Menu

Escritora de origem brasileira é a primeira negra a ganhar o premio Booker Prize

Girl, Woman, Other (Penguin UK, maio de 2019) – um romance de ‘ficção de fusão’. 
A britânica Bernardine Evaristo, que venceu pelo romance “Girl, woman, other”, é a primeira mulher negra a receber o Booker Prize. Considerada uma escritora experimental, ela é prestigiada no Reino Unido, mas não tem tanta fama internacional. Por isso, foi considerada uma escolha surpreendente.

Filha de uma inglesa e de um nigeriano de origem brasileira ela é de uma familia de oito filhos

Em seus oito trabalhos de ficção, Bernardine, que nasceu em Londres, em 1959, filha de uma mãe branca inglesa e um pai negro nigeriano, costuma explorar as vidas de membros da diáspora africana. “Girl, woman, others” traz uma dúzia de personagens, a grande maioria mulheres negras britânicas. É escrito em uma mistura de poesia e prosa, um híbrido que Bernardine chama de “ficção de fusão”.

No oitavo livro de Evaristo, ela continua a expandir e aprimorar nosso cânone literário. Se você quer entender a Grã-Bretanha moderna, este é o escritor que deve ler. Novo estadista .

 

A escritora britânica Bernardine Evaristo é a autora premiada de oito livros  e numerosas outras obras publicadas e produzidas que abrangem os gêneros de romances, poesia, ficção de versos, ficção curta, ensaios, críticas literárias e drama de rádio e teatro. Seus escritos e projetos são baseados em seu interesse na diáspora africana. Ela é professora de redação criativa na Brunel University London.

Seu romance versátil  The Emperor’s Babe foi adaptado para uma peça da BBC Radio 4 em 2013 e sua novela  Hello Mum  foi adaptada para uma peça da BBC Radio 4 em 2012. Em 2015, ela escreveu e apresentou um documentário em duas partes da Rádio 4 da BBC chamado Fiery Inspiration: Amiri Baraka e o Movimento de Artes Negras .

A primeira monografia sobre seu trabalho, F i cção Unbound  por Sebnem Toplu, foi publicado em agosto de 2011 pela Cambridge Scholars Publishing. Uma segunda monografia de Ester Gendusa foi publicada na Itália em 2015. Seus livros foram traduzidos para vários idiomas, incluindo tcheco, finlandês, húngaro, italiano e mandarim.

Ela tem editado diversas publicações e sua crítica literária aparece em jornais e revistas nacionais, incluindo o The Guardian, Times Literary Supplement, Observer , Número , Independent e New Statesman. S ele também julgou muitos prêmios literários e faz parte do Conselho Editorial do Fundo livro de poesia Africano (EUA) para todas as suas publicações e prêmios.

Ela recebeu várias honras e prêmios  e seus livros foram um livro notável do ano treze vezes nos jornais britânicos, enquanto The Emperor’s Babe foi um ‘Book of the Decade’ do Times de Londres . Foi eleita Fellow da Royal Society of Literature em 2004, Fellow da Royal Society of Arts em 2006, Fellow da Associação Inglesa em 2017 e Fellow da Rose Bruford College of Theatre and Performance em 2018. Ela recebeu um MBE na lista de honra de aniversário da rainha em 2009. Ela ingressou no Conselho da Royal Society of Literature em 2016 e tornou-se vice-presidente em 2017.

Desde 1996, ela aceita muitos convites para realizar visitas internacionais como escritora. Ela dá leituras, palestras, entrega palestras, preside painéis e oferece atividades e cursos de escrita criativa. Em 2019, ela é a inauguração do Woolwich Laureate, nomeada pelo Greenwich & Docklands International Festival. Ela está se reconectando à cidade natal que deixou aos dezoito anos e escrevendo sobre isso.

Ativista e defensora firme e duradoura da inclusão de artistas e escritores de cores, Bernardine iniciou vários esquemas de sucesso para garantir uma maior representação nas indústrias criativas.

Pessoal
Bernardine Evaristo nasceu o quarto de oito filhos, em Woolwich, sudeste de Londres, de mãe inglesa (de herança inglesa, irlandesa e alemã) e de pai nigeriano (de herança nigeriana e brasileira). Seu pai era um soldador e vereador trabalhista local; sua mãe era professora. Foi educada na Escola de Gramática de Eltham Hill Girls, na Faculdade de Fala e Drama Rose Bruford e na Goldsmiths, Universidade de Londres, onde obteve seu PhD (Redação Criativa). Ela passou a adolescência no Greenwich Young People’s Theatre, que foi onde ela se envolveu nas artes.

Nigéria quer estabelecer acordo de cooperação técnica com o Brasil

A ministra de Estado da Indústria do país africano, Hajiya Aisha Abubakar, esteve em reunião no Brasil na semana passada; setor de óleo e gás e serviços financeiros também estão no foco

Exportações e importações entre Brasil e o continente africano

O conhecimento e a tecnologia que o Brasil possui nos setores da produção agrícola, automotivo, serviços financeiros e de óleo e gás estão no foco dos interesses do governo e das empresas da Nigéria.

Na semana passada, uma delegação nigeriana chefiada pela ministra de Estado da Indústria, Comércio e Investimentos do país africano, Hajiya Aisha Abubakar, esteve no Brasil para discutir esses temas com o governo e setor privado nacional.

Em entrevista ao DCI, Abubakar contou que a reunião com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Economia, na última terça (26), discutiu formas de cooperação bilateral, mas que não houve um acordo mais propositivo.

“Há muitas oportunidades de colaboração entre Nigéria e o Brasil. Para nós, nos interessa, particularmente, o conhecimento brasileiro na área da agricultura, serviços financeiros, setor automotivo e de construção civil”, destacou a ministra nigeriana.

Na reunião, também foi debatido como as duas nações podem integrar as suas cadeias de produção e internacionalizar suas empresas.

O diretor-geral do Bank of Industry da Nigéria, Leonard Kange, reforçou que o interesse nigeriano no know-how (conhecimento prático) brasileiro, especialmente na agricultura, está relacionado com as similaridades que os dois países têm em termos de clima, população e indústria. Além do setores elencados pela ministra da Indústria, Kange cita que a tecnologia brasileira na área de petróleo e gás natural é outra necessidade da Nigéria neste momento.mapa-nigeria

Números das trocasEm 2018, a balança comercial do Brasil com a Nigéria ficou deficitária em US$ 964 milhões, decorrente de exportações no valor de US$ 667 milhões e importações de US$ 1,631 bilhão. Dentre os principais produtos que o Brasil vende para a Nigéria, estão o açúcar em bruto (56%), ônibus (17%), fumo (4,6%) e tratores (2%). Já as nossas compras da Nigéria são, basicamente, petróleo em bruto (84%), seguido de ureia (8,2%) e gás natural (6,8%), segundo dados do Ministério da Economia.

A presidente da Câmara de Comércio Brasil África (Ecowas Brazil), Silvana Saraiva, afirma, por outro lado, que o processo de diversificação da economia não só da Nigéria, como de outros países africanos é uma oportunidade para o Brasil ampliar suas exportações.

“Muitos países africanos estão com crescimento acelerado, o que tem possibilitado a diversificação das suas economias. Porém o Brasil não tem aproveitado essa potencialidade”, diz Saraiva. O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) do continente africano cresça 4,0% em 2019 e 4,1% em 2020.

A presidente da Ecowas Brazil afirma que, como a indústria africana ainda não está fortalecida, as oportunidades de exportação e investimentos na África estão na área de máquinas e equipamentos, além de tecnologia, seja na forma de oferta de serviços, conhecimento e mercadorias.

Central business district on Lagos Island, Lagos, Nigeria, 2009

Central business district on Lagos Island, Lagos, Nigeria, 2009

“Falta ao empresário brasileiro ter mais conhecimento do mercado consumidor africano e saber que os bancos de lá, por exemplo, estão bastante fortalecidos”, ressalta Saraiva. Em relação às nossas importações, a presidente da Ecowas Brazil diz que as compras brasileiras de manteiga de karité da Nigéria e de pasta de cacau da Costa do Marfim tem crescido, porém ainda há potencial para uma expansão maior.

A balança comercial do Brasil com a África ficou positiva em US$ 1,558 bilhão em 2018, resultado de exportações no valor de US$ 8,1 bilhões e importações de US$ 6,6 bilhões. Nossas vendas à África se concentram em açúcar, carnes e minério de ferro, enquanto as compras, em petróleo bruto.

 

Fontehttps://www.dci.com.br/economia/nigeria-tem-interesse-em-importar-a-tecnologia-brasileira-em-agricultura-1.790768

Por que nós brasileiros devemos acompanhar as eleições na Nigéria?

Nigeria_oil_26Amanhã dia 16 de fevereiro de 2019,  dos 203 milhões de habitantes da Nigéria , 84 milhões se registraram para eleger, além do presidente, a composição do Parlamento. E isto interessa muito aos brasileiros. Por que?

A Nigéria é o país mais populoso da África e o sétimo no planeta, maior potência petroleira do continente e 13ª maior produtora do mundo.  Os Nigerianos fora do país —no Brasil, são cerca de 8.000, segundo a embaixada— não têm o direito de votar.

 

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, a Nigéria é o único país da África Ocidental com o qual o Brasil mantém Mecanismo de Diálogo Estratégico.

Em novembro de 2013, realizou-se, em Brasília, a I Sessão do Mecanismo, ocasião em que foram criados nove Grupos de Trabalho sobre agricultura, segurança alimentar e desenvolvimento agrário, temas consulares e jurídicos, defesa, mineração, energia, comércio e investimentos, cultura e infraestrutura.

A Nigéria figurou até recentemente entre os dez principais parceiros comerciais do Brasil no mundo.

 

O Brasil fechou um acordo de crédito deUS$ 1,1,bilhão de dólares  para financiar  a venda de máquinas e equipamentos agrícolas  para a Nigéria, pretende ainda  formar mais de 10000 técnicos agrícolas. Um dos objetivos é também enfrentar a concorrência da China.

Segundo o embaixador brasileiro na Nigéria, Ricardo Guerra de Araujo: “ o que nos diferencia da China é que o palno de négocio cobre toda a cadeia de valor, incluindo montagem de equipamentos em solo nigeriano e treinamento para quem vai operá-los, além de fornecimento de fertilizantes, sementes, pesticidas, markentig ( ferramentas) de comercialização chegando até o consumidor”

O Banco Islâmico de Desenvolvimento e a Agência Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF)  deverão assegurar  a garantia de crédito.

 

A Nigéria havia propost o um crédito de 10 bilhões, mas o Brasil achou melhor ir mais devagar. A Fundação Getúlio Vargas é a entidade que elaborou o projeto, que pretende modernizar a agricultura da Nigéria.

 

A Embraer recebeu,  neste mês de fevereiro de 2019, junto com a parceira americana Sierra Nevada Corporation (SNC) uma encomenda de 12 aeronaves para aa Força Aérea da Nigéria. Os aviões são de ataque leve e treinamento avançado do A-29 Super Tucano serão utilizados em missões de apoio aéreo tático.

 

Entre 2006 e  2016 o o Brasil acumulou um déficit de impressionantes US$ 57,7 bilhões com a Nigéria.

A Nigéria e é o maior deficit do Brasil nesse período com qualquer outro entre os seus parceiros  no comércio internacional. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Desde que começou a importar petróleo da Nigéria, na década de 1980, o Brasil sempre teve uma relação comercial deficitária com o país africano. No ano 2000, as exportações brasileiras para aquele país totalizaram US$  247 milhões e as importações atingiram a cifra de US$ 734 milhões, gerando um saldo negativo de US$ 487 milhões.

De lá para cá o desequilíbrio na balança comercial entre os dois países não parou de crescer. O saldo em favor dos nigerianos atingiu o valor máximo em 2013, quando as vendas daquele país concentradas em petróleo, nafta para a petroquímica e gás natural somaram US$ 9,648 bilhões, ao passo em que as vendas brasileiras foram de apenas US$ 876 milhões, gerando um deficit de  US$ 8,772 bilhões.

 

Se você tinha dúvidas por que temos que acompanhar as eleições na Nigéria é bom registrar que somos dficitários no comercio com os nigerianos. E eu nem comentei as questões culturais e religiosas que temos com os nigerianos.

Nigéria: 190 milhões de pessoas a espera das eleições

nigeria cidadeA Nigéria, o país mais populoso de África, com 190 milhões de habitantes, e primeira potência petrolífera do continente, elege este sábado o seu Presidente, entre o incumbente, Muhammadu Buhari, e o líder da oposição, Atiku Abubakar.

Ao longo do último mês, Buhari, candidato do Congresso dos Progressistas (APC), e Abubakar, do Partido Popular Democrático (PDP), principal partido da oposição, percorreram os 36 estados do país, com recordes históricos de participações nos comícios, num sinal, segundo muitos especialistas e observadores, do abrandamento económico e da pobreza crescente, mais do que da popularidade de qualquer um dos dois pouco carismáticos candidatos.

Os comícios são antes de tudo uma oportunidade oferecida a muitos para se alimentarem, fazerem algum dinheiro, ou receberem os “presentes” lançados às multidões pelas equipas de campanha.

O país caiu na recessão económica entre 2016 e 2017, pouco depois da chegada ao poder de Muhammadu Buhari — que foi eleito em 2015 com a promessa de colocar o país a crescer 10% ao ano –, muito por força da queda dos preços do petróleo. A recuperação é ainda muito tímida. O produto interno bruto (PIB) nigeriano cresceu apenas 1,9% em 2018, de acordo com dados conhecidos hoje, e o Fundo Monetário Internacional estima que voltará a ser da mesma ordem (2%) em 2019.

O gigante africano é hoje o país que regista um maior número de pessoas a viver abaixo do estado de pobreza extrema (87 milhões), à frente da Índia, de acordo com o barómetro do World Poverty Clock.

“Meter a Nigéria a trabalhar outra vez (‘Make Nigeria work again’)” é o lema de Abubakar, que joga a carta da recuperação económica como principal trunfo diferenciador na sua quarta tentativa de ocupar o mais alto cargo da nação.

Antigo vice-presidente e empresário próspero, Abubakar defende uma política liberal para retirar a Nigéria da anemia económica, por exemplo, através da privatização de parte da companhia nacional de petróleo nigeriana, a Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC), ou da flutuação da moeda, o naira.

Já Buhari defende o intervencionismo do Estado, a começar pelo banco central, através da fixação das taxas de câmbio, por exemplo, interditando as importações, ou estimulando o micro-crédito, com um programa de pequenos empréstimos livres de colaterais, de 24 a 75 euros, o “Trader Moni”, dirigido a dois milhões de pequenos comerciantes.

Abubakar fala para os mercados internacionais e a sua vitória, admitem analistas citados por várias agências, poderá finalmente inverter a tendência que faz da bolsa de valores nigeriana a que mais valor perdeu em todo o mundo desde que Buhari foi eleito.

A reputação de Abubakar está, porém, manchada por acusações persistentes de corrupção, que o próprio desmente com igual insistência, pelo que o ceticismo segue de mão dada com o otimismo dos investidores internacionais, e esta não é a melhor perspetiva para um país que viu o investimento direto estrangeiro cair para menos de metade dos valores verificados no início da década.

A outra carta que (não) se joga nestas eleições é a das clivagens étnicas e religiosas. A Nigéria é um país dividido entre o norte, maioritariamente muçulmano, e o sul, de domínio cristão, assim como entre três comunidades étnicas importantes — hauçá (25% da população), ioruba (21%) e igbo (18%) — de entre mais de 500 grupos étnicos e línguas diferentes.

A escolha do candidato presidencial na Nigéria tem sido baseada na região de origem ou na religião, mais do que nas ideias políticas, mas desta vez ambos os contendores, Buhari e Abubakar, são houçás e muçulmanos, pelo que a decisão não será tomada por força da religião ou etnia.

O número recorde de eleitores inscritos para as eleições gerais deste sábado — presidenciais, legislativas e para a escolha dos governadores — ascende aos 84 milhões (número que compara com 67,4 milhões no escrutínio de 2015, ainda que a participação não tenha ultrapassado os 43,65%), mas a afluência às urnas nestas eleições está ameaçada pelo surto de violência associada ao extremismo islâmico protagonizada pelo grupo rebelde Boko Haram.

As forças de segurança nigerianas anunciaram no final da semana passada terem já deslocado 95% dos efetivos que garantirão o voto seguro em todo o país, mas os ataques do grupo jihadista têm-se intensificado nos últimos dias, sobretudo no nordeste do país e este poderá ser um fator muito dissuasor da participação eleitoral, sobretudo nas regiões mais afetadas.

Buhari foi eleito em 2015 com a promessa de destruir os rebeldes do Boko Haram durante o mandato que agora chega ao fim. O facto, no entanto, é que o grupo terrorista se mantém como uma muito forte ameaça, e os seus ataques provocaram já 1,9 milhões de deslocados na Nigéria, segundo a Amnistia Internacional (AI).

Uma onda de ataques sucessivos no nordeste da Nigéria está na origem de cerca de 60 mil refugiados desde novembro, no que é o maior registo de refugiados dos últimos dois anos, e leva as Nações Unidas e as organizações não-governamentais a operar na região a temer uma reedição da crise do Boko Haram.

Desde o início da insurgência do Boko Haram em 2009, pelo menos 35 mil pessoas foram mortas. Os ataques na vasta região do lago Chade, que engloba partes dos Camarões, Chade, Niger e Nigéria, provocaram mais de 2,5 milhões de deslocados, incluindo 1,9 milhões internos na Nigéria e 250 refugiados nigerianos.

Apesar de o Governo nigeriano afirmar repetidamente que a ameaça jihadista foi minimizada, a realidade no terreno mostra o contrário e a preocupação é que a situação piore com as eleições gerais de 16 de fevereiro.

Fonte:https://www.dn.pt/lusa/interior/nigeriaeleicoes-gigante-africano-na-reta-final-para-escolher-o-proximo-presidente-10576125.html

O proximo presidente da Nigéria terá como desafio enfrentar a pobreza

 

A Nigéria prepara-se para ir às urnas no sábado em eleições gerais. Há mais de 70 candidatos à Presidência, mas apenas dois favoritos: o atual chefe de Estado, Muhammadu Buhari, e o rival Atiku Abubakar.

    
Wahlkampf Nigeria Wahlplakat APC (DW/T. Mösch)

Ao todo, 73 candidatos concorrem à Presidência da maior economia africana.

Mas, excetuando o atual chefe de Estado, Muhammadu Buhari, e o opositor Atiku Abubakar, nenhum dos candidatos restantes, aprovados pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (INEC) em meados de janeiro, terá hipóteses significativas de conquistar a Presidência.

Muitos são desconhecidos a nível nacional e poucos foram vistos na capital, Abuja. Não há sondagens confiáveis sobre a eleição de sábado, que deverá ser altamente renhida, e o resultado permanece incerto.

Mohammadu BuhariPresidente Muhammadu Buhari recandidata-se ao cargo

Na cidade natal de Buhari

Muhammadu Buhari, de 76 anos, concorre a um segundo mandato como candidato do Congresso dos Progressistas (APC).

Na sua cidade natal, Daura, no norte da Nigéria, há imagens de Buhari um pouco por todo o lado: o seu retrato pode ser visto não só nas ruas, como também pendurado nas paredes da sala de estar dos seus apoiantes.

“Ele é um homem bom”, resume Aliyu Rabe Daura, que trabalha para o governo estadual. “Da última vez que ele aqui esteve, em Daura, foi a pé da mesquita para a sua casa.”

Quando assumiu a Presidência, há quatro anos, Buhari declarou guerra à corrupção e ao terrorismo. Prometeu ainda fortalecer a economia. Mas as suas políticas de segurança são consideradas um fracasso.

Quem quer ser o próximo Presidente da Nigéria?

O grupo terrorista Boko Haram ataca cada vez mais comunidades, desde o final de 2018. Até ao início de fevereiro, cerca de 30 mil pessoas foram forçadas a fugir da cidade de Rann, no estado de Borno, para os vizinhos Camarões, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras.

O primeiro mandato de Buhari também foi marcado por várias ausências devido a problemas de saúde.

Buhari assegura no seu programa eleitoral, de 14 páginas, que, nos últimos anos, foram estabelecidas as bases para uma Nigéria estável e próspera. E promete agora expandir as estradas, melhorar o fornecimento de energia e criar empregos. Mas essas são também promessas do seu principal rival.

As promessas de Atiku Abubakar

Atiku Abubakar, que entre 1999 e 2007 foi vice-Presidente da Nigéria, garante que, se for eleito, haverá mudanças no mercado de trabalho.

Segun Sowunmi, gerente de campanha eleitoral de Abubakar, diz que o seu chefe é o candidato ideal quando se trata de questões económicas: “África e especialmente a Nigéria têm um grande número de desempregados. Abubakar tem muita experiência na criação de empregos com as suas empresas. Ele criou 50 mil empregos diretos e outros 300 mil indiretos. Precisamos de empregos muito rapidamente”, afirma.

Nigeria, ehemaliger Vizepräsident Atiku AbubakarAtiku Abubakar promete mais empregos – tal como o seu rival Buhari

Abubakar, de 72 anos, criou um império com base em empresas que oferecem serviços de logística, petróleo e gás. Foi ainda o fundador da Universidade Americana da Nigéria em Yola.

Não se sabe em concreto quanta riqueza já acumulou, mas foi alvo de acusações de corrupção e branqueamento de capitais. Segundo um relatório do Senado norte-americano, com a ajuda da sua quarta esposa, Fatima Abubakar, o empresário levou, entre 2000 e 2008, cerca de 40 milhões de dólares para os Estados Unidos.

Na cidade de Daura, o cantor Mannir Abba compôs uma música para Atiku Abubakar e não poupa elogios ao candidato.

“Atiku é a melhor escolha. Tudo o que vê na minha cidade natal, Daura, foi criado durante o Governo do PDP, e não no atual Governo”, comenta.

Mais de 80 milhões de eleitores estão registados para escolher, no sábado (16.02), o próximo Presidente do país, além dos novos deputados e 36 governadores.

Segundo a comissão eleitoral, um em cada quatro eleitores é estudante ou está a realizar alguma formação profissional. 62% dos nigerianos têm menos de 25 anos. Os dois principais candidatos à Presidência poderiam facilmente ser seus avós.

Fonte:https://www.dw.com/pt-002/quem-quer-ser-o-pr%C3%B3ximo-presidente-da-nig%C3%A9ria/a-47513118

Eleições na Nigéria para presidente

000000000000nigeriastatesmapbA Nigéria, primeira potência petroleira da África e país mais populoso do continente com 190 milhões de habitantes, escolherá em eleições muito disputadas em 16 de fevereiro o seu presidente, entre o chefe de Estado em fim de mandato Muhamadu Buhari, e o líder da oposição, Atiku Abubakar, em uma campanha marcada pela morte de 15 pessoas na terça-feira em uma avalanche humana após um ato do primeiro.

O presidente em fim de mandato Buhari realizou no sábado o seu principal ato de campanha em Lagos diante de dezenas de milhares de pessoas.

Em contrapartida, o partido de Abubakar, que tinha previsto uma grande concentração em Abuja, teve que cancelá-la. Abubakar acusou o presidente Buhari e sua formação de estarem por trás da proibição de chegar o local previsto do ato, afirmação negada pelo partido no poder.

Durante um mês, Buhari, candidato do Congresso dos Progressistas (APC), e Abubakar, do Partido Popular Democrático (PDP), principal movimento de oposição, percorreram os 37 estados da Nigéria.

Ao menos 15 pessoas morreram na terça-feira em uma avalanche humana ao terminar um ato de Buhari, em um estádio de Port Harcourt (sudeste), quando a multidão tenta sair do local, informou um hospital nesta quarta.

“Foram levados 15 corpos (ao Hospital Universitário de Port Harcourt, estado de Rivers), três homens e 12 mulheres”, assinalou o porta-voz do hospital Kem-Daniel Elebiga.

“Doze sobreviventes” foram tratados ou estão em tratamento, acrescentou.

Mas aqueles que assistem a estas manifestações gigantescas podem obter algum dinheiro, comida ou “presentes” jogados pelas equipes de campanha para a multidão, o que relativiza seu caráter multitudinário.

A Nigéria mergulhou em uma recessão econômica entre 2016 e 2017, logo depois que Buhari chegou ao poder, e hoje o crescimento não está se recuperando.

O gigante da África é atualmente o país do mundo que tem o maior número de pessoas vivendo abaixo do limiar da extrema pobreza (87 milhões), à frente da Índia, de acordo com o World Poverty Clock.

O tema econômico centraliza a campanha e o opositor Abubakar prometeu em seu lema que “a Nigéria volte ao trabalho” (“Make Nigeria work again”).

Mas Buhari se posicionou como um político próximo ao povo, com sua medida “Trader Moni”, um sistema de microcrédito de 24 a 75 euros para os dois milhões de pequenos comerciantes nos mercados.

Na Nigéria, país dividido entre um sul predominantemente cristão e um norte dominado pelos muçulmanos, além de diversas comunidades, a escolha dos candidatos é geralmente baseada em sua região de origem, ou religião, do que em suas ideias e programa.

Mas este ano, os dois principais candidatos são muçulmanos e pertencem à mesma comunidade hausa, estabelecida no norte do país.

Fonte:https://www.dn.pt/lusa/interior/nigeriaeleicoes-gigante-africano-na-reta-final-para-escolher-o-proximo-presidente-10576125.html

Juventude nigeriana está pessimista em relação às eleições para presidente na Nigéria

jo

Pela primeira vez, os nigerianos nascidos depois da instauração da democracia em 1999, e após décadas de ditaduras militares, são chamados às urnas no próximo dia 16 para eleger o seu presidente.

Os jovens, porém, sentem-se excluídos do jogo político da maior economia africana, dominado por uma elite envelhecida. As presidenciais do próximo sábado serão disputadas por dois septuagenários, ligados aos dois partidos que dominam a política nigeriana, e os cerca de 60% da população com menos de 25 anos manifesta encontram poucas razões para votar.

O chefe de Estado cessante, Muhammadu Buhari, 76 anos – que já tinha ocupado o cadeira presidencial nos anos 80 na sequência de um golpe de Estado, e foi eleito em 2015 para um mandato de quatro anos –, enfrenta Atiku Abubakar, 72 anos, antigo vice-presidente entre 1999 e 2007.

“São sempre as mesmas mentiras, a mesma corrupção, não há nada que mude para nós”, diz à AFP um jovem vendedor de rua com 19 anos, Femi Edu, a propósito dos políticos que dividem entre si o poder desde o evento da democracia há 20 anos.

Femi Edu não irá votar. “Nós o que queremos é apenas trabalho, mas nem isso eles são capazes de nos dar”, diz este jovem desempregado que, como milhões de compatriotas, vive graças à economia informal.

Esta será a primeira vez que a geração de nigerianos nascidos depois das ditaduras militares pós-independência (1966-1999) podem exprimir-se nas urnas para eleger o próximo presidente, assim como os próximos deputados à Assembleia Nacional e os governadores.

O grupo de eleitores da faixa etária entre os 18 e os 35 anos assume-se neste escrutínio como o principal bloco do eleitorado, com 51% dos inscritos (43 milhões), e é o mais apetecido alvo de sedução dos candidatos, tanto nas redes sociais como na televisão.

À semelhança de Femi Edu, muitos jovens, porém, não acreditam nas promessas de quem se diz apostado em fazer erguer o gigante de pés de barro, gangrenado pela corrupção, que, apesar das imensas riquezas retiradas do petróleo, dificilmente assegura o mínimo de sobrevivência aos seus 190 milhões de habitantes.

“A `política é suja`: é isso que pensam os jovens. Eles têm a impressão de que o seu voto não conta”, diz à AFP a cantora Celeste Ojatula, 24 anos, que participa no programa Voice2rep, lançado pela sociedade civil para incitar os jovens nigerianos a votar.

Celeste Ojatula e uma dezena de outros jovens artistas participaram em três grandes concertos de rap e afrobeats gratuitos, cuja entrada foi aberta a todos os que apresentassem o cartão de eleitor.

“A maior parte apenas quer ir para longe daqui, estudar no Canadá e ter uma vida melhor”, acrescenta uma outra cantora, Chioma Ogbona, 30 anos. “O cartão de eleitor serve sobretudo para obterem um visto ou para abrirem conta num banco, não apenas para votar”, acrescenta.

A editorialista Tabia Princewill, também citada pela AFP, diz que a juventude educada e urbana partilha desencanto. “Os que votam são os mais pobres, os que estão mais em baixo na escada social. Como têm a barriga vazia, basta dar-lhes um saco de arroz que eles dão o seu voto”, explica. “Ainda é preciso uma ou duas gerações para que as coisas mudem mesmo”.

Após anos de lobbying intenso da sociedade civil, em maio de 2018 foi dado um passo importante para o envolvimento dos mais jovens na política ativa nigeriana, com a adoção da lei “Not too young to run” (não demasiado jovem para concorrer), que reduziu a idade limite dos candidatos às presidenciais de 40 para 35 anos e 35 para 30 para os candidatos a governador.

Chike Ukaegbu, com apenas 35 anos, não precisou de mais do que isto para se lançar na corrida presidencial. “Nunca tinha pensado nisto”, confessa o jovem empresário originário do sudeste do país, que vive entre a Nigéria e Nova Iorque.

“Deixámos de ter desculpa, já não podemos dizer que eles não querem saber de nós”, explica à AFP o benjamim entre os 73 candidatos declarados. “Estamos em maioria, cabe-nos a nós mudar a história da nossa nação”, acrescenta.

Muito poucos eleitores conhecem o seu rosto, por comparação com as caras dos candidatos favoritos, cujos outdoors gigantes e cartazes estão afixados em todas as grandes cidades do país.

Em parte por falta de meios, é, assim, através da internet e de mensagens pela Whatsapp que o candidato se dirige aos jovens — ainda que milhões de entre eles vivam em zonas remotas fora das grandes cidades, onde não chegam sequer as redes de telecomunicações.

Prince Bukunyi Olateru-Olagbegi, com apenas 27 anos, criou no ano passado o Partido Democrático Moderno (MDP), reclama ter alcançado já os 65 mil militantes, e é outro jovem protagonista nestas eleições, às quais concorre com dois candidatos às legislativas.

“Oferecer a esperança” é o seu programa, através de investimentos massivos na educação, criação de empregos e anulação das clivagens étnicas e religiosas.

Ganhar uma eleição presidencial na Nigéria é, no entanto, uma missão quase impossível sem patrocínio político e muito dinheiro, reconhece.

Por cada assento na Câmara dos Representantes, câmara baixa do Parlamento nigeriano, os dois principais partidos, Congresso dos Progressistas (APC, no poder) e o Partido Democrático do Povo (PDP), vão gastar até 150 milhões de nairas (mais de 360 mil euros) na campanha, garante Olateru-Olagbegi.

“Mas há que começar por algum lado”.

Fonte: https://www.rtp.pt/noticias/mundo/filhos-da-democracia-votam-pela-primeira-vez-na-nigeria_n1129129

Presidente da Nigéria afasta presidente do Supremo Tribunal de Justiça, por corrupção

Buhari

 

O Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, na corrida para um segundo mandato nas eleições de fevereiro, suspendeu esta sexta-feira o presidente do Supremo Tribunal, após uma longa polémica sobre o seu processo por corrupção, considerado inconstitucional pela oposição.

“O Presidente @MBuhari suspende Walter Samuel Nkanu Onnonghen do seu cargo de mais alto magistrado do país e nomeia Ibrahim Tanko Muhammad como presidente interino do Supremo Tribunal”, anunciou Bashir Ahmad, um dos porta-vozes da presidência nigeriana, na rede Twitter.

Ibrahim Tanko Muhammad vem do Norte, como o Presidente Buhari, acusado pelos seus detratores de favorecer os muçulmanos provenientes desta região para cargos importantes no país e de conduzir uma caça às bruxas contra os seus adversários políticos em nome da luta contra a corrupção.

O porta-voz sublinhou que a decisão do Presidente deriva de uma “ordem do Tribunal do Código de Conduta”, uma instância criada especialmente para julgar questões éticas, e onde Onnoghen estava a ser julgado por não ter declarado várias contas bancárias com dólares, euros e libras. Este caso gerou uma grande polémica na Nigéria, a menos de um mês das eleições gerais no país mais populoso de África.

A oposição acusou o Governo de se querer ver livre do juiz supremo — muito crítico do poder atual –, tendo o Supremo Tribunal competência para decidir sobre eventuais litígios da votação. No início da semana, o seu principal adversário nas presidenciais, o antigo vice-presidente Atiku Abubakar, já tinha acusado a administração de Buhari de “fazer pressão sobre uma instituição governamental independente e autónoma para fazer demitir [Onnoghen]”.

De acordo com a Constituição nigeriana, o chefe de Estado só pode demitir o presidente do Supremo Tribunal do país mediante a aprovação de dois terços do Senado. Mas, neste caso, Onnoghen não foi demitido, mas apenas “suspenso” pelo chefe de Estado.

Para o politólogo nigeriano Cheta Nwanze, da SBM Intelligence, em Lagos, citado pela France Presse, esta decisão “indica claramente que o APC [Congresso dos Progressistas, partido no poder] está em pânico” com os resultados das eleições. “Atiku tem o apoio do setor privado e a sua viagem recente aos Estados Unidos foi uma reviravolta importante na campanha”, comentou.

Os nigerianos votam a 16 de fevereiro para escolher o seu Presidente e parlamentares. Muhammadu Buhari, que concorre a um segundo mandato, é fortemente criticado pelas suas decisões sobre segurança e economia.

 

fonte: https://observador.pt/2019/01/25/presidente-da-nigeria-afasta-presidente-do-supremo-tribunal-a-semanas-das-eleicoes/

corrupça

As lições de segurança alimentar e o petróleo na Nigéria e Angola

Lagos_Nigeria_3.jpg

Adebayo Vunge

Angola ea Nigéria têm uma história semelhante em alguns aspectos. O que, à partida, mais salta à vista é o facto de estarem em maior número de produtores de petróleo da África Subsaariana. Por trás do petróleo estão duas realidades que se cruzam em largos aspectos.

Num primeiro momento, a independência não se traduziu numa melhoria da qualidade de vida da população respectiva, fruto, em grande medida, de circunstâncias históricas e da postura assumida pelas lideranças políticas.
A Nigéria mergulhou numa onda de golpes de Estado e a corrupção instalou-se, sem precedentes, na forma de vida da população. Os nigerianos, no mundo, especialmente nos Estados Unidos da América e na Inglaterra, passaram a ser conhecidos pela sua capacidade de subverter as regras. Tentaram levar o seu modo de vida interno além-fronteiras e isso gerou vários choques e alcunhas.
Angola, por sua vez, atingiu a sua independência de modo sui generis. Fruto de uma descolonização mal conseguida, o país, em 1975, mergulhou numa guerra civil que levou a desestruturação do seu tecido social e económico que, na época, em relação a outras realidades, estava num patamar assinalável.
Mas para lá do substracto sócio-político, Angola e Nigéria estavam marcados por uma realidade económica muito coincidente. Ambos os países descobriram o petróleo nos anos 50 e não levou muito tempo até à sua exploração, dominada pelas companhias americanas.
O que era o seu domínio de então, a sua pujante produção agrícola, sucumbiu ao altamente rentável petróleo de tal modo que em 1973, no caso de Angola, o petróleo já liderava as exportações deixando para trás o café, o cacau e o algodão. Instalou-se a doença holandesa.
Levou tempo até que os nigerianos e angolanos percebessem a necessidade de voltarem ao campo. Com o fim da onda de golpes de Estado, o governo nigeriano dirigido por Olossegum Obassanjo lançou uma importante reforma agrária que permitiu ao país aumentar de modo significativo a sua produção agroalimentar, dada a situação crítica de fome num país superpopuloso como é a Nigéria. O actual Presidente do BAD, Akinwumi Adesina, entre 2010 e 2015, enquanto Ministro da Agricultura e do Desenvolvimento, percebeu a importância disso ao lançar uma agenda de transformação e de maior autonomia dos agricultores. Os números da produção dispararam e a produção agrícola nigeriana está novamente entre os maiores em segmentos como mandioca, cacau, café, algodão, óleo de palma, etc.
A Nigéria fez então um investimento sério na agricultura e na indústria que passaram a equilibrar as suas contas. O gigante  africano retomou o crescimento em 2017 graças à agricultura, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas – o mesmo que o nosso INE.
Obviamente, em 2018, a retoma do aumento do preço do petróleo voltou a colocar o sector como a âncora da economia, não obstante o seu maior nível de diversificação económica que o de Angola, contando-se o impacto de sectores como a indústria transformadora nigeriana que é relativamente diversificada: além de refinarias de petróleo, siderúrgicas, processamento de alumínio, linhas de montagem de automóveis, também tem uma produção de escala em sectores agroalimentares (nossa industria de sumos compra naquela praça algumas matérias-primas, como o concentrado de frutas), têxteis, cinema e farmacêuticos. Assim, o país dá cartas.
A agricultura nigeriana combina a pequena produção alimentar e de cooperativas de camponeses com a produção mais intensiva, suportada por empresas multinacionais vindas da Europa e dos Estados Unidos da América. Recentemente, durante uma visita a Holanda, o Presidente Muhammadu Buhari estabeleceu acordos de investimentos para aumentar a produção de leite, algodão e até a instalação da Henieken.
Ora, é claro que nós não estamos parados. A produção agrícola angolana deu um grande salto. Todavia, é também verdade que é ainda ínfima para as nossas necessidades e se compararmos aos gigantes da África Subsaariana (a própria Nigéria e a África do Sul) ou ainda dos países do Magreb veremos o quanto temos pela frente.
Neste momento, o défice agroalimentar tem provocado uma grande pressão sobre as nossas reservas em divisas uma vez que o banco central tem de satisfazer as necessidades de importação alimentar, com valores elevadíssimos. É um absurdo que estejamos ainda a importar alho, laranjas e frangos. Precisamos de um maior pragmatismo para, a exemplo que se passou com o ovo, aumentarmos os nossos níveis de produção, sobretudo nos itens com maior pressão na balança.
O aumento da produção agroalimentar de Angola é um contingente para salvaguarda da segurança alimentar com sérios impactos sociais e económicos. Países com maior adversidade – Japão e Israel conseguiram inverter esse quadro. O aumento da produção agroalimentar, independentemente das outras razões que se possa apontar para o nosso actual défice, é um imperativo para combatermos o êxodo rural, melhorar os níveis de emprego e gerar renda para os pequenos agricultores. Vejamos o impacto no comércio internacional onde congolenses e supermercados como o Kero e o Candando compram campos inteiros, muitas vezes durante o plantio.
Maior hipótese de viabilidade tem a produção orientada não apenas para o consumo interno mas também para o comércio internacional, uma vez que as matérias-primas agrícolas estão em forte alta de preços devido ao aumento da população mundial, sobre exploração dos solos – uma vez que os mesmos perdem a  fertilidade, o que não é ainda o nosso caso(?). Os especialistas em agricultura apontam ainda a escassez de água, as condições meteorológicas e todos os eventos climáticos importantes, geralmente têm forte influência sobre os preços dessas matérias-primas agrícolas.
É urgente aprendermos com os outros. Tornar as terras acessíveis e com infraestruturas (estradas, água e energia). Aprendermos o melhor dos outros. Da África do Sul ou da Nigéria. Do Brasil ou da China. É urgente uma revolução verde, para alimentar, para empregar, para gerar receitas com exportação. Tornar realidade a poesia de Neto. Precisamos de voltar às nossas lavras e aos nossos campos. As nossas terras / vermelhas do café / brancas de algodão / verdes dos milharais.

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/a_seguranca_alimentar__e_as_licoes_da_nigeria

Presidente da Nigéria terá muita dificuldade para sua reeleição

Presidente Buhari sem alternativa credível para as eleições de 2019

Victor Carvalho

Aquilo porque está a passar o partido do Presidente Muhammadu Buhari é uma cópia do que sucedeu em 2015, quando uma série de deserções para a principal formação da oposição comprometeu o seu triunfo eleitoral. Desta vez a grande vantagem do Congresso de Todos os Progressistas é que a oposição não parece ter uma alternativa credível para apresentar a tempo de poder ganhar as eleições do próximo ano

Fotografia: DR

O dramático anúncio feito há uma semana por cerca de 50 legisladores do partido Congresso de Todos os Progressistas, que suporta o Presidente Muhammadu Buahri, é quase a repetição de uma história do que sucedeu em 2015.

Também nessa altura, proeminentes membros deste partido resolveram bater com a porta e juntar-se ao Partido Democrático do Povo na busca por uma vitória que acabou por lhes escapar.

Agora, a história repete-se com os dissidentes do partido no poder a procurarem junto da oposição um lugar que lhes permita chegar ao poder já nas eleições do próximo ano.

Estas saídas, que já se previam há algumas semanas, têm como principais protagonistas os senadores Yakubu Dogara e Bukola Saraki, que até ao momento ainda não anunciaram oficialmente a sua renúncia ao Congresso de Todos os Progressistas apesar de serem apontados como sendo os “instigadores” das deserções em massa que se registaram em vésperas das férias parlamentares.

Apesar deste seu compasso de espera, a verdade é que a sua posição no seio do partido no poder está bastante complicada havendo já informações que deixam perceber a intenção de Muhammadu Buhari promover a sua expulsão de modo a clarificar a situação, um passo urgente quando se está a menos de seis meses da ida às urnas.

São conhecidas as divergências entre Buahri e o senador Bukola Saraki, que foi recentemente ilibado pelo Supremo Tribunal de acusações de corrupção num processo iniciado por orientação do Presidente da República, pelo que não faz sentido alimentar esta indefinição quando já todos na Nigéria perceberam que a ruptura é mesmo inevitável.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/presidente_buhari_sem_alternativa__credivel_para_as_eleicoes_de_2019_1