Angola na Commowealth e na Comunidade Fancófona

Nos últimos dias, Luanda fez saber que quer entrar na Organização Internacional da Francofonia e na Commonwealth. No périplo do novo Governo pela Europa, Portugal não foi incluído. O que significa esta mudança?

João Lourenço, Luanda, eleição legislativa angolana, 2017, Presidente de Angola

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João Lourenço, Presidente de Angola REUTERS

A intenção foi divulgada esta quarta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson, mas não terá espantado a diplomacia portuguesa: Angola vai pedir adesão à Commonwealth, a comunidade de países de língua inglesa.

Diplomatas ouvidos pelo PÚBLICO notam o facto de João Lourenço não ter sequer incluído Portugal no seu primeiro périplo europeu e, uma vez no continente, ter feito uma aproximação explícita aos clubes anglófono e francófono, relegando a comunidade lusófona para terceiro lugar.

“Angola escolheu Paris e agora Bruxelas”, concorda o deputado social-democrata Paulo Neves, membro da Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República e que acompanha a política africana e a CPLP. “Se a lusofonia fosse a prioridade, a primeira visita teria sido a Portugal e à sede da CPLP”, disse ao PÚBLICO.

 

https://www.publico.pt/2018/06/06/mundo/noticia/angola-da-sinais-de-que-lusofonia-nao-e-prioridade-1833461

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Burkina Faso aboliu a pena de morte

map burkinafaso“Portugal congratula-se com mais um importante passo no sentido da progressiva abolição universal da pena de morte, esperando que a decisão do Burkina Faso se constitua também como modelo e inspiração para outros países”, afirma a nota do Palácio das Necessidades. Lisboa, acrescenta, aboliu a pena de morte há mais de 150 anos e “opõe-se à sua aplicação em quaisquer circunstâncias e em todos os casos, repudiando todos os argumentos utilizados para a justificar”.

Para as autoridades portuguesas, a pena capital “viola o direito à vida e não respeita a dignidade da pessoa humana”, consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, e no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, de 1966.

“País pioneiro na abolição da pena de morte, Portugal continuará a pugnar pela abolição universal da pena capital”, afirma ainda a nota do Governo.

O ministro da Justiça do Burkina Faso, Rene Bagoro, afirmou que o novo código penal permitirá “adaptar-se às exigências de certas convenções comunitárias e internacionais” e abrirá caminho para “uma justiça mais credível, equitativa, acessível e eficaz com a aplicação da lei penal”.

A pena de morte não era aplicada desde a década de 1970, mas manteve-se aquando da última reforma do código penal, em 1996. Associações de direitos humanos locais, representantes eclesiásticos e organizações internacionais, como a Amnistia Internacional (AI), reclamaram esta abolição durante a última década.

https://www.publico.pt/2018/06/05/mundo/noticia/portugal-felicita-burkina-faso-pela-abolicao-da-pena-de-morte-1833350

A dura luta contra o racismo em Portugal

A propósito do Dia Mundial da Tolerância em Portugal em novembro do ano passado foi  entrevistado Mamadou Ba, dirigente da associação S.O.S. Racismo, e uma das vozes mais sonantes no combate ao racismo e integração das minorias étcnicas na sociedade.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de Gerardo Santos/Global Imagens

Nasceu no Senegal, fundou a Associação Luso-Senegalesa e encontrou na direção da associação S.O.S. Racismo uma missão para vida. O discurso é assertivo e vai direto ao assunto. «O racismo está bastante presente em Portugal».

O movimento S.O.S. Racismo (que também existe em também em França, Austria, Itália e Noruega) comemorou vinte anos desde a sua formação e, para Mamadou Ba, é um dos organismos que «tem mesmo de existir porque há ainda muito que fazer».

Em entrevista, Mamadou admite que o cenário melhorou mas que as minorias ainda são «uma segunda camada da sociedade».

Falamos de tolerância esta semana. O racismo e a xenofobia são a antítese desta noção. 
Completamente. Como é possível sermos tão rápidos a criticar ou ostracizar uns aos outros e já nos é mais difícil aceitar que, no fundo, somos todos iguais? É um problema tão grave que está enraizado na cultura, na educação, no civismo e na forma como olhamos o mundo.

Temos de ensinar as nossas crianças – os adultos de amanhã – que temos todos os mesmo direitos.

Como se começa a erradicar o racismo quando está tão intrínseco na nossa sociedade? 
Começa primeiro por uma catarse social a nível global. Primeiro que tudo, para resolver o problema é preciso admitir a sua existência. Este é o primeiro passo. Não é ignorar, não é achar que já se fez tudo. Vamos admitir que este é um problema endémico e a partir dai, como sociedade, vamos criar mecanismos para resolvê-lo. Obviamente, as medidas passam por diversas áreas. Numa primeira fase, é na formação dos cidadãos. A nossa educação tem de ser absolutamente revista. Os conteúdos curriculares têm de refletir a diversidade cultural. É fundamental. Temos de ensinar as nossas crianças – os adultos de amanhã – que temos todos os mesmo direitos.

Mas essa acaba por ser uma medida a longo prazo. O que pode ser feito agora?
É verdade. Rever todo o sistema de educação demora tempo. A curto ou médio prazo, o Estado tem de traduzir, nas suas políticas gerais, medidas concretas para combater o preconceito, não só na educação mas na área do emprego, social, cultural. O olhar da justiça sobre a diferença precisa de ser reformulado.

Primeiro que tudo, para resolver o problema do racismo é preciso admitir a sua existência. Este é o primeiro passo.

Vinte anos de trabalho do S.O.S. Racismo em Portugal. O que mudou? 
Há uma coisa inegável. A questão do racismo agora faz parte do debate público. Deixou de ser um tabu discutir o racismo na sociedade. É um passo grande. Em finais da década de 1990, houve um quadro jurídico virado para o combate contra o racismo. Não havia antes. Há instrumentos públicos que foram criados nesse sentido.

E funcionam?
Precisam ser mais eficazes. Ainda pecam muito pela falta de ação. O quadro jurídico deveria evoluir segundo as indicações da ECRI (European Commission against Racism and Intolerance). Até agora tem sido muito pouco eficiente na punição de infratores. O racismo tem de ser punível por lei. Impõe-se uma restruturação substancial do sistema legal. Não resolve do ponto de vista social a questão do racismo, mas seria um poderoso incentivo.

O discurso político em relação à suposta ameaça dos refugiados e da sua presença contaminou o debate público de que falávamos porque deu força a alguns discursos xenófobos e racistas.

O S.O.S Racismo trabalha diretamente com as comunidades negra e cigana…
Que são as duas mais afetadas pela questão racial, sem dúvida. Continuam numa espécie de segunda camada da sociedade portuguesa. Quase não existem figuras de relevo destas comunidades, pois não? Isto é um sintoma do que se passa. As pessoas ainda estão «atrás do biombo» em relação aos outros.

A Europa vive uma crise de refugiados que se arrasta há já algum tempo mas que já pouco se fala. Esta situação teve algum impacto na forma como a comunidade europeia olha para as minorias étnicas? 
Eu não chamaria crise dos refugiados, mas uma crise da resposta política à questão dos refugiados. Se nós olharmos à volta da Europa, para o Líbano ou Turquia, vemos que o número de refugiados é substancialmente maior. Houve um debate público a nível europeu que resvalou pouco por cá. O discurso político em relação à suposta ameaça dos refugiados e da sua presença contaminou o debate público de que falávamos porque deu força a alguns discursos xenófobos e racistas e observamos, com muito receio, a ascensão das forças de extrema-direita.

Em Portugal também?
Não sentimos com a mesma força que noutros países, isso não.

 

Fonte;https://www.noticiasmagazine.pt/2017/mamadou-ba-racismo-punivel-lei/

Falar de racismo em Portugal é um tabu

mamadouOPINIÃO

Desafiámos Mamadou Ba a pronunciar-se sobre o episódio ocorrido este fim-de-semana na Feira do Livro durante um debate sobre activismo no qual era um dos participantes.

No dia 2 de Junho, a convite de Joana Gorjão Henriques [jornalista do PÚBLICO e autora de Racismo no país dos brancos costumes], fui à Feira do Livro de Lisboa discutir ativismos em torno deste seu último livro, editado pela Tinta da China, na companhia de Ana Tica, Beatriz Gomes Dias e Raquel Rodrigues.

Com vivacidade, intensidade e acutilância, as magistrais intervenções das minhas companheiras de ativismo puseram o dedo na ferida, vincando o caracter estrutural do racismo na sociedade portuguesa, mostrando como o ativismo pode – e está cada vez mais a consegui-lo –  quebrar o tabu sobre a sua existência e desconstruir o mito de uma certa excecionalidade do legado colonial português que seria uma espécie de maleita virtuosa que preveniria o racismo.

Enquanto decorria o debate, uma funcionária da APEL, visivelmente incomodada, manifestava a sua discordância com o teor da conversa, tecendo comentários e referindo-se a nós como “esta gente”. Ainda estávamos a meio do debate quando ela começou a pedir para apressarmos o seu fim, uma vez que se iria seguir um outro evento no mesmo local. Continuou a insistir para acabarmos o debate de imediato, estava a Raquel Rodrigues no uso da palavra. Quando chegou a minha vez, após ter agradecido à Joana pelo seu contributo na visibilidade do ativismo, de me orgulhar de ter ali três mulheres negras a usar da palavra, a falar por e sobre si próprias e sobre nós todo/as, o que achava mais um passo na conquista de lugar no espaço público, eis que sou diretamente interpelado pela funcionária nos seguintes termos: “Vê lá se te despachas!”

Aconteceu-me um momentâneo bloqueio mental. Não é que não esteja habituado a ser interrompido ou até, por vezes, apupado durante uma intervenção. Consoante as circunstâncias e os contextos, costumo lidar com frieza ou ira. Mas naquele momento, nem uma nem outra coisa aconteceram. Por instantes, tive um nó na garganta. Porque ficou claro para mim que, não fosse o debate sobre ativismo anti-racista e as e os seus protagonistas serem sujeitos racializados negros, obviamente que esta cena não teria nunca acontecido nos moldes em que aconteceu. Senti-me terrivelmente violentado, desrespeitado e humilhado e senti uma profunda desilusão tendo em conta o contexto e o ambiente.

Ainda assim, a indignação da editora Tinta da China, pela voz de Bárbara Bulhosa, da quase totalidade da assistência, das minhas companheiras de mesa foi um bálsamo para mim, bem como a avalancha de reclamações no livro de reclamações [da Feira do Livro] foi motivo de orgulho e esperança.

O que aconteceu connosco na Feira do Livro, e a inaceitavelmente tardia reação da própria APEL, levantam a questão sobre qual o nosso lugar na sociedade portuguesa. Pois a questão do lugar é das mais centrais no debate sobre o racismo nas sociedades como a nossa, onde a colonialidade, âncora da banalização do racismo, assume relevância cultural. A invisibilidade do corpo negro no espaço público prende-se, em larga medida, com o lugar de fala que lhe é reconhecido e/ou atribuído. Porque falar é poder. Poder de luta, de confronto com a realidade, de capacidade de propostas e de potencial transformador das relações de força. A partir do momento em que negras e negros querem e podem falar por si, sobre si próprios e a sua condição, mas também com e sobre a sociedade, com autonomia política, estala o verniz. O que aconteceu na Feira do Livro inscreve-se basicamente na lógica do que tem acontecido ultimamente no país, em que vozes negras que ousam falar do racismo e da sua ligação com o legado colonial sofrem uma injunção ao silêncio.

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Sabemos que dói quando se toca na ferida, mas se não a tratarmos enquanto é tempo será muito mais difícil extirpar a gangrena e evitar episódios como aquele que aconteceu no sábado. A sociedade e as instituições têm de se habituar que o debate sobre racismo jamais será quando e como quiserem. O episódio de sábado revela o quão importante é não deixar o espaço do debate aos arautos da verdade única que querem silenciar o ativismo para continuar a legitimar o racismo.

Os sujeitos racializados negros vão continuar a afirmar com autonomia e determinação a escolha do momento de fala. E a força e as circunstâncias do seu aparecimento no espaço público são, efetivamente, uma posição política clara de luta pelo reconhecimento do seu direito à palavra, o seu direito ao lugar na sociedade portuguesa. Mais do que objetos de uma condição histórica determinada apenas por outrem, assumem-se como sujeitos políticos que lutam pela sua afirmação.

No sábado ficou claro que falar de racismo na sociedade portuguesa ainda incomoda e é por isso que importa manter o debate aceso no espaço público. O nosso ativismo nunca foi para mendigar lugar, mas sim para conquistar lugar, direito e legitimidade política para ocupar todos os espaços de cidadania em liberdade.

Mamadou Ba escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Fonte: https://www.publico.pt/2018/06/04/sociedade/opiniao/falar-de-racismo-em-portugal-incomoda-e-e-por-isso-tambem-que-importa-1833148?utm_source=notifications&utm_medium=web&utm_campaign=1833148#

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Boubakar Keita: “Não há intercâmbios entre os cientistas africanos”


Professor Boubakar Namory Keita
Professor Boubakar Namory Keita

Boubakar Keita diz que isso prejudica o continente

A falta de contactos entre cientistas e investigadores africanos é ”um grande desafio” para o desenvolvimento de África, disse Boubakar Namory Keita professor de história e e antropologia na Universidade Agostinho Neto.

“Não há um grande intercambio entre as universidades angolanas, entre a intelectualidade angolana os centros de estudos angolanos e os seus congéneres de outros pais africanos mesmo os mais próximos como Namíbia África do Sul congo e outros”, disse Keita.

“Infelizmente isto é um grande deficit e faz parte dos actuais desafios que se colocam ao continente africano”, acrescentou o professor para quem esta situação “faz parte dos inúmeros problemas que o continente vive na ciência e na investigação cientifica”.

“So se observam focos isolados e infelizmente não há grande troca de experiencias não há um intercambio efectivo permanente entre as regiões”, disse.

“Existem mais intercâmbios entre Angola e Portugal, entre Angola e o Brasil do que entre Angola e o Senegal ou o Mali Burkina Faso”, afirmou Keita acrescentando que isso “é uma herança colonial “.

Keita falava por ocasião da publicação pela Mayamba Editoria e a a faculdade de ciências sociais a obra “Contribuição endógena para a escrita da história da África Negra – Ensaio sobre a obra de Cheikh Anta Diop.

O acto visou saudar o Dia de África – 25 de Maio e os 40 Anos da Independência de Angola, sob o lema “Angola 40 Anos – Independência, Paz, Unidade Nacional e Desenvolvimento”.

Keita disse que Diop “desconstruiu toda uma mitologia em volta do passado da África, em volta daquilo que África era capaz e irá ser”.

Para Keita Diop “teve que desmantelar e desconstruir um conjunto de mitos em volta do passado e da capacidade dos negros africano para construir novos paradigmas novos modelos”.

“Faltava essa pequena luz que possibilitava uma outra contribuição do passado da África Negra para podermos fazer uma historia objectiva mas não uma historia partidária ou subjectiva” disse o professor da Universidade Agostinho Neto.

https://www.voaportugues.com/a/no-h-contactos-entre-investigadores-africanos-professor-da-universidade-agostinho-neto/2802014.html

As relações entre os governos de Angola e Portugal se reaproximam

O director do órgão de comunicação social detido pelo Estado angolano avisa que a decisão de transferir o processo Manuel Vicente para Angola, só por si, não “deixará tudo como era antes”.

Jornal de Angola: danos nas relações “ainda vão fazer-se sentir por algum tempo”
Lusa

Os governos de Portugal e Angola estão a reaproximar-se, depois de resolvido o caso Manuel Vicente, mas o regresso à normalidade das relações bilaterais ainda vão demorar tempo a concretizar-se. Esta é a convicção de Victor Silva, director do Jornal de Angola, que assina o editorial desta quarta-feira, 16 de Maio, deste órgão de comunicação social detido pelo Estado.

“O desconforto por que passaram as relações oficiais entre os dois países parece agora ultrapassado, mas deixou danos que, apesar de reparáveis, ainda vão fazer-se sentir por algum tempo”, alerta Victor Silva. O editorialista acrescenta: “passo a passo, vai-se quebrando o gelo que permitirá a reposição da cooperação política nos mais altos patamares, sendo, contudo, prudente não se pensar que a decisão do tribunal português, só por si, deixará tudo como era antes”.

Manuel Vicente, ex-vice-presidente de Angola, era acusado pela justiça portuguesa de ter corrompido o magistrado Orlando Figueira. Não chegou a ser notificado e o seu processo acabou por se destacado do julgamento de orlando Figueira que ainda decorre. A 10 de Maio deste ano, o Tribunal da Relação de Lisboa decidiu transferir o processo para Angola, acedendo assim à pretensão do Estado angolano e dos advogados de Manuel Vicente.

O director do Jornal de Angola sublinha que durante o decurso do chamado caso Manuel Vicente “nunca houve um extremar de posições”, uma observação assente no encontro que o presidente de Angola, João Lourenço, e o primeiro-ministro português, António Costa, tiveram em Davos e também na deslocação de Marcelo Rebelo de Sousa a Angola para assistir à tomada de posse do chefe de Estado angolano, mas salienta que a polémica criada em torno deste processo teve, sobretudo, contornos políticos.

“O problema estava na política, se bem que se ouviu até à exaustão o argumento da separação de poderes, com a alegada independência do judicial, uma regra elementar de qualquer Estado Democrático de Direito.

Mesmo depois do acórdão do Tribunal da Relação, a polémica sobre o assunto persiste, com as posições divididas quanto à eventual inclinação política na decisão do colectivo de juízes de enviar para Angola o processo do ex-vice Presidente Manuel Vicente, escreve Victor Silva.

O editorialista partilha a opinião de que os dois países estão condenados a entender-se mas deixa uma ressalva: “esse entendimento passa, acima de tudo, pelo respeito, pela soberania e pela não-ingerência, que recorrentemente são ignorados em nome de liberdades que agendas escondidas no tempo vão buscar para sustentar velhos desígnios”.

Festival Literário Luso-afro- brasileiro – FESTLAB de 15 a 18 de maio.

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Em alusão ao Dia Internacional da Língua Portuguesa, que é comemorado no início de maio, a Embaixada do Brasil em Luanda,

através do Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA), promove o

Festival Literário Luso-afro- brasileiro –  FESTLAB

de 15 a 18 de maio.

 

Nesta segunda edição, os curadores do Festival Literário, o escritor angolano José Luís Mendonça e a Diretora do CCBA, Nidia Klein, definiram os seguintes temas para serem discutidos entre os mais de 15 convidados de seis países lusófonos:

 

15 de Maio (Terça-feira)
18h30 às 20h30

MEDIADORES DO PROCESSO DE LEITURA

1. As problemáticas do acesso ao livro – estantes materiais e virtuais; o mercado livreiro; taxação do livro importado

2. Alternativas de edição e publicação populares (livro de cordel e fanzines)

3. Tradição oral e contação de histórias (leitura dramática, teatralização e musicalização) como gatilhos para o despertar para a leitura

Moderação: Pedro Janja- Professor investigador da UNIPiaget

Debatedores: Mirna Queiroz- Brasil

António Fonseca – Angola
Domingas Monte – Angola
16 de Maio (Quarta-feira)
10h às 12h

LITERTURA INFANTIL

1. Equívocos derivados da iliteracia literária; literatura ou notícia moralista?

2. O fascínio da ilustração: técnicas, tendências, equilíbrio entre texto e imagem e convergência etária.

3. Literatura infanto-juvenil: um gênero esquecido? (Mala viajante; tradição oral)

Moderação: Teresa Mateus – Diretora do Centro Cultural Português – Instituto Camões Luanda

Debatedores: Marta Costa- Brasil

Hélder Simbad – Angola

Felipe Fortuna – Brasil

 

18h às 20h
O LIVRO COMO FERRAMENTA DIALÓGICA INTER-GERACIONAL

1. O livro como ferramenta dialógica inter-geracional

2. A função central da leitura como pressuposto da criação literária.

3. O acervo bibliográfico mundial historicamente constituído como voz viva dos seus autores: tradução como forma de diversificação de acervo.

4. Dilemas culturais da criação: os jovens e as minorias

Moderação: Vera Franco de Carvalho – Embaixatriz do Brasil

Debatedores: Josélia Aguiar- Brasil

José Luís Mendonça – Angola

Lopito Feijóo – Angola

 

17 de Maio ( Quinta-feira)

18h às 20h

LIVRO E TECNOLOGIA

1. Criação de uma rede de agentes culturais e recursos eletrônicos literários na CPLP

2. A tecnologia como aliada aos meios tradicionais de criação literária contemporânea – impactos e adaptações

3. Difusão literária – novas perspectivas – rádio, gadgets, aplicativos, audiolivros, etc

Moderação: Nidia Klein – Diretora Centro Cultural Brasil-Angola

Debatedores: Mbate Pedro- Moçambique

Orlando Piedade- São Tomé e Príncipe

Felipe Fortuna – Brasil

 

18 de Maio (Sexta-feira)

18h às 20h30

LITERATURA E APROXIMAÇÃO DOS POVOS

1. Existirá uma interdependência entre Literatura e Desenvolvimento Social?

2. O que nos une e o que nos separa enquanto Literatura em Língua Portuguesa

3. O papel da literatura e do escritor na construção de um diálogo transversal entre os povos falantes do português

Moderação: José Luís Mendonça – Curador II Festlab

Debatedores: Flávia Amparo – Brasil

Maria João Cantinho – Portugal

Abraão Vicente – Cabo Verde

Ondjaki – Angola

 

Todos os encontros acontecerão no Centro Cultural Brasil-Angola – entrada pela Rua Frederich Engels – Bairro Coqueiros, ao lado do Museu de Antropologia e são gratuitos ao público.

 

O II Festlab tem o apoio da TAAG Linhas Aéreas de Angola, do Hotel Presidente, do Esplanada Grill, apoio institucional da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (Aebran) e da Ingresso Prático.

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DEBATEDORES
ANGOLA

António Fonseca
Membro Fundador da Academia Angolana de Letras, de que é o Secretário-Geral, é membro da União dos Escritores Angolanos, foi co-fundador da Brigada Jovem de Literatura. Publicou Raízes, Sobre os Kikongos de Angola, Poemas de Raíz e Voz, Crónica dum Tempo de Silêncio, Contribuição ao Estudo da Literatura Oral Angolana, Histórias e Memórias Desancoradas ( traduzido para o espanhol), Contos de Antologia, Contos da Nossa Terra e Primo Narciso e Outras Estórias. É co-autor da Antologia de Narrativas Tradicionais. Figura em diversas antologias, que de prosa, quer de poesia, algumas das quais traduzidas. Iniciou atividade jornalística em 1976 na Emissora Católica de Angola, ingressando posteriormente na Rádio Nacional de Angola onde, desde 1978, realiza e apresenta o programa ANTOLOGIA; realizou e apresentou o programa Estórias na TV Palanca.

Dirigiu a ENDIPU – Empresa Nacional do Disco e de Publicações de 1982 a 2004 e dirigiu cumulativamente o INALD – Instituto Nacional do Livro e do Disco de 1983 a 2004 com interregno de cerca de um ano. Exerceu igualmente a função de Secretário Geral do MINCULT. Dirigiu o Gabinete Jurídico do Ministério da Cultura de 2004 a 2006 e exerceu entre 2007 e 2009 a função de Diretor Nacional dos Direitos de Autor e dos Direitos Conexos e a de Diretor Geral do Instituto Nacional do Livro e do Disco e, posteriormente, até ao final de 2013, a função de Diretor Geral do Instituto Nacional das Indústrias Culturais. É consultor do Gabinete da Ministra da Cultura. É docente na Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto.

 

Domingas Monte
Autora do livro infanto-juvenil “O Gelado de Múkua da Mamita”. Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes, ramo de Estudos Comparatistas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto em Portugal, é licenciada em Línguas e Literaturas Africanas, ramo de literaturas africanas, pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto em Angola é docente da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto em Luanda, no curso de línguas e literaturas africanas. Foi jornalista e administrativa na rádio LAC, tem uma obra poética publicada em conjunto com um grupo de amigos, «O Perfume», possui poemas em antologias poéticas no Brasil. Co-autora do romance interativo «O cruzeiro da morte», co-autora da colectânea «Sonhos sem Fronteiras». Possui poemas no site Paralerepensar. Criou o Blogue Mwelo Weto, do qual é administradora.

 

Hélder Simbad
Angolano, de Cabinda. Professor de Língua Portuguesa e Literatura Africana do Segundo Ciclo de Ensino. É Coordenador Geral do Movimento Litteragris. Foi o vencedor do prémio António Jacinto, edição 2017.

 

Lopito Feijóo
Membro da União de Escritores Angolanos (UEA), escreveu os seguintes livros: Entre o Écran e o Esperma (1985), Menção Honrosa no concurso De Literatura “Camarada Presidente”; Me Ditando (s/d); Doutrina (1987) edição da UEA; Rosa Cor de Rosa (1987); Corpo a Corpo (1987); Cartas deAmor (1990); Meditando. Textos de Reflexão Geral sobre Literatura (1994). Reconhecido e prestigiado poeta e ensaísta, a sua obra figura em revistas e jornais nacionais e estrangeiros: brasileiros, portugueses, galegos, norte-americanos, entre outros.

 

José Luís Mendonça
Escritor com vasta obra publicada, e cujo mérito foi-lhe reconhecido pelo Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2015. Licenciado em Direito pela Universidade Católica de Angola, a sua participação mais visível na construção da Polis angolana tem-se cingido, até ao momento, aos andaimes do
jornalismo, paixão esta que lhe valeria a atribuição, em 2005, do Prémio Notícias da Lusofonia CNN-Multichoice de Jornalismo Africano. Presentemente é diretor e editor-chefe de Cultura – jornal angolano de Artes e Letras.

 

Ondjaki
É membro da União dos Escritores Angolanos, membro honorário da Associação de Poetas Húngaros e da Japan International Dark Poetry Society. Na Galiza, foi agraciado com a palavra-amuleto “angolego”. Prosador e poeta, também escreve para cinema. Está traduzido para francês, espanhol, italiano, alemão, inglês, sérvio, croata, swahili, holandês e sueco. Escreve crónicas para jornais (Angola, Portugal, Brasil, Inglaterra) e, ocasionalmente, é (des)professor de escrita criativa .

 

BRASIL
Felipe Fortuna
Poeta, ensaísta e diplomata, é mestre em Literatura Brasileira pela PUC-Rio de Janeiro, com tese sobre o simbolismo brasileiro.
Estreou na poesia em 1986, com o livro “Ou vice-versa” e, desde então, publicou um total de 15 livros.

 

Flávia Amparo
É Professora Associada de Literatura Brasileira da Universidade Federal Fluminense e do Colégio Pedro II (Rio de Janeiro, Brasil). Doutora em Literatura Brasileira, especialista na poesia de Machado de Assis. Publicou, As melhores crônicas de Josué Montello, os volumes Luiz Murat e Mario de Alencar, da série Essencial da Academia Brasileira de Letras, e Itinerários da palavra. Sua pesquisa atual se concentra nos estudos de Literatura – teoria e crítica literária – assim como analisa as suas contribuições para o letramento e o ensino de Língua.

 

Josélia Aguiar
É jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (BA), mestre e doutoranda em história pela Universidade de São Paulo (USP). Na Folha de S. Paulo, foi repórter, redatora e correspondente em Londres. Editou a EntreLivros, revista mensal sobre livros entre 2005 e 2008. Foi curadora do Festival da Mantiqueira (2014) e é pelo segundo ano curadora da Festa Literária Internacional de Paraty (2017-2018). Escreveu a biografia do escritor Jorge Amado, projeto iniciado em 2011, cujo lançamento ocorrerá julho deste ano.

 

Marta Morais da Costa
Graduou-se em Letras pela UFPR, fez mestrado e doutorado na USP na área de literatura brasileira, com dissertação sobre a dramaturgia de Roberto Gomes (1882-1922) e tese sobre a história do teatro em Curitiba. Tem dezenas de artigos publicados em revistas nacionais. É pesquisadora da Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio. Ocupa a cadeira nº 27 de Academia Paranaense de Letras.

 

Mirna Queiroz
É jornalista e editora, com mestrado em Estudos
Culturais pela Universidade de São Paulo (USP). É fundadora e
diretora executiva da revista Pessoa (revistapessoa.com), voltada para a literatura contemporânea de língua portuguesa. É curadora da programação da Fundação Roberto Marinho/Museu da Língua Portuguesa para as edições 2017/2018 da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty.

 

CABO VERDE
Abraão Vicente
Atual Ministro da Cultura de Cabo Verde. É sociólogo de formação, pintor e fotógrafo autodidata com exposições em vários países e presença em coleções privadas de renome. Foi jornalista e cronista do jornal cabo-verdiano A Nação e concebeu e apresentou programas televisivos para as televisões local e portuguesa. É natural da Ilha de Santiago, Cabo Verde, mas estudou sociologia na Universidade Nova de Lisboa. É autor do romance O Trampolim, dos livros de poesia E de Repente a Noite e Amar 100 Medo, Cartas Improváveis & Outras Letras, da coletânea de crónicas Traços Rosa Choque, e do livro de poesia em prosa 1980 Labirintos. O autor participa, também, na coletâneas de contos Dez Contos Para Ler Sentado, entre outras.

 

MOÇAMBIQUE
Mbate Pedro
É autor de vários livros de poemas, com destaque para: Minarete de Medos e Outros Poemas, Debaixo do Silêncio que Arde , Vácuos e Os Crimes Montanhosos . Com Debaixo do Silêncio que Arde foi agraciado com o Prémio BCI (para o melhor livro do ano publicado em Moçambique) e com uma menção honrosa do Prémio Glória de Sant’Anna (Portugal). Tem os seus textos (poemas e ensaios) dispersos em várias revistas literárias e jornais e tem colaboração em diversas antologias.

 

PORTUGAL
Maria João Cantinho
Doutorou-se em Filosofia Contemporânea na Universidade Nova de Lisboa. É professora do ensino secundário e leccionou no IADE entre 2011/2016. É investigadora do CFUL na Universidade de Lisboa e no Centre d’Études Juives da Sorbonne. Publicou 4 livros de ficção, 4 de poesia e foi finalista do Prémio Telecom em 2006, com a obra “Caligrafia da Solidão”. O seu último livro, “Do Ínfimo” conquistou o Prémio Literário Glória de Sant’Anna e foi nomeado como finalista no Prémio de Poesia do Pen Clube Português.

 

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
Orlando Piedade
É autor da obra “O Amor Proibido”, um romance baseado na história da colonização em São Tomé e Príncipe, publicado pela editora Colibri em 2011.
É ainda autor da obra “Os Meninos Judeus Desterrados” – prémio literário Francisco José Tenreiro 2015, o seu último romance, publicado em Dezembro de 2014 pela mesma editora, onde aborda a história de cerca de duas mil crianças judias enviadas, em 1493, para povoar as ilhas de São Tomé e Príncipe.

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Portugal apoia a transição política em Guiné Bissau

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O MNE português referiu que este compromisso representa “um renovado empenho dos atores políticos guineenses”. Aristides Gomes foi nomeado primeiro-ministro do país para chefiar um Governo inclusivo.

O Governo português saudou esta quarta-feira o acordo alcançado pelos políticos guineenses que levou à nomeação de um novo primeiro-ministro e à marcação de eleições legislativas, considerando que se trata de um “contributo essencial” para ultrapassar o impasse político.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português referiu que este compromisso representa “um renovado empenho dos atores políticos guineenses” no cumprimento do Acordo de Conacri, respondendo “aos apelos da sociedade guineense e da comunidade internacional”.

O Presidente guineense, José Mário Vaz, nomeou na segunda-feira o sociólogo Aristides Gomes, 63 anos, primeiro-ministro do país para chefiar um Governo inclusivo, que terá como missão a realização de eleições legislativas, marcadas nesse mesmo dia para 18 de novembro deste ano.

Esta decisão resultou das negociações promovidas pela Comunidade Económica dos Estados da áfrica Ocidental (CEDEAO) para encontrar um mecanismo que pusesse fim definitivo à crise política que afeta a Guiné-Bissau há cerca de três anos.

Aristides Gomes é assim o sétimo primeiro-ministro nomeado por José Mário Vaz, eleito Presidente da Guiné-Bissau em 2014. Sociólogo formado em França, Aristides Gomes, dirigente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), de que chegou a ser primeiro vice-presidente, vai liderar um Governo que terá a missão de organizar eleições legislativas.

O Governo português referiu que continuará a ser “um parceiro ativo” na cooperação com a Guiné-Bissau e destacou “o empenho da comunidade internacional” para que as eleições de novembro possam ser “mais um passo firme no sentido do regresso à estabilidade político-institucional” no país.

https://observador.pt/2018/04/18/portugal-sauda-acordo-na-guine-bissau-para-nomeacao-do-primeiro-ministro/

4 de Abril de 2002, o fim do pior período da história contemporânea de Angola

 

Luísa Rogério

A assinatura do Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka, a 4 de Abril de 2002, pôs fim ao pior período da História recente de Angola. A data passou a designar-se como o Dia da Paz.

Venâncio de Moura, Boutros Gali e Blondin Beye, durante o processo negocial de Lusaka
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Com o acto, o Governo angolano e a UNITA fecharam o nefasto ciclo de guerra, que deixou o pesado balanço de vários milhares de mortos. Profundamente dilacerado, o país contava, na altura, cinquenta mil crianças órfãs e cem mil mutilados. Informações disponibilizadas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas (ACNUR) indicam que mais de quatro milhões de angolanos tornaram-se deslocados no território nacional, enquanto 600 mil buscaram refúgio no estrangeiro.
Coube aos generais Armando da Cruz Neto, pelas Forças Armadas Angolanas (FAA), e Abreu Muengo “Kamorteiro”, pela UNITA, assinar o Memorando na presença de personalidades da sociedade civil, líderes religiosos e representantes do corpo diplomático. Milhões de angolanos no país e ao redor do mundo acompanharam a solenidade que alterou radicalmente as expectativas da população cansada de guerra. Do início das conversações, pouco depois da morte, em combate, de Jonas Savimbi, a 22 de Fevereiro, ao cessar-fogo, deu-se um curtíssimo passo. A formalização ocorreu a 4 de Abril, mas não houve o registo oficial de combates nesse espaço de tempo.
A vontade política das partes signatárias, que autorizam as chefias dos dois exércitos a conversar sem mediação estrangeira, ao longo de quinze dias, foi determinante para o desfecho positivo.
Luena, a capital do Moxico, albergou as negociações entre militares das FAA e FALA que subscreveram, a 30 de Março, o memorando complementar para a cessação das hostilidades e resolução das questões pendentes nos termos do Protocolo de Lusaka. O acto, realizado a 4 de Abril, no Palácio dos Congressos, encerrou também o período de 27 anos de acordos mal sucedidos entre o MPLA e a UNITA.
O primeiro pacto aconteceu no Algarve, a 15 de Janeiro de 1975, na sequência do reconhecimento, por Portugal, dos líderes dos três movimentos de libertação, MPLA, FNLA e UNITA, como únicos e legítimos representantes do povo angolano. Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi assinaram, pelos respectivos partidos, os chamados Acordos de Alvor, na presença de Vasco Martins e Costa Gomes, nesta ordem, Primeiro-Ministro e Presidente de Portugal. O consenso para a versão final dos documentos foi obtido ao fim de seis dias de discussões. Com 60 artigos, o entendimento estabeleceu os mecanismos de partilha do poder até à proclamação da independência de Angola, marcada para 11 de Novembro de 1975.
A eleição de uma assembleia constituinte, a seguir à retirada das tropas portuguesas de Angola, seria um dos pontos altos do processo, que cuminaria com a Independência Nacional. Alvor foi antecedido de inúmeros encontros secretos, iniciados três meses antes, tendo o texto final resultado de uma pré-cimeira, realizada em Mombaça, no Quénia. Os três movimentos definiram as formas de divisão de poderes, a estrutura do Governo de Transição, que funcionaria de modo rotativo, assim como a integridade do território e a data da independência.
Em determinada etapa da concretização dos Acordos de Alvor, o processo descarrilou. A história se encarregará de desmistificar as verdadeiras razões do revés. O facto é que o Acordo de Nakuru, rubricado a 21 de Junho de 1975, na localidade que lhe deu o nome, no Quénia, visou resgatar o espírito de Alvor.
As conversações resultaram na concordância, pelos três movimentos, de uma trégua que só vigorou até 9 de Julho. Os políticos voltaram a desentender-se. Dessa vez, sem margem para retorno à mesa de negociações.
Agostinho Neto proclamou a Independência de Angola na data prevista. Fê-lo sozinho, em nome do MPLA, sob o troar de canhões a escassos quilómetros de Luanda.
O conflito agravou-se, a ponto de ter sido considerado um dos mais violentos do mundo. A UNITA, à qual se atribuía um protagonismo menor na arena militar, montou o seu quartel-general na Jamba (Kuando Ku-bango). Armou-se e fez alianças decisivas.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/longo_caminho_ate_a_paz