China vai explorar bloco petrolífero entre o Senegal e a Guiné-Bissau

 

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Já presente no Uganda, Gana, Nigéria e Guiné-Bissau, o maior grupo de produção e exploração petrolífera chinês, CNOOC (China National Offshore Oil Corporation), é o novo operador de um bloco petrolífero entre o Senegal e a Guiné-Bissau, uma concessão que está a gerar uma certa polémica devido a um contexto de incerteza jurídica relativa às concessões nesta zona.

A chegada da CNOOC surge após a descoberta de campos petrolíferos e de gás num espaço marítimo entre as zonas fronteiriças do Senegal e Guiné-Bissau.

A CNOOC adquiriu o estatuto de operador tornando-se acionário da AGC Profond composta pela CNOOC UK Limited (65%), Impact Oil & Gas (20%) e a empresa AGC, controlada pelos governos da Guiné-Bissau e Senegal, (15%).

A licença da AGC Profond cobre uma superfície de 6.700 km2 na zona marítima comum estabelecida entre a Guiné-Bissau e Senegal em 1993.

http://e-global.pt/noticias/lusofonia/guine-bissau/china-vai-explorar-bloco-petrolifero-entre-o-senegal-e-a-guine-bissau/

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Angola desafia parceiros a pensar diferente: investir melhor e não investir menos

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A restruturação da Sonangol é incontornável para os desafios da produção nos próximos dez e 15 anos, afirmou quarta-feira, a presidente do Conselho de Administração da companhia, em Houston, Estados Unidos.

Isabel do Santos, que falava em jeito de balanço da semana do CERAWeek 2017, que decorreu de 6 a 10 de Março, disse que os desafios exigem à Sonangol ter parcerias com empresas como a Exxom Mobil, Chevron (americanas) e com europeias, como a ENI da Itália e a Total de França, que pretendem continuar a operar no mercado angolano.
A gestora afirmou que a Sonangol está engajada em realizar investimentos conjuntos e rentáveis com ambas a partes. “Estamos a desafiar os nossos parceiros a pensar um pouco diferente, começar num modelo econômico que pode gerar receitas, pensar como investir melhor e não investir menos”, referiu a presidente do conselho de administração, para quem “investir melhor é saber onde e como melhor aplicar o capital das empresas, para ter maior rentabilidade dentro do mercado do petróleo e do gás e saber como obter maior retorno dos investimentos.”

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As grandes mudanças na reestruturação da Sonangol incidem sobre a cultura e visão de que não se pode  ajudar uma empresa que não faça parte da companhia. A conquista deste processo de reestruturação deve-se à criação de um grupo de colaboradores coesos, à mudança e aposta na visão e valores diferentes.
Isabel dos Santos garante que o processo de reestruturação já tem resultados nas contas da companhia. “Houve poupanças significativas em 2016 e as receitas subiram em 60 por cento em relação ao ano de 2015. As mudanças já se sentem em termos de garantias de eficácia nas contas da Sonangol”, disse.

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A presidente da concessionária nacional de petróleo informou também  que a companhia detém poços em águas profundas que devem ser explorados com outras companhias.
Durante a semana da CERAWeek, a delegação angolana teve encontros com líderes da Comissão Executiva da Chevron, da Exxon Mobil e da Total, para estreitar os laços da cooperação e a busca de melhores oportunidades de investimentos. Angola é, neste momento, o maior produtor de petróleo em África, com uma produção de 1.65 mil barris por dia. Para Isabel dos Santos, a subida do preço do petróleo traz boas perspectivas, num altura em que a situação continua difícil depois de a Sonangol ter sido afectada com a queda do preço do petróleo “que foi muito prolongada, teve um impacto muito negativo e reduziu a capacidade de investimentos.” No ano passado, disse, a companhia teve dificuldade de honrar os compromissos, “mas, no final, foi possível honrar todos os compromissos de investimentos.”
Para este e os próximos anos, a empresa angolana de petróleo vai procurar ser mais cautelosa, ver onde vai investir e gastar os seus recursos.  O preço do petróleo melhorou, mas Isabel dos Santos espera que se mantenha por mais tempo, dois a três anos, a este nível ou ainda mais elevado para compensar os três anos passados de difícil situação.
Isabel dos Santos vê a subida do preço do crude ameaçada pelas empresas norte-americanas que apostam no desenvolvimento dos campos de Frakim (fartura de petróleo de xistos), enquanto as maiores companhias pretendem manter as quotas de produção, baixar a oferta e fazer com que o preço de barril se mantenha a nível dos 55 dólares. A gestora  assegurou que a Sonangol, na sua política de responsabilidade social, contivai continuar  a dispor de uma carteira de investimentos que contempla escolas, orfanatos e hospitais.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/reformas_na_sonangol_sao_irreversiveis

Preço do petróleo tem boa evolução

 

por Madalena José | Houston
8 de Março, 2017

Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

O actual preço do barril do petróleo (55 dólares norte-americanos) satisfaz as expectativas da Sonangol, por representar uma evolução positiva (80 por cento) do mercado petrolífero, se comparado aos níveis do ano passado quando esteve abaixo dos 30 dólares.

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A afirmação é da presidente do Conselho de Administração da companhia angolana, que se encontra desde segunda-feira em Houston, nos Estados Unidos da América, à frente de uma comitiva que participa no 36.º encontro denominado CERAWeek 2017, um evento que congrega importantes personalidades da indústria petrolífera de todo o Mundo.
Isabel dos Santos disse que, apesar de o preço ser razoável para Angola, alguns campos de produção precisam de ser melhorados, ao mesmo tempo que os custos operacionais devem ser diminuídos.

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“O preço a 55 já apresenta resultados positivos para a Sonangol, para os seus parceiros e sobretudo para o Estado angolano”, afirmou Isabel dos Santos.
No OGE 2017, documento que inscreve as receitas e despesas públicas, o Governo prevê um preço estimado de 46 dólares por barril.
As receitas fiscais geradas pela petrolífera nacional cresceram mais de 70 por cento entre Dezembro e Janeiro, ultrapassando os 109,3 mil milhões de kwanzas.
Este crescimento deve-se ao aumento da cotação média do barril de crude que resultou do acordo entre os países produtores para reduzir a produção de petróleo bruto.
Em Janeiro, Angola exportou 52.250.079 barris de petróleo a um preço médio acima de 50 dólares, um aumento superior a 3,3 milhões de barris face ao mês de Dezembro do ano passado, altura em que cada barril do crude foi vendido, em média, a 44,2 dólares.
As vendas de Janeiro traduziram-se, segundo dados do Ministério das Finanças, num encaixe de 158,9 mil milhões de kwanzas (909 milhões de euros), dos quais 109,3 mil milhões de kwanzas (625 milhões de euros) garantidos pela Sonangol.
Em Dezembro de 2016, as receitas fiscais da companhia petrolífera em processo de reestruturação ascenderam a 63.593 milhões de kwanzas (365 milhões de euros), o que se traduz num aumento de 71 por cento em apenas um mês.

Encontros de trabalho

Isabel dos Santos esteve reunida em privado, na segunda-feira, com o presidente da Exxon Mobil e da Chevron, Darren Woods e Clay Neff, respectivamente. A saída do encontro com o presidente da ExxonMobil, Isabel dos Santos disse que os dois gestores analisaram vários aspectos de negócios que se prendem com a redução dos custos de produção, dado que a multinacional norte-americana é uma das maiores operadoras em Angola. Isabel dos Santos e Darren Woods analisaram também novas oportunidades de investimento conjuntos.
Em relação ao encontro da CERAWeek 2017, Isabel dos Santos disse ser uma reunião importante da indústria petrolífera onde os presidentes das companhias discutem a visão futuro da indústria petrolífera, dos preços e das operações tecnológicas.
“Pois, trtata-se deuma plataforma para se guiarem os novos negócios e atrair novos investidores”, disse a presidente do Conselho de Administração da Sonangol. A gestora considerou fundamental a presença da concessionária nacional no evento, por tratar de questões estratégicas para o sector.
Ontem, Isabel dos Santos foi um dos principais oradores no encontro e partilhou a visão do Governo angolano e da Sonangol, bem como o processo de transformação da empresa enquanto pilar da economia nacional.
Isabel dos Santos falou da reestruturação e da visão de médio e longo prazo (2020/2030) da companhia nacional.
A presidente do Conselho da Administração respondeu a várias perguntas de participantes, sobretudo sobre a visão da companhia e o actual ambiente de negócios no país. Uma das metas do programa de reestruturação da companhia petrolífera nacional é a redução do preço de produção do barril de 14 dólares para um valor que oscile entre os oito e os 10 dólares.

Mercado atractivo

O director-geral da ExxonMobil Angola, Staade Gjervik, afirmou que a companhia vai continuar a operar em Angola, um país que, na sua óptica, tem um enorme potencial em termos de exploração petrolífera. “Vamos continuar a explorar e investir em Angola agora e no futuro”, reiterou.
Staade Gjervik disse que a indústria petrolífera tem futuro em termos globais e Angola não foge à regra, considerando passageira a actual crise económica. “Os operadores estão conscientes do novo ambiente e adaptaram-se a ele”, disse. A reunião da CERAWeek 2017, que decorre em Houston, constitui uma oportunidade no contexto da colaboração dos operadores, na medida em que permite avançar com vários projectos conjuntos.
“É importante partilharmos a experiência com outros operadores da indústria petrolífera”, disse Clay Neff, presidente da Chevron para a África e a América Latina, cuja companhia opera há mais de 60 anos em Angola, onde pretende continuar por longos anos. A Chevron é operadora nos blocos 14 e Zero e um dos parceiros maioritários do projecto Angola LNG. “Temos planos para continuar a investir em Angola e de procurar novas oportunidades para investir o nosso capital”, referiu o gestor da petrolífera norte-americana.
“A Chevron é uma das maiores operadoras em Angola e tem o maior número de funcionários nacionais e um portfólio em outras áreas fora da indústria petrolífera”, afirmou o gestor da companhia que garante permanecer muitos anos no mercado angolano.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa.html

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/mercados/preco_do_petroleo_tem_boa_evolucao

A emergência de uma nova África

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A agricultura, a segurança alimentar e a energética são os pilares da integração africana no século XXI. Essas três áreas permitirão que a integração do continente se torne uma realidade tangível. Tal ambição goza de um consenso crescente entre os países africanos.angola-petroleo
Ela é efetivada por um setor privado africano empreendedor, juntamente com um sistema bancário continental cada vez mais eficiente e com multinacionais que apostam mais do que nunca na África. A parceria Marrocos-Etiópia, que envolve a produção de fertilizantes, com investimento total de US$ 2,5 bilhões, permitirá à Etiópia alcançar sua autossuficiência em fertilizantes agrícolas em 2025. O gasoduto Marrocos-Nigéria, com cinco mil quilômetros, transformará a paisagem energética da Costa Oeste da África.
As joint-ventures na área de telecomunicações ou de bancos, os projetos em infraestrutura e em habitação social… São todos levados por uma nova geração de managers africanos. Esses projetos estão moldando a África do século XXI. Uma África definitivamente emancipada dos espólios da Guerra Fria, das manipulações ideológicas, das guerras civis e da gangrena do separatismo.
Liberta destas desvantagens, a África de hoje toma confiança, seguindo o caminho da decolagem econômica, com a ambição de ter um posicionamento mais competitivo na globalização. Ademais, esta dinâmica é apoiada por uma nova elite política africana, que prioriza a eficiência nas políticas públicas e o pragmatismo nas relações interafricanas. O regresso do Marrocos à União Africana, celebrado semana passada, em Adis Abeba, constitui, sem dúvida, um grande marco para uma África mais homogênea e mais unida.

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Sua Majestade, o Rei Mohammed VI, sempre colocou a África na essência da projeção diplomática do país, através parcerias globais com vários países africanos. Parcerias que articulam, ao mesmo tempo, projetos econômicos, paz e seguridade, desenvolvimento humano, política de gênero, cooperação educacional e acadêmica, bem como a promoção de um Islã aberto e tolerante. Ao voltar a assumir o seu papel histórico dentro da família institucional africana, o Marrocos dará um impulso ainda mais ambicioso à sua política para o continente.

A iniciativa que o país tinha tomado com a organização de uma cúpula dedicada especificamente à África à margem da COP-22, realizada em Marrakesh, em novembro passado, reflete o compromisso claro que o Marrocos tem em relação às questões do desenvolvimento sustentável do continente africano.
Vista do Brasil, essa dinâmica na África criará um movimento ainda mais promissor, na costa atlântica da África. O espaço geopolítico que compartilha com o Brasil, além da história e da geografia, um potencial forte de cooperação e de ações conjuntas. Os países africanos estão entusiasmados para lançar com o Brasil uma parceria Sul-Sul inovadora, que envolva uma maior integração industrial e comercial na agricultura e na pesca, que aumente a conectividade logística entre os dois lados do Atlântico e que acrescente a integração de redes de investigação científica e inovação digital.
Há consenso de que a África é o continente que mais crescerá no século XXI. Cabe-nos, africanos e brasileiros, tornar o Atlântico Sul um espaço seguro, próspero e aberto. Nabil Adghoghi é embaixador do Marrocos no Brasil

Fonte: http://oglobo.globo.com/opiniao/a-emergencia-de-uma-nova-africa-20884182

Brasil volta a ter superávit no comércio com a África

 

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Brasília –  Em 2016, o Brasil registrou um superávit de US$ 3,231 bilhões no intercâmbio comercial com os países africanos, interrompendo um ciclo de seis anos de deficits expressivos nas trocas com o continente. O saldo foi o resultado de exportações no total de US$ 7,832 bilhões e importações no montante de US$ 4,601 bilhões.

O superávit foi alcançado graças a uma fortíssima redução (-47,5%) nas importações de produtos africanos, num ano em que as vendas brasileiras para os países africanos também se reduziram, mas em um rítmo bem menos acelerado, de 4,51%, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Entre  2010 e 2016, o fluxo de comércio Brasil-África gerou para os africanos um saldo de US$ 21,580 bilhões, devido principalmente às importações de petróleo junto à Nigéria. Com a queda desses embarques e à contração dos preços internacionais da commodity, as receitas obtidas pelos países africanos decresceram de forma acelerada. Assim, o saldo que atingiu o ápice em 2014 ao somar US$ 7,359 bilhões caiu para US$ 562 milhões em 2015 e transformou-se em superávit brasileiro no ano passado.

Em 2016, a África foi o destino final de 4,5% de todo o volume exportado pelo Brasil enquanto os países do continente tiveram uma participação de 3,34% nas importações globais brasileiras.

No período, a pauta exportadora brasileira foi liderada pelos produtos manufaturados, com uma participação de  40,9% e um total de US$ 32 bilhões, com uma queda de 2,7% comparativamente com o ano anterior. Os produtos básicos geraram uma receita de US$ 2,27 bilhões, inferior em 24,5% ao volume embarcado em 2015 e participação de 28,9% nas exportações. Por outro lado, os bens semimanufaturados responderam por 29,9% do volume  embarcado e com uma alta de 24,3% totalizaram US$  2,35 bilhões.

As commodities agrícolas lideraram a pauta exportadora brasileira para os países africanos, com destaque para o açúcar de cana, com uma fatia de 26% das exportações e receita no total de US$ 2,02 bilhões (alta de 35% comparativamente com 2015). A seguir vieram açúcar de cana refinado (US$ 966 milhões e participação de 12% nas exportações), carne bovina (US$ 638 milhões, correspondentes a 8,2% do volume exportado) e carne de frango (embarques no montante de US$ 464 milhões e participação de 5,9%).

Do lado africano, mesmo em forte queda, o petróleo foi o principal item exportado para o Brasil, respondendo por 36% do volume total e gerando uma receita no valor de US$ 1,66 bilhão. Outros destaques da pauta foram as naftas (US$ 1,11 bilhão e fatia de 24% nas exportações), adubos fertilizantes (US$ 369 mihões e participação de 8,0%) e gás natural (receita no total de US$ 300 milhões e participação de 6,5%).

Direitos humanos em crise em Angola e Moçambique

A crise e a repressão governamental afetaram os direitos humanos em Angola em 2016, conclui a Human Rights Watch no seu relatório internacional anual. Em Moçambique, as violações aumentaram devido ao conflito militar.

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Os direitos humanos em Angola foram afetados em 2016 pela “contínua repressão governamental” e pela “pior crise económica” vivida desde o fim da guerra civil, lê-se no relatório da Human Rights Watch  (HRW) lançado esta quinta-feira (12.01) e relativo a 2016.

Segundo a organização, a crise provocada pela quebra da cotação internacional de petróleo pôs fim a uma década de forte crescimento do país, o segundo maior produtor de crude de África, expondo “problemas não resolvidos” provocados por “anos de corrupção, má gestão de fundos públicos e controlo político das instituições”.

Como exemplo, a HRW refere que o apelo à aceleração da diversificação da economia angolana, baseada no petróleo mas com forte potencial na agricultura, está a levar a “aquisições massivas de terrenos pelo Governo e investidores privados”. Por vezes com “despejos à força e outras violações, incluindo na capital”, é referido no documento.

defaultCrise económica afetou a saúde em Angola

A crise afetou igualmente o setor público da saúde e acesso a cuidados médicos, com quase 3.000 mortos devido à malária apenas no primeiro trimestre do ano. As mortes por malária afetaram sobretudo crianças, recordando que Angola continua a ter uma das mais altas taxas de mortalidade infantil do mundo, em que “uma em cada cinco crianças não sobrevive até aos cinco anos”.

Nesta análise ao ano passado, a organização refere igualmente que as forças de segurança continuaram a “reprimir os ativistas pró-democracia”, travando protestos pacíficos cuja realização está prevista na Constituição angolana. “O Governo constantemente bloqueia protestos antigovernamentais pacíficos com intimidação e detenções e, quando os protestos pacíficos acontecem, frequentemente enfrentam força excessiva e detenções arbitrárias”, lê-se no relatório da HRW.

É também recordado o caso dos 17 ativistas detidos em 2015, em Luanda, que acabaram condenados em março do ano passado por crimes de associação de malfeitores e rebelião a penas de prisão efetiva de até oito anos e meio. O grupo foi libertado em junho, quando já tinha cumprido cerca de três meses de pena, após recurso da defesa e beneficiou já em setembro de uma amnistia aprovada no Parlamento para todos os crimes com penas até 12 anos, exceto os de sangue.

Abusos em Moçambique

No caso de Moçambique, a HRW alerta que “as violações de direitos humanos aumentaram em Moçambique em 2016, devido a uma tensão crescente e confrontos armados entre o Governo e o antigo movimento rebelde, atual partido político, Resistência Nacional Moçambicana [RENAMO]”.

Segundo a organização, as forças de segurança do Governo “foram credivelmente implicadas em abusos nas operações contra a RENAMO”, incluindo execuções sumárias e violência sexual, que levaram milhares de pessoas a abandonar o país.

Refugiados moçambicanos no Malaui disseram que soldados de uniforme, alguns conduzindo veículos do exército, executaram sumariamente habitantes masculinos na província de Tete em fevereiro de 2016, ou amarraram-nos e levaram-nos para locais desconhecidos”, segundo testemunhos citados pela HRW, que apontaram também incêndios de casas, celeiros e campos de milho de residentes na região, acusados de alimentar os guerrilheiros da RENAMO.

defaultRefugiados moçambicanos em Kapise, no Malawi

A organização cita um relatório da Liga dos Direitos Humanos de Moçambique, que em abril também denunciou execuções sumárias por parte das forças do Governo, mas igualmente abusos cometidos por combatentes da RENAMO contra pessoas que achavam que estavam a cooperar com a outra parte.

A HRW alerta para os “assassínios não resolvidos” de pelo menos 15 pessoas não identificadas que diz terem sido encontradas debaixo de uma ponte por residentes numa zona remota das províncias de Sofala e Manica, apesar de a descoberta ter sido realizada por um grupo de jornalistas e depois terem sido confirmados mais corpos ao abandono na mesma região.

Repressão na Guiné Equatorial

Corrupção, pobreza e repressão persistem na Guiné Equatorial, onde Teodoro Obiang Nguemaé o mais antigo Presidente do mundo, segundo um relatório da HRW, que alerta que faltam serviços básicos, apesar da enorme riqueza do país.

“Grandes receitas do petróleo proporcionam estilos de vida luxuosos a uma elite à volta do Presidente, enquanto a grande maioria da população continua na pobreza. Má gestão de fundos públicos, alegações credíveis de elevada corrupção e outros abusos sérios, incluindo tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, repressão de grupos da sociedade civil e de políticos da oposição e julgamentos injustos persistem”, comenta, no relatório, a HRW.

defaultTeodoro Obiang está no poder desde 1979

A Guiné Equatorial, um dos cinco maiores produtores de petróleo da África subsaariana, tem, “de longe”, o maior intervalo entre a riqueza ‘per capita’ (o PIB per capita era de 21.056 dólares em 2014) e o índice de desenvolvimento humano (138.º lugar em 188 países), revela o relatório mundial da organização de defesa dos direitos humanos, relativo a 2016.

“Apesar da riqueza do país, dada a abundância do recurso natural, a Guiné Equatorial foi incapaz de garantir serviços básicos cruciais”, aponta o documento, revelando que metade da população (cerca de um milhão de habitantes) não tinha acesso a água potável e um quarto das crianças tinham má nutrição e nunca tinham sido vacinadas, em 2011. No ano passado, 42% das crianças não frequentavam a escola e apenas metade dos menores que iniciam a escola primária terminam este ciclo, acrescenta.

Quanto à liberdade de expressão, o relatório revela que os poucos órgãos de comunicação privados que existem na Guiné Equatorial estão ligados ao círculo de Obiang.  “A liberdade de associação e reunião é severamente restringida” e os “poucos ativistas locais enfrentam frequentemente intimidação, perseguição e represálias”, diz ainda.

Nigéria retoma posição de principal produtor de petróleo em África

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Angola foi ultrapassada pela Nigéria como o principal produtor de petróleo em África em Novembro de 2016, de acordo com os dados incluídos no mais recente relatório mensal do mercado petrolífero da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Angola, que durante sete meses consecutivos manteve a primeira posição, obteve uma produção de 1,688 milhões de barris em Novembro, número que representa um aumento mensal de 181 mil barris, inferior ao valor comunicado pela Nigéria de 1,782 milhões de barris, que deriva de um aumento mensal de 391,9 mil barris por dia.
Estes valores são anteriores aos recentemente anunciados pelos países membros da OPEP, depois do acordo alcançado no seio do cartel para reduzir a produção a fim de fazer aumentar o preço do barril, tendo Angola já anunciado que ia reduzir a produção em 78 mil barris por dia.
O relatório da OPEP inclui outra tabela de produção de petróleo baseada em fontes secundárias, sendo que nesta tanto Angola como a a Nigéria apresentam a mesma produção – 1,692 milhões de barris por dia – embora com aumentos mensais de 124,8 mil barris por dia de Angola e de 62,7 mil barris por dia da Nigéria.
A Nigéria perdeu a primeira posição na lista dos maiores produtores de África em favor de Angola no princípio do ano transacto, na sequência de ataques terroristas contra instalações petrolíferas na região do Delta do Níger.
A partir do primeiro dia do ano, a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) ajustou a produção diária do petróleo do país a um milhão e 673 mil barris, o que corresponde à meta atribuída pela OPEP ao país.
A medida resulta do acordo entre os países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) de 30 de Novembro do ano passado, em reduzir a produção de petróleo bruto de 33.7 milhões para 32.5 milhões de barris por dia.
A redução estabelecida pela OPEP visa elevar o preço do barril de petróleo bruto no mercado internacional. O corte de produção diária para Angola é de 78 mil barris em relação ao valor de referência considerado pela OPEP de um milhão e 751 mil barris dia.
A Sonangol instruiu formalmente os diferentes operadores em Angola sobre os limites de produção mensais por concessão, baseado no potencial de produção actual de cada uma delas e a programação de intervenções nas mesmas, acrescenta a nota. A produção da OPEP caiu 310 mil barris por dia (bpd) em Dezembro influenciada, sobretudo, pelas interrupções na produção petrolífera na Nigéria. Com uma queda de 200 mil barris – para os 1,45 milhões de barris por dia em Dezembro -, a produção petrolífera da Nigéria perdeu três meses de ganhos no último mês de 2016,  quando teve dificuldades para repor a capacidade de produção afectada por ataques militares a infra-estruturas de produção um ano antes. A produção da Arábia Saudita caiu cerca de 50 mil bpd, enquanto a da Venezuela caiu 40 mil.
“A produção do crude na Nigéria, em Dezembro, teve um impacto significativo uma vez mais, em grande parte devido à manutenção de um campo de produção, bem como de uma greve dos trabalhadores portuários”, disse a agência de notícias económicas Bloomberg Amrita Sen, analista da consultora Energy Aspects, em Londres. A queda da produção em Dezembro acontece numa altura em que a OPEP, que controla 40 por cento da oferta mundial, leva avante o acordo estabelecido em Novembro para limitar a produção do petróleo e equilibrar o mercado.
O acordo, que inclui países não membros da OPEP como a Rússia, revela-se histórico, nota a Bloomberg, porque o corte estabelecido foi de 1,8 milhões de barris por dia a partir deste mês de Janeiro.
Apesar da queda verificada na produção do petróleo, no total, a OPEP produziu 33,1 milhões de barris por dia em Dezembro último, declararam analistas consultados pela Bloomberg.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/nigeria_retoma_posicao_de_lider_africano

Preços do petróleo derrubam o açúcar

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Os preços do açúcar mantiveram-se em baixa nos mercados internacionais, devido à alta do preço do petróleo, informou ontem o jornal Valor Económico.

Em Nova Iorque, a encomenda para Março ficou cotada a 20,42 centavos de dólar por libra-peso, uma descida de 33 pontos percentuais.
“A queda reflece a desvalorização do petróleo, em meio a dúvidas sobre a capacidade dos países exportadores da matéria-prima de reequilibrar a oferta mundial, após as perfurações de poços nos Estados Unidos avançarem na última semana”, noticia o jornal.
Além disso, as cotações também se mantêm pressionadas com a resistência da Índia em manter o imposto sobre a importação de açúcar, mesmo com o défice na sua procura interna.
No contrato para Maio, o açúcar caiu 18 pontos, com os negócios a rondarem 20,23 centavos de dólar, por libra-peso. O mês de Julho também verificou uma queda de seis pontos e fechou em 19,86 centavos de dólar, por libra-peso. Outubro deste ano fica estável, já que as encomendas fecharam em alta.
Em Londres, os preços também desvalorizaram nos três primeiros leilões. No lote para Março de 2017, a matéria-prima fechou cotada a 538,20 dólares a tonelada, uma baixa de 5,20 dólares, comparando com a sessão da véspera. O contrato para Maio fechou em 538 dólares e para o de Agosto em 531,80 dólares a tonelada, uma queda de 3,60 dólares e 0,60 cêntimos do dólar. Já nas demais sessões, houve uma valorização dos preços.
No mercado brasileiro, o açúcar teve um segundo dia de alta, de acordo com os índices do Cepea/Esalq, da Universidade de São Paulo. As cotações fecharam ontem em 89,26 reais o saco de 50 quilogramas do tipo cristal, uma alta de 0,08 por cento, comparada com os indicadores da véspera.
O etanol hidratado brasileiro voltou a subir e os dados apresentados pela Esalq/BVMF apontam o metro cúbico do biocombustível cotado em 1.914 reais, um aumento de 0,26 por cento.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/precos_do_petroleo_derrubam_o_acucar

A industria de plástico em Angola

ind plastiu.jpgEm entrevista, com o secretário de Estado da Indústria, Kiala Gabriel, considera as iniciativas privadas como o grande impulsionador da produção industrial.Existe uma aposta para a redução significativa das necessidades de importação nos próximos anos.A produção em grande escala cobrirá  as necessidades do mercado angolano que é um dos grandes propósitos do Executivo. A intenção é apoiar as empresas públicas e privadas deste segmento com vista a reduzir a importação. um setor em expansão que pode significar oportunidades de negócios.

Uma das maiores empresas do setor está localizada na Zona Econômica Especial (ZEE), a Induplastic desempenha papel de liderança no mercado dos utensílios de plásticos, emprega cerca de 68 trabalhadores. Hoje  são poucas as casas no país que nãodisponham de pelo menos  um produto dessa empresa.
Com um investimento inicial de três milhões de dólares, a fábrica possui uma capacidade de produzir 130 toneladas por mês, com as nove linhas de produção instaladas. São 50 acessórios diversos para o sector da construção, uso doméstico e indústria química.

Os produtos da Induplastic são maioritariamente consumidos em Luanda e apenas um terço da produção chega às prateleiras dos supermercados das províncias de Benguela, Lunda Norte e Sul, Cuando Cubango e Huambo.

mapa de Angola
O cenário de crise cambial, face à baixa do preço do petróleo, gerou novas oportunidades de contatos de negócios, segundo o director-geral, Alexandre Dias dos Santos, que augura uma subida significativa nas receitas da produção instalada.
Embora o mercado esteja um tanto retraído face ao cenário de crise cambial, as embalagens de plástico são cada vez mais solicitadas. Alexandre Dias dos Santos sustenta a afirmação alegando ser uma das necessidades básicas nas moradias. As linhas de injecção que dão formato às peças de plástico produzem ao minuto. São bacias, baldes de um a cinco litros para uso doméstico e armazenamento de tinta, cestos e autoclismos, polibanho e buchas para o sector da construção.

Exportações

As exportações têm sido realizadas por outras empresas como a AngoRayan que exportou 20 toneladas para a Zâmbia, em Julho do ano passado. A empresa AngoRayan tenciona enviar mobílias e utensílios de uso doméstico em plástico com o rótulo “Fabricado em Angola” também para a República Democrática do Congo (RDC).

Empresas pioneiras na produção de utensílios de plástico

A Imexitrade, vocacionada para a criação de colchões de molas e de produtos plásticos, investiu quatro milhões de dólares para apoiar a cobertura das necessidades deste material no país.
A Fozkudia é também uma das empresas deste segmento, que tem investido um milhão de dólares em produtos plásticos. A mais antiga das fábricas, a Companhia de Plásticos de Angola (Cipal), continua a reerguer-se para melhorar os níveis de produção e a reciclagem de material plástico. Outras empresas como a Glopol Angola, Flotek, Plastek, Plásticos do Kwanza e a Basel contribuem de forma positiva para a expansão e maior produção neste segmento.
A empresa Glopol Angola, fundada em 2008, iniciou a sua produção no segundo semestre de 2010, no fabrico de artigos para a movimentação e transporte de paletes, caixas e contentores para recolha de resíduos sólidos. Localizada no município de Viana, na zona do Porto Seco, fabrica produtos plásticos e tem capacidade para produzir mais de cinco mil paletes por mês.Com este cenário caminha-se para autossuficiência na produção de  artigos de plástico.

 

Empresa de petroleo angolana ajusta produção à quota da OPEP

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Nunca é demais lembrar da dependência  do petróleo na economia angolana que é muito grande e qualquer alteração na produção afeta a profundamente a vida dos angolanos, o mesmo para os nigerianos e venezuelanos .

A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) ajustou, a partir do dia 1 de Janeiro, a produção diária do petróleo a um milhão e 673 mil barris, o que corresponde à meta atribuída pela OPEP ao país, anunciou a companhia em comunicado.

 

A medida resulta do acordo entre os países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) de 30 de Novembro de 2016, em reduzir a produção de petróleo bruto de 33.7 milhões para 32.5 milhões de barris por dia.

 
A redução estabelecida pela OPEP visa elevar o preço do barril de petróleo bruto no mercado internacional. O corte de produção diária para Angola é de 78 mil barris em relação ao valor de referência considerado pela OPEP de um milhão e 751 mil barris dia.
A Sonangol instruiu formalmente os diferentes operadores em Angola sobre os limites de produção mensais por concessão, baseado no potencial de produção actual de cada uma delas e a programação de intervenções nas mesmas, acrescenta a nota. A produção da OPEP caiu 310 mil barris por dia (bpd) em Dezembro, influenciada, sobretudo, pelas interrupções na produção petrolífera na Nigéria.
Com uma queda de 200 mil barris – para os 1,45 milhões de barris por dia em Dezembro -, a produção petrolífera da Nigéria perdeu três meses de ganhos no último mês de 2016,  quando teve dificuldades para repor a capacidade de produção afectada por ataques militares a infra-estruturas de produção um ano antes. A produção da Arábia Saudita caiu cerca de 50 mil bpd, enquanto a da Venezuela caiu 40 mil. “A produção do crude na Nigéria, em Dezembro, teve um impacto significativo uma vez mais, em grande parte devido à manutenção de um campo de produção, bem como de uma greve dos trabalhadores portuários”, disse a agência de notícias económicas Bloomberg Amrita Sen, analista da consultora Energy Aspects, em Londres.
A queda da produção em Dezembro acontece numa altura em que a OPEP, que controla 40 por cento da oferta mundial, leva avante o acordo estabelecido em Novembro para limitar a produção do petróleo e equilibrar o mercado. O acordo, que inclui países não membros da OPEP como a Rússia, revela-se histórico, nota a Bloomberg, porque o corte estabelecido foi de 1,8 milhões de barris por dia a partir deste mês de Janeiro.
Apesar da queda verificada na produção, no total, a OPEP produziu 33,1 milhões de barris de petróleo por dia em Dezembro, declararam analistas consultados pela Bloomberg.

Medidas de contenção

Em Novembro, a produção da organização chegou aos 33,41 milhões de barris por dia, e aos 34,14 milhões de barris caso se tenha em conta a produção petrolífera na Indonésia. Em Janeiro, e com o acordo estabelecido, estima-se que a produção na Indonésia caia para os 32,5 milhões de barris por dia.
Por seu turno, a petrolífera estatal saudita Saudi Aramco começou a negociar com os seus clientes internacionais possíveis cortes de 3,00 a 7,00 por cento nos carregamentos de petróleo em Fevereiro, para cumprir o acordo de cortes acertado no âmbito da OPEP. Submetida ao acordo, a Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, aceitou cortar a produção em 486 mil bpd, ou 4,61 por cento da produção de Outubro, de 10,544 milhões de bpd.
Em Novembro, a nova administração da Sonangol anunciou medidas de contenção que permitiram poupar 240 milhões de dólares nos primeiros cinco meses em funções.
A companhia garantiu na altura que as acções, enquadradas no processo de reestruturação, visam “tornar a Sonangol uma empresa mais eficiente e eficaz, diminuindo custos, racionalizando recursos e optimizando processos”.
As poupanças foram feitas, lê-se ainda, com medidas de contenção de custos e de reforço de eficiência para aumentar a rentabilidade no negócio de petróleo e gás, como o “cancelamento de contratos de ‘shipping’ não prioritários”, a optimização do número de navios rebocadores e de cabotagem ou o início da distribuição de produtos derivados do petróleo por transporte ferroviário, entre Lobito e Luena.
Também foram negociados ou cancelados contratos a nível central e nas subsidiárias do grupo Sonangol, bem como revistos modelos de operação e promovida a “racionalização de diversos gastos e consumos considerados supérfluos”.
Em termos de investimentos, “com foco na sustentabilidade e na criação de valor para a economia angolana”, foi feita a reavaliação dos investimentos na refinaria do Lobito e no terminal oceânico do Dande, “para assegurar a viabilidade a longo prazo dos investimentos”. A Sonangol afirma igualmente ter identificado áreas da empresa para reforço das competências e arrancou com o “recrutamento interno e externo para colmatar as lacunas identificadas”.
No plano interno, foram criados dez comités de gestão por área de acção, envolvendo administradores.

 

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