Construção Verde: demandas e oportunidades para o Brasil

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– por José Octávio Armani Paschoal

A história tem mostrado que a estrada da inovação tecnológica é cheia de obstáculos. E inovar com sustentabilidade parece ser o desafio do presente século. Essa jornada também é complexa e cheia de idas e vindas.

Não é da noite para o dia que uma sociedade conseguirá migrar das tecnologias antigas para as consideradas inovadoras e sustentáveis. Mas as portas estão abertas e empresas já olham para o mercado das tecnologias verdes com bons olhos. Os consumidores também estão sensíveis e atentos à procura de produtos e serviços que causem menos impactos negativos ao meio ambiente, à sociedade e à economia.

Um setor chave na busca pela sustentabilidade é o da Construção Civil, responsável pelo consumo de muitos recursos naturais do planeta, desde a extração de matéria-prima até o fim da vida útil. Por outro lado, enquanto a fase de construção dura no máximo dois anos, o uso pode facilmente passar dos 50 ou 100 anos.

A história de um edifício, seja ele comercial ou residencial, vai muito além de sua construção. Durante todo o tempo de vida útil do edifício, ele irá consumir recursos naturais, como água e energia e gerar resíduos dos mais variados. Assim, ao contrário do senso comum em relação às edificações, a fase de uso também pode impactar tanto quanto a fase de construção.

Muitas cidades brasileiras vivem atualmente um período de boom imobiliário. Novos condomínios residenciais e comerciais, com prédios inovadores e conceitos modernos. Entretanto, a idade média das construções numa cidade como São Paulo ainda é de aproximadamente 25 anos. Adequar as edificações construtivas de forma a incorporar as variáveis ambientais representa um enorme desafio, no qual o setor da construção civil, em diferentes caminhos, é tanto um nicho ideal para a inovação científica, quanto um poderoso driver econômico para a inovação. Exemplos de inovação nesta área, em virtude da crescente preocupação ambiental com o panorama atual de escassez de recursos e degradação, incluem a criação de materiais construtivos com maior durabilidade e resis tência, de revestimento de superfície direcionado à redução das perdas por calor (Basf e Chiba), entre outros inúmeros exemplos ao redor do mundo.

No mercado das construções verdes são claros dois cenários: prédios que já nascem com soluções sustentáveis, sejam eles destinados à moradia, trabalho ou lazer; e prédios antigos com chances de serem repaginados e ganharem alternativas mais sustentáveis.

Reabilitar edifícios com o objetivo de torná-los sustentáveis é mais complicado do que uma construção nova já planejada com este conceito. Porém, a inovação não está necessariamente limitada à criação de novos materiais de construção, mas também à forma como estes são utilizados. Iniciativas de uma empresa alemã do setor (Passivihaus) inovou aplicando princípios de design que permitem o uso da energia solar e o vidro para reduzir a demanda da eletricidade necessária para o conforto térmico e iluminação.

Foi analisando este cenário que a Damha Urbanizadora projetou e criou o Parque Eco Tecnológico Damha, um exemplo de empreendimento que alia inovação e sustentabilidade no pólo tecnológico de São Carlos, cidade de porte médio (225 mil habitantes) e situada a 230 km da capital paulista.

O Parque Eco Tecnológico, o primeiro de terceira geração do país e cuja gestão é feita pelo Instituto Inova, veio criar, ampliar e aprimorar oportunidades de investimento e negócios envolvendo novas tecnologias, estimulando a sinergia entre universidades, institutos de pesquisa e empresas no município, já reconhecido internacionalmente como referência em ciência, tecnologia e inovação. O empreendimento da Damha Urbanizadora, empresa do Grupo Encalso-Damha, integra o Sistema Paulista de Parques Tecnológicos.

E não é por acaso que o Parque tem no nome o conceito “Eco”. O empreendimento possui diferenciais em relação aos demais parques tecnológicos existentes no Brasil, principalmente por incorporar as questões de sustentabilidade aos projetos das edificações industriais, de modo a minimizar os impactos e colaborar com a preservação do meio ambiente no qual ele está inserido.

O Parque Eco Tecnológico vai priorizar empresas que fazem uso do desenvolvimento de pesquisas, de apoio, de serviços e produção, que se enquadrem nas categorias sem risco ambiental, ou empresas de risco ambiental leve, de baixo grau de nocividade e médio grau de incomodidade, conforme definido na Lei 5.597/87 do Estado de São Paulo e demais disposições legais. Nele, estão se instalando empresas voltadas a transformar conhecimento em produto, em especial àquelas ligadas à criação de tecnologias da informação, da comunicação, formas e processamento de energia, biotecnologia, eletrônica, instrumentação, serviços, meio ambiente e agronegócios entre outras.

Neste cenário, o Parque Eco tecnológico Damha traz uma nova abordagem para o setor da construção verde que é a criação de um ambiente específico para as empresas que inovam também no que refere ao compromisso ambiental. Edificações como a de um parque tecnológico que promove e permite o desenvolvimento econômico aliado ao compromisso ambiental também pode representar um caminho promissor para a construção verde e de estímulo à inovação de diferentes setores no país.

O exemplo do Parque em São Carlos é, sobretudo, também uma referência que pode ajudar a nortear outros projetos de construção verde pelo país. Esta é uma oportunidade interessante para o Brasil.

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Queda das commodities dificulta pagamento de dívida por países africanos, diz ONU

Para lidar com as crises da dívida — que estão criando uma crescente ameaça à estabilidade econômica em muitos países em desenvolvimento, especialmente africanos —, o mundo precisa de novas formas de enfrentar o problema, disse a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), completando que tais crises são um obstáculo para atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Segundo a publicação, o comércio de serviços globais em 2014 cresceu 5%, sendo o grande condutor do desenvolvimento econômico mundial em comércio do ano. Foto: USP Imagens/ Marcos Santos

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) disse na quarta-feira (26) que, para lidar com as crises da dívida — que estão criando uma crescente ameaça à estabilidade econômica em muitos países em desenvolvimento, especialmente africanos —, o mundo precisa de novas formas de enfrentar o problema.

Segundo estudo da UNCTAD, países africanos continuam tendo dificuldades para pagar suas dívidas externas diante da falta de diversidade de suas economias e de competitividade no mercado internacional. Com déficits em conta-corrente, a maior parte desses países emite títulos e depende do financiamento externo para equilibrar sua balança de pagamentos.

Tais crises são um obstáculo para atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Países na África e em outros lugares do mundo têm acumulado dívida enquanto sua capacidade de pagá-las diminui. A queda dos preços das commodities, a alta do dólar e a perspectiva de maiores taxas de juros estão tornando os reembolsos ainda menos prováveis.

“Países soberanos não têm a proteção de leis contra a falência para reestruturar ou atrasar seus pagamentos da dívida da mesma forma que as empresas”, disse o secretário-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi em comunicado.

Ele alertou que “enquanto credores não podem facilmente tomar ativos públicos não comerciais, não pagamentos da dívida soberana levam a problemas maiores em termos de reputação e acesso a outros financiamentos”.

Pesquisa da conferência da ONU mostrou que muitos países africanos estão enfrentando dificuldades para pagar suas dívidas, citando Gana como exemplo. “Gana está em uma situação difícil, que é frequente entre os países, já que depende de exportações de commodities como ouro, petróleo e cacau”, disseram os pesquisadores Ingrid Kvangraven e Aleksandr Gevorkyan, cujo trabalho completo sobre a dívida de países africanos será divulgado em novembro.

“Com a queda dos preços das commodities, os países enfrentam um declínio das receitas e um crescente déficit de conta corrente”, acrescentaram, completando que o total da dívida de Gana, tanto externa como interna, é de mais de 55% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

No ano passado, após pesquisa feita pela UNCTAD, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução declarando que os processos de reestruturação das dívidas públicas precisavam ser guiados por princípios básicos da lei internacional como soberania, boa fé, transparência, legitimidade, tratamento equitativo e sustentabilidade. A resolução refletiu a crescente preocupação com as novas crises da dívida soberana e a sustentabilidade dessas dívidas no longo prazo no contexto de uma frágil economia global.

Queda das commodities dificulta pagamento de dívida por países africanos, diz ONU