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Conselheiro Federal de Administração faz post racista contra a goleira da seleção feminina

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Marcos Clay, membro do Conselho Federal de Administração (CFA), órgão responsável por regularizar os profissionais de administração do Brasil, usou a própria rede social para fazer uma postagem racista contra a goleira da Seleção Brasileira de futebol feminino, Bárbara Micheline: “Eu odeio preto, mas essa goleira do Brasil tinha chance”. Momentos depois, o mesmo fez uma postagem dizendo se tratar de uma brincadeira.

“Foi uma brincadeira de mau gosto, até já tirei o post. Uma brincadeira que infelizmente algumas pessoas se ofenderam, mas não era minha intenção. Tanto é que minha esposa é negra, todo mundo sabe disso. Quem me conhece sabe que eu não sou racista, tenho vários amigos que são negros, não tenho problema com isso”, afirmou Clay.

“Uma pessoa pegou meu post e republicou dando uma conotação de racismo. Deve ter alguma coisa contra mim. Já fiz uma retratação dizendo que era uma brincadeira. O povo de hoje está muito melindrado, ninguém pode mais falar nada nas redes sociais que vira polêmica. Não ofendi ninguém diretamente, não citei o nome de ninguém. Tudo bem que foi um comentário infeliz”, finaliza Clay

https://esportes.yahoo.com/noticias/conselheiro-federal-faz-post-racista-contra-a-goleira-da-sele%C3%A7%C3%A3o-feminina-210227009.html

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Rivalidade entre irmãos ajudou a moldar 1ª negra campeã olímpica na natação

Adam Pretty/Getty Images

Simone Manuel chora no pódio após virar a primeira negra medalhista na natação olímpicaimagem: Adam Pretty/Getty Images

Quando tinha nove anos, Simone Manuel interpelou os pais na sala da casa em que a família morava e fez um aviso em tom decisivo: “Eu vou ser uma atleta olímpica na natação”. Parecia um sonho distante para uma menina que tinha começado a nadar quatro anos antes e que ainda flertava com outras modalidades – principalmente o basquete, esporte praticado pelo pai e pelos irmãos mais velhos. Também parecia uma escolha ousada devido a um aspecto que era tabu na época – no alto rendimento, as piscinas ainda eram território inóspito para afrodescendentes nos Estados Unidos.

Simone é a filha mais nova entre três irmãos. Os mais velhos, Chris e Ryan, sempre foram ligados ao esporte – os pais da nadadora foram atletas até a universidade, e isso influenciou os gostos dos rebentos. Chris e Ryan já praticavam natação quando a caçula começou a frequentar as piscinas.

“Ela não gostava de perder. Era menor, mas queria sempre competir com os meninos e queria chegar ao nível deles”, relatou a mãe da nadadora, Sharron, em entrevista concedida ao UOL Esporte durante a seletiva norte-americana de natação para a Rio-2016, em Omaha, em julho deste ano.

A rivalidade com os irmãos mais velhos acabou fazendo com que Simone se tornasse uma atleta sempre acima da média para sua faixa etária. Isso acelerou consideravelmente o desenvolvimento da nadadora e a ajudou a escolher definitivamente as piscinas. Chris e Ryan já haviam trocado as águas pelas quadras de basquete, mas ela ficou.

Em 2013, aos 17 anos, Simone conseguiu um lugar na equipe que representaria os Estados Unidos no Mundial de esportes aquáticos de Barcelona (Espanha). Conseguiu uma medalha de ouro no revezamento 4×100 m livre. Dois anos depois, em Kazan (Rússia), perdeu rendimento e não conseguiu ajudar o time nacional a manter o título na prova – as norte-americanas ficaram com o bronze em 2015.

Entre os dois Mundiais, Simone empilhou bons resultados nas provas de velocidade disputadas em âmbito local. No entanto, também acumulou performances decepcionantes para alguém que era cercada por tanta expectativa. O rendimento claudicante criou dúvidas sobre a capacidade de desenvolvimento da nadadora.

Mike Ehrmann/Getty Images
Simone Manuel ficou surpresa ao ver que tinha ganho a prova e quebrado recorde olímpicoimagem: Mike Ehrmann/Getty Images

Essas dúvidas começaram a se dissipar em 2016, quando Simone encaixou um bom desempenho na seletiva nacional disputada em Omaha. Conseguiu vagas para representar os Estados Unidos em quatro provas das Olimpíadas (50 m livre, 100 m livre, 4×100 m livre e 4×100 m medley). A atual seleção, que também tem Lia Neal, 21, é a primeira equipe norte-americana de natação em uma edição de Jogos que tem duas mulheres negras.

“Eu penso muito nisso e luto para hoje. Tentei tirar o peso da comunidade negra dos ombros – é uma coisa que carrego comigo hoje –, mas gostaria que chegasse um dia em que nós sejamos mais numerosos. Gostaria que não fosse Simone, a nadadora negra. Esse título significa que não devo ganhar ou quebrar recordes, mas eu quero isso tanto quanto todo mundo”, disse a nadadora na última quinta-feira.

Instantes antes, Simone havia feito história. Bateu na parede da piscina ao mesmo tempo em que a canadense Penny Oleksiak e conquistou a medalha de ouro nos 100 m livre.

“Significa muito para mim. Essa medalha não é só minha, mas de todos os afrodescendentes que vieram antes de mim e foram inspirações para mim. Espero poder ser inspiração para outros. Essa medalha é para as pessoas que virão depois de mim. Que entrem nessa guerra e tenham entusiasmo”, pediu a nadadora.

Assim como havia feito na infância, Simone resolveu ignorar o discurso da diferença. Na primeira oportunidade, isso ajudou a forjá-la como atleta – e campeã – olímpica. E agora, afinal, até onde a norte-americana pode chegar?

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Primeira negra a ser campeã olímpica na natação exalta peso histórico do feito

“Significa muito para mim, mas essa medalha não é só minha. É de muitos afrodescendentes americanos que vieram antes de mim e me inspiraram”

O empate com direito a recorde olímpico entre a norte-americana Simone Manuel e a canadense Penny Oleksiak tem um significado histórico que vai muito além de uma rara igualdade no alto do pódio. Com o ouro, Simone se tornou a primeira mulher negra a vencer uma prova olímpica na natação.

Simone Manuel foi ouro na prova dos 100m nado livre
USA Today / Reprodução

Simone Manuel foi ouro na prova dos 100m nado livre

A nadadora afirmou que chorou muito após a conquista, e dedicou a vitória a ídolos negros do passado. “Significa muito para mim, mas essa medalha não é só minha. É de muitos afrodescendentes americanos que vieram antes de mim e me inspiraram, como Cullen Jones e Maritza Correia, pra citar apenas dois. Espero que eu também inspire muitos no futuro”, afirmou.

A atleta acha que seu pódio pode servir de exemplo para que a discriminação racial mude em seu país. “Eu acho que essa medalha representa muito nesse momento, com alguns problemas de brutalidade policial que têm acontecido. Essa vitória ajuda a trazer momentos de esperança”, continuou a campeã olímpica.

Logo que viu seu nome no placar eletrônico com o número um do lado, a nadadora ficou radiante. “Eu não encontro palavras para descrever como estou me sentindo, mas estou realmente eufórica”, afirmou a garota, que completou 20 anos pouco antes da Olimpíada começar. Ela também conquistou uma prata no revezamento 4×100 metros livre dos Estados Unidos.

Na hora da cerimônia de premiação dos 100m livre, tanto ela quanto Penny ficaram no lugar mais alto do pódio, ouviram dois hinos e viram duas bandeiras tremularem como primeiro lugar, uma em cima da outra. Tudo porque houve o empate. Primeiro, o sistema de som tocou o hino dos Estados Unidos e depois do Canadá. “Eu chorei muito depois da prova. Foi uma grande jornada e eu estou superanimada. Quando ouvi o hino nacional tocando, foi emocionante.”

Como as duas nadadoras fizeram tempos iguais na prova, ambas ficaram com a medalha de ouro. A norte-americana Simone Manuel e a canadense Penny Oleksiak nadaram a distância em 52s70 e chegaram ao lugar mais alto do pódio. O bronze ficou com a sueca Sarah Sjostrom. E ninguém levou a prata.

O mais curioso é que no momento que houve a chegada da prova, as duas atletas olharam para o placar eletrônico, no alto do Estádio Aquático, e comemoram. Em um primeiro momento, não perceberam que havia sido empate. Mas depois que a ficha caiu, elas festejaram ainda mais e se abraçaram na piscina.

Não é comum as provas de natação terminarem em empate, até porque o sistema de cronometragem conta com grande precisão que marca os centésimos. Tudo é feito eletronicamente e por isso, quando o placar mostrou resultados iguais de tempo, não existia dúvida de que havia ocorrido mesmo um empate.

Fonte: iG Olimpiadas – iG @ http://esporte.ig.com.br/olimpiadas/2016-08-12/primeira-campea-negra-natacao.html

 

http://esporte.ig.com.br/olimpiadas/2016-08-12/primeira-campea-negra-natacao.html

Campeã olímpica brasileira levanta voz contra racismo e discriminação

A judoca Rafaela Silva conquistou a medalha de ouro na segunda-feira.

Rafaela Silva
Foto: FACUNDO ARRIZABALAGA / EPARafaela Silva com a medalha de ouro.

Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

A judoca Rafaela Silva, que conquistou na segunda-feira a medalha de ouro em -57 kg, categoria em que Telma Monteiro arrecadou o bronze, levantou na quarta-feira a voz contra o racismo e a discriminação.

A atleta brasileira, uma mulher negra, lésbica e oriunda de uma favela, deu a cara numa campanha contra o racismo no desporto.

“Estou muito feliz por estar a realizar o meu sonho, mostrar às pessoas que me criticaram em Londres [2012], que disseram que eu era uma vergonha para a minha família, que o lugar para o macaco era numa jaula e não nos Jogos Olímpicos”, afirmou a judoca na apresentação da campanha.

Rafaela recorda a infância como uma “menina que não gostava de estudar e que nunca pensou em sair da favela” e incentiva os jovens a procurar motivação e a aproveitar as oportunidades, dando o exemplo da medalha de ouro que agora exibe e que inspira jovens e adolescentes de zonas marginais, não só do Brasil, mas de todo o mundo.

“O macaco que teria que estar numa jaula em Londres, saiu da jaula e foi campeã olímpica aqui no Rio de Janeiro”, continuou a atleta brasileira.

Rafaela lembra que vencer as resistências à condição de mulher numa modalidade como o judo não foi fácil, mas a seleção feminina brasileira deu grandes passos e conta já com medalhas de ouro olímpicas e cinco em campeonatos mundiais.

A atleta assumiu-se também como uma feminista: “Estamos a conseguir conquistar o nosso espaço e temos que aproveitar isso, porque temos ficado muito tempo esquecidas e espero que outras mulheres possam ter esta iniciativa, continuar o legado e que o feminismo cresça no Brasil”.

Para a secretária brasileira de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Luislinda Valois, os feitos da população negra são o resultado de “muita luta, muitos sacrifícios, muitas mortes e sofrimento”, um país onde 52 por cento da população é negra.

Os Jogos Olímpicos são um “grande espelho” e “uma oportunidade extraordinária”, disse Valois.

Rafaela Silva ainda acrescentou: “Geralmente, quando sai um tema acerca da raça negra é só para falar de que um negro assaltou alguém. Agora não é um negro que está a assaltar alguém, mas sim a dar uma alegria ao povo brasileiro.”

http://desporto.sapo.mz/jogos_olimpicos/brasil_2016/artigo/2016/08/11/campea-olimpica-brasileira-levanta-voz-contra-racismo-e-discriminacao

Presidente da França homenageia e condecora Paulo César Caju

Hospedado no Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos, o presidente da França, François Hollande, promoveu uma grande honra a Paulo César Caju, ex-jogador e ídolo do futebol francês. O evento ocorreu durante um café da manhã, nesta quinta-feira, no qual o estadista pediu o apoio dos brasileiros à candidatura de Paris para a sede das Olimpíadas de 2024.

Em meio a esportistas, artistas e empresários, Caju foi condecorado com a medalha de cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra, distinção instituída por Napoleão Bonaparte em 1802 e que representa, até hoje, a ordem máxima do país.

Tímido com a nomeação, o ex-atacante ficou muito emocionado. “Eu preferia tomar uma vaia, como já tomei na carreira, de 100 mil pessoas”, brincou. “É uma grande emoção, não esperava. Ter esse tipo de honraria, realmente, é duro, tem que ter coração bom. Como brasileiro é excepcional, espero que Ele continue me iluminando, que esse amor entre Brasil e França permaneça”, disse Caju.

O ex-jogador atuou pelo Olympique de Marselha nos anos 1970, equipe com a qual conquistou a Copa da França de 1975, e é reconhecido por seu papel como ativista contra o racismo no futebol. Com a Seleção Brasileira, Caju venceu a Copa do Mundo de 1970, terceira do Brasil, no México.

Missão portuguesa com várias origens

30 de Julho, 2016

Fotografia: AFP

A missão de 92 atletas portugueses aos Jogos Olímpicos Rio’2016 engloba competidores nascidos em 17 países, alguns oriundos da diáspora, outros a assumir a nacionalidade da nação que abraçaram  as suas famílias.

Ao todo são 18 (cerca de um quinto) os nascidos em países tão distintos como o Brasil e Estados Unidos, nas Américas, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Congo e Costa do Marfim, em África, na asiática China ou nos europeus Rússia, Bulgária, França, Alemanha, Moldávia, Ucrânia, Inglaterra ou Suíça.
Recorde-se que o campeão olímpico Nélson Évora – só Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Carlos Lopes têm também o ouro olímpico – nasceu na Costa do Marfim.
As mesa-tenistas Fu Yu e Shao Jiene, nascidas na China, o judoca Sergiu Oleinic, oriundo da Moldávia, as nadadoras Tamila Holub e Victoria Kaminskaya, respectivamente da Ucrânia e Rússia, a velocista Lorene Bazolo, que chegou do Congo, e o lançador de peso Tsanko Arnaudov, de origem búlgara, são os nomes menos “portugueses” da comitiva para os  Jogos Olímpicos Rio’2018.
Diferentes motivos levaram esses atletas a representar Portugal, como por exemplo Lorene Bazolo que fugiu do Congo, que representou em Londres’2012, para encontrar amparo no país europeu, cujo recorde dos 100 metros, que era de Lucrécia Jardim desde 1997, já bateu.
Tsanko Arnaudov está em Portugal desde os 12 anos, Fu Yu chegou ao país em 2001 e naturalizou-se em 2013, enquanto Shao Jieni chegou a Gondomar há seis anos (tinha 16) e Tamila Holub foi para Portugal com a família com três anos.
A cavaleira Luciana Diniz, por exemplo, tem nome mais português, mas nasceu no Brasil, país que representou em Atenas’2004, sendo que já vestiu as cores lusitanas em Londres’2012.
O grosso do grupo no Rio’2016 está distribuído por todo o país, destacando-se, ainda assim, Lisboa com 11 atletas, Porto e Guimarães com quatro, Coimbra, Cascais e Portimão com três. A Madeira conta com três representantes e os Açores um.

http://jornaldeangola.sapo.ao/desporto/missao_portuguesa_com_varias_origens