Pan-africanismo tem como objetivo a emancipação das populações negras

“Não existe revolução sem combate ao racismo, segundo professor pan-africanista”

Pan-africanismo tem como objetivo a emancipação das populações negras e é importante no Brasil e no mundo, diz Musumali

Rute Pina, Mariana Pitasse e Gerson de Souza

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Musumali participou de seminário na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, São Paulo - Créditos: Lilian Campelo
Musumali participou de seminário na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, São Paulo / Lilian Campelo

Em sua passagem pelo Brasil, o economista Cosmas Musumali, secretário geral do Partido Socialista da Zâmbia, criticou movimentos de esquerda que, ao longo dos anos, pensaram uma revolução sem tratar o tema do racismo: “Não dá para fazer nenhuma luta esperar. Todas as lutas têm que ter espaço para serem feitas aqui e agora. Sabemos que, dentro da luta de classes, as questões sobre raça e gênero têm que ser incorporadas.”

Musumali conversou com o Brasil de Fato no início de setembro na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP), onde participou de um seminário sobre o pensamento pan-africano.

O pan-africanismo articulou, na segunda metade do século 20, negros das Américas do Norte e Central e do Caribe, em torno dos direitos dos povos negros e da libertação dos territórios colonizados no continente africano.

De acordo com o economista, o interesse pelos pan-africanistas tem aumentado entre ativistas e teóricos brasileiros. A publicação do livro “Luta de classes em África”, do ganense Kwame Nkrumah, é um exemplo. Nkrumah, que chegou à presidência da Gana em 1960, é um dos principais expoentes do movimento. A obra dele é de 1970, mas somente em 2016 ganhou uma edição brasileira. Musumali

Musumali esclarece que o pan-africanismo tem como objetivo a emancipação das populações negras. “A gente tem que entender que o pan-africanismo é ainda uma plataforma necessária para a luta do povo africano e seus descendentes porque, onde quer que estejam, têm que enfrentar situações específicas que outras pessoas não têm”, disse.

Com relação à aplicação da teoria no Brasil, ele ressalta a importância que ela tem nesse momento de luta contra o golpe parlamentar que destituiu a ex-presidenta Dilma Rousseff. Para ele, é preciso “ter uma posição formulada em conjunto a respeito do que está acontecendo” porque “os descendentes de africanos no Brasil são as pessoas que mais estão perdendo com as reformas que estão sendo aplicadas”.

O militante trabalhou em diversos países africanos e deu aulas na Universidade da Zâmbia e na Phillips University, nos Estados Unidos. No ano passado, foi candidato à vice-presidência da Zâmbia pelo Rainbow Party, partido socialista zambiano. Hoje, ele se dedica à militância política — que ele define como a construção de bases para um futuro justo e humano para a Zâmbia e a África.

 

Brasil de Fato: O livro de Kwame Nkrumah “Luta de classes em África”, de 1970, teve sua primeira edição brasileira publicada recentemente. Qual é o interesse em revisitar esse autor hoje?

Cosmas Musumali: O capitalismo se encontra em uma crise e, por muito tempo, nós nos satisfizemos com explicações neoliberais. Então, as ideias de pessoas como Nkrumah ressurgem como mais uma abordagem sobre a luta de classes. Essa crise faz com que muitas pessoas estudem para tentar entender o que está errado com o capitalismo.

Além disso, ficou claro para os países africanos que a independência deles foi formal, mas não econômica. É essa busca por respostas mais humanizadas para o continente africano, que fazem com que ideias de pessoas como Nkrumah se tornem mais interessantes.

Por um longo tempo, Nkrumah foi considerado um pan-africanista que não acreditava muito no socialismo africano. Mas isso não é verdade porque, depois que foi afastado do poder [Nkrumah foi presidente de Gana entre 1960 e, em 1966, sofreu um golpe de Estado], ele estudou e escreveu muito sobre o que é o socialismo. Seu socialismo era baseado na luta de classes. É por isso que hoje ele se tornou mais interessante.

Como podemos definir o pan-africanismo hoje?

O pan-africanismo sempre foi sobre a emancipação dos povos africanos e seus descendentes. Isso não mudou até hoje. Desde 1760, o espírito do pan-africanismo tem existido nos descendentes dos africanos. Nesse período, seus expoentes acreditavam na religião como forma de emancipação.

Em meados de 1890, o movimento se tornou mais próximo das reivindicações dos direitos civis. Mas, desde 1945, o pan-africanismo trata sobre direitos políticos. Em 1960, se assumiu contra o neocolonialismo e a opressão dos povos africanos, onde quer que se encontrem.

O conteúdo pode ter mudado, mas o objetivo básico, que é a emancipação, nunca mudou. No futuro, o pan-africanismo também tratará sobre emancipação, além de outras dimensões mais amplas, como política racial, meio ambiente, gênero e a luta contra as estruturas patriarcais.

A gente tem que entender que o pan-africanismo é uma plataforma ainda necessária hoje para a luta do povo africano e seus descendentes porque, onde quer que estejam, eles têm que enfrentar situações específicas que outras pessoas não têm.

Vale lembrar que a exploração e a desigualdade não são exclusivas aos africanos e descendentes, então, trabalhar junto com outros povos é importante. Lutar, por exemplo, pelo feminismo, contra o sexismo ou pelos direitos dos povos indígenas se torna um dever para o pan-africanismo.

Qual foi a contribuição do pensamento marxista para o pan-africanismo?

Desde o início, os marxistas se envolveram com o pan-africanismo. A partir daí, foi possível pensar que a luta de classes não nega o racismo, mas o apresenta como parte dela.

Ao longo do tempo, marxistas também cometeram erros. Alguns deles negligenciaram o racismo. A ideia de alguns marxistas era fazer a revolução primeiro para depois tratar do racismo, uma argumentação muito simplista e barata.

Não dá para fazer nenhuma luta esperar, todas as lutas têm que ter espaço para serem feitas aqui e agora. Sabemos que, dentro da luta de classes, as questões sobre raça e gênero têm que ser incorporadas. É muito difícil separar o marxismo do pan-africanismo. Se forem separados, o marxismo vira mecânico e o pan-africanismo fica reduzido.

No último ano, após o golpe de Estado no Brasil, partidos políticos e movimentos sociais têm procurado criar uma unidade no país. Como o pensamento pan-africanista pode nos ajudar nesse processo?

Meu entendimento é que as tendências fascistas estão sempre agindo no campo cultural e econômico. Mas não têm hegemonia. Trabalhar juntos contra um governo como esse que vocês têm hoje no Brasil é urgente. A gente não pode ter o luxo de ficar fragmentado.

Os pan-africanistas no Brasil devem ter uma posição formulada em conjunto a respeito do que está acontecendo. Os descendentes de africanos no Brasil são as pessoas que mais estão perdendo com as reformas que estão sendo aplicadas, então, é preciso lutar ainda mais e trabalhar ao lado de outras forças da esquerda.

O pan-africanismo não somente é importante no Brasil, mas também no mundo inteiro. Então, os que estão fora do país têm o dever de ficar juntos com os daqui. Do mesmo jeito que a gente falou que a vida dos negros importam nos EUA [referência ao movimento Black Lives Matter] há alguns anos, teríamos que estar falando hoje: ‘não destruam as vidas no Brasil e também o Estado de bem-estar que existia aqui’. Essa teria que ser a demanda de todos os africanos, independente de onde estiverem.

Alguns dados projetam que a população africana vai crescer muito nos próximos anos, enquanto a europeia vai diminuir. Qual o impacto disso para o mundo?

Esse crescimento cria uma cara diferente para o mundo. Em 100 anos vamos ver mais peles e rostos africanos. Serão a maioria, mas ainda sem poder econômico e político. Temos que ter em conta que o crescimento da população vai ser liderado pela África — o continente mais pobre do mundo. Então, os impactos têm que planejados para que a maior parte da população do mundo não continue marginalizada como é hoje.

A boa notícia é que essa população jovem negra terá mais acesso à educação e vai viajar muito. O avanço das tecnologias fará com que fiquem em contato mais facilmente. A maior questão é: quais valores essa população vai carregar no mundo? A ideia é que carreguem valores de igualdade, honestidade e solidariedade. Valores que vão ajudar a mudar a sociedade do futuro. Se a gente pensa em pan-africanismo, nós teremos que trabalhar em cima desses valores para construir um mundo melhor. Coincidentemente, esses são os mesmos valores socialistas.

Edição: Vanessa Martina Silva

 

https://www.brasildefato.com.br/2017/09/25/nao-existe-revolucao-sem-combate-ao-racismo-diz-professor-pan-africanista/

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Gana aos 60 anos: Lembrar Kwame Nkrumah

O Gana celebra o sexagésimo aniversário da sua independência. Cidadãos recordam o primeiro Presidente ganês, Kwame Nkrumah.

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Neste 6 de março, dia em que o Gana comemora o sexagésimo aniversário da sua independência, recordar Kwame Nkrumah é incontornável: “Atualmente, o nome de Nkrumah está envolto em mistério e controvérsia”, diz Atsu Aryee, da Universidade do Gana.

No passado, era diferente. Quando o Gana conquistou a independência da Grã-Bretanha em 1957, os apoiantes de Nkrumah aclamaram-no em massa. “Finalmente chegou ao fim a batalha! O Gana, a nossa pátria amada, será, a partir de agora, livre para sempre”, afirmou Nkrumah na altura. Em resposta, a multidão gritava “viva!”

Nos primeiros anos depois da independência, o Governo de Kwame Nkrumah colocou em prática um programa económico ambicioso, com o objetivo de colocar o país, tradicionalmente rural, no mapa dos países industrializados. As barragens hidroelétricas construídas ao longo do rio Volta ainda hoje são vistas como marcos da engenharia africana e é nelas que o Gana continua a confiar para garantir a produção energética no país de 27 milhões de habitantes. Mas nem todos os projetos de Nkrumah resultaram. As grandes empresas geridas pelo Estado foram, na maior parte dos casos, mal sucedidas, acumulando enormes dívidas ao longo dos anos, sobretudo devido à má gestão e à corrupção.

Os ganeses conheceram então um outro lado de Kwame Nkrumah. O líder político tornou-se cada vez mais autoritário, tendência que culminou na transformação do Gana num Estado de partido único, em 1964, e na auto-proclamação de Nkrumah como Presidente eterno. Milhares de cidadãos viram-se obrigados a abandonar o país. Com a economia em queda livre, a popularidade de Nkrumah também decresceu. Um golpe militar colocou um ponto final na era Nkrumah, quando o Presidente se ausentou do país para uma visita de Estado à China, em 1966.

Ghana Kwame NkrumahKwame Nkrumah é lembrado como um herói da luta contra o colonialismo

Legado cada vez mais esquecido?

Hoje a imagem de Kwame Nkrumah é mais positiva: Os observadores dizem que o líder histórico contribuiu de maneira decisiva para que o Gana goze atualmente de uma certa estabilidade política.

“O legado mais importante de Nkrumah é o patriotismo e o nacionalismo que ele incutiu no povo enquanto esteve no poder”, diz o politólogo Atsu Aryee. “É esta noção de que somos todos ganeses, que temos um país e que é preciso manter a estabilidade.”

Mas, embora muitas crianças e jovens continuem a visitar o mausoléu de Kwame Nkrumah em Accra, poucas parecem compreender o seu legado: “Nkrumah ainda é um nome importante no Gana, pois conduziu o Gana à independência. Mas muitos jovens conhecem apenas o nome e já não conhecem as suas políticas enquanto Presidente e primeiro-ministro”, afirma Burkhardt Hellemann, chefe do escritório da fundação alemã Konrad Adenauer na capital do Gana, próxima ao partido no poder na Alemanha, a CDU.

“Ainda dá para ver que o nome de Nkrumah tem alguma influência, mas as suas políticas pouco ou nada influenciam os debates políticos deste país hoje em dia”, diz. O partido criado por Nkrumah em 1949, o Partido da Convenção do Povo (CPP, na sigla em inglês) desempenha hoje um papel menor na arena política ganesa.


Ainda assim, muitos na África subsaariana continuam a lembrar o legado de Nkrumah. Em 2004, a revista “New African” pediu aos leitores para elegerem os maiores líderes africanos de todos os tempos e Nkrumah ficou em segundo lugar, atrás do ex-Presidente sul-africano e líder da luta anti-apartheid Nelson Mandela.

Nkrumah defendia uma união pan-africana para contrabalançar a influência ocidental. Ele foi um dos fundadores da Organização da Unidade Africana, predecessora da União Africana (UA).

“Ainda se fala dos conceitos de Nkrumah nos corredores da UA”, conta o historiador nigeriano Toyin Falola.

Mas, apesar de a União ter hoje mais influência no continente, a concretização da ideia de Nkrumah de criar uns “Estados Unidos de África” está muito longe, sublinha Falola.

“Depois de Mbeki e Obasanjo saírem, não há líderes africanos dinâmicos que advoguem a ideia. Os países parecem interessar-se apenas nos seus assuntos, concentrando-se na sua política interna, preocupados com o declínio das suas economias. Portanto, a ideia do pan-africanismo foi tirada de cima da mesa.”

http://www.dw.com/pt-002/gana-aos-60-anos-lembrar-kwame-nkrumah/a-37819580

Jovens descontentes insurgem contra hierarcas africana

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Nairóbi, 16 dez (EFE).- A onda de descontentamento social que começou a florescer há alguns anos ganhou força em 2016 em diversas regiões da África Subsaariana, onde os jovens se sentem enganados por regimes autoritários de líderes que uma vez lutaram para libertar seus países.
 
As ruas da África do Sul foram tomadas este ano por estudantes revoltados com um governo que não garante educação a todas as classes sociais, por cidadãos fartos da corrupção que afeta a administração de seu presidente, Jacob Zuma, atual líder do partido que terminou, precisamente, com o apartheid.
 
 
 
“O descontentamento popular com o Congresso Nacional Africano (no poder na África do Sul desde o fim do sistema racista) está vinculada a um sentimento de setores que estão fartos dos regimes corruptos”, diz o Instituto para Estudos de Segurança (ISS, em inglês).
 
A frustração com o autoritarismo, a falta de transparência e de ambição para melhorar a vida do povo levou à mudança em 2014 em Burkina Fasso, que ainda hoje segue inspirando os movimentos populares que cruzam o continente, com sucesso irregular e diferentes motivações.
 
No sul, alguns daqueles que um dia foram heróis contra a opressão colonial se transformaram em velhos presidentes que se negam a ceder o posto e violam diariamente os direitos de seus cidadãos.
 
Robert Mugabe, o nonagenário presidente do Zimbábue, se transformou em um herói africano após favorecer a reconciliação no fim da guerra civil de seu país.
 
Três décadas depois, não só ostenta a honra de ser o líder mais idoso do mundo, mas o de ter imergido o antigo celeiro da África em um abismo econômico e institucional que suscitou uma violenta resposta social sem precedentes.
 
Nos vizinhos Angola e Moçambique, as forças que um dia lideraram movimentos de libertação (o Movimento Popular de Libertação de Angola e a Frente de Libertação de Moçambique) se transformaram em aparatos repressores da oposição e dos cidadãos.
 
“Os jovens estão acusando aqueles que estiveram no poder desde a independência de acumularem riqueza através da corrupção e de não fazerem nada para aliviar a pobreza”, enfatiza o ISS.
 
A origem deste sentimento tem uma explicação simples para o diretor para a África do observatório britânico Chatham House, Alex Vines: os eleitores jovens cresceram alheios aos dias do colonialismo, mas sofrem diariamente com o desemprego e a desigualdade.
 
“Foram incapazes de encontrar emprego e oportunidades e de expandir a riqueza, o que fez com que as desigualdades aumentassem, e os hierarcas do partido se tornaram muito ricos”, disse Vines em Pretória, na África do Sul.
 
Mais ao norte, a falta de eleições livres e justas estão alimentando os protestos: Uganda, Burundi, República Democrática do Congo e Etiópia viveram este ano violentos movimentos de contestação a seus líderes, que resistem a deixar seus cargos, passando por cima das leis.
 
Durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o atleta Feyisa Lelisa cruzou os braços no ar ao terminar em segundo lugar e conquistar a medalha de prata na maratona, um gesto que denunciava a repressão do governo da Etiópia contra a etnia oromo durante a maior onda de protestos no país.
 
Os oromo, assim como os muitos jovens que pagaram com suas vidas em outros países africanos, não reivindicam apenas mais democracia, enfraquecida pela falta de uma tradição eleitoral e pelo neopatrimonialismo, mas, sobretudo, uma “vida melhor”.
 
“Estamos determinados a impulsionar uma solidariedade e unidade dos povos da África para construir o futuro que queremos: o direito à paz, à inclusão social e à prosperidade compartilhada”, adverte a denominada “Declaração de Kilimanjaro”, adotada em uma cúpula extraordinária em agosto em Arusha (Tanzânia).
 
Naquela reunião, grupos da sociedade civil, religiosos, sindicatos, mulheres, jovens e parlamentares tomaram a decisão de “construir um movimento pan-africano que reconheça os direitos e liberdades” do povo deste continente.
 
Um movimento que, mais uma vez, ultrapassa as fronteiras das diferentes nações africanas para não mais libertá-los do jugo colonial, mas de seus novos opressores: dirigentes que, na maioria dos casos, sequer puderam escolher.
 

Cimeira de Chefes de Estado inaugura passaporte africano

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Fotografia: AFP

Os primeiros passaportes da União Africana (UA) foram entregues ontem aos Chefes de Estado presentes na 27ª cimeira da organização continental, que decorre em Kigali, Ruanda.

 Os documentos foram entregues de forma simbólica aos  presidentes do Rwanda, Paul Kgame e do Tchade, Idris Sabry, pela presidente da Comissão da UA, Dlamini Zuma. Os utentes desses passaportes poderão circular pelos países africanos sem necessidade de visto, cumprindo assim com um dos objetivos da agenda 2063 referente à  integração do continente.
Apelos ao fortalecimento da unidade no continente, ao cumprimento da agenda 2063 e à  aposta na juventude pelos líderes africanos presentes no evento marcaram a cerimônia de abertura da cimeira.
Discursando na abertura do conclave, o Presidente do Rwanda, Paul Kagame, apelou ao espírito de solidariedade no continente, com vista a alcançarem-se os objectivos preconizados nos ideais do pan-africanismo.
Paul Kagame pediu aos homólogos africanos para que, na cimeira, se preocupassem mais com as questões prioritárias do continente, ao invés de perderem tempo em assuntos que em nada contribuem para o fortalecimento da organização e de África.
“Devemos aproveitar as nossas cimeiras para definirmos as nossas prioridades e decidirmos como resolver os nossos problemas, pois África está a levantar-se”, referiu o Chefe de Estado anfitrião.

Presidência da UA

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Na ocasião, a presidente da Comissão da União Africana, Dlamini Zuma, assegurou que estão criadas as condições para que a presidência da organização seja assumida pela República Centro Africana.
Dlamini Zuma destacou a importância do passaporte da União, o qual considerou um passo fundamental no processo de integração do continente e livre circulação dos cidadãos.  Após fazer uma retrospectiva sobre o trabalho realizado durante o seu mandato, a presidente da Comissão da União Africana realçou que ainda existem tarefas por cumprir.  O presidente em exercício da União Africana, Idris Debry, condenou o retorno das hostilidades no Sudão do Sul, que já causaram a morte de 300 pessoas. Apelou para a necessidade da UA trabalhar com urgência na criação de mecanismos de paz e segurança no continente.
A presidente da  União Panafricana da Juventude, Franci Muyomba, apelou aos Chefes de Estado para aprovarem a criação de um fundo de apoio aos jovens empreendedores. “É imperioso que os líderes africanos apostem no empreendedorismo, que tem contribuído para a geração de empregos e na melhoria das condições de vida de muitos cidadãos no continente”, reconheceu.  Ao intervir na cerimônia, o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Moahamud Abas, condenou os actos de terrorismo perpetrados em França e manifestou disponibilidade de contribuir para o combate a este fenômeno que ceifa a vida a muitos cidadãos inocentes.
Moahamud Abas advogou, de igual modo, a necessidade de África reforçar a solidariedade com a Palestina, destacando o apoio prestado pelos países africanos à  causa palestiniana.
Angola participa nesta Cimeira com uma delegação chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, em  representação do Chefe de  Estado, José Eduardo dos Santos.
Durante a sua estada em Kigali, Georges Chikoti tem previstas audiências com diversas personalidades políticas.

Trabalhar juntos

À margem da cimeira, o responsável máximo da Nova Parceria para o Desenvolvimento Africano (NEPAD), Ibrahim Mayaki, afirmou que os países africanos precisam de ser estratégicos e trabalhar juntos na promoção da industrialização do continente, com vista à criação de oportunidades de emprego. Ibrahim Mayaki realçou que os factores que impedem o crescimento do continente são a ausência de negociações entre os Estados africanos, aliado a falta de infra-estruturas e à pobreza. Observou que África tem a população mais jovem do mundo, salientando que os enormes desafios do continente são a promoção do crescimento econômico dos Estados, criação de emprego, e redução da pobreza.  A  27ª Cimeira da UA realizou-se sob o tema “2016: Ano Africano dos Direitos Humanos com especial incidência sobre os Direitos das Mulheres”.
No sábado, o grupo dos três países africanos com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas (A3), integrado por Angola, Egito e Senegal, avaliou o retorno às hostilidades no Sudão do Sul, a crise no Burundi e o regresso da Missão das Nações Unidas (Minuso) ao Saara Ocidental.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/cimeira_de_chefes_de_estado_inaugura_passaporte_africano