Boaventura Sousa Santos dá entrevista sobre o Brasil

O sociólogo português afirma que as classes populares foram abandonadas pelas elites políticas e eclesiásticas. “Lula cometeu muitos erros. Usou o antigo sistema político para governar com a direita”

Boaventura de Sousa Santos, no Centro de Estudos Sociológicos da Universidade de Coimbra.

Boaventura de Sousa Santos, no Centro de Estudos Sociológicos da Universidade de Coimbra. JOÃO HENRIQUES

É há décadas o oráculo de cabeceira da esquerda ibérica e latino-americana, geralmente indo além dos partidos socialistas. Hugo Chávez (Venezuela), Lula(Brasil), Gustavo Petro (Colômbia), Pablo Iglesias (Espanha), Francisco Louçã (Portugal), o escutaram e escutam para criar alternativas que vão além das siglas. O sociólogo Boaventura de Sousa Santos (Coimbra, 1940) divide seu tempo entre a universidade portuguesa, onde elogia uma solução de Governo socialista sem precedentes, e a Universidade de Wisconsin, onde se empanturra de análises da CIA. Com mais de 40 ensaios no currículo, esta semana apresenta na Espanha, Esquerdas do Mundo, Uni-vos. Embora acredite nas conspirações globais, Sousa Santos também acredita na capacidade das forças locais para criar alternativas que escapem ao determinismo dos poderes fáticos, e até acredita que a democracia liberal só pode ser defendida pela esquerda. Apesar de nem sempre acertar, Salve Santos!

Pergunta. Depois de 14 anos de Governos de esquerda parece que os brasileiros ficaram escaldados…

Resposta. Lula foi um grande presidente, mas cometeu muitos erros. Ele usou o antigo sistema político para governar com a direita. Não houve reforma fiscal nem do sistema nem dos meios de comunicação no momento em que seu partido, o PT, tinha uma grande legitimidade para fazer isso. Governar com o antigo sistema antigo foi governar com o compadrio, com a corrupção endêmica dos partidos, não só do PT.

P. As Bolsas acolheram com grande otimismo a derrota do PT e a vitória de Bolsonaro.

R. Sim, agora, depois das eleições, em vez da reação das pessoas, a primeira notícia da mídia é a reação dos mercados. A Bolsa é controlada por cinco grandes instituições financeiras, que movimentam 50 trilhões dos 90 trilhões do PIB mundial e têm, portanto, um poder enorme de chantagem sobre os sistemas políticos nacionais. A derrota da esquerda no Brasil não é alheia ao imperialismo americano.

P. Esse termo não soa como algo antigo?

R. Já sei que deixou de ser usado na mídia, mas acho que o imperialismo americano existe, embora andassem distraídos na primeira década do século.

P. Muito usado por Chávez, Evo Morales, Lula …

R. Foi uma década em que os Estados Unidos estavam concentrados no Iraque, e isso permitiu às forças progressistas da Argentina, Venezuela, Brasil, Bolívia, Equador, Chile chegarem ao poder. A partir de 2009, os americanos começam a perceber que estão perdendo a América Latina, que têm agora um novo parceiro, a China. Sua primeira reação é o golpe hondurenho de 2009. Uma década depois os hondurenhos emigram em caravana para os Estados Unidos.

P. O imperialismo americano não se contenta apenas com Honduras, é isso?

R. Os EUA precisam que todos os países aliados parem a China, mas de maneiras diferentes. Precisam da Europa, mas não da União Europeia (UE). A abordagem de Trump para a Europa é com o Tratado de Comércio Transatlântico, que quer acabar com isso porque não quer uma UE unida. É mais fácil para ele controlar o continente minando a UE, separando-a país por país. Conseguiu isso com o Reino Unido e vai tentar com outros. Um por um, dominará todo o continente melhor.

P. No entanto, os grandes investimentos da China são na África e América do Sul.

R. Leio atentamente todos os documentos da CIA para ver o futuro com seus olhos. A grande ameaça para manter sua hegemonia mundial é a China. Em 2030 será a primeira economia. Vivemos um intervalo entre duas globalizações. Tivemos várias desde 1870, cada uma dominada por uma inovação tecnológica, do motor a vapor à Internet. As últimas sempre foram dominadas pelos Estados Unidos, mas vamos entrar em uma nova onda de inovação, estrelada pela inteligência artificial, a robótica e a automação, e nestas áreas – ao contrário das anteriores– a China está bem posicionada. Quem dominar a nova onda será o país hegemônico.

P. A hora do imperialismo chinês?

“A Bolsa é controlada por cinco grandes instituições financeiras, que têm um enorme poder de chantagem”

R. A China se juntou à Rússia, Índia, Brasil e África do Sul, os BRICS. Esse projeto, ao contrário do que poderíamos imaginar, era um aviso temível para os Estados Unidos. Tinha que ser neutralizado a qualquer preço porque colocaria em questão o mais sagrado do império americano, o dólar. Em 1971, deixou de estar respaldado pelo padrão-ouro, mas os EUA entraram em acordo com a família real saudita para que o dólar fosse a única moeda de pagamento das transações petrolíferas.

P. E assim continua meio século depois.

R. Sim, ao custo de reprimir qualquer movimento para acabar com o dólar como a única referência mundial. Sempre que há um ataque a essa moeda a reação dos Estados Unidos é brutal. É verdade que o ex-presidente do FMI Dominique Strauss-Kahn esteve em uma confusão com uma camareira, mas, coincidentemente, um mês antes ele havia proposto a criação de uma cesta de moedas como referência para o comércio mundial, e não apenas o dólar. [Sadam] Hussein queria que o comércio de hidrocarbonetos fosse em euros e Gaddafi propôs uma moeda africana semelhante ao euro. Todos tiveram destinos fatais.

P. E aquele BRICS perdeu seu peão brasileiro.

R. Antes a Índia de Mohdi se entregara incondicionalmente, mas o Brasil é a sétima economia mundial e aproveitaram que tivesse uma democracia ainda frágil para acabar com esse laboratório. O BRICS ficou neutralizado.

P. As democracias trocaram Obama por Trump, Lula por Bolsonaro, Rienzi por Salvini…

R. Vivemos um ciclo reacionário, típico entre os intervalos das globalizações. É uma época em que a agressividade e a rivalidade entre os países aumentam –na Europa, deu origem a duas guerras. Sua face visível é Steve Bannon, ex-assessor de Trump. Não é coincidência que a sua organização, The Movement, tenha se instalado em Bruxelas. O seu objetivo é conseguir uma maioria de eurocéticos nas eleições europeias de maio e, assim, destruir democraticamente a UE.

P. Teme que ele consiga?

R. Vejo isso com muita preocupação. Esta onda reacionária é diferente das outras, tenta acabar com a distinção entre ditadura e democracia. A democracia liberal não sabe defender-se dos antidemocratas, de antissistemas como Trump ou Bolsonaro, que se aproveitam do sistema. A opinião pública é destruída com notícias falsas que transformam o adversário em inimigo; com o adversário se discute, o inimigo se destrói.

P. Mas como esse ciclo reacionário se formou?

R. Claro que não é uma crise repentina, tem suas causas. Se deixamos de ocupar um espaço, outros não o farão. Se os partidos clássicos se dedicam aos processos eleitorais e a suas alianças, e não trabalham com as classes populares, outros o farão. E não apenas os partidos. A Igreja Católica tinha uma forte base na América Latina com a teologia da libertação. João Paulo II a liquidou e esse vazio está sendo ocupado pela chamada teologia da prosperidade das igrejas evangélicas de influência norte-americana. Os ricos recebem a bênção de Deus, os pobres não são abençoados, são demonizados, culpados por sua pobreza. Houve um abandono das classes populares pelas elites, sejam elas políticas ou eclesiásticas.

P. O senhor tem uma solução?

R. Sim, Esquerda do Mundo, Uni-vos, o título do meu novo ensaio. A esquerda tem que acabar com seus dogmatismos e isolacionismo e estar ciente de que neste ciclo reacionário as forças esquerdistas são as que melhor podem defender a democracia liberal, porque a direita se entregou totalmente (a esquerda, parcialmente) aos poderes financeiros.

“João Paulo II liquidou a teologia da libertação católica e esse espaço é ocupado pela igreja evangélica”

P. Neste período reacionário, uma das exceções tem sido a solução portuguesa, um governo socialista com o apoio parlamentar de partidos à sua esquerda, incluindo antieuropeus, do Bloco e o Partido Comunista.

R. É a grande inovação política dos últimos anos. O partido socialista de Costa decide articular-se com partidos à esquerda em vez de fazer isso com a direita, como sempre. Com uma clarividência extraordinária, com o Bloco e o PC, chegaram à conclusão de que há muitas coisas que os separam, mas há outras que os unem, suficientes para governar. Estar unidos para acabar com a austeridade, já é muito. Se o PC é contra o euro e o PS a favor, isso não conta. Essa foi a grande sabedoria dos partidos.

P. Portugal rompeu com muitas profecias catastróficas.

R. Portugal demonstrou que o neoliberalismo era uma mentira. Com soluções contrárias a essa ideologia, o Governo deu um respiro às classes populares. A economia cresce, o investimento chega, o desemprego cai. Se isso tivesse acontecido em outro país, seria notícia mundial.

P. O modelo é exportável?

R. As soluções não podem ser copiadas, mas pode-se aprender com elas. Tenho alguma esperança de que sejam aceitas na Espanha com os jovens Sánchez e Iglesias. Esta semana vou lá para conversar com todos os partidos da esquerda. Na Espanha, o grande ator diferencial é a questão das nacionalidades e, especificamente, a Catalunha, o que impede qualquer acordo e, em minha opinião, assim vai continuar por algum tempo. Quando se joga o tudo ou nada, o acordo é impossível.

P. Na Espanha, mais do que em esquerda e direita, fala-se em castas e movimentos transversais.

R. Sei disso e fico indignado. A distinção entre esquerda e direita nunca foi tão importante. A esquerda muitas vezes apaixona, mas deixa passar oportunidades de ser outra alternativa de vida. A esquerda não pode ter vergonha de defender o Estado, obviamente democrático e não corrupto. Quem mais vai precisar de saúde pública, de mais educação, não serão as classes médias altas, mas sim aquelas que ganham o salário mínimo. É preciso ter a coragem de aumentar os impostos dos mais ricos. Prejudica o investimento, dizia-se em Portugal. Não foi assim, pelo contrário, aumentou. Há muitas mentiras econômicas. Os maiores mentirosos deste século ganharam os prêmios Nobel de Economia.

P. A solução portuguesa pode mudar a tendência da União Europeia nas eleições de maio?

R. Portugal é um país muito pequeno para mudar a UE, mas se tivéssemos uma solução de esquerda moderada na Espanha, mais a Grécia e a Itália, derrotaríamos a extrema direita, e a UE seria salva. Se não a mudamos por dentro, haverá brexititaliabrexit e austriaexit –sem contar a Hungria e a Polônia, que são europeus só para receber dinheiro comunitário– e em vez de ter uma solução de esquerda para reinventar a UE, será uma de direita para destruir a Europa. Esse é o dilema que enfrentamos.

Garrafas, sacos e louça de plástico estão proibidos na administração pública portuguesa

ministra portuguesa
Ministraa da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques

O Conselho de Ministros de Portugal  aprovou esta quinta-feira uma resolução que proíbe a administração direta e indireta do Estado de usar garrafas, sacos e louça de plástico, pretendendo ainda reduzir em 25%, num ano, o consumo de papel e consumíveis.

No briefing do Conselho de Ministros de Portugal deste dia, a ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, anunciou a aprovação de uma resolução que “define as medidas para a redução do consumo de papel, de consumíveis de impressão e de produtos de plástico na Administração Pública”.

“Definindo como regra a proibição de uso a garrafas, sacos e louça de plástico e forçando o uso de materiais alternativos com orientações também para a contratação pública”, explicou a governante.

O objetivo desta resolução passa ainda por “reduzir em 25%, num ano, a despesa com consumo de papel e consumíveis”.

Um exemplo desta nova medida serão os próprios comunicados do Conselho de Ministros de Portugal, que a partir da próxima reunião do Governo já não serão distribuídos em papel, como habitualmente, aos jornalistas, passando a estar apenas disponíveis na página de internet do executivo.

“A resolução terá caráter vinculativo para a administração direta e indireta do Estado, incluindo os institutos públicos de regime especial, para os gabinetes dos membros do Governo, e para o setor empresarial do Estado, aplicando-se, a título facultativo, à administração autónoma”, pode ler-se no comunicado do Conselho de Ministros.

O cumprimento destes objetivos será avaliado a 31 de janeiro de 2020.

fonte;https://www.dn.pt/poder/interior/governo-proibe-garrafas-sacos-e-louca-de-plastico-na-administracao-publica–10021640.html?utm_source=Push&utm_medium=Web

Angola na Commowealth e na Comunidade Fancófona

Nos últimos dias, Luanda fez saber que quer entrar na Organização Internacional da Francofonia e na Commonwealth. No périplo do novo Governo pela Europa, Portugal não foi incluído. O que significa esta mudança?

João Lourenço, Luanda, eleição legislativa angolana, 2017, Presidente de Angola

Foto
João Lourenço, Presidente de Angola REUTERS

A intenção foi divulgada esta quarta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson, mas não terá espantado a diplomacia portuguesa: Angola vai pedir adesão à Commonwealth, a comunidade de países de língua inglesa.

Diplomatas ouvidos pelo PÚBLICO notam o facto de João Lourenço não ter sequer incluído Portugal no seu primeiro périplo europeu e, uma vez no continente, ter feito uma aproximação explícita aos clubes anglófono e francófono, relegando a comunidade lusófona para terceiro lugar.

“Angola escolheu Paris e agora Bruxelas”, concorda o deputado social-democrata Paulo Neves, membro da Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República e que acompanha a política africana e a CPLP. “Se a lusofonia fosse a prioridade, a primeira visita teria sido a Portugal e à sede da CPLP”, disse ao PÚBLICO.

 

https://www.publico.pt/2018/06/06/mundo/noticia/angola-da-sinais-de-que-lusofonia-nao-e-prioridade-1833461

Burkina Faso aboliu a pena de morte

map burkinafaso“Portugal congratula-se com mais um importante passo no sentido da progressiva abolição universal da pena de morte, esperando que a decisão do Burkina Faso se constitua também como modelo e inspiração para outros países”, afirma a nota do Palácio das Necessidades. Lisboa, acrescenta, aboliu a pena de morte há mais de 150 anos e “opõe-se à sua aplicação em quaisquer circunstâncias e em todos os casos, repudiando todos os argumentos utilizados para a justificar”.

Para as autoridades portuguesas, a pena capital “viola o direito à vida e não respeita a dignidade da pessoa humana”, consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, e no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, de 1966.

“País pioneiro na abolição da pena de morte, Portugal continuará a pugnar pela abolição universal da pena capital”, afirma ainda a nota do Governo.

O ministro da Justiça do Burkina Faso, Rene Bagoro, afirmou que o novo código penal permitirá “adaptar-se às exigências de certas convenções comunitárias e internacionais” e abrirá caminho para “uma justiça mais credível, equitativa, acessível e eficaz com a aplicação da lei penal”.

A pena de morte não era aplicada desde a década de 1970, mas manteve-se aquando da última reforma do código penal, em 1996. Associações de direitos humanos locais, representantes eclesiásticos e organizações internacionais, como a Amnistia Internacional (AI), reclamaram esta abolição durante a última década.

https://www.publico.pt/2018/06/05/mundo/noticia/portugal-felicita-burkina-faso-pela-abolicao-da-pena-de-morte-1833350

A dura luta contra o racismo em Portugal

A propósito do Dia Mundial da Tolerância em Portugal em novembro do ano passado foi  entrevistado Mamadou Ba, dirigente da associação S.O.S. Racismo, e uma das vozes mais sonantes no combate ao racismo e integração das minorias étcnicas na sociedade.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de Gerardo Santos/Global Imagens

Nasceu no Senegal, fundou a Associação Luso-Senegalesa e encontrou na direção da associação S.O.S. Racismo uma missão para vida. O discurso é assertivo e vai direto ao assunto. «O racismo está bastante presente em Portugal».

O movimento S.O.S. Racismo (que também existe em também em França, Austria, Itália e Noruega) comemorou vinte anos desde a sua formação e, para Mamadou Ba, é um dos organismos que «tem mesmo de existir porque há ainda muito que fazer».

Em entrevista, Mamadou admite que o cenário melhorou mas que as minorias ainda são «uma segunda camada da sociedade».

Falamos de tolerância esta semana. O racismo e a xenofobia são a antítese desta noção. 
Completamente. Como é possível sermos tão rápidos a criticar ou ostracizar uns aos outros e já nos é mais difícil aceitar que, no fundo, somos todos iguais? É um problema tão grave que está enraizado na cultura, na educação, no civismo e na forma como olhamos o mundo.

Temos de ensinar as nossas crianças – os adultos de amanhã – que temos todos os mesmo direitos.

Como se começa a erradicar o racismo quando está tão intrínseco na nossa sociedade? 
Começa primeiro por uma catarse social a nível global. Primeiro que tudo, para resolver o problema é preciso admitir a sua existência. Este é o primeiro passo. Não é ignorar, não é achar que já se fez tudo. Vamos admitir que este é um problema endémico e a partir dai, como sociedade, vamos criar mecanismos para resolvê-lo. Obviamente, as medidas passam por diversas áreas. Numa primeira fase, é na formação dos cidadãos. A nossa educação tem de ser absolutamente revista. Os conteúdos curriculares têm de refletir a diversidade cultural. É fundamental. Temos de ensinar as nossas crianças – os adultos de amanhã – que temos todos os mesmo direitos.

Mas essa acaba por ser uma medida a longo prazo. O que pode ser feito agora?
É verdade. Rever todo o sistema de educação demora tempo. A curto ou médio prazo, o Estado tem de traduzir, nas suas políticas gerais, medidas concretas para combater o preconceito, não só na educação mas na área do emprego, social, cultural. O olhar da justiça sobre a diferença precisa de ser reformulado.

Primeiro que tudo, para resolver o problema do racismo é preciso admitir a sua existência. Este é o primeiro passo.

Vinte anos de trabalho do S.O.S. Racismo em Portugal. O que mudou? 
Há uma coisa inegável. A questão do racismo agora faz parte do debate público. Deixou de ser um tabu discutir o racismo na sociedade. É um passo grande. Em finais da década de 1990, houve um quadro jurídico virado para o combate contra o racismo. Não havia antes. Há instrumentos públicos que foram criados nesse sentido.

E funcionam?
Precisam ser mais eficazes. Ainda pecam muito pela falta de ação. O quadro jurídico deveria evoluir segundo as indicações da ECRI (European Commission against Racism and Intolerance). Até agora tem sido muito pouco eficiente na punição de infratores. O racismo tem de ser punível por lei. Impõe-se uma restruturação substancial do sistema legal. Não resolve do ponto de vista social a questão do racismo, mas seria um poderoso incentivo.

O discurso político em relação à suposta ameaça dos refugiados e da sua presença contaminou o debate público de que falávamos porque deu força a alguns discursos xenófobos e racistas.

O S.O.S Racismo trabalha diretamente com as comunidades negra e cigana…
Que são as duas mais afetadas pela questão racial, sem dúvida. Continuam numa espécie de segunda camada da sociedade portuguesa. Quase não existem figuras de relevo destas comunidades, pois não? Isto é um sintoma do que se passa. As pessoas ainda estão «atrás do biombo» em relação aos outros.

A Europa vive uma crise de refugiados que se arrasta há já algum tempo mas que já pouco se fala. Esta situação teve algum impacto na forma como a comunidade europeia olha para as minorias étnicas? 
Eu não chamaria crise dos refugiados, mas uma crise da resposta política à questão dos refugiados. Se nós olharmos à volta da Europa, para o Líbano ou Turquia, vemos que o número de refugiados é substancialmente maior. Houve um debate público a nível europeu que resvalou pouco por cá. O discurso político em relação à suposta ameaça dos refugiados e da sua presença contaminou o debate público de que falávamos porque deu força a alguns discursos xenófobos e racistas e observamos, com muito receio, a ascensão das forças de extrema-direita.

Em Portugal também?
Não sentimos com a mesma força que noutros países, isso não.

 

Fonte;https://www.noticiasmagazine.pt/2017/mamadou-ba-racismo-punivel-lei/

Falar de racismo em Portugal é um tabu

mamadouOPINIÃO

Desafiámos Mamadou Ba a pronunciar-se sobre o episódio ocorrido este fim-de-semana na Feira do Livro durante um debate sobre activismo no qual era um dos participantes.

No dia 2 de Junho, a convite de Joana Gorjão Henriques [jornalista do PÚBLICO e autora de Racismo no país dos brancos costumes], fui à Feira do Livro de Lisboa discutir ativismos em torno deste seu último livro, editado pela Tinta da China, na companhia de Ana Tica, Beatriz Gomes Dias e Raquel Rodrigues.

Com vivacidade, intensidade e acutilância, as magistrais intervenções das minhas companheiras de ativismo puseram o dedo na ferida, vincando o caracter estrutural do racismo na sociedade portuguesa, mostrando como o ativismo pode – e está cada vez mais a consegui-lo –  quebrar o tabu sobre a sua existência e desconstruir o mito de uma certa excecionalidade do legado colonial português que seria uma espécie de maleita virtuosa que preveniria o racismo.

Enquanto decorria o debate, uma funcionária da APEL, visivelmente incomodada, manifestava a sua discordância com o teor da conversa, tecendo comentários e referindo-se a nós como “esta gente”. Ainda estávamos a meio do debate quando ela começou a pedir para apressarmos o seu fim, uma vez que se iria seguir um outro evento no mesmo local. Continuou a insistir para acabarmos o debate de imediato, estava a Raquel Rodrigues no uso da palavra. Quando chegou a minha vez, após ter agradecido à Joana pelo seu contributo na visibilidade do ativismo, de me orgulhar de ter ali três mulheres negras a usar da palavra, a falar por e sobre si próprias e sobre nós todo/as, o que achava mais um passo na conquista de lugar no espaço público, eis que sou diretamente interpelado pela funcionária nos seguintes termos: “Vê lá se te despachas!”

Aconteceu-me um momentâneo bloqueio mental. Não é que não esteja habituado a ser interrompido ou até, por vezes, apupado durante uma intervenção. Consoante as circunstâncias e os contextos, costumo lidar com frieza ou ira. Mas naquele momento, nem uma nem outra coisa aconteceram. Por instantes, tive um nó na garganta. Porque ficou claro para mim que, não fosse o debate sobre ativismo anti-racista e as e os seus protagonistas serem sujeitos racializados negros, obviamente que esta cena não teria nunca acontecido nos moldes em que aconteceu. Senti-me terrivelmente violentado, desrespeitado e humilhado e senti uma profunda desilusão tendo em conta o contexto e o ambiente.

Ainda assim, a indignação da editora Tinta da China, pela voz de Bárbara Bulhosa, da quase totalidade da assistência, das minhas companheiras de mesa foi um bálsamo para mim, bem como a avalancha de reclamações no livro de reclamações [da Feira do Livro] foi motivo de orgulho e esperança.

O que aconteceu connosco na Feira do Livro, e a inaceitavelmente tardia reação da própria APEL, levantam a questão sobre qual o nosso lugar na sociedade portuguesa. Pois a questão do lugar é das mais centrais no debate sobre o racismo nas sociedades como a nossa, onde a colonialidade, âncora da banalização do racismo, assume relevância cultural. A invisibilidade do corpo negro no espaço público prende-se, em larga medida, com o lugar de fala que lhe é reconhecido e/ou atribuído. Porque falar é poder. Poder de luta, de confronto com a realidade, de capacidade de propostas e de potencial transformador das relações de força. A partir do momento em que negras e negros querem e podem falar por si, sobre si próprios e a sua condição, mas também com e sobre a sociedade, com autonomia política, estala o verniz. O que aconteceu na Feira do Livro inscreve-se basicamente na lógica do que tem acontecido ultimamente no país, em que vozes negras que ousam falar do racismo e da sua ligação com o legado colonial sofrem uma injunção ao silêncio.

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Sabemos que dói quando se toca na ferida, mas se não a tratarmos enquanto é tempo será muito mais difícil extirpar a gangrena e evitar episódios como aquele que aconteceu no sábado. A sociedade e as instituições têm de se habituar que o debate sobre racismo jamais será quando e como quiserem. O episódio de sábado revela o quão importante é não deixar o espaço do debate aos arautos da verdade única que querem silenciar o ativismo para continuar a legitimar o racismo.

Os sujeitos racializados negros vão continuar a afirmar com autonomia e determinação a escolha do momento de fala. E a força e as circunstâncias do seu aparecimento no espaço público são, efetivamente, uma posição política clara de luta pelo reconhecimento do seu direito à palavra, o seu direito ao lugar na sociedade portuguesa. Mais do que objetos de uma condição histórica determinada apenas por outrem, assumem-se como sujeitos políticos que lutam pela sua afirmação.

No sábado ficou claro que falar de racismo na sociedade portuguesa ainda incomoda e é por isso que importa manter o debate aceso no espaço público. O nosso ativismo nunca foi para mendigar lugar, mas sim para conquistar lugar, direito e legitimidade política para ocupar todos os espaços de cidadania em liberdade.

Mamadou Ba escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Fonte: https://www.publico.pt/2018/06/04/sociedade/opiniao/falar-de-racismo-em-portugal-incomoda-e-e-por-isso-tambem-que-importa-1833148?utm_source=notifications&utm_medium=web&utm_campaign=1833148#

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Boubakar Keita: “Não há intercâmbios entre os cientistas africanos”


Professor Boubakar Namory Keita
Professor Boubakar Namory Keita

Boubakar Keita diz que isso prejudica o continente

A falta de contactos entre cientistas e investigadores africanos é ”um grande desafio” para o desenvolvimento de África, disse Boubakar Namory Keita professor de história e e antropologia na Universidade Agostinho Neto.

“Não há um grande intercambio entre as universidades angolanas, entre a intelectualidade angolana os centros de estudos angolanos e os seus congéneres de outros pais africanos mesmo os mais próximos como Namíbia África do Sul congo e outros”, disse Keita.

“Infelizmente isto é um grande deficit e faz parte dos actuais desafios que se colocam ao continente africano”, acrescentou o professor para quem esta situação “faz parte dos inúmeros problemas que o continente vive na ciência e na investigação cientifica”.

“So se observam focos isolados e infelizmente não há grande troca de experiencias não há um intercambio efectivo permanente entre as regiões”, disse.

“Existem mais intercâmbios entre Angola e Portugal, entre Angola e o Brasil do que entre Angola e o Senegal ou o Mali Burkina Faso”, afirmou Keita acrescentando que isso “é uma herança colonial “.

Keita falava por ocasião da publicação pela Mayamba Editoria e a a faculdade de ciências sociais a obra “Contribuição endógena para a escrita da história da África Negra – Ensaio sobre a obra de Cheikh Anta Diop.

O acto visou saudar o Dia de África – 25 de Maio e os 40 Anos da Independência de Angola, sob o lema “Angola 40 Anos – Independência, Paz, Unidade Nacional e Desenvolvimento”.

Keita disse que Diop “desconstruiu toda uma mitologia em volta do passado da África, em volta daquilo que África era capaz e irá ser”.

Para Keita Diop “teve que desmantelar e desconstruir um conjunto de mitos em volta do passado e da capacidade dos negros africano para construir novos paradigmas novos modelos”.

“Faltava essa pequena luz que possibilitava uma outra contribuição do passado da África Negra para podermos fazer uma historia objectiva mas não uma historia partidária ou subjectiva” disse o professor da Universidade Agostinho Neto.

https://www.voaportugues.com/a/no-h-contactos-entre-investigadores-africanos-professor-da-universidade-agostinho-neto/2802014.html

As relações entre os governos de Angola e Portugal se reaproximam

O director do órgão de comunicação social detido pelo Estado angolano avisa que a decisão de transferir o processo Manuel Vicente para Angola, só por si, não “deixará tudo como era antes”.

Jornal de Angola: danos nas relações “ainda vão fazer-se sentir por algum tempo”
Lusa

Os governos de Portugal e Angola estão a reaproximar-se, depois de resolvido o caso Manuel Vicente, mas o regresso à normalidade das relações bilaterais ainda vão demorar tempo a concretizar-se. Esta é a convicção de Victor Silva, director do Jornal de Angola, que assina o editorial desta quarta-feira, 16 de Maio, deste órgão de comunicação social detido pelo Estado.

“O desconforto por que passaram as relações oficiais entre os dois países parece agora ultrapassado, mas deixou danos que, apesar de reparáveis, ainda vão fazer-se sentir por algum tempo”, alerta Victor Silva. O editorialista acrescenta: “passo a passo, vai-se quebrando o gelo que permitirá a reposição da cooperação política nos mais altos patamares, sendo, contudo, prudente não se pensar que a decisão do tribunal português, só por si, deixará tudo como era antes”.

Manuel Vicente, ex-vice-presidente de Angola, era acusado pela justiça portuguesa de ter corrompido o magistrado Orlando Figueira. Não chegou a ser notificado e o seu processo acabou por se destacado do julgamento de orlando Figueira que ainda decorre. A 10 de Maio deste ano, o Tribunal da Relação de Lisboa decidiu transferir o processo para Angola, acedendo assim à pretensão do Estado angolano e dos advogados de Manuel Vicente.

O director do Jornal de Angola sublinha que durante o decurso do chamado caso Manuel Vicente “nunca houve um extremar de posições”, uma observação assente no encontro que o presidente de Angola, João Lourenço, e o primeiro-ministro português, António Costa, tiveram em Davos e também na deslocação de Marcelo Rebelo de Sousa a Angola para assistir à tomada de posse do chefe de Estado angolano, mas salienta que a polémica criada em torno deste processo teve, sobretudo, contornos políticos.

“O problema estava na política, se bem que se ouviu até à exaustão o argumento da separação de poderes, com a alegada independência do judicial, uma regra elementar de qualquer Estado Democrático de Direito.

Mesmo depois do acórdão do Tribunal da Relação, a polémica sobre o assunto persiste, com as posições divididas quanto à eventual inclinação política na decisão do colectivo de juízes de enviar para Angola o processo do ex-vice Presidente Manuel Vicente, escreve Victor Silva.

O editorialista partilha a opinião de que os dois países estão condenados a entender-se mas deixa uma ressalva: “esse entendimento passa, acima de tudo, pelo respeito, pela soberania e pela não-ingerência, que recorrentemente são ignorados em nome de liberdades que agendas escondidas no tempo vão buscar para sustentar velhos desígnios”.

Festival Literário Luso-afro- brasileiro – FESTLAB de 15 a 18 de maio.

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Em alusão ao Dia Internacional da Língua Portuguesa, que é comemorado no início de maio, a Embaixada do Brasil em Luanda,

através do Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA), promove o

Festival Literário Luso-afro- brasileiro –  FESTLAB

de 15 a 18 de maio.

 

Nesta segunda edição, os curadores do Festival Literário, o escritor angolano José Luís Mendonça e a Diretora do CCBA, Nidia Klein, definiram os seguintes temas para serem discutidos entre os mais de 15 convidados de seis países lusófonos:

 

15 de Maio (Terça-feira)
18h30 às 20h30

MEDIADORES DO PROCESSO DE LEITURA

1. As problemáticas do acesso ao livro – estantes materiais e virtuais; o mercado livreiro; taxação do livro importado

2. Alternativas de edição e publicação populares (livro de cordel e fanzines)

3. Tradição oral e contação de histórias (leitura dramática, teatralização e musicalização) como gatilhos para o despertar para a leitura

Moderação: Pedro Janja- Professor investigador da UNIPiaget

Debatedores: Mirna Queiroz- Brasil

António Fonseca – Angola
Domingas Monte – Angola
16 de Maio (Quarta-feira)
10h às 12h

LITERTURA INFANTIL

1. Equívocos derivados da iliteracia literária; literatura ou notícia moralista?

2. O fascínio da ilustração: técnicas, tendências, equilíbrio entre texto e imagem e convergência etária.

3. Literatura infanto-juvenil: um gênero esquecido? (Mala viajante; tradição oral)

Moderação: Teresa Mateus – Diretora do Centro Cultural Português – Instituto Camões Luanda

Debatedores: Marta Costa- Brasil

Hélder Simbad – Angola

Felipe Fortuna – Brasil

 

18h às 20h
O LIVRO COMO FERRAMENTA DIALÓGICA INTER-GERACIONAL

1. O livro como ferramenta dialógica inter-geracional

2. A função central da leitura como pressuposto da criação literária.

3. O acervo bibliográfico mundial historicamente constituído como voz viva dos seus autores: tradução como forma de diversificação de acervo.

4. Dilemas culturais da criação: os jovens e as minorias

Moderação: Vera Franco de Carvalho – Embaixatriz do Brasil

Debatedores: Josélia Aguiar- Brasil

José Luís Mendonça – Angola

Lopito Feijóo – Angola

 

17 de Maio ( Quinta-feira)

18h às 20h

LIVRO E TECNOLOGIA

1. Criação de uma rede de agentes culturais e recursos eletrônicos literários na CPLP

2. A tecnologia como aliada aos meios tradicionais de criação literária contemporânea – impactos e adaptações

3. Difusão literária – novas perspectivas – rádio, gadgets, aplicativos, audiolivros, etc

Moderação: Nidia Klein – Diretora Centro Cultural Brasil-Angola

Debatedores: Mbate Pedro- Moçambique

Orlando Piedade- São Tomé e Príncipe

Felipe Fortuna – Brasil

 

18 de Maio (Sexta-feira)

18h às 20h30

LITERATURA E APROXIMAÇÃO DOS POVOS

1. Existirá uma interdependência entre Literatura e Desenvolvimento Social?

2. O que nos une e o que nos separa enquanto Literatura em Língua Portuguesa

3. O papel da literatura e do escritor na construção de um diálogo transversal entre os povos falantes do português

Moderação: José Luís Mendonça – Curador II Festlab

Debatedores: Flávia Amparo – Brasil

Maria João Cantinho – Portugal

Abraão Vicente – Cabo Verde

Ondjaki – Angola

 

Todos os encontros acontecerão no Centro Cultural Brasil-Angola – entrada pela Rua Frederich Engels – Bairro Coqueiros, ao lado do Museu de Antropologia e são gratuitos ao público.

 

O II Festlab tem o apoio da TAAG Linhas Aéreas de Angola, do Hotel Presidente, do Esplanada Grill, apoio institucional da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (Aebran) e da Ingresso Prático.

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DEBATEDORES
ANGOLA

António Fonseca
Membro Fundador da Academia Angolana de Letras, de que é o Secretário-Geral, é membro da União dos Escritores Angolanos, foi co-fundador da Brigada Jovem de Literatura. Publicou Raízes, Sobre os Kikongos de Angola, Poemas de Raíz e Voz, Crónica dum Tempo de Silêncio, Contribuição ao Estudo da Literatura Oral Angolana, Histórias e Memórias Desancoradas ( traduzido para o espanhol), Contos de Antologia, Contos da Nossa Terra e Primo Narciso e Outras Estórias. É co-autor da Antologia de Narrativas Tradicionais. Figura em diversas antologias, que de prosa, quer de poesia, algumas das quais traduzidas. Iniciou atividade jornalística em 1976 na Emissora Católica de Angola, ingressando posteriormente na Rádio Nacional de Angola onde, desde 1978, realiza e apresenta o programa ANTOLOGIA; realizou e apresentou o programa Estórias na TV Palanca.

Dirigiu a ENDIPU – Empresa Nacional do Disco e de Publicações de 1982 a 2004 e dirigiu cumulativamente o INALD – Instituto Nacional do Livro e do Disco de 1983 a 2004 com interregno de cerca de um ano. Exerceu igualmente a função de Secretário Geral do MINCULT. Dirigiu o Gabinete Jurídico do Ministério da Cultura de 2004 a 2006 e exerceu entre 2007 e 2009 a função de Diretor Nacional dos Direitos de Autor e dos Direitos Conexos e a de Diretor Geral do Instituto Nacional do Livro e do Disco e, posteriormente, até ao final de 2013, a função de Diretor Geral do Instituto Nacional das Indústrias Culturais. É consultor do Gabinete da Ministra da Cultura. É docente na Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto.

 

Domingas Monte
Autora do livro infanto-juvenil “O Gelado de Múkua da Mamita”. Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes, ramo de Estudos Comparatistas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto em Portugal, é licenciada em Línguas e Literaturas Africanas, ramo de literaturas africanas, pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto em Angola é docente da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto em Luanda, no curso de línguas e literaturas africanas. Foi jornalista e administrativa na rádio LAC, tem uma obra poética publicada em conjunto com um grupo de amigos, «O Perfume», possui poemas em antologias poéticas no Brasil. Co-autora do romance interativo «O cruzeiro da morte», co-autora da colectânea «Sonhos sem Fronteiras». Possui poemas no site Paralerepensar. Criou o Blogue Mwelo Weto, do qual é administradora.

 

Hélder Simbad
Angolano, de Cabinda. Professor de Língua Portuguesa e Literatura Africana do Segundo Ciclo de Ensino. É Coordenador Geral do Movimento Litteragris. Foi o vencedor do prémio António Jacinto, edição 2017.

 

Lopito Feijóo
Membro da União de Escritores Angolanos (UEA), escreveu os seguintes livros: Entre o Écran e o Esperma (1985), Menção Honrosa no concurso De Literatura “Camarada Presidente”; Me Ditando (s/d); Doutrina (1987) edição da UEA; Rosa Cor de Rosa (1987); Corpo a Corpo (1987); Cartas deAmor (1990); Meditando. Textos de Reflexão Geral sobre Literatura (1994). Reconhecido e prestigiado poeta e ensaísta, a sua obra figura em revistas e jornais nacionais e estrangeiros: brasileiros, portugueses, galegos, norte-americanos, entre outros.

 

José Luís Mendonça
Escritor com vasta obra publicada, e cujo mérito foi-lhe reconhecido pelo Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2015. Licenciado em Direito pela Universidade Católica de Angola, a sua participação mais visível na construção da Polis angolana tem-se cingido, até ao momento, aos andaimes do
jornalismo, paixão esta que lhe valeria a atribuição, em 2005, do Prémio Notícias da Lusofonia CNN-Multichoice de Jornalismo Africano. Presentemente é diretor e editor-chefe de Cultura – jornal angolano de Artes e Letras.

 

Ondjaki
É membro da União dos Escritores Angolanos, membro honorário da Associação de Poetas Húngaros e da Japan International Dark Poetry Society. Na Galiza, foi agraciado com a palavra-amuleto “angolego”. Prosador e poeta, também escreve para cinema. Está traduzido para francês, espanhol, italiano, alemão, inglês, sérvio, croata, swahili, holandês e sueco. Escreve crónicas para jornais (Angola, Portugal, Brasil, Inglaterra) e, ocasionalmente, é (des)professor de escrita criativa .

 

BRASIL
Felipe Fortuna
Poeta, ensaísta e diplomata, é mestre em Literatura Brasileira pela PUC-Rio de Janeiro, com tese sobre o simbolismo brasileiro.
Estreou na poesia em 1986, com o livro “Ou vice-versa” e, desde então, publicou um total de 15 livros.

 

Flávia Amparo
É Professora Associada de Literatura Brasileira da Universidade Federal Fluminense e do Colégio Pedro II (Rio de Janeiro, Brasil). Doutora em Literatura Brasileira, especialista na poesia de Machado de Assis. Publicou, As melhores crônicas de Josué Montello, os volumes Luiz Murat e Mario de Alencar, da série Essencial da Academia Brasileira de Letras, e Itinerários da palavra. Sua pesquisa atual se concentra nos estudos de Literatura – teoria e crítica literária – assim como analisa as suas contribuições para o letramento e o ensino de Língua.

 

Josélia Aguiar
É jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (BA), mestre e doutoranda em história pela Universidade de São Paulo (USP). Na Folha de S. Paulo, foi repórter, redatora e correspondente em Londres. Editou a EntreLivros, revista mensal sobre livros entre 2005 e 2008. Foi curadora do Festival da Mantiqueira (2014) e é pelo segundo ano curadora da Festa Literária Internacional de Paraty (2017-2018). Escreveu a biografia do escritor Jorge Amado, projeto iniciado em 2011, cujo lançamento ocorrerá julho deste ano.

 

Marta Morais da Costa
Graduou-se em Letras pela UFPR, fez mestrado e doutorado na USP na área de literatura brasileira, com dissertação sobre a dramaturgia de Roberto Gomes (1882-1922) e tese sobre a história do teatro em Curitiba. Tem dezenas de artigos publicados em revistas nacionais. É pesquisadora da Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio. Ocupa a cadeira nº 27 de Academia Paranaense de Letras.

 

Mirna Queiroz
É jornalista e editora, com mestrado em Estudos
Culturais pela Universidade de São Paulo (USP). É fundadora e
diretora executiva da revista Pessoa (revistapessoa.com), voltada para a literatura contemporânea de língua portuguesa. É curadora da programação da Fundação Roberto Marinho/Museu da Língua Portuguesa para as edições 2017/2018 da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty.

 

CABO VERDE
Abraão Vicente
Atual Ministro da Cultura de Cabo Verde. É sociólogo de formação, pintor e fotógrafo autodidata com exposições em vários países e presença em coleções privadas de renome. Foi jornalista e cronista do jornal cabo-verdiano A Nação e concebeu e apresentou programas televisivos para as televisões local e portuguesa. É natural da Ilha de Santiago, Cabo Verde, mas estudou sociologia na Universidade Nova de Lisboa. É autor do romance O Trampolim, dos livros de poesia E de Repente a Noite e Amar 100 Medo, Cartas Improváveis & Outras Letras, da coletânea de crónicas Traços Rosa Choque, e do livro de poesia em prosa 1980 Labirintos. O autor participa, também, na coletâneas de contos Dez Contos Para Ler Sentado, entre outras.

 

MOÇAMBIQUE
Mbate Pedro
É autor de vários livros de poemas, com destaque para: Minarete de Medos e Outros Poemas, Debaixo do Silêncio que Arde , Vácuos e Os Crimes Montanhosos . Com Debaixo do Silêncio que Arde foi agraciado com o Prémio BCI (para o melhor livro do ano publicado em Moçambique) e com uma menção honrosa do Prémio Glória de Sant’Anna (Portugal). Tem os seus textos (poemas e ensaios) dispersos em várias revistas literárias e jornais e tem colaboração em diversas antologias.

 

PORTUGAL
Maria João Cantinho
Doutorou-se em Filosofia Contemporânea na Universidade Nova de Lisboa. É professora do ensino secundário e leccionou no IADE entre 2011/2016. É investigadora do CFUL na Universidade de Lisboa e no Centre d’Études Juives da Sorbonne. Publicou 4 livros de ficção, 4 de poesia e foi finalista do Prémio Telecom em 2006, com a obra “Caligrafia da Solidão”. O seu último livro, “Do Ínfimo” conquistou o Prémio Literário Glória de Sant’Anna e foi nomeado como finalista no Prémio de Poesia do Pen Clube Português.

 

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
Orlando Piedade
É autor da obra “O Amor Proibido”, um romance baseado na história da colonização em São Tomé e Príncipe, publicado pela editora Colibri em 2011.
É ainda autor da obra “Os Meninos Judeus Desterrados” – prémio literário Francisco José Tenreiro 2015, o seu último romance, publicado em Dezembro de 2014 pela mesma editora, onde aborda a história de cerca de duas mil crianças judias enviadas, em 1493, para povoar as ilhas de São Tomé e Príncipe.

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