Câmara Angola/Estados Unidos quer investimentos em Mbanza Kongo

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A presidente executiva da Câmara de Comércio Angola/Estados Unidos de América (EUA), Maria da Cruz, advogou sábado, em Mbanza Kongo, a necessidade de o Executivo e os empresários nacionais e estrangeiros direccionarem mais investimentos para esta cidade, elevada a património mundial pela UNESCO.

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Em declarações à Angop, no quadro da sua visita de alguns dias à histórica cidade, a responsável reconheceu que, apesar dos esforços empreendidos na implementação de vários projectos de impacto social e económico, Mbanza Kongo carece ainda de muitas infra-estruturas, principalmente nos domínios da hotelaria e turismo para fazer face à actual procura.

Apresentação 1“Na verdade, Mbanza Kongo precisa de mais investimentos para poder absorver, nos próximos tempos, a avalanche de turistas de todas as latitudes do mundo que se deslocarão a esta cidade, já como património mundial da UNESCO”, precisou.
Um dos propósitos da visita da empresária a Mbanza Kongo é encontrar formas, em parceria com as autoridades locais, de incentivar os empresários a investirem nesta região, visando impulsionar o desenvolvimento social da cidade.

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Para ela, a cidade de Mbanza Kongo ainda é virgem em termos de investimentos em todos os domínios, porque “os empresários que manifestarem o interesse de colocar o seu capital nesta localidade não se arrependerão”.
“O Governo angolano, no meu entender, deve prestar mais atenção a esta cidade, alocando mais verbas para alterar o quadro actual de Mbanza Kongo, que entrou recentemente na galeria dos bens controlados pela UNESCO”, sugeriu.
Assegurou que a Câmara de Comércio Angola/EUA vai, nos próximos tempos, promover uma missão empresarial para Mbanza Kongo para, no terreno, constatar as oportunidades de investimentos.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/bna_consolida_o_acordo_de_conversao_monetaria_1

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Brasil ganha 21º patrimônio histórico da Unesco: o Cais do Valongo

Após uma longa jornada pelo Atlântico, africanos esquálidos eram mantidos na região portuária em chamadas casas de engorda para se recuperarem. Depois, eram vendidos e levados a trabalhar em plantações de várias regiões, além de serem empregados em

Cais do Valongo, Rio de Janeiro

Porto de chegada de quase um milhão de escravos africanos, o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, foi declarado Patrimônio Mundial da Unesco, a agência cultural da ONU.

Esse é o 21º patrimônio histórico reconhecido pela ONU no país, em uma lista que inclui centros históricos, parques nacionais e áreas preservadas em várias regiões.

O Brasil foi o principal destino de escravos africanos nas Américas, e o Cais do Valongo se tornou o maior porto de entrada deles no país até meados do século 19. Ele ficou por décadas aterrado e sua riqueza começou a ser redescoberta durante o trabalho de revitalização da zona portuária do Rio para as Olimpíadas de 2016.

“É o mais importante vestígio físico da chegada dos escravos africanos ao continente americano”, disse, em nota, a Unesco.

A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogea, disse que, “o Valongo merece estar junto de lugares como Hiroshima e Auschwitz para nos fazer lembrar das partes da história da humanidade que não podemos esquecer”.

Segundo o Iphan, o desembarque de escravos no Rio foi integralmente concentrado na região da Praia do Valongo a partir de 1774, e ali “se instalou o mercado de escravos que, além das casas de comércio, incluía um cemitério e um lazareto”.

ObjetosDireito de imagemPORTO MARAVILHA/CDURP
Image captionCom as obras do Porto Maravilha, foram encontrados milhares de objetos pessoais mas também pratos e talheres da época

O calçamento de pedra que constitui o Sítio Arqueológico do Cais do Valongo foi parte das obras de infraestrutura realizadas em 1811, “com o incremento do tráfico e o fluxo de outras mercadorias”.

Após a declaração da República no Brasil, em 1889, o cais do Valongo foi aterrado. Com as obras do Porto Maravilha, foram encontrados milhares de objetos pessoais na região, como partes de calçados, botões feitos com ossos, colares, amuletos, anéis e pulseiras em piaçava.

Vista da Pedra do Sal
Muitos ex-escravos se estabeleceram na área e formaram o que se conhece como Pequena África

Sepultura coletiva Muitos, no entanto, não sobreviviam. A poucos quarteirões do cais está um cemitério onde, entre 1770 e 1830, milhares de escravos foram enterrados. Restos desse local foram encontrados por acaso em 2011, quando um casal reformava sua casa na área e se deparou com ossos e crânios.

O tráfico de escravos estrangeiros foi banido em 1831, mas continuou ilegalmente até a escravidão ser abolida no país, em 1888.

Cerca de quatro milhões de escravos chegaram ao Brasil entre os séculos 17 ao 19, o que representa quase 40% dos escravos que desembarcaram nas Américas.

A partir de 2012, o Cais do Valongo passou a fazer parte de um circuito histórico de celebração da herança africana no Rio.

Esse não é o único patrimônio da Humanidade brasileiro a figurar na lista da Unesco. Conheça abaixo outras 20 atrações que ganharam o mesmo status:

  1. Cidade de Ouro Preto (MG)
  2. Centro histórico de Olinda (PE)
  3. Ruínas de São Miguel das Missões (RS)
  4. Centro histórico de Salvador (BA)
  5. Santuário de Bom Jesus do Congonhas (MG)
  6. Parque Nacional do Iguaçu (PR)
  7. Brasília (DF)
  8. Parque Nacional da Serra da Capivara (PI)
  9. Centro histórico de São Luís (MA)
  10. Áreas protegidas de Mata Atlântica do Sudeste (PR e SP)
  11. Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento (BA e ES)
  12. Centro histórico de Diamantina (MG)
  13. Complexo de Conservação da Amazônia Central (AM)
  14. Área de conservação do Pantanal (MT)
  15. Ilhas do Atlântico: Reservas de Fernando de Noronha (PE) e Atol das Rocas (RN)
  16. Áreas protegidas do Cerrado: Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas (GO)
  17. Centro histórico da Cidade de Goiás (GO)
  18. Praça de São Francisco na cidade de São Cristóvão (SE)
  19. Cidade do Rio de Janeiro (RJ)
  20. Conjunto moderno da Pampulha (MG)

Valongo, no centro do Rio de Janeiro, recebeu no século XIX cerca de 900 mil escravos

Cais no Rio que recebeu 900 mil escravos é tombado pela Unesco

mediaO cais do Valongo, no centro do Rio de Janeiro, recebeu no século 19 cerca de 900 mil escravos vindos do continente africano.Tomaz Silva/ Agência Brasil

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) incluiu neste domingo (9) o sítio arqueológico do cais de Valongo, no Rio de Janeiro, em sua lista de monumentos tombados pelo Patrimônio Histórico Mundial. O cais, no centro do Rio de Janeiro, recebeu no século 19 cerca de 900 mil escravos vindos do continente africano.

O comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, reunido em Cracóvia, evocou na ocasião a memória do afluxo de cerca de 900 mil escravos africanos que desembarcaram no cais de pedra de Valongo, construído em 1811, no centro da capital carioca.

Para a historiadora Katia Bogea, presidente do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Valongo merece figurar entre “outros lugares relevantes de memória, como Hiroshima ou Auschwitz.” “A proteção do patrimônio”, acrescentou Bogea perante a Comissão, “nos obriga a lembrar estas partes da história da humanidade que são proibidos de cair no esquecimento.”

Valongo é a evidência física e a pista histórica mais importantes associadas à chegada de escravos africanos nas Américas. As pedras em que quase um milhão de escravos provenientes da África deram seus primeiros passos no Brasil haviam sido deixadas sob os escombros da metrópole que se desenvolveu.

O cais desapareceu gradualmente no subterrâneo, sob várias camadas de revestimentos, de acordo com as renovações do bairro carioca.

Protegido por uma simples barreira e sem presença policial, o sítio arqueológico continua sendo particularmente vulnerável. Ele foi localizado sob uma espessa camada de cimento em 2011, quando se faziam escavações para reabilitar nas obras da zona portuária, um dos projetos emblemáticos ligados aos Jogos Olímpicos de 2016.

Contrapartida histórica

Esta estação é a contrapartida brasileira da Ilha de Gorée, no Senegal: classificada como Patrimônio Histórico Mundial em 1978, a ilha senegalesa é reconhecida como o ponto de partida simbólico dos escravos africanos em direção ao continente americano.

Os escravos não permaneceram durante muito tempo no Rio. Uma vez vendidos, eles foram rapidamente transportados para as usinas de açúcar do Nordeste, as minas de ouro de Minas Gerais e as plantações de café na região de São Paulo.

Os números exatos são difíceis de determinar com precisão, mas a maioria dos historiadores concorda que o Brasil recebeu em seu litoral mais de quatro milhões de escravos vindos da África, cerca de 40% das vítimas do tráfico que partiu em direção às Américas, um legado que se tornou um fardo para o Brasil, país que foi um dos últimos a abolir a escravidão, em 1888.

http://br.rfi.fr/brasil/20170709-cais-no-rio-que-recebeu-900-mil-escravos-e-tombado-pela-unesco

Crimes culturais na Africa vão a julgamento

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O Tribunal Penal Internacional (TPI) iniciou ontem um processo sem precedentes, no qual um suposto extremista se pretende declarar culpado de crimes de guerra pela destruição de mausoléus classificados como Patrimônio Mundial da Humanidade na cidade maliana de Tombuctu.

Os especialistas esperam que este processo envie uma mensagem forte contra a destruição de bens culturais, num momento em que 55 enclaves estão oficialmente em risco em todo o mundo, como a cidade histórica de Palmira na Síria, escreve Jo Biddle para a AFP.
O Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, acusa o tuaregue Ahmad al Faqi al Mahdi de ter dirigido ataques de maneira intencional contra nove mausoléus de Timbucto e contra a porta da mesquita de Sidi Yahya entre 30 de Junho e 11 de Julho de 2012.
Este suposto extremista maliano seria a primeira pessoa a reconhecer a sua culpa na história do Tribunal e o primeiro acusado a responder a crimes de guerra pela destruição de patrimônio cultural.
As destruições converteram-se numa táctica de guerra para semear o medo e o ódio, havia escrito recentemente a directora-geral da Unesco, Irina Bokova, na revista “International Criminal Justice Today”.
“O objectivo destes ataques é reduzir em pedaços este importante tecido da sociedade”, acrescentou Bokova, para quem é essencial que estes crimes não fiquem impunes.
Ahmad al Faqi al Mahdi é o primeiro suposto extremista a comparecer diante da Justiça internacional e o primeiro a responder por crimes cometidos durante o conflito maliano.A acusação afirma que este homem, nascido em 1975, era um membro do Ansar Dine, um grupo extremista vinculado à Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI).
O Ansar Dine controlou o norte do Mali por quase dez meses em 2012 antes de uma intervenção internacional impulsionada pela França que os expulsasse da maior parte do território do país. Como chefe da brigada islâmica da moral, o acusado ordenou e participado dos ataques contra os mausoléus, destruídos com picaretas e enxadas. Embora o enclave tenha sido reconstruído posteriormente, para a procuradora Fatou Bensouda “a destruição vai para além de pedras e muros”.
Tombuctu, conhecida como a cidade dos 333 santos, venera nos seus mausoléus uma série de personagens que, de acordo com os especialistas malianos do Islão, são considerados os protectores da cidade e a quem os fiéis se dirigem para pedir casamentos, implorar pela chuva ou lutar contra doenças. Estes ritos chocam com a visão fundamentalista do Islão, e seus seguidores tentaram erradicá-los antes de destruir os mausoléus, segundo a acusação.
“Os ataques tinham por objectivo a dignidade e a identidade de populações inteiras, assim como as suas raízes religiosas e históricas”, afirma Bensouda.Tombuctu, fundada no Século V por tribos tuaregues, se converteu num importante enclave do comércio de caravanas e posteriormente num grande centro intelectual do Islão, que conheceu seu apogeu no século XV. O acusado vai declarar-se culpado já que, segundo seu advogado Mohamed Aouini, é “um muçulmano que acredita na Justiça”. Ele também quer pedir perdão aos habitantes de Tombuctu e ao povo maliano.
Os observadores, que comemoram a abertura de um processo por destruição de patrimônio cultural, estão decepcionados com a ausência de outras acusações, especialmente as de agressões sexuais cometidas durante o conflito.
Este julgamento pode abrir um precedente no mundo, num momento em que a lista de sítios em risco não para de crescer. Uma das incorporações recentes foi a cidade antiga de Palmira, parcialmente destruída e saqueada pelos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI). No entanto, nem o Iraque nem a Síria assinaram o Estatuto de Roma, o tratado fundador do Tribunal Penal Internacional, razão pela qual o início de novas ações judiciais não é tão evidente. Sem decisão da ONU, nenhuma investigação é possível.
Para o arqueólogo Christopher Jones, que catalogou dezenas de ataques deste tipo do grupo  Estado Islâmico no seu blog, os extremistas não querem apenas eliminar a sua cultura, pretendem ir mais além. “Com a destruição de uma mesquita xiita, apagam um sistema alternativo de crenças”, explicou Jones à AFP. “Desconectam os povoados dos elementos que os unem às suas cidades para que não tenham mais nenhum passado.”

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/crimes_culturais_vao_a_julgamento