Brasil apoia o combate da lagarta-do-cartucho junto aos agricultores africanos

agricultura_milho_praga_lagarta_spodoptera_mato_grosso (Foto: Rafael Pitta / Divulgação)Spodoptera ataca planta de milho, em Mato Grosso. Orinigária da América, lagarta pode causar prejuízos estimados em bilhões de dólares por representantes da FAO (Foto: Rafael Pitta / Divulgação)

Uma das maiores ameaças à agricultura do continente africano tem nome e sobrenome: Spodoptera frugiperda. Também conhecida como lagarta-do-cartucho, a praga, originária de regiões subtropicais da América, foi encontrada na África pela primeira vez no ano passado, na Nigéria, e, segundo especialistas, espalhou-se pelo países da região.

Em reportagem da rede alemã Deustche Welle, um representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) afirmou que a lagarta deve causar grandes danos à colheita neste ano.

“O tamanho do dano é uma grande preocupação, especialmente nos países onde a maior parte dos agricultores é de pequenos e com pouco acesso a pesticidas”, diz Jean-Baptiste Bahama.

A cultura mais atacada pela lagarta, ressalta a publicação, é o milho. Segundo estimativas da própria FAO, a cada ano, as lagartas podem destruir entre oito e 21 milhões de toneladas do cereal. Bahama, representante da agência da ONU, fala à em perdas entre US$ 2,5 bilhões e US$ 6,5 bilhões para os agricultores africanos.

Agencia Brasileira de Cooperação – ABC  coopera no combate a praga no algodão

A lagarta Spodoptera frugiperda, ou “lagarta do cartucho”, tem prejudicado seriamente também a produção de algodão em diversos países africanos, já desde o ano passado. Como consequência, afetado a fonte de rendimento de centenas de pequenos produtores de algodão, que dele dependem para o seu sustento pessoal e familiar.

Após receber demanda específica de países parceiros com quem o Brasil desenvolve projetos de cooperação técnica nesta área, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) organizaram uma capacitação sobre o combate à lagarta Spodoptera frugiperda.

No âmbito da iniciativa “Fortalecimento tecnológico e difusão de boas práticas agrícolas para o algodão em países do C4 e no Togo”, foi assim realizada em Notsè, a 100 Km de Lomé, capital do Togo, entre os dias 14 e 17 de junho, uma formação para pesquisadores e extensionistas dos cinco países que participam do projeto (Benin, Burquina Faso, Mali, Chade e Togo), que foi ministrada pelos pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo, Dr. Ivan Cruz e Dr. Ivênio Rubens de Oliveira, especialistas no assunto.

Por meio da atividade de formação, que contou com cerca de 30 pessoas, sendo um pesquisador, um extensionista e um técnico responsável por gerenciar as “unidades técnicas de aprendizagem” de cada um dos cinco países, os participantes aprenderam soluções eficazes de combate à lagarta Spodoptera frugiperda, utilizando meios que se encontram disponíveis nos seus países.

Durante a capacitação, diversas sessões de perguntas e respostas puderam esclarecer as dúvidas dos presentes, assim como foram realizadas visitas de campo para que fossem colocados em prática os aprendizados adquiridos, assim como para mais esclarecimentos.

 

Uma das atividades realizadas em conjunto foi a instalação de uma armadilha, nos campos de cultivo do algodão, para a coleta de mariposas da lagarta. Na ocasião, foi explicada a importância do acompanhamento periódico das plantações, que permite o uso reduzido ou nenhum de produtos químicos. Os pesquisadores da Embrapa esclareceram que o uso equivocado de inseticidas (químicos) pode desenvolver a resistência no inseto que, além de não resolver o problema da Spondoptera, acaba por matar os insetos benéficos que ajudariam o produtor no controle das pragas.

No caso da lagarta, três mariposas capturadas na armadilha já configurariam o limite máximo de prejuízo desejável, e já requerem início da intervenção com a utilização de controle e monitoramento biológico. No final da formação, além de fazerem um exercício de análise e proporem um plano de ação para tratamento e controle de pragas, os participantes levaram para casa um “kit de armadilha” para utilização local em seus países.

O proprietário de um dos campos visitados, M. Keke Kossi Simon é também pecuarista e possui uma pequena criação de peixes. Ao final, em entrevista à ABC, Simon disse ter entendido os benefícios do controle biológico e afirmou que procurará colocar as ações em prática.

A formação foi bastante elogiada pelos participantes, que saíram esperançosos ao aprenderem soluções práticas e técnicas possíveis de serem implementadas para o combate à lagarta. Os pontos fortes mencionados fazem referência ao fato da solução apresentada ser eficaz, além de não trazer prejuízo ao meio ambiente, nem a outras culturas de produção, não ser poluente, ter caráter sustentável e custo inferior ao do controle químico. Terão eles agora a responsabilidade de transmitir o conhecimento adquirido nos seus países.

O projeto de cooperação técnica “Fortalecimento tecnológico e difusão de boas práticas agrícolas para o algodão em países do C4 e no Togo”, desenvolvido pela ABC, por meio de uma parceria estabelecida com a Embrapa e com os governos do Benin, Burquina Faso, Mali, Chade e Togo, conta com o apoio do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).

 

imagem adicionalimagem adicionalimagem adicional