Estudantes angolanos no Brasil aconselhados a regressar a Angola

João Dias | Rio de Janeiro
11 de Agosto, 2016

Fotografia: Mota Ambrósio | Rio de Janeiro

O cônsul-geral de Angola no Rio de Janeiro, Rosário de Ceita, apelou às autoridades dos dois países para estudarem a possibilidade de assinatura de um acordo que permita aos estudantes que regressarem continuar a estudar nos anos académicos em que se encontravam nas universidades brasileiras.

 

A sugestão surge devido às dificuldades que muitos estudantes angolanos no Brasil enfrentam, por causa da crise econômica e das dificuldades cambiais no país.
Em declarações à imprensa, Rosário de Ceita apelou aos estudantes angolanos que frequentam estabelecimentos de ensino superior naquele Estado brasileiro a “reconsiderarem e analisarem com coerência” a possibilidade de continuarem os seus estudos em Angola, devido ao atual quadro e às condições econômicas e financeiras difíceis em que se encontram.
Desde que a situação econômica no país se tornou menos favorável, familiares de muitos estudantes no Brasil perderam a capacidade de continuar a apoiá-los financeiramente face à crise cambial, que eleva ainda mais o grau de dificuldades. Este quadro, explicou, faz com que cheguem ao consulado dezenas de situações dramáticas de estudantes que por iniciativa individual ou em conjunto com familiares decidiram frequentar estabelecimentos de ensino superior no Brasil.

“Os estudantes passam por várias dificuldades, principalmente os que aqui chegam sob responsabilidade dos pais. Aconselhamos aos que se encontram a frequentar o primeiro e segundo anos a reconsiderarem a sua posição, pois acreditamos que ainda que se regularize a situação cambial, o envio de remessas por parte dos pais vai ser reduzido, na medida em que quer o Brasil quer Angola se encontram em estado inflacionário, fruto da crise”, notou Rosário de Ceita.
O cônsul-geral qualificou a situação como insustentável pelo grau de dificuldades que enfrentam os estudantes que vão ao Brasil, enviados e suportados por familiares e não tanto os que estão sob regime de bolsas suportadas pelo Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE).

“Não vale a pena tapar o sol com a peneira”, apelou. Na sua opinião, ainda há tempo de estudantes em dificuldades e sem soluções aparentes voltarem e continuarem os estudos em Angola, considerando ser esta a melhor solução, principalmente para aqueles que se encontram no terceiro, quarto e quinto anos.
“Continuar como estão aqui, dificilmente vão terminar os seus cursos. Temos falado nisso, porque sabemos em que ponto está a situação. Ficar aqui para sofrer, tal como temos visto, não adianta. Existem estudantes a serem expulsos das casas onde residem por falta de pagamento de rendas e chegam a ter sérias e sucessivas dificuldades para comer. Vemos também estudantes sem capacidade de liquidarem as dívidas junto das instituições de ensino, chegando a quadros insustentáveis de acúmulo de juros.”
Com uma situação assim, referiu, mesmo que estudem não têm direito a nenhum documento. O documento é importante para renovação do visto no Brasil. O que se vê é o aumento de angolanos a ficarem em situação migratória irregular. Em face disso, o cônsul disse que a única e melhor solução passa por, junto da TAAG, que vai fazendo promoções de bilhetes, ajudá-los a regressar ao país.
Rosário de Ceita reconheceu que a vida de parte considerável de angolanos no Rio de Janeiro é difícil, lembrando que filhos de compatriotas apresentam problemas no processo de aprendizagem. Para minimizar a situação, o consulado contratou estudantes com bom nível de aproveitamento e em período de férias para darem aulas de reforço. Mas no meio destas dificuldades, o cônsul lembrou que existem angolanos que têm tido sucesso na vida no Rio de Janeiro, embora em números pouco expressivos.

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A comunidade de angolanos no Rio de Janeiro é constituída, na sua maioria, por cidadãos que antes eram comerciantes do antigo mercado do Roque Santeiro e que depois se foram estabelecendo como residentes, chamando pouco tempo depois os seus familiares.
Outra parte de angolanos residentes é constituída por estudantes. Até agora estão cadastrados no Rio de Janeiro perto de nove mil angolanos residentes. O consulado geral de Angola no Rio de Janeiro responde igualmente pelos Estados de Espírito Santo, com 205 angolanos cadastrados, e Minas Gerais, com 179.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/estudantes_no_exterior_aconselhados_a_regressar

Banco Nacional Angola aumentou a venda de divisas

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O Banco Nacional de Angola (BNA) vendeu na última semana, aos bancos comerciais, o montante de 265, 7 milhões de euros (296,8 milhões de dólares), um acréscimo de 196,5 milhões de euros em relação à semana anterior, durante a qual foram vendidos 69,2 milhões de euros.

 

A informação consta do relatório semanal do BNA sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, no período entre 23 e 27 de Maio. No documento, o Banco Nacional de Angola refere que para cobertura de necessidades das empresas prestadoras de serviços ao sector petrolífero foram destinados 35,8 milhões de euros em leilão de preço, enquanto aos ministérios das Pescas, Agricultura, Indústria e Transportes o valor fixou-se em 100,5 mil euros.
O documento indica ainda que 44,8 milhões euros foram disponibilizados para cobertura de responsabilidades externas do Banco de Poupança e Crédito (BPC), 36,1 milhões de euros para operações diversas e 17,9 milhões de euros para cobertura de operações de natureza particular relacionadas com ajuda familiar, viagens, saúde, educação e remessas de dinheiro.
Outros 17,9 milhões de euros serviram para pagamentos de cartões de crédito/débito de marca internacional, nove milhões de euros para cobertura das necessidades de salários de não residentes e 3,5 milhões de euros para pagamento a bolseiros no exterior do país. O euro foi vendido a uma taxa de câmbio média de 186,263 kwanzas. A taxa de câmbio média de referência de venda do dólar americano do mercado cambial primário, apurada no final da semana, foi de 166,709 kwanzas.
Para a gestão corrente do Tesouro Nacional, o Banco Nacional de Angola, enquanto operador do Estado, colocou no mercado primário Títulos do Tesouro no montante de 36,9 mil milhões de kwanzas, sendo  21,4 mil milhões de kwanzas em Bilhetes do Tesouro (BT) e 15,5 mil milhões em Obrigações do Tesouro (OT).
As OT emitidas foram nas maturidades de 2, 3 e 5 anos e as taxas de juro nominais, respectivas, de 7,00por cento, 7,25 por cento e 7,75 por cento ao ano. As taxas de juro médias apuradas para os BT nas maturidades de 91, 182 e 364 dias com variação de 0,11ponto percentual, 0,81 e -1,15 face à semana anterior, tendo-se situado em 14,95 por cento para 91 dias, 18,42 por cento  para 182 dias e 18,38 por cento para 364 dias.
No segmento de venda directa de títulos ao público foi colocado o montante de 10,4 mil milhões de kwanzas, sendo 361,0 milhões em BT nas maturidades de 91, 182 e 364 dias e  10,0 mil milhões de kwanzas em OTMN/TXC na maturidade de 2, 3 e 5 anos. Para efeitos de regulação monetária, o Banco Nacional de Angola realizou Operações de Mercado Aberto (OMA) no montante de 30,0 mil milhões de kwanzas, nas maturidades de 28 e 63 dias.
No mercado interbancário, os bancos comerciais realizaram entre si operações de cedência de liquidez sem garantia de títulos, no montante acumulado de 19,4 mil milhões de kwanzas, em distintas maturidades.
O volume médio diário de transações foi de 6,5 mil milhões de kwanzas, inferior em cerca de 32,65 por cento ao da semana anterior.  A LUIBOR overnight (1 dia), apurada no último dia da semana, com base nas cedências de liquidez acima referidas, situou-se em 14,01 por cento, sem variação face à semana anterior.
A LUIBOR, para as maturidades de 30, 90, 180, 270 e 360 dias situou-se em 14,22 por cento, 15,43por cento, 16,46 por cento, 17,30 por cento e 18,12 por cento, ao ano respectivamente, registando variações em todas as maturidades, entre -0,29pp e 0,27pp, face à semana anterior.
No período de 16 a 20 deste mês, o Banco Nacional de Angola realizou vendas de divisas avaliadas em 69,2 milhões de euros, sendo 711,2 mil para a cobertura de necessidades do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, 5,6 milhões para cobertura de Operações diversas do Executivo, 35,8 milhões para a cobertura de BPC -Responsabilidade Externa e 26,4 milhões para a cobertura de operações dirigidas diversas.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/bna_aumenta_venda_de_divisas_ao_mercado