“Made in África Central: do círculo vicioso ao círculo virtuoso”

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Especialistas da África Central participam na 33.ª reunião do Comité Intergovernamental de Peritos, em Douala, Camarões, sob o lema “Made in África Central: do círculo vicioso ao círculo virtuoso”, para reflectir por que razão os números do Produto Interno Bruto (PIB) da sub-região diferem da realidade económica no terreno.

Fotografia: Francisco Bernardo|Edições Novembro|

Para o director do da Comissão Econômica para África Central, António Pedro, a reunião é uma oportunidade para reflectir sobre como quebrar o círculo vicioso de crescimento não inclusivo através da construção de um tecido industrial diversificado e competitivo.

No encontro participam governantes, representantes de entidades regionais e agências de organizações como as Nações Unidas e o Banco Africano de Desenvolvimento além do sector privado, da sociedade civil e acadêmicos.

O director do Gabinete Sub-Regional da Comissão Económica para África Central (ECA), António Pedro, disse que é preciso reflectir por que razões os números do Produto Interno Bruto (PIB) da sub-região diferem da realidade económica no terreno.

Entre 2010 e 2015, a África Central teve uma taxa média de crescimento real de cerca de 5%, sem que houvesse evolução correspondente na industrialização, no comércio intra-regional, ou nas condições de vida das populações.

António Pedro explicou que os países da sub-região ainda estão classificados na cauda do Índice de Desenvolvimento Humano.

Perante este panorama, e porque o actual sistema de produção não gerou um círculo virtuoso de crescimento inclusivo e sustentável, a recomendação da ECA é reorientar activos e recursos da produção regional para indústrias mais produtivas.

A proposta pretende destacar a indústria transformadora e os serviços modernos, “para tentar acelerar a transformação estrutural”.

O responsável disse que o encontro de peritos é uma oportunidade para reflectir sobre como quebrar o círculo vicioso de crescimento não-inclusivo construindo um tecido industrial diversificado e competitivo.

Entre as vantagens dessa medida, o representante citou a melhoria da integração dos países da África Central em cadeias internacionais de valor e a criação de um grande número de empregos decentes.

fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/peritos_da_regiao_analisam_economia

 

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A dívida pública de Moçambique pode chegar a 135% do PIB em 2017

A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) estima que Moçambique cresça apenas 4% e que a dívida pública suba para 135,5% do PIB este ano, segundo o relatório que coloca o país em ‘default’.

De acordo com a nota enviada aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, a S&P estima que a dívida pública passe de 131,5%, no ano passado, para 135,5% do Produto Interno Bruto, o que dificulta ainda mais o objectivo do Governo de baixar a dívida para níveis que o Fundo Monetário Internacional (FMI) considere sustentável, o que permitiria retomar a ajuda financeira ao país.

O relatório, divulgado na quarta-feira à noite, desce o ‘rating’ do país para SD/D, ou descumprimento selectivo, no seguimento do anúncio de que o Governo iria falhar o pagamento da prestação de Janeiro da emissão de títulos de dívida, feita em Abril do ano passado no valor de 716,5 milhões de dólares.

O documento apresenta também um conjunto de previsões para a economia, destacando-se a subida de um ponto percentual do PIB, de 4%, este ano, para 7% em 2020, ou seja, só daqui a três anos é que Moçambique conseguirá retomar os níveis de crescimento que marcaram a última década.

O Ministério das Finanças de Moçambique confirmou na segunda-feira que não vai pagar a prestação de Janeiro, de 59,7 milhões de dólares relativos aos títulos de dívida soberana com maturidade em 2023, entrando assim em incumprimento financeiro (‘default’).

Apesar da descida do ‘rating’, a S&P acredita que as negociações de reestruturação da dívida “serão realizadas” e pode proceder a uma nova avaliação.

Dependendo das condições do futuro programa de apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) e das negociações com os credores e dos efeitos na economia real das repercussões do incumprimento, a S&P admite como provável aumentar o seu ‘rating’ da dívida nacional.

O descumprimento em causa surge no contexto do escândalo das dívidas escondidas, garantidas pelo anterior Governo, entre 2013 e 2014, a favor de companhias estatais e à revelia das contas públicas, e diz respeito aos encargos da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), convertidos no início de 2016 em dívida soberana, num total de 726,5 milhões de dólares com maturidade a 2023.

No critério da S&P, a classificação de incumprimento selectivo é atribuída quando um pagamento não é realizado na data prevista, nem no período de 15 de dias de tolerância que a agência de notação financeira não acredita que venha a acontecer, uma vez que o Governo declarou incapacidade de o fazer.

Nesta fase, a agência financeira não atribui ‘ratings’ às outras duas empresas estatais beneficiadas por mais 1,4 mil milhões de dólares de encargos ocultos, alegando falta de informação sobre as garantias do Governo e do seu impacto na dívida pública, embora uma delas, a Mozambique Assett Management (MAM), tenha igualmente falhado uma prestação de 178 milhões de dólares em Maio.

A 25 de Outubro, o Governo assumiu oficialmente a incapacidade financeira para pagar as próximas prestações das dívidas das empresas estatais com empréstimos ocultos, defendendo uma reestruturação dos pagamentos e uma nova ajuda financeira do FMI.

A retoma da ajuda está porém condicionada às próprias regras do Fundo, que não permite ajuda a países com uma trajetória insustentável de dívida pública, que passou de 45% em 2014 para uma estimativa de 112,6% do PIB no ano passado.

Um grupo representando a maioria dos credores dos títulos da dívida soberana declarou entretanto que não está disponível para renegociar até ao fim de uma auditoria independente, já em curso pela norte-americana Kroll, às empresas beneficiadas, e igualmente condição para o FMI e parceiros internacionais retomarem o apoio a Moçambique.

Lusa

http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1495812.html

Quadro macroeconômico de Angola para 2017 é preocupante

Mapa de Angola
 
 
O quadro macroeconômico de referência para o exercício orçamental de 2017 aponta para uma melhoria do desempenho da economia angolana, considerando uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto real de 2,1 por cento, maior do que a projetada para 2016, que foi de 1,1 por cento. O sector petrolífero deve crescer 1,8 por cento e o não petrolífero 2,3 por cento.
 
 
O desempenho do setor não petrolífero angolano é positivamente determinado pelos setores de Energia com 40,2 %, a Agricultura com 7,3 %, a Construção com 2,3 % e a Indústria Transformadora com 4 %, na proporção dos respectivos pesos na composição do Produto Interno Bruto (PIB), sustenta. O OGE 2017 contempla fluxos globais de receita fiscal de 3 mil 667,8 mil milhões de kwanzas e de despesas fiscais fixadas em 4 mil 715,6 mil milhões de kwanzas, correspondendo, respectivamente, a 18,6 % e 23,9 % do PIB, resultando num déficit global de mil e 47,8 mil milhões de kwanzas, ou seja, 5,3 % do Produto Interno Bruto.
O cenário fiscal para 2017 prevê ainda uma redução considerável nas despesas com os subsídios de cerca de 19,3 %, comparativamente ao OGE revisto de 2016, traduzindo uma postura de racionamento de gastos fiscais com as subvenções.
 
 

Economista diz que gestão da dívida de Moçambique depende da Frelimo

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O roteiro para levar a dívida pública de Moçambique a níveis sustentáveis está condicionado pela margem de manobra que a Frelimo, no poder, der ao Governo, disse à Lusa o economista António Francisco.
 
António Francisco diz que as dívidas ocultas “representam uma pesada ‘overdose’, capaz de colocar a economia em coma”
 
 
 
O roteiro para levar a dívida pública de Moçambique a níveis sustentáveis será longo e está condicionado pela margem de manobra que a Frelimo, partido no poder, vai dar ao Governo, disse à Lusa o economista moçambicano António Francisco.
 
“O processo de tornar a dívida pública novamente sustentável poderá ser mais ou menos longo, melhor ou pior gerido, dependendo da forma como o partido Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique] irá permitir que o seu Governo realize e implemente a terapia que é preciso realizar”, afirmou António Francisco, pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) de Moçambique.
 
Para o académico, não é preciso ser bruxo ou feiticeiro para adivinhar e saber que o processo de sobre-endividamento em Moçambique tornou-se cíclico, com um histórico relativamente curto, comparativamente à maioria das economias desenvolvidas ou emergentes.
 
“Mas, ainda que curto, já é suficiente para permitir perceber a natureza cíclica do endividamento público insustentável”, enfatizou António Francisco.
 
Apesar de reconhecer ironicamente que as chamadas dívidas ocultas, no valor de 1,4 mil milhões de dólares, reveladas em abril, são a “principal vedeta” dos encargos do Estado moçambicano, António Francisco considerou que constituem apenas uma parte de um todo mais amplo, quer em termos de dívida pública, em geral, quer de opção estratégica de crescimento económico.
 
“O que as dívidas ocultas fizeram foi antecipar a insustentabilidade da dívida pública moçambicana. Porque elas representam uma pesada ‘overdose’, capaz de colocar a economia em coma”, alertou.
 
Segundo António Francisco, o processo conducente à insustentabilidade da dívida já estava em curso e era percetível.
 
“E claro, como acontece geralmente, nestes casos, o Governo nega até não poder mais. O mesmo fez o FMI, ao fazer vista grossa ao progressivo endividamento, dando a impressão que estava tudo sob controlo”, assinalou.
 
Apesar de reconhecer que o regresso da dívida de Moçambique para níveis sustentáveis será longo, António Francisco defende que, a curto-prazo ou até meados de 2017, o roteiro para esse objetivo estará definido.
 
“Infelizmente, tal roteiro tem sido traçado de forma assertiva pelo FMI e de forma muito defensiva, para não dizer contrariada, pelo Governo. Este está com muita pressa para ver se renegoceia a dívida, mas tal pressa só denuncia uma grande ansiedade em resolver mal o problema”, referiu Francisco.
 
Após a revelação dos empréstimos secretamente avalizados pelo executivo moçambicano, entre 2013 e 2014, a dívida pública de Moçambique disparou para 11,6 mil milhões de dólares e dados oficiais apontam que o volume da dívida pública ver terminar o ano em curso nos 130% do Produto Interno Bruto (PIB).
 
O Ministério da Economia e Finanças já avisou que o país não tem dinheiro para pagar as próximas prestações das três empresas que beneficiaram secretamente dos avales do Governo e quer reestruturar os encargos com os credores.
 
O Governo pediu entretanto um novo programa de apoio ao FMI, que, à semelhança do grupo de doadores do orçamento do Estado, cortou o financiamento a Moçambique por causa do escândalo dos empréstimos ocultos.
 
O FMI e o Governo reataram negociações, enquanto decorre uma auditoria internacional independente às empresas beneficiadas pelos empréstimos, mas as regras do Fundo impedem ajuda financeira a países com uma trajetória insustentável de dívida, como é o caso de Moçambique.
 
Ao mesmo tempo, o executivo está a aplicar pesadas medidas de austeridade para conter a grave crise económica que se sente no país e os efeitos do conflito entre Governo e Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), cujas negociações de paz não tiveram resultados em 2016.
 
 

O Orçamento Geral do Estado (OGE) angolano foi aprovado

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O Orçamento Geral do Estado (OGE) para o próximo ano foi ontem aprovado pela Assembleia Nacional, para começar a ser aplicado no primeiro dia de Janeiro. O Estado vai gastar 7.390.046.964.055 de kwanzas e tem receitas estimadas em igual montante.
 
Para o próximo ano, foram identificados 171 projectos, dos quais 166 de âmbito local e cinco central, num total de 25.687.472,717 kwanzas, que integram o Programa de Investimento Público. Tal como acontece nos últimos anos, a prioridade dos gastos do Estado vai para o sector social e os grandes investimentos públicos.
 
O OGE para o próximo ano foi elaborado com base num preço do barril de petróleo de 46 dólares e prevê uma produção petrolífera anual de 664,68 milhões de barris. O Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de toda a riqueza a ser produzida no país no próximo ano, vai crescer 2,1 por cento e a taxa de inflação vai ser de 15,8 por cento, enquanto o déficit fiscal esperado é de 5,8 por cento do PIB.
A deputada Ruth Mendes, da comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional, que apresentou o relatório final global, disse que as receitas fiscais (excluindo os desembolsos de financiamento e venda de activos) estão projectadas em equivalente a 18 por cento do Produto Interno Bruto. O défice no Orçamento Geral do Estado vai ser financiado com os depósitos projectados em 3.224.590.045.825 de kwanzas.
 
 
 
 
Oposição contra
 
O deputado Raul Danda, que apresentou a declaração de voto da UNITA, disse que as eleições do próximo ano vão ser um dos pontos mais marcantes no país e que o Orçamento Geral do Estado deve detalhar as despesas relativas a todo o processo eleitoral, para que estejam facilmente identificadas.
André Mendes de Carvalho, da CASA-CE, na sua declaração de voto, lembrou que é competência da Assembleia Nacional aprovar o Orçamento Geral do Estado, mas a Lei que o aprova contém “insuficiências graves”. O deputado explicou o voto contra e afirmou que não estão inscritas as infra-estruturas de base e respectivas receitas.
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O presidente do grupo parlamentar do PRS, Benedito Daniel, que se absteve na votação, acredita que o Executivo está a trabalhar no sentido de diversificar a economia, reforçando as infra-estruturas essenciais para o crescimento a longo prazo. Benedito Daniel entende que o Orçamento aprovado é o possível. O deputado considera as verbas atribuídas ao sector da agricultura irrisórias para o desenvolvimento da mesma.
 
O deputado Lucas Ngonda, da FNLA, votou a favor da proposta do Orçamento Geral do Estado de 2017, por entender que no próximo ano o país vai priorizar os grandes desafios relacionados com a consolidação da paz e da democracia.
 
O Orçamento Geral do Estado para o próximo ano foi aprovado com votos favoráveis do MPLA e FNLA, contra da UNITA e CASA-CE e abstenção do PRS, numa reunião que marcou, igualmente, o último dia de debates do ano. Os debates voltam dia 19 de Janeiro.

A Pesca em Angola caminha para a autossuficiência

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O sector das Pescas está à beira de atingir e, em algumas áreas, superar os objectivos traçados para este ano, no quadro dos programas dirigidos, delineados pelo Executivo, para saída da crise financeira resultante da queda do preço do petróleo no mercado internacional. Mesmo com todas as adversidades, os diferentes actores, públicos e privados, deste subsector da economia, deram mostras de saber fazer nos domínios da extracção, captura, transformação e comercialização dos produtos de pesca.
 
Dados sobre o sector referentes ao período de Janeiro a Outubro, revelam que, em 10 meses, foram capturadas 416.621 toneladas de pescado, 61 por cento das quais resultantes da pesca artesanal e semi-industrial. Por aí se vê que, incluídos os números de Novembro e Dezembro, em relação às capturas de pescado é quase um dado adquirido que as metas previstas sejam alcançadas, senão mesmo ultrapassadas, como ocorreu em 2015, ano em que as capturas atingiram as 500.000 toneladas.
As metas anuais para o sector preconizadas no Programa Nacional de Desenvolvimento (PND 2013-2017), algumas das quais revistas nos programas dirigidos delineados pelo Executivo em Março deste ano, face à crise financeira, fixam as capturas de pescado em 484.000 toneladas. E tudo aponta para que até ao final do ano esta cifra venha a ser atingida, até porque em 2015 foram conseguidas 16.000 toneladas acima do previsto, mesmo em cima da crise.
 
 
No domínio da produção pesqueira, o sector registou uma variação positiva de cinco por cento, comparado com o período homólogo de 2015, apesar de a pesca industrial ter passado por uma variação negativa de 23 por cento, compensada, no entanto, por uma variação positiva de 39 por cento na pesca semi-industrial. A pesca artesanal marítima registou uma variação positiva de 52 por cento.
É com a tranquilidade de quem sabe que os indicadores apontam para a concretização das metas preconizadas que a ministra das Pescas, Victória de Barros Neto, veio a público afirmar que, apesar das dificuldades resultantes da conjuntura que o país atravessa, foi possível executar “de forma aceitável” os programas dirigidos para a produção do sal, da farinha e óleo de peixe e de captura de pescado e crustáceos.
Com bons resultados está, também, a indústria salineira, que supera, de longe, a produção do ano anterior, pelo menos no que se refere ao período análogo em análise, que vai de Janeiro a Outubro. Por essa altura do ano, em 2015, a produção de sal rondava as 35.000 toneladas, abaixo de metade das 71.100 toneladas registadas nos primeiros 10 meses de 2016, muito próximo do previsto para todo o ano nos programas dirigidos.
Para o sector das Pescas, o Executivo aprovou, em Março deste ano, cinco programas dirigidos, destinados ao aumento das capturas de pescado e crustáceos, da produção do sal, choupa (tilápia), farinha e óleo de peixe e ao fomento das exportações desses produtos, tendo em vista a captação de divisas, a redução das importações, a manutenção dos postos de trabalho e a estabilização dos preços no mercado nacional.
Para garantir a execução dos programas dirigidos, o BNA disponibilizou, entre Janeiro e Novembro, através dos bancos comerciais, 37 milhões de euros, para permitir às empresas do sector a aquisição de bens e serviços indispensáveis para o seu normal funcionamento.
Victória de Barros Neto reconhece que os bons resultados de que se fala hoje no sector, no meio da crise financeira que o país conhece, se devem, em grande parte, às medidas adoptadas pelo Banco Nacional de Angola que, face à escassez de divisas, dedica particular atenção a empresas com potencial para a redução das importações, incluindo as do ramo das Pescas.
 
Aquicultura
 
A piscicultura, onde se inclui a produção de choupas (tilápia), pede uma abordagem à parte. Incluída, também ela, nos programas dirigidos, este subsector das Pescas é relativamente novo no país, encontrando-se ainda em fase de estruturação, com todas as debilidades próprias de um processo que ensaia os primeiros passos. De todos os subsectores das Pescas, foi o que mais sofreu o embate da crise financeira que vem de 2014. A produção deste ano rondará as 500 toneladas, longe das cerca de 200.000 toneladas previstas.
Mal começaram a sentir-se os sinais da crise financeira, a maior parte das empresas importadoras de ração para a tilápia subiu os preços e quando esgotou as reservas disponíveis passou a queixar-se de dificuldades de acesso a divisas para novas aquisições, a partir de Israel, o principal fornecedor do país.
O problema da ração, por si só, explica as quedas de produção da tilápia, mas é preciso agregar-lhe um outro elemento para perceber as grandes disparidades nas estatísticas anuais. É que, de acordo com a Direcção Nacional da Aquicultura (DNA), alguns piscicultores não fornecem informações estatísticas ao Ministério das Pescas e os que o fazem nem sempre são regulares e exactos nos números.
As primeiras estatísticas oficiais sobre a piscicultura no país datam de 2013, ano em que foi apurada uma produção de 47 toneladas. Em 2014, a produção subiu para 305 toneladas para em 2015 passar para 872 toneladas e este ano baixar para quase metade das quantidades do ano transacto.
É para garantir um apoio institucional aos piscicultores que o Ministério das Pescas criou uma direcção nacional, a DNA, que controla actualmente pouco menos de 40 empresas. Mas há pequenas empresas familiares de aquicultura dispersas pelo país, que não estão inscritas no Ministério das Pescas e cuja produção não entra nas contas oficiais.
Atento à celeridade com que se consolida este subsector das Pescas, com benefícios notórios para as famílias e empreendedores e para fomentar a piscicultura à escala nacional, o Governo procedeu a um investimento sem precedentes no país. Trata-se do Centro Nacional de Larviculturana, localizado em Massangano, província do Cuanza Norte.
A infra-estrutura tem por finalidade produzir alevinos (larvas de peixe) para abastecer os aquicultores.
Dotado de tecnologia de última geração, o Centro Nacional de Larviculturana funciona como um laboratório específico de produção, onde são aplicadas tecnologias exclusivas que garantem a qualidade e a sobrevivência dos alevinos em todas as etapas de produção.
O Programa Dirigido para o Aumento da Produção e Promoção da Exportação da tilápia para o biénio 2016-2017 tem, entre outros, o objectivo de elevar para 30 mil toneladas a produção aquícola no país, até finais do próximo ano.
A estratégia do Executivo neste sector vai no sentido de transformar o país, a médio prazo, num exportador de choupa.
Dados da Direcção Nacional de Aquicultura indicam que, em 2015, Angola empregou mais de quatro milhões e trezentos mil dólares na compra dessa espécie no estrangeiro. Estudos recentes, destinados a determinar o potencial aquícola do país, concluíram que o país tem excelentes condições para esse tipo de actividade, excepto na província do Namibe, onde a escassez de recursos hídricos, por causa do deserto, dificulta a prática da aquiculcura.
 
Importações
 
Apesar de rica em recursos marinhos, Angola recorre a exportações para suprir o défice da indústria pesqueira nacional. Entre Janeiro e Novembro, o país importou 8.462,82 toneladas de produtos de pesca e derivados.
À primeira vista, a cifra parece elevada, mas se comparada com as 81.922,29 toneladas adquiridas em 2015, facilmente se percebe que o volume global de compras, este ano, baixou para 10,33 por cento.
Não na mesma proporção, mas bem próximo disso, o esforço financeiro dispendido, traduzido em 18.773.591 dólares, reduziu para pouco mais de 15 por cento, comparativamente a 2015, em que o volume das importações implicou gastos na ordem de mais de 121 milhões de dólares.
Se é verdade que a redução das importações se deve à escassez de divisas no mercado cambial, não é menos verdade que a relativa estabilização dos preços dos produtos de pesca resulta de uma bem sucedida estratégia de execução dos programas dirigidos no sector. A choupa é o produto de pesca mais importado, sendo a China o principal fornecedor. Entre Janeiro e Novembro, o país asiático vendeu a Angola, em 38 operações, 1.508,63 toneladas de tilápia. A lista das espécies importadas inclui ainda a corvina, a pescada, o carapau, a sardinha, o bagre e omakayabu, espécies muito utilizadas na gastronomia angolana.
Mas no rol dos produtos importados, nota-se, claramente, a presença de outros tantos, como pastéis de rissóis e filetes, perfeitamente ao alcance de investimentos locais. É por força desta constatação, que o Ministério das Pescas recomenda que seja realizado um estudo minucioso para a revisão da grelha de produtos de pesca importados.
Para a ministra das Pescas, é urgente aproveitar, até ao limite, os recursos marinhos do país, garantindo um aproveitamento integral das espécies, incluindo os chamados resíduos, que podem servir para o fabrico de ração animal. Em bom rigor, o caminho que Victória de Barros Neto aponta já começou a ser trilhado.
Em Maio, a própria ministra inaugurou uma fábrica de processamento de farinha e óleo de peixe, no município do Tômbwa, província do Namibe. O empreendimento, que esteve durante muitos anos paralisado, permite o aproveitamento das espécies ou parte delas consideradas impróprias para o consumo humano. De Maio a Novembro, a fábrica produziu 16,5 mil toneladas de farinha e 6.083.566 litros de óleo de peixe.
Quando, em Outubro deste ano, entra em funcionamento, em Luanda, uma moderna fábrica de processamento de pescado, com equipamentos tecnologicamente avançados para a produção de hambúrgueres, filetes e postas de peixe, a ministra saudou a iniciativa e fez elogios ao grupo empresarial Diside, responsável pelo projecto.
A fábrica Solmar, com capacidade de processamento de 15 toneladas de pescado por dia, fica na rua dos Pescadores, em Cacuaco. Para além da congelação, limpeza e corte de peixe em filetes e postas, através de duas linhas de processamento, a unidade fabril tem outras valências, como a valorização de espécies com baixa importância económica. O novo “ex-líbris” do sector das Pescas no país, parafraseando Higino Carneiro, o governador de Luanda, junta-se aos grandes exportadores de produtos do mar, onde despontam empresas como a Star One-Comércio Geral Limitada, a Zhara Comércio, a Sundeep Angola, Ndad Nova Ditribuidora e a Kiatemua.
Apesar de importar, Angola também exporta produtos de pesca, sobretudo crustáceos, farinha e óleo de peixe. Este ano, a comercialização de produtos do mar, dentro dos circuitos oficiais, rendeu ao país mais de 30 milhões de dólares. Os principais destinos das exportações são a África do Sul, a República Democrática do Congo, a Namíbia, Espanha, Chile, Peru, Coreia do Sul e Arábia Saudita. Entre as principais espécies comercializadas, este ano, destacam-se a espada com mais de quatro mil toneladas, a sardinha acima das 13 mil toneladas e a corvina com 840 toneladas.
 
Novas metas
 
Há uma semana, em Conselho Consultivo Alargado, o Ministério das Pescas anunciou novos investimentos no sector. Foi tornado público que está em curso um projecto no valor de 3,7 milhões de dólares. destinado à aquisição de uma embarcação de pesca industrial para aumentar a capacidade de captura e proporcionar outras mais-valias ao sector pesqueiro. Para além disso, o departamento ministerial tem em cima da mesa 47 propostas de investimentos, feitas através da Unidade Técnica de Apoio ao Investimento Privado (UTIP) no valor de 135 milhões de dólares. Sete desses projectos já foram encaminhados para bancos comerciais com visto para financiamento.
Estes novos investimentos juntam-se a outros, já em curso, como a construção do porto pesqueiro do Tômbwa (Namibe), a reabilitação da ponte cais de carvão, a doca flutuante, a construção de lotas em Benguela, Luanda e Tômbwa, a construção de entrepostos frigoríficos no Tômbwa e Cuanza Sul, a construção de quatro centros de salga e seca, dois no Tômbwa e igual número no Cacuaco, a construção da fábrica de conservas no Namibe, a construção do Centro de maricultura em Luanda e a reabilitação de 10 centros de apoio à pesca artesanal.
É olhando para esses investimentos que Victória de Barros Neto garante que, no ano que vem, o sector das pescas deve aumentar o seu contributo no Produto Interno Bruto (PIB).
 
 

Governo angolano capitalizará empresas do Estado com 800 milhões de euros

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O Governo angolano prevê capitalizar empresas que integram o Setor Empresarial do Estado (SEP) com 70 bilhões de kwanzas (400 milhões de euros) em 2017, segundo a proposta de Orçamento Geral do Estado (OGE).

Este valor soma aos 80 bilhões de kwanzas (455 milhões de euros) que o Governo inscreveu no OGE de 2016 revisto e aprovado em setembro, para injetar na capitalização de empresas públicas angolanas – existem 75 -, conforme números compilados hoje pela Lusa.

Alguns economistas e o próprio Fundo Monetário Internacional estimam que a dívida pública da administração central do Estado e das empresas públicas, incluindo a TAAG ou a Sonangol, ultrapasse os 70% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017.

De acordo com informação transmitida em setembro último pelo Instituto para o Setor Empresarial Público (ISEP), apenas oito destas empresas tiveram, na altura, os processos de prestação de contas homologados e aprovados sem reservas pelo Governo, num universo das 75 que apresentaram as contas de 2015.

Das empresas que compõem o SEP, 53 fecharam as contas naquela altura, enquanto as restantes 47 realizaram auditorias. Um total de 29 empresas públicas viram as contas homologadas.

Angola é o maior produtor de petróleo em África e vive uma profunda crise financeira e económica decorrente da quebra nas receitas com a exportação de crude, que caíram para metade desde finais de 2014, afetando toda a economia.

O Governo angolano prevê para 2016 um crescimento económico de apenas 1,1% e em 2017 cerca de 2,1%, segundo a proposta de OGE em discussão nas comissões parlamentares de especialidade até dezembro.

Estão previstas receitas e despesas, para todo o ano de 2017, de 7,307 biliões de kwanzas (41,7 mil milhões de euros). Neste caso, as receitas serão financiadas com 3,142 biliões de kwanzas (17,9 milhões de euros) de endividamento do Estado.

Em todo o próximo ano, Angola prevê produzir 662 milhões de barris de petróleo, setor que deverá render à economia (PIB petrolífero), nos cálculos do Governo, 3,753 biliões de kwanzas (21,4 mil milhões de euros), numa previsão de 46 dólares por barril, contra os 40,9 dólares estabelecidos para 2016.

O PIB angolano – toda a riqueza produzida no país – deverá crescer para 19,746 biliões de kwanzas (112,7 mil milhões de euros) no próximo ano.

 

http://noticias.sapo.cv/info/artigo/1491864.html