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EUA destacou o empenho de Dhkalama

A embaixada dos EUA em Maputo destacou hoje o empenho de Afonso Dhlakama na busca da democracia e paz em Moçambique, encorajando a Renamo e o Governo a honrarem o legado do político.
EUA destacam empenho do líder da Renamo pela democracia e paz

“Através de um esforço conjunto, primeiro com o Presidente Joaquim Chissano e mais recentemente com o Presidente Filipe Jacinto Nyusi, Afonso Dhlakama provou a Moçambique e ao mundo que estava empenhado em alcançar a democracia e uma paz duradoura”, diz a embaixada norte-americana, em comunicado hoje divulgado em Maputo.

A nota prossegue assinalando que, mesmo nos seus últimos dias, o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) trabalhou perseverantemente para promover os objectivos da descentralização e desmilitarização do braço armado do principal partido da oposição.

“Encorajamos os líderes da Renamo e os seus interlocutores no Governo da República de Moçambique a honrar o legado de Afonso Dhlakama, ao concluir este grande projecto pelo qual dedicou os últimos anos da sua vida”, lê-se no comunicado.

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, morreu na quinta-feira pelas 08:00, aos 65 anos, na Serra da Gorongosa, devido a complicações de saúde.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, referiu à Televisão de Moçambique (TVM) que foram feitas tentativas para o transferir por via aérea para receber assistência médica no estrangeiro, mas sem sucesso.

Fontes partidárias contaram à Lusa que o presidente do principal partido da oposição moçambicana faleceu quando um helicóptero já tinha aterrado nas imediações da residência, na Gorongosa.

O seu corpo encontra-se desde a madrugada na morgue do Hospital Central da cidade da Beira.

https://noticias.sapo.mz/actualidade/artigos/eua-destacam-empenho-do-lider-da-renamo-pela-democracia-e-paz

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Esforços da paz vão continuar em Moçambique depois do falecimento de Dhkalama

 

A Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, afirmou hoje que vai prosseguir com os esforços de busca da paz no país, respeitando o legado deixado pelo seu líder, Afonso Dhlakama, que morreu na quinta-feira vítima de doença.
Renamo diz que vai prosseguir com busca da paz

“O líder deixou os ´dossiers` [sobre a paz] claros, estão discutidos e estão na mesa, o que precisamos é que ninguém mude, ninguém altere”, disse, em declarações à Lusa, em Maputo, o chefe nacional adjunto para Mobilização da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Domingos Gundana.

Domingos Gundana assegurou que os membros da Renamo estão comprometidos com a manutenção da paz e vão empenhar-se em concluir com sucesso o processo negocial com o Governo.

“Estamos em paz neste momento, se alguém ainda pensa em guerra, está fora do rumo, nenhum membro da Renamo está a pensar no passado [de guerra]”, acrescentou.

Os membros e simpatizantes da Renamo, prosseguiu, saberão honrar o legado de paz que Afonso Dhlakama deixou.

Domingos Gundana adiantou que a Comissão Política da Renamo poderá reunir-se hoje na cidade da Beira para discutir a sequência das exéquias fúnebres de Afonso Dhlakama e os passos necessários para a normalização da situação do partido após a morte do seu líder.

O chefe nacional adjunto para a Mobilização da Renamo afastou o risco de tensões entre a ala política e o braço armado do partido, realçando o princípio da unicidade.

“A Renamo foi sempre una, teve sempre um líder e nunca houve divisões”, enfatizou Domingos Gundana.

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, morreu na quinta-feira, aos 65 anos, na Serra da Gorongosa, devido a complicações de saúde.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, referiu à Televisão de Moçambique (TVM) que foram feitas tentativas para o transferir por via aérea para receber assistência médica no estrangeiro, mas sem sucesso.

Fontes partidárias contaram à Lusa que o presidente do principal partido da oposição moçambicana faleceu quando um helicóptero já tinha aterrado nas imediações da residência, na Gorongosa.

O seu corpo encontra-se desde a madrugada na morgue do Hospital Central da cidade da Beira.

 https://noticias.sapo.mz/actualidade/artigos/renamo-diz-que-vai-prosseguir-com-busca-da-paz

Intervenção no Rio de Janeiro leva o Brasil a desistir da missão militar na República Centro Africana

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Brasília – O Comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, passa me revista a tropa que irá para o Haiti, durante cerimônia da troca da Bandeira Nacional, na Praça dos Três Poderes (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Governo Temer havia se comprometido a enviar 1 mil soldados à República Centro-Africana, mas desistiu

MATHIAS ALENCASTRO E FABIO VICTOR

10abr2018_16h48
Soldado da missão de paz da ONU na República Centro-Africana

Soldado da missão de paz da ONU na República Centro-Africana FOTO: MINUSCA/ONU

Dado como certo até o final do ano passado, o envio de tropas brasileiras para a missão de paz da ONU na República Centro-Africana foi cancelado pelo governo brasileiro. A intervenção federal na área de segurança no Rio monopolizou a atenção e o orçamento do governo para as Forças Armadas junto com o deslocamento de soldados para atender a situação de emergência de refugiados venezuelanos na fronteira com Roraima.

Oficiais ouvidos pela piauí explicaram que o Exército também avaliou que o Brasil poderia estar se metendo numa enrascada militar e diplomática. Dentro da comunidade internacional, a República Centro-Africana tem fama de “Vietnã africano”, com um inimigo mal identificado, espirais bruscas de violência e até ataques com facas a soldados. A missão da ONU no país – chamada Missão Multidimensional para a Estabilização da República Centro-Africana, a Minusca – começou em 2014, mas não livrou o país de uma guerra civil de caráter tribal. Em 2017, catorze capacetes azuis foram assassinados em ataques de grupos armados contra populações civis em áreas que supostamente estariam sob controle das forças da Minusca.

Com a destinação, desde 16 de fevereiro, de todo o efetivo do Comando Militar Leste, de até 30 mil homens ao custo de cerca de 1,2 bilhão de reais, a intervenção no Rio na prática inviabilizou a participação do Brasil na que seria sua missão internacional mais relevante desde o Haiti (entre 2004 e 2017). Em novembro passado, o ex-ministro da Defesa Raul Jungmann chegou a dar como fato consumado o deslocamento de soldados à República Centro-Africana e falou em enviar “1.000 homens” ao país.

Antes mesmo da intervenção, a percepção brasileira de que seria mau negócio desembarcar na República Centro-Africana começou a se estabelecer após o envio da missão de reconhecimento brasileira, no começo do ano. Na avaliação dos dez oficiais que estiveram na RCA entre 21 de janeiro e 3 de fevereiro, havia chances consideráveis de baixas, num país de terreno acidentado e com logística precária, agravadas pelas fortes chuvas desta época do ano. Os relatos solidificaram a rejeição do Alto Comando do Exército à missão, cujo maior defensor era Jungmann.

As dificuldades enfrentadas pelos países participantes da missão também foram consideradas para a desistência. Ao longo dos últimos anos, as tropas das Nações Unidas no país, chefiadas pela França, vêm sendo acusadas de participação em episódios de violência – em 2017, dezesseis capacetes azuis franceses foram inocentados de uma acusação de estupro de quatro meninos de 9 a 13 anos, e o Gabão teve de retirar seus 450 soldados do país, por terem assumido um papel central na organização do tráfico humano e sexual, segundo fontes da ONU.

Além da intervenção no Rio, parte das tropas elegíveis para a missão africana foi empregada na assistência aos refugiados venezuelanos em Roraima. Em fevereiro, o Exército Brasileiro duplicou o seu contingente na fronteira, passando para 200 soldados. Além disso, duas semanas depois da intervenção militar no Rio, em 9 de março, uma medida abriu crédito no valor de 190 milhões de reais em favor do Ministério da Defesa para assistência emergencial a venezuelanos no Brasil. Estava pavimentado o caminho para justificar o abandono da missão de paz.

 

Adesistência repercutiu negativamente na ONU. Durante as discussões para a renovação do mandato da Minusca, em novembro, o Conselho de Segurança aprovou o aumento do número de tropas, já contando com a entrada de cerca de 900 militares brasileiros. Para compensar a ausência brasileira, a ONU teve de encontrar o que diplomatas no departamento de missões de paz das Nações Unidas em Nova York chamaram de “solução de remendos”. Agora, a missão negocia a entrada de novos contingentes, como os de Ruanda e Portugal, que iniciaram suas atividades nos últimos meses. Essa solução de compor o Exército com pequenos e médios contingentes de diversos países era evitada pela ONU, que procurava a todo custo um parceiro de grande porte para dar densidade ao corpo de capacetes azuis.

Estava claro, desde o início, que a Minusca precisava mais do Brasil do que o contrário, o que teria colocado os oficiais brasileiros em posição de força na mesa de negociações. “A decisão do Brasil de se retirar tem fundamentos”, disse uma diplomata de um país-membro do Conselho de Segurança, citando as dificuldades crescentes da ONU em montar as missões de paz. “Mas a forma como ela foi anunciada causou estragos.” Para ele, o recuo do governo pode comprometer a credibilidade e a influência do Brasil dentro do alto comando da ONU, num momento em que o Conselho de Segurança pode ser acionado a qualquer instante sobre a Venezuela.

A discussão de uma missão do Brasil na África começou em 2014, quando o governo Dilma Rousseff descartou uma sondagem da ONU para enviar tropas ao Sudão do Sul, mas deixou a porta aberta para negociações quando o Brasil saísse do Haiti – operação que se esticou por catorze anos e tornou o Exército brasileiro cobiçado para missões de paz internacionais. O assunto foi retomado às vésperas da conclusão da missão no país caribenho, quando a ONU apresentou a Jungmann, três operações nas quais tropas brasileiras poderiam ser incorporadas: Chipre, Líbano e República Centro-Africana, que parecia a mais apropriada. O Brasil vinha desenvolvendo uma presença nas missões de paz nos vizinhos Sudão e na República Democrática do Congo, tinha boa reputação entre as autoridades africanas e pretendia aumentar a sua influência no Atlântico Sul e, em particular, no Golfo da Guiné, por meio do qual as tropas brasileiras desembarcariam na República Centro-Africana, via Camarões.africa.png

O Exército Brasileiro tinha interesse em manter-se presente no palco internacional. Fonte de prestígio, treino e dinheiro, a indústria das missões de paz tem entre os seus principais clientes os exércitos de países em desenvolvimento envolvidos em conflitos latentes: Ruanda, Índia, Bangladesh, Etiópia e Paquistão formam quase 40% do contingente de 110 000 capacetes azuis. A ONU não só reembolsa generosamente uma parte das despesas militares dos países envolvidos, como as suas missões também oferecem boas condições de treino e até um certo glamour. Profundamente marcado pela experiência no Haiti, o Exército almejava passar rapidamente da Minustah para outra missão da ONU – inclusive para preservar dos cortes as conquistas obtidas na era Lula, como o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil, o CCOPAB, no Rio de Janeiro.download

O crescente ativismo militar na política externa, no entanto, criou preocupação entre os diplomatas do Itamaraty, que não queriam perder seu domínio. Desde a missão no Haiti, adidos militares passaram a fazer parte da equipe das embaixadas e das missões brasileiras em organizações internacionais. Quando o Painel Independente de Alto Nível Sobre Operações de Paz se reuniu para deliberar sobre evoluções institucionais em 2015, o general Floriano Peixoto, ex-comandante da missão no Haiti, representou o Brasil. Esse ganho de visibilidade dos militares acontecia ao mesmo tempo da perda de influência dos diplomatas. Enquanto o governo de Luiz Inácio Lula da Silva entendia as missões de paz como parte de uma estratégia diplomática ampla, cujo objetivo em última instância era um lugar no conselho de segurança, os governos de Dilma Rousseff e agora de Temer as veem como uma demanda operacional e financeira das Forças Armadas, na qual a diplomacia tinha papel secundário. Em novembro, o Itamaraty viu com desconforto o ministro Jungmann e o general Lacroix, chefe das missões de paz na ONU tratarem a participação do Brasil na Minusca – agora abandonada – como um fato consumado.

Com a desistência da participação na República Centro-Africana, o Brasil deve enviar um general para outra missão de paz das Nações Unidas, no Congo, para assumir uma posição de prestígio – a de comandante da força – e tentar preservar a imagem brasileira no círculo militar da ONU. Uma tentativa de impedir a consolidação da narrativa de que o governo Temer foi incapaz de deixar legado na política externa, depois de fracassar em suas três principais metas: a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o avanço das negociações para o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, e o lançamento de uma nova missão de paz na ONU.

Fonte:http://piaui.folha.uol.com.br/intervencao-no-rio-cancela-missao-militar-do-brasil-na-africa/

Guiné é uma promessa que pode dar certo

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Uma recuperação bem retomada e aura internacional recuperada, o país mostrou nos últimos dois anos uma frente bastante serena. Mas desde janeiro, o descontentamento social está aumentando. Quanto ao clima político, depois do local e antes do legislativo, em setembro, é novamente agitado.

Na tela do computador, com suas curvas e diagramas dinâmicos, a Guiné parece ter recuperado sua forma. Crescimento de mais de 6% para dois anos, um déficit orçamentário controlado, inflação reduzida para 8%, contra 21% em 2010 … A maioria de seus indicadores é verde.carte-conakry_guinee_agriculture_carte31

Depois de dois anos de crise de saúde, depois de dois outros marcados por uma situação internacional difícil, virada de cabeça para baixo pela queda nos preços das commodities, a economia guineense está melhor e, no papel, suas perspectivas parecem boas. Como prova, o novo programa de três anos foi concluído em dezembro com o Fundo Monetário Internacional.

Gradualmente, os investidores voltam. Vários hotéis de luxo foram construídos pelo mar. Andando em Kaloum, no centro de Conakry nas obras, sob os enormes guindastes que a raia o céu eo barulho incessante de betoneiras, a pessoa começa imaginar a capital do futuro .

Na costa, as torres gêmeas Weily Kakimbo e seus vinte e cinco andares que abrigarão em breve um shopping center, um hotel e escritórios certamente têm um lado “bling-bling”, mas também mostram que a capital aspira a mudar o século.

Um verdadeiro mal-estar

Algumas semanas atrás, enquanto ele ainda estava no comando da União Africana, o Presidente Alpha Condé teve que se alegrar com todos esses bons sinais. Mas dificilmente ele passou a mão para sua contraparte ruandesa no topo de Adis Abeba que ele encontra um país novamente dilacerado por seus velhos demônios. A violência pós-eleitoral consecutiva para 04 de fevereiro de som comum como um ultimato.

Depois de uma campanha que nem apaixonou nem mobilizou multidões – enquanto foram as primeiras eleições locais desde 2005 -, a condução da pesquisa e seus resultados parciais se transformaram em pretexto para externar um verdadeiro mal-estar e agitar alguns frustrações sociais.

Tenores da oposição, Cellou Dalein Diallo na liderança, denunciaram fraudes. Outros, como Faya Millimouno, levantaram a questão da relevância de tal votação este ano, considerando o custo de sua organização – cerca de 800 bilhões de francos guineenses (mais de 70 milhões de euros).

Cortes de energia, más condições das estradas, problemas de coleta de lixo e prisões de jornalistas chegaram ao auge. Sem mencionar os recorrentes rumores sobre um hipotético terceiro mandato presidencial de “idade” – 80 anos em 4 de março.

Uma grande parte da população, especialmente os jovens, não se beneficia dos frutos do crescimento

É uma geração inteira que é impaciente. “Boa parte da população, especialmente os jovens, não está aproveitando os benefícios do crescimento”, disse Abdourahmane Sanoh, presidente da United Citizens for Development Platform. Enquanto as desigualdades forem fortes, vivenciaremos crises cíclicas. Em resumo, para os mais críticos, esse crescimento positivo parcialmente impulsionado pelo setor de mineração beneficiaria principalmente, se não apenas, alguns investidores estrangeiros.

Enquanto aguarda um melhor diálogo entre o Estado e o setor privado, nomeadamente através do Fórum Empresarial da Guiné, criado no final de 2017, Madani Dia, o secretário executivo da plataforma de consulta do setor privado da Guiné, desenha também o alarme.

Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos

“Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos. Hoje, a taxa real de desemprego dos jovens é superior a 80%. Se continuarmos assim, temos direito ao desastre, ele insiste. O governo entendeu e está fazendo esforços, mas devemos ir mais rápido e mais longe, priorizando urgentemente os investimentos intensivos em mão-de-obra, por exemplo, para pavimentar as ruas das cidades, estradas de construção e asfalto, etc. Devemos dar um objetivo e uma renda a todos esses jovens, enquanto esperamos treiná-los e oferecer-lhes outras perspectivas. ”

A cidade no campo

No lado executivo, leva tempo. “Nós colocamos o país de volta aos trilhos”, disse o primeiro-ministro Mamady Youla. Mais de € 1 bilhão já foi investido na melhoria de estradas em Conakry, para atualizar a estrada nacional 1 (Coyah-Mamou Dabola), construir a linha de energia Linsan-Forni proceder à expansão do porto de Conakry … como muitos projetos tangíveis.

Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais?

O governo parece determinado a atender aos outros grandes desafios do Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 2016-2020 (PNDES). Ele fez esforços para obter a economia da “todo meu” através da diversificação, graças à reafectação de agricultura, muito promissor, eo ressurgimento de indústrias que geram mais renda e divisas (café, cacau, palm óleo e castanha de caju).

 

“Está tudo bem para desenvolver esses canais, mas também devemos interessar aos jovens, nuances Madani Dia. Claro, vendendo lenços ao longo das ruas da capital, não sonha. Então, se lhes dermos oportunidades reais, elas retornarão ao campo. Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais? ”

Tantas questões que poderiam encontrar um eco positivo no ouvido do Presidente Alpha Condé, que sempre quis apostar na abertura, na descentralização e na transformação do potencial das áreas rurais.

“Esta é a prioridade do governo: investir pesadamente no campo”, confirma o ministro da Juventude, Moustapha Naité. Para criar oportunidades econômicas e dar esperança aos jovens, nossa ideia – e já estamos trabalhando no PNDES – é reproduzir os benefícios do ambiente urbano no campo. É por isso que nos concentramos no desenvolvimento de tecnologias, particularmente através dos muitos projetos que empreendemos para desenvolver fibras ópticas em áreas rurais. Também estamos melhorando o transporte. Quando eles sabem que podemos estar bem conectados ao campo e à cidade, em vez de tentar a sorte na Europa, nossos jovens irão para uma aventura em seu próprio país. ”

Na Guiné, a nova geração não pede mais nada. Mas ela não é mais seduzida por belas promessas.

Objetivos e coletivos

Além dos protestos pós-eleitorais, o descontentamento social se intensificou em fevereiro, especialmente na educação , onde a greve paralisou escolas públicas e privadas. A sociedade civil não é deixada de fora.

Diversos coletivos surgiram, como o Third Dynamic 2020, para promover a unidade nacional e encorajar o estado a investir na formação de jovens. Um objetivo semelhante para Wonkhai 2020 , “correr para 2020” em Soussou ,  que apela aos políticos para colocar os jovens no centro dos seus programas e guineenses para superar as divisões. Seu slogan: “unir ou perecer”.

http://www.jeuneafrique.com/mag/538702/politique/guinee-une-annee-sous-tension/

omada e aura internacional recuperada, o país mostrou nos últimos dois anos uma frente bastante serena. Mas desde janeiro, o descontentamento social está aumentando. Quanto ao clima político, depois do local e antes do legislativo, em setembro, é novamente agitado.

Na tela do computador, com suas curvas e diagramas dinâmicos, a Guiné parece ter recuperado sua forma. Crescimento de mais de 6% para dois anos, um déficit orçamentário controlado, inflação reduzida para 8%, contra 21% em 2010 … A maioria de seus indicadores é verde.

Depois de dois anos de crise de saúde, depois de dois outros marcados por uma situação internacional difícil, virada de cabeça para baixo pela queda nos preços das commodities, a economia guineense está melhor e, no papel, suas perspectivas parecem boas. Como prova, o novo programa de três anos foi concluído em dezembro com o Fundo Monetário Internacional.

Gradualmente, os investidores voltam. Vários hotéis de luxo foram construídos pelo mar. Andando em Kaloum, no centro de Conakry nas obras, sob os enormes guindastes que a raia o céu eo barulho incessante de betoneiras, a pessoa começa imaginar a capital do futuro .

Na costa, as torres gêmeas Weily Kakimbo e seus vinte e cinco andares que abrigarão em breve um shopping center, um hotel e escritórios certamente têm um lado “bling-bling”, mas também mostram que a capital aspira a mudar o século.

Um verdadeiro mal-estar

Algumas semanas atrás, enquanto ele ainda estava no comando da União Africana, o Presidente Alpha Condé teve que se alegrar com todos esses bons sinais. Mas dificilmente ele passou a mão para sua contraparte ruandesa no topo de Adis Abeba que ele encontra um país novamente dilacerado por seus velhos demônios. A violência pós-eleitoral consecutiva para 04 de fevereiro de som comum como um ultimato.

Depois de uma campanha que nem apaixonou nem mobilizou multidões – enquanto foram as primeiras eleições locais desde 2005 -, a condução da pesquisa e seus resultados parciais se transformaram em pretexto para externar um verdadeiro mal-estar e agitar alguns frustrações sociais.

Tenores da oposição, Cellou Dalein Diallo na liderança, denunciaram fraudes. Outros, como Faya Millimouno, levantaram a questão da relevância de tal votação este ano, considerando o custo de sua organização – cerca de 800 bilhões de francos guineenses (mais de 70 milhões de euros).

Cortes de energia, más condições das estradas, problemas de coleta de lixo e prisões de jornalistas chegaram ao auge. Sem mencionar os recorrentes rumores sobre um hipotético terceiro mandato presidencial de “idade” – 80 anos em 4 de março.

Uma grande parte da população, especialmente os jovens, não se beneficia dos frutos do crescimento

É uma geração inteira que é impaciente. “Boa parte da população, especialmente os jovens, não está aproveitando os benefícios do crescimento”, disse Abdourahmane Sanoh, presidente da United Citizens for Development Platform. Enquanto as desigualdades forem fortes, vivenciaremos crises cíclicas. Em resumo, para os mais críticos, esse crescimento positivo parcialmente impulsionado pelo setor de mineração beneficiaria principalmente, se não apenas, alguns investidores estrangeiros.

Enquanto aguarda um melhor diálogo entre o Estado e o setor privado, nomeadamente através do Fórum Empresarial da Guiné, criado no final de 2017, Madani Dia, o secretário executivo da plataforma de consulta do setor privado da Guiné, desenha também o alarme.

Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos

“Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos. Hoje, a taxa real de desemprego dos jovens é superior a 80%. Se continuarmos assim, temos direito ao desastre, ele insiste. O governo entendeu e está fazendo esforços, mas devemos ir mais rápido e mais longe, priorizando urgentemente os investimentos intensivos em mão-de-obra, por exemplo, para pavimentar as ruas das cidades, estradas de construção e asfalto, etc. Devemos dar um objetivo e uma renda a todos esses jovens, enquanto esperamos treiná-los e oferecer-lhes outras perspectivas. ”

A cidade no campo

No lado executivo, leva tempo. “Nós colocamos o país de volta aos trilhos”, disse o primeiro-ministro Mamady Youla. Mais de € 1 bilhão já foi investido na melhoria de estradas em Conakry, para atualizar a estrada nacional 1 (Coyah-Mamou Dabola), construir a linha de energia Linsan-Forni proceder à expansão do porto de Conakry … como muitos projetos tangíveis.

Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais?

O governo parece determinado a atender aos outros grandes desafios do Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 2016-2020 (PNDES). Ele fez esforços para obter a economia da “todo meu” através da diversificação, graças à reafectação de agricultura, muito promissor, eo ressurgimento de indústrias que geram mais renda e divisas (café, cacau, palm óleo e castanha de caju).

 

“Está tudo bem para desenvolver esses canais, mas também devemos interessar aos jovens, nuances Madani Dia. Claro, vendendo lenços ao longo das ruas da capital, não sonha. Então, se lhes dermos oportunidades reais, elas retornarão ao campo. Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais? ”

Tantas questões que poderiam encontrar um eco positivo no ouvido do Presidente Alpha Condé, que sempre quis apostar na abertura, na descentralização e na transformação do potencial das áreas rurais.

“Esta é a prioridade do governo: investir pesadamente no campo”, confirma o ministro da Juventude, Moustapha Naité. Para criar oportunidades econômicas e dar esperança aos jovens, nossa ideia – e já estamos trabalhando no PNDES – é reproduzir os benefícios do ambiente urbano no campo. É por isso que nos concentramos no desenvolvimento de tecnologias, particularmente através dos muitos projetos que empreendemos para desenvolver fibras ópticas em áreas rurais. Também estamos melhorando o transporte. Quando eles sabem que podemos estar bem conectados ao campo e à cidade, em vez de tentar a sorte na Europa, nossos jovens irão para uma aventura em seu próprio país. ”

Na Guiné, a nova geração não pede mais nada. Mas ela não é mais seduzida por belas promessas.

Objetivos e coletivos

Além dos protestos pós-eleitorais, o descontentamento social se intensificou em fevereiro, especialmente na educação , onde a greve paralisou escolas públicas e privadas. A sociedade civil não é deixada de fora.

Diversos coletivos surgiram, como o Third Dynamic 2020, para promover a unidade nacional e encorajar o estado a investir na formação de jovens. Um objetivo semelhante para Wonkhai 2020 , “correr para 2020” em Soussou ,  que apela aos políticos para colocar os jovens no centro dos seus programas e guineenses para superar as divisões. Seu slogan: “unir ou perecer”.

http://www.jeuneafrique.com/mag/538702/politique/guinee-une-annee-sous-tension/

Lideranças em Guiné reunem-se em busca da paz

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As tensões persistem na Guiné após as eleições comunais de 4 de fevereiro, que mataram pelo menos uma dúzia de pessoas em situação de violência política. Numa tentativa de resolver esta crise política, o Presidente guineense Alpha Condé e o seu principal opositor, Cellou Dalein Diallo, reuniram-se a convite do Chefe de Estado.

É um começo de calmaria ou a paz dos bravos, pode-se dizer. Alpha Condé e Diallo reuniu no palácio presidencial para encontrar a solução para as muitas diferenças entre eles por um ano e meio. A última vez que eles se viram foi em setembro de 2016.

 

Saindo desta reunião e restaurar a paz na cidade, as propostas foram feitas, como resumido Naby Youssouf Kiridi Bangoura, porta-voz do presidente: ”  No diálogo e consulta favor , para solicitar à comissão acompanhamento do acordo político para resolver a disputa eleitoral, fazer todos os esforços para identificar os autores de toda a violência, resultando em perda de vidas e danos materiais extensa causados, sejam eles quem forem  . ”

 

Na saída, Cellou Dalein Diallo, o líder da oposição, ficou bastante satisfeito com este encontro: ”  Sim, na medida em que tivemos uma discussão longa e franca. Pude expressar livremente minhas preocupações e defender as demandas da oposição como um todo. E eu acho que fui ouvido  “.

Consequentemente, o anúncio Cellou Diallo Dallein: ”  Por enquanto, estamos suspendendo os protestos até que vemos que ela está seguindo o comitê de acompanhamento irá reservar a pedido do Sr. Presidente  “.

Agora, todos os olhares estão no comitê de acompanhamento dos acordos políticos e de seu presidente, o ministro da Administração e Descentralização Bouréma Condé.

 

http://www.rfi.fr/afrique/20180403-guinee-cellou-dalein-diallo-rencontre-president-conde-suivi-accords

A paz entre Eritréia e Etiópia é possivel

abiy ahmed

Victor Carvalho

O Parlamento etíope confirmou já a nomeação do jovem e desconhecido Abiy Ahmed como novo primeiro-ministro, na esperança de que ele será capaz de colocar um ponto final nos protestos anti-governamentais que se têm multiplicado no segundo país mais populoso de África.

De origem oromo, novo chefe de Governo é visto como “reformador” que pode ajudar o país
Fotografia: DR

Após a eleição, Abiy foi imediatamente empossado no cargo sucedendo a Hailemariam Desalegn, que esteve em funções desde 2012 e que apresentou a demissão em meados de Fevereiro na sequência de protestos registados em todo o país e que já causaram várias centenas de mortos, sobretudo nas regiões de Oromia e Amhara.
No seu discurso de tomada de posse, o novo primeiro-ministro colocou como prioridade na sua acção a resolução dos problemas que a Etiópia tem com o seu vizinho, Eritreia.
Numa breve alocução, transmitida em directo pela televisão nacional, Abiy Ahmed apelou ao fim de “décadas de mal entendidos” com o seu vizinho.
“Apelo ao Governo da Eritreia para que se sente connosco à mesa para resolvermos as diferenças que nos separam” disse numa alusão aos conflitos fronteiriços entre os dois países, que duram há vários anos e que provocaram já cerca de 70 mil mortes.
Numa resposta imediata a este apelo, o ministro da Informação da vizinha Eritreia, Yemane Gebre Meskel, assegurou que “as relações entre os dois países não podem ser reatadas enquanto a Etiópia ocupar parte do nosso território”.
“Há muito tempo que a bola está do lado da Etiópia”, afirmou este responsável numa alusão a um conflito que dura há 16 anos e que tem a ver com a suposta ocupação de território eritreu por parte das forças etíopes.
“A paz, obviamente, é boa para os dois países, mas tem que ser cimentada no respeito pela lei internacional sublinhou Yemane Gebre Meskel.
O antigo primeiro-ministro, Hailemariam Desaglen, havia acusado a Eritreia de estar por detrás dos protestos anti-governamentais em todo o país como forma de obstar a uma governação inclusiva.mapas

Uma boa reputação

Abiy Ahmed, 42 anos, antigo tenente-coronel do Exército etíope e director-geral do Ministério da Ciência e Tecnologia local, tem a reputação de grande orador e de reformista. Trata-se do terceiro primeiro-ministro da Etiópia desde o fim da Junta Militar, em 1991. Em Fevereiro, a Etiópia declarou pela segunda vez o estado de emergência em dois anos no meio de protestos que levaram ao encerramento do comércio e de outras actividades comerciais e bancárias.
No último fim-de-semana, as autoridades governamentais etíopes indicaram que mais de mil pessoas foram detidas desde que o estado de emergência foi declarado.
Em 2015 e 2016, a Etiópia foi palco das maiores manifestações antigovernamentais dos últimos 25 anos. A repressão dos protestos fez 940 mortos, segundo a comissão etíope de direitos humanos, dependente do Governo.
A calma regressou ao país com a instauração do estado de emergência entre Outubro de 2016 e Agosto de 2017, embora os protestos se tenham repetido ocasionalmente o que levou ao seu prolongamento por mais um ano.
Os protestos têm por base o descontentamento das duas principais etnias do país, oromo (sul e oeste) e amhara (norte), que se consideram sub-representadas no partido que governa o país desde 1991, mas também na partilha de recursos e acesso a direitos e liberdades.
Esta sub-representação pode agora ser atenuada com a chegada ao poder de um “oromo” com reputação de reformista.

4 de Abril de 2002, o fim do pior período da história contemporânea de Angola

 

Luísa Rogério

A assinatura do Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka, a 4 de Abril de 2002, pôs fim ao pior período da História recente de Angola. A data passou a designar-se como o Dia da Paz.

Venâncio de Moura, Boutros Gali e Blondin Beye, durante o processo negocial de Lusaka
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Com o acto, o Governo angolano e a UNITA fecharam o nefasto ciclo de guerra, que deixou o pesado balanço de vários milhares de mortos. Profundamente dilacerado, o país contava, na altura, cinquenta mil crianças órfãs e cem mil mutilados. Informações disponibilizadas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas (ACNUR) indicam que mais de quatro milhões de angolanos tornaram-se deslocados no território nacional, enquanto 600 mil buscaram refúgio no estrangeiro.
Coube aos generais Armando da Cruz Neto, pelas Forças Armadas Angolanas (FAA), e Abreu Muengo “Kamorteiro”, pela UNITA, assinar o Memorando na presença de personalidades da sociedade civil, líderes religiosos e representantes do corpo diplomático. Milhões de angolanos no país e ao redor do mundo acompanharam a solenidade que alterou radicalmente as expectativas da população cansada de guerra. Do início das conversações, pouco depois da morte, em combate, de Jonas Savimbi, a 22 de Fevereiro, ao cessar-fogo, deu-se um curtíssimo passo. A formalização ocorreu a 4 de Abril, mas não houve o registo oficial de combates nesse espaço de tempo.
A vontade política das partes signatárias, que autorizam as chefias dos dois exércitos a conversar sem mediação estrangeira, ao longo de quinze dias, foi determinante para o desfecho positivo.
Luena, a capital do Moxico, albergou as negociações entre militares das FAA e FALA que subscreveram, a 30 de Março, o memorando complementar para a cessação das hostilidades e resolução das questões pendentes nos termos do Protocolo de Lusaka. O acto, realizado a 4 de Abril, no Palácio dos Congressos, encerrou também o período de 27 anos de acordos mal sucedidos entre o MPLA e a UNITA.
O primeiro pacto aconteceu no Algarve, a 15 de Janeiro de 1975, na sequência do reconhecimento, por Portugal, dos líderes dos três movimentos de libertação, MPLA, FNLA e UNITA, como únicos e legítimos representantes do povo angolano. Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi assinaram, pelos respectivos partidos, os chamados Acordos de Alvor, na presença de Vasco Martins e Costa Gomes, nesta ordem, Primeiro-Ministro e Presidente de Portugal. O consenso para a versão final dos documentos foi obtido ao fim de seis dias de discussões. Com 60 artigos, o entendimento estabeleceu os mecanismos de partilha do poder até à proclamação da independência de Angola, marcada para 11 de Novembro de 1975.
A eleição de uma assembleia constituinte, a seguir à retirada das tropas portuguesas de Angola, seria um dos pontos altos do processo, que cuminaria com a Independência Nacional. Alvor foi antecedido de inúmeros encontros secretos, iniciados três meses antes, tendo o texto final resultado de uma pré-cimeira, realizada em Mombaça, no Quénia. Os três movimentos definiram as formas de divisão de poderes, a estrutura do Governo de Transição, que funcionaria de modo rotativo, assim como a integridade do território e a data da independência.
Em determinada etapa da concretização dos Acordos de Alvor, o processo descarrilou. A história se encarregará de desmistificar as verdadeiras razões do revés. O facto é que o Acordo de Nakuru, rubricado a 21 de Junho de 1975, na localidade que lhe deu o nome, no Quénia, visou resgatar o espírito de Alvor.
As conversações resultaram na concordância, pelos três movimentos, de uma trégua que só vigorou até 9 de Julho. Os políticos voltaram a desentender-se. Dessa vez, sem margem para retorno à mesa de negociações.
Agostinho Neto proclamou a Independência de Angola na data prevista. Fê-lo sozinho, em nome do MPLA, sob o troar de canhões a escassos quilómetros de Luanda.
O conflito agravou-se, a ponto de ter sido considerado um dos mais violentos do mundo. A UNITA, à qual se atribuía um protagonismo menor na arena militar, montou o seu quartel-general na Jamba (Kuando Ku-bango). Armou-se e fez alianças decisivas.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/longo_caminho_ate_a_paz

UNAVEM: O longo caminho da paz em Angola

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Luísa Rogério

Em Dezembro de 1988, as Nações Unidas constituíram a primeira Missão de Verificação em Angola, denominada UNAVEM I. Tinha a finalidade de supervisionar a retirada das tropas cubanas de Angola, ao abrigo da resolução 435 da ONU, referente à descolonização da Namíbia.

Bicesse foi um dos palcos
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

O mandato vigorou até Maio de 1991, altura em que o Governo e a UNITA assinaram, em Portugal, os Acordos de Bicesse. Após longos meses de contactos directos, entre delegações de alto nível por si mandatadas, o Presidente da República e o líder da UNITA assinaram um acordo, pela segunda vez.

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Conduzidos sob mediação portuguesa, os Acordos de Bicesse criaram a célebre Comissão Conjunta Político Militar (CCPM) e fixaram, para Setembro de 1992, as primeiras eleições multipartidárias em Angola. As Nações Unidas, por intermédio da UNAVEM II, foram encarregues de conduzir e supervisionar o processo, incluindo a monitorização do cessar-fogo. A britânica Margareth Anstee foi nomeada representante do SecretárioGeral da ONU em Angola. Com garantia de condições de segurança, altos dirigentes da UNITA escalaram Luanda e outras cidades controladas pelo Governo, a partir de Junho de 1991. Em Setembro do mesmo ano, Jonas Savimbi desembarca na capital. bicese5
As eleições foram realizadas quando faltava completar a desmobilização militar e a formação do exército único se encontrava na fase embrionária. Foi nessa conjuntura que a UNITA perdeu as eleições, consideradas, genericamente, justas e regulares, pelas Nações Unidas e troika de observadores, integrada por Portugal, Rússia e Estados Unidos da América. O partido de Jonas Savimbi rejeitou o resultado das eleições e trocou Luanda pelo Huambo. Estava instalada a crise pós-eleitoral. Du-rante três dias, fortes refregas sacudiram Luanda. Morreram dirigentes históricos do partido do “Galo Negro”. Todas as tentativas de reaproximação fracassaram. O país voltou a ser abalado pela guerra.acordos-de-bicesse_jaimagens

4 de Abril a paz negociada de Angola

Edna Dala

Geraldo Abreu Muhengo Ukwachitembo “Kamorteiro”,  vice-chefe do Estado Maior General das FAA para a Logística e Infraestruturas  e um dos subscritores do Acordo de Paz de 2002, afirma que são raras as vezes que no continente berço se consegue alcançar uma paz real e negociada exclusivamente pelos africanos, mas os angolanos conseguiram

Dezasseis anos depois da assinatura dos acordos de paz, tudo corre como previsto, diz general
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

É um dos subscritores do acordo que, em definitivo,  acabou com a guerra. Como é que sentiu o peso da responsabilidade que teve naquele exacto momento?
Já tinha desempenhado inúmeras  funções quer nas ex-Forças Militares da UNITA,  que eram de responsabilidade de suma importância. Mas o 4 de Abril foi um dia inédito, pois estávamos diante de figuras mais conspícuas da Nação angolana e também da comunidade internacional. Foi um acto muito emotivo e de muito sentido.

Como é que foi escolhido entre os generais da UNITA para assinar o acordo? 
Desde o dia 30 de Março, aquando da assinatura do Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka, na cidade do Luena, o Governo e a direcção da UNITA tinham concordado que, a 4 de Abril, o chefe do Estado-Maior General das FAA e o então chefe do Estado Maior General das  FALA haveriam de rubricar o cessar-fogo definitivo, ou seja, o Acordo de Paz.

Como é que começaram as negociações no Moxico? Quem deu o primeiro sinal e o que começou logo a ser negociado? 

Depois da morte do Dr. Jonas Savimbi e do seu vice presidente, eng. António Sebastião Dembo, os membros do partido tinham decidido criar uma Comissão de Gestão chefiada por Lukamba Gato, que era o terceiro homem na hierarquia do partido, na época secretário-geral.
No dia 4 de Março, o chefe da Comissão de Gestão tinha comunicado aos militares e coordenadores de ação política sobre a existência deste órgão, referindo que dias antes houve contactos exploratórios entre a direcção da UNITA e o Governo. Ambos tinham entendido que havia essa possibilidade de uma aproximação e foi assim que a 15 de Março de 2002, o Governo e a UNITA mandataram as suas delegações, que se encontraram na margem esquerda do rio Luzi, a norte de Kassanga, no Moxico.
Neste primeiro encontro, por sinal muito importante, porque na época havia necessidade de se estancar as hostilidades, em definitivo, embora de forma exploratória, foi muito importante e as delegações foram chefiadas, da parte do Governo, por Geraldo Sachipengo Nunda, então chefe do Estado-Maior General adjunto das FAA, e outra parte chefiada por mim. Daí, os passos subsequentes deram-se no Luena, até que a 30 de Março assinou-se o Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka. Este foi o processo que nos levou ao 4 de Abril, porque as coisas tinham sido dirimidas.

Quem tinha dado o primeiro passo na época e o que começou por ser negociado?
A primeira coisa que foi negociada foi mesmo o cessar-fogo, pois era importante que não houvesse mais tiros  pelo país adentro. Quanto a quem se deve a iniciativa, houve uma coincidência total, pois depois da morte do Dr. Savimbi, o Governo entendeu que não convinha prosseguir com ações militares e a UNITA precisava reorganizar-se, não mais para o combate armado, mas para poder negociar, de forma mais assertiva, com o Governo e foi assim que a situação ou o processo começou. Até porque antes do dia 4 de Março, o general Nunda tinha visitado a base onde se encontrava parte da direcção da UNITA, inclusive o general Lukamba Gato e o Brigadeiro Marciel  Dachala, Isaías Chitombe, brigadeiro Diote, entre outros. Houve muito movimento exploratório para que se chegasse à conclusão de que era possível chegar a uma boa plataforma de entendimento.

Que avaliação faz dos acordos assinados? 

As transformações históricas nunca surgem de forma meteórica. 16 anos depois digo, de cabeça bem erguida, que Angola tem vindo a galgar em passos seguros e é um dos modelos em África. Raras  vezes em África se consegue alcançar uma paz real e negociada exclusivamente por africanos e angolanos conseguiram isso. Hoje temos um país cada vez mais unido e creio que pode haver uma dificuldade ali e acolá, mas,  no geral o país ganhou. Como militar idóneo, tendo em conta os meus 43 anos nas Forças Armadas, tenho a certeza que não haverá mais guerra entre os angolanos. Temos vindo a enfrentar outros desafios, olhando um pouco mais para o exterior a ver se alguém  provoca Angola. Porque, felizmente os países vizinhos são todos amigos, mas não devemos descurar que há sempre amizade aleatória e tudo que chama amizade faz-se por interesse e quando o interesse deixa de existir acabou a amizade.

Quais são os grandes desafios que hoje recaem sobre as FAA?
O mundo de hoje é bastante volátil e ambíguo e debate-se com problemas de terrorismo. No caso de Angola, em particular, há um fenómeno irritante que é a imigração ilegal, um problema que talvez algumas pessoas analisem de forma simplista, mas é uma questão muito séria porque desestabiliza. Quando os imigrantes ilegais vêm para aqui para usurparem os nossos bens, vêm com todo tipo de vícios, o que belisca sempre a economia do país.
Além da economia,  mexe com a política e a questão social e mexe com tudo, é um grande desafio. Reconheço os esforços da Polícia Nacional que tudo tem feito para pôr as coisas em ordem, mas a nossa fronteira é bastante extensa e vimos que quase todos os dias são repatriados 30 ou mais cidadãos ilegais da capital,  para não falar de outras províncias, que também são áreas potencialmente ricas em minérios, sobretudo diamantes.
É um fenómeno muito sério. Angola tem amizade com todos os países vizinhos mas não deve esquecer que tem de estar sempre alerta e cuidar dessas amizades para que um dia não nos decepcionem.

Passados 16 anos, acredita que o acordo está a ser cumprido tal como se pretendia? 
Sem dúvida, pois as FAA estão cada vez mais coesas e são hoje o barómetro da unidade nacional. Não têm faltado vozes sectaristas, mas no geral a  situação é salutar. Angola é um ente uno, indivisível o que deve ser o nosso lema.

Há ex-militares da UNITA que alegam ter ficado de fora do processo de desmobilização e sem subsídios. Como é que pensa que essa situação deve ser resolvida? 

A questão da desmobilização foi abordada desde o primeiro dia das conversações em 2002. Existem sim casos de ex-militares que não recebem os seus subsídios e este é um processo que não deve ser abordado de forma simplista.
A verdade é que muitos militares estiveram em países vizinhos e outros na fase de registo apresentaram-se com determinados nomes e quando trataram os bilhetes de identidade acrescentavam um nome, o que ocasionou diversos constrangimentos.
Na sua maioria, os que estão nesta situação receberam as suas cédulas em 2014 e deviam começar a receber os subsídios em 2015. Infelizmente foi no segundo semestre de 2014 que o país viu-se mergulhado na crise económica e financeira,  por causa da baixa do preço do “ouro negro” e,  daí para cá,  nunca mais se orçamentou esta questão referente aos ex-militares que ainda não tinham começado a receber os seus subsídios.
O problema existe mas se encontra parado, mas acredito que tão logo a economia conheça algumas melhorias o processo será retomado.

Depois de tantos anos sente que valeu a pena a assinatura deste grande acordo?
Foi a melhor coisa que o país fez, porque depois da independência ninguém conheceu a paz em Angola. Até o 11 de Novembro foi celebrado debaixo dos tiros. Na época já era militar e me encontrava numa povoação a 22 quilómetros da cidade do Luena, ao longo do caminho-de-ferro, onde fazíamos tiros ao ar a festejar a independência. Isto é festa? em Luanda celebrou-se no Primeiro de Maio. Poucos dias antes, as ex-FAPLA e o ex-ELNA (exército da FNLA) tinham se concentrado em Kifangondo, tinha havido confrontos em muitas partes de Angola e daí nunca mais conhecemos paz. Tentou-se em 1991, foi uma paz efémera que durou apenas um ano e poucos meses.
Para a paz efectiva, desta vez os angolanos reflectiram melhor. Em 1991 as coisas pareciam muito pacíficas,  mas,  profundamente,  as coisas não tinham um período  definido para que se realizassem eleições, muita coisa estava por se consolidar.

 Assiste-se a uma mudança pacífica no país

Que apelo faz para os seus companheiros das FAA?
Uma palavra de alento para os meus correligionários da FAA de Cabinda ao Cunene:   devem continuar a ser o espelho da unidade e da reconciliação nacional. Para todos os concidadãos, devemos consolidar, não a paz militar, mas sim a paz social, porque a paz militar já não faz sentido abordá-la hoje, pois a paz social é fundamental para o momento que vivemos.  Hoje a luta é de ideias, mas tem de ser uma luta civilizada, feita na diferença, pois sem diferença não haverá progresso. Sem o contraditório não há progressos e hoje as pessoas têm um pouco de receio de falar sobre a “lei da unidade dos contrários”. Mas nos tempos em que se abordava o materialismo dialéctico sem receio dizia-se que “o movimento é a vida e a vida é movimento”.

Que avaliação faz do momento que o país vive, com um novo Presidente da República e o grande desafio do combate à corrupção?
Angola tem vindo a marcar passos pela positiva, onde se assiste a uma transição pacífica, um fenómeno raro em África, pois são poucos os países que se contam aos dedos os que transitaram de forma pacífica. Foi bom ver na quinta feira (22 de Março),  o ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, no Conselho da República. Muitos podem não conseguir avaliar o peso da sua presença, mas foi muito importante e um gesto que galvaniza os corações dos angolanos, um gesto muito bonito.

O que diz sobre o combate à corrupção?
É bom que Angola deixe de figurar na lista de países corruptos e a luta que se começou é positiva porque Angola tem potencial para dispensar a corrupção, pois o país não precisa.
O que precisa é gerir bem os seus recursos e transformá-los em riqueza para que os cidadãos deixem de gritar e é possível. A corrupção é um fenómeno quase universal, cada país tem os seus corruptos, com níveis diferentes e Angola tem figurado em níveis alarmantes. O mais importante não é o nível de corrupção que atingimos mas sim sairmos desta lista de corruptos, porque Angola não tem razões para tal.
O país tem recursos, até dormentes, que ainda não foram mexidos. Ninguém está a explorar o ouro como tal, o ferro está aí a dormir a espera de quem o vá explorar. Kassinga não é a única área com ferro, temos aí o norte do país, o Bié nas áreas do Andulo há muita coisa para se explorar.
Todos devem colaborar para que a corrupção seja combatida. É um fenómeno que dá vergonha. Se não tivermos cuidado podemos até ser corrompidos por aqueles que vêm de fora, porque em muitos casos muitos foram corrompidos por forças externas e a dado momento adaptaram-se ao sistema e começaram a galgar assim. Mas não é um fenómeno hodierno, mas antigo desde os tempos coloniais, que agora atingiu proporções alarmantes. Todos temos de lutar e apoiar o Governo a lutar contra a corrupção.

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/angola_e_modelo_na_transicao_politica_em_africa

História de 4 abril é o fim de um longo período de guera em Angola

dia 4 de abril

Diogo Paixão

Quando a História  recente de Angola começar a ser escrita, Luena ocupará, certamente, um lugar central nas suas páginas, por ser o local onde se enterrou, em definitivo, o machado da guerra, depois de quase quatro décadas de matanças e destruição, num país com  potencial económico invejável. Afinal, a história faz-se com vários retalhos.

Muitas pessoas nasceram e morreram sem conhecer um momento de paz, fruto de desentendimentos políticos entre os movimentos  de  libertação e da resistência anti-colonial. Até parecia que a guerra era a nossa sina, mas Luena veio devolver a esperança, a vontade de viver e as condições objectivas para os angolanos poderem sonhar com um país melhor.

paz
Nunca os filhos desta terra compreenderam tão bem o significado da paz e estabilidade como agora. E têm razões para isso, porque todas as tentativas de pacificação feitas até então não resultaram. Antes do Luena, houve Gbadolite, Bicesse, Abidjan e Lusaka. Mas as desconfianças eram tão profundas, que inviabilizaram o diálogo.
De todos os processos de paz, o Protocolo de Lusaka foi o que mais tempo levou a ser negociado. Uma maratona de quase um ano, que tinha como base a desmobilização das tropas governamentais e da UNITA. Depois de uma paz efémera, a guerra voltou a eclodir e, desta vez,  com maior intensidade, destruindo várias infra-estruturas. O saldo foi pesado.
Fiz parte do grupo de jornalistas que  acompanhou este processo, na capital zambiana, e havia indicadores para o  cepticismo, em relação a um eventual su-cesso do acordo. A ausência de Jonas Savimbi da cerimónia de assinatura, quando poucas horas antes tinha confirmado a sua presença, foi reveladora.
O tratado foi rubricado no dia 20 de Novembro de 1994, pelo então ministro das Relações Exteriores, Venâncio de Moura, e pelo  antigo secretário-geral da UNITA, Eugénio  Manuvakola, na presença do ex-Presidente  da República, José Eduardo dos Santos, e do mediador do processo, o maliano Alioune Blondin Beye.

paz
Eugénio Manuvakola, na qualidade de chefe da delegação da UNITA às conversações, pagou caro a “ousadia” de rubricar o acordo, apesar de ter sido o próprio líder do partido a indigitá-lo. Conta que chegou a ser preso, tendo fugido, posteriormente, para Luanda, onde viria a criar a extinta UNITA-Renovada. A indefinição da UNITA nas negociações era indisfarçável. Sempre que o processo entrasse num impasse, as delegações iam consultar as suas respectivas chefias e, quando regressavam a Lusaka, o então movimento rebelde assumia novas posições.  Parafraseando Lénine, dava-se “um passo à frente e dois passos à rectaguarda”, situação que arrastou o processo por vários meses.

Experiência agradável

Lusaka foi para mim uma experiência agradável, mas também muito difícil. Diria mesmo que foi uma faculdade sem cadeiras, pois não foi fácil fazer a cobertura de um processo que definia o futuro do país, sem um porta-voz e com um “black-out” rigoroso. O risco de falhar era enorme. Era  como andar no escuro.
Os profissionais da im-prensa não tinham acesso à sala, nem podiam aproximar-se do Centro de Conferências de Mulunguxi, local onde decorriam as conversações. Mas se o jornalista leva uma “vida de cão”, pela especificidade do seu trabalho, também ele tem  o faro desse animal. Apesar das dificuldades, conseguíamos sempre obter os dados essenciais para a elaboração da matéria, quer  através de fontes da UNITA, quer do Go-verno ou da própria mediação. E isso irritava maitre Beye, que fez do “black-out” a sua maior arma.
O facto de os jornalistas terem ficado hospedados no mesmo hotel que a delegação do Governo nem por isso constituía alguma vantagem, na obtenção da informação. Às vezes era mais fácil obter algum dado através da delegação da UNITA do que da equipa governamental.
Lusaka permitiu-me também fazer muitas amizades e cimentar outras. Permitiu-me ainda conhecer um pouco mais os hábitos e costumes dos zambianos, além de outras localidades do país. Sempre que as delegações regressassem a Angola, para consultar as respectivas chefias (e geralmente isso acontecia aos fins de semana), era uma oportunidade para espairecer.
O encontro das chefias militares, realizado na pequena localidade da Tchipipa, província do Huambo, teve o condão de colocar, pela primeira vez,  frente a frente,  as altas patentes dos dois lados, para a aplicação dos aspectos técnicos, como o aquartelamento das tropas.
Antes do início do acordo, que decorreu numa pequena capela, o clima era pesado. Com armas em riste e numa autêntica demonstração de força, comandos militares dos dois lados, escolhidos para proteger as referidas delegações,  estavam cara a cara, separados apenas por vinte metros. Cada grupo tinha vinte homens. O general Ben Guriba (já falecido), então chefe da missão militar da ONU, não gostou e mandou recuar a tropa para lá de duzentos metros. “Viemos discutir a paz e não a guerra”, teria dito o general nigeriano.
O Protocolo de Lusaka visava corrigir as falhas de Bicesse, que teve como principal negociador Durão Barroso. Em 1994, enquanto decorriam as conversações de Lusaka, o português chegou a admitir, numa entrevista ao semanário Expresso, que “tanto o Governo como a UNITA não estavam preparados para perder as eleições de 1992”. Sublinhou, entretanto, que teve maiores dificuldades em negociar com Jonas Savimbi.
Margareth Anstee, que foi a primeira mulher a exercer o cargo de representante especial das Nações Unidas e que declarou como “justas e livres” as primeiras eleições em Angola, deixou o país com uma certa amargura, por não ter conseguido a paz  definitiva. Em Abidjan, teve uma das suas maiores decepções, quando a UNITA recusou-se a assinar o documento e os anexos do acordo, apresentando uma exigência que se prendia com a segurança das tropas a serem retiradas das zonas que estavam ocupadas. Na altura, a UNITA tinha ocupado 75 por cento do território nacional e estava convencida da vitória militar.
Na sua obra “Órfã da Guer-ra Fria”, dedicada a Angola, Anstee narra vários episódios que marcaram o seu mandato.

Valores da unidade

O 4 de Abril significou o fim de um longo período de guerra e o início da reabilitação e construção das infra-estruturas económicas e sociais. Foram erguidas novas escolas, estradas,  unidades hospitalares,  pontes e  centrais hidroeléctricas.
Ao contrário do que acontecia no passado, hoje os camiões que garantem o abastecimento no interior do país circulam sem escoltas militares. É certo que há ainda um longo caminho a percorrer, mas muito foi feito.
Ao celebrarem  o Dia da Paz, os angolanos acreditam que os valores da unidade e da reconciliação  se fortalecem cada vez mais.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/e_assim_se_construiu_a_paz