu isso, embora eles enfrentam desafios, eles também têm histórias de sucesso.

“Sabemos que há muitas lições que aprenderam e há desafios que temos, mas temos alguns sucessos do Nordeste todo o caminho para o sul.

“Queremos garantir que façamos mais para que possamos ver especialmente as mulheres no centro das preocupações e dos avanços.